História Caelenebris - Evaporação - Capítulo 43


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Visualizações 18
Palavras 2.730
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Luta, Magia, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Heyy!
Volteiii!
Muitíssimo obrigada pelos favoritos e comentários, vocês são demais!
Antes de começar, tenho um aviso: provavelmente vou estar mudando o nome da história e a capa, mas só isso mesmo, então caso vocês vejam a próxima notificação com o nome novo, não estranhem, sou euzinha 😂😂
O motivo é simplesmente porque eu acho que vai ter mais a ver com a história em si...
Bom, agora vamos lá!

Capítulo 43 - Início de Reconciliação?


Fanfic / Fanfiction Caelenebris - Evaporação - Capítulo 43 - Início de Reconciliação?

O dia seguinte e o próximo se passaram sem grandes novidades. Vittoria falando com o ar, Zac fazendo amigos, Jason me passando indiretas, Kyle tentando me animar e Elena, Sophie, Diego e Eric tentando entender o que estava acontecendo.

Por falar em Eric, eu acabei perdendo a coragem e a vontade de perguntar sobre meu irmão. Não era como se eu não quisesse saber, eu só tinha a sensação de que não importava.

Com os treinos e a limpeza da praça eu estava ficando esgotada, mas continuava sendo melhor que a cozinha. Pelo menos na praça Maddie não bancava a patricinha.

Vittoria estava cada dia mais histérica.

No terceiro dia eu conversava com Diego, Elena e Luke na cozinha quando ouvi gritos lá de cima e subimos, mas era só minha prima que tinha certeza que as paredes estavam se rachando.

- Ei, Vicky, calma. - Sussurrei, pensando em como faria para que ela visse a realidade.

A menina que tinha mais ou menos a minha altura estava encolhida no canto do quarto, próxima ao banheiro, abraçada às pernas e chorando.

- Não! - Ela gritou de novo. - As paredes... Temos que sair daqui...

E então ela voltava a chorar.

- O que tem as paredes? Estão normais... - Eu tentava tocá-las para que ela visse, mas isso só a deixava mais angustiada.

- Estão rachando, não toca! Não podemos mais sair...

Elena foi buscar água e Diego e Luke gesticularam avisando que iam tirar Zac de casa e chamar Jason.

Me aproximei de Vittoria devagar e ela não protestou, então sentei ao seu lado.

- Olha pra mim. - Pedi.

Ela me olhou soluçando.

- Tá tudo bem... Confia em mim. - Insisti. - Agora fecha os olhos.

Ela obedeceu, ainda relutante e eu a puxei para perto. Aos poucos a tensão foi diminuindo, até que ela deitou a cabeça em meu colo e eu mexi em seus cabelos negros tentando acalmá-la.

Minutos depois a ajuda chegou. Jason apareceu, ofegante e com os cabelos bagunçados, como se tivesse corrido uma maratona.

- Procura um frasco de vidro nas coisas dela. - Pedi, apontando um baú ao pé de uma das camas.

Em uma de nossas conversas ela tinha me dito que estava com a mistura de ervas, mas não estava usando.

Alguns soluços depois, ele achou o frasco, que já tinha um conta gotas embutido na tampa e ajoelhou na minha frente enquanto Elena aparecia com a água e alguns biscoitos de água e sal.

- Vicky... - Chamei. - Abre os olhos.

Ela fez o que pedi e o choro piorou em seguida.

- Não tem mais jeito, vai desabar... - Ela resmungou.

- Não, não, tá tudo bem. - Eu a ajudei a sentar novamente e Jason me entregou o remédio. - Isso aqui vai te ajudar.

No momento em que ela viu o frasco, meu esforço para acalmá-la foi por água a baixo.

- Não! - Ela se afastou, chorando descontroladamente. - Eles me disseram para não tomar!

Entreguei o frasco de volta a Jason, que me lançou o primeiro olhar solidário em dias.

- Tudo bem, vamos conversar... - Estendi as mãos, mostrando que estavam vazias.

Ela assentiu, ainda chorando.

Discretamente, sinalizei para Jason colocar o remédio na água. Nós não fazíamos ideia da quantidade, então ele colocou bem pouco.

- O que está acontecendo? - Perguntei na esperança de que isso servisse como distração.

- As... as paredes estão rachando, eles dizem que vai desabar, que temos que sair daqui, mas eu sei que não podemos... - Ela choramingou.

- Calma, está tudo bem, toma. - Estendi o copo de água.

Ela o olhou desconfiada, mas pegou e virou tudo de uma vez.

- Kate! Não! - Ela protestou depois de sentir o gosto do medicamento. - Você não entende! Não posso... - Então ela começou a tossir.

- Vicky...? - Chamei, mas ela parecia engasgada.

Troquei um olhar preocupado com Jason.

- Não consigo... - Ela tossiu de novo. - respirar.... A água...

Ela estava alucinando, o remédio não havia sido suficiente.

Tentei chegar mais perto, mas ela me afastou violentamente, o que não me impediu de segurá-la mais forte ainda.

Mentalizei um potential sollicitans até que ela não tivesse mais forças para resistir e nem eu para segurá-la. Aquilo era como levar um choque.

Um calafrio me atingiu e eu fiquei completamente ofegante enquanto amparava a cabeça de Vittoria em meu colo.

Jason lhe deu um pouco mais do remédio e a levou para sua cama.

Me dei conta de que não conseguiria levantar sozinha, então parei de me esforçar. Alguns minutos sentada no chão não me matariam.

Minha visão estava meio embaçada, mas eu estava certa de ter visto uma figura quase loira de mais ou menos 1,80m andando em minha direção e me peguei pensando se Jason tinha errado o caminho da porta, mas não. Ele parou na minha frente e estendeu a mão como apoio para ficar de pé.

Neguei com a cabeça. Me ajudar a levantar era o cúmulo. Existem pernas pra esse tipo de coisa.

Ele soltou um suspiro pesado antes de me puxar por uma das mãos.

Eu não me lembrava de ter me sentido tão mole algum dia. Tive que me apoiar na parede para não cair.

Então ele passou meu braço por seus ombros como se fosse a coisa mais normal do mundo e me ajudou a deitar. Depois foi embora, sem nenhuma palavra.

Início de reconciliação? Aquele pensamento me fez sorrir, eu não podia negar que sentia falta dele.

Depois acabei conseguindo convencer Vittoria a voltar a tomar o remédio, mesmo que em menor quantidade e não a vi mais falando com as paredes ou o que quer que fosse – o que era um alívio.

***

Mais quatro dias e as coisas continuavam na mesma: acordar, tomar café no clima esquisito com os amigos, treino, almoçar no clima esquisito com os amigos, treino, limpar a praça no clima esquisito com... (não acho que haja uma palavra pra descrever aqueles dois como um conjunto), jantar com Zac e Vittoria no chalé e dormir.

Mas naquele dia eu sabia que as coisas não seriam tão normais assim.

Era dia 30 de setembro, o que significava que faziam 7 anos desde a morte de Rachel Meyer. Eu não tinha ânimo para nada, como costumava ser nessa data.

Assim que acordei, a primeira coisa que fiz foi pedir permissão a Joseph para usar algumas coisas da cozinha do refeitório então tomei meu café num clima não tão estranho assim – já que Jason não estava presente - e cumpri meu horário de treino, corri para a cozinha e gastei meu almoço fazendo a torta que já tinha virado tradição.

Quando finalmente ficou pronta, parei para admirar meu trabalho: torta de limão com chantilly, enfeitada com algumas flores brancas espalhadas pela borda do prato.

Eu estava mais do que sem graça com a ideia de ir entregá-la e não era inteiramente por conta da briga. No fundo, eu me sentia insegura pelo que ele havia deixado escapar sobre eu ter lhe enrolado para contar sobre a morte de sua mãe. Quase como se eu não fosse bem-vinda num momento como aqueles.

Eu estava exagerando, como eu sempre fazia. Ele parecera sincero quando disse que não me culpava por aquele acontecimento. Era isso. Eu tinha que parar com aquela paranóia.

Saí da cozinha e já não havia mais ninguém almoçando no refeitório, o que era bom, visto que não teria que lidar com olhares curiosos.

Meu coração estava meio descompassado enquanto eu andava na direção do chalé 46. Me irritei com meu subconsciente por me fazer sentir culpada, Jason não era nenhum santo. Ele também tinha me machucado, por mais que eu preferisse fingir que não.

Aquela reflexão quase me fez dar meia volta, mas então minha consciência me lembrou que não importava que merda ele tinha me feito, eu provavelmente já tinha feito o dobro. Engoli o orgulho e continuei.

Suspirei antes de bater na porta, secretamente torcendo para que ninguém a abrisse.

Minhas esperanças foram por água abaixo quando ouvi Jason reclamando com o tom de voz mais acabado que já presenciara.

- Diego, vai embora, já falei que tá tudo bem... – Escutei a chave sendo girada na porta e me preparei psicologicamente.

Ou pelo menos tentei.

Mas no momento em que dei de cara com seus olhos vermelhos de tanto chorar os meus se encheram de água também.

- Ah... Katherine... – Ele pareceu confuso, mas então viu o prato com a torta em minhas mãos. – Trégua?

Sorri timidamente, tentando não parecer tão mal quanto eu estava.

- Bandeira branca. – Anunciei.

- Entra. – Convidou ele, tentando parecer bem. – Pode colocar na bancada.

Fiz o que ele recomendou e me virei para encará-lo.

- Você está bem? – Não era mais uma daquelas perguntas que todo mundo faz por educação. Era uma pergunta séria, feita num tom sério.

- Já fazem sete anos, Kate. – Ele suspirou. – Eu estou bem, de verdade, eu não... – Sua tentativa de sorriso acabou sendo demais e sua voz falhou na última palavra, obrigando-o a fechar os olhos para conter as lágrimas.

Aquilo sem dúvidas era meu ponto fraco.

A pior coisa é quando a voz de alguém falha no meio de uma frase. Me quebra de tal forma que não há como descrever. É só a genuína tristeza, sem forçar, sem fingir. Tristeza em sua forma mais pura.

Nem com toda a força de vontade do mundo eu conseguiria parecer indiferente àquilo.

Abracei-o com força, pouco me linchando para meu lado racional, que tentava me lembrar que há pouco tempo era ele quem me tinha feito chorar.

- Eu não sei mentir pra você... – Ele finalmente terminou a frase, confessando em um sussurro com o rosto enterrado no meu cabelo.

Apertei ainda mais o abraço enquanto uma de minhas mãos afagavam suas costas.

- Eu não deveria te contar isso, mas você não precisa... – Sussurrei de volta, como se fosse um segredo.

Ouvi sua risada rouca no meu ouvido e nos afastamos em seguida.

- Acho que preciso de outra daquelas tardes enchendo seu saco e comendo doce. – Admitiu ele.

- O sofá é logo ali. – Apontei. – Do doce cuido eu.

Me dirigi à primeira gaveta do armário da cozinha, onde eu sabia que haveriam colheres de plástico. Nem me dei ao trabalho de pegar pratos, a gente ia comer tudo mesmo.

Levei o prato e os talheres para o sofá e me sentei ao lado de Jason, que revezava olhares entre a torta e eu.

- Olha só, para de encarar e come. – Revirei os olhos e peguei minha colher.

- Delicada ela. – Ele disse em tom de ironia, para logo em seguida levar um tapa meu no braço.

- Mais que você. – Retruquei antes começar a comer.

- Não achei que fosse vir. – Disse ele.

- Não seria justo se eu não viesse. – Dei de ombros e ele me olhou com cara de ponto de interrogação enquanto mastigava. – Meyer, você é um babaca, mas nunca me deixou sozinha quando eu precisei.

- O melhor babaca da Terra. – Ele sorriu de lado.

Droga, esse sorriso não.

- Convencido. – Sujei seu nariz com chantilly.

- Você que é. – Ele sujou de volta.

- Eu? – Perguntei enquanto nos limpávamos.

- Foi você quem insinuou que eu preciso de você.

- E não precisa? – Rebati, sabendo que esta estava ganha.

- Mais do que pretendo admitir. – Ele deitou a cabeça no meu ombro. – Ela amava você. – Falou depois de um tempo.

- Rachel foi uma segunda mãe para mim. – Era verdade. – Eu também sinto falta dela.

Ele se distanciou um pouco para olhar nos meus olhos.

- Eu... eu nunca perguntei antes... – Seus olhos estavam cheios de água. – Como ela... ela morreu... ela sentiu... – Ele não parecia encontrar as palavras certas, mas não precisava.

- Foi rápido. – Respondi. – Ela não deve ter sofrido.

Ele encaixou o rosto na curva do meu pescoço e deixou de segurar as lágrimas.

Imaginei por quanto tempo ele guardara aquela pergunta. Conhecendo Jason, ele nunca perguntaria a Alex nem a minha mãe e além do médico, eu era a única outra pessoa que presenciou aquilo, ainda que do lado de fora do quarto.

- Eu sei que você tem perguntas. – Resolvi acabar de vez com as dúvidas que deviam estar ferrando seu psicológico, mesmo que isso me trouxesse memórias dolorosas. – Fique à vontade. – Acariciei seu cabelo.

Ele pareceu aliviado e, – aos poucos, - foi me confessando seus medos e fazendo suas perguntas.

***

Inesperadamente, quando já começava a escurecer, uma conhecida luz vermelha se acendeu na sala. Estávamos sob ataque. De novo.

Jason xingou tudo o que era possível antes de pegar um casaco que estava jogado por aí e me arrastar para fora do chalé.

Eu fiquei meio sem reação. Vittoria tinha razão. Uma semana.

Meus pensamentos estavam confusos enquanto Jason me arrastava para Deus sabe lá aonde, mas então a ficha caiu. Estávamos sob ataque.

Puxei um dos meus pingentes, que logo se transformou em uma adaga enquanto eu tentava me localizar. Estávamos na praça central do Acampamento, assim como a maior parte dos campistas e Joseph Ward.

Aquilo estava um caos. Tinham armas para todo o lado, pessoas nervosas chorando, o som metálico de lâminas se chocando, gente se ajudando com as armaduras e, é claro, garotas fofocando sobre de quem seria a culpa daquele ataque.

De longe eu pude ver um grupo razoavelmente grande de pessoas indo para leste.

- CHALÉS 21 A 40, VOCÊS COBREM O PESSOAL DO 1 A 20, PORTÃO PRINCIPAL! – Então ele procurou alguém em meio àqueles rostos. – LIDERANÇA DE AARON VEGA! – Anunciou ele.

Joseph gritava ordens, tentando manter aquela gente se mexendo.

O grupo que compreendia aos chalés 21 a 40 seguiu a mesma direção que o anterior. Eu sabia que Eric, Kyle e Diego estavam entre aquelas pessoas.

- 41 A 60 – Ele voltou a instruir. – FRONTEIRAS DA PARTE SUL. – Mais uma vez ele correu os olhos pelo grupo de pessoas antes de fazer o anúncio. – LIDERANÇA DE JASON MEYER.

Ele pareceu surpreso, mas depois deu de ombros. Ao contrário dele, eu já esperava. Ele era bom com aquele tipo de coisa. Muito bom.

- Cuidado. – Alertei.

Ele riu.

- Se cuida, loirinha.

Ele logo se misturou com as pessoas de seu grupo. Eu deveria estar preocupada, mas – por mais estranho que possa parecer, - estava começando a achar que aquilo ia fazer bem a ele.

- CHALÉS 61 A 80 – Recomeçou Joseph, não sem antes olhar para mim. – VOCÊS VÃO DAR CONTA DOS FERIDOS!

Pude ouvir alguns suspiros aliviados e outros murmúrios inconformados. Eu estava mais pra segunda opção. A questão é que eu preferia ver os homens do inimigo morrerem do que minha própria gente.

Não discuti, era isso o que o irritante Sr. Ward queria. Eu não ia lhe dar essa satisfação.

Eu sabia que ficaria um bom tempo desocupada, já que os feridos costumavam demorar um pouquinho para se ferirem. Felizmente achei uma boa distração: a discussão do instrutor, Tyler, com Joseph.

Ele parecia indignado enquanto dizia que aquele monte de gente não era necessária ali, que tinham lugares sem cobertura e mais um monte de outras coisas. Joseph nem se dava ao trabalho de fingir que estava escutando.

Eu ri um pouco alto de mais, fazendo com que o olhar de Tyler se voltasse para mim. Ops.

- Não adianta. – Aconselhei. – Ele consegue ser tão teimoso quanto eu.

- A garota da surra? – Ele sorriu.

Eu novamente ri mais alto do que devia, fazendo com que mais olhares se voltassem para mim. Eu quase podia ouvir eles se perguntando quem seria louco o bastante para rir em meio a uma batalha.

- Exato. – Respondi, lembrando do acontecimento há dois dias, quando eu e Sierra nos desentendemos no treino. Não acabou muito bem para ela. Modéstia a parte, Tyler teve que nos interromper.

- É disso que eu tô falando, ela seria bem mais útil em campo do que aqui! – Ele usou como argumento para Joseph, enquanto gesticulava na minha direção.

- Ela é mais útil onde eu achar que ela seja. – Ele respondeu pela primeira vez, para logo em seguida nos deixar sozinhos.

- Ele também te prendeu aqui? – Perguntei.

- É o que parece.

Assim que ele disse isso, Sarah apareceu correndo toda alvoroçada e anunciou:

- COMEÇOU!


Notas Finais


Siiim, eu fiz isso. Ainda não sei se vocês vão querer me abraçar pela reconciliação da Kate e do Jason (não se animem, ainda não houve uma conversa oficial para resolver os problems😂😂😂😂) ou se vão querer me matar por esse final, maaas...
Bom, logo começa a ação de novo, sugiro que preparem os ânimos porque as coisas vão se complicar...
Obrigada a todos que têm acompanhado!
Me digam como está indo, preciso de um parâmetro pra saber como continuar.
Beijosssss


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