História (Bad) New Life - Capítulo 6


Postado
Categorias South Park
Personagens Kenny McCormick
Tags Álcool, Capital Inicial, Crenny, Natasha, Prostituição, Roubo, Vida Nova
Exibições 28
Palavras 2.661
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Demorou um pouquinho, mas voltamos <3

Boa leitura!

Capítulo 6 - Doa-se uma alma - Parte 1


Um cheiro desagradável invadiu as narinas de Kenneth, era extremamente forte, tanto que o loiro se forçou a acordar, sentindo a dor martelar em sua cabeça e a rua começar a girar, as perguntas começavam a aparecer em sua mente, como: O que estava fazendo jogado no meio das latas de lixo? Sim, aquilo provavelmente era lixo, havia dormido ali? Por quanto tempo havia ficado ali?

Sem conseguir responder nenhuma, vasculhou os próprios bolsos em busca de alguma pista e só encontrou dois papéis, ambos amassados e com letras borradas, o primeiro tinha a caligrafia perfeita, redonda, possuía várias carinhas e corações em volta do aviso:
 

Hey, acho que você não deve se lembrar de mim

acho que estava drogado ontem a noite

de qualquer forma, se precisar de ajuda, eis meu número:

(00) 0000-0000 - Leonardo

Deu um pequeno sorriso, qualquer que um que fosse, deveria ter um coração bom o suficiente para deixar aquilo perto de si, ligaria para ele quando arranjasse outro chip. O outro, tinha uma letra apressada, em caixa alta e totalmente torta, havia apenas um desenho de bomba no final, dizia:

Você deve se lembrar do nosso aviso, certo?

se não lembra, acho que isso é um problema

nos encontre no La Resistance, aqui está o endereço.

PS: o tempo está acabando

Estremeceu ao ver que o endereço estava borrado e não dava para ler uma palavra daquela linha, com um tanto de medo, voltou a guardar aqueles papéis no bolso, iria ver aquilo quando chegasse no motel.

O MOTEL! Finalmente se lembrou do lugar e do quanto tinha que pagar pela diária, se levantou do lugar apressado, tentando não tropeçar nos próprios pés no ato e correndo de forma desajeitada pela calçada, arrancando risada dos que estavam passando. Não se importava com aquilo, já estava começando a se acostumar, não se importou com o mau cheiro da sua roupa ou com seus passos estranhos, só queria chegar rápido o suficiente no lugar.

 

O tapa estalado que Kenny deu no balcão sujo do bar chamou a atenção de todos os bêbados dependentes que estavam ali no lugar, virando doses de aguardente em copos ensebados antes do meio dia pois já haviam sido consumidos pelo vício. Kenny estava ofegante, ele fedia que nem um bicho e seu hálito estava horrível.

O loiro não sabia porque exatamente ele tinha ido correndo até lá, sendo que, o qual tinha confirmado com a recepcionista do motel onde ele estava hospedado, ainda tinha 10 horas de estadia antes do tempo pago zerar. Talvez fosse uma atitude inconsciente praticada por seu corpo, tendo em vista que Kenneth estava se sentindo ameaçado e encurralado, e com razão. Aquele bilhete, mesmo sendo só um mero bilhete mal feito e de caligrafia horrenda, tinha mexido com seus nervos por conta da mensagem. Kenneth não fazia a mínima idéia no que tinha se metido a noite passada, mas com certeza não tinha sido convidado a tomar chá com alguma velhinha.

Quando levantou a cabeça, Joey já estava o encarando por cima, enxugava as mãos pesadas

num trapo fétido e escuro, transferindo o mau odor do pano pras suas próprias mãos.

-Eu não sabia que uma Barbie podia feder tanto.

Kenny não disse nada, só rangeu os dentes e se endireitou a frente do balcão, arrumando os cabelos loiros e puxando o casaco para baixo.

-Não fode.

-Tirou as teias de aranha da vagina e vai voltar a trabalhar sem frescura?

Kenny ignorava os comentários ácidos do homem mais velho. Vivendo numa cidade de caipiras mente fechada, cheia de porcos racistas, machistas e homofóbicos, o loiro havia aprendido desde cedo que certas pessoas não valiam a pena abrir a porra da boca.

Kenneth puxou os papéis de dentro do bolso, numa confusão generalizada os dois foram pro chão, o que obrigou o rapaz a se agachar para pegá-los, ficando de cócoras no chão daquele boteco, que conseguia ser mais imundo que ele, para analisar os papéis e ver qual era o que queria mostrar ao homem do balcão. Segurou um pedaço de papel entre os dedos enquanto enfiava o outro dentro do bolso de qualquer jeito.

- Isso - colocou o papel em cima da madeira do balcão e o deslizou para perto do homem com um dedo - Quero que me ajude com isso.

O homem olhou desconfiado para Kenneth, depois desviou a desconfiança pro pedaço de papel amarrotado a sua frente.

- O que é isso? -Perguntou, com um pouco do tom provocante que usava pra tirar sarro de Kenny.

- Isso -O loiro bateu com o dedo três vezes no papel, como que para reforçar a ideia que tinha sobre o papel- é o meu ingresso pro inferno, e eu nem sei em que lugar consegui isso.

Joey jogou o pano fedido por cima do ombro, ainda encarando o moleque atrás do balcão, que suava e cheira a ovo podre com leite estragado. Enganchou os dedos nos suspensórios de uma cor horrível de verde abacate e os puxou, como que os arrumando no lugar. Segurou o papel entre os dedos, passando os olhos claros  sobre as letras tortas. Kenny o encarava, esperando que terminasse de analisar o bilhete.

- Tá despedido.

- O que?! Por que?!

- Olha aqui moleque, você já me fudeu antes respondendo aquele cliente, e tu não vai me fuder de novo, me metendo com os caras da La Resistance.- Joey amassou o papel entre as palmas e jogou na cara de Kenny, que o olhava estático.

- Que porra você tá falando, cara? Quem disse que eu quero te meter nessa?! Tu não ouve o que as pessoas têm a dizer não?

-O que a Barbie tem a dizer? Que ela se meteu com os caras da La Resistance, comeu puta sem pagar, e agora tá querendo que eu te empreste dinheiro pra pagar antes que eles cortem o teu pintinho murcho fora? Vai se fuder moleque, eu não sou teu agiota. Vai dar o teu cu pra conseguir pagar as suas despesas.

-Olha aqui cara- Kenny bateu a mão no balcão e esticou o dedo a frente do rosto do homem, que era muito mais alto, mais forte, e mais pirado do que ele- Eu não quero a tua grana, por mim você enfia ela na tua bunda, eu só vim aqui te perguntar se você sabe onde fica essa porra de lugar, porque eu não sei que merda que eu fiz, só sei que quero concertar.

- Olha aqui pirralho, mesmo se eu quisesse te ajudar, eu não posso. Essa merda e lugar é igual um ninho de rato, ninguém sabe onde fica, só velho ricaço que vai lá direto. Não é lugar pra qualquer pé rapado ir entrando assim não, inclusive nem sei o que você vai fazer lá, pobre do jeito que é.

Kenny bufou e não respondeu nada, apenas pegou o bilhete amassado do chão e colocou no bolso. Já ia saindo do boteco, um grande peso nas costas, quando ouviu uma voz arrastada e de sotaque europeu lhe chamar.

-Hey, você criança loira.

Kenny olhou por cima do ombro, as sobrancelhas levantadas.

-Tá falando comigo?

Kenneth tinha certeza que se ele tivesse uma arma naquele momento, e um espelho, ele teria acabado de recriar uma clássica cena do cinema, mas claro que naquelas circunstâncias, sob ameaça de morte desconhecida, ele não tinha tempo pra pensar em referências a filmes antigos.

-Você mesmo, o moleque fedido, vem aqui.

Kenny acabou olhando pros lados e para trás antes de seguir em direção ao homem, que estava sentado numa mesa bamba dentro do boteco, o corpo jogado para trás na cadeira, as pernas abertas e os braços paralelos ao corpo, como se ele estivesse fraco demais para se sentar direito. A sua frente um copo de alguma coisa incolor e um cinzeiro, cheio de bitucas de cigarro.

O homem não parecia muito velho, 40 anos talvez, tinha apenas poucos cabelos brancos que se destacavam dentre a cabeleira preta, os olhos azuis bem claros pareciam cansados, porém atentos ao rapaz loiro que o olhava como se ele fosse um animal perigoso.

-Eu não vou arrancar a sua perna, seu pentelho, quero te ajudar. -O homem tinha um hálito pior que ele, uma mistura de álcool e cigarro constituíam o bafo daquele homem, o sotaque era bem pesado, certamente europeu. O homem falava muito alto, e meio cantado. O jeito com que pronunciava algumas palavras fez Kenneth ter certeza de que ele era um autêntico italiano.- Eu ouvi você falando com o Joey. Você tá bem fudido, eu não sei o que você fez pro Gregory, mas sei que você vai tá a sete palmos da terra antes da semana que vem.

-Obrigado pela positividade- Kenny retribuiu ironicamente e deu as costas pro homem.

-Oh moleque do caralho, não tem como eu te falar o endereço do lugar se você não ficar aqui.

Kenneth apenas virou novamente pro homem italiano estranho. Se ele continuasse lhe dando nos nervos ele só ia xingá-lo de pizzaiolo e sair dali antes que arranjasse uma briga. Ele sabia que isso ia ser tremendamente racista, mas o loiro não estava muito paciente naquele momento.

Vendo que o rapaz loiro e fedorento tinha voltado a olhar para ele o homem apenas de um sorriso de canto de boca, mostrando os dentes amarelados. Retirou um bloquinho de post-it bege de dentro do casaco e uma caneta que estava presa na sua camisa social. Anotou de forma lenta um endereço, que Kenny, espiando o homem escrever, nunca havia visto na sua vida.

-Aqui garoto- estendeu o papel pequeno a Kenny, que o pegou rapidamente e começou a ler e decorar o lugar- só vá lá e garanta que o Gregory não vai te cortar em pedaços.

Kenneth segurou a mão do homem entre as suas e a balançou, agradecendo várias vezes, depois saiu correndo do boteco.

-A próxima vez que você ver esse moleque, Joey, a cara dele vai estar estampada no jornal policial.

-Não é como se eu me importasse -Replicou o homem, abrindo uma garrafa de cerveja com o abridor enferrujado- Barbie é o que não falta no mundo.

O homem italiano apenas riu e molhou os lábios com a ponta da língua, virando o que restava em seu copo.

 

Kenneth demorou um pouco para chegar no lugar, se confundiu com tantos estabelecimentos e placas neon, mas quando finalmente encontrou o estabelecimento, não acreditou que aquele era o lugar que tanto falavam. Apertou as sobrancelhas, desconfiado, olhou várias vezes o endereço e até mesmo chegou a ler o logo muito mais, para ver se não havia se enganado. A estrada era simples, até demais, as paredes eram recobertas por algum tipo de material que imitava madeira, a porta tinha apenas cortinas na cor vinho, impedindo qualquer um que passasse de ver o que havia dentro, em cada ponta, havia uma planta ornamental, apenas de enfeite. O logo estava apagado, as letras LA em caixa alta e RESISTANCE em cursiva.

O loiro entrou no lugar, dando de cara com um vasto corredor com uma luz escura, dando até uma recepcionista, que organizava as notas que estavam na caixa registradora, que ao notar a presença do mais novo, limpou a garganta.

- O que está fazendo aqui, pivete? - Resmungou, guardando as notas e trancando a caixa, antes de encarar fixamente o outro. Ela tinha cabelos vermelhos, num tom forte, amarrados num coque frouxo, os lábios com um batom numa cor puxada para o preto e os olhos dourados, com um delineado de dar inveja. Usava um vestido preto com um decote, que mostrava boa parte do que tinha ali, além de ter uma voz naturalmente sexy, com uma bela entonação e um sotaque um pouco puxado para aqueles do interior. Sorriu, antes de continuar. - Somente maiores de 18 aqui… Mas talvez se você pagar um pouco mais eu te dou um desconto.

Parou de observar os detalhes da moça ao ouvir aquela frase, se aproximando e tentando formular alguma frase que tivesse o mínimo de sentido. Então soltou: - Uhm… Eu estou aqui por causa do… Gregório, eu acho?

A mulher mordeu o lábio, segurando uma risada, mas sem sucesso, soltando um pouco de ar. - É Gregory, meu querido, você estaria morto se ele te ouvisse. O que quer com o chefe?

- Ele me ofereceu uma proposta, ou melhor, me deu uma ameaça em forma de bilhete, acho que preciso falar com ele ou algo do tipo.

Ela levantou as sobrancelhas, surpresa, antes de olhar alguns papéis espalhados pela mesa desorganizada, levou uma mecha solta para atrás da orelha, mudando totalmente de posição. - Bem, pode entrar se é assim. - E abriu a portinhola, dando um sorriso forçado. - Boa sorte, não tenta resistir muito, é melhor para você.

Não entendeu o que ela quis dizer, mas entrou mesmo assim e WOW, o lugar era bem maior do que aparentava, metade da população homem do lugar era mais velha, alguns na meia idade, havia várias garçonetes andando pelo lugar e as luzes piscavam freneticamente, além de ter um palco de desfile, que agora estava fechado, o show iria começar daqui a pouco, haviam vários sofás espalhados pelo lugar, além de muitas mesas circulares por ali. Havia mais um corredor, que levava as salas exclusivas para dança.

Engolindo seco, chegou numa garota que estava passeando por ali, vestia um top preto, com as alças cruzadas e uma saia roxa, os cabelos loiros encaracolados caindo pelos ombros. Ela deu um sorriso ao ver o rapaz.

- Hey… Uh.. Você sabe onde é o escritório do Gregory? - E o sorriso dela murchou, fazendo uma cara em uma mistura de pena e dor.

- É naquela direção, vai ter uma placa na porta. - Indicou outro corredor, este, estava mais apagado que o primeiro. - A maioria delas são nossos camarins, mas é a última e a que tem mais espaço entre as outras. E ah! Boa sorte.

Estremeceu, era a segunda pessoa que lhe dizia aquilo, só podia ser coisa ruim. Andou com passos curtos até aquela porta, vendo o nome na porta, reluzente, engolindo em seco. Quando abriu a porta da sala, se deparou com um moreno deitado na mesa bagunçado, enquanto o loiro, com os fios bem colocados naquele penteado, os dois conversavam sobre os gastos e ganhos do lugar, até o segundo perceber a presença do outro.

- Ora, ora… O cordeirinho veio cedo para o lobo. - Christophe riu da frase, talvez fosse alguma piada interna. - Desce dai, e você, se aproxima.

E como foi ordenado, foi feito.

- Acho que já sabe o que vai fazer aqui, não? Gostou do lugar? Vai ser sua nova casa, seu novo inferno. Vá se acostumando. - Soltou um riso esganiçado, antes de passar a lingua pelos lábios e pegar uma fita que estava numa gaveta da mesa. - Christophe, vamos medir o garoto, pega o caderno.

Após tirar as medidas do rapaz, ele continuou com o discurso, estava totalmente calmo, apesar de ter uma postura séria e um sorriso malicioso no rosto, Kenneth não podia negar que estava com medo do outro.

- É o seguinte garoto, se você ainda não tem casa, nós podemos te ajudar nas primeiras semanas, de resto, é você com esse corpo. Você vai vir aqui amanhã, neste mesmo lugar e vai pegar o que estiver naquela cadeira, se não entender o que tem que fazer, procure pela Barbara, ela vai saber como te explicar. Por enquanto, pode ficar observando o trabalho das meninas, se for bem, a gente te promove, se for mal, ninguém nunca mais vai ouvir falar do seu nome. Entendido?

-... Sim.

E Kenny sentiu como se estivesse vendendo sua alma para o diabo. Desta vez, era um diabo loiro e com dentes perfeitos, que cheirava a perfume francês e usava roupas caras. O inferno na terra estava apenas começando.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, vemos vocês no próximo capítulo <333
Beijos na nuca, até~


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