História Beautiful Disaster - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Alycia Debnam-Carey, Belo Desastre, Eliza Taylor-Cotter, The 100
Personagens Alycia Debnam-Carey, Eliza Taylor-Cotter
Tags Beautiful Disaster, Belo Desastre, Clexa, Elycia, Larie, Octaven, The 100
Exibições 423
Palavras 5.647
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Orange, Romance e Novela, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hello. MUITO OBRIGADO PELOS FAVORITOS, COMENTÁRIOS E VIEWS, JÁ PASSAMOS DOS 100 FAVORITOS, MUITO OBRIGADO MESMO. ESTÁ Aí MAIS UM CAPÍTULO. BEIJOCAS.

Capítulo 8 - Boatos


Fanfic / Fanfiction Beautiful Disaster - Capítulo 8 - Boatos

Quando meus olhos finalmente abriram, vi que meu travesseiro consistia em um par de pernas brancas de short. Eliza estava sentada com as costas apoiadas na banheira e a cabeça na parede, desmaiada. Ela parecia tão mal quanto eu. Afastei o cobertor e me levantei, assustada ao ver meu horrível reflexo no espelho em cima de uma pia.

Eu parecia a morte.

Rímel escorrido, manchas negras descendo pelo rosto, batom borrado na boca e cabelos parecendo um ninho de rato.

Lençóis, toalhas e cobertores cercavam Eliza. Ela tinha feito um montinho para dormir em cima enquanto eu expelia as quinze doses de tequila que havia consumido na noite anterior. Eliza tinha segurado meus cabelos para não caírem na privada e ficou sentada comigo ali a noite toda.

Abri a torneira, colocando a mão debaixo da água até que a temperatura estivesse como eu queria. Comecei a limpar a sujeira do rosto e ouvi um gemido vindo do chão. Eliza se mexeu, esfregou os olhos e se espreguiçou. Depois olhou para o lado e fez um movimento assustada.

— Estou aqui – falei. — Por que você não vai pra cama? Dormir um pouco?

— Você está bem? – ela me perguntou, limpando os olhos mais uma vez.

— Estou. Quer dizer, o máximo que posso estar. Vou me sentir melhor assim que tomar um banho.

Ela se levantou.

— Você tirou meu título na noite passada, só pra você saber. Não sei de onde veio aquilo, mas não quero que faça isso de novo.

— Cresci acostumada com isso, Liza. Não é nada demais.

Ela pegou meu queixo nas mãos e limpou com os polegares o que sobrou de rímel borrado sob meus olhos.

— Foi muito pra mim.

— Tudo bem, não vou fazer isso de novo. Satisfeita?

— Sim. Mas preciso te contar uma coisa, se você prometer que não vai ter um treco.

— Ai meu Deus, o que foi que eu fiz?

— Nada. Mas você precisa ligar para a Lindsey.

— Onde ela está?

— No Morgan. Ela brigou com a Mare na noite passada.

Tomei banho correndo e enfiei as roupas que Eliza tinha deixado para mim na pia. Quando saí do banheiro, ela e Mare estavam sentadas na sala.

— O que você fez com ela? – exigi saber de Marie.

A expressão dela ficou triste.

— Ela está muito brava comigo.

— O que houve?

— Fiquei louca por ela ter encorajado você a beber tanto. Achei que acabaríamos tendo que te levar pro hospital. Uma coisa levou à outra e, quando vi, estávamos gritando uma com a outra. Nós duas estávamos bêbadas, Alycia. Eu disse algumas coisas e agora não tenho como voltar atrás – disse ela, balançando a cabeça e olhando para o chão.

— Tipo o quê?

— Eu xinguei a Lind de algumas coisas que nem posso repetir e mandei que ela fosse embora.

— Você deixou que ela fosse embora daqui bêbada? Você é idiota por acaso? – falei, agarrando minha bolsa.

— Pega leve, Green-Eyes. Ela já está se sentindo mal o bastante – Eliza comentou.

Pesquei o celular dentro da bolsa e disquei o número do telefone da Lindsey.

— Alô? – ela atendeu, soando péssima.

— Acabei de saber o que houve – soltei um suspiro. — Você está bem?

Cruzei o corredor para ter um pouco de privacidade, olhando para trás de relance, com raiva.

— Estou bem. Ela é uma idiota.

As palavras dela eram ríspidas, mas eu podia ouvir a mágoa em sua voz. Lindsey tinha virado mestre na arte de esconder as emoções, e poderia tê-las escondido de todo mundo, menos de mim.

— Desculpa não ter ido embora com você?

— Você não estava em condições, Alycia – ela disse, indiferente.

— Por que você não vem me pegar? Podemos conversar.

Ela inspirou ao telefone.

— Não sei. Não quero ver a Marie.

— Eu falo para ela ficar aqui dentro.

Depois de uma longa pausa, ouvi um som de chaves batendo.

— Tudo bem, estarei aí em um minuto.

Entrei na sala, colocando minha bolsa sobre o ombro. Elas me viram abrir a porta para esperar por Lindsey, e Marie levantou apressada do sofá.

— Ela está vindo aqui?

— Ela não quer te ver Mare. Falei que você ia ficar lá dentro.

Ela suspirou e caiu na almofada.

— Ela me odeia.

— Vou conversar com ela. Mas é melhor você pensar em um pedido de desculpas bem incrível.

Dez minutos depois, a buzina tocou duas vezes e eu desci. Quando cheguei aos últimos degraus, Marie passou correndo por mim até o Honda vermelho de Lindsey e se curvou para olhar para ela pela janela. Parei no meio do caminho, vendo Lindsey a esnobava, olhando direto para frente. Ela abaixou o vidro, e Marie parecia estar se explicando, mas então elas começaram a discutir. Voltei para o prédio para que conversassem a sós.

— Green-Eyes? – disse Eliza, descendo as escadas num passo rápido.

— A coisa não parece nada boa.

— Deixa as duas se acertarem. Entra – ela disse, entrelaçando os dedos nos meus para que subíssemos a escada.

— A briga foi tão feia assim? – perguntei.

Ela assentiu.

— Foi. Mas elas estão saindo agora do estágio da lua de mel. Elas vão se entender.

— Para alguém que nunca teve namorada, você parece saber muito sobre relacionamentos.

— Tenho duas irmãs, dois irmãos e muitos amigos – ela disse, abrindo um largo sorriso para si mesma.

Marie entrou no apartamento pisando duro e bateu a porta.

— Ela é impossível!

Dei um beijo no rosto de Eliza.

— Essa é a minha deixa.

— Boa sorte – disse ela.

Entrei no carro ao lado de Lindsey, e ela bufou, dizendo:

— Ela é impossível!

Dei uma risadinha, mas ela lançou um olhar irritado na minha direção.

— Desculpa – falei, forçando meu sorriso a sumir do rosto.

Fomos dar uma volta, e Lindsey gritava e chorava, depois gritava um pouco mais. Às vezes ela tinha rompantes que pareciam dirigidos a Marie, como se fosse ela quem estivesse sentada no meu lugar. Fiquei quieta, deixando que ela lidasse com as coisas do jeito que só ela conseguia fazer.

— Ela me chamou de irresponsável! Eu! Como se eu não te conhecesse! Como se eu não tivesse visto você ganhar centenas de dólares do seu pai bebendo o dobro daquilo. Ela nem sabe do que está falando! Ela nem sabe como era a sua vida! Ela não sabe o que eu sei, e age como se eu fosse filha dela, não namorada!

Apoiei minhas mão na dela, mas ela puxou.

— Ela achou que você seria o motivo pelo qual a gente não daria certo, mas acabou estragando tudo por conta própria. E, falando em você, que diabos foi aquilo na noite passada com o Ricky?

A mudança repentina de assunto me pegou de surpresa.

— Como assim?

— A Eliza fez aquela festa pra você, Alycia, aí você sai pra dar uns amassos com o Ricky. E ainda fica se perguntando por que todo mundo está falando de você!

— Espera aí! Eu falei para o Ricky que a gente não devia ficar lá atrás. Além do mais, o que importa se a Eliza fez a festa pra mim ou não? Eu não estou com ela!

Lindsey olhou para frente, soprando ar pelo nariz.

— Tudo bem, Lind. Que foi? Está brava comigo agora?

— Não estou brava com você. Só não gosto de me juntar a completos imbecis.

Balancei a cabeça e olhei pela janela antes que dissesse algo de que me arrependesse. Lindsey sempre teve a capacidade de me fazer sentir uma merda quando queria.

— Você não percebe o que está acontecendo? – ela me perguntou. — A Eliza parou de lutar. Ela não sai sem você, não trouxe mais nenhuma mulher pra cada desde aquelas duas, tem vontade de matar o Ricky, e você está preocupada com o fato de as pessoas estarem dizendo que você está jogando com os dois. Sabe o por que isso, Alycia? Porque é verdade!

Eu me virei lentamente na direção dela, tentando desferir-lhe o olhar mais raivoso que podia.

— Que merda há de errado com você?

— Se você está namorando o Ricky, e está tão feliz – disse ela em tom jocoso –, então por que não está no Morgan?

— Porque eu perdi a aposta e você sabe disso!

— Ah, dá um tempo, Alycia! Você fica falando como O Ricky é perfeito, vai nesses encontros incríveis com ele, fala durante horas com ele ao telefone, e depois deita ao lado da Eliza todas as noites! Você não percebe que tem algo errado nessa situação? Se você realmente gostasse do Ricky, suas coisas estariam no Morgan agorinha mesmo!

Cerrei os dentes.

— Você sabe que nunca dei pra trás numa aposta, Lind.

— Foi isso o que eu pensei – disse ela, torcendo as mãos em volta do volante. — Você que a Eliza, mas acha que precisa do Ricky.

— Eu sei que as coisas parecem assim, mas...

— As coisas parecem assim pra todo mundo. Então, se você não gosta do que as pessoas estão falando de você... mude. A Eliza não tem culpa. Ela mudou da água pro vinho por sua causa. Você está tirando vantagem da situação, e o Ricky também.

— Há uma semana você queria que eu fizesse as malas e nunca mais deixasse a Eliza chegar perto de mim! Agora você está defendendo ela?

— Alycia Jasmin Debnam-Carey! Não estou defendendo a Eliza, sua imbecil! Me preocupo com você! Vocês são loucas uma pela outra! Façam alguma coisa a respeito!

— Como eu posso pensar em ficar com ela? – lamentei. — Você devia tentar me manter longe de pessoas como ela!

Ela pressionou os lábios, claramente perdendo a paciência que ela já não tinha.

— Você se esforçou tanto para se separar do seu pai. Esse é o único motivo pelo qual você está considerando ficar com o Ricky! Porque ele é o oposto do Aleks, e você acha que a Eliza vai te levar de volta para aquela vida. Ela não é como o seu pai, Alycia.

— Eu não disse que era, mas ela vai acabar me levando a seguir os mesmos passos do meu pai.

— A Eliza não faria isso com você. Acho que você não sabe o quanto significa para ela. Se você dissesse a ela...

— Não. A gente não deixou tudo para trás para que as pessoas me olhem do jeito que olhavam em Polis. Vamos nos concentrar no seu problema. A Mare está te esperando.

— Não quero falar sobre a Mare – disse ela, diminuindo a marcha para parar no semáforo.

— Ela está péssima, Lind. Ela te ama.

Seus olhos se encheram de lágrimas e seu lábio inferior tremeu.

— Não me importo.

— Se importa sim.

— Eu sei – ela falou, choramingando e se apoiando no meu ombro.

Ela chorou até o sinal abrir, então beijei sua testa.

— Sinal verde.

Ela se endireitou e limpou o nariz.

— Fui muito má com ela agora há pouco. Acho que ela não vai falar comigo depois disso.

— Ela vai falar com você sim. Ela sabe que você estava brava.

Lindsey limpou o rosto e fez um lento retorno. Achei que eu fosse ficar um tempão tentando convencê-la a entrar comigo, mas Marie desceu correndo as escadas antes mesmo que ela desligasse o motor.

— Me desculpe, baby. Eu não devia ter me intrometido, eu... Por favor, não vá embora. Eu não sei o que faria sem você.

Lindsey segurou o rosto dela com as mãos e sorriu.

— Você é uma idiota arrogante, mas eu ainda te amo.

Marie a beijou repetidas vezes, como se não a visse há meses, e sorri ao ver aquele final feliz. Eliza estava parada na porta com um largo sorriso no rosto, enquanto eu entrava no apartamento.

— E elas viveram felizes para sempre – ela disse, fechando a porta atrás de mim.

Eu me joguei no sofá. Ela se sentou ao meu lado e puxou minhas pernas para o seu colo.

— O que você quer fazer hoje, Green-Eyes?

— Dormir. Ou descansar... ou dormir.

— Posso te dar seu presente antes?

Dei um empurrão no ombro dela.

— Fala sério! Você comprou um presente pra mim?

Sua boca se curvou em um sorriso nervoso.

— Não é uma pulseira de diamantes, mas acho que você vai gostar.

— Vou amar, mesmo sem ver o que é.

Ela tirou minhas pernas do colo dela e sumiu dentro do quarto de Marie. Ergui uma sobrancelha quando a ouvi murmurando, e então ela surgiu com uma caixa, que colocou no chão, aos meus pés, agachando-se atrás dela.

— Anda logo, quero ver sua cara de surpresa – ela sorriu.

Anda logo? – perguntei, levantando a tampa da caixa.

Meu queixo caiu quando um grande par de olhos negros se ergueu para mim.

— Um cachorrinho? – falei num gritinho agudo, enfiando a mão dentro da caixa. Ergui o filhotinho peludo e escuro até perto do rosto e ele lambeu minha bochecha.

Eliza tinha um sorriso iluminado no rosto, triunfante.

— Gostou?

— Se gostei? Amei! Você me deu um cachorrinho!

— É um cairn terrier. Precisei dirigir durante três horas para pegá-lo na quinta-feira depois da aula.

— Então, quando você disse que ia com a Marie levar o carro dela até a oficina...

— Fomos pegar seu presente – ela assentiu.

— Ele rebola! – dei risada.

— Toda garota do Kansas precisa de um Totó – disse Eliza, ajudando-me a pôr a bolinha minúscula e peluda no colo.

— Ele realmente tem cara de Totó! Esse vai ser o nome dele – falei, franzindo o nariz para o cachorrinho, que não parava de se contorcer.

— Você pode deixa-lo aqui. Eu cuido dele quando você voltar para o Morgan. – Sua boca formou um meio sorriso. — Assim posso ter certeza que você vai vir aqui quando seu mês acabar.

Pressionei os lábios.

— Eu viria de qualquer forma, Liza.

— Eu faria qualquer coisa por esse sorriso no seu rosto.

— Acho que você precisa de um cochilo, Totó. Sim, precisa sim – arrulhei para o cãozinho.

Eliza assentiu, me puxou para o colo dela e se levantou.

— Então vem.

Ela me carregou até o quarto, puxou as cobertas e me colocou no colchão. Esticando-se por cima de mim, fechou as cortinas e caiu no próprio travesseiro.

— Obrigada por ficar comigo noite passada – falei, acariciando os pelos macios do Totó. — Você não precisava dormir no chão do banheiro.

— A noite passada foi uma das melhores da minha vida.

Eu me virei para ver a expressão dela. Quando vi que estava falando sério, lancei-lhe um olhar dúbio.

— Dormir entre a privada e a banheira no chão frio com uma imbecil vomitando foi uma de suas melhores noites? Isso é triste, Liza.

— Não, te fazer companhia quando você estava mal e ter você dormindo no meu colo foi uma das minhas melhores noites. Não foi confortável, não dormi merda nenhuma, mas passei seu aniversário de dezenove anos com você. E você é bem meiga quando está bêbada.

— Tenho certeza que eu estava muito charmosa vomitando.

Ela me puxou para perto, dando uns tapinhas de leve no Totó, que estava aninhado no meu pescoço.

— Você é a única mulher que conheço que continua linda mesmo com a cabeça dentro da privada. Acho que isso diz algo sobre você.

— Obrigada, Liza. Não vou fazer você bancar minha babá de novo.

Ela se apoiou no travesseiro.

— Não tem problema. Ninguém segura seus cabelos para trás como eu.

Dei uma risadinha e fechei os olhos, me deixando afundar na escuridão.

...

— Levanta, Alycia! – gritou Lindsey, me chacoalhando.

Totó lambeu meu rosto.

— Já estou acordada! Já estou me levantando!

— Temos aula daqui a meia hora!

Pulei da cama.

— Eu dormi... catorze horas? Que diabos?

— Entra logo no chuveiro! Se você não estiver pronta em dez minutos, vou te largar aqui.

— Não dá tempo de tomar banho! – falei, trocando a roupa com que eu tinha dormido.

Eliza apoiou a cabeça em uma das mãos e deu risada.

— Vocês são ridículas. Não é o fim do mundo se vocês se atrasarem para uma aula.

— É o fim do mundo no caso da Lindsey. Ela não perde uma aula e odeia se atrasar – falei, enfiando uma camiseta e uma calça jeans no corpo.

— Deixa a Lind ir na frente. Eu levo você.

Fui saltando num pé só, depois no outro, colocando as botas.

— Minha bolsa está no carro dela, Liza.

— Tudo bem – ela deu de ombros –, só não vai se machucar a caminho da aula.

Ela ergueu o Totó, aninhando-o em um dos braços como se fosse uma minúscula bola de futebol, e atravessou o corredor com ele.

Lindsey me fez sair correndo e entrar no carro.

— Não consigo acreditar que ela te deu aquele cachorrinho – disse ela, olhando para trás enquanto tirava o carro do estacionamento.

Eliza estava parada sob o sol da manhã, de short, regata, descalça e parecendo um leãozinho fofo, envolvendo-se com os braços para se proteger do frio. Ela ficou olhando enquanto Totó cheirava um pequeno canteiro de grama, guiando o cãozinho como uma mãe orgulhosa.

— Eu nunca tive cachorro – falei. — Vai ser uma experiência interessante.

Lindsey olhou de relance para Eliza antes de acelerar o Honda.

— Olha só para ela – ela disse, balançando a cabeça. — Eliza Taylor, a Sra. Mamãe.

— O Totó é lindo. Até você vai cair nas garrinhas fofas dele.

— Você sabe que não pode levar cachorro para o dormitório. Acho que a Eliza não pensou nisso.

— Ela disse que vai ficar com o Totó no apartamento.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— É claro que vai. A Eliza pensa em tudo, tenho que lhe dar esse crédito – disse ela, enquanto pisava no acelerador.

Cheguei ofegante à sala de aula e fui me sentar. Assim que a adrenalina se dissipou, o peso do meu coma pós-aniversário se assentou no corpo. Lindsey me cutucou quando a aula acabou e eu a acompanhei até o refeitório.

Marie nos encontrou na porta. Notei na hora que havia algo errado.

— Lind – ela disse, agarrando-a pelo braço.

Eliza veio quase correndo até nós e colocou as mãos na cintura, arfando para recuperar o fôlego.

— Tem uma multidão de mulheres raivosas perseguindo você? – brinquei.

Ela balançou a cabeça.

— Eu estava tentando te encontrar... antes de você... entrar aqui – disse ela, meio sem fôlego ainda.

— O que está acontecendo? – Lindsey perguntou a Marie.

— Está rolando um boato – Marie começou. — Todo mundo está dizendo que a Eliza levou a Alycia pra casa e.... Os detalhes variam, mas a coisa é bem ruim.

— O quê? Você está falando sério? – gritei.

Lindsey revirou os olhos.

— Quem se importa, Alycia? As pessoas vêm fazendo especulações sobre você e a Liza há semanas. Não é a primeira vez que alguém acusa vocês duas de terem transado.

Eliza e Marie trocaram olhares de relance.

— O quê? – falei. — Tem mais algumas coisa, não é?

Marie se encolheu.

— Estão dizendo que você transou com o Ricky no apartamento do Bob e depois deixou a Eliza... levar você pra casa, se é que me entende.

Meu queixo caiu.

— Que ótimo! Agora eu sou a vadia da faculdade?!

Os olhos de Eliza escureceram e seu maxilar enrijeceu.

— A culpa é minha. Se fosse qualquer outra pessoa, não estariam falando isso de você.

Ela entrou no refeitório com as mãos cerradas nas laterais do corpo.

Lindsey e Marie foram atrás dela.

— Tomara que ninguém seja idiota o bastante pra dizer alguma coisa pra Liza – falou Lindsey.

— Ou pra Alycia – acrescentou Marie.

Eliza se sentou em um lugar meio afastado, do outro lado do meu, pensativa diante de seu sanduíche. Esperei que ela olhasse para mim, desejando lhe oferecer um sorriso reconfortante. Ela tinha sua fama, mas eu deixei que Ricky me levasse até o corredor.

Marie me cutucou enquanto eu encarava sua prima.

— Ela só está se sentindo mal. Provavelmente está tentando desviar a atenção do pessoal do lance do boato.

— Você não tem que sentar longe, Liza. Vem, senta aqui – falei, batendo com a mão no espaço à minha frente.

— Ouvi dizer que você teve um baita aniversário, Alycia – disse Adina Porter, jogando um pedaço de alface no prato de Eliza.

— Não começa, Porter – Eliza avisou, com um olhar bravo.

Adina sorriu.

— Ouvi dizer que o Ricky está furioso. Ele disse que passou pelo apartamento de vocês ontem, e você e a Eliza ainda estavam na cama.

— Elas estavam tirando um cochilo, Adina – disse Lindsey com desdém.

Meu olhar se fixou em Eliza.

— O Ricky apareceu por lá?

Ela se mexeu, desconfortável, na cadeira.

— Eu ia te contar.

Quando? – perguntei irritada.

Lindsey se inclinou para falar ao meu ouvido.

— O Ricky ouviu a fofoca e apareceu por lá para te confrontar. Tentei impedi, mas ele entrou pelo corredor e.... entendeu tudo errado.

Plantei os cotovelos na mesa, cobrindo o rosto com as mãos.

— Isso está ficando cada vez melhor.

— Então vocês realmente não chegaram aos finalmentes? – quis saber Adina. — Que merda. E eu achando que a Alycia era a mina certa pra você no fim das contas, Liza.

— É melhor você parar agora, Adina – Marie avisou.

— Se você não transou com ela, se importa se eu tentar? – disse Adina, dando risada para suas colegas da torcida.

Meu rosto ardeu com o embaraço inicial, mas então Lindsey deu um berro no meu ouvido em reação a Eliza, que se esticou até o outro lado da mesa, agarrou Adina pelo pescoço com uma das mãos e, com a outra, apanhou um bom punhado na camiseta dela. A garota deslizou pela mesa, e dúzias de cadeiras rangeram no chão quando as pessoas se levantaram para observar a cena. Eliza socando-a repetidas vezes na cara, o cotovelo erguendo-se alto no ar antes de ela desferir cada soco. A única coisa que Adina podia fazer era cobrir o rosto com as mãos.

Ninguém encostou em Eliza. Ela estava descontrolada, e sua reputação deixava todos com medo de se meter. As garotas da torcida do futebol americano se contorciam e se encolhiam enquanto viam sua colega ser atacada sem misericórdia no chão frio.

— Eliza! – gritei, correndo em volta da mesa.

Ela conteve o punho cerrado no meio do caminho e soltou as camiseta da Adina, deixando que ela caísse no chão. Estava arfando quando se virou para olhar para mim. Sua expressão nunca me parecera tão assustadora. Engoli em seco e recuei quando ela abriu caminho e passou por mim.

Dei um passo para ir atrás dela, mas Lindsey me segurou pelo braço. Marie a beijou rapidamente e seguiu a prima.

— Meu Deus! – sussurrou Lindsey.

Nós nos viramos e vimos as colegas de Adina erguendo-a do chão. Eu me encolhi de aflição quando vi seu rosto, vermelho e inchado. O sangue escorria devagar do nariz, e Bob lhe entregou um guardanapo que pegou na mesa.

— Aquela maluca filha da puta! – Adina gemeu, sentando-se na cadeira e segurando o rosto. Depois olhou para mim. — Desculpa, Alycia. Eu só estava brincando.

Fiquei sem palavras. Assim como ela, eu não sabia explicar o que tinha acabado de acontecer.

— Ela não foi pra cama nem com a Eliza, nem com o Ricky – Lindsey afirmou.

— Você nunca sabe a hora de calar a boca, Porter – disse Bob, sério.

Lindsey me puxou pelo braço.

— Vamos. Vem comigo.

Ela não perdeu tempo e me enfiou dentro do carro. Quando engatou a marcha, agarrei seu pulso.

— Espera! Aonde estamos indo?

— Para o apartamento da Mare. Não quero que ela fiquei sozinha com a Eliza. Você viu? Ela perdeu completamente a cabeça!

— Bom, eu também não quero ficar perto dela!

Lindsey me encarou, sem poder acreditar no que estava ouvindo.

— Obviamente tem algo acontecendo com a Eliza. Você não quer saber o que é?

— Meu instinto de autopreservação é maior que a minha curiosidade, Lind.

— A única coisa que fez a Eliza parar foi a sua voz, Alycia. Ela vai te escutar. Você precisa conversar com ela.

Suspirei e soltei o pulso dela, caindo de encontro ao encosto do banco.

— Tudo bem. Vamos.

Chegamos ao estacionamento, e Lindsey parou entre o Charger da Marie e a Harley da Eliza. Foi caminhando até as escadas, colocando as mãos na cintura com um toque dramático.

— Vamos logo, Alycia! – disse, fazendo um movimento para que eu a seguisse.

Hesitante, finalmente fui atrás dela, parando quando vi Marie descer correndo as escadas para falar algo baixinho ao ouvido de Lindsey. Ela olhou para mim, balançou a cabeça e sussurrou algo para Lindsey novamente.

— Que foi? – perguntei.

— A Mare não... – ela estava inquieta. — A Mare não acha uma boa ideia a gente entrar no apartamento agora. A Eliza ainda está com muita raiva.

— Você quer dizer que ela não acha que eu devo entrar – falei.

Lindsey deu de ombros, meio sem graça, depois olhou para Marie, que pôs a mão no meu ombro.

— Você não fez nada, Alycia. Ela só não quer... ela não quer te ver agora.

— Se eu não fiz nada errado, por que ela não quer me ver?

— Não sei, ela não quer falar sobre isso. Acho que está com vergonha de ter perdido o controle na sua frente.

— Ela perdeu o controle na frente do refeitório inteiro! O que eu tenho a ver com isso?

— Mais do que você pensa – disse Marie, evitando meus olhos.

Fiquei olhando para elas por um momento, depois subi correndo as escadas. Irrompi pela porta e me deparei com a sala vazia. A porta do quarto de Eliza estava fechada, então eu bati.

— Eliza? Sou eu, abre a porta.

— Vai embora, Green-Eyes – ela disse do outro lado.

Dei uma espiada lá dentro e a vi sentada na beirada da cama, olhando pela janela. Totó batia com as patinhas nas costas dela, infeliz por estar sendo ignorado.

— O que está acontecendo com você, Liza? – perguntei.

Ela não respondeu, então fiquei em pé ao seu lado, de braços cruzados. O maxilar dela estava tenso, mas ela não tinha mais a expressão assustadora que exibira no refeitório. Parecia triste. De um jeito profundo, desesperançado.

— Você não vai conversar comigo?

Esperei, mas ela permanece quieta. Eu me virei em direção à porta e ela finalmente soltou um suspiro.

— Lembra daquele dia quando o Bob falou besteira pra mim e você me defendeu? Bom... foi isso que aconteceu. Eu só fui meio longe demais.

— Você já estava com raiva antes da Adina dizer alguma coisa – falei, me sentando ao lado dela na cama.

Ela continuou olhando pela janela.

— Eu já disse uma vez. Você precisa se afastar, Green-Eyes. Deus sabe que eu não consigo me afastar de você.

Encostei no braço dela.

— Você não quer que eu vá embora.

Seu maxilar ficou tenso de novo, depois ela me abraçou. Fez uma pausa por um momento e então beijou minha testa, pressionando a bochecha contra a minha têmpora.

— Não importa o quanto eu tente. Você vai me odiar no fim das contas.

Eu a abracei.

— Precisamos ser amigas. Não aceito “não” como resposta – falei, citando-a.

Ela retraiu as sobrancelhas e me aninhou com ambos os braços, ainda olhando pela janela.

— Muitas vezes fico te observando enquanto você está dormindo. Você sempre parece tão em paz. Eu não tenho esse tipo de calma. Tenho essa raiva e essa fúria fervendo dentro de mim... menos quando te observo dormindo. Era isso que eu estava fazendo quando o Ricky entrou – ela continuou. — Eu estava acordada, e ele entrou no quarto e simplesmente ficou parado, com um olhar chocado no rosto. Eu sabia o que ele estava pensando, mas não esclareci as coisas. Não expliquei, porque eu queria que ele achasse que tinha acontecido algo entre a gente. Agora a faculdade inteira acha que você transou comigo e com ele na mesma noite.

Totó foi enfiando o focinho e se aninhando no meu colo. Esfreguei as orelhinhas dele. Eliza esticou a mão para fazer carinho nele, depois pousou sua mão na minha.

— Desculpa.

Dei de ombros.

— Se ele acredita em fofoca, o problema é dele.

— Ele viu a gente juntas na cama, seria difícil não pensar isso.

— Ele sabe que eu estou ficando aqui com você. Pelo amor de Deus, eu estava totalmente vestida!

Eliza soltou um suspiro.

— Provavelmente ele estava puto demais para perceber isso. Eu sei que você gosta dele, Green-Eyes. Eu devia ter explicado. Eu devo isso a você.

— Não importa.

— Você não está brava? – ela me perguntou, surpresa.

— É com isso que você está tão preocupada? Você achou que eu ficaria brava quando me contasse a verdade?

— Mas você devia ficar! Se alguém acabasse com a minha reputação, eu ficaria com raiva.

— Você não está nem aí para a sua reputação. O que aconteceu com a Eliza que não liga a mínima para o que qualquer pessoa pensa. – eu a provoquei, cutucando-a de leve.

— Isso foi antes de eu ver a expressão no seu rosto quando você soube o que todo mundo estava dizendo. Não quero que você se magoe por minha causa.

— Você nunca faria nada pra me magoar.

— Eu preferia cortar um braço – ela suspirou.

Então relaxou os músculos da face e a encostou nos meus cabelos. Eu não tinha resposta para lhe dar, e Eliza parecia ter dito tudo que precisava dizer, então ficamos sentadas, em silêncio. De vez em quando, ela me apertava um pouco mais forte para o lado dela. Agarrei sua camiseta, sem saber o que fazer para que ela se sentisse melhor, então simplesmente deixei que me abraçasse.

Quando o sol começou a se pôr, ouvi uma batida fraca à porta.

— Alycia?

A voz de Lindsey soou como um fiozinho do outro lado da porta.

— Entra, Lind – Eliza respondeu.

Ela entrou com Marie e sorriu quando nos viu embrenhadas nos braços uma da outra.

— A gente vai comer alguma coisa. Vocês estão a fim de ir ao Pei Wei?

Argh... comida asiática de novo, Lind? Mesmo? – Eliza perguntou.

Eu sorri. Eliza parecia a mesma novamente. Lindsey também notou.

— Sim, mesmo. Vocês vêm ou não?

— Estou morrendo de fome – falei.

— É claro que está, você não comeu nada no almoço – ela falou, franzindo a testa. Então se levantou e me fez levantar com ela. — Vamos lá. Vamos arrumar comida pra você.

Ela manteve o braço em volta de mim e não me soltou até que estivéssemos sentadas à mesinha no Pei Wei.

Quando Eliza foi ao banheiro, Lindsey se inclinou na minha direção.

— E então? O que ela disse?

— Nada – dei de ombros.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Você ficou no quarto dela durante duas horas, e ela não disse nada?

— Ela geralmente não diz nada quando está brava – disse Marie.

— Ela deve ter dito alguma coisa – sondou Lindsey.

— Ela disse que se exaltou um pouco por causa do que falaram de mim. E me contou que não disse a verdade ao Ricky quando ele entrou no quarto. Foi isso – falei, arrumando o sal e a pimenta na mesa.

Marie balançou a cabeça, fechando os olhos.

— Que foi, baby? – perguntou Lindsey, ficando mais ereta.

— A Eliza está... – ela suspirou, revirando os olhos. — Esquece.

Lindsey fez uma expressão teimosa.

— Ah, não! Você não pode simplesmente...

Ela cortou o que estava dizendo quando Eliza se sentou e girou o braço atrás de mim.

— Droga! A comida não chegou ainda?

Rimos e falamos besteira até o restaurante fechar. Depois entramos no carro para voltar para casa. Marie subiu a escada carregando Lindsey nas costas, mas Eliza ficou para trás, me puxando para impedir que eu as seguisse. Ela olhou para cima, para nossas amigas, até que elas desaparecessem atrás da porta. Em seguida me ofereceu um sorriso cheio de remorso.

— Eu te devo um pedido de desculpas por hoje. Então... desculpa.

— Você já pediu desculpas. Está tudo bem.

— Não, eu pedi desculpas pelo lance do Ricky. Não quero que você fique achando que sou algum tipo de psicopata que sai por aí atacando as pessoas por qualquer coisinha – ela falou. — Mas eu te devo um pedido de desculpas porque não te defendi pelo motivo certo.

— Que seria... – me prontifiquei a começar a frase.

— Eu parti pra cima dela porque ela disse que queria ser a próxima da fila, não porque ela estava zoando você.

— Insinuar que existe uma fila é motivo suficiente para você me defender, Liza.

— Esse é o meu ponto. Fiquei louca da vida porque levei isso como uma confissão de que ela queria transar com você.

Depois de processar o que Eliza quis dizer, agarrei os dois lados da camiseta dela e a puxei para um abraço, escondendo o rosto na curvatura de seu pescoço.

— Quer saber de uma coisa? Não estou nem aí – falei, erguendo o olhar para ela. — Não me importo com o que as pessoas estão dizendo, nem que você tenha perdido o controle, nem por que motivo você detonou a cara da Adina. A última coisa que eu quero é ter uma reputação ruim, mas estou cansada de explicar a nossa amizade pra todo mundo. Eles que vão pro inferno!

A expressão nos olhos de Eliza ficou suave, e os cantos de sua boca se voltaram para cima.

— Nossa amizade? Às vezes eu me pergunto se você realmente escuta o que eu falo.

— O que você quer dizer?

— Vamos entrar. Estou cansada.

Assenti, e ela me abraçou de lado até que estivéssemos dentro do apartamento. Lindsey e Marie já tinham se trancado no quarto, e entrei sorrateiramente no banho e saí do mesmo jeito. Eliza ficou sentada com Totó do lado de fora enquanto eu colocava o pijama e, dentro de meia hora, nós duas estávamos na cama.

Descansei a cabeça no braço, soltando o ar longamente para relaxar.

— Só nos restam duas semanas. Qual o drama que você vai fazer quando eu voltar para o Morgan?

— Não sei – ela disse.

Mesmo no escuro, pude ver sua testa franzida e atormentada.

— Ei – encostei no braço dela –, eu estava brincando.

Fiquei olhando para ela por um bom tempo, respirando, piscando e tentando relaxar. Ela ficou um pouco inquieta e então olhou para mim.

— Você confia em mim, Green-Eyes?

— Confio, por quê?

— Vem cá – ela me disse, me puxando de encontro a ela.

Fiquei com o corpo rígido por um segundo ou dois antes de descansar a cabeça no peito dela. O que quer que estivesse acontecendo com Eliza, ela precisava de mim por perto, e eu não podia apresentar nenhuma objeção a isso, nem se quisesse. Ficar deitada ao lado dela parecia certo.


Notas Finais


MAY WE MEET AGAIN.


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