História Bad At Love - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Grey's Anatomy
Personagens Addison Montgomery-Shepherd, Alexander "Alex" Karev, Alexandra "Lexie" Grey, Amelia Shepherd, April Kepner, Arizona Robbins, Calliope "Callie" Torres, Cristina Yang, Derek Shepherd, Erica Hahn, Isobel "Izzie" Stevens, Jo Wilson, Leah Murphy, Mark Sloan, Meredith Grey, Miranda Bailey, Theodora "Teddy" Altman
Tags Arizona Robbins, Callie Torres, Calzona
Visualizações 361
Palavras 3.773
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi meus amores, espero que esteja tudo maravilhosamente bem com vocês. Obrigada pelos comentários do capítulo anterior, prometo que vou responder cada um deles ok? Enfim, me pediram capítulos maiores e eu tento atender o que vocês pedem, então escrevi um capítulo um pouco maior, foi difícil? Foi, mas vida que segue. Sem mais delongas, boa leitura!

Capítulo 11 - Onze


É possível saber quando um dia vai ser bom ou ruim dependendo de como você acorda, salvo há alguns dias que te surpreendem, positiva ou negativamente. Para Calliope Torres aquele dia não poderia ter começado melhor, tendo em vista que seu coração começava a dar sinais de que, em algum momento, poderia acontecer uma certa revolução no que tangia ao amor, fazendo com que o mesmo sofresse de taquicardia prolongada. As mãos se faziam um tanto tremulas não por fraqueza ou qualquer outra coisa que pudesse influir, e sim pela simples inquietação e excitação que sentia pela noite que estava para chegar. Os seres humanos tendem a ter uma queda por aquilo que é errado, principalmente quando o “errado” está no campo das emoções, não é atoa que temos conhecimento dos setes pecados capitais, emoções não controladas que sobem a cabeça fazendo com que pequemos sem ao menos perceber. Bêbados de desejo por aquilo que, por vezes, é mal visto. A luxúria dos olhares, o proibido falava mais alto no coração de Callie, mesmo sabendo que seus atos, algum dia, poderiam ter consequências desastrosas. Era ruim trair seu próprio irmão, e ter a cidade como cumplice para seus crimes amorosos não estava em seus planos, mas apenas acontecera.

O corpo se assemelhava ao de uma rainha naquela cadeira de couro preta, era uma visão dos deuses ver Torres trabalhar. A saia subia um pouco quando ela se sentava, criava-se uma ilusão de que suas pernas eram ainda mais grossas e definidas. Saias lápis são uma arma feminina não muito conhecida, mas muito apreciada pelos poucos que conhecem seus encantos. O cabelo em cachos enormes caia por seu dorso e iam até o meio de sua cintura bem definida. Tudo em Callie era uma questão de charme, de levar a provocação ao sentido extremo da palavra, provocar era uma arte que ela levava muito a serio, porém, acabava fazendo isso sem perceber de tão natural que era para si. A blusa branca, extremamente lisa, estava com os dois primeiros botões abertas, deixando para que as mentes mais criativas imaginassem o que estava escondido ali dentro. Há sempre um mistério em mulheres que detém de um grande poder, é poético vê-las em ação, falando com certa imposição, com um ar de superior a todos. Diga o que quiser, mas mulheres poderosas povoam o imaginário de todos, e povoam de uma maneira maravilhosa.

Enquanto atendia a um rápida ligação e se concentrava em revisar uma matéria para revista, os olhos de Callie nem ao menos perceberam a presença de Regina na sala. A mesma estava parada, com um dos joelhos levemente flexionado, a mão esquerda em sua cintura, e com os olhos predatórios que só ela sabia ter. Um leve sorriso brotava nos lábios pintados de vermelho escuro. Regina a estava apreciando.

—Não me entenda mal... —Torres dera um pulo da cadeira assim que desligara o telefone, se assustando com a voz levemente rouca que havia tomado conta do ambiente. —...É mais do que divertido te provocar, não faço por mal... —Ela sorriu mais abertamente e então olhou para o lado, abaixando a visão logo em seguida. —... Tá bom, talvez eu faça por mal!

—Você tem que manter em mente que, por mais que nossos momentos em seus lençóis fossem quase pervertidos de tão bom que eram, eu ainda sou sua chefe. —Callie segurava a caneta com a ponta apoiada no papel. —E como sua chefe, eu demando respeito! —Um sorriso não muito aberto tomara conta dos lábios da latina, ao passo que ela voltou seus olhos para o papel em seguida.

—Você não é minha chefe, somos sócias e eu prefiro que me trate assim. —A mulher então caminhou até a mesa de Torres, apoiando as duas mãos na madeira escura para então encara-la, se curvando levemente, deixando seu decote ainda mais amostra. —Na verdade, eu demando que me trate assim!

Os olhos castanhos de Calliope subiram, olhando a mulher a sua frente. Novamente, não leve a mal, mas Regina era a perdição em forma de mulher. Tudo nela gritava sexo o tempo todo, até mesmo em seus momentos vulneráveis, onde ela tirava a capa de megera e se permitia ser uma pessoa leve. O cabelo curto com as pontas para fora, a cicatriz logo acima de seu lábio superior, o batom vermelho que sempre combinava com suas roupas... E por falar em roupas, os decotes não eram poupados, na verdade, eram usados com frequência, em vestidos e blusas. E o pior de tudo, ela nem se esforçava para ser assim, era algo naturalmente seu, e nem é preciso mencionar que fora isso que despertara os extintos mais primitivos de Callie, a levando em uma aventura sexual com sua mais nova sócia.  

—Tire suas patas da minha mesa, vai mancha-la! —Torres olhara para as mãos da morena, com as unhas curtíssimas pintadas de preto.

—Você quase consegue me ofender assim, meu amor. —Ela sorrira largamente, um sorriso pervertido demais para pertencer a qualquer ser humano. —Você dormiu com ela, não dormiu? Eu não dava mais de dois dias para que isso acontecesse! —Ela arrumara sua postura, ficando completamente de pé em frente à mesa. —É uma coisa sua, você não consegue evitar por mais que tente, é fácil cair nos seus encantos, Calliope, porém, nunca imaginei que fosse tão fácil alguém te ter de quatro como você está agora.

—Regina! —Callie tinha seu dedo apontado para a mulher, com uma expressão furiosa em seu rosto.

Era fato que Torres detestava ser contestada, ou colocada contra a parede, pelo menos no mal sentido da expressão. Sempre fora uma mulher poderosa, visionaria que não deixava que seus sentimentos falassem mais alto que sua razão, tal atitude sempre fizera dela uma mulher melhor, um tanto fria, mas melhor. Ter Regina ali, lhe despindo com o olhar, apontando uma falha que para ela era quase inaceitável, era mais do que uma afronta, era um tiro em seus conceitos bem construídos.

—Eu estou decepcionada, esperava mais! —Ela então dera a volta na mesa, parando atrás da cadeira da morena. —Quando foi que você ficou tão fraca assim? —As pequenas mãos se apossaram do ombro de Torres, os massageando calmamente enquanto ela se curvava, fazendo com que seus lábios ficassem próximos do ouvido da outra. —Onde está seu poder agora, Torres? Você sabe que isso foi o fator primordial para que eu quisesse te despir inteira desde a primeira vez que nos vimos.

—Regina! —A voz agora já não tinha um tom tão imponente quanto antes, na verdade estava quebradiça, quase sumindo em um sussurro. —Eu preciso... Voltar ao trabalho...

—Você nunca foi assim, se entregando tão fácil, sempre há um jogo de poder com você. —Ela sorrira, abaixando ainda mais o tom de voz, mordiscando a orelha de Torres. —Ela arrancou seu coração e fez dele propriedade, não fez? Ela é sua perdição, isso é um fato! —Os olhos de Callie se encontravam fechados, enquanto a mão de Regina descia de seu ombro até o botão fechado, voltando em seguida para seu lugar de origem. —É realmente uma pena, amor é uma fraqueza, Calliope! —Um leve beijo fora dado na lateral do pescoço da latina e Regina então caminhara para fora da sala sem olhar para trás, deixando a porta da sala aberta.

Calliope despertara do breve transe em que havia entrado, sentido seu corpo queimar de desejo, quem começa um jogo assim e não termina? Era, no mínimo, crueldade! Ela então se recompôs, olhando para os lados como se houvessem uma bancada de pessoas a julgando pelo momento de fraqueza que Regina provocara em si.

—Theodora! —Ela gritou, fazendo com que a mulher corresse até sua sala segundos depois.

—Senhorita Torres. —Teddy parou um passo antes de entrar na sala, vendo uma Callie um tanto vermelha e visivelmente irritada.

—Eu tenho uma reunião em cinco minutos, se certifique de que está tudo organizado para que tal reunião aconteça. —Teddy sorriu amavelmente.

—Eu... Eu organizei tudo ontem! Está tudo pronto. —O efeito que Torres tinha sobre a outra mulher era notável, era quase idiota na verdade.

—Pois olhe novamente, você é um ser humano, é passível de erros como qualquer um aqui, porém sabe da minha tolerância nula para seus erros! Isso é tudo. —O olhar se abaixou, e ela então voltou sua atenção para os papeis.

O “isso é tudo” de Calliope Torres era um encerramento para qualquer discussão, não importava onde ou com quem ela estava, sempre era um encerramento. Teddy então abaixou a cabeça, voltando a sua mesa logo em seguida.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, Arizona enfrentava uma chuva daquelas ao chegar à faculdade. O dia havia começado muito bem, e ela preferia que se mantivesse assim, afinal, as lembranças que tivera já foram por si só algo ruim para o resto do ano. Victoria não era um assunto comentado ou citado por ninguém, nem mesmo por Meredith, que era sua melhor amiga. O cabelo estava um tanto molhado, mas nada se comparava ao restante da roupa que estava usando ou seu sapato, maldito seja a escolha de usar uma sapatilha naquele dia. Ao chegar, Robbins acabou fazendo seu caminho diretamente para o banheiro, entrando no mesmo com certa pressa. Seu cabelo, por mais incrível que pudesse parecer, estava aceitável para uma manhã chuvosa, porém os olhos... Bom, esses a denunciavam, contando sobre o choro compulsivo que tivera dentro do carro horas antes. A loira então colocou seus pertencesses em cima da pia, e abriu a torneira, lavando o rosto algumas vezes para amenizar os sinais de choro. No meio tempo em que fazia isso, Cristina adentrou o banheiro como um furacão que só ela sabia ser.

A mulher com traços japoneses parou logo na porta, olhando o reflexo deplorável de Arizona no espelho. Ela sorriu e então caminhou calmamente até a amiga, a abraçando.

—A irmã do Mark é tão ruim que te fez chorar?

Arizona a olhou, soltando uma risada contida logo em seguida. Os braços então abraçaram Cristina de forma apertada, ao passo que a mesma retribuiu tal abraço.

—Não é isso... Quer dizer, Calliope é maravilhosa! —Cristina acabou por encostar seu queixo sob a cabeça da outra, uma vez que era mais alta que ela. —Eu me lembrei de coisas que, particularmente, eu não gosto de lembrar. —Ali estava o assunto intocável e indiscutível.

—Bom, você não precisava falar ou pensar sobre isso, no lugar de pensamentos ruins, eu te dou algo pior ainda. —Yang fechou os olhos, apertando ainda mais o abraço.

—Não me diga que a cafeteria já está fechada. —Os olhos azuis se encontravam marejados enquanto ela se agarrava a amiga com todas as suas forças.

—Não, a cafeteria está funcionando, do contrário à faculdade já estaria pegando fogo. —Ambas sorriram. —Hoje teremos prova surpresa, quer dizer... Há rumores, se há rumores, há uma probabilidade.

—Isso é sério, Cristina? Me diz que é uma das suas brincadeirinhas matinais, por favor, eu estou torcendo para que seja! —Arizona saira do abraço para encara-la, porém a expressão de Yang estava inflexível.

—Desculpa Arizona, mas é bem verdade, você sabe como eu amo assustar você logo de manhã, é um charme meu, mas dessa vez é verdade!

Esquecendo-se do que fora fazer no banheiro, Cristina acompanhou a amiga em um estado que chegava a fazer dó em que a visse. Ambas caminharam até a cafeteria, se juntando a Meredith e April em uma mesa mais afastada. As outras duas mulheres tremiam de frio, visto que não haviam planejado que sentiriam tal frio naquela manhã. O céu estava completamente coberto, e a chuva não dava sinais de que iria acabar tão cedo. Yang apenas se certificara de deixar Robbins na mesa, voltando em seguida para a cafeteria para pedir um cappuccino para a loira, pois sabia que essa era a única coisa que poderia confortar seu coração em dias como aquele. Não se demorou muito, voltando com um copo gigante de cappuccino e um expresso. Cristina se sentou ao lado de Meredith, entregando o copo para Arizona em seguida, em meio a um sorriso.

—Calliope é ruim assim, ela fez a Arizona chorar com sexo ruim. —Yang sorriu ao terminar a frase, bebericando um pouco de seu café, fazendo com que todas na mesa sorrissem.

—Eu não consigo me lembrar de quando foi que eu tive alguém ruim na minha cama, Yang, já você não pode dizer o mesmo. —Arizona sorriu, encostando suas costas na cadeira.

—Se você quer falar de alguém que faz péssimas escolhas de parceiros sexuais, esse alguém não sou eu, passo isso para a senhorita Meredith Grey. —Meredith a encarou, dando um leve empurrão em seu ombro.

—A briga aqui é entre vocês, não me coloquem no meio. —Ela levantou a mão, se abstendo.

—Cristina não está de todo errada, Mer, você de fato faz péssimas escolhas... Tirando o McDreamy, esse eu tive que tirar o chapéu para você, nunca te imaginei com um professor. —Robbins sorriu, bebendo um tanto de seu cappuccino, sentindo o liquido abraçar seu coração e então conforta-lo como ninguém mais poderia fazer.

—Por favor, sem menções ao McDreamy, hoje não. —Grey acabou por se debruçar em seus próprios braços.

—O que houve? —Arizona olhou de April para Cristina, visto que ambas estavam ali na mesa há mais tempo.

—Não foi só a irmã do Mark que fez alguém chorar por motivos de sexo ruim, McDreamy pisou na bola, de novo. —Os olhos azuis se reviraram.

—Meredith, de novo? —Grey permaneceu debruçada sob seus braços, mas seus olhos agora estavam fixos em Arizona, pois sabia que viria bronca por ali. —O que ele fez dessa vez?

—Além de interromper o sexo de novo porque a esposa ligou, nada! —Cristina falou com cara de poucos amigos, voltando sua atenção para seu café.

—Você precisa terminar isso de vez, Meredith, para o seu próprio bem, não é saudável!

—É saudável sair com a irmã do seu namorado, Arizona Robbins?! —Meredith ergueu seu corpo, sorrindo amigavelmente.

—Ok... Isso também não é saudável, mas eu nunca fui exemplo para ninguém, não jogue isso na minha cara agora!

Enquanto a chuva lá fora caia sem parar, o grupo de amigas agora se encontrava em sala de aula, tensas como se pudessem ver seu futuro a sua frente, e não era um futuro bom, diga-se de passagem. Após se acomodarem em seus assentos, o famoso Derek Shepherd, mais conhecido como McDreamy, adentrou a sala com cara de poucos amigos, em suas mãos havia um pacote enorme, ao passo que ele colocou o mesmo sob a mesa junto ao resto de seus pertences. O mesmo suspirou e então caminhou até o meio do quadro, parando no instante seguinte, dando um olhar geral na sala inteira para então parar sob Meredith Grey, que estava no meio da ampla sala.

—Eu ouvi dizer que os rumores de uma prova surpresa se espalharam... —Ele sorriu, entrelaçando os dedos logo afrente de seu corpo. —...Pois bem, são rumores verdadeiros, e quem lhe dará essa prova sou eu, espero que estejam preparados, afinal, a matéria dependera dessa prova, não creio que ninguém queira ficar de dependência.

—Como se tivéssemos algum tipo de escolha aqui. —Cristina murmurou enquanto abria sua bolsinha de lápis com certa raiva em seus movimentos, tirando de dentro uma caneta preta, um lápis e uma borracha.

As provas começaram a ser distribuídas, chegando até a parte de trás da ampla sala de aula, reinando o silêncio logo depois. Derek olhou para o relógio e então sorriu para a sala.

—Desejo a todos uma ótima prova, vocês têm duas horas! —Ele então voltou a sua mesa, se sentando com os pés acima da mesma enquanto abria calmamente um livro sobre psicologia comportamental.

Arizona se encontrava tensa, pois seu psicológico estava abalado, não conseguia nem ao menos pensar em se acalmar para começar a ler a prova a sua frente. Enquanto sua cabeça fritava para se acalmar, os olhos azuis mapearam toda a sala, que agora se encontrava em um silêncio quase mórbido. Meredith, April e Cristina estavam de cabeça abaixada, concentradas no que liam, e Robbins então desejou mentalmente que seu coração e mente se aquietassem para que ela pudesse ao menos começar a ler todas aquelas palavras a sua frente. Fechou então os olhos, respirando fundo três veze para tentar se acalmar, tentara então lembrar-se de alguma memória feliz para que sua cabeça se focasse naquilo e não na tristeza que sentia ao se lembrar de Victoria novamente. A cabeça estava vazia, e ao mesmo tempo completamente tumultuada. Arizona então abriu os olhos, olhando para a mesa de Derek, a mesma se encontrava bagunçada, cheia de livros e revistas... Revistas... Callie! Isso, Callie era sua memória feliz!

O mágico sorriso de Arizona Robbins estava de volta a sua face, ela então se concentrou e lembrou-se dos sorrisos de Torres na noite anterior, lembrou-se dos poucos momentos maravilhosos que elas haviam tido, e de repente, como em um passe de mágica, o coração voltara a bater no ritmo normal, sua cabeça se aquietara e enfim ela encontrara a paz que tanto necessitava. Segurara o lápis com certa firmeza e então seus olhos se focaram no conteúdo da prova, lendo e interpretando cada palavra com uma segurança que nunca havia sentido na vida. O relógio era o único objeto que fazia barulho constante ali, os minutos passavam enquanto os ponteiros rodavam sem se preocupar com as jovens vidas que estavam em jogo dentro da sala extremamente fria daquela faculdade.

A primeira a terminar do grupo havia sido Cristina, a mesma se levantara com toda a pompa que ela possivelmente poderia ter e então deixou a prova sob a mesa de Derek, saindo logo em seguida com seus pertences, mas não sem antes lançar um olhar preocupado para April, que estava tão vermelha quanto um pimentão. Kepner era a mais jovem do grupo, e aparentemente a mais sem experiência das três, era uma boa amiga e sabia dar conselhos como ninguém, porém, lidava com problemas constantes de insegurança a respeito de absolutamente tudo. Assim que Yang dera alguns passos para fora, indo para o corredor principal, Meredith, junto a um grupo de oito pessoas, se levantou e então desceu um degrau após o outro até enfim chegar a parte baixa da sala, caminhando até a mesa de Shepherd. Suas mãos tremiam um pouco, porém ela respirou profundamente e então brigou consigo mesma mentalmente. Era mais do que obvio que ela não poderia entregar a prova para Derek naquelas condições, precisava ser madura o suficiente para não deixar seus sentimentos transparecerem assim sem necessidade alguma. Parou então próxima a mesa, e colocou a prova sob a mesma, dando meia volta antes que McDreamy pudesse pensar em fazer contato visual, saindo da sala rapidamente.

April e Arizona terminaram a prova praticamente juntas minutos depois, faltando dez minutos para o fim da prova. Entregaram a prova a Derek, April é claro lançando um olhar de puro e completo julgamento ao homem, e então saíram da sala para encontrarem as outras duas amigas. O resto do dia discorrera de forma tranquila, tirando a prova que não era uma prova surpresa no ultimo período, prova essa que Arizona terminou quase nove da noite, sendo que a mesma tivera inicio às sete horas da noite. Saíra da sala de aula tão cansada mentalmente que se alguém lhe perguntasse seu nome naquela noite ela não saberia responder. Caminhou sozinha até o estacionamento da faculdade, vendo de longe uma figura curiosa encostada em seu carro. No primeiro momento ela se assustara, pensando que pudesse ser alguém com má índole, porém, ao se aproximar mais ela viu quem era, sorrindo logo em seguida.

—Calliope! —Ela dissera em um tom animado, a dez passos da outra mulher.

—Arizona! —A latina ainda estava encostada ao carro, com uma rosa vermelha em mãos. —Você está me fazendo esperar faz um tempo.

—Peço desculpa, eu estava fazendo uma prova e eu estou tão... —Ela então olhou para os lados, vendo que havia poucos carros e dois guardas andando pelo estacionamento. —Você não quer ouvir sobre a minha prova chata... Isso é uma rosa? —Ela sorriu, apontando para as mãos de Torres.

—É uma rosa, e é sua. —Havia certa inocência na voz da latina, o que era extremamente novo aos ouvidos de Arizona Robbins. —Eu... Eu espero que você possa me levar para casa. —Callie sorriu, entregando a rosa para a loira, sentindo um frio em sua espinha, o que Mark pensaria daquilo?

—Onde está seu carro? Você pode me seguir e... —A loira ainda olhava para o estacionamento, procurando o carro da outra mulher, segurando a rosa próxima a seu queixo.

—Eu pedi para que me trouxessem aqui, e espero que possa pegar uma carona com você. —Arizona então abrira um largo sorriso.

—É claro que você pode pegar uma carona comigo, eu sou legal desse tanto, Calliope!

Após adentrarem o carro em meio a sorrisos, Arizona se concentrara em dirigir sem olhar para a bela mulher ao seu lado, pois do contrário ela não voltaria a olhar para a rua nunca mais. Mal conseguia conter sua animação por estar levando Callie para casa, era como uma notícia boa depois de um dia horrendo. Após dirigir por meia hora, Robbins estacionou seu carro na garagem do apartamento, e ambas tomaram as escadas até o terceiro andar, parando no apartamento 104. A loira então abriu a porta, se amaldiçoando mentalmente, pois havia se esquecido de como sua casa poderia ser bagunçada. Arizona era estudante, não possuía emprego fixo tão pouco uma vida ou casa organizada, vivia na verdade uma realidade completamente diferente e oposta à realidade de Calliope. O apartamento de fato estava uma bagunça, não dava para saber onde um cômodo começava e acabava. Era possível distinguir apenas a cozinha, e a sala tomava grande parte do apartamento. Bagunçado ou não, o local onde Arizona morava era estranhamente aconchegante aos olhos de Torres, que agora mais parecia uma criança mexendo em uma coleção antiga de discos de vinil.

—Me desculpa pela bagunça, eu nem ao menos pensei que a minha casa seria o local do nosso encontro nessa noite. —Callie continuava a olhar os discos, parando unicamente para olhar os quadros na parede.

—Eu estou encantada, acho que eu viveria aqui na minha adolescência com um namorado ou namorada que meus pais não aprovassem, parece um lugar aprova de balas... Como se fosse possível apenas viver boas lembranças aqui. —Arizona abrira um enorme sorriso, caminhando até a outra mulher, abraçando-a por trás.

—Quer criar boas lembranças aqui comigo, Calliope? —Ela sussurrou em meio a um sorriso. 


Notas Finais


Aqui a gente só cria boas lembranças, bebê. Gostaram? Eu realmente espero que sim, tentei mostrar a vida de ambas nesse capítulo, para não ficar presa só ao relacionamento das duas, na verdade, não sei fazer uma estória que não contemple outros núcleos a serem desenvolvidos. Me digam o que acharam, vocês sabem como é importante para mim, sem contar que ler o comentário de vocês deixa o meu dia mais feliz. Obrigada por acompanharem essa novela, beijo e até o próximo capítulo!


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