História Starcrossed – Padackles - Capítulo 3


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Categorias Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins
Personagens Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins, Personagens Originais
Tags Drama, Jared Padalecki, Jensen Ackles, Lemon, Misha Collins, Padackles, Romance, Starcrossed
Exibições 144
Palavras 3.412
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Buenos dias, buenas tardes, buenas notches. Gostaram do meu portunhol? Lindo né?
Ó que legal que eu sou, tô postando um capitulo por dia, não sei até quando isso vai durar, mas enquanto a inspiração vier, tamos aí u.u
Boa leitura e até as notas finais amores ^^

Capítulo 3 - Antes


CAPITULO TRÊS – ANTES

 

Hoje

Nova York

Diário de Jensen Ross

 

Querido diário, percebi que começar assim é mais fácil. Então vou continuar.

A etapa final de testes para Grove foi esgotante. Jared foi mandado para um grupo diferente, então não o vi muito, mas quando estive com ele parecia estar sofrendo tanto quanto eu.

As entrevistas foram o pior. Um grupo de palestrantes da Grove sentados numa longa mesa nos sabatinava sobre vida, família, gostos e desgostos.

O grupo esperava que eu fosse apenas eu mesmo. Isso foi duro.

No final, Erika se virou para mim e disse: “Jensen, você é um rapaz esperto. Podia ter escolhido sua escola e carreira. Por que quer ser ator?”.

Sei que eu devia ter dito algo sobre minha paixão por teatro ou meu amor por arte. Mas, enquanto ela me encarava, não fui capaz de pensar em nada esperto o suficiente para enganá-la, então respondi sem pensar.

“Quero atuar porque não sei quem sou, então sinto alívio em ser outras pessoas”.

Ela manteve o olhar por um momento, depois escreveu algo em suas anotações e assentiu. Com certeza: “jovem maluco, emocionalmente disfuncional com questões de autoestima. Não façam movimentos bruscos”.

Quando saí, parecia que eu havia deixado pedacinhos meus por todo o chão.

Ainda assim, devo ter feito algo, por que três meses depois recebi minha carta de admissão.

No dia em que recebi, gritei tão alto que assustei o cachorro do vizinho.

Eu sabia que meus pais não estavam empolgados com essa escolha de carreira ou a ideia de eu me mudar para o outro lado do país, mas eles também sabiam que atuar era minha paixão, e ser aceito na Grove era uma coisa importante. Também ajudou o fato de eu ter recebido uma bolsa parcial que cobria metade da mensalidade e acomodação no campus. Considerando que não éramos os Rockefellers, esse foi um grande bônus.

Bem lá no fundo, eu tinha a vaga esperança de que Jared tivesse entrado.

Se ele tivesse, pelo menos eu já conheceria uma pessoa. Uma levemente irritante e estranhamente misteriosa.

 

Seis anos antes

Westchester, Nova York

Grove

Primeira semana de aula

 

Caminho pelo apartamento com um grande sorriso no rosto.

Há dois quartos separados por um pequeno banheiro, uma sala conjugada de estar e jantar e uma pequena cozinha. A mobília está gasta e datada, o carpete é horrendo e tem manchas de coisas que eu não quero nem imaginar. E acho que o vizinho de cima dança pelado na luz da lua enquanto sacrifica animais, porque, sério, o cara é esquisito.

Mas, apesar de tudo isso, é perfeito e meu.

Bem, estou dividindo com uma aluna de técnica avançada de teatro chamada Ruby, mas ainda assim... Posso fazer o que quiser. Comer o que quiser. Ir para cama quando quiser. Sem pais catalogando cada movimento.

  – Você me deve trinta dólares das compras – Ruby informa quando estuda a notinha. – Ah, não, trinta e nove. Os barbeadores são seus.

É meio esquisito morar com uma estranha, mas, como nos conhecemos há poucos dias, Ruby e eu estamos nos dando bem.

Ela se joga no nosso sofá e acende um cigarro. Passa o maço para mim, eu pego um.

Ah, sim, sou fumante agora.

Bem, não sou, mas quando Ruby disse que era, eu apenas segui o fluxo. Era algo para nos unir. Além do mais, eu sabia que a maioria das pessoas nos testes fumava, então parecia a coisa certa a fazer. E também, minha mãe teria odiado.

Todas boas razões para adotar o hábito.

Ela acende o meu cigarro, e eu trago lentamente. Depois, tusso. Ruby balança a cabeça.

Sou o pior aprendiz de fumante do mundo.

  – Então. – ela começa enquanto solta uma corrente de fumaça. –, é a sua vez de cozinhar, infelizmente.

  – Ei, achei que o que preparei na outra noite tinha ficado bom, considerando que nunca tinha cozinhado antes.

  – Cara – ela diz com um suspiro. –, você conseguiu estragar o macarrão com queijo. Sério, se você vai mal cozinhando aquela porcaria, nunca vamos sobreviver à vida na faculdade.

  – Então agradeça a Deus que está aqui para me ensinar. – respondo, entrando na cozinha e tirando carne e legumes da geladeira. O negócio aqui é o seguinte: Ruby não e exatamente uma chef, então terminamos com um bife duro, purê de batata pedregoso e vagens tão sem graça que eu poderia tricota-las como um cachecol.

  – Vou escrever para o canal de culinária para reclamar. – Ruby remexe a comida no prato. – Aqueles putos fazem cozinhar parecer fácil. Vou processá-los por propaganda enganosa.

Naquela noite, fizemos um pacto de comprar apenas comida congelada. É o modo mais seguro de evitar morrer de fome.

O dia seguinte é o primeiro dia de aula, e Ruby e eu caminhamos a curta distância do nosso apartamento até o campus principal.

Nos três dias desde que chegamos, passamos explorando a nova escola, e é bacana caminhar por um terreno tão bem cuidado.

O campus não é enorme, mas é bem distribuído e os prédios são uma boa mistura entre tradicional e contemporâneo.

Nessa manhã, Ruby e eu seguimos juntos para o prédio central para ouvir o discurso do reitor.

Respiro fundo e solto o ar lentamente. Esta é uma nova escola, gente nova, novas regras. Talvez alguém aqui vá ver além dos meus muitos rostos.

Posso identificar claramente muitas rodinhas pela forma como se vestem.

  – Venha. – Ruby chama. – Vamos nos sentar para não precisarmos falar com esses porras.

Naquele momento, eu a amo.

Caminhamos para o meio do auditório e tomamos nossos lugares. Poucos minutos depois, vejo um rosto familiar vindo até nós.

  – Oi Jensen.

  – Connor! Oi.

Conheci Connor na segunda etapa. Fizemos dupla em alguma cena de trabalho e, mesmo sem a mesma intensidade que rolou com Jared, tivemos uma química decente. Ele também é bonitinho, e consegui descobrir que também é gay. Ponto para o meu gaydar.

Ele faz sinal para o assento ao meu lado.

  – Posso?

  – Claro. – confirmo e apresento Ruby, que já parece entediada.

Connor se joga na cadeira ao meu lado e sorrio para ele. Cabelo loiro-acinzentado, olhos castanhos, expressão aberta que ainda não vi se fechar. Definitivamente bonitinho.

  – Estou tão feliz que entrou. – ele comenta. – Pelo menos vou conhecer uma pessoa da turma.

  – Exato, ainda não vi mais ninguém que conheço.

  – Notei alguns rostos familiares. – ele olha ao redor. – Mas sou ruim com nomes. Lembro daquela loira que não parava de falar.

  – Zoe?

  – É. E o cara altão com cabelo maneiro.

  – Jared?

  – É. Ele está bem ali.

Ele aponta para o final do auditório, onde vejo a figura esguia de Jared jogada no assento, os pés estão apoiados em uma cadeira à frente e a cabeça, no mesmo livro que ele lia nos testes.

Tenho a estranha sensação de que eu estômago flutua quando olho para ele, mas fico feliz que tenha conseguido. Entrar nesse lugar significava muito para ele, e, além do óbvio distúrbio de personalidade, é realmente talentoso.

  – Ele parece um lobo solitário. – Connor comenta, e não deixo de reparar que seu braço está sobre as costas da minha cadeira. – Mas, cara, ele sabe atuar. Eu o vi fazer Mercúrio ano passado no festival Tribeca Shakespeare. Ele foi impressionante.

  – Aposto que sim. – tenho uma imagem cristalina de Jared como um Mercúrio dos dias modernos. Todo de couro e brim, e negro, olhos brilhando.

Enquanto eu o observo, ele levanta o olhar e me vê. O canto de sua boca se levanta e uma de suas mãos se afasta do livro como se ele de fato fosse sorrir e acenar. Então, ele avista Connor, e num segundo está de volta ao livro, como se não tivesse me visto.

Connor levanta a sobrancelha.

  – Hum, será que eu fiz alguma coisa que chateou ele? Ele parecia querer me matar.

  – Não se preocupe. – suspiro. – Ele é assim com todo mundo.

Quando o reitor termina o discurso, o auditório esvazia rapidamente e nós seguimos para o primeiro dia de aula.

Ruby acena se despedindo de mim e Connor quando seguimos para o bloco de teatro e ela, para sua aula de direção de palco. Conforme andamos, Connor joga seu braço sobre meus ombros. Apesar de ser esquisito que ele esteja tão confortável invadindo meu espaço pessoal quando mal nos conhecemos, também é meio legal. Não estou acostumado com meninos colocando seus braços lindamente musculosos sobre meus ombros, mas posso me acostumar com a ideia.

Durante toda a minha vida só namorei uma vez. Ele era um banana. Não sabia beijar, e, mesmo eu querendo desesperadamente que ele avançasse para a segunda base, ele não avançava.

Então eu terminei o colegial ainda virgem. E, pior, sem nunca ter sido beijado de verdade.

Andamos para uma grande sala vazia com paredes de tijolos e uns carpetes ásperos. Jogamos nossas mochilas pela sala e sentamos no chão junto com os outros.

Olho ao redor do resto da nossa sala. Tanta gente nova para conhecer e agradar. Minha necessidade patética de fazê-los gostar de mim toma minha vida. Um suor tenso surge em minha testa.

  – Tudo bem com você? – Connor pergunta com a mão no meu ombro.

  – Sim, tudo bem. Só um pouco nervoso.

  – Peraí. – ele vai para trás de mim e massageia meus ombros. – Vou te ajudar a relaxar.

Você poderia me ajudar a relaxar de outro jeito.

Minha mente está ficando pervertida.

Ele aperta meus músculos tensos e eu quase gemo.

Já entendi qual é a do Connor. Ele quer ser o menino cuidadoso que te apoia, e eu quero ser apoiado. Nós dois ganhamos.

Não atrapalha ele ter mãos realmente talentosas.

O restante da turma conversa e ri, mas só vejo alguns rostos que conheço. Ali perto está Zoe.

Há uma menina de cabelo espetado chamada Miranda, que estou bem certo que deu em cima de mim durante os testes, e um cara moreno numa jaqueta de coiro chamado Lucas. Está sentado ao lado de um palhação de cabelo encaracolado chamado Jack, que fez todo mundo gargalhar na segunda etapa.

Enquanto examino o salão, Jared chega e para quando me vê com Connor massageando minhas costas. Ele revira os olhos antes de se colocar o mais longe de mim possível.

Não entendo Jared. Geralmente entendo o que as pessoas querem de mim em poucos minutos.

Mas com Jared... É como se ele quisesse que eu não existisse. Isso é algo que eu não sei como fazer.

Eu deveria ficar magoado com o comportamento dele, mas não estou. Isso só o transforma em um enorme quebra-cabeça mal-humorado e bem perfumado que estou determinado a resolver.

Logo Erika entra na sala e todo mundo fica em silêncio.

  – Tudo bem. Isso aqui é um teatro avançado, também conhecido como deixe-a-baboseira-fora-da-sala-ou-vou-chutá-lo-para-fora-da-turma. Aqui eu não me importo se você está cansado ou assustado ou de ressaca ou chapado. Espero sem por cento de atenção e esforço cem por cento do tempo. Se é incapaz de corresponder a essa expectativa, então nem apareça. Não quero ter e lidar com isso.

Algumas pessoas olham ao redor, nervosas, inclusive eu.

  – Estão todos aqui porque vimos algo em vocês que merecia ser desenvolvido, não paparicado ou mimado. Se pensam que esta aula vai ser fácil por poderem dizer algumas frases com um mínimo de emoção, pensem de novo. É aqui que vocês vão descobrir exatamente onde suas fraquezas estão. Vou despi-los até o osso e então recompor, camada por camada. Se soa doloroso, é porque vai ser. Mas, no final, vocês vão conhecer cada pessoa nesta sala melhor do que a sua própria família. E, acima de tudo, vão se conhecer de verdade.

Ela diz isso e olha para mim. Tenho uma vontade repentina e irracional de correr da sala e nunca mais voltar.

  – Certo. Todo mundo de pé. É hora de conhecer uns aos outros.

Ela nos coloca em duas filas.

  – As regras são simples. A fila perto da janela faz a seu parceiro uma pergunta, e o parceiro deve responder honestamente. Então, vocês trocam. Vão continuar o padrão até o tempo acabar e no devido tempo, e não estou falando sobre nome, idade e cor favorita. No final deste exercício, vocês devem ser capazes de me dizer um fato interessante sobre cada um nesta sala. O tempo começa agora.

Eu me viro para a pessoa à minha frente. É Mariska. Ela tem um cabelo preto liso escorrido caindo ao redor do rosto. Seus olhos igualmente negros. Olha para mim em expectativa.

Ah, certo. Devo fazer uma pergunta. É difícil pensar em algo. Ela é meio intimidante.

  – Hum... o que faz para se divertir?

  – Eu me corto. Você?

  – Hum... leio. Por que se corta?

  – Curto dor. Porque lê?

  – Eu... hum... curto palavras.

Nos próximos dois minutos e meio falamos sobre livros e filmes, mas ainda estou parado no “eu me corto por diversão”. Quando o tempo acaba, fico feliz em seguir para a próxima pessoa.

O ciclo continua, e aprendo um monte de coisas interessantes sobre meus novos colegas. Miranda descobriu que sou gay e acha que tem belos seios. Não tem.  Lucas foi preso por roubo à mão armada quando tinha dezesseis anos porque era viciado em crack, mas agora está livre das drogas pesadas e só fuma maconha. Uma menina alta de pele escura chamada Aiyah imigrou para os Estados Unidos com a família quando tinha doze anos, depois que seus avós e dois tios foram massacrados em sua vila na Argélia. Zoe conheceu Robert De Niro, e está certa de que ele a paquerou. O ego dela é realmente gigantesco. E Connor tem dois irmãos mais velhos no exército que sabem que ele é gay. Só eles sabem. E metem porrada nele em todas as reuniões de família, depois arrumam desculpas para como ele arrumou os hematomas e cortes pelo corpo.

Eu me sinto um idiota. Um inútil sem sal desperdiçando espaço.

Deus, sou patético.

Quando fico na frente de Jared, minha mente começa a pulsar com meu novo complexo de inferioridade aguçado. Levanto o olhar e ele está franzindo a testa. Talvez a cabeça dele também doa.

  – Sua cabeça dói? – pergunto suspirando.

  – Não. A sua dói?

  – Sim. Por que ao seu lado eu pareço não ter nenhum filtro verbal?

  – Não faço ideia. Mas sinta-se livre para corrigir isso. Está surtando porque comparado à maioria dessas pessoas você parece um mimado resmungão?

  – Hum... sim. É exatamente como me sinto, e valeu por ter colocado a coisa toda de forma tão clara. É tão óbvio assim?

Ele dá um sorrisinho.

  – Não. Mas é como me sinto. Só esperava que mais alguém também se sentisse assim.

Por um momento estamos unidos na nossa bizarra normalidade. Nossa notável falta de significado.

  – Então, nenhum segredo obscuro para dividir comigo? – ele pergunta.

  – Não. Tirando o fato de que meus pais me pegaram beijando um garoto atrás da nossa casa quando eu tinha doze anos, sou completamente sem graça. Não notou? E você, é hétero ou o que? – pergunto, corando logo em seguida.

Ele semicerra os olhos.

  – Gosto de aproveitar o prazer, seja ele com garotas ou garotos. – ele rebate e eu coro mais ainda. – Não, não notei. Mas percebi uma coisa considerável em você.

Levanto uma sobrancelha.

  – Sério? E o que seria?

Ele pega minha mão e junta nossas palmas enquanto alinha nossos dedos.

O mesmo calor que dividimos nos testes se espalha, e por um momento acho que ele vai dizer algo sobre a nossa conexão incrível. Em vez disso, ele diz:

  – Você tem mãos femininas.

Como?

  – Não tenho mão feminina!

  – Tem, tem sim. Notei quando fizemos o exercício do espelho. Olhe para elas.

Eu examino nossas mãos pressionadas uma contra a outra. Seus dedos são gigantescamente maiores que os meus. Ele é mais alto, e suas mãos são naturalmente maiores. Mas mesmo assim, as minhas são pequenas, comparadas as dele ou qualquer outro garoto.

  – Bem, obrigado por mostrar isso. Agora vou ficar ultradesconfortável com minhas mãos femininas.

  – Não fique. Alguns caras podem achar sexy. – ele ri.

  – Cala a boca!

  – Tá. Não vou mais falar disso. E vou tentar não ficar olhando. Mas não prometo. Elas são desproporcionais ao seu corpo, são quase como satélites atraindo a sua atenção.

Ele se acha engraçadinho, mas não é.

  – Por que me odeia tanto? – pergunto.

Ele olha para mim por um momento, piscando aqueles olhos loucamente lindos.

  – Não te odeio. Por que acha isso?

  – Ah, não sei. Talvez porque quando você não está empenhado em me irritar, você ou me ignora ou me olha feio. E nos testes você disse que não seríamos amigos. Por que diria isso?

Ele suspira e ajeita o cabelo para trás. Notei que ele faz isso com frequência.

­  – Porque não seremos. Por que, quer ser meu amigo?

  – Não especificamente, o que é muito estranho, porque de modo geral estou desesperado para ser amigo de todo mundo.

  – Já notei.

  – O que isso quer dizer?

Ele acena, displicente. E concluo que esse gesto poderia me dar liberdade para soca-lo no estômago.

  – Nada. Deixa pra lá. É hora de quem fazer a pergunta?

  – Acho que é minha vez. – ele me ignora.

  – Então, está saindo com aquele Connor?

A pergunta me pega de surpresa.

  – O quê?

  – É uma pergunta bem simples. Está saindo com ele?

  – Saindo tipo... – eu digo.

  – Ai, Jesus, Ross... saindo tipo namorando com ele. Vendo ele pelado. Trepando com ele.

  – Quê?! – fico tão bravo que mal consigo respirar.

  – O ponto do exercício é responder à pergunta. – ele lembra calmamente. – Seja honesto, por favor.

  – Não é da sua conta!

Ele se inclina e abaixa a voz para um sussurro.

  – Preciso chamar Erika aqui e dizer que você não está completando o exercício que ela pediu? Ela quer que a gente compartilhe, lembra?

A ideia de Erika pensando mal de mim me faz querer vomitar. Em cima dele.

  – Você é um babaca.

  – E você está sendo evasivo. Responda à pergunta.

  – Por que se importa se eu namoro com ele?

  – Não me importo. Só estou curioso. Vocês dois pareciam bem amiguinhos mais cedo. Na verdade, parecia que ele ia te agarrar na frente da turma toda.

  – Deus, você é nojento.

  – Apenas responda à pergunta.

  – Não!

­  – “Não”, você não está namorando ele, ou “não”, você não vai responder à pergunta?

  – Ambos.

  – Bem, isso é impossível. Se é “não” para a primeira, você está automaticamente dizendo “sim” para a segunda.

  – Pare de falar.

  – Então sua resposta para minha pergunta original é “não” ou não?

  – Não, minha resposta não é “não”.

  – Não?

  – Não!

Droga, agora estou confuso para o que exatamente estou dizendo “não”.

Sinto meu pescoço todo ficando vermelho. Quase quero rir da suposição dele de que eu poderia estar “namorando” alguém, quanto mais alguém tão charmoso e bonito quanto Connor.

Abro a boca para dizer a ele que estou cavalgando em Connor, mas o olhar dele me faz parar. Entre a rigidez e o olhar de pedra, há algo frágil lá, e não posso mentir.

Olho para baixo e digo:

  – Não estou saindo com ele.

Sua testa não está mais franzida.

  – Bom. Fique longe dele. Não gosto de como ele olha para você.

  – Talvez eu goste da maneira como ele olha para mim. – eu digo, levantando o queixo. – E se eu decidir namorar ele, certamente não precisarei da sua permissão. Você não é meu irmão mais velho, não é meu pai, e já deixou bem claro que não quer ser meu amigo, então me desculpe não submeter minhas escolhas de namorado a você. Connor é um cara legal. Poderia ser pior.

A raiva se acende na expressão dele, mas ele se recompõe rápido.

  – Ótimo. Por mim, pode namorar a escola toda.

  – Talvez eu namore.

Ele suspira, mas entes de poder dizer mais alguma coisa Erika grita para seguirmos para a próxima pessoa. E ele se vai.

Quebro brigar mais um pouco com ele, mas Phoebe está na minha frente, e a única coisa de que ela quer falar é Jared. Quanto ele é lindo. Como ele é alto. Como ela quer “sair” com ele.

Eu a odeio imediatamente.

Depois da aula, todo mundo fica por lá conversando, e mesmo estando do outro lado da sala posso sentir Jared olhando para mim.

Ninguém nunca me atiçou tanto e tão intensamente antes. Se é para ser honesto por completo, meio que gosto dessa faísca.

Lanço-lhe um olhar para me certificar de que ele ainda está olhando antes de agarrar o braço de Connor, e fazer a minha melhor imitação de Zoe paquerando, enquanto peço para que ele me acompanhe até a próxima aula.

Jared não fala comigo pelo resto da semana.

Continua...


Notas Finais


Eaí, gostaram? Não sei exatamente onde essa história vai nos levar, mas sei que tô dando o meu melhor nela.
Comentem o que acharam, e não esqueçam de favoritar, ajuda para um excelentíssimo senhor caralho, e comentar tbm ^^
Até amn (provavelmente, mas não garanto nada) ^^


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