História Starcrossed – Padackles - Capítulo 5


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Categorias Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins
Personagens Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins, Personagens Originais
Tags Drama, Jared Padalecki, Jensen Ackles, Lemon, Misha Collins, Padackles, Romance, Starcrossed
Exibições 138
Palavras 4.550
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Depois de um final de semana corrido, aqui tá o capitulo novo u.u
Ia postar só amn, mas terminei ele hoje à tarde e acabei de terminar de betar.
Se acharem algum erro, falem pra mim nos comentários que eu arrumo o mais rápido possível ^^
Boa leitura e até as notas finais

Capítulo 5 - Desejos de aniversário


CAPITULO CINCO – DESEJOS DE ANIVERSÁRIO

 

Westchester, Nova York

Diário de Jensen Ross

Quarta semana de aula

 

Querido diário, eu estive pensando... acho que devo te dar um nome. Afinal, é para você que eu conto tudo. Merece um nome. Só não sei qual. Roger talvez.

Hoje é meu aniversário.

Parabéns para mim.

É. Dezenove anos tentando ser tudo para todos e terminando sem ser nada para mim mesmo. Como essa droga foi acontecer?

Não sei se estou deprimido porque sinto que deveria ter conquistado mais na minha vida até agora, ou porque sou um virgem de dezenove anos que precisa desesperadamente de sexo.

Estou bem certo de que é a segunda coisa.

Na maioria das noites eu toco meu corpo, fingindo que não são minhas mãos enquanto busco prazer. Mas quando ele vem, não sinto como se ele fosse o real prazer. Não sei o que é. Mas toda noite, depois que gozo, não sinto como acho que deveria me sentir. Saciado.

Claro que com a recente liberdade para ver pornografia na internet tem ajudado – com a qual fiquei obcecado –, mas eu não me sinto completo.

Eu quero tanto poder tocar um pênis que não seja meu. Cas não deixava eu fazer isso com ele. Ele era muito banana mesmo.

Acho que são incríveis. Deve ser por isso que os homens são obcecados por seus corpos. Mas eu não quero o meu.

Talvez Jared me deixe tocar o dele. Aposto que ele tem um belo pau. Aposto que é enorme. Bom, eu o senti. É realmente enorme. Aposto que se colocar o dele em uma competição, ele vai ganhar por “Melhor em Exibição”, e ia poder andar com uma fita gigante cobrindo o enorme volume no seu jeans.

Se eu pedir com jeitinho, me pergunto se ele usaria seu lindo pau para acabar com a minha virgindade incomoda.

Estou prestes a apostar que sou o único virgem na turma. Eu tinha esperança que Michell Tye ainda tivesse na irmandade dos “V”, mas ele apareceu na aula outro dia se vangloriando sobre como ele finalmente encontrou outro dia com um cara com quem vinha fazendo sexo virtual e eles se mataram de transar no final de semana. Ele cochichou para mim que gozou quatro vezes. Quatro?

Deus, é muita ganância.

Fiquei alguns dias sem falar com ele. Minha bunda invejosa me proibiu.

Juro que eu estou tão desesperado que às vezes penso que vou agarrar o próximo cara que vier até mim, arrancar suas roupas e abusar dele lá mesmo. Que vou...

  – Ei, Ross. Escrevendo um livro?

Fecho o diário e minhas pernas com o mesmo pânico. Quando levanto o olhar, Jared está me encarando com seu sorrisinho marca registrada.

  – O que você quer? – enfio o diário no fundo da minha mochila. Com muito esforço me impeço de espiar seu volume na parte da frente, e tento controlar o meu próprio. Em vão.

Ele parece observar de canto o volume do meu jeans.

  – O que há de errado com você, garoto? Está doente?

Ele coloca os dedos na minha testa. Só consigo pensar nesses dedos tocando meu pau. E descendo mais para baixo. Sim, estou doente. Extremamente pervertido e sexualmente desamparado.

  – Estou bem. – respondo, e fico de pé para me afastar dele. Acabo me desequilibrando e oscilo em direção ao chão. Então os braços dele estão em volta de mim, e meu corpo depravado e no cio está contra o dele, e estou tentando desesperadamente não montar em suas coxas.

  – Merda, você não consegue nem ficar em pé hoje. – ele grunhe. – Que diabos!

Tenho um momento para saborear como os braços dele ficam sob minhas mãos antes de ele me empurrar para longe e fazer aquela coisa de soltar e arrumar o cabelo.

Preciso me afastar dele, porque se não me afastar, juro que vou derrubá-lo no chão e montar no seu maravilhoso e vencedor de prêmios pau.

Eu me viro e me afasto.

  – Para onde você está indo? – ele me chama.

  – Para outro lugar.

  – Ross, a apresentação de Benzo Ra começa logo mais. No teatro. Que é na direção oposta à que você está indo.

Paro na hora. Na minha obsessão por sexo, esqueci da mundialmente famosa trupe visitando nossa escola para se apresentarem.

Dou meia volta e passo por ele.

  – Já sabia disso.

Ele caminha do meu lado. Acelero para deixá-lo para trás, mas não tem como vencer as pernas estupidamente grandes dele.

  – Você vai fazer o teste para Dean semana que vem?

Eu caçoo e balanço a cabeça.

  – Não.

  – Por que não?

  – Porque não tem como eu ganhar o papel principal. Provavelmente vou terminar fazendo o “terceiro convidado da festa à esquerda” e passar o espetáculo todo fazendo palavras cruzadas no camarim.

Ele para e me encara.

  – Por que diabos não vai fazer o teste?

  – Porque posso me sair mal.

  – Por que vai se sair mal?

  – Porque sim. Olha para a nossa turma, todo mundo, e falo sério, todo mundo tem noção do que diabos está fazendo. Quase todos vocês tiveram algum tipo de experiência profissional e treinamento, enquanto eu não tive nada. Sinto como se vocês todos dirigissem carros esportivos e eu ainda estivesse com a minha bicicletinha com rodinhas de criança.

Ele fecha a cara.

  – Isso é ridículo.

  – É? Tristan, eles nem tinham um curso de teatro no meu colégio. Fiz algumas aulas particulares de interpretação com um cara cuja maior conquista foi ter sido um figurante em The Bold and Beautiful. E no outro dia, quando entrei numa conversa com Zoe e Robin sobre Stanislavsky, juro por Deus, eu disse: “Ah, uau, adoro ele. Acho que o vi jogar nas finais da us Open”.

Ele olha para mim por alguns segundos, sem piscar, seus olhos irritantemente indecifráveis.

  – Ah, ei, é um erro fácil de se cometer. O nome do pai da caracterização moderna soa, sim, como o de um jogador de tênis.

Ele mantém a compostura por um grande total de três segundos antes de seu rosto se abrir e ele se dobrar de tanto rir.

  – Eu te odeio. – e saio.

  – Ah, Ross, deixa disso. – ele me chama, vindo atrás de mim.

  – Eu te digo que estou me sentindo inseguro e inferior e é assim que você reage? Vê, é por isso que a gente não é amigo.

  – Não pude evitar.

  – Eu sei. Aparentemente minha ignorância é hilária.

Ele agarra meu braço e me para. Sua risada some.

  – Jensen, você não é ignorante. Acha sinceramente que um diretor de elenco vai se importar se você sabe quem é Stanislavsky quando você fizer o teste?

  – Não sei. Nunca fiz um teste com um diretor de elenco, porque tenho zero experiência.

  – Mas já fez peças...

  – Estive no coro de dois musicais no qual o único pré-requisito do teste era aparecer. Dificilmente eu creditaria isso à minha técnica estelar.

  – Bem, você entrou nesse lugar, pelo amor de Deus. – ele diz, apontando ao redor. – Entre milhares de pessoas eles aceitaram você, e não foi por causa dos vários testes de elenco que fez ou de quantas peças cafonas ou filmes baratos de que tenha participado. Eles o aceitaram porque você tem um puta talento, tá? Pare de ser tão inseguro e faça por merecer.

Olho para ele.

  – Você acha que... sou talentoso?

Ele suspira.

  – Jesus, Ross, sim. Muito talentoso. Você tem tanta chance quanto qualquer um de conseguir o papel principal. Talvez mais porque você tem um tipo de vulnerabilidade intensa quando atua. É... meio impressionante.

Por um momento, a forma como ele olha para mim é quase afetuosa. Então ele pigarreia e diz:

  – Você seria louco de não fazer o teste para Dean. Você seria perfeito.

A frase “você seria perfeito” vibra na minha cabeça como um doce eco sexy.

  – Bem, talvez eu tente. – estou praticamente flutuando. – Mesmo no meu pior dia sou melhor que do o Robin.

Ele ri.

  – Isso é verdade.

  – Então, e quanto a você? – pergunto, andando lentamente quando ele vem caminhar ao meu lado. – Vai fazer teste para Sam?

Ele balança a cabeça.

  – Sem chance. Eu teria que tirar as bolas para interpretar aquele bichinha.

  – Ei, olha como fala. Eu li o roteiro e ele é o cara mas romântico que eu já vi.

  – Ele não é um romântico, Ross, é um babaca frouxo e volúvel que confunde amor com tesão e se mata por um cara que ele acabou de conhecer. É bem parecido com Romeu e Julieta, cuja minha opinião sobre Romeu é a mesma. Na verdade, é basicamente um Romeu e Julieta dos tempos modernos. Só que ao invés das famílias se odiarem, eles não podem ficar juntos porque as famílias não aceitam que são gays.

  – Pegou pesado! – estou rindo. – Você não acredita que ele amava o Dean?

  – Porra, não. Ele foi largado pelo cara número um: Gabriel. Ele cai sobre ele como um moleque que perdeu o cachorrinho. Daí, por uma série de acontecimentos improváveis, ele encontra o cara número dois: Dean. Ele imediatamente se esquece do cara número um e fica tão pateticamente desesperado em trepar com o cara número dois que propõe fugir com ele horas depois de conhecê-lo. Menos, né?! A bunda dele podia oferecer massagem shiatsu e assoviar o hino nacional, que ainda assim não valeria a pena fugir só para poder experimentar.

Eu balanço a cabeça para o monte de cinismo em forma humana que caminha ao meu lado.

  – Então não acha que possa haver a mínima possibilidade de ele ter se apaixonado por ele à primeira vista?

  – Amor à primeira vista é um mito inventado por autores de livros românticos e Hollywood. É baboseira.

  – Minha nossa, como você acabou tão azedo?

  – Eu não sou azedo. Só realista.

  – Claro que é.

Ele para e se vira para mim. Seu rosto está sóbrio e sério.

  – Pense assim: imagina que você viu um cara legal. Você tem uma poderosa reação imediata em relação a ele. Você o ama?

Não estou certo se estou totalmente confortável com essa linha de pensamento.

  – Bem... eu... hum...

  – Tá. Vamos inverter. Vejo um cara. Por alguma razão olhar para ele é tipo... Deus, sei lá. Como encontrar algo precioso que nunca pensei ter perdido. Sinto algo por ele. Algo primitivo. Está tentando me dizer que isso é amor? Não tesão?

  – Não. Esse cara hipotético é gostoso?

  – Porra, sim. Gostoso de uma forma que nunca achei que gostoso pudesse ser. Só de olhar para ele já fico excitado. É irritante pra caralho.

Tá. Essa conversa deu uma virada seriamente estimulante. Bem o que eu precisava hoje.

  – Eu... bem...

  – Vai, Ross. Estou apaixonado?

Eu olho para o volume do jeans dele.

  – Bem... hum... não sei. É duro. – nossa, disse isso olhando para o pinto dele. –... é duro dizer. Quero dizer... hum... uau.

  – Claro que não estou apaixonado. É uma reação química bizarra que vai passar. Não vou pedir ele em casamento só para transar com ele.

Minha mente vai para situações bem pornográficas.

  – Ross! – ele estala os dedos na frente do meu rosto. – Foco.

  – Então... hum... acha que uma forte reação por alguém é puramente física?

  – Sim. Depois de um tempo, Dean provavelmente teria destruído ele trepando com a porra do Castiel.

Ele fala bem sério. É engraçado e trágico ao mesmo tempo.

  – Pense nisso, Ross. – ele diz enquanto se inclina para a frente. – Se achava que ele amava Gabriel e ele acabou com Sam, por que ele não morreria de medo de Dean, considerando que a conexão com ele é cem vezes mais forte?

Eu levanto as sobrancelhas.

  – Talvez Sam seja corajoso o suficiente para pensar que ele vale o risco.

  – É, e talvez ele esteja apenas com tesão e seja idiota.

  – O argumento romântico seria não negar a... conexão... o amor... como quiser chamar, entre eles para que não fiquem de almas vazias. Não é esse o sentido da vida? Encontrar aquela pessoa no mundo que é seu par perfeito?

  – Na verdade, Ross, o sentido da vida é não morrer. Sam e Dean fracassaram nessa parte, assim como Romeu e Julieta.

  – O que você está me dizendo é que se você fosse Romeu ou Sam você teria se afastado de Julieta ou Dean?

  – Sim. – ele responde sem nem pensar.

  – Hummm.

  – O que isso quer dizer?

  – Nada. É um som contemplativo.

  – Está contemplando o quê?

Eu estreito os olhos enquanto bato no queixo com o dedo.

  – Humm...

Ele suspira e me olha feio.

  – Não me venha com essa de “hummm”, Ross, tá? Não preciso dos seus sonzinhos condescendentes.

  – Hummm.

  – Puta merda. – ele olha para o pulso e diz. – Uau, olha a hora. Precisamos ir. A performance vai começar logo.

Certo. Benzo Ra.

Ele sai caminhando e eu o sigo.

  – Hum... Tristan? Você sabe que não está usando relógio, certo?

  – É, eu sei.

  – Só para confirmar.

***

Quando Jared e eu saímos do teatro, meia hora depois, mal passamos pela porta antes de morrer de rir, soltando toda a crítica que foi crescendo durante a apresentação.

  – Aí cara – Jared começa a se acalmar. –, foi a coisa mais engraçada que vi desde que Keanu Reeves fez Muito barulho por nada.

Limpo minhas lágrimas enquanto andamos para a próxima sala.

  – Sério. – suspiro. – É uma companhia de teatro profissional. Esse pode ser o nosso futuro.

Ele ri e grunhe ao mesmo tempo.

  – Seria a tortura definitiva. Esses caras não podem nem se considerar atores, podem? Com certeza os currículos deles dizem: “Babaca pretencioso profissional”.

Continuamos rindo enquanto seguimos para a aula de interpretação. Erika já está lá, sentada em sua mesa.

  – Então, essa foi uma das mais respeitadas trupes de teatro avant-guarde do mundo, senhoras e senhores. O que acharam?

A turma empolgadamente diz suas opiniões. Frases como “Ai, meu Deus, foi incrível!” e “Tão único! Poderoso de verdade!” e “A peça mais chocante que já vi!” flutuam pela sala, jorrando e se sobrepondo.

Estou boquiaberto. Eles amaram. Todos amaram. Viram a mesma coleção de cenas vergonhosamente obtusas que eu, e chegaram a uma conclusão completamente diferente. Deus, sou um idiota sem cultura.

  – O uso de movimento estilizado deles é tão preciso. – Zoe comenta, empolgada. – Foi incrível.

Ao meu lado, Jared bufa e Erika se vira para ele.

  – Sr. Padalecki? Tem algo a dizer?

  – Nada de bom. – ele responde e levanta o queixo, desafiador. – Foi a pior merda que já vi.

Erika vira a cabeça.

  – Sério? E por que achou isso?

  – Porque sim. – ele está meio exasperado. – Deveria existir uma diferença entre ruídos e movimentos aleatórios e teatro. Mesmo o tipo experimental de teatro deve representar ideias e emoções. Não devia ser um bando de idiotas caminhando ao redor do palco como se eles tivessem um pau metido no cu.

  – Não acha que a apresentação atingiu uma comunicação em nível emocional?

Ele ri.

  – Não, a não ser que eles estivessem tentando comunicar que eram grandes imbecis.

Zoe revira os olhos e há murmúrios de desaprovação dos outros membros da classe.

Jared olha para eles com desdém.

  – Não acredito que vocês não acharam uma merda. Viram uma apresentação completamente diferente? Ou estavam tão cegos pela “reputação” deles porque vocês são umas porras de maria-vai-com-as-outras?

Escuto vários murmúrios de “vai se foder, Jared”, até que Erika pede silêncio e se vira para mim.

Meu estômago revira. Não, não, não por favor, não me pergunte.

  – Sr. Ackles? Ainda não ouvi sua opinião. O que achou?

Ai, Deus. Jared está olhando para mim. Não quero parecer ignorante. Quero ser aceito e dizer a coisa certa.

  – Bem...

  – Vamos, Ross. – Jared incentiva. – Diz o que você acha.

  – Foi...

Estão todos me olhado. Ele. Eles. Erika.

  – Achei que foi... – tantas expectativas. Minha cabeça dói.

  – Sim, Sr. Ackles?

O olhar de Jared é penetrante.

  – Não é uma pergunta difícil. Apenas dê sua opinião.

Não importa o que eu diga, estou ferrado.

  – Achei incrível. – por fim digo em voz baixa. – Realmente incrível. Adorei.

O silêncio é quebrado enquanto todos murmuram sons de aprovação.

Todos menos ele.

Quase posso ver a cara de raiva de Jared passando como uma corrente no ar.

  – Bem, é muito interessante. – Erika comenta. – Parece que vocês todos têm a mesma opinião sobre isso, exceto sr. Padalecki, e preciso concordar com ele.

As pessoas perdem o ar, surpresas.

Eu me sinto um merda.

Errado novamente. Claro.

  – Só porque alguém tem uma reputação de excelência, não significa que vocês devam ver tudo o que ele fez como tacitamente bom. Mesmo os melhores atores do mundo já tiveram desempenhos terríveis.

Erika cruza os braços sobre o peito.

  – Já vi Benzo Ra atuando muitas vezes no decorrer dos anos, e posso dizer que essa apresentação foi decepcionante ao extremo. Foi uma apresentação teatral sem imaginação que, na minha opinião, perdeu a plateia ao em vez de puxá-la para a experiência.

Ela continua falando, mas estou em outra. Eu me sinto enjoado.

Depois de termos batido de frente há semanas, Jared e eu começamos a nos dar bem. Então, eu o jogo aos lobos porque queria que as pessoas gostassem de mim.

  – Então, senhoras e senhores – Erika ainda está falando. –, sua tarefa hoje é escrever um texto de mil palavras analisando a apresentação de Benzo Ra e por que você gostou ou não, citando referências a outros profissionais do teatro experimental. Estou ansiosa em ler suas reflexões.

Ela nos dispensa e antes que eu possa pensar em desculpas Jared está saindo da sala. Eu fico em pé para segui-lo, mas ele é rápido demais para e alcançá-lo.

  – Tristan. – ele me ignora. – Tristan, para.

Ele continua andando. Eu vou para frente dele e coloco minha mão em seu peito para pará-lo. Seu rosto está revoltado.

  – Quê?

  – Você sabe o quê.

  – Ah, aquilo de você me ferrar completamente? É, sei o que é. Tira a porra da mão de mim.

Ele caminha ao meu redor e continua andando enquanto eu caminho atrás dele.

  – Desculpa! Eu não sabia o que dizer. Achei que tinha problemas porque não havia entendido. Todos acharam ótimo. Eu não queria parecer que era ignorante por ter a opinião errada.

Ele para e se vira para mim.

  – Então você acha que sou muito ignorante para ter a opinião certa?

A expressão dele é tão intensa que é quase assustadora.

  – Não! Nossa, você disse exatamente o que pensava. E eu devia ter feito a mesma coisa. Eu só...

  – Pura merda, Ross. – ele diz, jogando as mãos para o alto. – Uma opinião não é certa ou errada. É sua interpretação de um assunto ou situação. Não dá para ser errada, porra!

  – Então, se eu olhar para o céu e tiver a opinião de que as nuvens são rosa, estou certo?

  – Sim! Porque é uma opinião, não um fato, e talvez para você as nuvens sejam rosa porque você provavelmente é maluco. Uma opinião não precisa ser verdade para mais ninguém no mundo além de você. Para de tentar agradar a porra de todo mundo e diga o que pensa.

Sinto como se ele tivesse me dado um soco.

  – E sabe o que me deixa mais puto? – ele pergunta, apontando o dedo para mim. – Sempre que você está comigo, você é a pessoa com mais opinião na porra do mundo, e me inferniza toda hora com essa opinião, queira eu escutá-la ou não. Mas, no momento em que fica perto daqueles babacas da nossa turma, você tem zero de atitude. É tão paranoico em ser aceito que vira um carneirinho, que fica seguindo o rebanho. Dá vontade de te dar um soco, porque você esquece de tudo o que o faz legal e divertido... Jensen, você se torna um tipo de robô que quer agradar a todos e tenta ser a merda que todo mundo espera que seja em vez de ser você mesmo.

Ele está tão irritado que está ofegante. Não tenho nada a dizer, ele falou tudo. Ninguém nunca me conheceu o bastante para apontar meus defeitos. E acho que ele estar tão chateado significa que ele de fato... se importa.

  – Você está certo. – múrmuro.

  – É, estou. Então me deixa, porra.

Eu arrasto os pés enquanto o pátio começa a se esvaziar de gente.

  – E aí, o que vai fazer agora?

  – Acho que vou para casa escrever mil palavras sobre teatro experimental. – ele responde enquanto joga a mochila no ombro.

  – É... você podia vir para minha casa para escrever o trabalho. Eu podia pegar seu cérebro emprestado, para eu não terminar soando como um idiota.

Ele pensa nisso por alguns segundos. Julgando pela expressão do rosto, ele está tomando uma decisão de vida ou morte.

  – Minha nossa, Jared, não estou te pedindo em casamento. Só achei você poderia me ajudar.

  – Tá. – ele responde, relutante. – Mas você me deve um almoço.

  – Posso fazer isso. – tirando as comidas pré-preparadas enchendo meu congelador, a única coisa que tenho são salgadinhos. Minha mãe ficaria envergonhada.

Nós desviamos para a biblioteca e pegamos alguns livros que podem ser úteis. Então seguimos de volta para o meu apartamento.

Entro no quarto e jogo minha mochila na cama antes de vê-lo parado na porta.

  – Que diabos! – estou rindo. – Você é tipo aqueles vampiros da tv? Precisa ser convidado para poder entrar?

Ele balança a cabeça e entra no quarto.

  – Não, é só estranho estar aqui quando você não está nem vomitando nem desmaiado.

  – Tenho “vômito e desmaio” marcado para às nove. Fica. Vai ser divertido.

Estou prestes a pegar os livros quando o telefone toca. Tiro o aparelho do bolso e vejo o número da minha mãe.

  –Volto num segundo.

Vou para a sala, pois sei por que ela está ligando.

  – Oi, mãe.

  – Querido! Feliz aniversário!

Coloco a mão sobre o microfone e olho por cima do ombro.

  – Valeu, mãe.

  – Ah, docinho, eu queria estar aí com você. E está se divertindo? O que vai fazer de noite?

  – Hum, nada demais. Estudar.

Jared coloca a cabeça para fora do quarto e diz:

  – Ross, onde estão os livros da biblioteca? Vou começar a pesquisa.

Minha mãe está falando, mas eu cubro o telefone e sussurro.

  – Na minha mochila, na cama.

Ele assente e desaparece. Minha mãe para.

  – Quem foi esse?

  – Só um menino da minha turma. Estamos estudando juntos.

Há um momento de silêncio antes de ela dizer:

  – Está sozinho com um garoto no apartamento?

Ai, senhor. Lá vamos nós. Ela sabe que sou gay, mas meio que não aceita completamente. Só finge que sim.

  – Mãe, não é o que você está pensando. Estamos estudando.

Então, Jared grita:

  – Jesus, Ross, sua cama é desconfortável pra caralho! Como você dorme nesse troço? Ou é essa a questão? Você não quer que os caras tentem cochilar quando já fez tudo com que queria com eles?

Eu me contorço e minha mãe perde o ar.

  – Mãe...

  – Jensen! Eu não te criei para saltar na cama com o primeiro cara que encontra.

  – Nós somos... amigos. – meio que. – Não é assim. Sério.

  – Por que eu não acredito em você?

  – Corre, Ross! Acho que sua cama deslocou minhas costas. Não consigo levantar.

Vou matar esse menino!

Minha mãe entra num surto tagarelando sobre quantos estupros acontecem em campus de faculdade, e quão irresponsável estou sendo, e que é isso que dá quando ela não está por perto para me supervisionar. Geralmente, deixo ela falar tudo, para manter a paz, mas tenho um certo Jaredzinho na minha cola fazendo com que eu me defenda.

  – Mãe, pode parar. Eu ter ou não um homem aqui não é da sua conta.  Sou adulto agora e não preciso da sua aprovação em cada decisão. Eu te amo, mas tem um homem bem bonito na minha cama e preciso ir.

Ela fica em silêncio por alguns segundos, e morro de medo que da ideia de ter provocado um ataque cardíaco nela.

– Mãe?

Há mais silencio. Visualizo minha mão deitada com os olhos vidrados na sala, o telefone ainda agarrado em sua mão.

  – Mãe?!

  – Bonito quanto? – ela finalmente pergunta.

Eu suspiro.

  – Você não faz ideia.

Ela ri. É falso, mas pelo menos ela está tentando.

  – Cuidado com esses bonitões, querido. Vão partir seu coração.

  – Mãe, o papai é bonitão.

Ela faz uma pausa.

  – Sim, bem, seu pai te manda um beijo. Ele te liga mais tarde quando voltar do trabalho.

  – Valeu, mãe.

Sinto uma pontada de saudade de casa. Apesar de reclamar deles, tenho saudade de verdade dos meus pais. Eu me despeço e sinto um baita orgulho por falar o que eu penso. Nunca enfrentei minha mãe antes, e passei por isso em chorar ou matá-la. Talvez Tristan esteja provocando alguma mudança, afinal.

Sorrio enquanto caminho de volta para o quarto. Ele está sentado no canto da cama, debruçado sobre um livro, passando os dedos no cabelo.

 – Uau, parece uma leitura empolgante.

Ele salta, surpreso.

– Ross... eu não queria. Estava na sua mochila. Um dos outros livros o deixou aberto e eu vi meu nome e...

Uma onda de terror parra por mim quando me dou conta do que está na mão dele. Engulo a vergonha e a náusea enquanto meu rosto queima.

– Quanto você leu?

– O suficiente.

– Tudo que escrevi hoje?

– Sim. – ele faz uma pausa. – É seu aniversário?

Vou ficar enjoado. Ele leu tudo. Eu surtando com minha virgindade. Sobre o tesão que sinto por ele. O quanto eu o quero e a seu pênis vencedor de prêmios.

Tudo.

– Jared, se disser “feliz aniversário” para mim agora eu vou acabar com a sua raça.

Cubro meu rosto e me recuso a chorar, mas ele não pode mais ficar aqui. Não posso ficar perto dele. Nunca mais. Talvez até além de nunca mais.

– Jensen... – ele diz. – O que você escreveu sobre mim? Não posso saber disso. Puta merda, não posso mesmo...

– Vá embora.

Eu o escuto suspirar, mas não olho para ele

– Jensen.

– Vai. Embora. Daqui. Agora.

Escuto um baque e vejo que ele jogou meu diário na cama. Ele vem e pega a mochila do chão atrás de mim. Quando seu corpo passa pelo meu, ele faz um ruído e se afasta. Abro os olhos e ele está bem na minha frente, estudando meu rosto. Sinto que, se ele não parar, minha pele vai mesmo explodir em chamas.

– Como é possível? – ele pergunta baixinho.

– O quê? – pressiono as costas na porta do armário enquanto ele se move à frente e continua a me encarar.

– Como é possível que você nunca... Nenhum homem nunca...?

Quero que ele termine a frase, mas ele só fica olhando para mim com uma expressão incrédula.

– É um puta crime você nunca ter sido beijado direito.

Olho para seu peito. Está subindo e descendo rápido. Como o eu.

Fecho os olhos.

– Então beija você. – escapa da minha boca antes que eu possa impedir, mas não retiro o que disse. – Me mostre como eu deveria ser beijado.

Abro os olhos e o vejo olhando para mim com tanta intensidade que perco o fôlego.

Ele se aproxima e eu me inclino de volta contra a porta enquanto seus dedos me apertam e me soltam.

Seu hálito é quente e doce. Eu abro os lábios.

– Você acha que depois de ler tudo aquilo há alguma chance de eu te dar a porra de um beijo? Não consigo nem ficar no mesmo quarto que você!

Quando abro os olhos. Ele colocou a mochila no ombro e está saindo pela porta.

Humilhação e vergonha tomam o espaço dos meus pulmões. Eu deslizo pela porta e cubro o rosto.

Só quando escuto a porta da frente bater é que consigo respirar novamente, e deixar as lágrimas rolarem pelo meu rosto livremente.

Continua...


Notas Finais


Eaí, o que acharam?
Jared tá bem cuzão nessa fic msm e.e
Comentem aí e valeu por lerem <3
Até amn (ou quarta).


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