História Be Mine - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Got7
Tags Jackbum, Markbum
Exibições 110
Palavras 5.170
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Mistério, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


HELLO IT'S ME MARIO!
To postando de sábado como prometido, com uma semana de atraso, mas de sábado, o que significa que a rotina está voltando ao normal então, é isso aí.
Ah, eu gostaria de agradecer a todos os favoritos e aos comentários. Sério, eu achava que essa fic não chegaria aos 20 favoritos, mas vocês têm me dado um apoio muito grande então, cara, vocês estão no meu coração.
Amo vocês mais do que eu amo batata ♥
PS: Eu vou ter que revisar a primeira vez pelo cel, então qualquer erro, desculpem, o cérebro já não funciona muito bem na madrugada, pelo celular então... O que eu não faço pra postar na data certa? n.n

Capítulo 9 - Family


Fanfic / Fanfiction Be Mine - Capítulo 9 - Family

Deitado na cama do quarto que permanentemente usava, Jackson rolava de um lado para o outro no colchão, enquanto demora o máximo de tempo possível até levantar. Mais uma vez aquele nervosismo em ter que encarar o mais velho do quarto ao lado, lhe acertava em cheio. Estava com medo, pois Jaebum percebera que sua resposta era falsa, e como conhecia muito bem o amigo, sabia que ele não desistiria tão cedo de fazê-lo contar a verdade. Seu medo era de acabar abrindo a boca e confessando tudo o que sempre sentiu, assim acabando com aquela amizade tão incrível que possuíam. Sabia que o moreno amava Mark, então suas chances eram nulas. Preferia continuar calado e manter aquela boa relação entre eles do que desabafar e fazer com que as coisas ficassem estranhas de repente. E se ele se afastasse? Não queria que ele se afastasse.

Enquanto isso no quarto ao lado, Jaebum também deitado, tentava imaginar o que estava se passando na cabeça do chinês. Não fazia a mínima ideia, mas de uma coisa sabia, era algo realmente sério, pois o menor nunca esteve daquele jeito antes, se esquivando e o dando gelo. Continuava a ponderar a ideia de sem querer tê-lo magoado de algum jeito. Suspirou e olhou para a janela. Estava chovendo fraco e o vidro encontrava-se molhado, com algumas gotas escorrendo pela superfície transparente. Sua vontade naquele dia era de continuar ali deitado, apenas observando aquele cenário monótono e monocromático, da paisagem acinzentada e triste, mas ainda tinha que conversar com o outro e tentar entender a situação, já que não gostava de fugir das coisas. Levantou-se e seguiu ao banheiro, pra fazer sua higiene matinal. Enquanto enxugava o rosto, seus olhos captaram a lâmina encima da pia. Mesmo que se arrependesse do episódio no hospital e que jamais fosse exagerar nos medicamentos de novo, automutilar-se não deixava de ser uma ideia que o agradava. Com o pouco de controle que ainda tinha, balançou a cabeça em negativa e voltou ao quarto, trocando de roupa.

Parou então na porta do quarto onde estava Jackson, respirando fundo antes de bater na madeira. Sendo sincero consigo mesmo, tinha medo de descobrir o que era e acabarem brigando de novo. Com a permissão do loiro, abriu a porta o encontrando já de roupa trocada e de pé perto do armário, o olhando curiosamente.

— Podemos conversar? – questionou o mais velho ainda parado perto do batente.

— Claro – respondeu mesmo que nervoso.

Adentrou o cômodo e se sentou na beirada da cama, acompanhado do chinês que fez o mesmo, sentando-se ao seu lado.

— Decidiu me contar o que está havendo?

— Não é nada!

Mesmo que aquela fosse a pior coisa que podia dizer, a única que não fosse o convencer, ainda que tivesse passado boa parte da madrugada ao pensar em uma explicação, nada lhe veio em mente, desesperando-se e acabando por falar aquilo.

— Eu sei que é algo, mas não entendo porque está mentindo pra mim – desanimado disse – Eu fiz algo?

— Não, Jae, não é nada – insistiu, sem coragem de olhá-lo, abaixou a cabeça.

— Tudo bem – dando-se por vencido, se levantou – Eu não vou insistir, pois você obviamente não quer contar, mas saiba que, quando tomar coragem, estarei aqui para ouvir.

Não queria força-lo demais e o irritar, por isso acabou desistindo por ora, quem sabe não tentasse de novo mais tarde.

— Jae – o chamou quando o outro já tinha saído.

Recuou alguns passos e parou na porta de novo, olhando para dentro do quarto onde Jackson continuava de cabeça baixa.

— Não pense que eu estou bravo com você e nem nada do tipo – comentou ao o olhar – Eu amo você e não seria capaz de ficar bravo com você, até porque, você não fez nada além de tentar me ajudar, então, não pense nisso, é só... Idiotice minha.

— Você é importante pra mim então nada que te incomoda é uma idiotice – respondeu – Mas eu respeito se não quer me contar, apenas saiba que pode confiar em mim.

Agora o outro saíra do quarto definitivamente e Jackson permaneceu ali. Não tinha coragem de contar mesmo com a insistência. Mesmo que Jaebum jamais fosse capaz de notar por não saber de nada, aquele “eu amo você” carregava muito mais sentimentos do que o coreano podia imaginar, era uma forma do mais novo resumir o que sentia, sem que fosse descoberto. Pelo menos foi uma forma de desabafar em segredo, sentindo-se ligeiramente melhor. Continuou ali por algum tempo, saindo do quarto apenas minutos depois, no momento em que o mais velho desligava o celular ao encerrar uma chamada.

— Jack, vamos até a casa dos meus pais? – ao notar que o menor estava ali, perguntou ao virar em sua direção, agindo mais normalmente.

— Pra que? – confuso com o convite repentino, questionou.

— Parece que os pais do Mark estão lá com minha mãe, e eles querem falar com a gente – respondeu parecendo sério.

— Tudo bem.

— Almoçaremos por lá – comentou ao pegar sua carteira e as chaves do carro que estava no balcão da cozinha, mas parando com a mão na maçaneta, sem girá-la.

— O que foi? – preocupado o outro perguntou ao observar.

— Não tenho um bom pressentimento sobre isso – respondeu baixinho.

— Por quê? Eles disseram algo?

— Não... Bom, deixa pra lá, vamos.

Assentiu e seguiu o maior para fora do apartamento, entrando no elevador e descendo para o estacionamento em seguida. Fazia um bom tempo que não via os pais de Mark, então estava ansioso para saber o que eles queriam, mas tinha de admitir que estava nervoso como Jaebum. O trajeto foi silencioso e logo chegaram ao endereço. Entraram e cumprimentaram a todos. A comida já estava pronta então decidiram comer antes de conversar, mas enquanto estavam na mesa, o clima parecia estranho. Todos muito quietos, mas proporcionando o tipo de silêncio desagradável que deixava Jaebum aflito. O que estava acontecendo afinal? Era tão grave assim? Ajudou sua mãe a tirar a mesa e lavar a louça enquanto os outros iam até a sala, logo, juntaram-se a eles.

— O que queria falar? Parece sério – perguntou Jaebum.

— Não é nada muito sério, não se preocupe, mas nós queríamos avisar vocês – a mulher disse – Como vocês devem saber, as buscas pelo Mark não estão resultando em nada, nenhuma pista, nada, então, nós decidimos voltar para Los Angeles.

— Espera o que? – surpreendeu-se – Vocês estão desistindo então?

— Não! – ela exclamou visivelmente afetada com aquilo – Mark é nosso filho, jamais desistiríamos dele, mas, ficar aqui não está ajudando em nada, o caso não saí do lugar, e nós não podemos parar.

— Eu sei... Desculpe, eu não... Eu não quis dizer isso – arrependeu-se, falando agora de maneira mais suave.

— Não se preocupe, eu entendo que você se importa com ele e que está sofrendo por isso – compreensiva ela o confortou – Mas não há nada que possamos fazer e não ser rezar e ser otimistas.

— Ela tem razão querido – sua mãe concordou ao passar a mão pelas costas do filho que continuava cabisbaixo.

— Eu sei, mas é difícil – disse em tom baixo, suspirando em seguida – Mas vocês fazem certo.

— Qualquer novidade e nós voltamos correndo, mas precisamos continuar e resolver muitas coisas lá – Sr. Tuan se pronunciou.

— Tudo bem, espero que tenham uma boa viagem de volta – forçou um sorriso triste.

— Obrigado – ela agradeceu ao sorrir e se levantar juto a todos no ambiente – Você Jackson, obrigado também por todo apoio.

— Não precisa agradecer, o filho de vocês é muito importante pra mim também – ele respondeu ao sorrir.

— Assim como você é para ele – o homem responde.

— E você Jaebum, vê se tenta se animar um pouco, sim? – ela se aproximou do rapaz ao colocar uma mão em seu ombro o confortando – Mark odiaria te ver tão pra baixo assim. Pense nos bons momentos e sorria, assim como também não desista, nem tudo está perdido.

Apenas alargou mais o sorriso em agradecimento enquanto a mulher se afastava junto ao marido, para junto de sua mãe que se despediu e os acompanhou até a saída. Sentou-se no sofá novamente, com uma expressão pensativa. Jackson sentou-se ao seu lado.

— Tudo bem? – preocupado perguntou. O coreano assentiu.

— É só um pouco estranho – respondeu virando a cabeça para o olhar – Parece que todos estão aceitando que ele se foi, menos eu.

— Mas isso não é uma desistência e nós não temos certeza de nada, ele pode aparecer.

— Sejamos realistas Jack, as chances de isso acontecer são bem baixas – disse, mantendo os braços apoiados nas pernas e a cabeça baixa.

— Mas não nulas – retrucou ao passar os dedos pelos fios de cabelo da parte de trás de sua cabeça – Não perca a esperança.

Assentiu e deixou que o corpo tombasse levemente para o lado até que encostasse a cabeça no ombro do menor. Tentaria acreditar nas palavras do amigo.

— O que acham de passar a noite aqui hoje?

Levantaram o olhar para a mãe de Jaebum que agora estava parada em frente aos dois.

— As notícias não foram muito boas então é sempre bom nos unirmos em momentos como esse, não acham? Eu me sentiria um pouco mal se vocês voltassem ao apartamento, pelo menos por hoje – com um sorriso doce ela disse.

— Tudo bem, acho que vai ser melhor – o moreno respondeu.

— Se não for incomodar...

— As portas da minha casa estarão sempre de portas abertas a você Jackson, afinal, você é quase nosso segundo filho.

Ele sorriu em resposta e ela voltou para a cozinha. Talvez realmente fosse melhor para ambos se manterem juntos um pouco, poderia animar os quatro presentes na casa. A tarde passou de forma monótona, a chuva fraca continuava a cair e o clima estava um pouco mais melancólico. Ficaram ora assistindo televisão e ora ajudando a mãe do coreano com algumas coisas pela casa até que a noite caísse e eu pai chegasse. Contaram o que tinha acontecido e que ficariam por ali naquele dia. Enquanto Jackson ficava na sala conversando com o homem que tentava animar a casa, Jaebum continuava ajudando a mãe no jantar. Nesse meio tempo, com toda essa coisa de família, acabou lembrando-se de algo.

 

Estava oficialmente namorando Mark. Depois de saírem algumas vezes, ficou bem claro para ambos que se gostavam e queriam ficar juntos. Jaebum estava feliz, normalmente quando uma pessoa se apaixonava por um amigo próximo, as chances de não ser correspondido eram altas, mas nesse caso, teve sorte do americano de sentir da mesma forma. Era sexta-feira no final da tarde, os dois estavam na quadra perto do colégio onde costumavam ir, sentados no chão lado-a-lado, após um cansativo dia de escola.

— Jae, eu me esqueci de te contar algo! – o americano disse de repente, virando-se para o maior que o olhou interrogativamente – Eu contei para os meus pais que estamos namorando.

— Sério? E aí?

Estavam juntos há mais ou menos uma semana, e dois dias atrás, combinaram de contar a suas famílias. Já se conheciam, tinham ido à casa um do outro várias vezes, mas sempre como amigos e os dois admitiam estar nervosos com a reação de suas famílias, pois agora se apresentariam como namorados de seus filhos. Sabiam que seus pais aceitavam bem suas orientações sexuais, mas isso não acabava totalmente com aquele medo e aquela insegurança.

 — Eles ficaram surpresos de início, mas disseram que se eu estava feliz é o que importa – respondeu sorrindo – E eles adoram você!

— É, mas como seu amigo, agora as coisas são diferentes... – ainda meio sem graça, mas aliviado, disse.

— Não se preocupe, eles te tratarão como sempre – respondeu abraçando seu pescoço para tentar o acalmar – Mas e você? Contou? – o outro assentiu – Como foi? – animado, acabou se empolgando demais e sentando no colo do coreano, sem deixar de abraça-lo.

— Eles ficaram felizes até – respondeu o abraçando pela cintura – Você sabe hyung, meus pais consideram você e o Jackson mais como filhos deles do que eu mesmo.

O americano riu com aquilo e o outro riu junto.

— Eu 'to tão feliz Jae – disse baixinho, curvando-se um pouco para apoiar a cabeça em seu ombro, sentindo o perfume do mais novo que ainda se fazia presente – Eu realmente quero que as coisas deem certo entre a gente.

— Eu também – respondeu sorrindo e beijando o topo de sua cabeça enquanto o abraçava um pouco mais apertado – Eu também...

Decidiram então juntar os dois lados no mesmo lugar de uma vez e todos se conhecerem, eram mais prático do que ficar indo cada um na casa de um. Tudo correra bem naquele dia na casa dos Im, o que os deixava felizes. Era noite de sábado, os pais estavam conversando na sala enquanto os mais novos encontravam-se sentados nas escadinhas da entrada da casa, olhando as poucas estrelas que infelizmente não podiam ser muito vistas dali.

— Sabe, eu tenho medo – olhando para cima, Mark disse de repente.

— De que? – curioso o outro perguntou, também de olhos erguidos ao céu noturno.

— De nós acabarmos sendo só mais uma paixãozinha passageira de colegial – respondeu e ambos agora se olhavam – Você acha que isso vai acontecer conosco?

— Eu não sei, mas eu prefiro não pensar muito no futuro e viver o que está acontecendo hoje – respondeu sorrindo levemente – Mas, eu garanto que não vou conseguir te deixar tão cedo, mas pra frente algo pode acontecer? Sempre pode, mas por agora, eu vou fazer de tudo pra continuar tendo você comigo, na minha vida.

A forma que Mark o olhava, sorrindo de forma genuinamente feliz e apaixonada, o fazia ter sua atenção presa na sua face pelo máximo de tempo possível.

— Você é incrível sabia? – perguntou apoiando seus braços nos ombros do maior e se aproximando, passando a ponta de seu nariz pela do outro.

— Estou apenas sendo sincero – respondeu ao levar uma mão até a lateral de seu rosto e acariciar sua bochecha com o polegar – Não se preocupe tanto, você gosta mesmo de mim, certo?

— Claro.

— E eu de você, e é isso que importa por agora.

— Tem razão.

Aproximou-se devagar, até que estivesse perto suficiente para alcançar seus lábios, o beijando carinhosamente. Tinha coisas para se preocupar no momento, como por exemplo, os estudos que em pouco tempo terminaria, mas ali, naquela hora, a única coisa que o importava era Mark.

 

— Jae querido.

Piscou algumas vezes olhando para sua mãe que estava a sua frente, provavelmente chamando sua atenção há algum tempo. Tinha se distraído sem ao menos perceber.

— Desculpe mãe, estava me lembrando de algo – respondeu sorrindo melancólico.

— Posso saber o que era? Você parece um pouco tristinho – ela perguntou ao observar sua face.

— Você se lembra de quando contei pra você e para o pai sobre eu e Mark? E de alguns dias depois quando juntamos vocês com os pais dele? – perguntou ainda com aquele sentimento de nostalgia.

— Claro que me lembro – ela sorriu – Ele sempre foi um bom garoto e ótimo pra você, mesmo que a notícia tivesse me pego de surpresa, eu admito que fiquei feliz.

— É, eu me lembro – respondeu baixinho – Nós éramos tão inseguros naquela época.

— Como assim? – curiosa quis saber.

— Nos perguntávamos, ele principalmente, se aquele namoro ia durar ou se ia ser apenas uma paixão colegial, e também se vocês nos apoiariam.

— É normal se sentir inseguro na adolescência, e afinal, tudo deu certo, até porque a única coisa que sempre foi importante para nós, é a sua felicidade.

— Eu sei, tivemos sorte, as coisas deram certo, mas quem diria quem acabaria assim – desviou o olhar – Passamos por tanta coisa pra que fosse em vão, isso é ridículo, ele não merecia que tudo terminasse dessa forma.

— E quem disse que esse é o fim? Você não sabe o que pode acontecer – ela tentou confortá-lo – Agora vamos, me ajude a colocar tudo na mesa e melhore essa carinha.

Assentiu mesmo que ainda pensativo e a auxiliou. O jantar foi relativamente silencioso, apenas algumas conversas aleatórias surgiam, mas logo se encerravam, mas não era como se fosse tão incômodo. Mesmo que seu antigo quarto continuasse ali intacto, Jaebum optou por dormir na sala já que acabaria ficando no sofá por bastante tempo até que o sono chegasse. Jackson o fez companhia, dormiria no outro sofá, mas no momento, estavam os dois lado-a-lado, um cobertor sobre seus colos e os olhares na janela.

— Você se lembra de quando acabamos trancados na escola por uma madrugada inteira? – perguntou Jackson rindo com a lembrança.

— Lembro sim – respondeu rindo junto – Nossos pais ficaram desesperados.

— Eu me pergunto como foi que ninguém nos encontrou naquela sala.

— Aquela sala não estava sendo usada, ninguém imaginaria que estaríamos ali dormindo.

— Nós devemos ter uma boa parte em nosso histórico escolar citando às vezes em que dormimos na escola.

— Isso é culpa de vocês dois que cismavam em passar a madrugada toda conversando.

— Não nos culpe! Você sempre concordava!

— Vocês dois me manipulavam.

— Ah claro!

Enquanto riam e continuavam se provocando ao lembrar-se de histórias da época do colegial, acabaram em uma luta onde um tentava segurar os braços do outro e o imobilizar, não obtendo muito sucesso e desistindo, voltando a sentar confortavelmente como antes.

— Eu gostaria de voltar naquela época onde nossa única preocupação era os estudos – comentou Jaebum.

— Eu também – respondeu o chinês, apoiando a cabeça no ombro do maior que apoiou sua cabeça na do menor – Era tudo tão mais fácil e divertido.

— Nós apenas estudávamos, fazíamos varias idiotices pela rua ou idiotices em casa. Era bom.

— Se você pudesse voltar, modificaria alguma coisa?

Suspirou pensando na pergunta. Era complicado, pois sabia que mudanças no passado alteravam o futuro.

— Eu acho que apenas prestaria mais atenção no Mark para evitar que isso acontecesse – respondeu após alguns instantes.

— Você sabe que a culpa não é sua... – repetiu o que já tinha lhe dito antes.

— Mas eu poderia ter evitado.

— Você se arrepende de ter me conhecido? Ou tê-lo conhecido? Ou de ter ficado com ele? – perguntou voltando ao assunto anterior – Por exemplo, ter escolhido outro grupo de amigos.

— Que pergunta idiota, claro que não – respondeu ao franzir o cenho – As lembranças mais felizes que eu tenho, são com vocês. Eu não arranjaria amigos e namorado melhores.

Jackson não sabia explicar muito bem a razão de ter perguntado aquilo, apenas queria entender um pouco melhor os sentimentos do mais velho, conseguir decifrar o que passava em seu coração. Mesmo que o conhecesse por anos, Jaebum ainda continuava sendo uma pessoa misteriosa, principalmente em relação ao que sentia, já que ele não costumava demonstrar muito seus sentimentos, ou pelo menos, não com palavras. Mesmo depois de tanto tempo, ainda sentia que tinha muito que conhecer do coreano, e animava-se com cada coisa diferente que ele dizia.

— Jae – o chamou e ele murmurou um “hum?” em resposta – Você sempre foi muito apaixonado pela Mark, não é?

— Sim – disse em tom mais baixo – Quando eu passei a reparar mais nele, depois de quase um ano que nos conhecemos, eu notei que ele era com quem eu realmente queria estar, sabe? Eu passei a vê-lo de uma forma diferente.

O chinês se sentia um pouco mais confortável em falar sobre Mark agora que Jaebum parecia um pouco melhor com aquele assunto também, começando a se acostumar com aquela situação. Era realmente triste, mas necessário. Aquela resposta acabou com suas dúvidas, Jaebum então realmente sempre gostou do americano. Aquilo o deixava mais tranquilo mesmo que fosse doloroso, pois significava que se tivesse o chamado para sair, teria levado um fora e as coisas se tornariam piores, talvez nem mesmo fossem tão próximos como agora. Estava satisfeito e feliz com sua amizade, significava muito para o menor.

— Quem diria que vocês dois continuariam comigo por tanto tempo – comentou um pouco mais animado, rindo baixinho.

— E eu não pretendo te deixar tão cedo, vai ter que continuar me aturando – bem humorado, o chinês brincou.

— Ainda bem, pois eu não aguentaria tudo isso sem você – respondeu sorrindo de forma mais doce.

— Você fica bem sentimental à noite, sabia? – em tom de brincadeira o provocou, recebendo uma cotovelada de leve na costela – Ai!

— Isso foi por zombar de mim – retrucou rindo.

Riram por mais alguns minutos até decidirem dormir. Na manhã seguinte, apenas comeram algo com seus pais e depois voltaram ao apartamento do mais velho. Os dias foram se passando de forma mais tranquila, eles não saíam mais tanto quanto antes, pois apesar de estarem se acostumando com aquela nova realidade, ambos pareciam preocupados e incomodados com algo. Apenas encontraram Jinyoung em um desses dias, e chamaram Bambam, o colega de trabalho de Jackson para jantar lá. Jaebum gostou do tailandês mais novo, ele era divertido e parecia um pouco com Jackson. As férias de ambos acabaram e agora as rotinas teriam que voltar ao normal.

— Você vai ficar bem sozinho aqui, não vai? – preocupado, o chinês perguntou enquanto terminava de colocar uma camiseta na mala pequena que tinha, olhando para o outro que permanecia escorado ao batente da porta do quarto.

— Claro que vou – assentiu mesmo que meio sério – Já disse que não pretendo fazer nenhuma idiotice de novo, você viu esses dias que estou bem.

— Tudo bem, confio em você – sorriu fechando a mala – Mas qualquer coisa você sabe que pode me ligar e-

— Jackson, está se desesperando a toa – riu baixinho – Como se eu já não te ligasse todo dia mesmo. Fica tranquilo.

— É, tudo bem, tem razão – sorriu sem graça agora caminhando para fora – Nos vemos depois então, e boa volta ao trabalho.

— Pra você também – o abraçou rapidamente – E vê se para de ficar se preocupando tanto e distraia-se.

Assentiu sorrindo e caminhando para a saída ao lado do mais velho.

— Só mais uma coisa – o coreano disse quando já estavam no hall – Não se esqueça de me contar o que é que vem te incomodando tanto, assim que se sentir confortável pra dizer. Estarei aqui esperando.

— Tudo bem.

Despediram-se, voltando então a viver cada um sozinho em sua respectiva casa. A companhia de Jackson era agradável, sempre era, mas sentia falta de ficar um pouco sozinho para pensar. Precisava daquela privacidade para organizar sua vida principalmente. O menor também estava precisando ficar sozinho já que seus sentimentos em relação ao amigo se acenderam e se embolaram mais uma vez. Aquela distância serviria para que se acalmasse mais uma vez.

Jaebum estava feliz em voltar ao trabalho, gostava do que fazia e aquilo lhe serviria para manter a cabeça ocupada, além de acabar com aquela sensação de estar sendo um peso para seu pai e para os outros funcionários. Mesmo que agora as coisas parecessem estar tão estressantes, lidando com o trabalho, clientes chatos e todos os problemas que tinha de lidar, sua vida aparentava estar o mais perto do normal de antes. Sentia-se um pouco mais acostumado com tudo, menos depressivo e mais estável.

Mais um final de expediente chegava ao final e antes de voltar ao apartamento, Jaebum resolveu parar naquela bem conhecida cafeteria que costumava ir, mas diferentemente de todas as outras vezes, agora estava sozinho, porque queria e porque precisava daquele tempo. Adentrou o lugar, escutando o sininho tocar acima de si. O ambiente era simples, com uma decoração clássica e bem aconchegante. Gostava bastante dali justamente por seu ambiente calmo e acolhedor. Era perfeito para alguém como ele que não gostava de tumultos e locais barulhentos. Pediu um mocha assim que se sentara em um dos bancos perto da janela. Os dias estavam bastante chuvosos nas últimas semanas, e ficar sentado ali enquanto bebia algo quente, observava as gotas de chuvas escorrerem e escutá-las cair no chão. Era seu tipo de momento em paz perfeito, principalmente se estivesse na companhia de Mark, mas infelizmente aquilo não era possível no momento, então apenas se contentava em observar o vapor subir do líquido quente enquanto pensava.

 

Jaebum andava extremamente estressado com todas as obrigações e cobranças da faculdade, acabando por se irritar com qualquer coisinha que o diziam, mas naquele momento, tudo o que o preocupava parecia sumir, dando lugar apenas para sensações boas. Era noite, a sala estava parcialmente escura, tendo como iluminação a televisão que exibia o início de um filme que parecia interessante, assim como a claridade que entrava pelos vidros da porta da varanda. Encontrava-se sntado em um dos cantos do sofá com um cobertor jogado por cima de suas pernas. O que mais lhe agradava além de todo o ambiente confortável, era a presença de um certo americano, que no momento caminhava até ele com duas canecas de cappuccino caseiro, lhe entregando uma e se sentando ao seu lado.

— Depois de muito esforço eu consegui convencer o Jackson a me ensinar a fazer isso – comentou aconchegando-se junto ao moreno que lhe envolvia junto a si com o braço livre – Não vai ficar igual, mas deve estar bom.

— Com certeza vai estar – comentou ao assoprar antes de dar um gole.

— Está mais calmo Jae? – fez o mesmo e perguntou em seguida, apoiando a cabeça em seu ombro e o olhando – Sei que a universidade está te estressando.

— Estou sim, não se preocupe – respondeu sorrindo para o outro – Não tem como não ficar estando assim com você, já que faz tempo que não aproveitamos um momento juntos, tão em paz como agora.

— É verdade, sempre que nos vemos é só para comermos algo em algum lugar, bem rápido, nunca aproveitando de verdade – concordou ao suspirar baixinho em seguida – As coisas vão ficando cada vez mais complicadas ao passar dos anos, espero que isso não acabe nos afastando consequentemente...

— Não vai – disse em tom reconfortante – Você é importante demais pra que apenas falta de tempo me faça te afastar de mim.

— Ainda bem – sorriu aliviado – É só que...

Afastou-se um pouco, olhando para a caneca em mãos enquanto parecia pensativo e incomodado ao mesmo tempo.

— O que foi? – curioso perguntou.

— Às vezes eu tenho medo de que, por nós andarmos bem mais afastando, nos vendo bem mais raramente, você acabe gostando de alguém bem mais presente, alguém que estude ou trabalhe com você e que esteja mais por perto – explicou mesmo que se embolando um pouco – Não é que eu não confio em você, mas, eu não sei...

— Ei – deixou a caneca encima da mesinha ao lado do sofá e levou uma mão até a lateral do rosto do mais velho – Olha pra mim – o outro o fez – Pare de pensar esse tipo de besteira porque não importa se nós acabarmos nos vendo pessoalmente uma vez por mês que seja, isso não vai mudar o que eu sinto por você – com aquilo, o menor sorriu. Acariciou seu rosto enquanto se aproximava aos poucos – Você é o único que consegue me acalmar quando eu estou estressado, só por estar perto de mim, e eu não gostaria de estar aqui com mais ninguém.

— Você também é o único no meu coração – disse baixinho, inclinando-se um pouco mais perto do outro – Quem me conquistou tão facilmente e quem sempre vai me ter por completo.

Não bastou dizer mais nada para que o coreano acabasse com qualquer distância entre seus lábios. Era tão bom tê-lo ali consigo que não sabia mais nem descrever em palavras. Enquanto tentava puxar o corpo do americano para mais perto de si, o próprio Mark esqueceu que ainda segurava a caneca com o cappuccino, acabando por deixar virar um pouco encima das pernas dos dois, que se assustaram e se afastaram, olhando para baixo e rindo em seguida.

— Você não se queimou? – preocupado o coreano perguntou ainda rindo. O ruivo negou.

Terminaram de beber, levaram as canecas para a pia e voltaram a se aconchegar no sofá, abraçados e sentindo o perfume um do outro enquanto assistiam ao filme, escutando o barulho da chuva do lado de fora e os corações nos peitos um do outro. Era a melhor sensação de todas.

 

Sorria enquanto pensava no americano e mesmo que ainda o desejasse de volta com todas as suas forças, era bom fechar os olhos e ter sua mente sendo preenchidas por memórias boas dos dois juntos, deixando que aquilo lhe aquecesse um pouco aquele buraco que possuía no peito. Terminou o que bebia, pagou e saiu da cafeteria, voltando para o apartamento em seguida.

Assim o tempo foi se passando, seis meses para ser mais preciso, desde o desaparecimento de Mark. Seus pais continuavam na Califórnia e eles não tiveram mais muitas notícias dele. Jackson nunca contou o que tanto o incomodava, nunca revelou a Jaebum o que sentia por ele, pois nunca teve coragem suficiente para acabar sacrificando aquela amizade que tinham, optando por sozinho, tentar enterrar dentro de si, mais uma vez, toda aquela paixão e ainda que não conseguisse tanto resultado, pois controlar os próprios sentimentos era algo impossível, continuaria tentando, para conseguir então voltar a agir normalmente perto do mais velho. Por sorte, passadas algumas semanas desde que deixara seu apartamento, as coisas se normalizaram e ele não mais o evitava, agindo como se nada tivesse acontecido. Jaebum por sua vez, estava bem mais estável psicologicamente, tinha parado de se automutilar e voltava a seguir sua rotina como antes, e mesmo que ainda com uma ferida aberta dentro de si por conta da falta de Mark, que jamais se fecharia, não demonstrava mais toda aquela depressão. Estava se adaptando e se acostumando, o que causou grande alívio em sua família e em Jackson. O coreano já conseguia falar sobre ele com mais naturalidade e pensar nele sem desabar e começar a chorar. As coisas estavam se encaixando na vida de todos novamente.

Uma tarde, porém, enquanto estava em sua sala trabalhando, uma ligação o fez ficar o resto do dia preocupado. Era da polícia, pediram para que ele comparecesse a delegacia mais tarde. O que podia ter acontecido? Não estava esperançoso para a possibilidade de terem encontrado alguma pista sobre Mark, pois ele estava desaparecido há meio ano, na verdade, tinha um pressentimento ruim. Saiu apressado do prédio, entrando no carro e dirigindo em direção ao local indicado, mas ao chegar lá, sua vida e seu emocional pareciam ter se desestabilizado completamente, fazendo seu mundo desabar mais uma vez. Foi informado de que as buscas mais intensivas pelo americano estavam encerradas e por mais que ele continuasse nos arquivos de pessoas desaparecidas, a polícia não se esforçaria e não se moveria para encontra-lo. Em outras palavras, estavam o considerando praticamente como morto. Claro que Jaebum sabia que as chances dele ser encontrado após tanto tempo eram quase nulas, mas ter a certeza de que todos estavam desistindo da possibilidade dele ainda estar vivo, dando-o como uma pessoa morta, era algo que ainda não conseguia suportar.

— Sinto muito rapaz – o delegado lhe disse – Mas eu acho melhor você começar a se conformar com o fato de que ele não vai voltar. Siga sua vida. Uma pessoa desaparecida por tanto tempo, raramente será encontrada viva e quanto mais rápido você aceitar isso, mais fácil será.

Não...

Ele não podia estar morto...

Ele não o abandonaria daquela forma...

Ele não...

Não conseguia responder, apenas levantou e saiu, com o olhar tão vazio quanto seu peito.

Por   que   você   me   deixou   ?



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