História Beautiful disaster - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Allybrooke, Camilacabello, Camren, Dinahjane, Fifthharmony, Laurenjauregui, Normanikordei
Exibições 130
Palavras 4.764
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Esporte, Luta, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 20 - Sai daqui


Dinah não tinha voltado ao Morgan desde que reatara o namoro com Normani. Quase nunca ia almoçar comigo, e seus telefonemas eram raros e espaçados. Não me ressenti com o casal por isso. Para falar a verdade, eu estava feliz que Dinah estivesse ocupada demais para me ligar do apartamento das meninas. Era estranho ouvir a voz de Lauren ao fundo, e eu ficava com um pouco de ciúme por ela estar passando um tempo com ela e eu não.

Finch e eu nos víamos cada vez mais, e, de forma egoísta, eu me sentia grata por ele estar tão sozinho quanto eu. Íamos para a aula juntos, comíamos juntos, estudávamos juntos, e até Ally acabou se acostumando a
tê-lo por perto.

Meus dedos estavam começando a ficar amortecidos com o ar gélido enquanto ficávamos do lado de fora do Morgan para que ele fumasse.

- Você consideraria parar de fumar antes que eu tenha uma hipotermia por ficar aqui, parada, para te dar apoio moral? - perguntei.

Finch deu risada.

- Eu te amo, Camila. Amo mesmo, mas não. Nada de parar de fumar. Camila?

Eu me virei e vi Shawn vindo pela calçada com as mãos enfiadas nos bolsos. Seus lábios estavam secos sob o nariz vermelho, e dei risada quando ele colocou um cigarro imaginário na boca e soprou uma baforada de ar enevoado por causa do frio.

- Você poderia economizar muito dinheiro desse jeito, Finch - ele disse.

- Por que todo mundo resolveu me encher o saco por causa do cigarro hoje? - ele perguntou, irritado.

- E aí, Shawn? - perguntei.

Ele tirou dois ingressos do bolso.

- Aquele filme novo sobre o Vietnã já estreou. Você disse que queria ver outro dia, então arrumei uns ingressos pra hoje à noite.

- Sem pressão - disse Finch.

- Posso ir com o Brad, se você tiver outro compromisso - disse ele dando de ombros.

- Então não é um encontro? - eu quis saber.

- Não, só um lance entre amigos.

- E já vimos como isso funciona com você - Finch me provocou.

- Cala a boca! - dei uma risadinha. - Legal, Shawn, obrigada.

Os olhos dele brilharam.

- Você quer comer uma pizza ou alguma outra coisa antes? Não sou muito fã da comida do cinema.

- Pizza está ótimo pra mim - assenti.

- O filme é as nove, então eu venho te buscar as seis e meia mais o menos?

Assenti de novo e Shawn acenou com a mão em despedida.

- Meu Deus - exclamou Finch. - Você é uma gulosa, Camila. Você sabe que a Lauren não vai gostar nada disso quando ficar sabendo.

- Você ouviu o que ele disse. Não é um encontro. E não posso fazer planos com base no que está bom para a Lauren. Ela não me perguntou se estava bom pra mim antes de levar a Megan para o apartamento dela.

- Você nunca vai deixar isso pra lá, hein?

- Provavelmente não mesmo.

...

Nós nos sentamos a uma mesinha de canto, e esfreguei as luvas uma na outra para me aquecer. Não pude evitar e notei que estávamos na mesma mesa em que me sentara com Lauren na primeira vez em que saímos, quando nos conhecemos. Sorri com a lembrança daquele dia.

- Qual é a graça? - Shawn quis saber.

- Eu só gosto desse lugar. Bons tempos.

- Notei a pulseira - disse ele.

Abaixei o olhar para os diamantes reluzentes no meu pulso.

- Eu te disse que tinha gostado.

A garçonete nos entregou os cardápios e anotou nosso pedido de bebidas. Shawn me contou as novidades sobre seu horário de primavera na faculdade e falou sobre seu progresso nos estudos para o teste de admissão na faculdade de medicina. Na hora em que a garçonete serviu nossa cerveja, ele mal tinha parado para respirar. Ele parecia nervoso, e eu me perguntava se ele não achava que aquilo era um encontro, apesar do que tinha dito.

Ele pigarreou e disse:

- Desculpa. Acho que acabei monopolizando a conversa. - Depois inclinou a garrafa, balançando a cabeça. - É que a gente não conversava fazia tanto tempo que acho que eu tinha muito assunto pra pôr em dia.

- Está tudo bem. Fazia mesmo um bom tempo.

Nesse exato momento, o sino da porta soou.

Eu me virei e vi Lauren e Normani entrando.

Demorou menos de um segundo para que o olhar fixo de Lauren encontrasse o meu, mas ela não pareceu surpreso.

- Ai, meu Deus - murmurei baixinho.

- Que foi? - Shawn perguntou, se virando para ver as duas se sentarem a uma mesa do outro lado do salão.

- Tem uma lanchonete descendo a rua. Podemos ir lá- ele sussurrou.

Se antes ele parecia nervoso, agora estava ainda mais.

- Acho que ficaria chato sair agora - resmunguei

O rosto dele se entristeceu, derrotado.

- É, acho que você está certa.

Tentamos continuar a conversa, mas ela tinha ficado forçada e desconfortável. A garçonete passou um longo tempo na mesa das meninas, passando os dedos pelos cabelos e alternando o peso do corpo de um pé para
o outro. Por fim, ela se lembrou de pegar nosso pedido quando Lauren atendeu o celular.

- Vou querer o tortellini - disse Shawn, olhando para mim.

- E eu vou... - minha voz falhou. Fiquei distraída quando Lauren e Mani levantaram.

Lauren seguiu a prima até a porta, mas hesitou, parou e se virou.

Quando viu que eu a observava, cruzou o salão direto na minha direção. A garçonete tinha um sorriso de expectativa no rosto, como se achasse que ela tinha voltado para se despedir, e ficou desapontada quando ela parou ao meu lado, sem nem piscar na direção dela.

- Tenho uma luta daqui a quarenta e cinco minutos, Beija-Flor. Eu quero que você vá.

- Laur...

A expressão no rosto dela era impassível, mas eu podia ver a tensão em volta de seus olhos. Eu não sabia ao certo se ela não queria deixar meu jantar com Shawn nas mãos do destino ou se ela realmente que a minha
presença na luta. Mas a verdade é que eu já tinha tomado à decisão, no segundo em que ela fez o pedido.

- Eu preciso de você lá. É uma revanche com a Alexa Ferrer. Vai ter muita gente, muito dinheiro girando... e o Austin me disse que ela andou treinando.

- Você já lutou com ela Lauren. Você sabe que é fácil ganhar dela.

- Camila- disse Shawn baixinho.

- Eu preciso de você lá - Lauren epetiu, com a confiança se esvaindo.

Olhei para Shawn com um sorriso sem graça.

- Desculpa.

- Você está falando sério? - ele disse, erguendo as sobrancelhas. Você vai simplesmente sair no meio do jantar?

- Você ainda pode ligar para o Brad, certo? - perguntei, me levantando.

O sorriso que eu ainda tanto amava apareceu no rosto de Lauren e ela jogou uma nota de vinte na mesa.

- Isso deve cobrir a parte dela.

- Eu não me importo com o dinheiro... Camila...

Dei de ombros.

- Ela é minha melhor amiga, Shawn. Se ela precisa de mim lá, eu tenho que ir.

Senti a mão de Lauren envolver a minha enquanto ela me levava para fora. Shawn ficou olhando a cena estupefato. Normani já estava falando ao telefone em seu Charger, espalhando as notícias sobre a luta. Lauren se sentou atrás comigo, mantendo minha mão firme na dela.

- Acabei de falar como Austin. Ele disse que os caras da Estadual apareceram bêbados e cheios da grana. Eles já estão irritadíssimos,
então é melhor você deixar a Camila longe deles.

Lauren assentiu.

- Você pode ficar de olho nela.

- Cadê a Dinah? - eu quis saber.

- Estudando para a prova de física.

- Aquele laboratório é legal - disse Lauren.

Ri uma vez e depois olhei para ela, que tinha um leve sorriso no rosto.

- Quando você viu o laboratório? Você não teve aula de física - Normani comentou.

Lauren riu baixinho e dei uma cotovelada nela. Ela pressionou os lábios até que a vontade de rir diminuiu, depois deu uma piscadinha para mim, apertando minha mão. Seus dedos se entrelaçaram aos meus, e ouvi um fraco suspiro escapar de seus lábios. Eu sabia o que ela estava pensando, porque eu sentia a mesma coisa. Naquele curto espaço de tempo, era como se nada houvesse mudado.

Paramos o carro em uma parte escura do estacionamento, e Lauren se recusou a soltar minha mão até entrarmos pela janela do porão do Prédio de Ciências Hellerton, que tinha sido construído apenas um ano antes, por isso não tinha ar estagnado e poeira como os outros porões n que já havíamos
entrado.

Assim que passamos pelo corredor, ouvimos o rugido da multidão.

Enfiei a cabeça para fora e vi um oceano de rostos, muitos dos quais não eram familiares. Todo mundo tinha uma garrafa de cerveja na mão, mas era fácil distinguir os alunos da Estadual ali no meio - eram aqueles que
cambaleavam com olhos pesados.

- Fica perto da Normani, Beija-Flor. Isso aqui vai ficar uma loucura - Lauren disse atrás de mim.

Ela analisou a multidão, balançando a cabeça ao notar quantas pessoas estavam ali.

O porão do Hellerton era o mais espaçoso do campus, então Austin gostava de marcar lutas ali quando esperava muita gente.

Mesmo assim, as pessoas se espremiam nas paredes e se empurravam para conseguir um

lugar melhor.

Austin apareceu e nem tentou disfarçar sua insatisfação com minha presença.

- Achei que eu tinha te falado pra não trazer mais sua mina nas lutas, Lauren.

Ela deu de ombros.

- Ela não é mais minha mina.

Mantive a expressão tranquila, mas ela disse essas palavras de um modo tão objetivo que me fez sentir uma punhalada no peito.

Austin olhou para baixo, para nossos dedos entrelaçados, e ergueu o olhar para Lauren.

- Eu nunca vou entender vocês duas.

Ele balançou a cabeça e olhou de relance para a multidão. As pessoas continuavam entrando pelas escadarias, e aquelas que estavam na parte de baixo já formavam um aglomerado.

- Tem uma grana preta em apostas hoje, Lauren. Então nada de ferrar com a luta, ok?

- Vou garantir que seja divertido pra todo mundo, Austin.

- Não é com isso que estou preocupado. A Alexa vem treinando.

- Eu também.

- Papo furado - disse Normani, rindo.

Lauren deu de ombros.

- Entrei numa briga com o Chris no fim de semana passado. Aquele merdinha é rápido.

Ri baixinho e Austin olhou feio para mim.

- É melhor você levar isso a sério, Lauren - ele disse, encarando-a. - Eu tenho muito dinheiro correndo nessa luta.

- E eu não? - Lauren respondeu, irritada com o sermão.

Austin se virou com o megafone na boca enquanto subia em uma cadeira, para ficar mais alto que aquele monte de espectadores bêbados.

Lauren me puxou para ficar ao seu lado enquanto o mestre de cerimônias saudava a multidão e repassava as regras.

- Boa sorte - falei, pondo a mão no peito dela.

Ela me agarrou pelos ombros e me deu um beijo nos lábios. Afastou-se rápido de mim, assentindo uma vez.

- Essa é toda a sorte que preciso.

Eu ainda estava abalada pelo calor de seus lábios quando Normani me puxou para a parede ao lado de Austin. Levei algumas cotoveladas, me lembrando da primeira noite em que vira Lauren lutar, mas a multidão estava menos focada, e alguns dos alunos da Estadual começavam a ficar hostis. Os alunos da Eastern vibraram e assobiaram para Lauren quando ela entrou no Círculo, e a multidão da Estadual se alternava entre vaiá-lo e torcer por Alexa.

Eu estava em uma posição privilegiada e podia ver Alexa se elevando sobre Lauren contorcendo-se impaciente enquanto aguardava o início da luta. Como de costume, Lauren tinha um leve sorriso no rosto, sem
se deixar afetar pela loucura à sua volta.

Quando Austin deu início à luta, Lauren deixou que Alexa acertasse o primeiro soco. Fiquei surpresa quando o rosto dela foi lançado violentamente para o lado com o golpe. Alexa tinha mesmo treinado.

Lauren sorriu e seus dentes tinham um brilho vermelho. Ela se concentrava em revidar cada soco do adversário.

- Por que ela está deixando a Alexa bater tanto nela? - perguntei a Normani.

- Não acho que ela está deixando - ela respondeu, balançando a cabeça. - Não se preocupe, Camila. Ela está se preparando para aumentar a idade da luta.

Depois de dez minutos, Alexa estava sem fôlego, mas ainda acertava golpes firmes nas laterais e no maxilar de Lauren. Quando a adversária tentou chutá-la, Lauren agarrou seu pé e segurou sua perna alto com
uma das mãos, socando-o no nariz com uma força incrível e depois erguendo a perna de Alexa ainda mais alto, fazendo com que ela perdesse o equilíbrio. A multidão explodiu quando ela caiu, mas ela não permaneceu no chão por muito tempo. Logo se levantou, com duas linhas de um vermelho escuro escorrendo do nariz. No momento seguinte, ela acertou mais dois socos na cara de Lauren. O sangue começou a verter de um corte na sobrancelha e a gotejar pelo rosto de Lauren.

Fechei os olhos e me virei, na esperança de que Lauren pusesse logo um fim àquela luta. Minha leve mudança de posição fez com que eu ficasse presa na corrente de espectadores e, antes que eu pudesse me ajeitar já estava a mais de um metro de uma preocupada Normani. Meus esforços para lutar contra a multidão foram em vão, e não demorou muito para que eu fosse prensada contra a parede.

A saída mais próxima ficava do outro lado do salão, à mesma distância da porta por onde tínhamos entrado. Bati com tudo de costas na parede de concreto e, com o baque, fiquei sem ar.

- Mani! - gritei, acenando com a mão para cima para chamar a atenção dela. A luta estava no auge. Ninguém podia me ouvir.

Um homem perdeu o equilíbrio e usou minha blusa para se endireitar, deixando cair cerveja na minha roupa. Fiquei ensopada do pescoço até a cintura, fedendo a cerveja barata, o cara ainda segurava um punhado da minha blusa enquanto tentava se levantar do chão, e fui abrindo dois dedos dele de cada vez até que ele me soltou. Ele nem olhou para mim e foi empurrando as pessoas, abrindo caminho pela multidão.

-Ei! Eu conheço você! - outro cara gritou no meu ouvido.

Recuei, reconhecendo-o de imediato. Era Ethan, o cara que Lauren ameaçara no bar - e que, de alguma forma, tinha escapado de acusações de abuso sexual.

- É- falei, procurando por um buraco na multidão enquanto endireitava a blusa.

- Essa pulseira é legal - ele disse, agarrando meu pulso.

- Ei- falei em tom de aviso, puxando a mão.

Ele esfregou meu braço, inclinando-se, e sorrindo.

- Nós fomos bruscamente interrompidos da última vez que tentei conversar com você.

Fiquei na ponta dos pés, vendo Lauren acertar dois golpes na cara de Alexa. Ela analisava a multidão entre cada soco - estava procurando por mim em vez de se concentrar na luta. Eu tinha que voltar para o meu lugar antes que ela ficasse distraída demais.

Eu mal tinha conseguido avançar em meio à multidão quando Ethan afundou os dedos na parte de trás da minha calça jeans e me puxou.

Minhas costas bateram com tudo na parede mais uma vez.

-Eu ainda estou conversando com você - ele disse, olhando para minha blusa molhada com intenções lascivas.

Arranquei sua mão da minha calça, afundando as unhas nele.

- Me solta! - gritei, quando ele apresentou resistência.

Ele riu e me puxou para junto de si.

- Eu não quero te soltar.

Procurei entre a multidão por um rosto familiar, ao mesmo tempo em que tentei empurrá-lo para longe. Os braços dele eram pesados, e sua pegada, firme. Em pânico, eu não conseguia distinguir os alunos da Estadual dos da Eastern. Ninguém parecia notar minha briga com Ethan, e o barulho
estava tão alto que ninguém conseguia me ouvir protestar também. Ele se inclinou para frente e agarrou meu bumbum.

-Eu sempre achei que você era uma gostosa - disse, exalando um bafo nojento de cerveja no meu rosto.

- Cai fora! - gritei, empurrando-o.

Procurei por Normani e vi que Lauren tinha finalmente me avistado em meio à multidão.

Ela foi imediatamente empurrando os corpos amontoados que o cercavam.

- Lauren!- chamei, mas meu grito foi abafado pela torcida.

Empurrei Ethan com uma das mãos e estiquei a outra em direção a Lauren que fez pouco progresso antes de ser empurrada de volta para dentro do Círculo. Alexa se aproveitou da distração e a golpeou na lateral da cabeça com o cotovelo. A galera se aquietou um pouco quando Lauren socou alguém no meio da plateia, tentando mais uma vez chegar até mim.

- Larga a garota, porra! - ela gritou.

Em uma fileira entre o lugar onde eu estava e a tentativa desesperada de Lauren de chegar até mim, todos se voltaram na minha direção. Ethan ignorava o que acontecia à nossa volta, tentando me manter parada por tempo suficiente para me beijar. Ele passou o nariz pelo meu rosto e desceu até o pescoço.

- Seu cheiro é muito bom - disse, com sua fala arrastada de bêbado.

Empurrei o rosto dele para longe, mas ele me agarrou pelo pulso. Com olhos arregalados, procurei por Lauren de novo, que, aflita, olhava para Normani e apontava na minha direção.

- Vai até ela, Mani! Pega a Camila! - ela gritou, tentando empurrar pessoas para abrir caminho. Alexa a puxou de volta para dentro do Círculo e a socou novamente.

- Você é uma puta de uma gostosa, sabia? - disse Ethan.

Fechei os olhos com nojo quando senti a boca dele em meu pescoço raiva se acumulou dentro de mim e o empurrei mais uma vez.

- Eu disse para cair fora! - gritei, golpeando a virilha dele com o joelho.

Ele se curvou para frente, levando uma das mãos até a fonte da dor e com a outra ainda segurando minha blusa, recusando-se a me soltar.

- Sua vagabunda! - ele gritou.

No momento seguinte, eu estava livre, o olhar de Normani era agressivo encarando Ethan enquanto o agarrava pelo colarinho. Mani o prensou contra a parede enquanto esmurrava repetidas vezes na cara, parando apenas quando o sangue começou a jorrar do nariz e da boca de Ethan.

Normani me puxou até a escada, empurrando todos que estavam no caminho. Ela me ajudou a passar por uma janela aberta e depois a descer por uma saída de incêndio, me segurando quando pulei a curta distância
que havia até o chão.

- Está tudo bem, Camila? Ele te machucou? - ela me perguntou.

Uma das mangas do meu suéter branco pendia apenas por alguns fios, mas tirando isso eu tinha escapado ilesa. Balancei a cabeça, ainda chocada.

Ela pegou gentilmente meu rosto nas mãos e me olhou nos olhos.

- Camila, me responde. Está tudo bem?

Assenti. À medida que o nervoso foi passando, as lágrimas começaram a cair.

- Sim, estou bem.

Ela me abraçou, pressionando o rosto na minha testa, e depois ficou rígido.

- Aqui, Laur!

Lauren veio correndo até nós, diminuindo apenas quando me pegou nos braços. Ela estava coberto de sangue, seu olho gotejava e sua boca estava toda vermelha.

- Meu Deus do céu... ela está machucada? - ela quis saber.

A mão de Normani ainda estava nas minhas costas.

- Ela disse que está bem.

Lauren me segurou pelos ombros para olhar para mim e franziu a testa.

- Você está machucada, Beija-Flor?

No momento em que balancei a cabeça em negativa, vi os primeiros espectadores saindo do porão e descendo pela saída de incêndio.

Lauren me manteve apertada em seus braços, analisando os rostos em silêncio. Um homem baixo pulou da escada e ficou imóvel quando nos viu ali parados na calçada.

- Você - Lauren rosnou.

Então me soltou, correndo pelo gramado e lançando o homem ao chão.

Olhei para Normani, confusa e horrorizada.

- Foi aquele cara que ficou empurrando a Lauren de volta para o Círculo - ela disse.

Uma pequena multidão se reuniu em torno deles enquanto brigavam no chão. Lauren socou o rosto do homem várias vezes.

Normani me puxou para junto de seu peito, que ainda arfava. O homem parou de contra-atacar, e Lauren o deixou no chão em uma poça de sangue. Os que estavam ali reunidos se espalharam, mantendo uma boa distância de Lauren ao ver a ira em seus olhos.

- Lauren! - Normani gritou, apontando para o outro lado do prédio.

Ethan se arrastava nas sombras, usando a parede de tijolos para se manter em pé.

Quando ouviu o grito de Normani para Lauren, ele se virou apenas a tempo de ver seu atacante em ação. Ethan foi mancando pelo gramado, jogando no chão a garrafa de cerveja que tinha nas mãos e se movendo o mais rápido possível. Assim que chegou a seu carro, Lauren o agarrou e o arremessou com tudo de encontro ao capô.

Ethan implorou quando Lauren agarrou sua camiseta e golpeou sua cabeça na porta do carro. A súplica foi interrompida pelo barulho alto do baque do crânio contra o para-brisa. Depois, Lauren o puxou para frente do
carro e estilhaçou o farol com a cara de Ethan. Então o lançou sobre o capô,
pressionando o rosto dele na lataria enquanto gritava obscenidades.

- Merda! - disse Normani.

Eu me virei e vi o local reluzir com o azul e o vermelho de uma viatura policial que se aproximava com rapidez. As pessoas começaram a pular do patamar da escada, formando uma cascata humana pela saída de incêndio, e um alvoroço de alunos correndo irrompeu e todas as direções.

- Lauren! - gritei.

Ela deixou o corpo desfalecido de Ethan no capô e veio correndo a nós. Normani me puxou até o estacionamento, abrindo rapidamente a porta do carro. Pulei no banco traseiro, esperando, ansiosa, que as duas entrassem.

Os carros arrancavam a toda velocidade, com os pneus cantando, quando uma segunda viatura bloqueou uma das saídas.

Lauren e Normani entraram no Charger, e Mani xingou quando viu o engarrafamento que se formava na única saída. Ela ligou o carro e acelerou, subindo pela calçada e cortando caminho por cima do gramado.

Fomos voando entre dois prédios, até chegarmos à rua de trás da faculdade.

Os pneus cantaram e o motor rosnou quando ela pisou fundo no acelerador. Deslizei pelo banco e fui de encontro à lateral do carro quando dobramos uma esquina, batendo o cotovelo já machucado. As luzes da rua formavam faixas pela janela enquanto seguíamos até o apartamento em alta velocidade, mas parecia que havia se passado uma hora quando chegamos ao estacionamento do prédio.

Normani estacionou o Charger e desligou o motor. As meninas abriram a porta em silêncio, e Lauren esticou as mãos para mim, me carregando no colo.

- O que houve? Cacete, Laur, o que aconteceu com seu rosto? - perguntou Dinah, descendo as escadas correndo.

- Te conto lá dentro - disse Mani, guiando-a até a porta.

Lauren me carregou escada acima, cruzou em silêncio a sala e o corredor e me colocou em sua cama. Totó batia com as patinhas nas minhas pernas, pulando para lamber o meu rosto.

-Agora não, camarada - disse Lauren com uma voz sussurrada, levando o filhotinho até o corredor e fechando a porta do quarto.

Ela se ajoelhou na minha frente, encostando-se à manga esfarrapada do meu suéter. Seu olho estava vermelho e inchado, e a pele acima, cortada e úmida de sangue. Seus lábios estavam tingidos de vermelho, pele tinha sido arrancada dos nós de alguns dedos. Sua camiseta, antes branca, agora
era uma combinação de sangue, grama e terra.

Pus a mão no olho dela, e ela se afastou com a dor.

-Desculpa, Beija-Flor. Eu tentei chegar até você. Eu tentei... - Ela pigarreou para espantar a raiva e a preocupação que o sufocavam. - Eu não consegui chegar até você.

-Pede pra Dinah me levar de volta para o Morgan? - falei.

-Você não pode voltar pra lá hoje. O lugar está cheio de policiais. Fica aqui. Eu durmo no sofá.

Inspirei com dificuldade, tentando segurar as lágrimas. Ela já se sentia mal o bastante.

Lauren se levantou e abriu a porta.

- Aonde você vai? - perguntei.

- Preciso tomar um banho. Eu já volto.

Dinah passou por ela e veio se sentar ao meu lado na cama, me puxando para junto do peito.

-Me desculpa por não estar lá! - ela disse, chorando.

- Estou bem - falei, limpando o rosto manchado pelas lágrimas.

Normani bateu na porta quando entrou, me trazendo um copo de uísque pela metade.

- Toma - disse ela, entregando-o à Dinah.

Ela colocou minhas mãos em concha em volta do copo e me deu um leve cutucão.

Inclinei a cabeça para trás, deixando que o líquido fluísse pela garanta. Meu rosto se comprimiu quando o uísque foi queimando até o estômago.

- Obrigada - falei, entregando o copo de volta a sua namorada.

- Eu devia ter chegado até ela antes, mas nem percebi que ela tinha sumido. Desculpa, Camila. Eu devia...

- Não é sua culpa, Mani. Não é culpa de ninguém.

- É culpa do Ethan - disse ela, borbulhando de ódio. - Aquele canalha nojento estava praticamente comendo a Camila contra a parede.

- Baby! - Dinah exclamou, chocada, acolhendo-me ao lado dela.

- Preciso de outro drinque - falei, apontando para o copo vazio.

- Eu também - ela disse, voltando para a cozinha.

Lauren entrou no quarto com uma toalha em volta ao corpo e uma lata gelada de cerveja encostada no olho. Dinah saiu sem dizer nada enquanto Laur vestia a cueca, depois ela agarrou o travesseiro.

Normani trouxe quatro copos dessa vez, todos cheios até a borda. Viramos o uísque sem hesitar.

- Te vejo pela manhã - disse Dinah, beijando meu rosto. Laurem pegou meu copo e o colocou no criado-mudo. Ela ficou me observando por um instante e depois foi até o armário, pegou uma camiseta e jogou-a na cama.

- Desculpa por estar assim tão detonada - ela disse, segurando a cerveja junto do olho.

- Você está com uma aparência péssima. Vai estar quebrada amanhã.

Ela balançou a cabeça, indignada.

- Camila, você foi atacada hoje. Não se preocupa comigo.

- É difícil não me preocupar quando seu olho está fechando de tão inchado - eu disse, colocando a camiseta no colo.

O maxilar dela ficou tenso.

-Isso não teria acontecido se eu tivesse deixado você ficar com o Shawn. Mas eu sabia que, se te pedisse, você viria. Eu queria mostrar pra ele que você ainda era minha, e aí você se machucou.

As palavras me pegaram de surpresa, como se eu não as tivesse ouvido direito.

-Foi por isso que você me pediu para ir lá hoje? Para provar algo pro Shawn?

- Em parte sim - disse ela, envergonhada.

O sangue sumiu do meu rosto. Pela primeira vez desde que nos conhecíamos, Lauren tinha me enganado. Eu tinha ido ao Hellerton achando que ela precisava de mim, pensando que, apesar de tudo, estávamos de volta ao ponto em que havíamos parado. Mas eu não passava de um objeto-ela tinha me marcado como seu território e eu havia permitido
que ela fizesse isso.

Meus olhos se encheram de lágrimas.

- Sai daqui.

- Beija-Flor - ela disse, dando um passo na minha direção.

- Sai! - gritei, agarrando o copo do criado-mudo e jogando nela.

Lauren se esquivou, e o copo se estilhaçou na parede em centenas de cacos reluzentes.

- Eu te odeio!

O peito dela subia e descia, como se ela tivesse sido nocauteado a ponto de ficar sem ar, e, com uma expressão cheia de dor, ela me deixou sozinha.

Arranquei a roupa e vesti a camiseta. O barulho que irrompeu da minha garganta me pegou de surpresa. Fazia um bom tempo que eu não chorava descontroladamente. Em poucos instantes, Dinah entrou no
quarto correndo.

Ela se enfiou na cama comigo e me envolveu nos braços. Não me fez perguntas nem tentou me consolar, apenas me abraçou enquanto eu deixava que as lágrimas ensopassem a fronha do travesseiro.



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