História Barquinho de Papel - Capítulo 1


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Tags Capítulo Único, Drama, Filosofia
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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Fantasia, Lírica, Mistério, Poesias

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bom, aqui estou eu publicando minha primeira história >u< Essa história eu criei e dei de presente para uma amiga muito querida, mas aí decidi compartilhar com vocês por... sei lá :v enfim, espero que gostem, mesmo que seja de capítulo único ^ ^

Capítulo 1 - Infinito


Fanfic / Fanfiction Barquinho de Papel - Capítulo 1 - Infinito

Havia uma rosa pequena e lilás no meio daquele caos, escondida entre as plantas.

Ela era bela e delicada, mas com espinhos finos e cortantes.

Chorava em meio a tristeza da grama negra ao seu redor, mas escondia suas lágrimas das outras milhares de flores em um lindo sorriso de pétalas. Tinha medo de verem-na perder suas folhas, de verem-na secando, de verem-na sofrendo. Ela era forte, pois aguentava todo vento ou chuva que tentava derrubá-la, mesmo assim chorava enquanto sorria e desabava enquanto florescia. Todos já a desprezavam de mais, não quereria ser mais esquecida do que já era.

Um dia uma pequena criança de cabelos negros, ruivos, crespos, lisos e revoltos, de olhos azuis, marrons e verdes, de pele negra, branca e vermelha, correu pela savana escurecida. Vinha de pés descalços e tinha o maior sorriso inocente marcado no rosto, tão doce quanto o olhar caleidoscópico. De todas as flores lindas e desabrochadas, de todas as orquídeas, margaridas, sapatinhos-de-boneca e girassois, a criança correu até a pequena rosa lilás. Ela arrancou-lhe todo o capim e toda a erva-daninha que tentavam esconder as pequenas pétalas em botão da rosa, dando a flor o merecido espaço num lugar tão sombrio.

- Olá, florzinha - disse a criança. - Você quer conhecer o infinito ou conhecer as pessoas?

A rosa lilás, espantada com a pergunta, desabrochou um pouco afim de se tornar mais sociável.

- Oras, mas que pergunta estranha, criança! Como saberei que falas a verdade?

- Segure a minha mão com tuas folhas, agarre-se em meus dedos com teus espinhos, e verás. Agora escolha, florzinha: o infinito ou as pessoas?

A rosa lilás olhou o seu redor. Viu todas as flores belas e imponentes radiando muito mais do que ela, olhando-a com espanto com a criança a sua frente. Havia tanto tempo que tentava impressioná-las e ajudá-las, tentando ao máximo fazer do seu orvalho o que conquistaria a todos. Mas sabia que, independente do seu esforço e de sua bondade, não poderia fazer com que as flores olhassem através de suas pétalas. Não poderia fazer com que as flores deixassem de usá-la para segurar mato e ervas-daninhas.

- Eu quero conhecer o infinito - respondeu decididamente.

A criança sorriu ainda mais e esticou seu braço direito.

- Ótima escolha, florzinha. Agora, agarre-se.

A rosa lilás esticou suas raízes, folhas e espinhos em direção ao braço da criança. Agarrou-lhe a mão com suas folhas e os dedos com seus espinhos, e enrolou suas raízes envolta do punho do desconhecido. A criança virou-se de costas e olhou para o céu azul-marinho. As estrelas se espalhavam no alto como o orvalho da manhã se estendendo nas plantas.

- Esta é uma linda noite, florzinha. Todos estão onde deveriam estar.

Antes que a rosa lilás respondesse, a criança deu um pulo e voou. Ela não tinha asas, mas feito pássaro mergulhou para o céu azul brilhante. A flor permaneceu agarrada na mão negra, branca, asiática e indígena da criança, não cogitando olhar para baixo. Já estavam muito alto, a imensidão do infinito se espalhando para norte, sul, leste e oeste. E lá em baixo estava um pequeno círculo cinza-esverdeado. É o mundo em que a rosa vivia e ela se deu conta do quão pequeno ele era.

- Para onde estamos indo? - perguntou a rosa.

- Para o infinito, florzinha.

- E onde ele fica?

- Nas estrelas, onde a luz toca a escuridão.

A rosa esticou-se e olhou para cima. Por mais que estivessem muito velozes, o vento remexia as pétalas da flor de uma forma delicada, como o toque de uma mãe em seu filho. Nada havia pela frente a não ser estrelas e escuridão, um espaço infinito onde não existia vida.

Mas a rosa lilás percebeu que estavam se direcionando para uma estrela em especial. Ela era a menor e mais pálida de todas ali, porém reluzia com fervor. A estrela brilhava prateada e possuía cinco pontas que pouco se esticavam.

- Se chama Liuza, florzinha. A mais pequena, a menos iluminada. Mas é a mais bela de todas...

Num silvo silencioso, misturado ao som de sinos agudos e delicados, a criança e a rosa lilás entraram na estrela sem graça. Tudo se tornou luz e um vento fresco os abraçou, junto de um aroma doce de mel e orquídea.

Eles surgiram em outro lugar, onde o mundo se abria muito abaixo. Por todo lado, a flor pôde ver pessoas, animais, plantas, seres que nunca viu e que supôs nunca ver novamente. Ela conseguia ver todos e também saber quem eles eram, como se de repente fosse um _deus_. Ela sentia toda aquela ligação invisível, mas existente, que unia toda a vida. Sentia todos os seres harmonizando uns com os outros, suas ações resultando em algo até no outro lado do Universo. A rosa lilás sentia a vida fluir.

- O que é isso tudo? - choramingou - Onde estamos?

- Calma, florzinha. Estamos no Presente agora. Vê todos eles?

A rosa assentiu.

- Eles são todos aqueles que vivem neste exato momento - disse a criança. - São todos aqueles que precisam decidir o que farão em seguida. Todos aqueles que precisam decidir algo que mudará ou não a própria vida...

- Todos? Você diz...

- …todos os seres vivos. Desde aquela pequena bactéria lá perto da montanha até o gigantesco ser daquela galáxia distante. Vê?

A flor espreitou a visão e pôde ver. Mas viu bem mais. Conseguiu entender o significado daquela pequena e mísera bactéria, identificou o quão importante seria. Ela se alojaria num ser qualquer e se desenvolveria, até se dividir e consumir o corpo de um ser vivo. Este morreria certamente, mas entendeu também que aquilo era necessário.

- É tão... - sussurrou ela. - incrível...

A criança sorriu, os cabelos compridos e curtos, de centenas de etnias, dançavam com um vento calmo e sem qualquer indício de sua origem.

- Venha, segure-se. Vamos para outro lugar.

A rosa lilás agarrou-se a roupa simples da criança no exato momento que este se impulsionou para frente. Toda a Vida Presente abaixo se tornou um borrão disforme e rodopiante conforme se dissolvia, ficando lá para trás como as folhas secas deixando suas árvores com o vento do inverno.

Tudo se tornou luz e logo após, escuridão. Um leve cheiro de pinheiros os envolveu, depois um cheiro de papel envelhecido e também um aroma forte de terra. O vento se tornou ardente como num deserto, trazendo um suspiro tristonho. Logo que a luz se mostrou muito à frente como um sol surgindo no meio do nada, a flor se viu sobrevoando solos áridos e pálidos. Feito de terra seca e pedregulhos que iam de horizonte a horizonte, ela percebeu que não se tratava de um lugar propriamente desértico. Pontilhando todo o novo mundo, outros seres andavam por ali e por acolá, se estendendo junto ao infinito. Mais uma vez, a rosa pôde ver quem eram todos e tudo o que fizeram, seus nomes e seus significados. Os sentiu como as raízes sentem os nutrientes adentrando o caule da planta. Mas algo era diferente. Todos ali pareciam mais longínquos, como se não estivessem vivendo o momento presente. Tinham um ar obsoleto, fazendo a flor sentir a ligação harmônica apenas como se fosse uma lembrança, não mais de uma forma vivida e impressionante.

Muito ao longe, avistou coisas maiores que todas as outros. Avistou monstros grandes, reptilianos, com longos pescoços e dentes afiados que se projetavam e agarravam o ar em busca de algo que não existia. Viu duas gigantescas construções ao longe, compridas e sólidas, mas se despedaçando pelo ar deixando fragmentos flutuando numa gravidade inexistente. Viu máquinas, viu mais monstros. Viu um grande cogumelo de fumaça e fogo, mas para a rosa não parecia o fungo. Parecia explosivo e… destrutivo.

- O que é aqui? - questionou.

- O passado. Solos que seguram todo um passado constante. Todos aqueles que morreram, todos os sonhos que se foram, todas as construções que desabaram. Todo o horror que um dia recaiu sobre um lugar qualquer - a criança apontou para o cogumelo gigante e para as duas construções despedaçadas - e todo o ser vivo que já habitou qualquer lugar. Aqui, minha florzinha, é o futuro dos que vivem no presente.

- É tão... triste. - suspirou ela - Todas aquelas pessoas lá na frente… e todas as construções lá no lado… São os restos de tristeza de alguém.

- Está errada, bela flor. Aqui é o livro que a vida dá aos seres do presente. Aqui é onde todos devem aprender com os erros do passado. Vê tudo isso? É bem mais que um simples resto. São todos os que viveram e morreram deixando algo de diferente para os futuros. São todos os sonhos não realizados, mas que foram de grande valia para aqueles que os sonharam. Esses seres _tinham_ um sonho. E desde que tenha um, desde que tenha um objetivo que o deixe feliz… tudo o que fizer não será um simples resto de tristeza. Será o pequeno segredo que guardará no coração, independente se for realizado ou não. Aqui, minha florzinha, não é só lugar de tristeza. É de sabedoria e de expectativa. Aqui tanto você quanto os outros infinitos seres vão deixar seus sonhos e suas vidas. É bem mais que um simples resto, não acha? - e sorriu.

A flor sobrevoou no ar um pouco mais para frente. Ela viu algo além de tristeza. Viu uma pequena garotinha encolhida, desajeitada de pele pálida, envolta por tecidos e com olhos escuros, mas felizes. Trazia um grande sorriso de dentes que provaram muito remédio na curta vida, porém verdadeiro. Uma mulher se aproximava dela, idosa e igualmente sorridente. As duas se encontraram lá e se abraçaram. No mesmo instante a garotinha ganhou cabelos negros e perdeu os tecidos estranhos, revelando um vestido rosa com pequenas pérolas brilhantes. Sua pele ganhou tom e se tornou mais saudável. A mulher teve os cabelos brancos tingidos de negros também, e seu rosto se tornou jovem.

A mãe reencontrando a filha que perdera por uma doença qualquer, pensou a rosa lilás, emocionada.

E percebeu que tudo ali era bem mais que um simples solo de restos de tristeza.

- Agora temos que ir. - disse a criança. - Vamos?

A flor assentiu e agarrou a roupa da criança, ainda olhando a mãe e sua filha.

Um novo suspiro e todo o lugar se desfez, se tornando um pó passageiro e fresco que também desfez, deixando para muito longe a Vida Passada.

Um novo mundo surgia a sua volta. Um aroma forte de metal e gramado úmido do orvalho, porém unidos com um doce cheiro de frutas doces tocou de leve as pétalas fechadas em botão da rosa lilás. A luz se misturou como líquido num tom avermelhado, e tudo formou um novo e esbelto lugar.

Um grande oceano de águas totalmente límpidas e transparentes se estendia até o indefinido. Águas profundas, sendo possível ver rochedos e plantas marinhas se estendendo muito lá no fundo. Um leve tom de azul diferenciava o mar do céu tingido de laranja e rosado pelo sol gigante e ponte na linha do horizonte. Nuvens brancas e espessas como algodão salpicavam o alto, unindo-se ao maravilhoso mundo com um vento fresco e úmido. Porém o mais interessante eram os barcos de papel se espalhando quase imóveis na água. Eram milhões, bilhões, infinitos. Triangulares e cheios de dobras, tão brancos como as nuvens acima.

- Bem-vinda ao inesperado, florzinha. - disse a criança, um sorriso calmo, porém confiante surgindo no cantos dos lábios.

- O quê? Onde estão todos?

- Não há ninguém. Não há nada.

A flor olhou por tudo. Estava confusa, querendo entender tudo aquilo. Aquele não deveria ser…

- O futuro? - perguntou a rosa.

- Sim. O futuro... - as palavras da criança pareceram ecoar. - O inesperado. Sabe por que está vazio?

- Não...

- Porque não há nada que deva estar aqui. Como um ser poderia estar no futuro? Como algo poderia existir nele? Todas as escolhas, sonhos e expectativas que estão sendo feitas neste exato momento são só esses barcos de papel. Podem se desmanchar e afundar conforme o que lhes acontecer no presente. São só de papel, esperando se tornarem algo mais ou algo menos.

São só de papel, pensou a rosa lilás.

- Então... o que há de bom aqui? O que há aqui que minhas pétalas terão de ver?

- A sua escolha. - e sorriu.

- Não compreendo... não tenho sonhos, nem expectativas. Muito menos escolhas... sou pequena e sem graça, e vivo sob os olhos de todos. As outras… as outras flores me tem como uma planta qualquer que serve somente para manter ervas-daninhas longe delas. Onde estaria o meu barco de papel aqui? Onde…?

Suas pétalas murcharam um pouco e seus espinhos se tornaram negros. Ela começou a descer devagar, como se sua dor de repente a transformasse num barquinho de papel prestes a tocar a água - e sendo o que sou, afundarei, pensou.

- Não. Há bem mais que dor e confusão nesse seu botão, florzinha. - disse a criança descendo até perto dela, a água a poucos centímetros de ambos. - Alegra-te, que lhe mostrarei o teu barco.

A rosa lilás não conseguiu alegrar-se, mas fez de conta que estava melhor.

- Alegrei-me.

- Ótimo. Então siga-me.

A criança voou rente água, deslizando os dedos nela com um toque delicado e calmo feito uma abelha tirando o pólen de sua flor. Alguns dos barcos de papel avançavam devagar para qualquer lugar, já outros iam depressa; uns afundavam e sumiam conforme seu papel desmanchava, já outros levantavam suas pontas e se tornavam algo mais. Esses alçavam vôo, sem asas e sem vento os levantando. Apenas subiam, indo em direção ao sol laranja e poente.

- Lá está. - disse a criança, apontando para um dos barcos. - Eis a tua escolha.

A rosa lilás chegou perto do barco apontado. Era igual aos demais, branco e fino, tão delicado como se feito de guardanapo. Estava imóvel, não se mexia nem rápido nem devagar.

- O que há de errado com ele? - perguntou, agarrando-o com suas folhas verdejantes. Era tão leve como uma pena.

- Na verdade, não há nada de errado. Todos esses que se movem são sonhos e objetivos se formando, se moldando, se tornando algo. Já o seu é um pouco especial. Você tem um objetivo, uma vontade, mas ainda não decidiu qual é. Seu barco está aqui, falta só escrever nele para onde seguir.

A flor reparou que todos os outros barquinhos que se moviam tinham algo escrito em letras e símbolos diferentes, em idiomas diferentes. Um dizia money, outro saúde. Mais um dizia najah. A rosa leu muito mais, como vrede, işıqlandırma, цярпенне e também 아모르. Olhou novamente para o seu, branco e sem nada.

A criança se aproximou e tocou-lhe as pétalas. Um doce aroma de rosa se espalhou entre eles, tão bom quanto as manhãs floridas do verão.

- Chegou a hora de decidir o que pôr nele. - disse a criança. - Você cresceu escondida em ramos escuros, querendo mostrar a todos o quão incrível eis. Mas sabe de uma coisa? - seu sorriso era vivo, tanto quanto seus olhos - Você nasceu para viver intensamente cada momento. Nasceu para decidir no presente o que quer ser no futuro e o que esperar dele, para deixar no passado um sonho bobo e feliz a flutuar eternamente. Você nasceu para viver, minha florzinha. Você é livre e só precisará conquistar aqueles que valem a pena mostrar sua beleza, o seu orvalho. Mas tudo o que tem que fazer agora é escolher. Me diga, florzinha, para onde você quer mandar o seu barco de papel?

A rosa lilás olhou o horizonte iluminado. Sabia que nele estaria o que procurava, então... O que ela realmente procurava? Uma saída, pensou. Uma paz que ela queria ver dominar suas pétalas, um amor que fizesse dela a mais feliz das flores. Um sonho bobo e feliz para conquistar as suas noites. Ela, acima de tudo, queria esperar por algo. Queria esperar pela saída, pela paz, pelo amor, pelo sonho. Pela vida. E neste exato momento, letras bélicas surgiram em seu barquinho. Tão lindas e simples, formando o mais incrível significado a tudo o que esperava encontrar naquele sol poente:

Esperança.

As pétalas lilases e unidas da rosa, naquele instante, desabrocharam. Pétala por pétala abriram-se, revelando dois finos e dourados fios que se esticavam para além dela. Os espinhos diminuíram, mas continuaram lá, para protegê-la de todo mal que poderia surgir. Suas folhas se tornaram ainda mais verdes e brilharam com o sol forte e imóvel.

Delicadamente, a rosa lilás pousou seu barquinho de papel na água transparente e azulada. No mesmo instante ele começou a se mover lentamente, rumo ao sol. E a sua palavra jazia escrita no papel, impossível de ser apagada, impossível de ser afundada. Esperança era a sua escolha. Era a sua saída. Era a sua paz e seu amor. Era o que esperava.

- É tão… maravilhoso - disse a rosa, orvalhos reluzentes surgindo de seu interior e escorrendo pelas pétalas. - Criança, como poderei eu lhe agradecer? O que fizestes por mim, o que me mostrou... eu…

- Silêncio, minha doce florzinha. A sua felicidade me basta. Agora, apenas olhe para seu barco. Para onde vai, para onde quer chegar. Vê? Não voa nem vai depressa. Vai calmo, assim como tem que ser. O que adianta ir rápido e sumir nas terras do passado tão cedo? Lá vai teu barquinho de papel. A sua doce esperança. E isso… isso me basta.

A flor olhou o barco sem conseguir dizer mais nada. Apenas sentiu a brisa envolver-lhe e levá-la junto da criança para outro lugar. Para o seu lugar. Os cheiros se foram e o vento se tornou comum, frio e ríspido. Em segundos deixava o Indefinido Futuro e atravessava Liuza, a estrela sem graça. Depois de toda a sua pouca luz cegar-lhe, a rosa lilás se viu fora do infinito novamente. Se viu num céu escuro salpicado de estrelas, flutuando acima de seu pequeno mundo com a criança.

- Chegou a hora de eu ir e você ficar. - disse a criança. - Mas sei que agora você vai ser bem mais do que uma flor escondida em ervas-daninhas, não é?

- Sim… - respondeu ela. - mas… para onde você vai?

- Para o infinito, florzinha.

- Você... você não tem ninguém por aí? Vive sozinha?

- Não, eu vivo com todos. E em tudo. Como irei estar sozinha?

A rosa lilás segurou as palavras "posso ir junto?", pois sabia que não era isso o que devia fazer. Mas quando uma brisa forte começou puxá-la para baixo, para o seu mundo, teve de perguntar uma última coisa.

- Criança, quem é você?

A criança a olhou com os sábios olhos multicoloridos e brilhantes. Os cabelos e a cor de pele de todas as espécies e etnias oscilaram por sua imagem, dançando conforme o vento que as rodeava.

- Sabe que eu não sei, florzinha?! E quem saberá?

E sorriu.

A rosa lilás encontrou-se na grama escura novamente. As raízes tão presas como sempre estiveram. Os espinhos eram os mesmos e as pétalas também, fechadas em um botão simples. Mas antes de entender tudo como um sonho, a flor olhou para frente. Um lindo sol surgia no horizonte, trazendo a nova manhã. E lá no alto, algo ia ao seu encontro. Devagar, calmo. Um barquinho de papel, escrito Esperança em letras bélicas. Depois, sumiu.

A rosa sorriu interiormente e se encolheu ao redor de si mesma. Sentiu-se mudar, se transformar, se tornar algo maior e… diferente. Ela se tornou bem mais que uma flor escondida em ervas-daninhas.

Ela se tornou um pássaro, de penas brancas e asas serenas, que voaram de encontro ao horizonte.

E sumiu em meio ao infinito, apenas com uma estrela como destino e uma palavra guiando-lhe o caminho.


Notas Finais


Então... É isso :v Agradeço por quem leu, até mesmo àqueles que só leram a sinopse. Até qualquer próxima história, e que encontrem o significado de seus barquinhos de papel :3


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