História Backstage Pass (G!P) - Capítulo 60


Escrita por: ~

Postado
Categorias Laura Prepon, Orange Is the New Black, Taylor Schilling
Personagens Alex Vause, Personagens Originais, Piper Chapman
Visualizações 364
Palavras 3.954
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hi! 😄
Sinceramente, achei que meados da história não fossem agradar muito, mas estava redondamente enganada. Agradeço pelo apoio e carinho que recebi até aqui, de coração. Vai ter Amber e Piper batendo de frente, o envolvimento de Alex com Amber e o motivo de permanecerem justas, o que não justifica, mas quando não se pensa com a cabeça o corpo que paga; já dizia minha vó.

Capítulo 60 - Capítulo 10.



Becky acordou com muita sede pela madrugada. Coçou os olhos enquanto caminhava dentro do seu hobby até a cozinha, mas levou um susto quando chegou lá e encontrou mais alguém.

— O que está fazendo acordada a essa hora?

— Eu tenho pesadelos quando durmo, desculpe. Estou tentando dormir menos.

— O que seriam esses pesadelos? – a morena serviu sua água, sentando-se ao lado dela na bancada.

— O acidente. – Piper deu de ombros. – Às vezes eu sonho com a Alex e as crianças... – cruzou os braços sob a camisola transparente. – Eu já sinto saudades deles.

— Se for sentir sempre falta deles, pode passar os finais de semana lá, o que acha?

— Já está me expulsando? – a professora cerrou os olhos, rindo.

— Sabe que não, linda – a morena sorriu, batendo o ombro no dela levemente. – Eu só não gosto de ver você triste. E você dormiria aqui o resto da semana, é claro.

— Não sei... – respirou fundo. – Parece bom, mas não quero correr o risco de ficar em casa no mesmo dia que a Amber estiver lá.

— Conversa com a Alexandra, então. Mas depois você resolve isso, agora você vai dormir. – Becky se levantou e estendeu a mão para ela. – Amanhã é o seu primeiro dia no trabalho, não quero você dormindo no seu computador.

Piper sorriu, aceitando sua mão e a deixou guiá-la pela casa.

A amiga a deixou na porta de seu quarto e esperou até que ela se deitasse para partir. Sorriu sozinha, mas o sorriso logo sumiu, dando lugar a um friozinho na espinha. Ela nunca, em toda sua vida, tivera medo de dormir sozinha. Mas também não tinha dormido sozinha uma única vez desde que acordara, exceto na noite passada – isso se contasse, porque ela deitou com Carter na caminha dele e só foi para a sua quatro horas da manhã.

Acendeu o abajur e fechou bem os olhos, respirando fundo. Não acreditava que ia fazer isso – mas ía. Caminhou na pontinha dos pés até o outro lado do corredor, trazendo consigo um travesseiro. Bateu na porta da morena e enfiou a cabeça para dentro, sussurrando:

— Becky?

— Piper? O que foi, está tudo bem? – a amiga perguntou, sentando-se na cama e acendendo o abajur.

— Hurum... – murmurou baixinho. – Eu posso deitar aqui? É que... – olhou para o chão, envergonhada. – Bem, acho que eu vou... – apontou para a porta, dando um passo em direção a ela.

— Ah, anjo. É claro que sim, vem aqui. – Becky puxou a coberta revelando seu baby doll justo, indo mais para o lado em sua cama. – Não tem que ter vergonhar – riu, apagando a luz do quarto.

Piper se acomodou ao lado dela, mas a morena logo a puxou para o seus braços.

— Eu sei que você está sofrendo, mas vai passar. – sussurrou, passando a mão no cabelo da professora. – Eu prometo que vou cuidar de você enquanto isso.


Piper acordou assim que o sol bateu em seu rosto. Ela tinha um braço em volta de Becky, e mesmo sabendo que a morena estava dormindo, sentiu as bochechas corarem. Se levantou e foi até o quarto de hóspedes, procurando sua escova de dentes na bolsa. Eram seis horas, ela tinha que correr se quisesse deixar as crianças na escola a tempo.

Tirou o celular do carregador sob o criado mudo e mandou uma mensagem para a guitarrista:

”Por favor, manda o endereço das escolas? Não quero me perder 😕 Xx”

Agradeceu por ter arrumado algumas roupas no closet do quarto e separou um vestido justo e branco, dois dedos acima dos joelhos. Fechou a porta do banheiro e se despiu, amarrando o cabelo em um coque no alto da cabeça. Becky tinha lhe ensinado a ajustar o chuveiro, e como ela adorava uma água quente, não foi muito complicado.

A professora gostava da hora do banho porque era onde ela mais pensava. Pensava na vida, nos filhos, na ex. Ela não conseguia parar de pensar no último beijo que trocaram. Em outras circunstâncias, ela teria se entregado totalmente. Mas em todo aquele tempo, ela só conseguia pensar em Amber, e no que ela sentiria se visse aquela cena.

Tudo isso, entretanto, trazia ótimas ideias para a continuidade de seus livros, e agora com a notícia que poderiam virar filmes... Ela nunca tinha se sentido tão contente quanto aos seus livros como quando ouviu isso. E Becky... Nossa, conseguia a deixar tão relaxada e feliz, mesmo com pequenas coisas. Ela sentiu seu coração transbordar na noite passada, quando, dormindo, a morena passou os braços ao redor da sua cintura e aconchegou a rosto no meio de seus cabelos.

Amava Alex. Não tinha dúvidas disso. Mas o sentimento que vinha se apossando de seu coração desde que retornou para a vida de Becky a fazia se sentir trêmula, de dentro para fora. A amiga a amou desde sempre, e ela sabia disso. Isso nunca atrapalhou em nada na amizade delas porque a morena a respeitava acima de tudo – e continuava o fazendo. Não queria envolver ela na bagunça de sua vida, mas sabia que estava se tornando impossível. Tinha tanto a pensar e tão pouco tempo.

Apoiou as mãos na parede, sentindo as pernas trêmulas. Ainda não conseguia passar muito tempo em pé, seus músculos ainda eram muito fracos, ela tomava alguns remédios para tensão muscular, que a doutora havia lhe recomendado. Desligou o chuveiro e pegou uma toalha fofinha dentro o armário. 

Suas coxas e antebraços tinham algumas marcas de vidros – os das coxas eram mais aparentes, já que foram largos cacos que as penetraram. Ela não ligava para cicatrizes – tinha a das cesarianas logo acima do osso púbico, uma linha fina de sete centímetros. Alex amava aquela. A guitarrista amava cada pedacinho dela, Piper não conseguia imaginar o que havia acontecido. E, para falar a verdade, não queria pensar nisso agora.

Becky colocava os waffles na mesa quando a professora apareceu, já pronta e com a sua bolsa na mão.

— Bee, que delícia! – Piper sorriu, sentando-se à mesa e roubando um waffle já com mel.

— Bom dia. – a morena sentou-se ao seu lado, servindo-se também. – Eu queria ir para o trabalho com você, mas ainda estou de pijama – apontou para o baby doll e o decote avantajado, fazendo as bochechas de Piper corarem.

— Eu vou buscar as crianças na Alex todas as manhãs, você pode ir comigo amanhã. – sorriu para ela, afastando o prato de si e engolindo um pouco do suco de laranja. – Preciso escovar os dentes e correr, te vejo na editora?

— Sim, senhorita! – Becky disse, sorrindo.

Senhorita, a professora pensou, sentindo cócegas internas. Não parecia ruim agora.

Enquanto dirigia o caminho até sua antiga casa, não conseguiu tirar essa palavrinha da cabeça. Mal estacionou em frente à casa e tirou o cinto de segurança, viu duas cabecinhas loiras correndo porta à fora.

— Mamãe! – Kurt foi o primeiro a alcançá-la, agarrando sua cintura. Carter não demorou mais que dois segundos para fazer o mesmo.

— Garotos! – Alex gritou da porta, de onde a filha havia acabado de sair, trazendo sua mochila em um ombro. – Não estão esquecendo nada?

— Hum... – Carter olhou para a guitarrista, que mostrou duas lancheiras escondidas atrás do corpo.

Os dois riram, correndo de volta a outra mãe e Elizabeth finalmente alcançou Piper.

— Você está linda, mãe. – a filha sorriu, abraçando a mais velha.

— Obrigada, meu anjo. Entra no carro, já estamos indo.

— Eu acho que é melhor te preparar para o furacão... – a menina disse, olhando a outra mãe de relance.

— Não, Liz. É melhor não. – a ex acenou para que Piper entrasse na casa e ela o fez, curiosa.

— Pipes! – ouviu um grito muito familiar e arregalou os olhos ao ver a cunhada ali, no meio da sala. – Meu Deus, eu achei que essa louca estava delirando. Mas você voltou! – gargalhou alto, abraçando com força a professora, que sentiu os olhos marejarem, abraçando-a com força também.

— Deus, Polly! Você não estava em Paris?

— Nada como você acordando de um longo coma para me tirar de lá, meu bem. Bom, já estava na hora de eu voltar às minhas origens. – deu de ombros.

Polly Harper era deslumbrante, e a professora viu que ela continuava assim. Sempre fora charmosa, diferente da guitarrista ela foi criada na Europa pelos avós já falecidos, mas aparentemente Paris lhe fizera muito bem.

— E então, vamos? – perguntou, entrelaçando o braço ao da cunhada.

— Eu já te disse, Polly. Ela vai trabalhar hoje. – Alex soltou um suspiro, exausta.

— Não quero saber. Aquela gostosona da chefe dela vai deixar ela passar um dia comigo.

— Hã... Polly, eu preciso...

— Sei que precisa, já organizei nosso dia todo.

— Mas...

— Não discute, Pipes. É perca de tempo – Alex rolou os olhos. – As crianças conhecem o caminho da escola, mas anotei aqui – entregou um papel para a professora. – É só colocar no GPS. As escolas são uma quadra de distância uma da outra, eu sempre deixo Liz com os meninos e ela vai a pé até a sua. Bom, acho que isso é com você. – ergueu um ombro. – Você está bem? – perguntou, de um jeito tímido que Piper não se lembrava de ela ter usado recentemente com ela.

— Estou sim, Alex. – sorriu. – Bem, eu... Eu deixei meu celular em casa, posso usar o telefone? – perguntou, vendo a ex assentir.

Por alguns segundos, Alex repetiu inúmeras vezes a frase em sua cabeça. Não gostou nem um pouco de ver a naturalidade com que ela dizia isso.

— Você dormiu na Becky? – perguntou, mesmo que tivesse entrado em contato com todas as garotas no dia anterior, perguntando se ela havia ido para a casa de alguma delas.

— Na Becky. – a professora respondeu, baixinho, sem olhar para ela. Seus dedos digitavam o número da morena no aparelho fixo sem fio.

Alex queria sair dali, morria de raiva daquela mulher. Mas não conseguia, precisava ver como a ex agia com a amiga – se era igual a forma que agia com ela.

— Becky? É a Piper. – sorriu, doce.

Oi, linda. Aconteceu alguma coisa? – Becky perguntou, ela conseguia sentir a preocupação em sua voz.

— A Polly voltou, e...

A irmã da Alexandra?

— É, e eu queria saber se posso começar a trabalhar amanhã? É que...

Foi você quem insistiu em começar hoje, teimosinha. – Becky arrancou um riso da professora. – Você tem que descansar, P. Vamos fazer assim: Vou arrumar todos os papeis hoje e levo para você assinar hoje à noite, pode ser? Quando chegar eu já vou ter feito o jantar. Conheço bem essa cunhada que você tem. – riu. – Boa sorte, anjo. Qualquer coisa é só me ligar.

— Obrigada. – riu. – Mas o jantar sou eu quem irei fazer! Você já fez o café hoje.

Querida, você é a melhor pessoa que conheço. Mas além das panquecas e alguns pratos fáceis, você é uma droga na cozinha.

— O quê? – Piper fingiu-se de ofendida. – Cale a boca, Becky! – ela sorria. – Preciso levar as crianças para o colégio, vejo você hoje à noite. Eu levo o jantar, não mexo mais na nossa cozinha.

Nossa cozinha? Estou gostando de ver – a professora sentia o sorriso dela. – Tudo bem, até mais tarde.

Piper desligou, colocando o telefone no gancho.

— Pronto! – sorriu, virando-se.

Mas só quem estava ali era Polly.


— Tchau, mamãe, tia Pol. Até mais tarde. – Carter beijou sua bochecha e depois Kurt.

— Tchau, mãe. – Elizabeth a abraçou apertado, saindo do carro e segurando as mãos dos irmãos. – Tchau, madrinha.

— Tchau, meus amores.

— Tchau, anjinho. – Polly acenou para a afilhada, rosnando para os dois afilhados de Nicky. – Tchau, pestinhas.

— Quer ir dirigindo agora? – Piper perguntou. – Não sei onde vamos.

— Eu guio você. – prometeu, preguiçosa.

— Temos tanto a falar! Mas preciso que me libere até às três, precisamos buscar meus bebês. – seguiu pela rua, virando na próxima, como Polly havia indicado.

— Já ouvi esse discurso da idiota da minha irmã. Relaxa, cunhadinha. – rolou os olhos. – É aqui perto, acho que em três quadras você vira para a esquerda. – mandou, abaixando o volume do som. – Tudo bem, agora eu preciso saber de tudo. O que é que aconteceu quando você acordou e como mantiveram segredo?

— Sua irmã não quis nem que nossos amigos soubessem, nem a família. Descobriram no dia que voltei para casa, mas a surpresa mesmo fui eu quem levei. Eles souberam antes que eu chegasse, e eu... Nossa, eu fiquei tão feliz. – riu. – Eu sabia que você tinha voltado para Paris porque Liz havia me dito, então não perguntei nada a Alex. Não é como se conversássemos.

—Isso! Cheguei onde queria. Está claro para todos que ninguém gosta da vaca da Amber, certo?

— Não gosto quando ela trata meus filhos mal. De resto, não tenho nada contra ela.

— Ela está dando para minha irmã! Como assim "nada contra”?

Piper encolheu os ombros, ouvir as palavras diretas era mais difícil.

— Ah, por favor! Você não esperava que ela estivesse só nos beijos com ela, não é? Pelo que sei, estão juntas há um ano. Eu vim quando soube e quase arranquei as orelhas daquela filha da mãe, mas ela já não tinha esperanças que você acordasse, sabe? Então continuei em Paris e você naquele hospital.

— Eu nunca culpei ela por ter outra pessoa, Pol. Eu só... Só queria que tudo fosse como antes, mas parece que ela virou outra pessoa.

— Talvez você também não seja a mesma de antes do acidente, já parou para pensar nisso? – a professora olhou para Polly apenas por um segundo, focando na estrada logo depois.

— Talvez você esteja certa.

— Certo, chegamos. É logo ali. – Polly apontou, desfivelando o cinto enquanto isso Piper reduzia a velocidade até estacionar.

— Um SPA? – a professora arqueou as sobrancelhas.

— Sim, senhora! Vamos, estamos em cima do horário.

— Eu pensei que íamos fazer compras. Isso é mais a sua cara. – riu. – E ainda precisamos conversar.

— Vamos conversar lá dentro. Acha o quê? Só nós duas vamos ser atendidas ali hoje. Falar o nome da minha irmã e o seu foi um incentivo delicioso para elas.

Piper riu da cara de pau da cunhada.

— Eu quero saber sobre a Becky gostosona. – Polly parou a amiga, segurando seu braço. – Alex chorou tanto hoje de manhã, me explicando a história de vocês. Eu amo aquela ser, mas sei que está errada. Ela é doida por você, só está com aquela piranha por capricho. Mas e você, Pipes? Alexandra não é de ver coisas onde não tem. O que a Becky tem a ver com essa história toda? Porque ela ser apaixonada por você não é nenhum segredo, mas isso nunca deixou Alex mais preocupada do que agora.

— Ela não tem que se preocupar comigo. Eu não sou mais responsabilidade dela – rosnou. – Eu quero esquecer isso tudo! Eu estou tão confusa, tudo o que aconteceu me deixou maluca, e a Becky... A cada segundo que passa eu quero ficar longe dela menos ainda!

— O que estou dizendo aqui, Pipes, é que minha irmã é uma idiota, e ela te fez sofrer por esses dias. E eu sempre fui imparcial nesse negócio todo, mas agora não sou mais. Você vai ser feliz com quem tiver que ser – Polly prometeu. – Vou me certificar disso – retomou os passos, puxando o braço da professora até que tocassem a campainha. – E isso nos leva ao primeiro programa do dia.

Uma mulher loira platinada e muito bem bronzeada abriu a porta, com um sorriso de orelha à orelha.

— Bom dia, Senhorita Harper e Senhorita Chapman. – a moça parecia curiosa. – Fico contente em saber que acordou. – olhou para Piper, que sorriu, constrangida.

— Bom, obrigada. – entrou na clínica.

— Estão prontas? Mary e Jossie as esperam. Por aqui, por favor. – pediu, tomando a frente delas.

— O que vamos fazer mesmo? – a professora sussurrou.

— Depilação. – Polly entrou na grande sala, seguida por ela.

— Fiquem a vontade. Elas já devem atender as duas. – a platinada se retirou, fechando a porta.

Piper viu que Polly dizia a verdade quando ela começou a se despir, e então fez o mesmo, abrindo seu vestido.

— Já que se mudou para casa daquela gostosa, tem que estar depilada.

— Meu Deus, Polly! – Piper gargalhou, tirando a calcinha e deitando na maca. – Não vamos transar, apesar eu estar necessitada.

— Não vejo por que não! Você é solteira, seus filhos amam a Becky, pelo menos 2/3 deles.

— É tão complicado. – suspirou. – Eu me sinto bem ao lado dela como eu me sentia com Alex, ela me deixa calma e feliz, sem precisar de nenhum motivo para isso.

— Pipes, se você achar que é de sua vontade, fica com ela. Dá uma chance para você ser feliz.

— Eu dar uma chance? Tudo bem, podemos conversar sobre isso. Mas e você, Pol? O que aconteceu com você e o Larry?

— Nada aconteceu. – Polly emburrou no mesmo momento em que as duas profissionais da estética entraram no cômodo.

Durante o processo silencioso, Piper pensou em tudo o que Polly dissera. E concordou com muitas coisas. Sabia que Becky ainda era apaixonada por ela – ela via em seus olhos, era um sentimento tão lindo. Sabia que poderia amá-la fácil demais, e era isso que a assustava. Fazia tão pouco tempo que havia acordado. Uma semana e meia, na realidade. E já tinha tanta coisa para pensar, já tinha chorado tanto, rido tanto ao lado dos filhos, sentido saudades de seu antigo relacionamento. Mas ela sabia que aquilo era algo distante demais. A própria cunhada havia dito para ela ser feliz, e era isso que ia fazer.

Fechou os olhos quando a última passada de cera foi retirada dolorosamente, e então respirou, aliviada em saber que tinha acabado. Polly já tinha se levantado e começado a se vestir, silenciosamente, mas a professora franziu o cenho para ela, se levantando também.

— Não tente bancar a espertinha, Polly Harper. Vai me contar tudo.

— Okay. – a outra rolou os olhos. – Agora nós temos massagem. Não quero contar onde alguém possa ouvir.

— Que horas vamos sair daqui?

— Dez horas. – Polly vestiu o roupão por cima da lingerie, fazendo um nó frouxo na cordinha. – Não se preocupe. Vai chegar a tempo de buscar as crianças. – riu.

— Eu não posso falhar com eles. – ela a olhou, os olhos marejando. – Eles já perderam demais sem mim.

— Você é a melhor mãe do mundo. Sabe, a Alex levava eles uma vez por semana no hospital. Ficavam o dia todo com você. Uma vez eu fui junto, era lindo. Ela contava alguma história que vocês viveram e os três pareciam anjinhos de tão quietos. Ela os fez crescer sabendo que você era mãe deles, principalmente os meninos. Liz já era grande, nunca ia se esquecer. Você já viu os vídeos que ela gravou durante esses quatro anos?

— Não. – cerrou os olhos. – Os meninos comentaram, mas acabei deixando pra lá.

— Quando deixar as crianças em casa, peça a Alex. – mandou, abrindo a porta e chamando a professora com a mão.

Piper pensou nos vídeos, curiosa. O que será que tinham de tão importante assim?

— Estão prontas? – uma moça mulata pergunta, abrindo a porta de outra sala.

— Estamos.

— Que tipo de massagem vão querer?

— Minha cunhadinha aqui, - Polly sorriu, segurando nos ombros dela. – precisa de uma relaxante. Ela deve ter nós em todos os músculos.

— E a senhorita?

— Eu vou querer uma Tântrica, obrigada.

A professora riu fraquinho, negando com a cabeça. Quando a mulata desapareceu, ela finalmente se pronunciou:

— Sua safada.

— Estou solteira e, mesmo que não tivesse, todo mundo merece uma Tântrica.

— Eu fiz um curso uma vez. – confessou. – Alex queria toda hora. – mordeu o lábio, pensando nos dois sentidos da frase.

Saudades do que foi seu...

— Você deveria ter obrigado ela a fazer! – Polly a olhou, indignada. – Seria justo.

Mal sabia ela que as mãos da guitarrista eram dos deuses, a professora que o diga!

Dois homens – muito musculosos, por sinal – entraram na sala.

— Uh... – Polly sussurrou. – Não vai mesmo querer uma Tântrica?

Piper riu e negou com a cabeça.

— Como você diz, o que eu realmente preciso é relaxar.

— Se você diz. – Polly deu de ombros, tirando o roupão e induzindo a professora a fazer o mesmo.

Que precisava de uma massagem ela sabia. Mas aquelas mãos de anjo a fizeram dormir em dois minutos, de tão gostosas. Só acordou realmente quando Polly a chamou, rindo alto.

— Sabia que você ia dormir. – deu um tapinha em seu traseiro. – Bom, meu amor. São dez horas. Temos outro compromisso agora.

— O que é? – a professora perguntou, colocando seu vestido mais uma vez e sentindo todo o corpo nostálgico. – Nossa... Estou me sentindo renovada.

— Não é? – sorriu. – É surpresa. Temos que nos apressar, porque depois eu vou te levar ao shopping. Um passarinho me contou que Alex não comprou tudo o que você precisa.

— Isso não é verdade. Elas compraram muitas coisas.

— Bom, Liz tem certeza que você precisa de mais. – deu de ombros. – E Alex liberou o cartão dela. Acha mesmo que vou deixar barato? Ela nunca libera!

A professora riu, mordendo o lábio.

— Tudo bem, vamos lá.

Dessa vez, porém, quem dirigiu foi Polly. Quando percebeu que estavam indo ao cemitério, seus olhos se encheram de lágrimas.

— Vai me levar para ver o Cal?

— Você ainda não foi, não é? Alex me disse que queria ir. – Polly sorriu, entrando no estacionamento do cemitério.

— Obrigada. – sussurrou, desatando o cinto. – Obrigada, mesmo.

— Quer chorar sozinha ou precisa de companhia? – Polly sorriu, segurando o rosto da amiga.

— Prefiro ficar sozinha, amor. Obrigada. – beijou a bochecha dela e saiu do carro.

Respirou fundo diante do grande portão e entrou. Como sempre, muitas pessoas estavam lá, então ela caminhou com a cabeça baixa porque, por mais que ali fosse um cemitério, podia ser reconhecida agora que seu rosto estavam em todos os jornais e revistas. Graças a Deus não havia saído muito. Não sabia se ir ao shopping era boa ideia, mas precisava descobrir tudo sobre Larry e Polly. 

Parou em frente ao túmulo de Cal Chapman e se ajoelhou na grama, passando o polegar na foto sorridente do irmão.

— Oi, maninho. – sorriu. – Eu sei que, provavelmente, Alex te contou, mas eu meio que estive morta nos últimos quatro anos, então não me odeie por não ter vindo te visitar.

Sentou sobre os pés e juntou as mãos no colo.

— Ela está namorando, Cal. – sussurrou, encostando a cabeça na lápide. – Eu falo pra mim mesma que sou forte, sabe? Mas dói como o inferno ver ela beijando outra, dormindo com ela. É terrível. Sei que não deixaria isso acontecer se estivesse aqui. – riu baixinho. – Mas eu acho bom ela ter arrumado alguém para amar. Ela não me tinha aqui, Cal. Ela não... Não podia se prender a uma quase morta. E se você tivesse aqui, ia me xingar agora por eu pensar assim. Mas você não está, não é mesmo? Eu sinto tanto a sua falta. – confessou num sussurro. – Eu te amo... Amo com todo o meu coração.

E, se levantando, despediu-se do irmão, saindo dali o mais rápido que pôde.

— Me tira daqui. – implorou, entrando no carro. Um minuto a mais e ia se desfalecer em lágrimas.

Polly obedeceu prontamente. Sabia que Cal era o maior ponto fraco de Piper. Alex era o seu, então ela entendia completamente o que ela estava sentindo. Completamente.


Notas Finais


💔
E vocês achando que Polly iria ficar de fora...
Becky, ti love!!!
Uma mulher dessas, bicho.


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