História BACK TO BACK: About A Girl - Capítulo 16


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Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Finalmente chegamos ao fim!
Agradeço a cada um que leu, favoritou, comentou, porque foi pra vocês que escrevi isso.
Espero que vocês tenham gostado de estarmos juntos todo esse tempo, porque eu gostei, me fez muito feliz!
Obrigada a todos vocês mais uma vez!
Boa leitura <3

Capítulo 16 - I'm with you


Fanfic / Fanfiction BACK TO BACK: About A Girl - Capítulo 16 - I'm with you

 -Mas Mike, eu não… - Continuei a insistir.

-Não seja boba... – Ele segurou meu rosto com as duas mãos – Você nunca precisou de ninguém. Você aguentou tudo sozinha por onze anos, não está cansada? Não quer parar de dar esses rodopios intermináveis?

-Mas eu sou um monstro... A culpa é toda minha... – Desabei em lágrimas.

-Você não seria um monstro nem mesmo se quisesse – Ele passou os polegares debaixo de meus olhos, contendo as lágrimas – Em breve eu serei mais um fantasma de uma realidade paralela, mas você não. Faça o que tem que fazer.

-E se eu morrer? E se você morrer?

-Você será livre de todo esse fardo. Não importa o que aconteça, você vai ser livre no fim. Precisa acreditar nisso.

-”Cinco minutos” - A voz de Brenner interrompeu Mike.

 - Agora faça .- Sua expressão tornou-se séria.

-Mike, eu…

-Não. Se não é por você, faça por mim. Se algo acontecer, eu vou ser o primeiro a te salvar, não importa o que eu tenha que fazer. Agora vá.

-Obrigada, Mike. - Sorri conformada. Senti que o fim estava próximo.

Me sentia incrivelmente fraca, até mesmo incapaz de andar. Achei que fosse devido a toda aquela energia gasta no tanque, mas não. Meus joelhos tremiam porque sabiam que eu teria que encarar algo muito maior do que eu. Eu não tinha forças para me manter de pé.

-Mike?

-O quê?

-Você acha que o Mike da minha realidade sabe de tudo? Digo, de antes?

-Não sei, de qualquer forma não conte a ele. Eu posso ser muito idiota as vezes – Ele deu uma gargalhada triste.

-Não vou contar. Obrigada, Mike.

-Não se esqueça que eu estou olhando por você. - Ele disse antes de ficar quase transparente.

Mike se transformou numa fumaça espalhada, pude ver seu sorriso sumindo, se desmanchando em meio ao preto. Olhei para minhas mãos e não havia mais aliança, nem unhas vermelhas. Suspirei longamente, procurei me concentrar em algo que eu pudesse fazer para deter toda aquela gente… Eu não queria matar ninguém, nem mesmo machucar pessoas inocentes. Mas ficava cada vez mais dificil pensar em algo que tornasse isso possível.

-”Seu tempo acabou, vamos. O nome é Karl Olson”- Brenner ditou.

-”Não estou conseguindo” - Menti.

-”O que diabos você quer? Quer que eu te dê um choque? Faça o que estou lhe mandando agora!”

-”Não posso.” - Continuei.

Na última sílaba, senti meu corpo todo arder de dor. Foi como se pegassem e me torcessem como um trapo de pano sujo em mãos gigantes. Meu corpo doía, tremia, minhas arcadas dentárias se chocaram uma contra a outra num baque forte e eu acabei mordendo minha língua. Mais uma vez o gosto de ferrugem me invadiu. O céu daquele lugar, que antes era negro tornou-se um vermelho escarlate perturbador. Minha pele parecia que não ia aguentar. Eu me arrebentaria em uma massa de ossos e carne destroçada.

-”Isso é só o começo” - Ele continuou ameaçador- ”Faça logo o que eu digo”

-”Não posso!”

Mais uma vez, mas acredito que dessa vez tenha sido mais demorado. Me pergunto quem estava acionando esse maldito botão. Meu corpo pareceu ser açoitado por uma labareda de fogo. Senti que se chorasse, sangue correria dos meus olhos por todo o rosto. Havia mordido o lábio a ponto de passar a língua sobre eles e sentir um relevo marcado. Minha língua latejava dentro da boca. Eu iria morrer.

-“Vou falar pela última vez, Ives, eu...”

-“Porque me chama de Ives?” - Respondi com dificuldade -”Se sabe quem eu sou.”

-”Não tenho tempo para gracinhas.”

-”Nem eu. Você realmente sabe quem eu sou.”

-”Sei? Então me diga. Quem é você?”

-”Acho que pode responder a si mesmo. Você sabe.”

-”Você quer morrer, é isso? Tudo bem. Você morrerá. E em seguida, sua mãe. Você quis assim, espero que me entenda.”

-”Eu posso morrer...”- Balbuciei. O gosto de sangue na minha boca me deu uma confiança quase demoníaca. Senti que meus olhos faiscavam fogo. Eu estava no limite. - “EU POSSO MORRER, MAS VOCÊ VAI JUNTO COMIGO, MALDITO!”

Eu rompi. Parei de ter pena de mim. Eu estou tão cansada. Não posso permitir que esse tipo de coisa aconteça comigo. Eu não sou uma boneca, nem um brinquedo de plástico. Eu sou uma pessoa. Eu tenho aguentado isso por tanto tempo… Estou cansada de chorar, não tenho mais lágrimas. Estou cansada de tentar corrigir meus erros e errar ainda mais. Penso que devo enfrentá-los. De que me vale uma vida cheia de erros debaixo do tapete? Alguém disse uma vez que tudo bem errar quando se está tentando acertar, então eu me perdôo. Me perdôo de todo o coração. Agora, sinceramente, acredito que não tenho culpa. Nem pelo Will, Barb, Mike ou qualquer um pego pelas garras daquela coisa. Eu não sou um monstro. Nunca pedi para estar aqui, para fazer essas coisas. Eu nunca quis. Agora posso enfrentar tudo levemente. Porque agora sou verdadeiramente livre.

Eu rompi. Rompi o maldito tanque. Quem diria que eu seria capaz? Agora que vejo olhar assustado do senhor Brenner, com um grande pedaço de vidro irregular cravado na barriga, me sinto feliz. Ele me olha boquiaberto e começa a gritar alguma coisa, mas não sei o que ele diz. Não estou feliz por ferí-lo, estou feliz porque não tenho medo. Não tenho medo dele, não tenho nem ao menos medo de morrer. Não tenho medo de nada. Sou livre. Incrivelmente livre.

Eu rompi. Um soldado veio correndo até mim armado, eu não havia percebido que ele estava junto a porta o tempo todo, mas só de olhar para ele, ele chorou lágrimas de sangue como as minhas e caiu de joelhos até tombar no chão. Cientistas tão corajosos que me observavam antes com tanta segurança, começaram a correr e gritar feito galinhas sem cabeça. Sorri, exibi para eles meus dentes embebidos do meu próprio sangue. Devia ser muito assustador ver meus caninos melados de vermelho. Acredito que pareciam turistas num zoológico, eles gostam de provocar tigres, leões, qualquer animal, mas se o animal se solta, entram em profundo desespero. Agora sou como uma leoa. Estou feliz por deter vocês. Não vão fazer isso com ninguém, nunca mais. Prometo.

Eu rompi. Entraram muitos homens. Eu sabia que estava ficando fraca, tomei um tiro no braço direito, de raspão, quase na altura do seio, mas a adrenalina não me deixava sentir. Eu ergui a mão esquerda para frente e eles foram caindo como peças de dominó, um a um, iguais a mim. Lágrimas de sangue. Pobres homens, mas o que posso fazer? Isso tem que acabar, porque tudo acaba na vida. Tudo, sem exceções. Vinham muitos homens armados atirando e eu sabia que não seguraria aquelas balas no ar por muito tempo. Então…

Eu rompi. Rompi uma coluna de concreto. Uma, duas, três. Foi o suficiente para o teto a minha frente desabar sobre aqueles homens. Sobre o senhor Brenner, sobre aquela megera loira de cabelos curtos. Acredito que ela nunca encontrará Benny, porque diferente dele, ela passará diretamente para o inferno. Mas não precisa se preocupar, porque Brenner lhe fará companhia por toda eternidade e isso me conforta. Não vi mais soldados, mas não baixei a guarda. As pessoas corriam e fugiam cada vez que eu andava, mas eram passos lentos, estava exausta mas o sorriso em meu rosto só aumentava. Cheguei a sala do finado Brenner e abri a porta furiosamente. Para a minha surpresa, ela se soltou de sua base, parafusos se dobraram e ela se jogou contra parede oposta da sala. “Eu que fiz isso!”- Pensei feliz. Entrei na sala e vi minha ficha. Como fui burra, Deus. Não faz mal. Estraçalhei o maldito papel em pedaços tão pequenos que nem uma formiga conseguiria reunir.

Não havia mais ninguém no prédio. Sorri confiante. Fui chutando todas as portas que encontrei pelo caminho, em busca de Lucas. Nada. Desci para o andar debaixo e encontrei pessoas agonizando entre os escombros. Voltei ao normal rapidamente. Me senti fraca, lenta, esgotada. Achei Lucas debaixo de uma parede de concreto, entrei em desespero. Mancava, meu braço doía, estava cambaleando e minha visão estava pior do que nunca.

-Lucas? Lucas, Meu Deus! - Tentei puxá-lo sem sucesso.

-Calma, acho que quebrei a perna, só isso… - Ele sorriu, mas parecia mais uma expressão horrível de dor.

-O que eu faço? - Falei, tonta.

-Já deve ter alguém vindo aqui, o prédio praticamente desabou… Justo no dia que viemos aqui, que azar o nosso, magrela… Bem que você me disse, sua paranormal - Ele riu com esforço -Vê se consegue ajudar alguém, eu me viro.

Assenti e fui novamente cambaleando entre os escombros. Havia gente morta. Me senti mal por isso, mas eu evitei a todo custo que aquilo acontecesse. Não havia mais espaço para arrependimentos. Vi Troy com um ferro atravessando o abdômen. Me aproximei dele e comecei a tirar pedaços de concreto de cima de suas pernas, com muita dificuldade, eu mal conseguia respirar.

-Jane? - Ele balbuciou, abrindo os olhos lentamente  – Jane, obrigada, Jane… - Vi lágrimas rolarem de seus olhos.

-Calma, você vai ficar bem, acho que não foi nada muito grave… - Sentei e coloquei sua cabeça em meu colo, mas ele não parava de chorar.

-Me desculpa, por favor… Eu… - Balbuciou ofegante.

-Fui tola por não ver que você era o menor dos meus problemas – Sorri, esgotada.

Foi só isso. Mais nada.

De repente eu estava num lindo gramado verde, farto, cheio de flores. Era um bosque? O sol tão forte que quase parecia sorrir. Eu estava descalça sobre a grama e corria nela. Corria o mais rápido que podia e me atirava em meio as folhas secas, fazia um barulho gostoso, satisfatório, como ossos estralando, um crick, um crack, era divertido. Rolei pela grama até chegar num rio de águas claras e mergulhar nele. Era raso, suas águas aquecidas… Era tão perfeito, só faltava…

Mike. Ele veio correndo até mim e me deu sua mão. As unhas sempre cortadas, a mão branca, sempre disposta a segurar a minha e eu segurei. Corremos em meio aquela folhagem como duas crianças bobas e deslumbradas com o mundo. Corremos, corremos até as pernas doerem e não aguentarmos mais rir.

Nos deitamos em um amontoado de folhas e Mike me apontou o céu.

-Olha aquela nuvem!

-Parece com o Lucas! - Respondi, fazendo Mike rir.

-Exatamente! Você é rápida! - Ele pôs a mão no bolso - Olha o que eu tenho aqui…

Mike me mostrou um relógio familiar. O mesmo relógio que colocou no meu pulso quando nos conhecemos, para que eu soubesse as horas. Achei tudo isso muito engraçado. Nos sentamos e ele colocou no meu pulso com delicadeza.

-Isso é pra você saber que eu nunca esqueço de você. Eu nunca esqueci.

-Eu também nunca esqueci de você, Mike…

-Shhh... – Ele colocou o dedo indicador na minha boca para que eu fizesse silêncio – E tem outra coisa…

-Qual?

-Você quer namorar comigo?

-Eu…

-Não. Não agora. Quando você estiver melhor, você me responde.

-Mas eu estou bem – Eu não entendia o que ele queria dizer com aquilo.

-Você está e vai ficar melhor. Magrela... – Ele riu – Eleven... Eu nunca vou esquecer de você, sabe porque?

-Porque? - Olhei o mais fundo que pude em seus olhos.

-Porque você e eu somos um só. E como eu disse antes, eu sempre vou estar com você. - Ele sorriu, e o sol realçando suas sardas deixou ele ainda mais bonito – Eu estou com você.


 

Acordei com o sol da tarde no meu rosto. Havia uma janela aberta na minha frente, e entrava um sol digno de quatro horas, Hawkins finalmente me deu algo de bom gosto. Meu corpo todo estava dolorido e eu me sentia tão fraca que talvez não andasse por uns dias, mas eu estava bem. Tinha uma televisão no teto que anunciava o desabamento do laboratório de Hawkins e eu fiquei feliz por saber que não foi só um sonho. “Causas desconhecidas” - O repórter falou. Sorri para o sol e ele sorriu em resposta. Eu estava no hospital, tomando soro e me recuperando do "acidente". Vi a mesa ao lado, e tinha vários ramalhetes de flores . Reparei em lírios brancos com um cartão grande e colorido com os dizeres “De: Troy”. Havia uma cesta com pudins de chocolate, quadrinhos, donuts e um tubo de pasta de dentes. Havia um pedaço de papel escrito “Mamãe ama você. Volto pra te ver a noite. Assinado: Terry” Achei tudo muito bonito, e meus olhos se encheram de lágrimas. Finalmente tudo acabou. Tudo acabou…

Do outro lado da maca em que eu estava, estava Mike, dormindo. Roupa de hospital de botões, mas todos desabotoados, o peito enfaixado a mostra junto com os cotovelos. Os cabelos bagunçados, a boca aberta, os cílios e sardas recebendo raios de sol. Tinha uma rosa na mão dele. Fiquei tão feliz em vê-lo que não pude mais conter as lágrimas e as soltei. Elas serpentearam por todo meu rosto até cair do meu queixo, pingando na camisola verde que eu usava.

Tudo acabou, Mike. Você realmente estava comigo… Agora que me peguei pensando no assunto, tudo que fiz sempre foi por você. Tudo que eu fazia era por você. Você me mostrou a luz, me mostrou a cor e a coragem de se lutar por alguém. Querendo ou não, você fez de mim uma pessoa mais forte. Me fez ver que eu tenho que lutar por mim, independente do que aconteça, em qualquer realidade, sonho ou pesadelo. Se o mundo é invertido, eu posso colocá-lo no lugar. Achei que esse tempo todo estivesse procurando um paraíso, mas me dei conta de que paraíso é um lugar onde eu esteja com você. Com todos vocês. Onde eu esteja comigo. Onde eu esteja em paz.

Na verdade, acho que tudo só começou. Eu quero fazer muitas coisas. Quero aproveitar a vida muito mais do que eu aproveitava. Quero dizer o quanto amo minha mãe, minha tia… Joyce… Quero ajudar você com a sua mãe, quero ficar amiga de Nancy, Holly e de Barb. Quero fazer Will esquecer todas as coisas ruins com que ele sonhava. Quero viver o máximo que eu puder. Nós poderemos ir ao cinema, ao parque de diversões, as lojas de departamento e até mesmo ao Japão! Mas podemos vir de volta a Hawkins quando você quiser. Vamos sentar juntos no porão enquanto comemos sobras da noite anterior e brincar na poltrona do seu pai mesmo que tenhamos trinta anos.

Quando enxugo as lágrimas, vejo que o relógio não foi um sonho. Mesmo velho, um pouco empoeirado e com o vidro rachado, ele está no meu pulso.

Mike, você está comigo. E eu estou com você.

Prometo.


Notas Finais


MINHA NOVA FANFIC: https://spiritfanfics.com/historia/shes-so-cold-7180194

AÊ, GENTE!
Acabou BACK TO BACK
NÃO ME VENHAM PEDIR TERCEIRA TEMPORADA!
Tenho outros projetos que vocês vão gostar /Euacho.
Espero que tenham se divertido, chorado, se emocionado e me odiado com essa fanfic, esse é o espírito!
Obrigada a cada um. Amo vocês.

Twitter: @FinnSkada
Instagram: @FinnLoboduro

<3


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