História Beautiful Crime - Capítulo 3


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Emma Swan, Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Will Scarlet, Xerife Graham Humbert (Caçador)
Exibições 62
Palavras 2.526
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Orange, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E cá estou eu com mais uma atualização tensa para vocês.
Quem é fã de Halsey vai curtir a música do capítulo que é Haunting. Delícia! Vale a pena ouvirem.
No mais...beijão e boa leitura para vocês!

Capítulo 3 - Erros e mentiras


Fanfic / Fanfiction Beautiful Crime - Capítulo 3 - Erros e mentiras

 

POV Emma

O que somos capazes de fazer por amor? Enquanto não vivenciamos uma situação no qual nos vemos diante desse questionamento, precisando escolher entre um caminho ou outro à seguir, tudo parece fácil de ser analisado. Os limites são inquebrantáveis, nossa conduta e valores similarmente imutáveis. Depois de tudo o que aconteceu, tenho lá minhas dúvidas sobre o amor não ser o objeto principal de uma mudança brusca e perturbação em nós, em nossas vidas. Ele pode se mostrar de várias formas, mudar algo que não estava nos planos que traçamos para o futuro. E de repente você se vê transformado, não acreditando mais em seus antigos valores, pois hoje já não são suas opiniões e sim a junção de duas pessoas diferentes, uma do passado e outra do presente.

O que eu era capaz de fazer por amor? A forma como conduzi as situações pelos acontecimentos com a morte de Zelena realmente foram demonstrações de amor ou apenas uma amostra de que meu caráter é fraco e pode facilmente ser manipulado? Pela felicidade de quem se ama somos capazes de mudar o mundo. Mas e aonde tinham ido parar os meus valores? Ou esses, com os quais conduzo minha atual vida, são novos e meus da mesma maneira? Existe um limite para isso?

Diante da possibilidade de Regina ser morta pela irmã no confronto em que tiveram, foram permitidos à mim, segundos para fazer uma escolha que transformaria a meu destino. Quando optei por salvar a vida de Mills, matando outra pessoa, mesmo sob a carapaça da legítima defesa, sequer imaginava que viria outra escolha à ser feita logo em seguida, e dessa vez, muito mais complexa. Agir de acordo com o juramento que fiz em honrar a minha profissão e manter meus princípios sob a regência da lei ou ouvir os gritos que meu coração dava para que eu amparasse aquela mulher despedaçada diante de mim que, mesmo sendo cúmplice de vários crimes e sendo a própria criminosa em alguns outros, também era vítima dos infortúnios de seu triste e trágico destino? Um caminho era o certo, o outro não. Um caminho era legal, o outro não. O engraçado é que diante de um impasse eu não pestanejei, nem tive maiores dificuldades. Talvez levada pelo impulso eu apenas deixei-me ser guiada. Fui repensar os meus atos e a conseqüência deles depois que a bagunça estava arrumada, mas já não era tempo de voltar atrás e tratar de arrependimentos. E tem algo mais engraçado ainda...eu não tive nenhum arrependimento.

Eu matei Zelena para salvar Regina. Nada mudaria isso por mais que minha namorada dissesse que tinha superado, que estava tudo bem. Nós encobrimos o que houve, permitimos que um pobre miserável, mas inocente, fosse culpabilizado, seguimos nossa vida como se nada tivesse acontecido. Éramos as criminosas, apesar de vivermos combatendo o crime. Ambíguo, discrepante, enlouquecedor. Estava tudo confuso, errado, de pernas para o ar. Imaginei que ajudando a enterrar o passado de vez, com uma nova vida, fosse possível seguir em frente e, mesmo sob circunstâncias extenuantes, eu acreditava nisso. Fazíamos terapia fora do Departamento, buscamos auxílio externo. Precisávamos nos reerguer. Essa era a minha condição para ficar.

Minha vida com Regina é boa, de certa forma. Descobri uma Emma nova, ou talvez uma que estivesse apenas adormecida esperando a princesa para despertá-la, a rainha, na verdade. Largar a boemia para “casar” foi penoso no princípio, mas a morena não deixou que eu sentisse falta de nada, que não sentisse o saudosismo da vida noturna e cheia de prazeres carnais. Eu tinha muito sexo e dos melhores, tinha carinho, tinha o necessário para estar feliz, no sentido afetivo das coisas. O que insatisfazia-me às vezes, poderia até estar correlacionado à questões amorosas, mas não eram o pilar dos problemas. Meu problema maior se chamava “fantasmas do passado”. Eu tentava eliminá-los, esquecê-los, mas vira e mexe estavam rondando nossa rotina, com a velha mania de Mills de ser introspectiva demais e acabar omitindo certos detalhes de mim com receio de minha reprimenda. Eu buscava nossa redenção, reparando no que era possível os nossos erros, mas ela sempre recuava, retrocedia. Isso atrapalhava a nossa convivência por vezes.

Esquecendo um pouco os problemas de lado, hoje estava atendo-me somente em cuidar dos preparativos do jantar em comemoração ao meu retorno ao trabalho. Desde que sofri uma lesão, pude confirmar que meu lugar realmente era na ativa e que ficar dentro de casa deixava-me ainda mais doente.

Regina, como sempre, surpreendia com suas atitudes galantes. O bouquet que ela havia me dado era lindo e remetia à um relacionamento que vemos muito em novela, onde uma das partes busca o agrado da outra com esses mimos românticos.

O menu da noite foi escolhido à dedo. A morena era extremamente inteligente, mas eu conseguia burlar sua perspicácia com facilidade. Em um momento de distração, depois de uma noite de amor, como quem não quer nada, comentei sobre um programa de batalha culinária que havia assistido antes dela chegar do trabalho. Basicamente os casais disputavam quem acertava na escolha do cardápio e, sem saber, ela me disse exatamente o que gostaria de comer: como entrada um crumble de legumes e cilindros de cream cheese, o prato principal seguiria com um peito de frango marinado com azeite, limão siciliano e alecrim, juntamente com as batatas roesti, e de sobremesa, mousse de doce de leite.

Eu não era uma expert na cozinha, mas esses dias em casa, obrigatoriamente, por temer o ócio, fizeram-me adquirir uma destreza maior. Comecei a preparar os alimentos cedo, pois se algo desse errado, ainda teria tempo suficiente para o plano b: pedir comida pelo delivery.

Regina subiu para um banho, descendo alguns minutos depois para almoçar. Não pôde se demorar já que praticamente a expulsei de perto de mim. Quando terminei minhas tarefas, fui até a sala de televisão fazer companhia para a minha namorada, mas acabei encontrando-a aos cochilos deitada no sofá. Foi inevitável sorrir. Dei-lhe um beijo na testa e segui para nosso quarto à fim de tomar uma ducha e preparar-me para mais tarde. Acabei cochilando, acordando somente com o hálito fresco de Mills sussurrando em meu ouvido.

— Estou faminta. Esse jantar sai ou não sai?

E lá estava ela sorridente, acariciando meus cabelos.

— Hum...droga! Eu vou...hum...meu amor, se importa de comer algum aperitivo primeiro? Preciso terminar tudo na cozinha, mas antes vou tomar o banho que pensei mais cedo. – Dei-lhe um selinho, levantando-me preguiçosamente.

— Oh, não me importo. Vou tomar um wisk e terminar de ver o filme que meu sono impediu. – Rimos.

Apressei-me o máximo possível. Mesmo que fosse algo somente entre nós, merecia uma preparação especial, até porque relacionamentos caem na mesmice pela falta de criatividade e desinteresse do casal. Vesti-me, maquiei-me e fui terminar o que devia para a nossa refeição. Como a mesa é o centro das atenções, escolhi uma toalha linda, bem como nosso melhor jogo de louças, talheres e copos. Velas aromáticas e flores auxiliaram a compor a decoração do ambiente.

Ansiosa, fui chamá-la. Regina não precisava de muito para mostrar-se bela e atraente. Era natural, vinha de algo que se chama âmago. A morena tratou de ligar o som para podermos apreciar o jantar da forma mais agradável possível. A escolha da vez foi Waves Breaking In, acertada como sempre. Essas músicas ambiente, calmas, relaxantes nunca foram minha primeira opção, obviamente, mas passei a apreciar depois que Mills e eu iniciamos a prática de meditação, como parte do tratamento psicológico.

— Você estava tão ansiosa para saber o que comeríamos... – Disse, enquanto nos servia as entradas.

— Oh, meu Deus! Não acredito nisso, Emma! – Ela estava boquiaberta – Você...você reproduziu as receitas do programa?

— Tentei, ao menos. Espero que de sabor esteja bom. A aparência não é tão ruim, é?

— Espera! – Minha namorada levou uma garfada à boca. Mastigou, mastigou, mas não deu indicativo nenhum quanto à sua apreciação ou não.

— O que foi, Regina? Está me deixando nervosa.

A morena demorou um pouco mais para manifestar-se. Limpou os cantos da boca com o guardanapo antes de começar a gargalhar.

— Oh, céus! Devia ver sua cara! É de pavor!

— Regina Mills! – Repreendi-a veemente – Claro que é de pavor. Você mastiga, mastiga e fica aí como se fosse...ah, droga! Eu te odeio, sabia?

— Não. Não me odeia não. – Minha namorada tombou o corpo para o lado até alcançar meus lábios, depositando um selinho neles – É só uma comida e que por sinal está ótima! Não se cobre tanto, querida. Eu adoro o que você cozinha e não poderia ter ficado mais satisfeita com a escolha do menu.

— Sério? – Indaguei-a um pouco mais aliviada.

— Sério.

— Eu só queria que esse jantar saísse perfeito! Eu mereço, você merece, nós merecemos! Estamos indo bem, não acha? Eu acredito que possamos levar uma vida mais tranqüila agora comigo retornando ao trabalho e... – Quando comecei a falar, Mills perdeu o seu olhar em um ponto cego na mesa. Seus cotovelos estavam postos sobre a mesa e as mãos cruzadas próximas ao rosto, posição de quem pensava em uma preocupação diversa – O que foi, meu amor, algum problema?

— Eu não posso. – Ela jogou o guardanapo sobre o móvel – Não posso continuar com isso. – A morena levantou-se sobressaltada, passando a andar de um lado para o outro na cozinha, com os dedos envoltos em suas madeixas negras na nuca.

— Regina, o que está havendo aqui? – Levantei-me também.

“…'Cause I've done some things that I can't speak

Porque eu fiz algumas coisas que não posso falar

And I've tried to wash you away but you just won't leave

E eu tentei apagar, mas você não vai deixar

So won't you take a breath and dive in deep

Então, você não vai pegar folego e mergulhar na profundidade?

'Cause I came here so you'd come for me

Porque eu vim aqui, porque você viria para mim

I'm begging you to keep on haunting

Eu estou implorando para continuar assombrando

I'm begging you to keep on haunting me

Eu estou implorando para continuar me assombrando

I'm begging you to keep on haunting

Eu estou implorando para continuar assombrando

I know you're gonna keep on haunting me

Eu sei que vai continuar me assombrando...”

— Dá para desligar essa porra de música? – Minha namorada estava deveras alterada, respirando ofegante.

Eu não estava entendendo sua mudança brusca de comportamento, de humor, mas não cederia às suas grosserias pelos motivos que fossem.

— Não. Não dá para desligar a porra da música antes de você me dizer que porra está acontecendo aqui!

Regina não olhava para mim, não conseguia encarar-me. Ela tinha os punhos cerrados e seus lábios apertavam-se um no outro, sinal claro de extremo nervosismo. Depois de respirar profundamente, como se junto com o ar fosse vir uma dose generosa de coragem, a morena conseguiu desabafar:

— Eu estou mentindo para você.

— O que? Sobre o que, Regina? Ah... – Bufei alto, sentando-me em seguida – Você...está me traindo?

— Deixa de ser idiota, Emma! Por que quando dizemos a palavra “mentira” todos acham que é sobre traição? Bom, não deixa de ser uma...

— Você é quem está sendo a idiota aqui. Fala logo! – Comecei a enervar-me.

— Eu não queria estragar as coisas...

— Já estragou, Regina Mills!

— Eu recebi uma ligação ontem. – Ela parecia estar tentando acalmar-se – Um pouco antes de você chegar.

— Ok. E de quem era a ligação?

— Neal, Neal Cassidy, Agente Especial do FBI.

— E o que ele queria? – Meu tom de voz era ríspido.

— Conversar. Encontrei com ele esta manhã. – Mills suspirou – Na verdade...Emma – Nesse momento minha namorada mirou meus olhos – Ele sabe de toda a minha vida, sabe de tudo o que fizemos, sabe dos meus esquemas com Gold...

— O que? Ele...como?

— Eu não sei! É o FBI, Swan! Eles sabem o que querem saber.

— Oh, merda! Isso quer dizer que...

— Isso quer dizer que se não trabalharmos para eles, está tudo acabado.

— Espera. Você disse “meus esquemas com o Gold”. Regina, não tem mais esquemas.

— Tem. Por isso a mentira.

— Eu não estou acreditando... – Levei minhas mãos ao meu rosto – Você prometeu.

— Eu sei que prometi e eu juro que estou tentando sair dessa, mas, meu amor, você sabe como isso funciona. É uma bola de neve e não se pode abandonar o que começou. Temos que acabar com tudo, mas não é tão simples assim. Não dá para cometer uma chacina, exterminar praticamente o Brooklin inteiro e fim. Estamos lidando com traficantes extremamente conhecidos na área, perigosos. Não são corpos sem vida como estávamos acostumadas na Homicídios. Nós é que ficaremos sem vida se algo der errado. Meu Deus! – Minhas mãos continuavam em meu rosto, porém pude ver, através dos meus dedos entreabertos, que ela havia virado a taça de vinho, servido-se de mais em seguida.

Tentei conter a explosão de sentimentos que se davam dentro de mim. Eu não sabia se tinha mais raiva de Regina por não ser totalmente sincera comigo, ou mais raiva de mim por não estar surpresa com tal ato falho. Aquilo era realmente como um círculo vicioso e eu deveria saber disso.

— Nossa vida está mesmo em jogo? – Questionei-a.

— Emma, eu... – Ela encarava-me com os olhos marejados, parecia ter um pesar nos ombros que a incomodava - ...eu te amo. Sinto muito por tudo isso.

— O que ele quer de nós? – Minha voz ainda saía dura em demasia, apesar do esforço que eu fazia para manter-me tranquila.

— Neal me deu escutas. Eles querem desmantelar todas as ações ilícitas dentro do Departamento. Parece que esses esquemas vêem de tempos. O mais surreal é que eles me...”escolheram” por conta desses meus “deslizes”, por eu não medir esforços para conseguir o que quero. E você...caiu de pára-quedas quando resolveu entrar na minha vida.

— Eu não escolhi en...

— Você entendeu o que quis dizer. Emma, eu tive que aceitar, mas eu...céus! É difícil assumir, mas estou com medo. Já desgracei toda a sua vida por conta dos meus problemas. Não podia permitir que algo mais acontecesse.

— Já vai acontecer, você permitindo ou não.

— Eu sei, mas ainda posso minimizar os impactos disso tudo.

— Você não consegue. Você não pode fazer nada porque simplesmente não consegue. Até hoje me culpa pela morte da sua irmã. Eu sei que, por pior que fosse, queria que ela ainda estivesse viva e por isso não consegue se mover por mim, por nós. Não tem condições de nos ajudar a acabar de vez com esse pesadelo.

— Ah, Swan, mas é óbvio que eu adoraria que minha irmã estivesse aqui comigo. Eu falhei em protegê-la. Eu precisava consertar meus erros, só que...não deu. Não te culpo por Zelena. Culpo à mim. Por favor, isso tem que acabar. Temos que parar de nos punir sem razões.

Eu não conseguia pensar. Não conseguia discernir as idéias em minha mente e filtrá-las. Existia em mim um sentimento contraditório, pois era como um “não sentir”. Faltava atitude de minha parte, uma decisão certeira, e eu não sentia-me motivada naquele momento para decidir sobre o que quer que fosse. Esse sentimento estava gerando uma aflição tamanha, já que mesmo com tudo errado, necessitando de conserto, era como se existisse correlacionado, um vazio no qual eu não estava conseguindo preencher.



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