História BACK TO BACK: About A Girl - Capítulo 15


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Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


UM CAPÍTULO PRO FINAL!
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Músicas usadas no capítulo
Flashback - Easily - Red Hot Chili Peppers
Flashback Mike - Hard to concentrate - Red Hot Chili Peppers

BOA LEITURA!

Capítulo 15 - Scar Tissue


Fanfic / Fanfiction BACK TO BACK: About A Girl - Capítulo 15 - Scar Tissue

Eleven.

Eu sou Eleven. O tempo todo.

Tudo se desapareceu novamente, fumaça suave e sem odor. Caí novamente ao chão, em lágrimas. Aquilo Já estava virando um costume. O que aconteceu para que eu chegasse aqui? O que aconteceu antes? Antes de tudo?

-”Jane? O que você está fazendo? Vou ser obrigado a lhe punir se não fizer de acordo com o que estou ordenando...” - Brenner me tirou de meus pensamentos - ”Quero que encontre Karl Olson. Ele está na Finlândia. Ache-o já.”

Como eu conseguiria respostas com Brenner na minha cola? Posso tentar fazer os dois ao mesmo tempo, mas isso demanda muita energia. Eu não vou conseguir. Não vou…

-”Me deixe me concentrar primeiro” - Pensei alto para que ele ouvisse. -”Me dê um tempo para me concentrar e lhe darei todas as informações que precisa.”

-”Você tem vinte minutos” - Respondeu, áspero.

Me sentei primeiramente. Empurrei o peso do meu corpo ligeiramente para trás. Olhei para imensidão preta e respirei fundo. Meus cabelos agora estavam molhados na base da nuca. Era uma sensação desagradável, me senti presa, encurralada num poço sujo. As lágrimas agora desciam para o lado do meu rosto, passavam pelas orelhas e se juntavam a água. Tudo preto. Olhei para aquele mundo. Mundo negro. Mundo invertido. O que aconteceu?
 

“Facilmente vamos ficar presos em uma onda,

Facilmente não seremos apanhados em uma gaiola”

Eu fugi. Depois de muito aguentar tudo aquilo na Hawkins, eu encontrei uma brecha. Me aproveitei de seu descuido, ela não se aproveitara de mim, várias, inúmeras vezes? Minha vida era como um haicai. Três linhas rimadas. Só isso, mas nada. Ou você faz o que queremos,ou não fará nada. Só tenho uma escolha.

 

“Eu não posso te dizer a quem idolatrar,

Você acha que está quase acabando, mas só está em ascensão”

As pessoas podem ligar pra Hawkins. Mesmo sem saber que estão ligando. Você nunca sabe, porque eles estão em todos os lugares. Eles sempre voltam.

É difícil vencer alguma coisa quando você está dentro dela. Will. Eu. Barb.

 

“Chamando, chamando, por algo no ar

Chamando, chamando, eu sei que você deve estar lá”

Walkie Talkie. Eu sempre soube sobre Will. Sentia seus medos pulsando nos meus pulsos. Suas batidas ritmadas com as minhas. Eu senti seu medo. Eu sabia que podia contatá-lo. Só eu poderia. Mesmo quando todos desacreditaram, eu acreditei. Porque eu sentia. E sentir, elimina todas as dúvidas. Olhos humanos não são se comparam aos olhos de alma. Eu sei onde você está.


 

“A história de uma mulher na manhã de uma guerra,

Lembre-me se você sabe pelo que exatamente estamos lutando,

Eu não quero ser seu macaquinho de cobaia,

A criatura que eu sou, veio só para destruir”

Nós lutamos com Hawkins. Lutamos contra Hawkins. Lutamos por Hawkins. Vivemos uma mentira. Vidas seguras dentro de latas sardinhas, mas as sardinhas não são vendidas mortas? Não é tudo colorido e atrativo lá fora? Todas essas árvores, e essa grama tão verde. Um laboratório com pesquisas que futuramente serão orgulho nacional. Pesquisas. Torturas. Vamos ajudar o mundo. Vamos ultrapassar barreiras. Vamos fazer contato. Vamos usar você para fazer contato. Vamos usar você para ultrapassar barreiras. Vamos usar você para ajudar o mundo. Vamos torturar você. Vamos usar você.

Eu fui para o mundo invertido. Fui por todos, fui por mim.

De que me vale uma vida presa, atrás de grades cromadas e pequenos agrados medíocres?

Me reduzi a um milhão de pedacinhos. Cinzas de cigarro. Pude ver Mike me chamando, ofegante, em meio as lágrimas. Vi em seu rosto que ele sabia que eu não iria vir. Mas ele me chamou.

Desde sempre, estive perdendo pedaços. Na verdade, é só o que eu sou. Um monte de pedaços.

Meu “papa” me amava. Foi no que ele me fez acreditar. Como pude acreditar em tamanha mentira? Como eu poderia contestar, se a única forma de amor me dada, era aquela?

Um amor que te deixa quando bem entende. Um amor que te faz um crente fanático por mentiras. Um amor que fica bravo com você quando você tem medo. Quando não corresponde expectativas desumanas. Um amor embalado em cromo. Um amor cheio de soldados de neon.

Me ajoelhei imediatamente, com as duas mãos nas têmporas, prevendo que minha cabeça poderia simplesmente explodir. Quando minhas lágrimas caíam, faziam pequenos círculos, um dentro do outro. Plim. Plim.Plim.

Eu tinha pouco tempo, mas ainda não tinha o que realmente procurava.

Como eu havia chegado nessa realidade? Decidi ir mais afundo. Voltei a me deitar. Os soluços começaram a vir, me deixando ofegante, quase sem ar. Era a minha única chance. Sem um tanque de privação sensorial, eu não teria força o suficiente para ver. Ver a verdade. Minhas cicatrizes.

Talvez eu não devesse ter visto. Se eu tinha cicatrizes até então, depois de ver as cenas, eu nem tinha mais corpo. Will vomitava. Lesmas. Eu cravei uma katana, Deus, uma maldita katana no coração de Will! Mas antes disso, Will matou Mike. Matou Dustin e matou Lucas. Na verdade, acho que eu matei todos eles.

Acho que destruí tudo ao meu redor, como uma bomba relógio. Penso se não era isso desde o início.

Eu sou um monstro. Depois de fazer com que todos morressem por minha causa, voltei no tempo. Voltei no tempo e mudei tudo. Fui egoísta a ponto de destruir a vida de Mike, achei que melhoraria as coisas para todo mundo, mas fiz tudo errado outra vez. Eu sempre faço tudo errado.

-”Dez minutos” - Brenner avisou.

O que eu faço? Eu tenho que resolver isso. Será que eu conseguiria avançar? Mas se eu avançar e no futuro ainda estiver no laboratório, eu vou ficar presa até conseguir entrar no tanque outra vez… Posso entrar na realidade anterior, antes do massacre com a espada? Provavelmente, seria minha única chance...

Volto a me concentrar, mordendo o lábio inferior e o gosto de ferrugem que conheço tão bem, invade minha boca. Todos os meus sentidos se afloram novamente. Sinto as pontas dos dedos vibrarem.

Me vejo num espelho. É um espelho de banheiro redondo, com bordas grossas e pretas. O banheiro é branco, clean. Tem toalhas bonitas com detalhes artesanais a mostra. Tem uma pia de mármore branco, onde minhas mãos estão apoiadas, minhas mãos estão acompanhadas de unhas vermelhas e de uma aliança dourada. Olho meu rosto, devo ter uns vinte e seis anos. Tenho cabelos medianos, passando um pouco dos ombros, levemente ondulados. Tenho seios, meu Deus, nunca achei que fosse tê-los! Dou uma risada surpresa, e os toco devagar, como se pudessem reagir e me morder. “Como sou idiota” - Penso novamente. Visto um conjunto de baby doll branco. Uma camiseta de alça fina e um short. Os pés nus, também com unhas vermelhas. Escuto um chiado vindo de fora e destranco a porta devagar. Não posso acreditar no que vejo.

Mike estava sentado na ponta da cama. Tinha o cabelo comprido, com pontas repicadas no ombro. Um corte bagunçado, mas era um corte que eu gostaria, que ficava bem nele. Tinha barba por fazer. Meu Deus, ele tem barba! Mike tem barba! E estava com uma regata branca frouxa no tórax magro. Um calção de flanela surrado, e tinha um hambúrguer em mãos. Reclamava assistindo televisão, apontando para a tevê e falando como se ela fosse uma pessoa.

-Puta merda, seu idiota! Você vai perder essa maldita bola! Corre, imbecil!

Entrei em pânico devido a roupa que eu estava, não queria que ele me visse assim de jeito nenhum, apesar de quê provavelmente ele já havia visto muitas vezes. Tomei impulso e corri rápida até a cama. Me enfiei debaixo do edredom e me cobri da cabeça aos pés.

-El? - Ele disse de boca cheia – Vou lá embaixo pegar um refrigerante, você quer alguma coisa?

-N-Não…

Ele percebeu algo no meu tom de voz. Largou o hambúrguer, e se virou para mim, ainda mastigando. Me olhou por alguns demorados segundos. Percebi músculos nos seus braços. Limpou a boca com as costas da mão.

-Aconteceu alguma coisa?

-Hã? Não. -Minha boca coberta fez a voz soar abafada.

-El? - Ele colocou a mão debaixo da coberta e segurou meu pé. Comecei a rir de nervoso – O que aconteceu? -Ele começou a apertar meu pé, como se fosse um tipo intimidade comum entre nós dois. Achei que fosse morrer de tanto nervosismo. Não conseguia parar de rir, minha barriga já doía.

-Mike… Você pode me responder uma coisa? - Falei, com muito esforço.

-Claro que posso – Ele respondeu soltando meu pé e entrando debaixo da coberta comigo. Gelei.

Eu não devo ser virgem na prática, mas teoricamente, eu sou sim. Nunca passei por isso. Não quero passar agora. Não que ele esteja pensando nisso, ou eu. Mas porque se enfiar debaixo da coberta comigo assim? Eu sei que somos casados, mas Jesus, eu vou morrer, juro que vou.

-Então? -Ele estava do meu lado. Perto demais pro meu gosto. O corpo colado ao meu. Notei como ele tinha crescido, porque quando me puxou para mais perto, minha cabeça ficou lado a lado com seu tórax. Ele acariciou minha cabeça num cafuné desajeitado. A televisão continuava a falar.

-Você se arrepende de alguma coisa que fez no passado? Mas seria uma coisa pelo bem de alguém que você gosta muito…

-Cite um exemplo. - Eu sentia o cheiro de sua loção de barbear, mesmo que sua barba não estivesse feita. Achei engraçado, era um cheiro agradável.

-Se eu tivesse voltado no tempo, para antes de tudo. Para que Will não sofresse, nem você ou eu. Demogorgon não teria pego ele ou a Barb… Eu conheceria minha mãe…

-Isso seria muito bom… Porque você se arrependeria?

-E se nessa outra realidade, você e sua família fossem distantes? Seus pais separados, Holly num internato, você fazendo bicos pra manter uma moto…

-Você estaria bem? - Ele respondeu por fim.

-Sim, mas…

-Tudo bem pra mim. Você tem direito a ter uma mãe, a ter uma vida normal, ser uma criança. Não seria errado.

-Mas você e sua mãe…

-Não importa. Você pode nos aproximar. Eu e minha mãe nos entenderíamos com o tempo. Will e você são os mais afetados disso tudo… Eu não posso ser egoísta e te dizer que você deve se sacrificar mais uma vez. Você já fez demais por mim, por todo mundo… - Ele me abraçou.

-Você não mudaria nada? Nada mesmo?

-Você estaria comigo nessa realidade paralela?

-Com certeza – Meus olhos se encheram de lágrimas, mais uma vez.

-Então não. Isso foi de longe o mais improvável – Ele riu – Podemos dar um jeito no resto.

-Você não se arrependeria?

-Tudo que eu quero é que você seja feliz. Eu quero fazer de você minha família em todas as realidades possíveis… Quero passar o resto dos meus dias com você. Concordei em entrar no seu mundo e agora nós somos um… Finalmente encontrei algo perfeito, porque você se encontrou comigo… Se você não estiver em perigo, tudo bem. A gente pode resolver o resto.

-E se eu estiver em perigo? - Hesitei.

-Dê o seu melhor. Dê o seu melhor por mim, mas principalmente por você. Ninguém merece isso mais do que você. Faça o que tem que fazer.

Eu o abraçei forte. Ele deu um sorriso largo e me abraçou de volta.

-Você voltou no tempo, né? O que aconteceu comigo?

-Caiu da moto, seu babaca. - Falei entre lágrimas.

-E você? Está com o Brenner?

-Estou. É tudo uma merda, e eu estou presa nessa merda.

-Então detenha ele.

-Como?

-Porra, garota, você abre portais! Você é mais forte que uma manada. Mais inteligente do que todo mundo que eu conheço… Todo mundo precisa de alguém como você.

-Mas Mike, eu…

-Não. Vai lá e faça – Ele me segurou entre os ombros, pude ver como ele ficaria incrivelmente bonito quando mais velho. Amáveis sardas.

-Mas e se der tudo errado? Tem um monte de gente naquele laboratório, Lucas está lá, eles sabem quem é minha mãe, eu…

-Faça. Ou você vai passar a vida se perguntando como poderia ter sido. E não volte aqui!

-Porque?

-Porque deve ter dado um trabalho do cacete achar você de novo – Ele sorriu ternamente – Não volte mais. Não olhe para trás, siga em frente. Eu vou estar com você.

-Mas Mike, são quinhentos homens e...

-Vai! Você tem escolha? Eu vou estar com você.

-Você está internado, seu idiota! - Balbuciei chorosa.

-Acabe com os sacrifícios. Corte os laços e queime as malditas pontes. Eu vou estar com você. Eu sempre estive. Estou olhando você de onde quer que eu esteja. Eu sempre estive.


Notas Finais


UM CAPÍTULO PRO FIM, APENAS!
Twitter: @FinnSkada
Instagram: @FinnLoboduro
Até o próximo e último capítulo!
<3


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