História B o u n d l e s s - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Colegial, Drama, Revelaçoes, Romance, Violencia
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Palavras 5.445
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Hentai, Lemon, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


oi kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Eu não vou conseguir a quantidade de merda q aconteceu na minha vida e depois de sei lá quantos meses consegui posta, mas tá ai, espero que me perdoem ou não né. Espero que gostem e não desistam de mim, beijos :*ps. cap não foi revisado, gente eu nem sei pq eu to postando isso, tenho mt coisa pra postar pq só escrevi coisas e não postei pq sei lá tenho problemas, se tiver confuso algum erro me avisem ou sei lá. All the love babies

Capítulo 4 - Creep


Skylar põe a mão em minhas costas me guiando, eu me sinto como se fosse um prisioneiro e tivesse que ter um guarda me acompanhando, isso me deixa frustrado. Suspirando e totalmente resignado começo a andar mesmo depois do seu show Skylar parece mais bravo do que estava já que por mim eu não precisarei ter passado por tudo isso, eu não queria ter encontrando Travis muito menos Skylar, não queria fazer parte dessa briga, que eu nem sei qual o motivo. Ver Travis tão debilitado e machucado me deixou com pena, mas ele merecia isso? O que ele fez para merecer isso e por que Skylar parece tão ligado com ele?

Porra.

Suas mãos me empurram com mais força do que deveria, sendo muito mais forte do que eu meu corpo é quase jogado para frente; Consigo escutar sua risadinha atrás como se isso tivesse sido a coisa mais engraçada que ele já viu.

- Você precisa ser mais esperto, eu podia ter te estuprado... Sei lá – Ele sorri para mim,  se referindo a sala de espelhos. Um sorriso carregado de deboche.  – Olha só para você. – Ele diz e sinto seus olhos atrás de mim me queimando.

Eu ainda fico em choque parado no meio do corredor que me levou até a sala dos espelhos.

- Você parecia tão assustado lá Thomas – Ele continua me empurrando enquanto fala atrás de mim, sua respiração quase ao pé do meu ouvido. – Achou que ia mesmo te empurrar da janela?

Ele tá me provocando? Minha cabeça está confusa, eu só quero ir para a sala da Srt Young e pegar minha mochila e ir embora, quero sair das garras de Skylar, que mal me conhece e já me fez de boneco por uma manhã inteira, me faz mentir, mentir para os superiores e pelo o que eu percebi foi o responsável pelos machucados de Travis. Eu não consigo mais, porra eu estou tão puto.

- Por quê? Por que você tá fazendo isso comigo? Eu não queria saber da garota, eu não queria saber de Travis! Você me fez mentir e ainda acha no direito de brincar comigo? Qual é o seu problema? – As palavras saem desgastadas e nesse momento eu mal consigo olhar para o seu rosto

Mas quando eu o vejo Skylar tem uma carranca dura e impenetrável mudando completamente seu estado de espirito de segundo atrás. E eu percebo suas mãos se fechando em posição de ataque como se fosse me bater. E tudo que passa pela minha cabeça é:

Fuja, fuja, fuja!

- Voce me acusou! Me acusou de ser responsável por Travis estar todo fodido lá! Naquela sala! E para de me olhar como se eu fosse o lobo mal, porra! – Skylar diz e começa passando furiosos por mim e começando a andar em passos rápidos na minha frente – E olha só Thomas... – Se vira me encarando - Para alguém que mal chegou já está arrumando problemas demais, você devia controlar a porra da usa boca! – Ele disse por fim, e naquele momento o único barulho que eu escuto é dos seus passos.

Começamos a andar novamente pelo caminho que ele me levou arrastado, me sinto um completo babaca por estar metido nessa merda. E as únicas pessoas que eu conheci nesse colégio de aluno, tirando Travis, é Skylar e eu já percebo que não nos damos bem, só espero que não seja assim mais com ninguém. Espero que eu conheça pessoas legais e divertidas, não alguém que muda de humor tão facilmente e que fica puto por tudo que eu falo ou faço.

- Pode andar mais devagar, por favor? – Peço, com a minha perna já começando a doer.

Skylar não diminui o passo pelo contrário ele anda mais rápido, não se virando para trás nem para ver seu eu estou muito longe dele. Atravessamos já o corredor e estamos em outro, no caminho do elevador. Eu quase corro para alcançá-lo, Skylar para na metade do caminho e eu vejo murmurar algo como um xingamento pela lentidão, lá vamos nós novamente.  Paramos novamente em frente ao elevador, e o clima fica tenso já que a merda do elevador não sobe ao nosso andar. Porra, as coisas não podiam estar melhores.

Só consigo perceber que estava prendendo a respiração assim que a porta do elevador se abre com um tintilar, Skylar entra na frente e eu o acompanho.  Ele se vira e coloca o número 05 no painel do elevador. Depois disso ele me dá algumas olhadas, mas sua expressão está vazia como se eu nem estivesse ali. E eu agradeço por isso mentalmente. Não quero mais brigar, não quero mais nenhum tipo de contato com ele. Acho que já me humilhei demais por hoje. 

Sinto a pressão do elevador me levando para cima e de como as coisas aconteceram ali mesmo, minha vertigem, Lisbeth, sala de enfermagem, Travis, Skylar, machucados, homens levando Travis, Srt Young. Tudo parece um filme, e é como se eu estivesse assistindo de câmera lenta às cenas, o que quase me faz rir porque realmente parecia um filme, menos a parte de Skylar e Travis. Eu ainda consigo sentir a tensão que os dois carregam, chega ser quase a minha tensão nessa caixa com ele ao meu lado, que mal me nota agora.

A porta se abre lentamente e Skylar me leva a outro corredor, eles parecem ser tão iguais, todos são brancos e bem mobiliados. Mas agora é diferente, nesse corredor a uma mesa com uma mulher sentada, o que parece ser uma secretária e algumas pessoas circulando por ali, era consideravelmente maior do que os outros corredores. Paramos subitamente quando um homem com um topete e um corpo musculoso passa por nós, ele sorri minimamente para Skylar e depois me olha, quase como se eu fosse invisível. Olho para Skylar e ele balança a cabeça, seu rosto se torna frio novamente, como se estivesse verdadeiramente irritado.

- Onde é a sala dela? – Pergunto tentando quebrar o clima.

- Onde está o nome dela, gênio – Ele responde sarcástico olhando finalmente em meus olhos.

Ok. Eu não vou mais falar nada.

Skylar me deixa sozinho e vai até onde a secretária está e eu percebo como ela se arruma sua postura muda e a mulher quase se joga nos braços deles, eu fito os dois. Claro quem não se jogaria nos braço dele? Eu não sou gay, mas não admitir que Skylar é bonito é tolice. Ele é bonito, sua postura o torna intimidador, seu olhar penetrante e a maneira como curva os lábios sorrindo, seu corpo alto e forte, seus braços a mostra pelo tecido da camisa com as veias saltadas, as mãos que são consideravelmente maiores que as minhas, seus lábios grossos a linha do seu maxilar, como o seu cabelo cai em seu rosto quando ele se vira. Mais que porra? O que eu to fazendo? Não é possível que eu esteja reparando em Skylar! Eu preciso realmente ficar longe dele.

Ele volta até mim sorrindo, parece que ficou bem alegrinho com a secretária, mudando seu humor novamente.

- Vem Lewis, já demoramos demais – Ele puxa meu braço e eu respiro fundo, me empurrando novamente até a sala da mulher.

Tento ignorar a pele dele entrando em contato com a minha novamente, mas isso parece ser uma tarefa fácil. Ele gosta de tocar nas pessoas sem pedir permissão.

A mais ou menos umas seis ou mais portas no corredor, do lado esquerdo e direito, no final do corredor um quadro enorme com a foto do que devia ser o colégio há anos atrás, pelo o que eu percebo as portas estão em ordem alfabética. As coisas são silenciosas e eu tento não fazer muito barulho. Skylar bate cordialmente na porta com o sobrenome Young em letras douradas.

Uma mulher de meia idade atende a porta, ela está trajando um suéter com o brasão da escola, junto com um blazer, calça social cinza e sapatos baixos de salto. Seu cabelo é solto e cai até seus ombros, ela sorri e bem, parece tão... Inglesa.

Retribuo um pouco tímido e Skylar fica parado na soleira da porta, sua expressão é indecifrável.

- Com licença... Eu hum, nós, quer dizer... É... podemos entrar, por favor? – Digo tomando controle da situação mesmo que esse controle seja gaguejando e travando, Skylar me encara com as sobrancelhas arqueadas como se a situação fosse muito divertida, mas desvia o olhar rapidamente.

- Claro querido, vocês podem entrar sim. – A mulher dizer gentilmente, eu sorrio, ela parece ser legal. – Então... Você deve ser Thomas Lewis, correto? – Ela fala assentindo para mim se sentar na poltrona de sua mesa.

A proposito o escritório é dividido, uma mesa em formato de  L, as coisas são bem empilhadas, e há muitos armários com vários números e nomes que não faço a mínima ideia, a luz do dia se infiltra pela janela e a sala tem cheiro de algum perfume cítrico floral, ou coisa do tipo. Eu respiro fundo apreciando o cheiro daquela sala tão conservada, indo em direção à poltrona enquanto Skylar para no meio da sala, em pé, quase impaciente.

- Você já pode sair Senhor Nikolaievich, já acabamos por aqui, sim? – Seu tom de voz é firme, mas á certa delicadeza quando ela fala com Skyle, em um tom que minha mãe fala comigo quando ela me nega algo. Ok, isso é estranho.

- Ah e aproveite e já chame a Senhorita Charlotte até a minha sala.

Ele assente e pede licença antes da sair da sala, o que me deixa intrigado é como seu comportamento mudou tão rápido e depois de como a mulher a minha frente o olhou, parecia um olhar tão materno e... Penoso?

- Senhor Lewis? – Ela pigarreia.

- Hã, desculpe-me... Eu... Eu só estava pensando.

- Então, como ia me apresentando meu nome é Katherine Howard, trabalho no setor administrativo do colégio, mas estou substituindo por algumas horas a senhora Young, pois tivemos problemas com alguns alunos hoje – Ela sorri complacente pra mim e eu sinto a referencia.

Ficar sem Skylar em minha presença me faz recobrar a consciência, como ficar com ele me deixasse tonto e eu não conseguisse organizar meus pensamentos.

-... Então quando você se transferiu para Brighton – Ela diz se referindo ao colégio - De Chicago, você está no 11th Grade, sendo considerado júnior. Correto? 

Eu concordei.

- Em Brighton temos termos diferentes, aqui temos particionadores que contribuem para o orçamento e investimentos em nossa instituição, então estamos sempre nos preocupando com a participação de nossos alunos em bancos escolares, instituições, clubes e coisas do gênero que possa nos dar visualização e com você não será diferente, certo? Você aqui na Inglaterra está no Key Stage 4, sim? Após o final do Key Stage 4 temos um exame conhecido como GCSE, certo? E em nosso colégio também temos o Sixth From, que é um complementação dessa sua etapa do seu período escolar. – Ela disse pegando o papel que Lisbeth havia me dado no inicio e assinando, sua voz não era robótica, ela falava tudo lentamente – As aulas começam às oito e meia dá manhã como você bem sabe, e terminam às três e meia da tarde, seu horário de almoço é do meio dia até meio dia é quarenta e cinco especificadamente.

Eu concordo, já havia lido isso nos vários papeis e em e-mails que minha mãe havia recebido do meu padrasto que cuidou de tudo.

- Cordialmente nos primeiros dias de aula dos alunos chamamos uma aluna, nossa monitora, para mostrar alguns pontos do colégio. Ok? Charlotte será sua monitora, ela está em seu mesmo ano e provavelmente em uma das salas que você irá prestar esse ano. – Ela sorri para mim, e eu tento acompanhar tudo o que ela fala.

Em Chicago era tudo mais simples.

- Ok.

- Após isso você já poderá almoçar e depois seguir seu horário normal de aula e por favor, faça todos seus professores assinarem esse papel e depois me devolva ou vá até a secretária e deixe com a Senhorita Lisbeth, ok? 

Eu aceno novamente, me alevantando da poltrona aconchegada.

- Muito obrigado Srt. Howard. – Digo me alevantando e apertando sua mão.

Ela retribui o aperto, e se levanta da sua mesa andando até mim com dois papéis. O primeiro é amarelo e tem vários marcadores, o segundo é branco e parece ter um horário de aula. Assim como em Chicago aqui no Inglaterra temos que escolher algumas matérias opcionais, mas outras como matemática, inglês, história, tecnologia, francês, biologia, química, física já são incluídas no horário de aula, e outras são opcionais. Por incrível que pareça as matérias opcionais, as melhores já foram escolhidas e eu fiquei com fotografia que não era tão ruim, artes cênicas que entra no campo de teatro, aula de matemática avançada e algo como cerâmica ou coisa do tipo. 

- Oh já ia me esquecendo! – Howard pega a minha mochila de algum canto da sala com um saco preto pendurada nela

- Foi um prazer Senhor Lewis. – Ela diz me entregando a minha mochila e um saco com que eu presumo ser meu uniforme e é claro os papéis.

Eu aceno minha cabeça com tudo meio desajeitadamente e saio de sua sala. Mas antes que eu possa até passar pela porta uma garota pequena com uma franja e uma tiara no cabelo me para, sorrindo gentilmente. Ok. Então essa deve ser Charlotte?

- Humm oi?

Eu tento não parecer mais confuso do que eu já estou.

- Olá – Ela proferi, seu tom de voz é agudo me fazendo dar um sorriso imperceptível por ela parecer tão fofa – Sou a Charlotte!

- Meu nome é Thomas, Thomas Lewis – Tento meio que apertar sua mão mesmo segurando as minhas coisas, saindo com alguns dedos fechados.

Ela não parece se importar dando uma pequena risadinha, o que me faz pensar que o som foi até que fofinho.

- Então, ér... Eu vou te mostrar o colégio, algumas coisas né porque ele é tão grande que eu precisarei o dia inteiro pra te mostrar tudo certinho – Ela continua começando a andar pelo corredor – Então... – Sua voz sai acompanhada de um olhar malicioso o que é irônico já que ela parece fofinha demais para isso .

- Oh certo... – Tento me inteirar no assunto que significa andar pelo colégio com Charlotte. – Eu só preciso colocar isso em algum lugar – Digo olhando para as minhas mãos ocupadas por materiais, uniformes e papeizinhos coloridos.

Ela olha para minhas mãos piscando um pouco os olhos como só estivesse percebendo meu desespero agora.

- Oh Thomas, ér Lewis sinto muito... Posso? – Diz se ferindo a meu uniforme.

Eu concordo integrando a ela o saco preto me fazendo dar um suspiro aliviado por ter minha mão esquerda quase livre, por conta dos papéis.

- Sabe no seu primeiro dia de aula não é obrigatório usar uniforme então você pode continuar com sua roupa... Eu só... Calma ai – Ela tira do seu bolso um papel pequeno– Essa é a combinação do seu armário, você pode guardar seu uniforme lá e o seu material. – Me entrega dando um mínimo sorriso.

- Tudo bem! Agora eu vou te mostrar onde fica seu armário que por mais incrível que pareça fica quase, eu disse quase, ao lado do meu! – Ela diz sorrindo ainda mais e começando a andar com meu uniforme nas mãos e sua tiarinha de plástico.  – Nós podemos ser amigos quem sabe? – Complementa, sorrindo ainda mais.

Eu a acompanho começando a andar ainda meu confuso e incerto pelo seu entusiasmo. Passando quase pela mesa da secretária e com pessoas nos olhando quase imperceptivelmente, Charlotte cumprimenta alguns com um sorriso no rosto mais as pessoas não parecem nem prestar atenção nela, o que me faz pensar que as pessoas estão olhando para mim? E por quê?

- E hum, Thomas... As pessoas estão comentando e eu quero ser a primeira – Ela diz se virando minimamente e me olhando com olhos brilhantes de curiosidade. Parando em frente ao elevador – Se não for tão invasivo quanto parece ser, é claro, por que você passou o dia inteiro andando com Skylar? O badass do colégio e um dos filhos dos fundadores de Brighton e não menos importante o garoto mais gostoso que eu já vi em toda a minha vida?

Congelo estático no mesmo instante que o elevador se abre com um plim e me tira do meu quase mini ataque cardíaco e me fazendo acordar para a realidade, então Skylar era filho dos fundadores do colégio e ainda por cima era popular? Não que ser popular não fosse algo que eu não esperava mais filho do fundador é algo demais para mim.

Ela olha para mim com um olhar interrogativo e meio malicioso. Entrando no elevador.

- Eu não... Quer dizer, eu não estava andando com ele, Skylar só estava me acompanhando até a sala da Senhora Young  - Digo pisando quase hesitante no piso do elevador com mais algumas pessoas que parecem trabalhar ali já que estão com uniformes e parecem relativamente mais velhos.

Me lembro como se fosse a segundos atrás Skylar me ameaçando para não continuar a ninguém o que eu tinha presenciado na sala de enfermagem e também na sala dos espelhos. 

- Como assim? Como você o conheceu? Tipo ele te abordou ou o que? – Indaga como se estivéssemos em um algum tipo de interrogatório

Tentei pensar em uma resposta rápida ainda sentindo a pressão do elevador nos levando para baixo me lembrando da minha vertigem e quase começando outra.

- Eu passei mal pela manhã e fui até a enfermaria com a secretária, humm Libesth! Então ele também estava lá, sozinho... Lisbeth disse que chamaria alguém já que não tinha ninguém lá e então ele começou a conversar comigo, quando a enfermeira chegou eu disse que já estava melhor. Lisbeth ficou preocupada e sugeriu que Skylar me levasse até a sala da Senhorita Young pegar minhas coisas que eu tinha deixado com ela e então foi isso. – As palavras só saiam da minha boca como se essa história realmente tivesse acontecido, eu não menti completamente, mas também não falei a verdade. – Ele não muito conversou comigo. Só me levou até lá e me deixou.

Charlotte me olhava com a sobrancelha arqueada e um sorrisinho no rosto. Dou de ombros, com a porta do elevador finalmente se abrindo e as pessoas começando a sair.  Ela aperta o botão 09 do painel do elevador, o que só me faz pensar que esse bloco é incrivelmente grande e alto.

- Estudamos aqui também, nos últimos andares desse prédio, apenas os anos finais. Isso está incluindo eu e você – Ela muda de assunto Skylar e eu a agradeço mentalmente – Nossos armários também estão lá. – Diz por fim.

O elevador sobe novamente. E a sensação estranha vem de novo. E percebo que estava trancando a respiração novamente assim que a porta do elevador abre. Um corredor com paredes brancas e cerâmicas na parede está a minha vista. Há a umas cinco ou seis salas ali, a porta de todas é de uma madeira quase preta. O corredor e bem grande e ali há muitos armários. Algumas folhas estão coladas em mural de aviso e ao lado da porta com 01 gravada na madeira.  Os armários são vermelhos escuros, alguns estão visivelmente danificados e com algumas ferrugens. 

- Seu armário é o 627 Thomas – Charlotte avisa. - E o meu é 625, seremos colegas de armário. – Ela complementa sorrindo.

- Humm, certo

- Mass vamos logo Thomas, alguns alunos estão lá em cima na sala do teatro, está tendo uma palestra para os anos finais e os exames finais que devemos prestar se quisemos continuar nossa carreira acadêmica – Ela explica.

Caminho junto a Charlotte até o meu armário que é perto do de Charlotte, ele parece estar em perfeito estado, ela me passa a senha do meu armário. Minhas mãos vão até o pequeno cadeado ditando a senha 0404016, ele se abre e dou uma pequena verificada rápida, a dois ganchos no teto, ele é bem fundo e tem algumas coisas escritas na porta como “America Winstone Skinny Bitch” Ok! Isso é mal. Coloco ali todos os papeis que recebi e continuo com a minha mochila, Charlotte me passa meu uniforme que estava dobrado quase escondido entre seus braços.

- Obrigado Charlotte – Sorrio para ela que dá uma ajeitadinha na franja e retribui.

- Certo! – Ela diz mais para ela mesma do que para mim – Agora eu vou te mostrar algumas coisas do colégio.

... – Quer dizer ais mais importantes, claro.

Bem quando pisamos no elevador o sinal toca, e o corredor se enche de alunos com gravatas, camisas sociais, suéteres e tênis surrados, andando para lá e para cá e falando extremamente alto. Dou um pequeno suspiro, tenho que agradecer a Deus por não ter estar ali no meio, iria ser esmagado provavelmente. Só de pensar que daqui a algumas horas vou pertencer a tudo isso. Já tenho uma súbita vontade de ir embora pra casa me esconder na minha cama, com um monte de cobertores por cima e me fingir de morto.

 

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- Mas ele falou oque com você na enfermaria? – Ela continua agora começando a andar pela secretária que eu havia ido anteriormente, deu uma pequena olhada para o balcão de vidro e havia outra secretária ali e não Lisbeth.

- Não lembro muito pra falar a verdade. Ele só me perguntou o porquê estava ali e algumas coisas aleatórias – Menti novamente.

- Sabe Thomas, não me interprete como sendo uma curiosa, por mais que eu seja, só que é difícil ver que você conversou com ele no seu primeiro dia e tão aleatoriamente quanto eu conversei com ele nesses quatro anos que eu estudo aqui, sabe é difícil? Por que eu tenho um crush por ele há muito tempo, mas ele mal me nota – Charlotte suspira pesadamente – Mas não importa porque ele tem namorada e... – Charlotte abre a boca, mas balança negativamente – Deixa pra lá.

Dou um pequeno sorriso constrangedor, Skylar é tão desejado assim?

Ela abre a porta como se fizesse isso sempre e nem se assusta com quão grandioso aquilo é, dando de cara com um pátio com alguns alunos que presumo ser dos anos finais do fazendo algum tipo de trabalho ao ar livre. Encanto-me novamente com a estrutura do colégio, com os pilares e o jardim no meio separando os dois corredores. Charlotte acena para uma garota que olha diretamente para mim com um olhar de interrogação, ela tem cabelos loiros e usa um suéter rosa claro.

- Aquela é a minha amiga Lisa – Charlotte aponta para a garota de cabelos loiros que agora retribui o sorriso – Ela é bem legal, se você quiser depois podemos falar com ela depois. – Ela propõe ainda acenando para a garota

Assento silenciosamente tentando não olhar para a loira, pois logo atrás dela está à garota que estava chorando há pouco tempo.

Essa seria uma cena normal se não fosse pela minha súbita falta de sorte ao ver Skylar atrás dos dois, em outro banco de pedra com uma garota loira e que era tão bonita que meu olhar se fixou nela por mais segundos que eu gostaria, mas felizmente não atraindo atenção deles. Tinha mais alguns caras e no total eram umas quatro pessoas com Skylar ali, eu pude perceber como seu olhar estava vidrado na garota. Se eu não estivesse tão longe até poderia prever que seu maxilar estava travado e sua mão fechada.

- Alô? Alguém ai? – Charlotte estala seus dedos na frente do meu rosto me fazendo sair do transe.

- Desculpa e-eu só estava pensando

Ela arque-a suas sobrancelhas eu percebo que isso parece ser uma expressão sarcástica quando ela sabe que alguém está mentindo. Concluindo então que Charlotte deve ter percebido meu súbito interesse nesses grupos do colégio, mas ela não fala nada só começa a caminha pelo corredor oposto ao de Skylar, os pilares bem realçados pela arquitetura clássica, por mais que aja algumas conversas no  pátio bem arborizado que divide os dois o corredores, eles são silenciosos e com as portas todas fechadas o que me deixa subitamente nervoso para sair dali rapidamente.

- Não se preocupe aqui estuda as séries iniciais apenas – Charlotte tranquiliza – Está vendo aquele ginásio ali na frente?

Então o galpão é um ginásio e eu mal tinha percebido a diferença dos dois.

- Uhum

- Então lá acontecem as aulas de natação e futebol, às garotas e os garotos são levados para lá toda quinta e quarta temos aulas após o colégio, algumas pessoas levam a sério o campeonato, é bem legal até – Charlotte continua.

Eu me surpreendo com a grandiosidade que o colégio.

- São quinze minutos de caminhada até lá todos os dias, ah e aproposito em que ano você está mesmo, eu me esqueci de perguntar – Charlotte sorri amarela.

- Na América eu era júnior, mas aqui Young disse algo como Key Stage 4.

Charlotte dá um sorriso grande, o maior que eu já vi em poucos minutos, parecendo que iria rasgar sua cara toda, mesmo assim era bonito. Até combinava com ela.

- Thomas vamos estudar juntos!!! – Diz batendo palminhas silenciosas – Oh meu Deus eu nem acredito! Mal posso te apresentar para o que eu chamo particularmente de “O clube dos quatro”. – Ela chegou a fazer um sinal com a mão, como se estivesse apagando algo no ar.

Ok. Não posso deixar de notar que isso é no mínimo estranho.

- Então, hum vamos logo. – Charlotte começa a andar até o ginásio.

Andamos silenciosamente agora sem o corredor silencioso, apenas uma caminha de tijolos e pedras e alguns arbustos e arvorem espalhadas.

- Então– Charlotte começa –  Você terá aula de natação ou futebol aqui após os términos do colégio. Havia mais um ginásio, mas ele foi incendiado – Ela diz arregalando os olhos e fazendo uma careta – Foi um incêndio em 1890 ou algo do tipo.

Oh, então o colégio já foi incendiado? Isso é novo para mim. Em Chicago as coisas eram mais como um bloco enorme onde tínhamos nossas aulas, teatro, laboratório e um campo enorme onde havia várias atividades, baseball, futebol etc... E é claro uma piscina, mas isso ficava além das intermediações dos colégios, e não eram todos digamos que tinham. Já em Brighton as coisas eram mais complicadas, havia muita caminhada entre os lugares, e não toleram atrasos, provavelmente vou estar perdido indo pra lá e para cá durante semanas até me achar.

- Vem Thomas, você é muito caladão, sabia? – Charlotte ri e me puxa pela mão livre. – Nós não podemos entrar no ginásio agora, teremos aulas até o fim do ano letivo. Aposto que você ficará cansando disso aqui rapidinho.

Sorrio, visivelmente já estou cansando e metido em problemas, e olha que eu só cheguei hoje. Balanço a cabeça tentando me livrar de certos pensamentos e dou um ultima olhada no ginásio, consigo ouvir alguns gritos lá dentro ainda.  Voltamos para onde eu menos queria estar. A alguns alunos fora de suas salas, andando pelos arbustos, consigo até sentir o cheiro do cigarro um pouco, não é proibido fumar aqui? E risos de adolescentes que parecem estar contando uma piada muito engraçada. Charlotte está sorrindo para vários, e a melhor decisão que eu tenho é manter minha cabeça abaixada, paramos entre os dois corredores onde há muitas arvores e alguns bancos.

- O intervalo já vai começar, esse é apenas o break para alguns alunos, se você quiser nós sempre fomos ao Subway comprar sanduiches? Ai... – Charlotte bate em sua própria testa. – Aqui em Brigthon temos um refeitório só que ele está em manutenção alguns alunos quiseram estourar uma bomba lá dentro.

Oh ok. Isso é bem normal.

 

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Saímos tão fácil como entramos, Charlotte me parou na secretária do colégio para pegar seu material que havia ficado na sala de aula de matêmica 1 e eu fiquei por um tempo por ali olhando para o teto. Algumas pessoas passavam e me olhavam como se eu fosse um extraterrestre e isso não e me agradou nem um pouco, outros apenas fingiam que eu não existia enquanto saiam apressados, não vi mais ninguém do grupinho de Skylar passando por mim o que foi um alivio.

Avisto Charlotte com mais três pessoas, uma reconheço. A Lisa que ela me mostrou mais cedo e as duas pessoas não faço ideia quem seja. A um garoto negro, usa as mesmas roupas que Charlotte só mudando o fato de que ele parece ser forte, as mangas de sua camisa estão arregaçadas e ele está sorrindo para Lisa, já a outra e uma menina ruiva, ela tem alargadores na orelha e usa um all star preto. 

- Nossa como eu odeioooo matemática. Vai por mim você vai odiar o Sr Newt, ele é tão chato, mas pelo menos ele é gostoso - Escuto a ruiva reclamar.

Eles agora param na minha frente, e eu abaixo a cabeça em reflexo. Sinto Charlotte ao meu lado agora e olho para ela meio em dúvida.

- Então gente – Ela dá uma risada achando graça da situação – Tem carne nova no pedaço agora. Esse é Lewis.

Eles sorriem pra mim e fico com inveja do garoto porque seu sorriso é muito bonito e branco.

- Eai dude, meu nome é Robert Newman, mas todo mundo me chama de Rob – O garoto diz, ainda sorrindo e dando um pequeno aperto em minha mão.

A ruiva dá um pequeno giro e faz uma reverencia. – Emanuelly, mas pode me chamar de Elly

Ela pega seu celular em algum lugar da sua calça social e desbloqueia.

- Olha como ele é sério! Eu tenho que me concentrar pra não ficar molhada por ele a aula toda – Charlotte me mostra o visor da tela, e nele a um homem. Ele tem cabelos pretos e parece ser alto, usa uma camisa social branca e um suéter. Parecer ser jovem, mais ou menos uns 30 anos.

- Ah. – É tudo que eu consigo dizer.

Digamos que ele é bonito, mas não é bonitoo bonitoo. É só legal.

- Ele é tão gostoso, Deus! Eu queria ser a cueca dele agora. – Elly diz e tento não pensar o quão estranho aquela frase soou.

Charlotte dá uma pequena risadinha enquanto Rob rola os olhos e entrelaça seus dedos ao de Lisa que tenta conter um sorriso, não que eu tivesse muitos amigos em Chicago, mas esses comentários não eram nem um pouco abertos com meu grupo de amigos, que eram apenas 3, mas que me faziam me sentir em casa ou quase isso.  Já Charlotte, Rob, Elly e Lisa são tipo pessoas que eu nunca iria fazer amizade, pois nunca iria saber como chegar neles e em seus assuntos.

Eu aperto as alças da minha mochila com força tentando pensarem outra coisa, porque convenhamos tudo em mim grita algo como “EXTREMAMENTE DESLOCADO”

- Ok. – Lisa diz tentando quebrar o clima – Acho que já constrangemos ele de mais para apenas uma apresentação, meu nome é Lisa – Ela diz me estendendo a mão.

Eu a aperto meio que sorrindo e meio que olhando para as mãos ainda entrelaçadas de Robert e Lisa, eles fazem um belo casal tenho que admitir.

- Vamos comer agora yeah? – Rob diz olhando para a barriga e todos riem inclusive eu.

Estou com fome pra caralho.

Passamos pela entrada do colégio e fico meio admirado ainda com a fonte e sua grandiosidade, ainda ouvindo comentários de Elly de como precisava urgentemente pintar seu cabelo de azul ou roxo ou Rob revirando os olhos e dando sorrisos para Lisa. Charlotte me puxa para o seu lado e eu agradeço me sinto deslocado andando entre duas pessoas meio que desconhecidas.

Eu adoro andar, mas preferencialmente Elly preferia ir de carro, bem em frente à entrada do  colégio a um grande pátio. Cercado por um pequeno murinho escrito “PROPRIEDADE DE BRIGHTON” Elly faz uma dancinhas enquanto atravessemos a rua e alguns alunos que saiam a olhávamos e sorriam, sorrisos com certeza debochados. Paramos em frente a um Chevrolet classic prata. Elly aperta o alarme do carro e ele se destrava com um “clic”

Charlotte se senta na frente e eu tento ficar menos desconfortável com uma mochila no meu colo e Rob e Lisa se beijando agora, a musica Creep da Radiohead começa a tocar no rádio assim que Elly o liga e dou um sorriso, porque adoro essa música. Charlotte tira um cigarro de algum lugar e o acende com o isqueiro passado de Rob, e naquele momento sinto que as coisas de alguma forma mudaram para mim.

De uma maneira estranha

Mas definitivamente melhor. 


Notas Finais


txauuu (escondendo minha cara de pau)


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