História Battle Scars - Capítulo 8


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abo, Alfa, Lobisomens, Ômega, Omegaverse, Políamor, Vampiro, Werewolf
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Palavras 2.143
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, FemmeSlash, Fluffy, Harem, Hentai, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Sobrenatural, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - Dor


 

Emily

 

 

 

 

Confesso que, dessa vez, eu não lutei enquanto era arrastada para longe de Maverick. Os guardas me cercaram, mas por alguns segundos ainda pude ver o enorme lobo negro, feroz, com aqueles olhos cor de whisky, que brilhavam para mim.

Senti sua angústia pelo olhar, e vi enquanto vários guardas apontavam suas armas para ele e atiravam impiedosamente. Chorei de angústia e quis voltar atrás, não era certo isso! Tentei forçar meus braços para fora do controle dos guardas, quando senti uma mão gelada em mim.

Ao virar a cabeça vi a Dra. Kayla, com seu olhar de pedra como sempre, como se nada disso a abalasse.

“Não se preocupe, são apenas tranquilizantes, eu não danificaria o espécime mais forte daqui. Vá, eu te alcanço, preciso ter uma conversa com você.”

Não tive tempo de responder, apenas fui puxada dali, porém cada passo que eu dava, ia sentindo meu peito se apertando mais e mais, uma sensação que eu não sentia já há algum tempo, e as memórias me faziam sentir ainda pior.

Cada vez que me tiravam de perto dele, parecia a última vez que eu iria vê-lo, e eu já tinha perdido demais, não tenho certeza se conseguiria suportar isso, não depois de tudo.

Ainda assim, resolvi manter o combinado que fiz com Maverick, não fiz muita resistência, nem quando amarraram meus pulsos, nem quando fui praticamente arrastada pelos corredores.

Logo pude sentir o cheiro da Dra. Kayla, que seguia alguns metros atrás de mim, rodeada por guardas e por seu assistente magricela.

Seguimos em silêncio, e me reservei aquele momento para pensar sobre tudo o que tinha acontecido até agora. Eu podia sentir minhas pernas bambas, meu corpo quente, e a cabeça pesada por causa do calor. Ainda iria durar algum tempo, e seria pior agora, depois de ter estado com um Alfa, e ser arrancada de perto dele.

Pelo menos agora eu tinha algumas boas lembranças para me ajudar a passar por esse inferno, as primeiras boas lembranças em um longo, longo tempo. Eu suspirei quando lembrei da sensação das mãos de Maverick em meu corpo, o jeito como ele me olhou, como se eu fosse seu mundo. A marca em meu pescoço ainda ardia, me fazendo sentir de certa forma que ele está aqui comigo, que somos uma matilha.

Eu iria lutar por esse sentimento, por ele, pra sairmos daqui juntos. E faria isso na oportunidade certa. Talvez me aproveitar de uma certa conversa com o capeta que eu provavelmente iria ter. Discretamente, olhei por cima do ombro, e encontrei o olhar não da maluca, mas do descerebrado do lado dela.

Aquele sujeitinho insolente acha que tem colhões pra me encarar? Eu soltei um rosnado baixo, que me custou um cutucão nas costelas, mas tive tempo de ver o magricela se encolher no lugar e baixar a cabeça rapidinho. Rá. Mais um pouco disso e aposto que o cara molha as calças.

Pensando melhor, esse magricela poderia ter algum uso, ela parecia alguém muito fácil de se convencer, nas circunstâncias certas... Estava tão distraída pensando que acabei tropeçando quando os guardas pararam.

Havia uma parede translúcida a nossa frente, feita de algum tipo de vidro grosso, provavelmente. Atrás da parede tinha uma cela, exatamente como qualquer outra que vi até agora, e, dentro dela, dois lobisomens.

Um deles era enorme, e reconheci quase imediatamente como o cara de olhos azul cobalto, que encontrei na minha fuga. Estava solto dessa vez, em posição de ataque, rodeando com um ar ameaçador um outro cara que eu não conhecia. Eu senti pena pelo coitado, ele devia pesar metade do outro lobo, mas ainda assim ele continuava encarando firme, tremendo, mas encarando.

“Ligue o interfone da sala C75, Maxwell.” A Dra. Kayla disse, se aproximando do vidro, ao meu lado.

“Ligado, Dra.” Maxwell respondeu, mantendo uma boa distância entre mim e ele.

Então a Dra. retirou um pequeno aparelho do bolso de seu jaleco, apertou um botão, e, quando ela falou, sua voz ecoou dentro da cela.

 

“Indivíduo XY707, mate o outro.”

Eu gelei ouvindo sua voz, mas não consegui reagir antes do caos explodir dentro da cela.

O cara maior pulou na direção do outro, que se transformou em lobo e consegui escapar. O lobo deu a volta na cela e pulou nas costas do homem, tentando morder seu pescoço.

“Não!” Eu gritei, puxando meus pulsos e pernas contra as amarras, enquanto os guardas me seguravam e eu era forçada a assistir àquela atrocidade.

O homem conseguiu se defender usando o antebraço, mas acabou levando uma mordida ali. E, mesmo sem muita experiência em luta, eu sabia que a coisa iria ficar muito feia rápido.

O lobo continuou com os dentes no braço do homem, e tarde demais percebeu seu erro, quando foi pego pelo pescoço e jogado com força contra a parede. O impacto deve tê-lo deixado desorientado, porque levou alguns segundos para levantar e até aí o homem já estava em cima dele, chutando suas costelas.

Mesmo de onde eu estava, dava pra ouvir os sons terríveis de ossos se quebrando e dos ganidos que vinham dali. Desviei o olhar e me deparei com a Dra. Kayla encarando a cena, sem piscar. Seu jeito impassível me dava ânsias, e, não pela primeira vez, eu senti nojo dela.

Um som mais alto foi ouvido e voltei minha atenção para a luta, que já havia terminado.

O homem segurava o lobo já desacordado, mas ainda vivo, com a mão ao redor de seu pescoço, como se ele não pesasse nada. Tarde demais eu percebi que ele ia fazer.

“Não! Por favor! Você não precisa!” Eu berrei, olhando ao meu redor desesperadamente, em busca de apoio. Me voltei para a Dra. Kayla. “Por favor, pare isso! Diga a ele para não fazer!”

Apesar de meus gritos ela continuou inabalável, e quando eu olhei para a cela de novo, aqueles olhos azuis bizarros me encaravam, e considerei a possibilidade de que ele podia me ver ali.

Me perguntei se podia fazer alguma coisa só com meu olhar. Se havia alguma maneira de impedi-lo de fazer isso. Se ele seria capaz de me entender. Mas ele apenas ficou ali, me olhando, com o braço levantado. E ainda tinha os olhos nos meus quando moveu brevemente a mão, quebrando o pescoço do lobo.

As coisas se moveram em câmera lenta a partir dali. Lembro que surtei, forçando meus pulsos, presos atrás das costas, e jogando meu corpo em direção à Dra. Kayla.

Não acho que adiantou muito, porque, quando dei por mim novamente, estava em outro corredor, ainda caminhando, sentindo lágrimas quentes escorrendo em meu rosto.

Realmente, não éramos considerados gente ali, talvez se fôssemos apenas lobos, seríamos tratados com mais dignidade. Mas não éramos. Apenas uma aberração.

Mal senti quando fui amarrada contra uma parede, com os braços esticados, em uma sala muito parecida com a do laboratório da outra vez.

Minha visão ainda estava turva de chorar, então eu senti primeiro seu cheiro, fazendo meu estômago vazio se contorcer com ânsias.

A Dra. Kayla entrou na sala, acompanhada por Maxwell, e mais alguns guardas. Ela se aproximou de uma bancada perto de mim, pegando uma seringa vazia e virou na minha direção.

“Sinto que estou cada vez mais próxima de decifrar seu código genético.” Ela disse, enquanto aplicava a seringa em mim e retirava um pouco de sangue.

“Por que?” A minha voz soava rouca e eu sentia muita sede, nem conseguia me lembrar da última vez que bebi água.

“É necessário. Se tudo der certo, vamos conseguir curar diversas doenças degenerativas, inclusive vários tipos de câncer. Um avanço e tanto na história da humanidade.” Dessa vez, quando ela falou, quase dava pra dizer que havia emoção em sua voz.

“Mas a que preço? Toda uma raça morreria por isso.” Eu respondi.

“Sempre foi assim, cada evolução nasce de uma tragédia, uma guerra, ou, no caso de vocês, uma anomalia genética.” Dra. Kayla argumentou, enquanto retirava uma seringa cheia de sangue e colocava uma vazia no lugar.

“Não sou uma anomalia, sou gente também, como você, não consegue ver?” O desespero em minha voz era quase palpável, e eu me sentia prestes a chorar de novo.

“Não é hora para sentimentalismo. Eu sei muito bem do que seu tipo é capaz. Da facilidade com a qual vocês matam. Não sei por que luta tanto, qual outra vida seria melhor? Viver como ratos, se escondendo nos esgotos das cidades, sendo caçados? É um favor que eu estou lhe fazendo, vai ficar conhecida como a espécie que livrou a humanidade de muitas doenças.” Dava pra ver que ela sorria por de baixo da máscara, quase como se tentasse me tranquilizar.

Eu me senti prestes a vomitar, de tanto ódio e raiva, e a fome e sede não estavam ajudando muito, então não respondi.

Logo ela se cansou de me encarar, e pareceu satisfeita com as amostras de meu sangue, se afastando para outra bancada.

Eu sentia a sala toda girando, e levei um susto quando vi Maxwell mexendo na agulha ainda presa no meu braço, conectando um saco com um líquido transparente na minha veia.

O meu susto, porém, fez com que o idiota se assustasse também, fazendo uma cara de pânico. Ele se afastou tão rápido que acabou trombando com a bancada de amostras, fazendo tudo balançar.

“Cuidado, Maxwell! São minhas amostras finais.” A Dra. Kayla disse, detrás da bancada em que estava.

“Desculpe, Dra. Esse monstro me deixa nervoso.” Acho que foi a frase mais longa que já ouvi ele falar. Heh, monstro ou não, eu ainda iria dar um bom motivo para esse magricela ficar nervoso.

“Não se preocupe, Maxwell, se meus arranjos aqui funcionarem como o previsto, logo ela não será mais um monstro.” Ela respondeu.

“Dra. Kayla, mesmo que isso funcione, acha que é seguro? Não sei se poderíamos confiar nela ou coisa assim.” Ora, estava falante o bocó. Eu tentava limpar a neblina densa em minha mente, pra entender melhor sobre o que eles falavam.

“Bem, Maxwell, nem tudo será perfeito, é claro. Mas, olhe para ela. Será uma mulher linda quando for humana não acha?” Dra. Kayla perguntou.

Maxwell ficou me encarando, até que algo piscou em minha mente e eu finalmente me toquei do que estavam falando. Ela queria me tornar totalmente humana? Isso é loucura!

“Do que vocês estão falando? Me soltem!” Eu comecei a gritar em desespero, forçando as amarras, e fazendo os guardas se aproximarem de mim. Pelo canto dos olhos pude ver Maxwell indo para perto da doutora, que se levantou, e voltou a falar comigo.

“Se acalme, eu não sou tão cruel como você costuma pensar, não vou dar um golpe de misericórdia antes de saber se não posso salvar vocês. Matar a besta e deixar a humana.” Ela disse, enquanto se aproximava lentamente.

“Não! Não pode fazer isso! Minha loba é parte de mim, é quem eu sou, prefiro morrer junto!” Eu gritava e me contorcia, pude sentir o sangue escorrendo pelos meus braços e tornozelos, de onde as amarras cravavam na minha pele.

Mas nada seria tão horrível quanto perder minha loba. Agora mesmo podia senti-la nervosa dentro de mim. Juntas compartilhamos tudo, todas as nossas emoções, e mesmo o medo que eu sentia, tanto dela quanto meu, era melhor do que me imaginar sozinha. Eu seria apenas uma casca vazia.

A Dra. Kayla nem se abalou com meus gritos, apenas pediu que os guardas se afastassem um pouco, e levantou uma nova seringa, essa com um líquido amarelo claro, que colocou no lugar do saquinho de soro.

“Não se preocupe. Durma agora, tudo será diferente quando acordar. Se acordar.” Ela disse, e eu assisti, em choque, enquanto o líquido amarelo passava da seringa para dentro de mim.

Houve apenas um segundo em que nada aconteceu. Literalmente nada. O mundo parou e foi como se eu fosse desconectada dele. Apenas vazio. Sozinha. Então eu lutei para voltar, e me arrependi na mesma hora.

Dor. Maior que tudo que eu podia imaginar. O mundo passou de vazio para cheio tão rápido que enviou um surto de adrenalina em mim, me mantendo acordada, sentindo como se cada célula em meu corpo se desmanchasse. Meus ossos viraram pó, meus órgãos derreteram.

Eu não conseguia ver nada, nem pensar em nada que não fosse a dor. Ali eu esqueci quem eu era, onde eu estava, já não importava. Eu só queria que acabasse, não importa como.

Então, como se fosse um único fio que ainda me prendesse na consciência, eu senti alguém ali comigo, uma presença acolhedora com cheiro de floresta e casa, apenas por um breve momento, antes de desaparecer.

A dor da perda dessa sensação foi tão intensa quanto a dor em meu corpo, e a última coisa em que pensei antes de meu mundo se tornar preto, foi em Maverick.

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Muito obrigada a quem está comentando e acompanhando a fic. Adoro os comentários de vocês. Qualquer sugestão será sempre bem-vinda, até mais. o/


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