História Beautiful Disaster - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Alycia Debnam-Carey, Belo Desastre, Eliza Taylor-Cotter, The 100
Personagens Alycia Debnam-Carey, Eliza Taylor-Cotter
Tags Beautiful Disaster, Belo Desastre, Clexa, Elycia, Larie, Octaven, The 100
Exibições 402
Palavras 5.237
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Orange, Romance e Novela, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Gente, me desculpem não ter postado antes, aconteceram muitas coisas nesses dias e não tive tempo, nem concentração para postar, sorry mesmo. E MUITO OBRIGADO PELOS FAVORITOS, VIEWS E COMENTÁRIOS (se não te respondi, calma aê que assim que der te respondo rs).

Capítulo 8 - Divisor de Águas


O encontro de segunda-feira à noite atendeu a todas as minhas expectativas. Comemos comida chinesa enquanto eu dava risada por causa das habilidades de Ricky com os palitinhos. Quando ele me levou para casa, Eliza abriu a porta antes que ele pudesse me beijar. Na quarta-feira seguinte, Ricky garantiu nossos beijo no carro.

Na quinta-feira, na hora do almoço, Ricky foi me encontrar no refeitório e surpreendeu todo mundo ao se sentar à minha frente, no lugar de Eliza. Quando esta terminou o cigarro e entrou, passou por Ricky com indiferença, indo se sentar na ponta da mesa. Uma tal de Megan se aproximou dela, mas ficou instantaneamente decepcionada quando ela a dispensou com um aceno de mão. Todo mundo na mesa ficou quieto na depois disso, e achei difícil me concentrar em qualquer coisa que Ricky falava.

— Estou presumindo que não fui convidado – disse ele, atraindo minha atenção.

— O quê?

— Ouvi dizer que a sua festa de aniversário vai ser no domingo. Não fui convidado?

Lindsey olhou de relance para Eliza, que fulminou Ricky com o olha, como se estivesse a poucos segundos de massacrá-lo.

— Era uma festa surpresa, Ricky – disse Lindsey, baixinho.

— Ah... – ele se encolheu.

— Vocês vão fazer uma festa surpresa para mim? – perguntei a Lindsey.

Ela deu de ombros.

— Foi ideia da Liza. Vai ser na casa do Bob, no domingo, às seis horas.

Ricky ficou um pouco vermelho.

— Acho que agora realmente não estou convidado.

— Não! É claro que você está convidado! – falei, segurando a mão dele em cima da mesa.

Doze pares de olhos se voltaram para nossas mãos. Eu podia ver que Ricky estava se sentindo tão desconfortável quanto eu com a atenção, então soltei sua mão e coloquei as minhas no colo.

Ele se levantou.

— Preciso fazer umas coisas antes da aula. Ligo pra você depois.

— Tudo bem – falei, oferecendo-lhe um sorriso como um pedido de desculpas. Ricky se inclinou até o outro lado da mesa e beijou meus lábios. O refeitório foi tomado pelo silêncio, e Lindsey me cutucou depois que ele saiu.

— Não é bizarra a forma como todo mundo fica observando vocês? – ela sussurrou e olhou ao redor do salão com a testa franzida. — Que foi? – gritou. — Cuidem de suas vidas, seus pervertidos!

Um a um, eles desviaram o olhar e seguiu-se um murmúrio. Cobri os olhos com as mãos.

— Sabe, antes eu era patética, porque achavam que eu era a pobre namorada da Eliza, que não tinha noção de onde estava pisando. Agora sou má, porque todo mundo acha que fico me revezando entre a Eliza e o Ricky, como uma bolinha de pingue-pongue.

Quando Lindsey não fez nenhum comentário, ergui o olhar.

— O quê? Não me diga que você também acredita nessa besteira!

— Eu não disse nada! – ela exclamou.

Fiquei encarando-a, sem acreditar.

— Mas é isso que você acha?

Lindsey balançou a cabeça em negativa, mas não falou nada. Os olhares glaciais dos outros alunos ficaram subitamente aparentes, então me levantei e fui até a ponta da mesa.

— Precisamos conversar – disse, dando uns tapinhas no ombro da Eliza.

Tentei parecer educada, mas a raiva que borbulhava dentro de mim colocou uma ponta de tensão em minhas palavras. Todos os alunos, incluindo a minha melhor amiga, achavam que eu estava envolvida com duas pessoas. Só havia uma solução.

— Então fale – disse Eliza, enfiando algo empanado e frito na boca. 

Fiquei inquieta, notando os olhares curiosos de todo mundo que estava perto a ponto de ouvir nossa conversa. Como Eliza não esboçou nenhum movimento, agarrei o braço dela e dei um bom puxão. Ela se levantou e me seguiu até o lado de fora com um sorriso no rosto.

— Que foi, Green-Eyes? – perguntou, olhando para minha mão em seu braço e depois para mim.

— Você tem que me liberar da aposta – implorei.

A expressão em seu rosto era de decepção.

— Você quer ir embora? Por quê? O que foi que eu fiz?

— Você não fez nada, Liza. Você não notou o olhar de todo mundo me encarando? Estou rapidamente me tornando a pária da Eastern.

Eliza balançou a cabeça e acendeu um cigarro.

— Isso não é problema meu.

— É sim. O Ricky me disse que todo mundo acha que é suicídio ele se envolver comigo porque você está apaixonada por mim.

Eliza ergueu as sobrancelhas e engasgou com a fumaça que tinha acabado de inalar.

— As pessoas então dizendo isso? – ela falou entre tossidas.

Fiz que sim com a cabeça. Ela desviou os olhos arregalados, dando outra tragada no cigarro.

— Eliza! Você tem que me liberar da aposta! Não posso ficar saindo com o Ricky e morando com você ao mesmo tempo. Isso passa uma péssima impressão!

— Então pare de sair com o Ricky.

Olhei furiosa para ela.

— O problema não é esse, e você sabe disso.

— É só por isso que você quer ir embora? Por causa do que as pessoas estão falando?

— Pelo menos antes eu era tida como sem noção e você a garota má – resmunguei.

— Responde a minha pergunta, Green-Eyes.

— Sim!

Eliza olhou ao fundo, para os alunos que entravam e saiam do refeitório. Ela estava tomando uma decisão, e fui ficando cada vez mais impaciente enquanto ela demorava para fazê-la.

Por fim, ela se manteve firme e decidida.

— Não.

Balancei a cabeça, certa de que tinha entendido errado.

— Como?

— Não. Você mesma disse: aposta é aposta. Depois de um mês, você cai fora com o Ricky, ele vai virar médico, vocês vão se casar e ter dois filhos e meio, e eu nunca mais vou ver você de novo. – Ela fez uma careta para suas próprias palavras. — Ainda tenho três semanas. Não vou abrir mão disso por causa de fofocas no refeitório.

Olhei pela janela e vi que o refeitório inteiro estava nos observando. Aquela atenção toda fazia meus olhos arderem. Esbarrei nela com o ombro e fui em direção à sala de aula.

— Green-Eyes – Eliza me chamou.

Não me virei.

Naquela noite, Lindsey se sentou no chão de ladrilho do banheiro e ficou falando das meninas enquanto eu prendia os cabelos em um rabo de cavalo na frente do espelho. Eu não estava prestando muita atenção, pensando em como Eliza vinha sendo paciente – para os padrões dela, é claro –, sabendo que ela não gostava da ideia de o Ricky ir me buscar para sair noite sim, noite não.

— A Mare acha que você está sendo dura demais com ela. Ela nunca teve ninguém com quem se importasse o bastante para...

Eliza enfiou a cabeça pela porta e sorriu enquanto me olhava mexendo nos cabelos.

— Quer ir comer alguma coisa? – ela me perguntou.

Lindsey se levantou para se olhar no espelho, passando o dedo pelos cabelos castanhos para penteá-los.

— A Mare quer ir num restaurante mexicano novo que abriu lá no centro. Se vocês quiserem ir também...

Eliza balançou a cabeça em negativa.

— Pensei em sair sozinha com a Green-Eyes hoje.

— Vou sair com o Ricky.

— De novo? – ela falou, irritada.

— De novo – respondi, animada.

A campainha tocou e passei correndo por Eliza para abrir a porta. Ricky estava parado na minha frente, com os cabelos bem rente ao coro cabeludo, e o rosto bem barbeado.

— Você alguma vez está menos do que maravilhosa? – ele perguntou.

— Tomando como base a primeira vez em que ela veio aqui, vou dizer que sim – comentou Eliza atrás de mim.

Revirei os olhos e sorri, erguendo um dedo para que Ricky me esperasse. Então me virei e joguei os braços em volta de Eliza, que ficou rígida e surpresa, depois relaxou, me abraçando forte.

Olhei nos olhos dela e sorri.

— Obrigada por organizar a minha festa de aniversário. Podemos deixar o jantar para outro dia?

Diversas emoções passaram pelo rosto de Eliza, então os cantos de sua boca se voltaram para cima.

— Amanhã?

Dei um apertãozinho nela e abri um sorriso.

— Com certeza.

Eu me despedi dela com um aceno, e Ricky me pegou pela mão.

— O que foi isso? – ele quis saber.

— Não estamos nos dando muito bem nos últimos tempos. Essa é a minha versão de uma bandeira branca.

— Preciso ficar preocupado? – ele me perguntou, abrindo a porta do carro.

— Não – beijei-o no rosto.

Durante o jantar, Ricky falou sobre Harvard, a Casa e seus planos de procurar um apartamento. Suas sobrancelhas se juntaram, e ele me perguntou:

— A Eliza vai acompanhar você na sua festa de aniversário?

— Não sei. Ela não me disse nada sobre isso.

Ele segurou a minha mão e beijou meus dedos.

— Vou perguntar a ela. A festa foi ideia dela, então...

— Eu entendo, se não der, vejo você na festa – ele sorriu.

Ricky me levou até o apartamento, diminuindo a marcha e parando no estacionamento. Quando demos nosso beijo de despedida, os lábios dele se demoraram sobre os meus. Ele puxou o freio de mão e sua boca viajou pela linha do meu maxilar até minha orelha, depois foi descendo até o meio do meu pescoço, o que me pegou com a guarda baixa. Em resposta, suspirei baixinho.

— Você é tão linda – ele sussurrou. — Fiquei distraído a noite toda, com seus cabelos assim, presos, deixando seu pescoço à mostra.

Ele encheu meu pescoço de beijos e soltei o ar, deixando um gemido escapar.

— Por que demorou tanto? – sorri, erguendo o queixo para que ele tivesse mais acesso ao meu pescoço.

Ricky se concentrou em meus lábios. Pegou cada lado do meu rosto e me beijou com um pouco mais de firmeza que de costume. Não tínhamos muito espaço dentro do carro, mas nós viramos como pudemos. Ele se curvou sobre mim, e dobrei os joelhos enquanto apoiava as costas na janela. Sua língua deslizou na minha boca, e sua mão segurou meu tornozelo e subiu até minha coxa. As janelas ficaram embaçadas em poucos minutos, por causa de nossa respiração ofegante. Ele passou os lábios em minha clavícula, então ergueu rápido a cabeça quando a janela vibrou com pancadas ocas e altas.

Ricky se sentou e eu me endireitei, arrumando o vestido. Dei um pulo quando a porta se abriu. Eliza e Lindsey estavam paradas ao lado do carro. Lindsey estava com a testa franzida, mas solidária à minha situação, já Eliza... parecia faltar muito pouco para que ela tivesse um acesso de fúria.

— Que é isso, Eliza?! – Ricky gritou.

De repente, senti a situação ficar perigosa. Nunca tinha ouvido Ricky erguer a voz, e os nós dos dedos de Eliza estavam brancos enquanto ela os cerrava nas laterais do corpo – e eu estava entre os dois. Lindsey parecia minúscula ao lado de Eliza e balançou a cabeça para Ricky em um aviso silencioso.

— Vem, Alycia. Preciso conversar com você – disse ela.

— Sobre o quê?

— Vem logo! – ela exclamou.

Olhei para Ricky e vi irritação em seus olhos.

— Desculpe, tenho que ir.

— Não, tudo bem. Vai em frente.

Eliza me ajudou a sair do Porsche e fechou a porta com um chute. Eu me virei e fiquei entre ela e o caro, empurrando-a pelo ombro.

— Qual é o problema com você? Para com isso!

Lindsey parecia nervosa. Não levei muito tempo para descobrir o motivo. Eliza fedia a uísque; Lindsey havia insistido em acompanhá-la até ali, ou ela tinha pedido que Lindsey fosse com ela. De uma forma ou de outra, a morena era um obstáculo para a violência.

As rodas do Porsche reluzente de Ricky guincharam quando ele saiu do estacionamento, e Eliza acendeu um cigarro.

— Pode entrar agora, Lind.

Lindsey deu um puxão em minha saia.

— Vamos, Alycia.

— Por que você não fica, Aly? – ela falou, borbulhando de raiva.

Fiz um sinal com a cabeça para que Lindsey segue em frente e, relutante, ela se foi. Cruzei os braços pronta pra brigar, me preparando para explodir depois do inevitável sermão. Eliza deu várias tragadas no cigarro, e, quando ficou claro que ela não explicaria nada, minha paciência esgotou.

— Por que você fez isso? – perguntei.

— Por quê? Porque ele estava atacando você na frente do meu prédio! – ela gritou.

Seus olhos azuis não tinham foco, e pude ver que ela não tinha condições de ter uma conversa racional.

Mantive a voz calma.

— Posso estar ficando no seu apartamento, mas o que eu faço, e com quem, é da minha conta.

Ela jogou o cigarro no chão.

— Você é tão melhor que isso, Green-Eyes. Não deixe o cara te comer no carro como se você fosse uma dessas minas fáceis.

— Eu não ia transar com ele!

Ela fez um gesto indicando o espaço onde estava o carro do Ricky.

— Então, o que vocês estavam fazendo?

— Você nunca ficou de amasso com alguém, Eliza? Nunca ficou só brincando, sem deixar as coisas chegarem a esse ponto?

Ela franziu a testa e balançou a cabeça, como se eu estivesse falando bobagem.

— Qual o propósito disso?

— Para um monte de gente, existe um conceito... especialmente para aqueles que namoram.

— As janelas estavam embaçadas, o carro estava balançando... Como eu ia adivinhar? – ela disse, movendo os braços em direção da vaga vazia do estacionamento.

— Talvez você não devesse ficar me espionando!

Ela esfregou o rosto e balançou a cabeça.

— Não aguento isso, Green-Eyes. Sinto que estou ficando louca.

Levantei as mãos e depois as deixei cair e bater nas coxas.

— Você não aguenta o quê?

— Se você for pra cama com ele, não quero ficar sabendo. Vou ficar na cadeia por um bom tempo se descobrir que ele... Só não me conte nada.

— Eliza – falei com raiva –, não acredito no que você acabou de falar. Isso seria um grande passo para mim!

— É o que todas dizem!

— Não estou me referindo às vadias com quem você anda! Estou falando de mim! – eu disse com a mão no peito. — Eu nunca... argh! Não importa.

Saí andando, mas ela me agarrou pelo braço e me fez girar para ficar de frente para ela.

— Você nunca o quê? – me perguntou, se contorcendo um pouco.

Não respondi, mas também não precisava. Pude ver que ela tinha entendido pela expressão em seu rosto, e ela deu risada. 

— Você é virgem? 

— E daí? – falei, com o sangue fervendo no rosto.

Ela tirou os olhos de mim, enquanto tentava refletir em meio a todo aquele uísque que tinha bebido.

— Por isso a Lindsey tinha tanta certeza que aquilo não ia longe demais.

— Tive o mesmo namorado nos últimos quatro anos da escola. Ele queria ser ministro batista. Acabou não rolando!

A raiva de Eliza desapareceu, e o alívio ficou aparente em seus olhos.

— Ministro batista? E o que aconteceu depois dessa abstinência toda?

— Ele queria continuar em... Polis. Eu não quis.

Eu estava desesperada para mudar de assunto. A diversão nos olhos de Eliza era humilhante o bastante, e eu não queria deixar que ela escavasse ainda mais meu passado.

Ela deu um passo à frente e segurou cada lado do meu rosto.

— Virgem – disse, balançando a cabeça. — Eu nunca teria imaginado, depois do jeito como você dançou comigo no Arkadia.

— Muito engraçado – falei, subindo as escadas e pisando duro.

Eliza tentou me seguir, mas tropeçou e caiu. Foi rolando e parou de costas no chão, rindo de um jeito histérico.

— O que você está fazendo? Levanta daí! – exclamei, ajudando-a a ficar de pé.

Ela enganchou o braço no meu pescoço e eu a ajudei a subir as escadas. Marie e Lindsey já estavam na cama, então, sem nenhuma ajuda à vista, chutei os sapatos de salto para não torcer o pé enquanto levava Eliza até o quarto. Ela caiu de costas na cama, me puxando junto.

Quando aterrissamos, meu rosto ficou a poucos centímetros do dela, e sua expressão de repente ficou séria. Ela se inclinou para cima de mim, quase me beijando, mas eu a afastei. Suas sobrancelhas se retraíram.

— Para com isso, Liza – falei.

Ela me apertou forte contra si, até que parei de tentar me soltar. Então abaixou a alça do meu vestido, fazendo com que ela ficasse pendurada no meu ombro.

— Desde que a palavra “virgem” saiu dessa sua boca linda... sinto uma necessidade irresistível de ajudar você a tirar esse vestido.

— Bom, que pena. Você estava preparada para matar o Ricky pelo mesmo motivo faz vinte minutos, então não seja hipócrita.

— Foda-se o Ricky. Ele não conhece você como eu.

— Liza, para com isso. Tira a roupa e deita na cama.

— É disso que estou falando – ela disse, rindo.

— Quanto você bebeu? – perguntei, conseguindo finalmente um apoio para os pés entre as pernas dela.

— O suficiente – ela respondeu, sorrindo e puxando a bainha do meu vestido.

— Tenho certeza que já passou do suficiente há um bom tempo – falei, dando um tapa na mão dela para afastá-la.

Apoiei o joelho no colchão e puxei a camiseta dela pela cabeça. Ela tentou encostar em mim de novo, mas a segurei pelo pulso, sentindo o cheiro pungente no ar.

— Meu Deus, Liza, você está fedendo a Jack Daniels.

— Jim Beam – ela me corrigiu, com um aceno bêbado.

— Tem cheiro de madeira queimada e outras substâncias químicas.

— E gosto também – ela riu.

Desabotoei a calça dela. Ela riu com o movimento e ergueu a cabeça para olhar para mim.

— É melhor guardar sua virgindade, Green-Eyes. Você sabe que eu gosto de sexo selvagem.

— Cala a boca – falei, descendo a calça jeans por suas pernas.

Joguei-a no chão e fiquei em pé, com as mãos na cintura, respirando com dificuldade. As pernas dela pendiam da ponta da cama, os olhos estavam fechados, e a respiração, profunda e pesada. Ela tinha apagado.

Fui andando até o armário, balançando a cabeça enquanto remexia nas nossas roupas. Abri o zíper do vestido e fui empurrando-o pelo quadril, deixando que caísse nos tornozelos. Chutei-o num canto e desfiz o rabo de cavalo, balançando os cabelos.

O armário estava lotado de roupas dela e minhas, e soltei o ar, soprando os cabelos da frente do rosto enquanto procurava por uma camiseta em meio à bagunça. Quando puxei uma do cabide, Eliza veio com tudo pelas minhas costas, envolvendo minha cintura com os braços.

— Você quase me mata de susto! – reclamei.

Ela percorreu minha pele com as mãos. Elas estavam diferentes, lentas e decididas. Fechei os olhos quando ela me puxou de encontro ao seu corpo, enterrando o rosto nos meus cabelos e roçando o nariz no meu pescoço. Ao sentir sua pele nua encostada na minha, precisei de um tempinho para protestar.

— Eliza...

Ela puxou meu cabelos para o lado e deslizou os lábios de um ombro ao outro, abrindo o fecho do meu sutiã. Beijou a pele desnuda na base do meu pescoço, e fechei os olhos – a maciez de sua boca era boa demais para fazer com que ela parasse. Um gemido baixinho escapou de sua garganta quando ela pressionou sua pélvis contra a minha, e eu pude saber que ela me desejava. Prendi a respiração, sabendo que a única coisa que nos impedia de dar o grande passo ao qual eu estava tão relutante alguns instantes antes, eram apenas dois finos pedaços de tecido.

Eliza me virou para que ficássemos frente a frente e pressionou seu corpo contra o meu, apoiando-me na parede. Nossos olhos se encontraram, e pude ver o desejo em sua expressão enquanto ela examinava detalhadamente as partes nuas de meu corpo. Já a tinha visto analisar mulheres com os olhos antes, mas aquilo era diferente. Ela não queria me conquistar. Queria que eu dissesse “sim”.

Ela se inclinou para me beijar, passando para uns dois centímetros de distância. Eu podia sentir o calor irradiando sua pele e vindo de encontro aos meus lábios, e tive que me segurar para não puxá-la para mim. Seus dedos se afundaram em minha pele enquanto ela ponderava, e então suas mãos deslizaram das minhas costas para a borda da minha calcinha. Os dedos indicadores desceram pelos meus quadris, entre a pele e o tecido de renda, e, no momento em que estava prestes a escorregar as faixas delicadas da calcinha pelas minhas pernas, ela hesitou. Quando abri a boca para dizer “sim”, ela fechou os olhos.

— Assim não – sussurrou, roçando os lábios nos meus. — Eu quero você, mas não assim.

Ela foi cambaleando para trás até cair de costas na cama, e fiquei parada um instante, com os braços cruzados sobre a barriga. Quando sua respiração ficou regular, enfiei os braços nas mangas da camiseta que ainda tinha nas mãos e a vesti. Eliza não se mexeu, e expirei lentamente sabendo que não seria capaz de refrear nenhum de nós se ela acordasse com intenções menos honradas.

Fui correndo até a cadeira reclinável e ali me joguei, cobrindo o rosto com as mãos. Senti ondas de frustação se debatendo dentro de mim. Ricky havia ido embora se sentindo afrontado, Eliza esperou até que eu estivesse saindo com alguém – alguém que eu realmente gostava – para demonstrar interesse em mim, e eu parecia ser a única garota com quem ela não conseguia fazer sexo, nem mesmo quando estava caindo de bêbada.

...

Na manhã seguinte, coloquei suco de laranja em um copo alto e tomei um gole enquanto mexia a cabeça ao som da música em meu iPod. Acordei antes do sol nascer e fiquei me revirando na cadeira reclinável até as oito. Depois decidi limpar a cozinha para matar o tempo, até que minhas colegas de apartamento acordassem. Enche a lava-louça, varri, passei pano no chão e limpei as prateleiras. Quando a cozinha estava reluzindo, peguei o cesto de roupas limpas e me sentei no sofá, dobrando-as até ter mais de uma dúzia de pilhas de roupas dobradas ao meu redor.

Ouvi murmúrios vindos do quarto de Marie. Lindsey deu uma risadinha e depois tudo ficou quieto por alguns minutos. Seguiram-se ruídos que fizeram com que eu me sentisse um pouco desconfortável sentada, ali, sozinha, na sala de estar.

Coloquei as pilhas de roupas dobradas dentro do cesto e levei-o até o quarto de Eliza, sorrindo quando vi que ela não tinha saído da posição em que caíra no sono na noite anterior. Coloquei o cesto no chão e puxei a coberta para cima dela, abafando uma risada quando ela se virou na cama.

— Olha, Green-Eyes – disse ela, murmurando algo inaudível antes de sua respiração voltar a ficar lenta e profunda.

Não consegui evitar e fiquei observando-a dormir. Saber que Eliza estava sonhando comigo me fez sentir um excitação que eu não sabia explicar. Ela parecia ter voltado a um sono silencioso, então decidi tomar um banho, na esperança de que o som de alguém se levantando e andando pela casa fizesse com que Marie e Lindsey parecem com os gemidos e as batidas da cama contra a parede. Quando desliguei o chuveiro percebi que elas não estavam preocupadas com quem poderia ouvi-las.

Penteei os cabelos, revirando os olhos ao ouvir gemidos agudos de Lindsey, que lembravam mais um poodle do que uma estrela pornô. A campainha tocou, me enrolei no roupão atoalhado e cruzei correndo a sala de estar. Os ruídos vindo do quarto de Marie cessaram de imediato e abri a porta do apartamento, dando de cara com o rosto sorridente de Ricky.

— Bom dia – ele disse.

Joguei os cabelos molhados para trás com a ponta dos dedos.

— O que você está fazendo aqui?

— Não gostei da forma como nos despedimos ontem à noite. Saí hoje de manhã para comprar seu presente de aniversário, mas não consegui esperar para entregá-lo. Então... – disse ele, puxando uma caixa reluzente do bolso da jaqueta. — Feliz aniversário, Aly.

Ele colocou a embalagem prateada na minha mão e me inclinei para beijá-lo no rosto.

— Obrigada.

— Abre. Quero ver sua cara quando você abrir.

Deslizei o dedo por baixo da fita adesiva, então tirei o papel de presente e o entreguei a ele, abrindo a caixa. Uma fileira de diamantes reluzentes acomodava-se em uma pulseira de ouro branco.

— Ricky... – falei um sussurro.

Ele irradiava felicidade.

— Gostou?

— Gostei – falei, segurando-a na frente do meu rosto, deslumbrada –, mas é demais. Eu não poderia aceitar esse presente nem se estivéssemos saindo há um ano, quanto mais há uma semana,

Ricky fez uma careta.

— Eu já esperava que você dissesse isso. Procurei a manhã inteira pelo presente perfeito e, quando vi o bracelete, sabia que só havia um lugar onde ele poderia ficar – disse ele, tirando a pulseira dos meus dedos e prendendo-o em meu pulso. — E eu estava certo. Ficou incrível em você.

Ergui o pulso e balancei a cabeça, hipnotizada com o fulgor de cores que brilhavam à luz do sol.

— É a coisa mais linda que já vi na vida. Ninguém nunca me deu nada tão... – a palavra “caro” me veio à mente, mas não quis dizê-la – sofisticado. Não sei o que dizer.

Ricky deu risada e me beijou no rosto.

— Diga que vai usar amanhã.

Abri um sorriso de orelha a orelhas.

— Vou usar amanhã – falei, beijando-o rapidamente.

Ele me abraçou apertado.

— Tenho que voltar. Vou almoçar com meus pais. Ligo para você depois, tá?

— Tudo bem. Obrigada! – falei, mais uma vez, enquanto ele descia as escadas apressado.

Entrei rápido no apartamento, sem conseguir tirar os olhos do pulso.

— Caraca, Alycia! – disse Lindsey, segurando minha mão. — Onde você arrumou isso?

— O Ricky me deu. De aniversário – respondi.

Ela me olhou boquiaberta, depois baixou o olhar para a pulseira.

— Ele te comprou uma pulseira de diamantes? Depois de uma semana? Se eu não soubesse, diria que você tem um triângulos mágico no meio das pernas!

Ri alto, dando início a um ridículo festival de risadinhas na sala de estar.

Marie surgiu do quarto, parecendo cansada e satisfeita.

— Do que as duas maluquinhas estão gritando aí?

Lindsey ergueu meu pulso.

— Olha o presente de aniversário que ela ganhou do Ricky!

Marie apertou os olhos para enxergar melhor, então os arregalou.

— Uau!

— Não é? – disse Lindsey, assentindo.

Eliza veio cambaleando pelo corredor, parecendo um pouco detonada.

— Cara, como vocês fazem barulho! – ela resmungou, abotoando a calça jeans.

— Desculpa – falei, puxando a mão da pegada de Lindsey.

O momento em que quase transamos se insinuou em minha mente, e não consegui encará-la. Ela tomou de uma golada o resto do meu suco de laranja e limpou a boca.

— Quem me deixou beber daquele jeito noite passada?

Lindsey falou em tom de deboche:

— Você mesma. Você foi comprar uma garrafa de uísque depois que Alycia saiu com o Ricky. E já tinha matado a garrafa inteira quando ela voltou.

— Cacete – ela exclamou, balançando a cabeça. — Você se divertiu? – ela olhou para mim.

— Você está falando sério? – perguntei, mostrando minha raiva antes de pensar.

— O quê?

Lindsey deu risada.

— Você arrancou a Alycia do carro do Ricky, enlouquecida de raiva, quando pegou os dois dando uns amassos que nem colegiais. As janelas estavam até embaçadas e tudo!

Os olhos de Eliza ficaram sem foco, enquanto ela fazia uma varredura nas lembranças da noite anterior. Fiz força para conter o mau humor. Se ela não se lembrava de ter me arrancado do carro, não se lembraria de como cheguei perto de lhe entregar de bandeja minha virgindade.

— Você está brava? – ela me perguntou, encolhendo-se de medo.

— Muito.

Eu estava com mais raiva ainda porque meus sentimentos não tinham nada a ver com Ricky. Apertei o roupão no corpo e cruzei o corredor pisando duro. Ouvi os passos de Eliza atrás de mim.

— Green-Eyes – ela chamou, segurando a porta quando tentei batê-la na cara dela. Ela a empurrou lentamente e ficou parada na minha frente, esperando que eu despejasse toda minha ira.

— Você se lembra de alguma coisa que me disse na noite passada? – eu quis saber,

— Não. Por quê? Fui má com você? 

Seus olhos injetados estavam pesados de preocupação, o que só servia para aumentar minha fúria.

— Não você não foi má comigo! Você... nós...

Cobri os olhos com as mãos e fiquei paralisada quando senti a mão dela no meu pulso,

— De onde veio isso? – ela perguntou, olhando para a pulseira.

— É minha – falei, me soltando.

Ela não tirava os olhos do meu pulso.

— Nunca vi isso antes. Parece nova.

— É nova.

— De onde você arrumou?

— Faz um quinze minutos que o Ricky me deu essa pulseira – falei, observando a expressão no rosto dela mudar de confusão para raiva.

— Que merda esse babaca estava fazendo aqui? Ele passou a noite aqui? – Eliza perguntou, erguendo a voz a cada questão.

Cruzei os braços.

— Ele saiu para comprar meu presente de aniversário hoje de manhã e me trouxe a pulseira.

— Ainda não é seu aniversário.

O rosto dela ficou vermelho, um vermelho forte, enquanto ela se esforçava para manter o mau humor sob controle.

— Ele não podia esperar – falei, erguendo o queixo com um orgulho teimoso.

— Não é de admirar que eu tive que te arrastar para fora daquele carro, parece que você estava... – ela parou de falar, pressionando os lábios.

Estreitei os olhos.

— O quê? Parece que eu estava o quê?

O maxilar dela ficou tenso e ela inspirou fundo, soltando o ar pelo nariz.

— Nada. Só estou brava, e ia dizer alguma merda que eu não queria.

— Isso nunca te impediu antes.

— Eu sei. Estou tentando mudar – ela respondeu, caminhando até a porta. — Vou deixar você se vestir.

Ela esticou a mão para pegar a maçaneta, mas parou um pouco esfregando o braço. Quando seus dedos encostaram na marca dolorida e arroxeada onde o sangue se acumulava, ela erguei o cotovelo e percebeu o ferimento, para o qual ficou olhando fixo por um instante. Depois se virou para mim.

— Eu caí na escada ontem à noite. E você me ajudou a ir tá a cama... – ela disse, procurando as lembranças entre imagens borradas de sua mente.

Meu coração estava quase saindo pela boca, e engoli em seco quando vi que ela estava se dando conta do que tinha acontecido. Ela estreitou os olhos.

— Nós – ela começou a dizer, dando um passo na minha direção, olhando par ao armário e depois para a cama.

— Não. Não aconteceu nada – falei, balançando a cabeça.

Ela se encolheu. Era óbvio que estava relembrando cenas da noite passada.

— Você deixou as janelas do carro do Ricky embaçadas, te puxei para fora do carro e depois tentei... – ela balançou a cabeça.

Então se virou em direção à porta e agarrou a maçaneta, com os nós dos dedos brancos.

— Você está me transformando em uma droga de uma psicopata, Green-Eyes – ela rosnou por cima do ombro. — Não consigo pensar direito quando estou perto de você.

— Então a culpa é minha?

Ela se virou. Seus olhos seguiram do meu rosto para o roupão, para as minhas pernas e depois para os meus pés, voltando para os meus olhos.

— Eu não sei. Minha memória está um pouco turva... mas eu não me lembro de você ter dito “não”.

Dei um passo para frene, pronta para contestar aquele fato insignificante, mas não pude. Ela estava certa.

— O que você quer que eu diga. Eliza?

Ela olhou para a pulseira e de novo para mim, com os olhos acusadores.

— Você esperava que eu não lembrasse?

— Não! Eu estava brava porque você tinha esquecido!

Seus olhos azuis perfuravam os meus.

— Por quê?

— Porque se eu tivesse... se a gente tivesse... e você não... Eu não sei o motivo! Estava brava e ponto!

Ela veio em minha direção e parou a poucos centímetros de mim. Suas mãos tomaram meu rosto, e sua respiração acelerou enquanto me olhava cuidadosamente.

— O que estamos fazendo, Green-Eyes?

Olhei para a calça dela, depois para os músculos e as poucas tatuagens, parando finalmente no azul vivido das íris.

— Você é quem tem que me dizer.


Notas Finais


MAY WE MEET AGAIN. BEIJOS. POSTEI E SAÍ CORRENDO


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