História Starcrossed – Padackles - Capítulo 2


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Categorias Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins
Personagens Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins, Personagens Originais
Tags Drama, Jared Padalecki, Jensen Ackles, Lemon, Misha Collins, Padackles, Romance, Starcrossed
Exibições 181
Palavras 4.246
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oe tudo bom gente?
Então... sabe aquela história de separar os diários dos capitulos? Esqueçam. Eu vi que não vai dar muito certo e.e
Porém... eles estarão aqui junto do capitulo normal ^^
Boa leitura, comentem o que acharam e beijooos

Capítulo 2 - No começo


CAPITULO DOIS – NO COMEÇO

Hoje

Nova York

Diário de Jensen Ross          

 

Querido diário... só vou começar assim por que nunca fiz isso antes.

Misha sugeriu que eu use você para ajudar a analisar os acontecimentos que me levaram a ser o indivíduo desajustado que sou hoje. Ele quer que eu olhe os relacionamentos insalubres que que me tornaram ranzinza e emocionalmente indisponível. Então acho que vou começar com a estrela de todos os meus arrependimentos.

Jared Padalecki.

Na primeira vez que o vi, eu estava simulando sexo anal com alguém que tinha acabado de conhecer.

Ui. Isso ficou estranho.

Me deixe explicar.

Estava fazendo teste para uma vaga na Academia Grove de Artes Dramáticas, que abrigava uma das escolas de teatro mais prestigiadas de todo o país.

Eu sonhava em estudar lá desde sempre, então, no meu último ano, quando todos os meus amigos estavam se inscrevendo em faculdades para serem médicos, advogados, engenheiros e jornalistas, eu me inscrevi para ser atriz.

Grove foi minha primeira escolha por vários motivos, e não foi o menos importante deles ficar a um país inteiro de distância dos meus pais.

Não que eu não os amasse, porque eu amava. Mas Judy e Leo têm ideias bem específicas sobre como devo viver minha vida. Por ser filho único e, como tal, programado para fazer de tudo e mais um pouco para ganhar sua aprovação, eu basicamente vivia para satisfazer as ideias não realistas deles.

Quando cheguei no meu ultimo ano, eu nunca tinha experimentado álcool, fumado cigarro, comido nada além daquelas saudáveis merdas vegetarianas sem gosto, não tinha nem dormido com ninguém. Eu estava sempre em casa na hora certa, mesmo que eles me ignorassem completamente ou discutissem entre eles ou nem estivessem lá.

Odiava tudo que minha mãe me forçava a fazer, menos as aulas de teatro. Fingir ser outra pessoa por algumas horas? É, isso era o máximo.

As principais contribuições de Leo em minha criação consistiam em instruções restritas de onde ir, quem ver, que horas voltar e o que fazer. A não ser que eu fosse muito bom ou muito ruim, ele me ignorava. Rapidamente aprendi que tirar notas boas e ganhar prêmios de interpretação me livravam de horas de gritarias e broncas.

Eu me esforçava. Mais que todos os meus amigos e mais que um filho deveria se esforçar para atrair a atenção do pai. É certo dizer que meus bloqueios quanto a agradar pessoas vieram dele.

Meus pais não ficaram felizes com a minha decisão de me matricular numa escola de teatro. Na verdade, creio que as palavras exatas de Leo foram “Uma ova”.

Convenci os dois a me deixar fazer o teste negociando sobre me inscrever também no curso de direito da Washington State. Isso me comprou uma passagem de ida e volta de Nova York e uma leve esperança sobre deixar para trás o meu costume de buscar aprovação.

 

Seis anos antes

Wetchester, Nova York

Os testes para Grove

 

Minha perna está tremendo.

Não de leve.

Está chacoalhando.

Descontroladamente.

Meu estômago está revirando, dando nós e quero vomitar. De novo.

Estou sentado no chão com as costas para uma parede.

Não pertenço a este lugar. Não sou como eles.

Eles são ousados, abusados. Eles se vangloriam das peças que já fizeram ou das pessoas importantes que conheceram. E eu continuo sentado, menor a cada segundo, sabendo que a única coisa que vou conquistar hoje é a prova do quão inadequado eu sou.

  – Daí o diretor diz: “Zoe, a plateia precisa ver seus peitos. Você diz que é dedicada à sua arte, e ainda assim seu sendo de errado de pudor dita suas escolhas”.

Uma loira desinibida está monopolizando as atenções, contando histórias de guerra teatrais. As pessoas ao redor parecem cativadas.

Não quero ouvir, na verdade, mas ela fala muito alto, não consigo evitar.

  – Ai, Deus, Zoe, o que você fez?! – uma bela ruiva quer saber, seu rosto se contorcendo com emoção exagerada.

  – O que eu poderia ter feito? – Zoe pergunta com um suspiro. – Chupei o pau dele e disse que ia fiar de camiseta. Era a única forma de proteger minha integridade;

Houve risadas e uma salva de palmas. Mesmo antes de entrarmos, as apresentações já haviam começado.

Joguei a cabeça para trás e fechei os olhos, tentando me acalmar.

Repassei meus monólogos mentalmente. Eu os conhecia. Cada palavra. Dissecava cada sílaba. Analisava os personagens, subtexto, camadas de sutilezas emocionais. Ainda assim, me sentia despreparado.

  – Então, de onde você é?

Zoe está falando novamente. Tento bloquear o som.

  – Ei, você, garoto na parede.

Abro os olhos. Ela está olhando para mim. Todo mundo está.

  – Hum... quê? – limpo a garganta e tento não parecer apavorado.

  – De onde você é? – ela pergunta mais uma vez, como se eu tivesse algum atraso mental – Dá pra ver que não é de Nova York.

  – Hum... Sou de Aberdeen.

Seu rosto se retorce, de nojo.

  – E onde fica essa porra?

  – É em Washington. Meio pequeno.

  – Nunca ouvi falar. – ela informa com um aceno de desprezo – Tem ao menos um teatro lá?

  – Não.

  – Então você não tem nenhuma experiência em atuar?

  – Fiz algumas peças amadoras em Seatle.

Os olhos dela se iluminam. Ela fareja uma presa fácil.

  – Amadora? Ah... entendi. – ela sufoca uma risada.

Meu senso de autopreservação é acionado.

  – Claro, não fiz todas as coisas incríveis que você já fez. Quer dizer, um filme. Uau. Deve ter sido bem incrível. – os olhos de Zoe se apagam um pouquinho. O cheiro de sangue é diluído pela puxação de saco.

  – Foi bem incrível. – ela comenta enquanto dá um largo sorriso, como uma barracuda de batom. – Mas provavelmente estou perdendo tempo com esse curso, por que não vou chegar até o final antes de fechar um grande contrato. Pelo menos é algo para me manter ocupada até lá.

Sorrio e concordo com ela. Massageio seu ego. É fácil. Sou bom nisso.

Rapidamente, estou zurrando e relinchando como o resto das mulas, e um dos meninos gays me puxa e finge que estamos numa rave.

Ele fica atrás de mim enquanto bate na minha bunda. Foi tão fácil assim sacar que eu sou gay?

Entro na brincadeira, mesmo horrorizado. Faço barulhos vulgares e balanço a cabeça. Todo mundo acha hilário, então eu ignoro a vergonha e continuo. A aprovação deles é como droga. E eu quero mais.

Ainda estou fingindo apanhar na bunda quando levanto o olhar e o vejo. Está a alguns metros de distância, alto e de ombros largos. Seu cabelo é castanho e quase cai sobre seus ombros, e, apesar da expressão impassível, seus olhos mostram claro desdém. Afiado e imperdoável.

Minha risada falha.

Ele parece um anjo vingativo com um olhar intenso e traços etéreos. Pele lisa e roupas escuras.

Tem aqueles rostos que te fazem parar para olhar quando você está foleando uma revista.

O menino gay me empurra para o lado e vira para outra pessoa.

O garoto alto também se vira e senta de costas para a parede. Tira um livro do bolso e começa a ler. Eu pesco o título: Vidas Sem Rumo. Um dos meus favoritos.

Uma porta a minha frente se abre e uma mulher entra. Ela tem ares de estátua com cabelo preto e curto e lábios vermelho-vivo, e nos avalia com o foco de um raio laser.

  – Tudo bem, escutem.

Os cacarejos param.

  – Se eu chamar seu nome vá para dentro.

Ela dispara os nomes, sua voz é clara e segura.

Quando ela grita “Padalecki, Jared”, o garoto alto sai da parede. Olha brevemente para mim quando passa, e me faz querer segui-lo. Eu me sinto falso e desconfortável sem ele.

Nomes continuam vindo. Calculo que mais de sessenta pessoas passam pela porta, incluindo “Stevens, Zoe”, que berra antes de entrar. Eu estremeço quando ela grita “Ackles, Jensen”.

Enquanto pego a mochila, ela diz:

  – É isso para esse grupo. Todos os outros aguardem aqui, vocês serão chamados por outros instrutores.

Ela me segue pela porta e a fecha atrás de si.

Eu me acomodo, perdido num mar de garotos da cidade mais experientes. Minhas pernas começam a tremer de novo.

  – Meu nome é Erika Eden, e sou diretora do departamento de interpretação. Nesta manhã vamos trabalhar um pouco com personagens e improvisação. No final de cada cena, comunico a vocês quem vai ficar. Sei o que estou buscando, e se vocês não tiverem isso, vão embora. Não estou pegando pesado, é apenas como as coisas são. Não preciso dizer que a Academia Grove aceita apenas os trinta melhores candidatos dos dois mil que vão fazer teste nos próximos dias, então deem o melhor de si. Me deem algo que valha a pena ou vão embora.

Meu medo de falhar murmura que eu deveria ir embora. Mas não posso. Preciso disso.

Passamos a próxima meia hora fazendo exercícios focados.

Zoe é barulhenta e confiante, como se sua aprovação já estivesse garantida. Provavelmente está. Jared Padalecki é intenso. De forma incrível.

Tento manter tudo real e natural, e na maior parte do tempo eu consigo.

Após cada cena, pessoas são cortadas.

O grupo diminui rapidamente. Erika é rápida e eficiente, e toda vez que ela chega perto mim acho que vou embora.

Quando paramos para o almoço, estamos todos em silêncio. Até Zoe. Tentamos ignorar o fato de que a maior parte de nós não vai chegar as chamadas amanhã. Algumas vezes meu rosto queima, e levanto o olhar para ver que Jared está me olhando. Ele imediatamente desvia o olhar e fecha a cara. Eu me pergunto por que ele parece bravo.

De volta a sala, somos organizados em pares. Estou com um garoto chamado Jordan, que tem espinha e língua presa.

Cada dupla recebe um enredo, e o restante de nós observa. É como um esporte sangrento.

Zoe e Jared são colocados juntos. Interpretam estranhos numa estação de trem. Conversam e flertam, enquanto Zoe balança o cabelo. Obviamente ela tem talento para agir como uma puta desesperada.

Jordan e eu interpretamos irmãos. Nós implicamos um com outro e rimos, e tenho que admitir que somos bons.

No final da rodada, pessoas são cortadas e lágrimas rolam. Suspiro quando percebo que restam apenas trinta de nós. As chances estão melhorando.

Os parceiros são trocados. Fico com Jared. Ele não parece feliz com isso. Senta-se ao meu lado com a mandíbula travada. Acho que nunca notei a mandíbula de alguém, mas a dele é impressionante.

Ele se vira e me pega olhando fixamente para ele, e sua expressão mistura cenho franzido com vou-te-matar-e-arrancar-toda-a-sua-pele.

Eu me viro. Vamos ser uma porcaria como parceiros.

Erika anda para a frente do grupo.

  – Para esta última sessão, todo mundo vai receber a mesma tarefa. Seu enredo é “imagem no espelho”.

Soa fácil.

  – Não vai ser fácil.

Droga.

  – Esse exercício se baseia em confiança, abertura e conexão com a outra pessoa. Nada de inibições. Sem artifícios. Apenas energia pura, bruta. Se não relaxarem nisso, vão falhar, e se não se conectarem com a outra pessoa, vou saber. Nenhum de vocês lidera nem segue. Precisam captar o sentimento um do outro, entenderam?

Todos assentimos.

Não tenho a mínima ideia do que ela está falando. Jared esfrega os olhos e faz um som baixo de grunhido. Acho que ele também não sabe.

  – Certo, vamos nessa.

A primeira dupla é Zoe e Jordan. Levam alguns minutos para planejar, então assumem suas posições e começam a se mover. É obvio que Zoe está liderando e Jordan está seguindo. Num ponto Jordan ri e Erika anota em sua prancheta. Imagino que tenha estragado sua chance. Eu sorrio. Assim como Jared.

Mais um cai.

Os outros grupos prosseguem, e Erika os circula como um gavião, examinando cada movimento. Está decidindo os cortes finais. A maioria das pessoas está desmoronando com a pressão.

Finalmente é nossa vez, e ficamos na frente do grupo. Jared está balançando as pernas. Suas mãos estão dentro dos bolsos, os ombros, caídos. Não me inspira confiança.

Erika nos estuda por alguns momentos.

Percebo que Jared e eu paramos de respirar.

  – Tudo bem, vocês dois. Última chance de me impressionar.

Jared me olha e vejo o desespero refletido nele. Ele quer isso. Talvez tanto quanto eu. Erika se inclina para mim e abaixa a voz.

  – Ele se mexe, você se mexe, sr. Ackles. Entendeu? Respire o ar dele. Encontre uma conexão. – ela lança um olhar para Jared – Se não encontrarem o equilíbrio certo, isso não vai funcionar. Você tem que deixa-lo entrar Jared. Não pense, apenas faça. Três strikes e está fora, lembra?

Ele assente e engole em seco.

  – Vocês têm três minutos para se preparar. – ela sai, e Jared e eu nos mudamos para os fundos da sala. Estamos mais perto um do outro e ele tem um cheiro bom. Não que eu devesse notar quão bom é o cheiro dele, mas meu cérebro está procurando uma distração para o nervosismo, e é o cheiro bom dele.

  – Olha. – ele diz – Preciso disso, tá? Não estrague tudo.

Eu coro de raiva.

  – O quê? Você tem tanta chance de estragar quanto eu. E o que Erika quis dizer com “três stikes e está fora”?

  – É o terceiro ano que faço o teste. Se não entrar dessa vez, é o fim. Eles não vão mais deixar eu tentar de novo. Então meu pai vai dizer um belo “eu te avisei” e vai querer que eu vá para a faculdade de medicina. Trabalhei duro para isso. Preciso disso, tá?

Estou confuso. Eu o observei o dia todo. Essa gente é cega?

  – Por que não entrou antes? Você é bom mesmo. – de uma forma perturbadoramente intensa.

A expressão dele suaviza por um momento.

  – Acho difícil... me misturar... com os outros atores. Aparentemente, Erika acredita que esse é um atributo importante que seus atores devem ter.

  – Não pareceu que você tivesse problemas com Zoe.

  Ele bufa.

  – Não tinha conexão lá. Não senti nada, como de costume. Erika consegue ver.

Olho para a moça de cabelo escuro que está nos estudando.

  – Ela já testou você antes?

Ele assente.

  – Todos os anos. Ela quer me oferecer um lugar. Mas não vai me deixar passar facilmente. Se não conseguir provar a ela que posso fazer esse exercício em particular, em que fui uma droga em todos os anos, só para constar, acabou.

  – Um minuto! – Erika grita.

Meu coração fica a mil.

  – Escuta, Jared, faça o que for preciso para se “conectar” comigo, tá? Porque se eu não conseguir isso, vou ter que voltar aos meus pais hiperprotetores, e, sinceramente, não aguento mais essa porra. Então você não é o único a perder algo aqui.

Ele franze a testa.

  – Olha, Ross...

  – Meu nome é Jensen.

  Não sei como ele sabe meu nome do meio.

– Que seja. Só relaxe, tá? A gente consegue. Olhe nos meus olhos e... Jesus, sei lá... me faz sentir alguma coisa. Qualquer coisa. Não perca a concentração. Foi o que fodeu com todo mundo até agora. Apenas foque em mim, e eu vou focar em você. Tá?

  – Ótimo.

Solto o ar e tento focar. Meus pensamentos estão um caos. Preciso me acalmar.

  – Ei. – ele chama enquanto toca eu braço. Não ajuda nada na concentração. – A gente consegue. Olha para mim.

Levanto os olhos. Seus cílios são ridículos. Conforme ele me olha, algo revira dentro do meu estômago.

  – Puta merda. – ele pisca, mas não afasta o olhar. A energia fluindo entre nós é intenda demais. Fecho meus olhos e solto o ar.

  – Ross?

  – Jensen.

  – Jensen. – ele sussurra, sua voz é suave e cheia de desespero. – Concentre-se, por favor. Não vou conseguir sem você.

Engulo em seco e faço que sim com a cabeça. Então Erika grita com a gente, e caminhamos ao centro do salão. Viramos um para o outro, apenas a um passo de distância.

Ele é muito mais alto do que eu, então eu olho para seu peito. Ele sobe e desce, enquanto Jared tenta se acalmar.

  – Pronto? – ele pergunta.

  Quero gritar “Não, Deus, por favor, eu vou estragar tudo!”, mas, em vez disso respondo:

  – É claro. – como se isso não fosse vida ou morte.

Respiro fundo antes de levantar o olhar. Sua expressão está menos desesperada agora, e parece que eu o estou vendo... realmente o enxergando... pela primeira vez.

Ele levanta sua mão e eu sigo, enquanto temos milhares de pequenos fios entre nossos braços, nos alinhando. Acompanho sua velocidade com precisão, me movendo ao mesmo tempo que ele se move, respirando ao mesmo tempo que ele respira.

Mudamos de posição novamente, os corpos estão perfeitamente alinhados. Parece tão natural.

Nós nos aproximamos. Ele se inclina para frente e eu me inclino para trás. Eu viro de lado e ele segue. Os movimentos ficam mais rápidos, mas cada um é perfeito e preciso.

Estamos em êxtase. Aquele estado mágico em que os atores às vezes chegam, quando tudo está fluindo com entrega.

Eu me sinto incrível.

Abrimos sorrisos. Jared fica bem bonito quando sorri.

Nossos braços estão sobre nossas cabeças. E nós lentamente descemos com eles, nossas palmas se juntam. Suas mãos são grandes e quentes. Nós nos encostamos um no outro com os corpos pesando para frente e nossas palmas ficam pressionadas mais firmemente. Então estou encarando seus olhos. Estamos os dois sem respirar, e não sei por quê.

Jared se afasta e solta o ar antes de olhar para Erika.

  – Já deu? Ninguém ficou tanto tempo. Já deu, né?

Erika inclina a cabeça e o estuda. A postura dele é tensa e desafiadora.

Abaixo as mãos. Estão frias agora. Eu as aperto nas laterais enquanto meu coração bate rápido e irregular.

  – Já deu ou não? – Jared questiona, e tudo de bom que eu senti por ele desapareceu. Ele é tão mal-educado.

  – Sim sr. Padalecki. – Erika responde calmamente, olhando para mim. – Você e o sr. Ackles completaram o exercício. Muito bem. Vocês dois tem uma química interessante aí, não tem?

Ele engole em seco e fixa o olhar. Ela dá a ele um sorriso caloroso.

 Jared segue de volta à arquibancada e se senta. Zoe salta ao lado dele e toca seu bíceps, dizendo que ele foi incrível. Ela seria mais sutil se rasgasse a camiseta e implorasse para que ele a apalpasse. Idiota. Oferecida. Ele a ignora e apoia os cotovelos nos joelhos.

No final do dia, Erika nos dispensa, e ficamos do lado de fora esperando a lista de quem vai retornar.

Jared está sentado no final do corredor, as costas estão contra a parede e as pernas, puxadas no peito. Ele parece estar com dor.

Vou até ele, que está com a cabeça apoiada na parede e os olhos fechados. Quando toco seus ombros, ele dá um salto como se eu tivesse lhe dado um choque.

  – Que porra? – ele me olha feio, mas é difícil achá-lo intimidador quando ele está tão verde que poderia arrumar um emprego com os Muppets.

  – Tudo bem com você?

Ele abaixa a cabeça e suspira.

  – Eu estou bem. Vá embora.

Não sei nem por que me importei.

  – Você é um panaca, sabia?

  – Sei bem.

  – Só para me certificar.

Começo a sair, mas ele se estica, sem me tocar, e me faz parar.

  – Ross, olha... eu...

  – Meu nome é Jensen.

  – Jensen.

 A forma como ele pronuncia meu nome é... Bem, provoca coisas estranhas em mim. Pode ser melhor se ele voltar a me chamar de Ross.

Ele aponta para o chão para eu me sentar, e me sento.

  – A coisa é que... Não vamos ser amigos, então eu imaginei que não tinha motivo gastar energia um com outro, certo?

Pisco algumas vezes.

  – Hum... tá.

  – É isso? Tá. – ele parece decepcionado, mas eu não sei por quê.

  – Bem, eu nunca tive essa conversa de “Não vamos ser amigos” antes, então não estou certo do protocolo. Eu te agradeço por mostrar o óbvio ou...?

  Ele esfrega a mão sobre o rosto e grunhe.

  – O que é? – pergunto. – Não sei o que você espera que eu diga. Não estava planejando ser seu amigo.

  – Isso é bom. – ele ainda esfrega o rosto.

Eu inspiro e tento não perder a calma.

  – Qual é o seu problema? Eu basicamente salvei sua pele aqui hoje, e você me trata feito lixo?

  – Sim. – seus ombros estão tensos e elevados. – Por que você é tão...

  – O que? Chato? Irritante?

  – Bipolar.

Isso me faz parar na hora.

  – Ah... eu... hã?

Ele suspira e balança a cabeça.

  – Eu te vi mais cedo, fazendo o joguinho da popularidade. Dando aos moleques descolados o que eles queriam. O que é ridículo porque a maioria deles é de surtados desagradáveis que são tão verdadeiros quanto uma nota de três dólares. Mas, comigo? Você é todo irritadinho, impaciente e honesto como um trator. O que foi, você não gosta de mim o suficiente para fingir?

Não percebi isso até ele dizer, mas eu nunca, e digo nunca mesmo, falei com alguém da forma como falo com ele. Nunca deixei alguém saber que estava irritado ou impaciente. Não é assim que eu sou. Eu me dou bem com as pessoas. Fiz isso a vida toda. Se alguém não gosta de mim, eu faço gostar. Mas, com ele, tudo é diferente.

  – Bom, e quanto a você? Qual é a sua história?

  – Sou uma pessoa fácil de entender. – ele diz, com uma risada amarga. – Sou um merda.

  – Disso eu sei.

  – Não, não sabe.

  – Hum, sim, sei. Você passou a tarde toda me tratando como se eu fosse te infectar com lepra. Então eu sei o que você é.

Ele assente.

  – Ótimo. Então vai saber que precisa ficar longe de mim.

  – Tenho certeza de que não vou ter muita escolha quanto a isso, por que depois que Erika colocar a lista de retorno, nós nunca mais vamos nos ver. Problema resolvido.

  – Por que acha isso?

  – Por que você provavelmente vai entrar, e eu não, então... é isso.

Ele baixa o olhar e remexe em seus cadarços.

  – Não esteja tão certo. Você foi bem hoje. Mais do que bem.

Leva um momento para eu perceber que ele me fez um elogio.

  – Uau... é... valeu. Você também foi bem.

Ele levanta o olhar e me dá um quase sorriso.

  – Fui?

Eu reviro os olhos.

  – Ai, faça-me os favor. Você sabe que foi incrível.

  – É, eu fui. – ele concorda.

  – Que humilde.

  – E bonito. Deve ser um saco mesmo não ser eu.

Balanço a cabeça e digo:

  – Então você está tentando entrar aqui há três anos. O que tem feito nesse tempo?

Ele esfrega as mãos.

  – Basicamente trabalhei com construção para uma empresa em Hoboken. Eles constroem cenários para peças da Brodway. Achei que, se eu não pudesse estar no palco, eu trabalharia nos bastidores.

  – Por isso suas mãos são ásperas?

Ele franze a testa.

  – Durante o exercício de espelho, quando tocamos as mãos, suas mãos tinham calos.

Ele olha para as mãos.

  – Prefiro pensar que elas são reforçadas. Carregar toneladas de pedaços de cenário não é um trabalho delicado. É uma malhação infernal.

  – Então é por isso que você tem todo esse... – eu aponto para seus ombros e braços. – ...isso?

Ele sorri e balança a cabeça.

  – É. Por isso que tenho tudo isso. E dinheiro suficiente para pagar por pelo menos dois anos se entrar aqui.

  – Quando você entrar aqui. – eu o corrijo.

Ele me encara por um segundo, como se minha fé nele fosse incompreensível.

  – Se você diz, Ross.

Eu desisto de pedir para que ele use meu primeiro nome. Provavelmente é melhor mesmo que fiquemos na base do segundo nome, considerando que não vamos ser amigos nem nada assim.

  – Claro que sim, Tristan.

Ele me olha com a testa franzida.

Ficamos em silêncio por um tempo. Então a porta se abre e todo mundo salta em pé quando Erika surge com a lista.

  – Para os que estão nessa lista, meus parabéns, vocês foram aprovados. Para os demais, vocês podem tentar novamente ano que vem. Obrigada pela participação.

Ela se vira e afixa o papel no mural atrás da porta.

Todos vão a frente rápido para ver se seus nomes estão na lista. Eu abro caminho entre os corpos para ver o papel, meu coração está disparado, preparado para a decepção.

Quando finalmente chego à frente, seguro a respiração.

Há apenas três nomes.

Jared Tristan Padalecki.

Zoe Stevens.

E... Jensen Ross Ackles.

O restante do grupo foi cortado.

Estou em choque.

Eu consegui.

Isso, porra!

Jared fica atrás de mim e solta o ar. Ele suspira aliviado.

  – Porra, valeu.

Eu me viro quando ele abaixa a cabeça e solta o ar novamente.

  – Ah, que fofo que está tão feliz por mim. Você tinha realmente alguma dúvida?

  – Sobre você? – ele pergunta. – Nenhuma. Parabéns.

  – Parabéns para você também. Acho que o mundo médico está salvo de sua cintilante postura ao lado dos leitos, pelo menos por enquanto.

  – Acho que sim. – ele concorda, e, quando olha para mim, a boca do meu estômago se aperta e revira. Sinto que tenho que dizer algo, mas meu cérebro está estranho e enevoado, então apenas permaneço lá.

Ele também não fala. Apenas olha. Seu rosto está fascinante de uma forma irritantemente bonita.

  – Bem... – começo. –, acho que eu te vejo amanhã.

Ele assente.

  – É. Claro. Até, Ross.

  – Até, Tristan.

Ele pega a sua mochila e sai. Eu faço o mesmo. Mas sei que vamos nos ver de manhã. Estou ansioso e com medo ao mesmo tempo.

Nunca me senti assim em relação a um garoto.

É claro que já senti atração por um, sei que sou gay, assim como meus pais sabem, mas isso que sinto por Jared é diferente.

Estou bem certo de que coisa boa não é.

Continua...


Notas Finais


Gostaram?
Comentem aí o que estão achando, não vai custar nada e eu vou ficar muito felizinho de lê-los ^^


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