História Backstage Pass (G!P) - Capítulo 59


Escrita por: ~

Postado
Categorias Laura Prepon, Orange Is the New Black, Taylor Schilling
Personagens Alex Vause, Personagens Originais, Piper Chapman
Visualizações 458
Palavras 3.979
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Vauseman não volta tão cedo, já aviso.
Logo no início vcs vão querer matar a Alex, mais um pouco. 😶

Ps: li todos os comentários e adoro rir com vocês. Thx 💕

Capítulo 59 - Capítulo 9.



Alex encarou a professora, que lutava para não a olhar nos olhos de volta.

— Que porra você pensou que estava fazendo, Piper? – rosnou, baixo.

— Você está falando do Chuck? Porque...

— Não estou falando do garoto. Estou falando da nossa filha. Como você pôde ser tão irresponsável assim?

— Irresponsável? – Piper perguntou, os olhos já se enchendo. – O que foi que eu fiz de errado?

— Você esqueceu a porra da doença da Elizabeth. Você sabe que ela poderia ter morrido, não sabe? Se vocês estivessem um pouco mais longe, ela... – suspirou. – Se acontecesse alguma coisa com a minha filha, eu nunca iria me perdoar.

— Me desculpe, se eu fiquei na merda de um hospital em coma por quatros longos anos. E quando acordo, tudo o que quero é passar um tempo com a minha filha e esqueço que ela tem asma. Sim, tivemos sorte de estarmos perto de casa, mas e daí? Ela já está bem! Se algo tivesse acontecido com ela, eu também não me perdoaria. Mas ela está viva!

— Isso não muda o fato de você ter se tornado uma merda como mãe! – a guitarrista gritou, e foi aquilo.

Exatos quatro segundos e ela destruiu o amor da sua vida inteira, com uma só frase. A boca de Piper estava aberta, como se fosse dizer alguma coisa antes que ela dissesse aquilo, e então paralisou.

Alex respirou fundo, profundamente arrependida.

— Piper...

— E-eu tenho que... – a professora apontou para a escada, dando as costas a ela e sumindo em um segundo.

Piper correu até o seu quarto e trancou a porta, sentando no chão logo em seguida. Abraçou os joelhos e se deixou sofrer por um momento. A guitarrista não quis dizer aquilo, ela viu no olhar dela, logo depois. Mas por que doía tanto? Ouviu batidas na porta, mas ignorou. Ouviu quando a ex pediu desculpas, mas ignorou mais uma vez. Ouviu quando a ex saiu do outro lado da porta, desistindo, e finalmente se levantou.

Onde estavam? Sabia que ela guardava nesse quarto. Pegou sua cadeira da escrivaninha e subiu, olhando a última prateleira do closet. Nada. Desceu e ficou de quatro, colocando a cabeça por baixo da cama. Ali! Puxou a mala, a abrindo. Era enorme, dava para colocar algumas coisas.

Entrou no closet e pegou algumas roupas, sem nem olhar quais eram. Só queria sair dali de uma vez. Não conseguia parar de chorar, seu peito doía. Foi ao banheiro e lavou o rosto, tentando se acalmar. Prendeu o cabelo em um coque e jogou uma água na nuca, voltando ao quarto em seguida.

Encarou a mala cheia e suspirou, a fechando. Ia fazer aquilo.

Abriu a porta e puxou a mala de rodinhas. Tinha a bolsa no ombro, com seu laptop e seu celular. Fechou a porta do quarto e desceu. A casa estava silenciosa e ela lutou para não fazer barulhos com a mala nas escadas. Mas assim que chegou no andar de baixo, Alex apareceu, saindo da cozinha.

— O que você está fazendo com isso? – a guitarrista perguntou, cautelosa.

— Você estava certa. Eu não sei mais como ser uma mãe e... – respirou fundo, tentando não chorar de novo. – E eu não me sinto bem morando aqui.

— Você não pode ir embora. – sussurrou num fio de voz, incrédula. – Para onde você vai? Vai sair assim, desse jeito? E as crianças? – soltou uma pergunta atrás da outra quando percebeu que a professora estava falando sério.

— Não sei, mas eu... Aqui eu não fico mais, Alex. Preciso ir embora. Não me sinto em casa desde que chegamos, na sexta. Eu não vou sumir da vida das crianças. Apenas... Não vou mais dormir na mesma casa que elas. Eu posso levar eles para a escola. – ergueu um ombro. – Se você deixar. Eu não estou desistindo deles.

Não. Está desistindo de mim, a guitarrista pensou, amargurada. Respirou fundo, assentindo.

— É claro que eu deixo, Pipes. Mas eu não quis dizer o que disse, foi...

— Mas você disse, não foi?

— Eu sou uma completa idiota. Porra, me perdoa...

— Tarde de mais, Alex. Isso não muda nada. – Piper olhou para baixo. – Eu vou conversar com as crianças.

— Eles vão morrer. Se você for embora, eles vão chorar o tempo todo. Vai ser como se você estivesse em coma de novo....

— Já disse que não vou sumir da vida deles – sussurrou, levantando o olhar. – Eu não quero mais te ver por enquanto. Mas eu amo meus filhos mais do que tudo. Você sabe muito bem disso.

— E as mães brigarem é ótimo para eles, não é?

— Não vamos brigar! – decidiu. – Eu vou pegar eles na escola, passar um tempo com os três e trazer de volta. Não vou entrar e nem jantar com você.

A guitarrista respirou fundo, assentindo mais uma vez.

— Se isso te fará se sentir melhor, tudo bem. Você só vai levar isso?

— Na verdade... Eu preciso do meu carro.

— Mas você nem sabe se ainda lembra como se dirigir – Alex protestou. Acima de tudo, se preocupava com ela.

— Não é como se eu tivesse escolha. Não dá para pegar táxi todos os dias. Eu só preciso que você me ajude com a liberação das minhas contas e depois eu te deixo em paz.

— Você não pode deixar de falar comigo. Não é assim que funciona. Não me tira da sua vida de novo – a guitarrista pediu, se aproximando dela. – Eu sei que eu só faço merda ultimamente, mas sou capaz de fazer qualquer coisa por você. Por favor, baby. Eu sofri tanto quando você me deixou da outra vez, não posso perder você de novo... – os olhos dela estavam se enchendo de lágrimas e o coração de Piper parecia que ia explodir.

A professora tombou a cabeça para o lado, encarando o olhar sofrido da ex.

— Quando foi que a gente se perdeu assim? – sussurrou, acariciando a bochecha da guitarrista.

Alex não respondeu, mas nem precisava. O que ela fez valia por qualquer resposta. 

A beijou, de uma só vez. Se fosse calma, a professora se soltaria imediatamente. A guitarrista sabia disso. Não a beijava desde que ela descobriu sobre Amber e, pelo amor de Deus, ela amava beijá-la. Viu que ela fraquejou quando a mão que espalmava seu peito escorregou, a deixando à sua mercê. 

Mas então Piper recobrou a consciência e se afastou, assustada.

— Por que você fez isso? – perguntou, alarmada. – Não pode fazer isso! – gritou, tentando se afastar enquanto a guitarrista a segurava firme. – Você não pode brincar comigo desse jeito, Alex! Não sou uma de suas vadias, você não pode falar o que quiser e depois me beijar, sem mais nem menos! Você não tem o direito de brincar comigo desse jeito!

— Eu não estou brincando com você, Piper. Eu só quero que você fique, porque eu te...

— Não ouse terminar a droga dessa frase, Alex! – gritou, socando o peito dela com raiva. – Você me prometeu, olhando nos meus olhos, que jamais iria ficar com outra pessoa! Mas bastou eu estar ausente para você pegar a merda desse pau e enfiar em outra mulher, dentro da nossa casa... E ainda me culpa, como se eu pudesse ter escolhido estar apagada por quatro malditos anos! – soluçou, as lágrimas caindo sem cessar. – Você não faz ideia do quanto eu me sinto culpada ao ver que meus filhos cresceram, sem eu estar aqui. O quanto me sinto culpada por ter te entregado de bandeja para outra, mesmo sabendo que cedo ou tarde isso iria acontecer. Me dói, muito. E apesar de tudo, em nenhum momento desejei estar no seu lugar... Porque sei que eu não seria tão forte quanto você foi.

A guitarrista a soltou sentindo o peso de suas palavras e Piper se afastou, subindo as escadas.

Alex se sentou no sofá, apoiou os cotovelos nos joelhos e deixou a cabeça cair entre as mãos. Ela sabia que estava fodidamente errada, em tudo. O pior, ciente de estava fazenda o amor da sua vida sofrer e isso a destruia por dentro. Tinha que trazer sua esposa de volta. Não ia perder ela mais uma vez, não queria a deixar ir embora – sabe-se lá para onde. Sabia que era a única forma de fazê-la perceber que a professora era dela, e de mais ninguém.


Piper estava no andar de cima, abrindo a porta do quarto da filha. Ela e os irmãos estavam dormindo, um abraçado ao outro. Seu coração se apertou só de saber que não ia mais estar ali para acordar eles todas as manhãs, como havia planejado assim que chegou nessa casa. Mas ainda ia vê-los – muitas horas por dia, esperava. Ia ficar tudo bem.

— Psiu? – sussurrou, sentando no canto da cama. Cutucou as costas de Kurt e o viu abrir os olhinhos sonolentos.

— Oi, mamãe. – o pequeno coçou os olhos, se levantando.

Elizabeth suspirou e virou a cabeça, abrindo os olhos também.

— Cart, acorda. – pediu, cutucando o irmãozinho. – Está tudo bem, mãe?

— Preciso conversar com vocês. – a mãe sorriu, segurando a mão da filha.

— Ela brigou com você, não é? É por causa do Chuck? O que foi?

— Calma, está tudo bem, querida. Eu andei pensando um pouco... Sabe, desde que voltei paraa casa, não me sinto como se fosse meu lar.

— O que quer dizer? – Carter perguntou, subindo em cima da irmã para ficar mais perto da mãe.

— Que ela vai embora. – Liz sussurrou, seus olhos marejando. – Mãe! Não pode fazer isso!

— Ei, ei, filha! Não é assim, calma. – segurou as mãos da menina mais uma vez. – Eu só vou dormir em outro lugar. Eu juro. Vocês três são meus maiores presentes, eu nunca abandonaria vocês assim.

— Onde você vai ficar? – Kurt pediu, abraçando os ombros da mãe.

— Eu ainda não sei, mas... Já combinei com a Mon Al. Vou buscar os três no colégio e vou passar as tardes com vocês.

— Ela deixou? – Elizabeth exclamou, irritada. Pulou da cama e saiu correndo pelo corredor, sem que a mãe a segurasse.

A menina entrou na cozinha e viu a guitarrista, mas toda a sua determinação fugiu de seu rosto quando viu que ela chorava.

— Mãe?

— Ela vai embora, Liz. E eu não posso fazer nada, de novo.

A filha expirou, abraçando os ombros largos ao se sentar.

— Fala que ama ela, mãe. Esse tempo todo, ela só está esperando você dizer isso.

— Ela está confusa, filha. Ela precisa se resolver antes. Se eu disser agora... Eu a beijei e ela me olhou com raiva, tristeza, dizendo verdades que meu egoísmo não me deixavam enxergar. Eu não sei o que é pior. O olhar dela, ou ver ela ir embora.

— Você não vai proibir ela de nos ver, vai?

— Filha, é claro que não! – Alex enxugou algumas lágrimas teimosas. – O que eu mais queria era que ela ficasse aqui, conosco.

— Sem a Amber? – a filha perguntou, baixinho.

— Sem a Amber. Só nós, como antes.

— Então termina com ela!

— É tarde demais – a mãe se levantou.

— Não acredito que você vai desistir – murchou. – Acha que aquela Becky vai esperar pra conquistar a mamãe?

— Do que é que você está falando? – olhou a filha, franzindo o cenho.

— Ela sempre gostou da mamãe, você sabe disso. – cruzou os braços, encarando a guitarrista. – Acha que ela vai para casa do tia Nicky, aqui do lado? – riu. – E aí é assim, ó. – estalou os dedos. – Essa Becky vai estar lá quando você esfregar a Ambergoia na cara da minha mãe e vai estar lá quando ela publicar mais um livro. O que era pra ser com você, vai ser com ela agora. E você acha que eu vou aceitar aquela mulher como madrasta? Nem pensar!

— Sua mãe precisa pensar, okay? – decidiu. – Mas eu não vou desistir. Eu vou dar um jeito nisso, não vou perder ela de novo. Não vou mesmo.


Piper observou a ex colocar as malas no carro e esperou que entregasse a chave em suas mãos. 

Os meninos estavam na porta da casa, esperando ela se despedir. Kurt tinha chorado e Carter feito chantagem, mas nada adiantou. Elizabeth apoiou a mãe e explicou aos irmãos que não era para sempre. E pelo tom de sua voz, os dois perceberam que ela não ia deixar barato nem para a Amber e nem para Becky que, na cabeça dos três, eram as culpadas de tudo.

— Piper? – Alex a chamou, de forma que apenas ela escutasse, não os filhos. Se bem que os três estavam cochichando uns com os outros...

A professora a olhou, piscando os olhos azuis mais claros com a luz do sol.

— Eu sei que tem que fazer isso. Mas assim que se resolver, volta. Por favor. É tanto tempo sem você, eu e as crianças... Nós nem nos acostumamos com você aqui. Não faz nem uma semana que voltou para casa.

— Eu prometo que volto. Não fico sem meus filhos – sorriu, olhando as crianças. – É só por umas semanas, eu juro. Só até... Eu me resolver. Eu sei que vou voltar num minuto com saudade das crianças, mas... Eu realmente preciso disso, entende?

Alex assentiu e, sem nem pensar, a prendeu num abraço apertado.

— Não se afasta de mim. – implorou, sussurrando contra seus cabelos.

A sentiu retribuir e ouviu o seu suspiro.

— Sabe que não conseguiria.

A soltou e entregou a chave do carro.

— Acha mesmo que vai poder dirigir?

— Tenho certeza. – sorriu. – Amores da minha vida, venham aqui. – chamou os filhos, que correram até ela. – Amanhã é segunda, não é? Vou levar vocês para escola, tudo bem? O que vocês acham? – ergueu o queixo dos gêmeos, forçando-os a olhá-la.

— Depois você leva a gente pra passear? – Carter negociou, fazendo biquinho.

— Levo. – a professora riu. – A aula da Liz acaba primeiro, não acaba?

— Três horas. Dos meninos, três e meia. – a filha disse, abraçando a mãe pela cintura.

— Ótimo! Trago eles de volta antes do jantar – olhou para a guitarrista, que assentia. – Tchau, meus amores. – beijou cada filho, no mínimo três vezes.

— Eu te amo, mãe. – Elizabeth sussurrou, abraçando-a mais uma vez.

— Também te amo. Amo todos vocês. – segurou nas bochechas dos gêmeos, que sorriram, tristinhos.

— Até amanhã, mamãe.

— Até. – beijou a testa de cada um e entrou no carro.

— Os três precisam estar na escola às oito. – Alex avisou, passando o braço pelos ombros da filha, que a abraçava.

— Não se preocupe. – sorriu.

Viu os filhos pequenos acenarem e riu. Até parecia que ela ia embora para sempre.

Como tinha dito a ex, conseguiu sair da garagem com seu carro – novo –, sem maiores dificuldades. A guitarrista tinha trocado os dois carros no último ano, e agora ela tinha um Lexus RX novinho para si, já que esse só era usado quando a 4x4 estava na revisão, ou algo assim. Quanto ao Thunderbird Rosa, estava guardado na garagem como uma preciosidade a alguns anos. Ambas nunca o venderia.

A casa de Becky era perto, então ela realmente levou cinco minutos para chegar lá.

— Ah, merda. E se ela não estiver em casa? – sussurrou a si mesma, saindo do carro e pegando sua mala.

Becky provavelmente ia se assustar, mas a professora sabia que ela ia ajudá-la. Pelo menos até ela ter seu dinheiro de volta e pagar um hotel.

O porteiro abriu a porta de vidro para ela, que tinha estacionado o carro em frente ao prédio.

— Oi, Lukas.

— Bom dia, Dona Chapman. Soube que acordou, fiquei muito feliz. – o loiro sorriu para ela.

— Soube, é? – riu.

— Becky contou para todo mundo, ela estava muito emocionada. Mas parece que ela só soube quando a Senhorita Nicole a chamou para a comemoração.

— Ah, sim. Alex não contou a ninguém, ela queria surpreender a mim e a todos. – riu, colocando duas mechas atrás da orelha. – Eu posso subir?

— Pode, é claro. Quer que eu a avise que está aqui? – ele perguntou, chamando o elevador.

— Acho melhor não. – ergueu um ombro. – Mas obrigada.

Ele assentiu e se retirou voltando à portaria.

Piper entrou no elevador e apertou o botão que a levaria para o apartamento da amiga.

— Merda, qual a senha? – fechou os olhos, tentando se lembrar.

Ela sempre vinha com Becky, tinha que lembrar.

— Claro. – rolou os olhos, colocando a data do aniversário dela de trás para frente.

Sentiu o elevador se mover e suspirou, observando as mãos suarem. E se ela não estivesse em casa? E se ela estivesse com alguém? Arregalou os olhos, apertando o botão do térreo, mas era tarde demais. As portas se abriram e ela deu um passo a frente, direto para dentro do apartamento luxuoso.

Ouviu a voz de algum narrador de um programa comediante e caminhou até a sala iluminada com vidraças de cima a baixo, puxando sua mala consigo. A morena estava lá, esparramada pelo sofá dentro de roupas confortáveis e o cabelo ruivo preso em um rabo de cavalo, comendo um balde cheio de pipoca.

Becky virou o rosto para o vulto, os olhos claros arregalados com o susto.

— Piper? O que você...

— Eu preciso de um lugar para ficar. Desculpa aparecer assim, do nada. – a professora a observou se levantar e caminhar até ela. Seus olhos já estavam se enchendo de lágrimas.

— Sabe que pode ficar aqui. – a morena sorriu, carinhosa.

— Eu devia ter te ligado antes, mas realmente...

— Shh, está tudo bem. – Becky a abraçou, apoiando o queixo no seu ombro. – Vamos deixar essa mala no quarto de hóspedes e depois você me explica direitinho o que foi que aconteceu.

Piper assentiu, suspirando, e deixou que ela pegasse a mala enquanto caminhavam até o extenso corredor ao lado da sala. A morena abriu a última porta e colocou a mala ali dentro.

— Certeza que posso ficar aqui? – a professora encolheu os ombros, receosa.

— É um quarto de visitas! Você é a visita. – Becky sorriu, mordendo o lábio carnudo com uma ideia rolando em mente. – Já sei! Vou pedir comida tailandesa, porque eu sei que é a sua favorita, e você me conta o que aconteceu para você vir parar aqui de mala e cuia.

— Sem comidas fortes, lembra? – a professora sorriu fraco, olhando para baixo. – Mas aceito um sorvete, se tiver.

— Tudo bem. Mas sem filmes melodramáticos!

— Sabe que não gosto muito disso, Bee. – riu, abraçando-a pela cintura. – Você está sendo muito boa pra mim.

A morena retribuiu o abraço, beijando sua testa.

— Eu te disse que ia estar aqui para sempre.

— Quando disse isso, falou também que era apaixonada por mim. Isso tem alguma coisa a ver com essa bondade toda? – Piper ergueu a cabeça a encarando sob os cílios.

— Você é minha amiga acima de tudo. Posso aceitar não ser correspondida. Aceitei todo esse tempo. – Becky riu, soltando o abraço e puxando a mão da professora até a sala mais uma vez.

— Não sei se posso fazer isso, Becky. Não posso ser o que você espera que eu seja. Não agora.

— Eu espero. – a morena sorriu, beijando mais uma vez sua testa. – Você vale a pena, acredite em mim.

Piper sentiu o coração se comprimir e sorriu, assentindo.

— Você merece ser feliz, Bee. E eu... Eu sou uma bagunça. – admitiu, a seguindo até a cozinha.

— Você não é bagunça nenhuma. Você só está confusa e, cá entre nós, se fosse eu quem estivesse ficado em um coma por quatro anos, você sabe que eu estaria surtando. Você é muito forte, Piper. – a morena apertou a mão dela levemente, a soltando quase de imediato para pegar as taças e o sorvete na geladeira. – O que houve?

— A Liz teve um ataque de asma e nós estávamos no parque, a Alex... Ela ficou maluca, a nossa filha poderia ter morrido e ela falou que era culpa minha, que eu era uma merda como mãe e... Droga! – soluçou, limpando as bochechas.

— Não! Não chora, por favor. – a amiga a abraçou. – Você sabe que não é assim que funciona, você só estava... Só estava querendo passar um tempo com a Liz, não é mesmo?

Piper assentiu, aceitando o abraço da morena e afundando o rosto em seu pescoço.

— Ela me beijou. – confessou.

Becky fechou os olhos, irritada com aquela idiota. Não tinha nem terminado com a vadia da namorada e ainda a beija.

— E... E eu só queria que ela parasse de uma vez. Eu não sei o que está acontecendo, quando eu acordei no hospital, nos beijamos muitas vezes, até os meninos me contarem que ela tinha outra. E agora, eu só quero ficar longe dela. Eu preciso pensar, preciso ficar perto dos meus filhos.

— E você vai fazer isso. Olha só, vamos fazer assim... – segurou o rosto dela entre as mãos, fazendo carinho em suas bochechas. – Nós ficamos aqui em casa hoje, você tenta esquecer isso tudo. Podemos falar sobre seus livros! Você me falou que estava tendo algumas ideias e eu tinha aquela surpresa para te contar, lembra?

— Me conta! – a professora sorriu, empolgada.

Becky suspirou, aliviada só em saber que conseguia fazê-la sorrir e parar de chorar.

— Eu te contei sobre o sucesso dos seus livros, não falei? – sorriu, entregando a taça para ela e a cobertura de morango, para que ela colocasse o quanto quisesse.

— Sim... – Piper arqueou as sobrancelhas, curiosa.

— Bom, enquanto você estava viajando no final do ano, nós recebemos uma proposta para adaptar sua trilogia para os cinemas. Como você já tinha escrito dois, recebemos uma oferta irrecusável, e você ainda teria passe-livre para mudar o que quisesse no filme, e ainda ajudar com os roteiros. Eu ia esperar você voltar, ia fazer uma surpresa... – ergueu um ombro. – Bom, eu acho que se eu conversar com o pessoal e garantir que você não desistiu do último livro, eles podem oferecer de novo e... –

Piper a abraçou, rindo alto.

— Meu Deus! Isso é sério? Quer dizer, é sério mesmo? – olhou nos olhos dela, curiosa.

— Claro que sim, anjo. – Becky beliscou sua bochecha.

— Meu Deus, isso é perfeito! É tudo o que eu queria, você sabia disso! – riu, a abraçando de novo. – Se você conseguir convencer eles a fazerem os filmes mesmo, eu... Ai, Bee. Será que vai dar certo?

— Claro que vai! – beijou sua testa. – Amanhã mesmo eu ligo para eles, que tal?

— Ah, falando nisso... Eu posso voltar a trabalhar amanhã? Por favor? – fez bico. – Não aguento ficar parada. Não aguento mais.

— Claro que pode, anjo. Por que não começa às nove? Eu mando limparem bem a sua sala e já ajeito toda a papelada.

— Mas eu fiquei quatro anos sem trabalhar, e se eu não puder mais? Deve ter alguma lei, alguma coisa que não me deixe voltar.

— Quem é sócia majoritária da editora? – arqueou as sobrancelhas grossas e bem delineados.

— Você.

— Exatamente. Sou eu que mando e você volta a trabalhar, sim. – colocou uma colher de sorvete na boca. – Agora me conte, como você pretende prosseguir com o terceiro livro?

Piper riu, comendo seu sorvete. Adorava conversar sobre livros com a morena, porque ela entendia bem do assunto. E ela conseguia tirar todas as preocupações de sua cabeça num piscar de olhos. 

Quando viu, as duas já estavam deitadas no sofá, rindo e conversando sobre tudo o que a professora perdeu nos últimos quatro anos. Era tão bom ficar ali, só conversando, esquecendo todo o resto. Sabia que amanhã todas as preocupações e os ressentimentos iam aparecer mais uma vez, mas estando ali, com Becky, ela realmente não se importava. Nem um pouco.


Notas Finais


Lembrando que o amor fala mais alto, na maioria dos casos. Por enquanto, aguitarrista merece sofrer um bucado 💋 #teampipes

Vocês parecem que advinham o futuro, SOCORRO! Hahaha


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