História Starcrossed – Padackles - Capítulo 6


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Categorias Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins
Personagens Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins, Personagens Originais
Tags Drama, Jared Padalecki, Jensen Ackles, Lemon, Misha Collins, Padackles, Romance, Starcrossed
Exibições 156
Palavras 4.241
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


EÔÔÔÔÔÔ
Ó o capitulo
Ó o capitulo
Ó o capitulo novooooooo
Boa leitura personas, e até as notas finais.

Capítulo 6 - Elenco corajoso


CAPITULO SEIS – ELENCO CORAJOSO

 

Hoje

Nova York

Quarto dia de ensaio

 

O café está barulhento, mas eles têm wi-fi de graça. Um lugar perfeito para pegar o iPod e me perder durante o horário de almoço. Tenho escrito no meu diário na maioria dos dias. Principalmente porque Misha continua insistindo que vai me manter são dentro da loucura da minha situação atual. Como de costume, ele está certo.

Claro, nesses dias eu uso um diário online com uma senha criptografada e mais segura do que um comboio presidencial, mas não é bem o mesmo que escrever em papel de verdade. Todo dia, Megan e Jared pedem para eu me juntar a eles no almoço, mas não tem como.

Vou para o trabalho, faço meu serviço e tanto ficar o mais longe possível de Jared no tempo em que estamos fora do palco. Ele continua tentando me pegar para uma conversa, mas aprendi a me abaixar e driblar melhor do que um boxeador campeão do mundo.

Conversar não vai levar a nada além de um passeio pela Via das Lembranças Dolorosas. Nenhum de nós precisa disso.

  – Você está ficando magrelo demais. – Megan diz, sentando-se ao meu lado com seu próprio almoço. – Um cara não pode viver só de cafeína, certo?

    – Errado. – sorrio para ela. – Sou um exemplo notável.

    – Bem, sua diretora de palco acha que você está começando a parecer um boneco cabeçudo. Então, isso é por minha conta.

Uma salada Caesar gigante é colocada na minha frente.

Olhando para a salada, eu percebo o quão faminto estou.

  – Sim, senhora.

Enquanto guardo o tablet reparo em Jared do outro lado do café, sozinho numa mesa.

Droga. De todas as lanchonetes em todas as cidades do mundo, ele veio à minha. Isso deveria ser uma zona Jared-free.

Como se antecipasse minha próxima pergunta, Megan anuncia:

  – Vou almoçar com você porque estou cheia da companhia dele. Sempre que pergunto como as coisas estão indo entre vocês ele se fecha.

Dou de ombros e continuo comendo. Desisti há muito tempo de tentar descobrir as motivações de Jared.

  – Vocês mal trocam uma palavra nos ensaios. Você nem olha para ele, mas ele passa o tempo todo te olhando. Quer me dizer o que está rolando?

Dou uma olhadinha para Jared, que está em outro mundo, lendo e petiscando suas batatinhas.

  – Não está rolando nada. – respondo, tomando um gole da minha bebida. – Só estou trabalhando pesado.

Ela inclina a cabeça e me estuda por vários segundos.

  – Está transando com meu irmão?

Tusso e rio ao mesmo tempo. Um filete de coca escorre pelo meu queixo e cato um maço de guardanapos para limpar.

Jared parece alheio a conversa. Graças a Deus.

  – Claro que não. – cochicho.- Acha que eu tenho zero noção de autopreservação?

Quando ela se vai, eu solto um longo suspiro.

Tinha quase me esquecido do beijo. Bem, não tanto esquecido, quanto bloqueado. Como Misha pode atestar, meu talento para negação é impressionante.

Estou guardando as coisas quando sinto algo nas minhas costas. Não estou surpreso que meu corpo reaja antes de eu saber quem é.

  – Então, você conversa com minha irmã, mas não comigo? – ele comenta quando me viro para encará-lo.

  – É porque ainda gosto da sua irmã.

Ele está usando sua testa franzida marca registrada.

  – Vamos ter que conversar alguma hora, Ross.

  – Não vamos mesmo. – pego minhas coisas e passo por ele rumo à saída. Claro que ele me segue.

  – Você acha que conseguiremos fazer essa peça da forma como estamos agora? Que não vai afetar nosso desempenho?

Eu saio para a rua e os ruídos do trânsito me fazem falar mais alto.

  – Não vou deixar isso afetar meu desempenho. É o emprego dos meus sonhos. E, apesar de o universo foder comigo colocando você no elenco, vou fazer dar certo. – eu me viro para ele: - Se você não consegue, então faça um favor a nós dois e vá embora.

Ele se inclina, invadindo meu espaço pessoal de propósito só para ferrar comigo.

  – Jen, não se engane pensando que pode fazer justiça a esse papel contracenando com outra pessoa, porque sabemos que é bobagem.

  – Estou disposto a tentar. – dou a ele o meu sorriso mais doce.

Ele está prestas a protestar quando mais fãs aparecem.

Estão todas prontas para me empurrar para longe e chegar mais perto dele.

Elas podem ficar com ele.

Quando eu me afasto, ele chama meu nome.

Eu não paro.

 

Seis anos antes

Westchester, Nova York

Grove

Sexta semana de aula

 

Ele está me encarando.

Mantenho o foco em Erika e tento me concentrar. É difícil. O olhar dele me dá um arrepio elétrico que começa na minha nuca e se espalha pelo corpo todo.

Eu diria para ele parar com isso, mas isso seria reconhecer a existência dele e não há a menor chance disso acontecer num futuro próximo.

Desde que ele leu meu diário, uma semana atrás, o evitei a todo custo. Sempre que olho para ele, sou inundado por uma grande onda de humilhação, seguida rapidamente por uma raiva enorme. Achei que ele ia me beijar. Parecia que ia. Então ele foi embora, e não tenho ideia do que se passa na cabeça dele.

  – Sr. Ackles?

  – Me desculpe, o quê?

Erika está olhando para mim. Assim como todo mundo. Exceto ele. Oh, a ironia.

  – Eu te perguntei por que acha que nós viramos atores. – Erika repete. – O que nos leva a buscar essa profissão?

Tá, fique frio. Responda à questão corretamente. Não dê a ela simplesmente a resposta que você acha que ela quer ouvir.

  – Sr. Ackles, prometo que essa não é uma pegadinha. Por que acha que atuamos?

  – Bem – começo, respirando fundo e tentando ignorar os olhos em mim. –, acho que é uma forma de comunicar ideias e conceitos. Acho que somos como médiuns. Canalizando diferentes pessoas e personagens para dar vida ao trabalho dos outros.

  – Você não acha que é colaborador nesse trabalho? Que as escolhas do seu personagem acrescentam algo à visão original?

  – Bem, sim. Mas só se as minhas escolhas não forem uma droga.

As pessoas riem.

Jared bufa.

  – Sr. Padalecki? Suas reflexões.

Ele se inclina de volta em sua cadeira.

  – Somos atores porque queremos atenção. Ficamos por aí dizendo palavras de outras pessoas e tentando não estragar tudo.

Erika sorri.

  – Então você não acha que exista algo artístico no que faz?

Ele dá de ombros.

  – Não particularmente.

  – E quanto ao músico, interpretando a música de outro? Você o considera um artista?

  – Bem, sim...

  – E um artista visual? Um pintor que interpreta imagens através de suas pinceladas? É artístico?

  – Claro.

  – Mas atores, não.

  – Não exatamente. Somos papagaios, não somos? Aprendemos frases e as repetimos.

  – Então, se você não acha que interpretar é uma ocupação artística, por que interpreta, sr. Padalecki? Por que atua, se você é meramente um fantoche e não tem investimento pessoal no que está fazendo? Por que dedicar três anos de sua vida para aprender a fazer isso? Com certeza você pode encontrar algo pelo qual tenha mais paixão.

  – Eu não disse que não tenho paixão. Só acho que estamos nos iludindo se achamos que é difícil.

  – Talvez não seja difícil para você. Mas para a maioria subir no palco na frente de centenas ou milhares de pessoas seria impossível.

Ele ri.

  – Sr. Padalecki. – ela diz pacientemente. – Sabia que, numa pesquisa recente, quase noventa por cento dos participantes disseram que preferiam entrar num prédio em chamas a falar em público na frente de um grande grupo de pessoas?

  – Quê? Isso é ridículo.

  – Não quando você olha para os dez maiores medos das pessoas e “medo de falar em público” é o número dois. Outros itens da lista relevantes ao teatro são “medo de fracassar”, “medo de rejeição”, “medo de se comprometer” e “medo de intimidade”.

  – Coincidentemente – Jack intervém. –, são as razões exatas pelas quais Jared não namora.

Tristan olha feio para ele.

  – Correr para um prédio em chamas requer muito mais coragem do que ser rejeitado ou ter intimidade.

Erika o observa. Como uma aranha estuda uma mosca.

  – Mais coragem, você diz?

Ele concorda, sem perceber que está prestes a ser devorado.

  – Acho que é mais certo dizer que é um tipo diferente de coragem, e as escolhas que você faz decidem a profundidade dessa coragem.

Tristan não parece convencido. Erika o estuda novamente.

  – Humm.

Ele revira os olhos. Ele odeia esse som contemplativo.

Erika caminha para a frente da sala e escreve algumas palavras no quadro.

  – Sr. Padalecki? – ela o chama para que ele fique ao lado dela. Ele se levanta da cadeira e faz o que ela pede. – Você pode ler essas duas palavras no quadro?

  – “Me desculpe”.

  – Tá. Sou a dramaturga. Essas palavras são minhas. Qual é a minha intenção?

Tristan dá de ombros.

  – Me diga você.

  – Não, sr. Padalecki, não é meu trabalho. Como uma dramaturga meu trabalho é dar a você as palavras. Como ator, seu trabalho é interpretá-las. Então...

Ela indica que ele repita a frase.

Ele coloca a mão na orelha e finge que não a ouviu.

  – Me desculpe?

Ela assente.

  – Viu? Você fez uma escolha. Uma escolha bem segura e sem graça, mas mesmo assim foi uma escolha.

  – Mas não é sempre papel do ator fazer a escolha. – ele discute.

  – Verdade. – Erika concorda. – Diretores frequentemente pressionam os atores para fazerem escolhas mais corajosas, arriscadas, então vamos explorar isso.

Ela caminha para o outro lado dele e cruza os braços.

  – Desta vez quero que você fale como se estivesse falando com alguém importante para você. Alguém da família, ou namorada.

Uma sombra escura passa pelo rosto de Jared.

  – Estou me desculpando pelo quê?

  – Me diga você. – Erika sorri.

Ele solta o ar e ajeita o cabelo para trás.

  – Apenas me diga o que fazer e eu faço.

  – Não, não é assim que funciona. Seu trabalho é criar algo, uma ideia, uma emoção dentro dos parâmetros que te dou. Os parâmetros são aquelas duas palavras ditas para alguém que significa algo para alguém. Você tem suas instruções. Vai fazer o que com elas?

Ele olha ao redor da sala, perdido e desconfortável.

  – Sr. Padalecki?

  – Estou pensando. – ele retruca.

  – Sobre o quê?

  – Para quem estou me desculpando.

  – Quem vai ser?

Ele olha brevemente para mim antes de dizer.

  – Um amigo.

  – E pelo que está se desculpando?

Ele para de se remexer.

  – Por que quer saber? Isso importa?

Ela balança a cabeça e aponta para ele começar.

  – Não preciso. Quando estiver pronto.

Ele fecha os olhos e enche o pulmão de ar antes de soltar um longo e constante exalar. Há uma sensação de expectativa na sala.

Quando ele abre os olhos, ele aponta para um ponto no fundo da sala e fica nele. Seu rosto muda. Está mais suave. Arrependido.

  – Me desculpe. – ele diz, mas ainda não é sincero.

  – Não é bom o bastante. Tente novamente.

Ele se mantém focado no mesmo ponto conforme seu rosto se retorce.

  – Me desculpe. – ele dá a fala de novo, mas está segurando a emoção.

  – Vamos mais fundo, sr. Padalecki. – Erika pede. – Você é capaz de mais. Mostre-me.

Ele pisca e balança a cabeça. Seus olhos cada vez mais vidrados.

  – Me desculpe! – sua voz fica mais alta, mas ele ainda se protege.

  – Não é o suficiente, Jared! – a voz de Erika se eleva com a dele. – Pare de lutar com a emoção. Revele a emoção. Toda. Não importa quão complicado seja.

Ele engole saliva e aperta a mandíbula. Suas mãos se fecham enquanto ele oscila de um pé para o outro.

Ele fica em silêncio.

  – Sr. Padalecki?

Ele pisca algumas vezes e baixa o olhar para o chão.

  – Não. – ele sussurra. – Eu... não consigo.

  – Pessoal demais?

Ele assente.

  – Muito vulnerável?

Ele assente novamente.

  – Muito... assustador?

Ele olha feio para ela.

  – Sente-se, Sr. Padalecki.

Ele segue para seu lugar e se senta pesadamente.

  – Então, você gostaria de mudar sua opinião de que atuar é fácil e não requer coragem? – Erika pergunta suavemente.

Ele engole em seco.

  – Obviamente.

Erika olha para o restante de nós.

  – Atuar lida com emoções delicadas. Encontrá-las dentro de nós mesmos e expô-las para os outros verem. Mas, para fazer isso, o ator tem que estar disposto a mostrar partes de si mesmo das quais ele tem vergonha. Partes que não quer que mais ninguém veja. Ele deve ter a coragem de dar à luz a cada insegurança aterrorizante e arrependimento vergonhoso. Nada deve ser escondido. Tudo deve ser exposto. Ao contrário do senso comum, a questão não é extrair uma resposta da plateia, é extrair algo de si mesmo e deixar a plateia testemunhar.

Ela aponta para Tristan, que está olhando para o chão e mastigando a unha.

  – O que aconteceu com sr. Padalecki hoje vai acontecer com todos vocês em algum ponto. Vai haver momentos em que vocês vão achar que não podem interpretar um personagem ou emoção porque é assustador demais. Mas é trabalho de vocês encontrar a coragem para ser vulnerável e deixar os outros verem essa vulnerabilidade. É isso que faz um bom ator. É por isso que fazemos o que fazemos.

As palavras dela ressoam em mim. Olho para Tristan. Ele está olhando para o chão, com os ombros caídos. Ele sabe que ela está certa, e isso o mata de medo.

  – Agora – Erika muda de assunto e caminha para a mesa, pegando um pedaço de papel. –, vocês todos fizeram teste para nossa primeira produção de teatro, uma peça baseada no romance de Shakespeare: Romeu e Julieta. Mas, que no nosso caso, não haverá uma “Julieta”. Acho que todos já leram o roteiro base. E fico feliz em dizer que o elenco foi completado.

Nós todos nos endireitamos na cadeira enquanto a empolgação corre pela sala. Achei que meu teste foi bom, e, apesar da minha falta de experiência, quero esse papel. Demais.

Erika começa lendo os papéis menores. Há murmúrios e xingamentos e alguns berros de prazer, mas quando chegamos aos papéis principais a sala toda fica em silêncio.

  – O papel de Alan vai para... Lucas. – Lucas grita alto e ergue o punho no ar.

  – Gerald será interpretado pelo sr. Avery.

Jack assente, orgulhoso.

  – Donna será interpretada pela srta. Sediki.

Há uma salva de aplausos e Aiyah parece que vai chorar.

Então é hora de revelar os protagonistas.

Minha boca fica seca e o ácido do meu estomago revira. Fecho os olhos enquanto entoo súplicas silenciosas.

Erika pigarreia.

  – Nosso Dean – Deus, por favor, por favor, por favor. – é o sr. Ackles.

Meu estomago se aperta. Meu coração acelera. Acho que nunca fiquei tão feliz.

Todos aplaudem e meu peito parece que vai explodir de orgulho.

Sou Dean.

Eu.

Aquele ninguém que veio do nada sem experiência alguma.

Olho para Jared. Ele não está olhando para mim, mas está sorrindo. Deve estar pensando “eu te disse” e finalmente dando crédito a si por me fazer participar dos testes.

  – Por fim – Erika está olhando para todos na sala. –, a escolha dos outros papéis masculinos causou uma discussão acalorada na banca, mas acho que tomamos a decisão certa. Não é uma escolha óbvia de elenco, mas às vezes essas são as mais interessantes.

Jared se ajeita na cadeira. Sei que ele quer Castiel. É como se fosse o Mercúrio dessa peça, e ele já fez Mercúrio. E, pelo que ouvi, ele arrasou.

Connor seria perfeito para Sam, e acho que nós dois trabalharíamos bem juntos. Ele olha para mim e mostra os dedos cruzados.

  – Na produção deste ano, Castiel será interpretado pelo sr. Baine. O papel de Sam vai para o sr. Padalecki.

A turma aplaude, mas eu não me junto a eles.

Parece que jogaram chumbo no meu estômago.

Pelo olhar no rosto deles, Jared e Connor pensam a mesma coisa.

Nós três nos olhamos, sem certeza do que acabou de acontecer.

Erika bate palma para marcar o final da aula.

  – É isso, gente. Se não receberam papel, então vão estar no coro. Não se preocupem, ainda terão muito a fazer. Por favor, peguem o roteiro e um calendário de ensaios

As pessoas me parabenizam na saída, mas nem as escuto direito. Connor vem me dar um abraço.

  – Parabéns. – ele diz, animado. – Você vai ser incrível, tenho certeza.

  – Queria que você fosse o Sam. – eu respondo, sabendo que Jared não tinha saído da cadeira.

  – Isso teria sido legal, mas, não vou mentir, Castiel é um papel foda. Li o roteiro dele, e o cara é badass.

Ele sai, e eu caminho tonto até a mesa da Erika para pegar o roteiro. Tem meu nome do lado do personagem: Dean. Vejo o único que sobrou. Sam: Jared Tristan Padalecki.

Não.

Não.

Não.

  – Sr. Ackles? Está tudo bem?

Tento não demonstrar o quão tonto estou.

  – Hum... sim, está.

Ela sorri.

  – Achei que você ficaria mais feliz em ter seu primeiro papel principal.

  – Ah, eu sei. Céus, estou empolgado. Sério. Só que... – Erika olha para mim em expectativa.

  – Ele não me quer como Sam. – Jared diz, se aproximando. Ele para ao meu lado. – E, bem honestamente, somos dois. Você sabia que eu queria o Castiel. E sabia o quanto eu odiava a porra do Sam. Que diabos é essa droga?

  – Nas palavras dos imortais Rolling Stones, sr. Padalecki, você não pode ter sempre o que quer. Você queria o Castiel por que é um papel parecido com Mercúrio, e você já fez Mercúrio. Logo, está acomodado.  Mas o papel de um ator não é ficar acomodado, é se desafiar. Sei que odeia o Sam porque ele é romântico. E você não é o típico herói romântico. Você é insolente, cínico e, às vezes, completamente mal-educado. Você tem uma ousadia que acho que Sam precisa. Da mesma forma que o sr. Baine tem uma sensibilidade que o tornará um Castiel muito cativante. Acredite em mim, não foi fácil tomar essa decisão. Eu sabia que você mostraria resistência, e, considerando que tenho que dirigi-lo, só tornei o meu trabalho mais difícil. Acontece que, se puder extrair de você o desempenho de que o acho capaz, vai valer a pena.

Jared olha atravessado para ela e cruza os braços sobre o peito.

  – E se eu me recusar a fazer? – ele pergunta. – Porque, mesmo que fosse possível para mim compreender e interpretar ele, o que não consigo, duvido que o Ross aqui ficaria empolgado de me ver nesse papel.

Erika olha para mim, questionando.

  – É verdade. Ele é um cuzão.

Ela coloca a mão na mesa e abaixa a cabeça.

  – Viu? – Jared diz. – Seria um puta desastre.

  – E o que sugere? Que você interprete Castiel e o sr. Baine interprete Dean?

  – Sim! Ele seria ótimo naquele troço cafona de amorzinho. Eu poderia apenas morrer espalhafatosamente e dar o assunto por encerrado. Todo mundo sai ganhando.

  – Não, não sai, sr. Padalecki, porque você não vai conquistar nada em seu desenvolvimento como ator, e vai deixar de explorar a incrível química que testemunhei entre você e o sr. Ackles nos testes.

Jared para na hora.

  – Aquilo foi um puta acaso! Foi por isso que me escolheu para esse papel? Por causa daquela porcaria de exercício de espelho? Jesus, Erika!

  – Não é a única razão, mas é parte disso. Acha que esse tipo de química aparece todo dia? Porque estou aqui para te dizer que não, não aparece.

  – Mas isso não é algo que eu... não consigo apenas...

  – Jared. – Erika diz. – Entendo que lidar com esse tipo de conexão é assustador, mas é exatamente o que você precisa para crescer. Você é tão talentoso de várias formas, mas qualquer coisa que demande de você abertura e vulnerabilidade em relação ao outro é seu calcanhar de aquiles. E acredite em mim quando eu digo que você não vai muito longe no trabalho ou neste curso ou na vida se isso continuar a ser um problema.

Ela respira fundo e solta o ar.

  – Agora, vocês dois foram escolhidos para os papeis principais numa adaptação de uma das maiores tragédias românticas da história do mundo, então parem de reclamar e sejam gratos. Vão interpretar os papeis que foram dados, ou ambos vão receber a pior nota no semestre e vão correr o risco de serem expulsos do curso. Não me importa como vão fazer, mas precisam encontrar uma forma de trabalhar juntos. Apareçam na segunda dispostos e com as falas decoradas, porque vou fazer com que pareçam que estão apaixonados nem que seja a última coisa que eu faça. Não vou tolerar nenhum tipo de baboseira. Estamos entendidos?

Jared e eu murmuramos um “sim, Erika”, e eu olho para ao chão.

Erika suspira e pega suas coisas.

  – Não se esqueçam dos roteiros. – e sai.

Jared e eu permanecemos lá, simplesmente sem olhar um para o outro, sem falar.

Eu deveria ficar feliz em ser escolhido, mas não estou.

Jared pega o roteiro e o calendário de ensaios e os enfia na mochila.

  – Isso é uma merda. – múrmura para si mesmo.

  – O que foi aquilo? – pergunto, esperando que ele me dê uma desculpa para gritar com ele.

Ele se vira.

  – Isso. É. Uma. Merda. – pronuncia cada palavra bem no meu rosto. – Este ano todo vai ser uma merda, e é tudo culpa sua.

  – Minha culpa?! Como pode ser minha culpa que você foi escolhido como Sam? Você não pode ficar sempre interpretando o cara rebelde carrancudo e intocável, sabia? Em algum ponto vai ter de interpretar um protagonista romântico.

  – Nem todo ator precisa ser protagonista. Samuel L. Jackson tem uma carreira incrível e não faz nenhuma merda romântica.

  – Não leve pro lado errado Jared, porque não quero mesmo te fazer um elogio, mas você não se parece nada com esse cara. Você é alto, lindo e tem um cabelo irritantemente legal. As pessoas vão te escolher como protagonista, quer você queira ou não.

  – Então, você quer que eu seja seu Sam? É isso que está dizendo? Por que da última vez em que conferi você não suportava nem olhar para mim.

  – Não. Você não seria minha primeira escolha para Sam, basicamente porque você é um tremendo babaca que sai por aí lendo o diário dos outros!

  – Que se foda. – ele pega a mochila. Avança em direção à porta, mas eu o seguro pelo braço.

  – Tristan, que diabos há de errado com você? Faz duas semanas e você nem tentou melhorar as coisas entre nós. Peça desculpas de uma vez, seu imbecil invasor de diários!

Ele se volta para me encarar e seus olhos estão cheios de faíscas. Dou alguns passos para trás, mas ele me acompanha. Só quando minhas costas batem na parede é que nós dois paramos.

  – Foi um puta erro ler o seu diário, admito. Queria poder desfazer isso, porque tornaria minha vida muito mais fácil não saber toda essa merda que você sente por mim. Mas, para começar, em que porra você estava pensando ao escrever tudo aquilo? Claro que a pessoa sobre quem você está escrevendo vai acabar lendo, e isso vai aterrorizar os dois e foder com tudo!

  – Ah, não! – o sangue ferve no meu rosto. – Você não está me culpando por você ter lido o meu diário!

  – Estou sim. Exatamente.

  – Você é inacreditável! – levo as mãos ao alto, exasperado. – Chega! Cansei de te dar chances. Nem quero mais suas desculpas. Apenas fique longe de mim.

Passo por ele, mas ele me segue.

  – Como propõe que eu fique longe de você se teremos de fazer incontáveis cenas de amor nessa pecinha idiota, hein? Acredite, eu adoraria não passar por essa puta tortura, mas não tenho escolha.

Caminho mais rápido.

  – Prefiro enfiar agulhas nos meus olhos a fingir estar apaixonado por você, mas vou fazer isso porque essa produção conta como quarenta por cento da nossa nota de atuação este semestre, e você não vai foder com meu boletim!

  – Eu não sonharia com isso, docinho. No fim das contas, você provavelmente acabaria reclamando isso no seu diariozinho.

  – É! Acabaria sim!

  – Sabe – ele avança facilmente a passos largos para ficar ao meu lado e das minhas pernas trêmulas. –, milhões de pessoas sobrevivem sem escrever sobre suas fantasias sexuais e pensamentos mais íntimos num livro que qualquer um pode encontrar e ler. É incrível. Você deveria tentar!

  – Logo que você viu o que era, deveria ter parado de ler! – tento em vão caminhar para longe dele.

  – Ah, certo, como se fosse possível pra caralho parar de ler quando vi que você estava escrevendo sobre o meu pau!

Eu paro na hora e dou um soco no braço dele.

  – Ai, Jensen! Porra!

  – Não é minha culpa! Vai se foder!

Ele agarra meu braço e me puxa para ele.

  – Bem, de acordo com seu diário é exatamente disso que você precisa. É daí que vem sua agressividade? Precisa cavalgar no meu pau?

  – Céus, você é um escroto!

  – Acho que isso não foi um “não”.

Instintivamente tento bater nele, mas ele agarra meu pulso e segura firme.

  – Parte errada do corpo para colocar as mãos, docinho. Não quer aliviar minha parte que está dura pra caralho desde que eu li o seu diário idiota? Não quer sentir o tesão que estou sentindo? Você quer pegar num pau tanto assim? Vá em frente. Coloca a mão em mim e me faz gozar.

Eu solto meu punho dele.

  – Você é nojento.

Eu me afasto o mais rápido possível e, quando viro, ainda o vejo parado onde o deixei, a cabeça abaixada e as mãos no cabelo.

Ando para casa com as pernas ainda tremulas, só quando eu entro no quarto e bato a porta é que percebo que meus olhos estão marejados, e que uma lágrima solitária está escorrendo pelo meu rosto.

Continua... 


Notas Finais


Eaí? O que acharam? Eu achei que o melhor foi a minha rima nas otas do Autor. Vocês não acharam?
Comentem aí o que estão pensando sobre essa história e sobre o desenvolvimento filosófico e politico dos personagens.
Obrigado.
uhsasuauhash
Até amn bandiputo sz


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