História Bad girl gone good - Capítulo 69


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camila Cabello, Camren, Lauren Jauregui
Visualizações 490
Palavras 4.443
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Vamos lá! Como eu disse eu estou aqui uma semana depois.
Eu vou postar a famosa maratona, mas não vou poder colocar todos os três de uma vez, então vou postando ao longo do fim de semana, começando agora!
Então let's go!! Boa leitura!! <3

1/3

Capítulo 69 - Temporada 2 - Stalker


Lauren's Pov  

Acordei assustada. Completamente perdida e atordoada, o que só piorou quando me recordei do que aconteceu. Eu fiquei cara á cara com o passado de minha noiva, sentia suas mãos em meu pescoço e... E meu filho apareceu, eu me lembro do desespero que senti e então não me lembro de muito mais. Minha cabeça doía e meus sentidos estavam todos bagunçados, eu nunca me senti tão vulnerável antes. Eu achava que as mensagens eram aterrorizantes, mas isso... Isso era o próprio inferno dentro do meu peito, subindo pela minha garganta e me sufocando com medo e pânico. 

Abri os olhos mas minhas vistas continuavam escuras, eu não enxergava um palmo á minha frente. Então me dei conta: um tecido áspero irritava meu rosto, havia uma venda em meus olhos. Tentei me mover e percebi que eu podia o fazer livremente, eu sentia uma textura macia sob mim, quase como se eu estivesse em uma cama.  

Em uma decisão estúpida rolei meu corpo e logo senti o baque de minhas costas se chocando contra um piso de madeira. Agora eu tinha uma dor nas costas além de uma dor de cabeça.  

-Droga. - Sibilei, sentindo minhas costas latejarem.  

Eu fiquei no chão, completamente imóvel, sentindo medo de me mover para o lugar errado. Tentei acalmar minha respiração e me concentrar em qualquer outra coisa que não fossem meus braços amarrados atrás de minhas costas, ou a venda em meu rosto, ou minha posição desconfortável no chão.  

Atentei meus ouvidos para qualquer coisa, mas não ouvi nada, nem mesmo outro respirar que não fosse o meu. Apelei para o sexto sentido feminino mas o meu sempre foi um lixo de qualquer jeito, se fosse útil eu saberia, em primeiro lugar, que alguém tinha invadido minha casa.  

Sem conseguir ouvir ou enxergar eu comecei a perder o controle novamente. Meu coração começava a bater muito rápido outra vez e eu respirava como quem corria uma maratona.  

Eu estava desesperada e apenas uma coisa passava por minha cabeça:  

-CAMILA! - Gritei tão alto quanto eu podia. -CAMILA! - Minhas cordas vocais não pareciam querer cooperar, minha garganta doía e eu tinha que forçar minha voz se quisesse gritar de verdade.  

Rolei no chão, agora chorando como uma criança, me dando conta de que eu não estava sonhando.  

-CAMZ! - Gritei mais uma vez, minha voz saindo abafada uma vez que eu tinha rolado e meu rosto estava colado ao chão.  

Bati meus pés na madeira, loucamente, pouco me importando em estar descalça e provavelmente me machucando no ato. O barulho tinha de chamar atenção de alguém, Camila tinha que vir, mesmo que ela estivesse brava comigo, mesma que ela pensasse o pior de mim... Ela tinha que vir, ela me amava afinal de contas. Eu contaria toda a verdade á ela assim que isso tudo acabasse, ela entenderia e me perdoaria. Eu jamais a trairia, ela tinha que saber disso.  

-CAMILA! - Forcei minha voz um pouco mais e nos próximos instantes nada aconteceu, nenhum som se fez presente. -Camz. - Sussurrei, me rendendo ao fato de que ela não estava me ouvindo. -Socorro Camila, me ajuda...  

-Mas que porra! - Ergui a cabeça rapidamente, olhei em volta como se isso fosse me ajudar de alguma forma. -Você vai chamar atenção, caralho. - Eu soube que era Nolan, ele soava distante, não parecia nem estar no mesmo ambiente que eu.  

Ouvi o som de uma porta se abrindo e então alguém bateu-a com força. Passos pesados se aproximavam de mim e no instante seguinte eu gemi com a dor de ter meu cabelo puxado para trás com força.  

-Cala a boca, Jauregui. Camila não tá aqui, não adianta gritar por ela. - Sua voz parecia com um trovão, só de ouvi-lo meu corpo ficava tenso e tudo o que eu queria era sair correndo.  

-Me solta. - Supliquei, eu não me importava em parecer fraca com meu choro. -Por favor, me deixe ir, eu não ligo pra polícia, eu não faço nada, só me deixa ir.  

Ele riu brevemente e puxou meu cabelo com mais força.  

-Você e eu vamos ficar juntinhos por um tempo, Jauregui. Você é meu passaporte para a Camila, enquanto eu não tiver ela do meu lado, como minha parceira, você é minha.  

-Você é completamente louco, Camz nunca vai ceder á você, ela... - Um grito rasgou minha garganta e cortou minha fala. A dor repentina me fez arfar. Ele deslizou uma ponta afiada por minha clavícula, abrindo um corte superficial, porém doloroso.  

-Eu não pedi a porra da tua opinião pedi? - Ele traçou um caminho invisível com sua faca por meu rosto, levemente, manchando minha pele com sangue do corte recém aberto. -Abra a boca quando eu mandar, Jauregui.  

-Vá pro inferno! - Eu disse movida por impulso e medo. Ele riu outra vez antes de responder:  

-Estamos nele.  

Eu me encolhi, desejando que aquilo acabasse, querendo mais do que tudo que ele saísse de perto de mim. De alguma forma eu sabia que isso não aconteceria tão cedo.  

 

Camila's Pov 

Eu não imaginei que Lauren um dia fosse me causar tanta dor. Não imaginei que um dia sua imagem em minha mente seria motivo para meus olhos arderem ou que sua voz seria razão para meu peito doer. 

Jamais pensei que isso pudesse acontecer, mas lá eu estava, enfurnada em um mercado vinte e quatro horas ás três da manhã, pagando cinco dólares por uma cartela de cigarros e um isqueiro. Deixei o mercado tão muda quanto estive ao entrar uma vez que recebi meu troco, o asiático atrás do balcão mal teve tempo para me desejar uma boa noite. 

De nada me serviria de qualquer forma, uma boa noite era a última coisa que eu teria.  

Do momento em que me cansei de ouvir as desculpas de Lauren e saí de casa, até aquele ponto, tudo o que tinha feito foi vagar em meu carro pelas ruas de Cambridge, minha cabeça não tinha parado um minuto sequer de repetir a discussão com minha noiva ou a confissão de minha melhor amiga, e cada vez que eu me lembrava da imagem de seu rosto banhado em lágrimas ou da expressão tensa de Dinah eu sentia meu peito fisgar. 

Em algum momento eu me cansei da dor e me vi dentro de um bar abarrotado, sentada em uma banqueta com dois caras estranhos ao meu lado. Apesar de estar em um bar eu pedi uma garrafa d'água - o barmen me olhou como se eu tivesse duas cabeças - e decidi que na verdade eu queria sentir a dor, ficar bêbada apenas me deixaria anestesiada por algum tempo. 

A dor causada por Lauren talvez fosse a única coisa que eu teria dela á partir de então. Afinal o que seria de nós? Eu me conhecia o bastante para saber que jamais deixaria de amar Lauren com cada fibra viva em mim, mas ao mesmo tempo sabia que tudo o que eu veria ao olhar para ela seria um pisca-pisca com a porra da palavra "infiel" sobre sua cabeça, e dessa forma uma separação era iminente. 

Separação. 

O som da palavra me forçou a engolir o nó que se formou em minha garganta e a piscar com força, mandando a vontade de chorar para o quinto dos infernos. 

Eu não me via sem Lauren, não me via sem seu sorriso, sem sua voz, sem seu toque ou sem toca-la, eu não me via sem seu coração, mas... Merda!  

Por que caralhos Lauren fez isso?  

Por quanto tempo ela fez isso? 

Com quem ela fez isso? 

Talvez esse seja o seu motivo para jamais realmente precisar de mim, para ser tão independente a porra do tempo todo. 

Afinal para que precisar de uma maldita assassina quando ela, provavelmente, tem alguém á sua altura ao seu lado. Pelas minhas costas. 

"Lauren jamais faria isso" uma parte de mim gritava. Mas outra rapidamente me dizia para lembrar das mensagens de texto, do sumiço repentino, da arma na bolsa, da rápida investigação de Dinah. Minha melhor amiga não teria motivo nenhum para inventar uma mentira tão fodida quanto essa, Dinah jamais faria isso comigo. Então o que mais me restava além de, dolorosamente, aceitar os fatos? 

-Droga Lauren. - Sussurrei para a noite fria, sentada em um banco no meio de um parque com meu terceiro cigarro queimando entre meus dedos. -Eu te amo pra caralho. - Ergui a cabeça e meus olhos encararam todas aquelas estrelas com um pedido mudo de socorro. -Por quê? Por que você fez isso? Eu queria que fosse mentira... Como eu queria. 

-Camila! Graças a Deus que eu te encontrei! 

Eu quis esmurrar o rosto aliviado de Dinah Jane assim que ouvi sua voz. Ela vinha correndo em minha direção com um sorriso suave que lentamente se desmanchava conforme ela chegava mais perto e notava a fumaça fina subindo á partir de meus dedos. 

-Que porra! Você tá fumando! - Ela pestanejou. -Larga essa merda, quanto tempo você não fazia isso? - "Á pouquíssimo tempo", eu quis responder me lembrando dos cigarros que fumei em Miami, mas não o fiz. -Vem, vamos embora, já passou das três da manhã. 

Se eu não estivesse tão anestesiada eu teria arregalado meus olhos em surpresa. Uma hora havia se passado desde a compra dos cigarros. Muitas horas desde que meu peito tinha começado a doer sem parar. 

-Vamos Camila! - Dinah exclamou impaciente quando não me movi para acompanha-la. 

-Vai embora.  

-O que? Para de palhaçada, apesar de tudo você tem dois filhos em casa te esperando. 

-Você causou tudo isso! - Acusei raivosa. -Você deve tá muito feliz, não é mesmo? Então agora me deixa em paz. 

-Eu não estou feliz coisa nenhuma, Cabello, acha mesmo que eu queria que sua noiva te traísse?  Acha que que queria te ver fumando de novo depois anos ou que queria ver a Lauren chorando como se tivessem arrancado a alma dela? 

Ouvindo o que ela disse sobre Lauren eu levantei a cabeça e a encarei. Saber que eu a deixei chorando me desconcertava, eu queria mais do que tudo correr pra ela e coloca-la em meus braços. Mas olhando para Dinah eu me lembrei que ela corria para outros braços agora. Não mais os meus. 

-Vamos, por favor. - Ela sussurrou. 

Seguiu-se um estranho momento de silêncio entre nós até que eu assentisse fracamente e saísse na frente dela até meu carro. A forma como bati a porta deixou claro que ela teria de voltar de táxi do modo como veio. 

Como se eu já não tivesse chorado o bastante aquela noite, senti algumas lágrimas morrerem em minha boca quando abri a porta de casa. 

Tudo estava escuro e quieto – tirando a presença de Dinah atrás de mim – e por isso quando suspirei foi como se um vendaval soprasse. Com meus ossos doendo por exaustão e com minha alma chorando eu subi as escadas, não me importando em dizer qualquer coisa para Dinah que subia logo atrás de mim. 

Quando entrei no quarto que dividia com Lauren arregalei meus olhos e corri para perto de meu filho. Patrick estava tão encolhido quanto uma bola  ao lado da cama, chorando o mais baixo possível e se balançando devagar. 

-Mama... - Ele se engasgou por conta da choro, se jogou em meus braços quando percebeu quem era. 

Agora seu choro era alto, frenético e vinha com palavras desconexas onde eu só consegui compreender "mamãe" e nada mais. Com os olhos, procurei por Lauren pelo quarto ou por sinais de que ela estivesse no closet ou no banheiro, mas a morena não parecia estar em qualquer canto dali ou da casa. 

Essa vaga noção me sufocou, como se uma mão apertasse meu pescoço, o senso de preocupação foi tremendamente maior do que a dor emocional que eu sentia. 

-Camila! - A voz de Dinah soou alarmada. 

Ao me virar eu a vi tão sobressaltada quanto ela soava, o peito subindo e descendo rápido demais e o olhos assustados. 

Imediatamente eu me levantei com Patrick firmemente agarrado á mim, e ainda chamando por Lauren desesperadamente. 

-O que foi? - Perguntei, meu tom baixo entregava o medo crescente que eu sentia com tudo aquilo. 

Eu parecia temerosa por mais que não fosse admitir. As situações em que Patrick e Dinah se encontravam, mais o fato de Lauren  não parecer estar em canto algum, me deixavam tensa e tomada por preocupação 

-Tem sangue na cozinha. - Ela disparou, parecendo não se dar conta de que aquilo não deveria ser dito perto do meu filho de seis anos em uma situação como aquela. 

-Não, não, não, não, não... - Patrick chorou desesperado, cantarolando com terror uma sequência de negações que me cortavam o coração. 

Eu o abracei com mais força apesar de ter começado a tremer e a respirar com um peso enorme no peito. 

-Calma meu amor, a mama tá aqui meu anjo. - Eu dizia inutilmente porque Patrick não estava se acalmando e eu estava cada vez mais nervosa, e Dinah... Dinah parecia ter visto a porra de um fantasma e eu comecei a temer por quanto sangue ela quis dizer que tinha na cozinha. 

-Acorda a minha irmã e pega o Theo, eu vou ver o que tá acontecendo. 

Dinah assentiu e desapareceu em seguida, correndo até o quarto onde Sofia dormia. 

Eu desci, mantendo o rosto de Patrick escondido em meu pescoço, temendo que ele visse algo que o traumatizasse.  

Quando entrei na cozinha eu arquejei, meu coração disparou como bala e parecia capaz de quebrar minhas costelas. 

Dinah tinha razão, havia sangue na cozinha, uma trilha fina que começava próximo á pia junto de um copo destruído no chão e terminava ao pé da escada. 

-É da mamãe? - A voz assustada de Patrick me surpreendeu, se não fosse por ele eu ficaria encarando a trilha vermelha por horas, clamando aos céus que não fosse da morena. Mas Pat falou comigo, me tirando do terrível torpor. 

-E-eu...  

-É da mamãe o sangue não é? - Meu filho de seis anos tornou a perguntar, a voz sumindo em uma nova onda de choro alto e desesperado. 

-Kaki, o que tá aconte... - Sofia descia as escadas com cara de sono, Dinah vinha atrás dela carregando meu bebê. -Isso é sangue?  

-É. - Dinah confirmou em um sussurro. 

-Eu preciso saber onde é que tá a Lauren. - Constatei, soando perdida, e temerosa, e preocupada, e terrivelmente assustada pelo que aquela trilha avermelhada poderia significar. 

Eu não me deixei realmente entrar em pânico até ligar para Lauren e ouvir seu celular tocando no andar de cima. 

-Ela tá sem o celular. - Dinah disse como se já não fosse óbvio o bastante. 

Eu caminhei atordoada até uma janela na sala, dali eu podia ver meu carro fora da garagem, estacionado da pior forma possível sobre o gramado, quase derrubando a caixa de correio. 

Garagem! 

A palavrinha piscou em minha cabeça como um lembrete, e mais rápido do que nunca eu corri para fora, Patrick se encolheu contra o meu peito quando a brisa fria tocou seu corpo. Seus chamados por Lauren tinham cessado e isso me aborrecia mais do acalmava. Era como se ele tivesse aceitado – muito mais rápido do que eu – que Lauren não estava ali, que o sangue na cozinha era dela com toda certeza. 

Eu pressionava meu dedo freneticamente sobre o controle do portão, assistindo aquela porcaria metálica subir tão devagar quanto o possível enquanto eu observava ansiosa do gramado. Dinah e Sofia tinham vindo atrás de mim, minha irmã era quem carregava Theo agora, dividindo o olhar apreensivo entre o portão subindo devagar e meu filho mais novo em seus braços. 

Todos arquejamos em surpresa quando o portão da garagem estava finalmente aberto por inteiro, nossos olhos arregalados para o Jaguar intacto ali dentro. 

Era ridículo! Quem diabos estava zombando de mim? A porra do carro dela estava estacionado ali como se ela estivesse em casa, como se estivesse dormindo bem ao meu lado. Parecia uma piada. 

-Ok, o que é que tá acontecendo aqui? - Foi minha irmã quem perguntou. 

Eu olhei para ela desejando mais do que tudo poder responder aquela pergunta, mas eu estava tão perdida quanto ela. Talvez meu coração estivesse batendo muito mais rápido do que o dela, e minhas mãos suando mais, e meus membros tremendo mil vezes mais do que os dela, mas ambas estávamos igualmente perdidas. 

-Encontrei esse envelope na sala. - Dinah anunciou ofegante, voltando para o gramado com um envelope amarelo nas mãos, segurando-o no alto como um troféu. Eu não sei em que momento ela entrou na casa novamente. -Toma. - Ela me entregou o envelope e eu passei Pat para seu colo. O loirinho não queria ir, então suspiramos e decidimos de forma muda que ele continuaria em meus braços. 

Eu examinei brevemente aquela coisa em minhas mãos, era apenas a porra de um envelope mas parecia... Pesado. Quer dizer, o envelope em si pesava meras gramas, mas em minhas mãos trêmulas era como chumbo. 

"Para a amada Camila Cabello" era o que dizia no alto do envelope, em uma caligrafia impecável em caneta preta. E no rodapé uma frase me tirou o fôlego: não entregar á polícia se for esperta.   

Não esperei que eu criasse coragem, abri logo de uma vez e o que vi ali me deixou confusa. Não, confusa não. Atormentada. 

Atormentada pelo amontoado de fotos que tinham ali, eram tão grandes quanto uma folha de caderno, em ótima resolução e nenhuma delas foram tiradas de longe. Pelo menos não de tão longe. 

A primeira era Lauren ainda grávida, usando o mesmo vestido hospitalar do nascimento do Theo. Ela estava deitada na cama, parecia adormecida, uma mão estava sobre a barriga e a outra descansava ao lado de seu corpo. A cadeira ao lado da cama era visível e eu não estava nela. 

Eu me lembrava vagamente daquilo. Lauren tinha insistido para que eu saísse do quarto um pouco, para que eu relaxasse. "Eu vou ficar bem, amor" ela disse para me convencer e mesmo hesitante em sair de perto dela eu fui até a recepção pegar um café. Eu me lembro de tudo sobre aquela madrugada, até mesmo do que vi enquanto voltava para o quarto de minha mulher. 

"

[...] 

Um corpo alto e esguio, vestido em roupas azuis como os de qualquer outro enfermeiro, os cabelo estavam escondidos por uma touca cirúrgica assim como o rosto e as mãos por máscara e luvas. Seja lá quem fosse andava em nossa direção casualmente, os braços cobertos balançando ao lado do corpo. Mantive meus olhos sobre a figura que se aproximava e ao passar ao nosso lado a única parte visível do rosto – os olhos claros e gélidos - me olharam no fundo de meus olhos. Por mais que meu estômago estivesse revolto sustentei a estranha troca de olhar, sentindo meus músculos ficarem tensos e minha respiração cuidadosa. 

[...]  

-Deve ser um residente, eles se atrapalham sempre, entram no quarto errado e até trocam prontuários." 

Residente ou não, alguém havia tirado uma fotografia da Lauren em um de seus momentos mais vulneráveis. Ela parecia calma enquanto tentava descansar, esperando pacientemente que eu voltasse, completamente alheia á câmera apontada em sua direção.  

Para o meu terror aquela não era a única foto. Haviam outras, dezenas delas. Algumas eram de nós duas com nossos filhos, carregando sorrisos genuínos de pura felicidade, todos nós completamente alheios. Algumas eram apenas eu entrando em meu carro, ou beijando minha noiva antes de sair, ou pegando meu filho na escola, ou passeando com Penélope, ou rindo em um almoço com um grupo de colegas na faculdade. Completamente alheia. As que mais me deixaram nervosa eram fotos de Lauren fazendo coisas tão banais quanto eu. Havia uma em que ela lia as correspondências no gramado, usando um robe vermelho e segurando uma caneca na outra mão. Alheia. A última foto me fez arquejar, deixou meu corpo tão tenso que sem querer apertei Patrick com força demais e ele resmungou. 

Um momento íntimo demais havia sido capturado pela câmera de um desconhecido. Lauren e eu estávamos deitadas no sofá. Nuas. Eu a abraçava por trás, meus dedos entrelaçados sobre sua cintura, as mãos dela acariciando as tatuagens em meu braço e nós duas sorrindo completamente satisfeitas. O ângulo da foto deixava claro que eu e ela havíamos cometido o erro de deixar as cortinas abertas, nos expondo para quem quisesse ver. Alheias á câmera de um estranho. 

-Meu Deus... Vo-vocês tem um stalker. Um que leva isso muito á sério. - Dinah foi quem quebrou o silêncio, completamente chocada, mas não mais do que eu. 

-Isso só pode ser uma porra de brincadeira!

 Sofia me encarou, eu não sabia se foi por concordar comigo ou para me repreender pelo palavrão. 

Me permiti finalmente aceitar que Lauren não estava ali, aceitar esse falto me deixou nauseada, o frio em meu estômago era quase doloroso. Indo contra os protestos de Patrick eu o coloquei no chão, e assim que seus pés cobertos por uma meia tocaram a grama húmida ele segurou em minha mão com força. 

Hesitante eu adentrei a garagem percebendo que tudo estava como sempre esteve. Um amontoado de ferramentas domésticas nas prateleiras, o cortador de grama em pé em um canto, o carro de Lauren estacionado perto demais do portão - ela sempre fazia isso, não importando quantas vezes eu tenha dito que uma hora ou outra seu precioso Jaguar seria amassado pelo portão da garagem – e sem contar com o espaço vazio onde eu guardava o meu carro tudo parecia absolutamente normal. 

Foi inevitável pensar que talvez Lauren tivesse saído com um táxi ou que... Que alguém tenha vindo buscá-la. Talvez sua amante tenha atendido á um chamado dela e agora Lauren estava nos braços desta outra mulher. Talvez essa outra desgraçada tenha tirado as fotos, com qual finalidade eu não sabia mas... Não!  

Que diabos você está pensando, Camila?! 

Balancei a cabeça indignada comigo mesma. Não importa o quão enfurecida e quebrantada eu estivesse com a triste notícia que caiu sobre nosso relacionamento, eu sabia perfeitamente bem que Lauren jamais seria irresponsável com nossos filhos, ela não sairia e deixaria Patrick completamente assustado em nosso quarto. Ela não se envolveria com uma pessoa capaz de tirar fotos nossas como um maldito perseguidor. 

E sabendo perfeitamente que Lauren não iria simplesmente sair, eu encarei a realidade – em pânico - de que minha noiva havia sido levada. E minha mente me dizia que eu sabia exatamente por quem. 

Eu apenas... Me recusava a acreditar. 

*** 

-Eu não quero ir pra escola. - Patrick choramingou.    

Seu rosto estava contorcido em uma careta chorosa e seus olhos estavam transbordando em lágrimas que ele segurava bravamente. Eu suspirei derrotada, sem forças, sem vontade de discutir, sem energias, sem vontade sequer de continuar penteando seu cabelo. Ele nem mesmo deveria estar me deixando pentear seu cabelo.   

-Você precisa, sua mãe não vai ficar nada feliz quando voltar e saber que você faltou á aula. Sabe disso. - Doeu em mim dizer aquilo tanto quanto doeu em Patrick ouvir. Ambos estávamos exaustos, com olheiras sob os olhos e tristeza e confusão estampados no rosto.   

Patrick queria chorar e eu queria chorar.   

A noite havia sido terrível, uma vez que concordamos que Lauren não estava mesmo em casa – eu nunca vocalizei o pensamento de que ela tinha sido levada – decidimos todos acampar na sala esperando que talvez a porta do hall fosse se abrir e Lauren apareceria e então poderíamos continuar discutindo, eu perguntaria quem era sua maldita amante e então... Eu não sei, não sei o que seria de nós mas naquele momento eu não me importava, eu só queria que Lauren aparecesse, que tivesse bem, que o sangue na cozinha e as fotos não significassem nada.   

Theo acordou durante a madrugada que passamos na sala, quando seu choro alto e agudo soou nós nos entreolhamos sabendo muito bem que ele estava faminto, louco para que Lauren o envolvesse em seu calor materno e o alimentasse. Eu estava atordoada demais e ter meu filho mais novo chorando de fome sem que eu pudesse fazer alguma coisa apenas me deixou pior. Sofia pensou mais rápido e o forçou a tomar uma mamadeira com água até que ele aceitasse, e ele pareceu compreender que naquele momento aquilo era tudo o que poderíamos fazer por ele.   

-Mas quando ela vai voltar? Onde ela foi? - A pergunta de Patrick me fez perceber que eu estava encarando as paredes coloridas de seu quarto quase como um zumbi.   

-Eu não sei, filho. Mas eu prometo que ela volta, tudo bem?   

-Eu não quero ir á escola. - Ele choramingou outra vez, ignorando completamente o que eu disse.   

-Mas você vai, Patrick. - Afirmei, fechando sua mochila para dar ênfase. -Sua tia Sofi vai te levar e buscar, ela vai passar o dia com você e seu irmão hoje, seja legal com ela ok? Ela também quer que a mamãe volte, ela também tá triste e não merece ficar pior porque você quer bancar o rebelde agora que sua mãe não tá. - Eu soube que estava sendo dura demais com ele no momento em que terminei de falar. Patrick desviou o olhar do meu, se recusando a olhar para mim enquanto as lágrimas que ele segurava caíram todas de uma vez. Consegui ouvir o meu coração se quebrando logo após o dele. -Hey! Desculpa a mama, eu só... Eu só tô triste assim como você, triste porque eu também quero muito que sua mãe volte, quero saber onde ela tá e que está bem, e triste porque nós brigamos ontem e...   

-Brigar é ruim. - Ele completou para mim de forma muito mais simples do que eu seria capaz de explicar. Eu queria dizer que ter brigado com Lauren foi terrível, arrasador, que me trazia dor real e física ainda mais pelo motivo que brigamos, mas meu filho de seis anos conseguiu resumir tudo perfeitamente bem; é ruim.   

-É. Você consegue entender, não consegue? - Ele assentiu levemente. -Ótimo, agora me dá um abração e um beijão antes de ir. - Ele nem mesmo esperou que eu abrisse meus braços para recebê-lo, se jogou logo de um vez contra mim quando me ajoelhei em frente á ele e escondeu o rosto em meu pescoço.   

Eu abracei meu filho com força, rezando para que tudo isso não passasse de um pesadelo. Desde á traição até o sumiço de minha noiva. Eu só queria que ela estivesse ali para abraçar nosso filho comigo.  


Notas Finais


Então, lembram quando eu disse que a fanfic estava acabando? Vamos trocar isso para "esse drama está acabando". O que quer dizer que sim, ainda tem drama, então caso alguém não queira ler alguns capítulos dramáticos eu sugiro que pule uns seis/sete capítulos da fic, ou que pare de ler se preferir.

Eu sei que faz uma década que eu não atualizo a fic então se alguém tá perdido (honestamente, eu estava u.u) e tiver com preguiça de reler (honestamente, EU ESTAVA²) pode perguntar que eu vou responder.

OS COMENTÁRIOS DE VOCÊS NA NOTINHA QUE EU DEIXEI HFAUAHUAD SÃO OS MELHORES!! OBRIGADA, EU VOU RESPONDENDO VOCÊS!! <3 <3
xoxo


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