História Beautiful Disaster - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Alycia Debnam-Carey, Belo Desastre, Eliza Taylor-Cotter, The 100
Personagens Alycia Debnam-Carey, Eliza Taylor-Cotter
Tags Beautiful Disaster, Belo Desastre, Clexa, Elycia, Larie, Octaven, The 100
Exibições 244
Palavras 4.604
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Orange, Romance e Novela, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


EU VOLTEI, DESCULPEM-ME PELA DEMORA, EU ENTREI EM SEMANA DE PROVAS E NÃO TIVE TEMPO NEM PARA ESPIRRAR DIREITO. MAS TÁ AÍ MAIS UM. MUITO OBRIGADO PELOS COMENTÁRIOS, FAVORITOS E VIEWS.

Capítulo 14 - Embalo a Dois


— Meu Deus, como você é sexy! — disse Eliza, apoiando a cabeça na mão. — A mulher mais bonita da Eastern é minha namorada. Que loucura!

Revirei os olhos e deslizei a seda púrpura sobre a cabeça, juntando-me a ela na cama. Montei com as pernas abertas em seu colo e beijei seu pescoço, dando risadinhas quando ela deixou a cabeça cair de encontro à cabeceira.

— De novo? Você vai me matar, Leashy.

— Você não pode morrer — eu disse, cobrindo o rosto dela de beijos. — Você é durona demais.

— Não, eu não posso morrer porque tem muito idiota querendo pegar o meu lugar. Vou viver eternamente só por maldade!

Dei risadinhas encostada em sua boca e ela me deitou de costas. Deslizou o dedo sob a delicada fita púrpura presa no meu ombro e a puxou para baixo, beijando minha pele desnuda.

— Por que eu, Liza?

Ela recuou um pouco, buscando meus olhos.

— Como assim?

— Você já ficou com um monte de mulheres, se recusou a assumir compromisso com qualquer uma delas, se recusou até mesmo a pegar um número de telefone... Então, por que eu?

—Porque isso agora? — disse ela, acariciando meu rosto com o polegar.

Dei de ombros.

— Só estou curiosa.

— Por que eu? Você tem metade da Eastern só esperando que eu estrague tudo.

Torci o nariz.

— Isso não é verdade. Não mude de assunto.

— É verdade sim. Se eu não estivesse correndo atrás de você desde o início das aulas, você teria mais do que o Ricky Whitle no seu pé. Ele só é egocêntrico demais para ter medo de mim.

— Você está fugindo da minha pergunta E de um jeito muito ruim, devo acrescentar.

— Tudo bem. Por que você? — Um sorriso se espalhou em seu rosto enquanto ela se inclinava para me beijar. — Eu me senti atraída por você desde aquela primeira luta.

— O quê? — perguntei, com uma expressão desconfiada.

— É verdade. Você naquele cardigã, com todo aquele sangue... Você estava ridícula — ela riu baixinho.

—Valeu.

O sorriso dela sumiu do rosto.

— E aí você ergueu o olhar pra mim. Foi naquele momento. Você tinha um ar inocente, ingênuo... sem máscaras. Você não olhou pra mim como se eu fosse Eliza Taylor — ela revirou os olhos com as próprias palavras —, você olhou pra mim como se eu fosse... sei lá, uma pessoa, eu acho.

— Novidade, Liza: você é uma pessoa.

Ela tirou a franja do meu rosto.

— Não, antes de você aparecer, a Marie era a única que me tratava como uma pessoa qualquer. Você não ficou toda sem jeito, não me paquerou, não ficou mexendo no cabelo. Você me viu.

— Eu fui uma vaca com você.

Ela beijou meu pescoço.

— Foi isso que completou o conjunto.

Deslizei as mãos pelas costas dela até a calcinha.

— Espero que isso deixe de ser novidade logo. Não me vejo nunca ficando cansada de você.

—Promete? — ela sorriu.

Seu telefone vibrou na mesa de cabeceira e ela sorriu, segurando-o perto do ouvido.

— Oi. Ah, de jeito nenhum, a Green-Eyes tá aqui comigo. A gente está quase indo dormir... Cala a porra da sua boca, Erica não tem graça... Sério? O que ele está fazendo aqui? — Ela olhou para mim e deixou escapar um suspiro.

— Tudo bem. A gente chega aí em meia hora... Você me ouviu, vadia. Porque não vou em lugar nenhum sem ela, é por isso. Você quer que eu arrebente a sua cara quando eu chegar aí? — Eliza desligou e balançou a cabeça.

Ergui uma sobrancelha.

— Essa foi a conversa mais esquisita que já ouvi.

— Era a Erica. O Christopher está na cidade e é noite de pôquer na casa do meu pai.

— Noite de pôquer? — engoli em seco.

— É, geralmente eles ficam com todo o meu dinheiro. Malditos trapaceiros!

— Vou conhecer a sua família em trinta minutos?

— Vinte e sete, pra ser mais exato.

— Ai, meu Deus, Eliza! — reclamei, pulando da cama.

— O que você está fazendo?

Remexi no armário e peguei uma calça jeans, dando pulinhos para vesti-la, depois tirei a camisola pela cabeça, jogando-a na cara dela.

— Não acredito que você me avisou vinte minutos antes que eu vou conhecer a sua família! Eu podia te matar agorinha mesmo!

Ela tirou minha camisola dos olhos e riu da minha tentativa desesperada de parecer apresentável. Enfiei uma blusa de gola v preta e corri até o banheiro, escovando os dentes e passando rapidamente uma escova nos cabelos. Eliza entrou no banheiro atrás de mim, vestida e pronto, e envolveu minha cintura com os braços.

— Estou toda desarrumada! — falei, franzindo a testa ao me olhar no espelho.

— Você não percebe que é linda? — ela perguntou, beijando meu pescoço.

Bufei e fui correndo até o quarto para colocar um par de sapatos de salto, então dei a mão para Eliza enquanto ela me conduzia até a porta. Parei, fechando o zíper da jaqueta preta de couro e puxando os cabelos para cima em um coque apertado, me preparando para a viagem corrida até a casa do pai dele.

— Calma, Green-Eyes. É só um bando de caras e garotas sentados em volta de uma mesa

— É a primeira vez que vou encontrar seu pai e seus irmãos e irmãs... tudo ao mesmo tempo... e você quer que eu me acalme? — falei, subindo na moto atrás dela.

Ela se virou, encostou no meu rosto e me beijou.

— Eles vão amar você, que nem eu amo.

Quando chegamos, deixei os cabelos caírem nas costas e os arrumei com os dedos algumas vezes, antes de Eliza me conduzir pela porta.

— Santo Cristo! É a merdinha! — falou um dos meninos.

Eliza assentiu uma vez. Ela tentou parecer irritado, mas eu pude ver que estava animada de ver os irmãos. A casa estava marcada pelo tempo, com um papel de parede amarelo e marrom desbotado e um carpete felpudo em tons diferentes de marrom. Atravessamos o corredor até uma sala com a porta escancarada. A fumaça flutuava para dentro do corredor e os irmãos e o pai de Eliza estavam sentados a uma mesa de madeira redonda com cadeiras diferentes umas das outras.

— Ei, ei... olha o jeito como você fala, tem uma moça aqui — disse o pai dela, o charuto em sua boca balançando enquanto ele falava.

— Leashy, esse é o meu pai, Henry Taylor-Cotter. Pai, essa é a Green-Eyes.

— Green-Eyes? — perguntou Henry, com uma expressão divertida no rosto.

— Alycia — falei, balançando a cabeça.

Eliza apontou para os irmãos.

— Christopher, Richard, Erica e Katie.

Todos acenaram com a cabeça. Todos, menos Richard, pareciam versões mais velhas de Eliza: os meninos com cabelos bem curtos e as meninas com o cabelo um pouco maior que a Eliza, olhos azuis, com tatuagens parecidas com as que Eliza tem pelo corpo.

Richard usava camisa social e gravata solta. Os olhos eram de um azul esverdeado, e os cabelos, loiros, eram um pouco mais compridos que os de Christopher.

— A Alycia tem sobrenome? — um quis saber.

— Debnam-Carey —assenti.

— Prazer em te conhecer, Alycia — disse Richard, sorrindo.

— Um prazer mesmo — disse Christopher, me olhando de cima a baixo com uma cara travessa. Henry deu um tapa na nuca dele, que soltou um grito.

— O que foi que eu disse? — ele perguntou, esfregando a nuca.

— Sente-se, Alycia. Observe enquanto tiramos o dinheiro da Liza — disse uma das gêmeas. Eu não saberia dizer quem era quem, elas eram cópias idênticas uma da outra, até mesmo as tatuagens eram iguais.

A sala estava decorada com imagens antigas de jogos de pôquer, fotos de lendas do pôquer posando com um e com outro homem, que presumi ser o avô de Eliza, e cartas antigas de jogo nas estantes.

— Você conheceu o Stu Ungar? — perguntei, apontando para a foto empoeirada.

Os olhos apertados de um ganharam brilho.

— Você sabe quem é Stu Ungar?

— Meu pai também é fã dele.

Ele se levantou, apontando para a foto ao lado.

— E esse aqui é o Doyle Brunson.

Eu sorri.

— Meu pai viu o Doyle jogar uma vez. Ele é incrível.

— O avô da Liza era profissional... Agente leva o pôquer muito a sério aqui — um sorriu.

Eu me sentei entre Eliza e uma das gêmeas, enquanto Christopher embaralhava as cartas com moderada habilidade. Os garotos colocaram o dinheiro na mesa, e um distribuiu as fichas. Christopher ergueu uma sobrancelha.

— Quer jogar, Alycia?

Sorri educadamente e balancei a cabeça.

— Acho melhor não.

— Você não sabe jogar? — Henry me perguntou.

Não consegui conter um sorriso. Ele parecia tão sério, quase paternal. Eu sabia que resposta ele esperava e odiaria desapontá-lo.

Eliza beijou minha testa.

— Dê adeus ao seu dinheiro, Alycia — Richard deu risada.

Pressionei os lábios e enfiei a mão na bolsa, tirando duas notas de cinquenta, Estendi-as a Henry e esperei, com paciência, enquanto ele as trocava por fichas. A boca de Christopher se apertou em um sorriso presunçoso, mas o ignorei.

— Boto fé nas habilidades da Eliza como professora — falei. Uma das gêmeas bateu as mãos.

— É isso aí! Vou ficar rica hoje!

— Vamos começar com pouco dessa vez — disse Henry, jogando uma ficha de cinco dólares.

Christopher distribuiu as cartas e Eliza espalhou as minhas em leque para mim.

—Você já jogou cartas alguma vez na vida?

— Faz um tempinho — assenti.

— Rouba-monte não conta, Poliana —disse Christopher, encarando suas cartas.

— Cala a boca, Chris — disse Eliza, erguendo o olhar de relance para o irmão antes de direcioná-lo novamente para as minhas cartas.

— Você precisa de cartas altas, números consecutivos e, se tiver muita sorte, do mesmo naipe.

Na primeira mão, Eliza olhou as minhas cartas e olhei as dela. Basicamente assenti e sorri, jogando quando ela me dizia para fazê-lo. Nós dois perdemos, e minhas fichas diminuíram no fim da primeira rodada. Depois que Richard distribuiu as cartas da segunda mão, eu não quis deixar que Eliza visse as minhas.

— Acho que já entendi — falei.

— Tem certeza? — ela me perguntou.

— Tenho, babe — respondi.

Três mãos depois, eu já tinha conseguido minhas fichas de volta e aniquilado a pilha de fichas dos outros jogadores, com um par de ases, um straight e a carta mais alta.

— Que saco! — Christopher praguejou. — Sorte de principiante é uma merda!

— Ela aprende rápido, Liza — disse Henry, mexendo a boca em volta do charuto.

Eliza tomou um grande gole de cerveja.

— Você está me deixando orgulhosa, Leashy!

Seus olhos brilhavam de animação. Eu nunca tinha visto aquele seu sorriso antes.

— Obrigada.

— Quem não sabe fazer, ensina — disse Richard, com um sorriso afetado.

— Muito engraçado, babaca — Eliza murmurou.

Quatro mãos depois, virei o que restava da minha cerveja e apertei os olhos para o único homem à mesa que ainda não tinha passado a mão.

— É com você, Katie. Vai dar uma de bebezinha ou vai se comportar como uma mulher?

— Que se foda — ela retrucou, jogando as últimas fichas na mesa.

Eliza olhou para mim animado, o que me fez lembrar das expressões daqueles que assistiam a suas lutas.

— O que você tem, Green-Eyes?

— Katie? — falei, incisiva.

Um largo sorriso se espalhou pelo rosto dela.

— Flush! — ela sorriu, espalhando as cartas na mesa.

Seis pares de olhos me analisavam. Fiquei olhando para a mesa por um momento e então bati minhas cartas com força.

— Vejam e chorem, meninos! Ases e oitos! — exclamei, dando risada.

— Um full house? Caraca! — Chris gritou.

— Desculpa. Eu sempre quis dizer isso — falei, puxando as fichas para mim.

Richard estreitou os olhos.

— Isso não é sorte de principiante. Ela joga.

Eliza olhou para ele por um momento e voltou o olhar para mim.

— Você já tinha jogado pôquer, Leashy?

Pressionei os lábios e dei de ombros, exibindo meu melhor sorriso inocente. A cabeça de Eliza foi para trás, quando ela caiu num incontrolável acesso de riso. Ela tentava falar e não conseguia, depois bateu na mesa com o punho cerrado.

— Sua namorada acabou de passar a perna na gente! — disse Katie, apontando na minha direção.

— Não acredito! — Christopher lamentou, se levantando.

— Belo plano, Eliza. Trazer uma jogadora profissional para a nossa noite de pôquer — disse um, piscando para mim.

— Eu não sabia! — ela respondeu, balançando a cabeça.

— Ah, tá — disse Richard, olhando para mim.

—Não sabia mesmo! — Eliza confirmou, em meio às gargalhadas.

— Odeio dizer isso, mana, mas acho que acabei de me apaixonar pela sua garota — disse Erica.

— Opa! — disse Eliza, rapidamente tirando o sorriso do rosto e fazendo uma careta.

— É isso aí. Eu estava pegando leve com você, Alycia, mas vou ganhar meu dinheiro de volta agora mesmo — Christopher avisou.

Eliza ficou de fora nas últimas rodadas, observando os irmãos lutarem para recuperar o dinheiro deles. Mão após mão, eu recolhia todas as fichas, e Richard começou a me observar com mais atenção. Toda vez que eu abria minhas cartas na mesa, Eliza e Henry davam risada, Katie xingava, Erica proclamava amor eterno por mim e Christopher tinha uma crise de raiva. Troquei minhas fichas por dinheiro e dei cem dólares para cada um assim que fomos para a sala de estar. Henry recusou, mas os irmãos aceitaram, gratos. Eliza me agarrou pela mão e caminhamos até a porta. Eu podia ver que ela estava emburrado, então apertei seus dedos nos meus.

— Que foi?

— Você acabou de distribuir quatrocentos dólares, Leashy! — ela franziu a testa.

— Se fosse noite de póquer na Sig Tau, eu ficaria com o dinheiro, mas não posso roubar seus irmãos quando acabei de conhecê-los.

—Eles teriam ficado com o seu dinheiro! — ela disse.

— E eu não teria perdido um segundo de sono por causa disso — disse Katie.

Richard me encarava em silêncio do canto da sala.

—Por que você fica encarando a minha garota, Rick?

—Qual é mesmo o sobrenome dela? — Richard quis saber.

Alternei meu peso entre uma perna e outra, nervosa. Minha mente buscava freneticamente algo espirituoso ou sarcástico para dizer a fim de fugir da pergunta. Em vez disso, fiquei mexendo nas unhas, me xingando em silêncio. Eu devia saber que não valia a pena ganhar todas aquelas mãos seguidas. Richard tinha sacado. Eu podia ver nos olhos dele. Percebendo minha inquietação, Eliza se virou para o irmão e colocou o braço em volta da minha cintura. Eu não sabia ao certo se ela estava me protegendo ou se preparando para o que o irmão ia dizer. Eliza se mexia, visivelmente incomodada com a pergunta.

— É Debnam-Carey. O que você tem com isso?

— Posso entender por que você não ligou os pontos antes, Liza, mas agora não tem mais desculpa — disse Richard, com um ar presunçoso.

— De que merda você está falando? — Eliza quis saber.

— Por acaso você é parente do Aleks Debnam-Carey? — Richard me perguntou.

Todas as cabeças se viraram na minha direção, e mexi no cabelo, nervosa.

— Como você conhece o Aleks?

Eliza entortou a cabeça para me olhar nos olhos.

— Ele é só um dos melhores jogadores de pôquer que já existiram. Você conhece?

Eu me encolhi, sabendo que não tinha mais saída a não ser dizer a verdade.

— Ele é meu pai.

A sala inteira explodiu.

— NÃO ACREDITO!

— EU SABIA!

— ACABAMOS DE JOGAR PÔQUER COM A FILHA DO ALEKS DEBNAM-CAREY!

— ALEKS DEBNAM-CAREY! PUTA MERDA!

Richard, Henry e Eliza eram os únicos que não estavam gritando.

— Eu falei pra vocês que era melhor eu não jogar — eu disse.

— Se você tivesse dito que era filha do Aleks Debnam-Carey, acho que gente teria te levado mais a sério — disse Richard.

Olhei para Eliza, que me encarava, espantada.

— Você é a Lucky Thirteen? — ela me perguntou, com os olhos ainda um pouco turvos.

Erica se levantou e apontou para mim, boquiaberta.

— A Lucky Thirteen está na nossa casa! Não é possível! Eu não acredito nisso!

— Esse foi o apelido que os jornais me deram. Mas a história não foi exatamente aquela — eu disse, inquieta.

—Preciso levar a Alycia pra casa, pessoal — disse Eliza, ainda me encarando.

Henry me espiava por cima dos óculos.

—Por que não foi exatamente aquela?

—Eu não roubei a sorte do meu pai. Tipo, isso é ridículo — dei uma risada abafada, torcendo o cabelo, nervosa, em volta do dedo.

Richard balançou a cabeça.

— Não, o Aleks deu aquela entrevista. Ele disse que, à meia-noite do seu aniversário de treze anos, a sorte dele secou.

— E a sua nasceu — Eliza acrescentou.

— Você foi criada por mafiosos — disse Christopher, sorrindo de animação.

— Hum... não

— Eles não me criaram. Eles só... estavam sempre por perto.

— Aquilo foi um absurdo, o Aleks jogar o seu nome na lama daquele jeito em todos os jornais. Você era só uma criança — disse Henry, balançando a cabeça.

— Na verdade, foi sorte de principiante — eu disse, tentando desesperadamente ocultar minha humilhação.

— Você aprendeu com Aleks Debnam-Carey — ele parecia incrédulo. — Você jogava com profissionais, e ganhava aos treze anos de idade, pelo amor de Deus! — Ele olhou para Eliza e abriu um sorriso. — Não aposte contra ela, filha. Ela não perde.

Eliza olhou para mim, com a expressão ainda de choque e desorientação.

—Hum... a gente precisa ir, pai. Tchau, pessoal.

A conversa animada da família foi sumindo conforme ela me puxava para fora, em direção à moto. Torci o cabelo em um coque e fechei o zíper do casaco, esperando que ela falasse algo. Ela subiu na moto sem dizer nada, e sentei de pernas abertas atrás.

Eu tinha certeza de que ela sentia que eu não tinha sido honesta, e provavelmente estava constrangida por ter descoberto uma parte tão importante da minha vida ao mesmo tempo em que sua família. Eu esperava uma tremenda briga quando chegássemos ao apartamento, e dezenas de pedidos de desculpas passaram pela minha cabeça antes de alcançarmos a porta da frente.

Ela me conduziu pelo corredor, segurando minha mão, e depois me ajudou com o casaco. Puxei o nó cor de caramelo no alto da cabeça e meus cabelos caíram nos ombros em ondas espessas.

— Eu sei que você está com raiva — falei, incapaz de olhar nos olhos dela. — Desculpa não ter te contado antes, mas não gosto de falar disso.

— Com raiva? — ela disse, — Estou com tanto tesão que nem consigo enxergar direito. Você acabou de roubar o dinheiro dos babacas dos meus irmãos sem nem pestanejar, ganhou status de lenda com meu pai e tenho certeza que perdeu de propósito a aposta que fizemos antes da minha luta.

— Eu não diria isso...

Ela ergueu o queixo.

— Você achou que ia ganhar?

— Bom... não, não exatamente — falei, tirando os sapatos.

Eliza sorriu.

— Então você queria ficar aqui comigo. Acho que acabei de me apaixonar por você de novo.

— Como você pode não estar brava comigo? — perguntei, jogando os sapatos no armário.

Ela suspirou e assentiu.

— Isso é importante, Leashy. Você devia ter me contado, mas eu entendo por que não contou. Você veio pra cá pra fugir de tudo aquilo. É como se o céu tivesse clareado... tudo faz sentido agora.

— Bom, isso é um alívio.

— Lucky Thirteen — disse ela, balançando a cabeça e tirando minha camiseta.

— Não me chama assim, Eliza. Não é uma coisa boa.

— Você é famosa, Green-Eyes! — ela exclamou, surpresa com minhas palavras.

Então desabotoou minha calça jeans e a puxou para baixo, até os tornozelos, me ajudando a tirá-la.

— Meu pai passou a me odiar depois disso. Ele ainda me culpa por todos os problemas dele.

Eliza arrancou a camiseta e me abraçou.

— Ainda não acredito que a filha do Aleks Debnam-Carey está parada na minha frente. Fiquei com você esse tempo todo e não fazia a mínima ideia.

Empurrei-a para longe.

— Eu não sou a filha do Aleks Debnam-Carey, Eliza! Foi isso que eu deixei pra trás. Sou a Alycia. Apenas a Alycia! — falei, indo até o armário, de onde peguei uma camiseta para vestir.

Ela suspirou.

— Desculpa. Estou um pouco mexida por causa da sua fama.

— Sou só eu! — estirei a palma da mão no peito, desesperada para que ela me entendesse.

—Tá, mas...

— Mas nada. Está vendo como você está me olhando agora? Foi exatamente por isso que eu não te contei. — Fechei os olhos. — Eu nunca mais vou viver daquele jeito, Liza. Nem com você.

— Eita! Calma, Green-Eyes. Não vamos nos deixar levar pela emoção. — Seus olhos encontraram foco e ela veio até mim e me envolveu nos braços. — Não importa o que você foi ou o que você não é mais. Eu só quero você.

— Acho que temos isso em comum, então.

Ela me levou até a cama, sorrindo.

— Somos eu e você contra o mundo, Leashy.

Eu me enrosquei ao lado dela, me ajeitando no colchão. Eu nunca tinha planejado que ninguém mais, além de mim mesma e da Lindsey, soubesse do Aleks e nunca esperei que minha namorada pertencesse a uma família de fissurados por póquer. Meu peito subiu e desceu com um suspiro pesado, e pressionei o rosto contra ela.

— Qual é o problema? — ela me perguntou.

— Eu não quero que ninguém saiba, Liza. Não queria nem que você soubesse.

— Eu te amo, Alycia. Não vou mais tocar nesse assunto, tá? Seu segredo está a salvo comigo — ela disse e me beijou na testa.

...

— Srta. Cotter, a senhora poderia moderar até acabar a aula? — disse o professor Chancey, em reação às minhas risadinhas enquanto Eliza brincava com o nariz no meu pescoço.

Pigarreei, sentindo o rosto irradiar de vergonha.

— Acho que não, professor Chancey. O senhor já deu uma boa olhada na minha namorada? — disse Eliza, olhando para mim.

Risadas ecoaram por toda a sala, e meu rosto pegou fogo. O professor me olhou de relance com uma expressão meio divertida, meio esquisita, depois balançou a cabeça para Eliza.

—Só faça o possível — disse.

A classe deu risada de novo, e me afundei no meu lugar. Eliza repousou o braço nas costas da minha cadeira e a aula continuou. Depois de sermos dispensadas, ela me acompanhou até minha próxima aula.

— Desculpa se te envergonhei. Não consegui me conter.

— Da próxima vez, tenta.

Ricky passou por nós e, quando respondi a seu aceno de cabeça com um educado sorriso, seus olhos se iluminaram.

— Oi, Alycia. Vejo você lá dentro.

Ele foi andando e entrou na sala. Eliza o fuzilou com o olhar por poucos, mas tensos instantes.

— Ei — puxei a mão dela até que olhasse para mim. — Esquece o Ricky.

— Ele anda dizendo pros caras na Casa que você ainda liga pra ele.

— Isso não é verdade — falei, sem me incomodar.

— Eu sei disso, mas eles não sabem. Ele disse que está só esperando. Ele falou pro Brad que você só está aguardando o momento certo para me dar um pé na bunda, e que você liga pra ele pra dizer como está infeliz comigo. Ele está começando a me deixar de saco cheio.

— Ele tem uma imaginação e tanto.

Olhei de relance para Ricky e, quando ele percebeu e sorriu, fulminei com o olhar.

— Você vai ficar brava se eu te fizer passar vergonha mais uma vez?

Dei de ombros, e Eliza não perdeu tempo e me levou para dentro da sala. Ela parou ao lado da minha carteira, colocando minha bolsa no chão. Olhou para Ricky e me puxou para si, com uma das mãos na minha nuca e a outra nas minhas costas, e então me beijou profundamente e com determinação. Ela roçava os lábios nos meus da forma como fazia apenas quando estávamos a sós. Não pude evitar e agarrei a camiseta dela com ambas as mãos. Os murmúrios e as risadinhas ficaram mais altos quando se tornou claro que Eliza não me soltaria tão cedo.

— Acho que ela acabou de engravidar — disse alguém do fundo da sala, rindo.

Eu recuei ainda de olhos fechados, tentando me recompor. Quando olhei para Eliza, ela tinha o olhar fixo em mim, com o mesmo controle forçado.

— Eu só estava tentando provar uma coisa — ela sussurrou.

— Que ótimo — assenti.

Eliza sorriu, beijou meu rosto e depois olhou para Ricky, que estava espumando de raiva.

— Vejo você na hora do almoço — ela piscou.

Caí na cadeira e soltei um suspiro, tentando me livrar da sensação de formigamento entre as pernas. Quase não consegui me concentrar na aula de cálculo. Quando ela acabou, percebi que Ricky estava parado perto da porta, encostado na parede.

— Ricky — eu o cumprimentei com um aceno de cabeça, determinada a não reagir do modo como ele esperava.

— Eu sei que vocês estão juntas. Ela não precisa te violentar na frente da classe inteira por minha causa.

Fiquei paralisada e parti para o ataque.

— Então talvez você devesse parar de falar pros caras da fraternidade que eu fico te ligando. Você está forçando demais a barra, e eu não vou ter dó de você quando ela acabar com a sua raça.

Ele torceu o nariz.

— Olhe o que você está dizendo. Está passando tempo demais com a Eliza.

— Não, essa sou eu. É apenas um lado meu que você não conhece.

— Você não me deu exatamente uma chance de te conhecer, não foi?

Suspirei.

— Não quero brigar com você, Ricky. Só não deu certo, tá bom?

— Não, não está bom. Você acha que eu gosto de ser motivo de piada na Eastern? Eliza Taylor é garota que todos nós gostamos, porque ela nos faz ficar bem na fita. Ela usa as garotas, depois as joga fora, e até os maiores babacas da Eastern parecem o Príncipe Encantado comparados a ela.

— Quando você vai abrir os olhos e perceber que ela mudou?

— Ela não te ama, Alycia. Você é só um brinquedinho novo e reluzente. Se bem que, depois da cena que ela fez na sala de aula, acho que você já está bem usada.

Dei um tapa na cara dele antes de me dar conta do que tinha feito.

— Se você tivesse esperado dois segundos, eu teria lhe poupado o esforço, Leashy — disse Eliza, me puxando para trás dela.

Eu a segurei pelo braço.

— Não, Eliza.

Ricky parecia um pouco nervoso, enquanto a marca perfeita da minha mão aparecia, vermelha, em sua face.

— Eu te avisei — disse Eliza, empurrando-o violentamente contra a parede.

O maxilar de Ricky ficou tenso e ele olhou para mim com ódio.

— Considere isso um encerramento, Eliza. Posso ver agora que vocês duas foram feitas uma para a outra.

— Valeu — disse Eliza, enganchando o braço em volta dos meus ombros.

Ricky desencostou da parede e desceu rapidamente as escadas, olhando de relance para trás para se certificar de que Eliza não o seguia.

— Você está bem? — Eliza quis saber.

— Minha mão está ardendo.

Ela sorriu.

— Aquilo foi demais, Leashy. Estou impressionada.

— Ele provavelmente vai me processar, e eu vou acabar pagando a entrada dele em Harvard. O que você está fazendo aqui? Achei que a gente ia se encontrar no refeitório.

Um canto de sua boca se ergueu em um sorriso malicioso.

— Não consegui me concentrar na aula. Ainda estou sentindo aquele beijo.

Olhei para o corredor e depois para ela.

— Vem comigo.

Ela juntou as sobrancelhas e sorriu.

— O quê?

Dei uns passos para trás, arrastando-a comigo, até sentir a maçaneta do laboratório de física. A porta se abriu. Olhei de relance para trás e vi que o lugar estava vazio e escuro. Puxei-a pela mão, rindo de sua expressão confusa, e depois tranquei aporta, empurrando-a de encontro a ela.

Eu a beijei e ela riu baixinho.

— O que você está fazendo?

— Não quero que você não consiga se concentrar na aula — falei, beijando-a de novo.

Ela me ergueu e a envolvi com as pernas.

— Não sei o que eu fiz até hoje sem você — ela disse, segurando-me com uma das mãos e abrindo o calça com a outra —, mas não quero nunca descobrir. Você é tudo que eu sempre quis, Green-Eyes.

— Só se lembre disso quando eu tirar todo o seu dinheiro no próximo jogo de pôquer — falei, tirando a camiseta.


Notas Finais


MAY WE MEET AGAIN!


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