História Beautiful Disaster - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Supernatural
Personagens Adam Milligan, Castiel, Dean Winchester, Gabriel, John Winchester, Lúcifer, Rafael, Sam Winchester
Tags Destiel, Destiel Au, Supernatural
Exibições 111
Palavras 5.187
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


depois de dois anos
estou de volta
culpem o social
e agradeçam a thaisa pactos
BOA LEITURAA

Capítulo 5 - Stanley Parker


— Pode entrar — falei, ao ouvir alguém batendo à porta.

Dean ficou paralisado na entrada.

— Uau!

Sorri. Stanley estaria na festa, e eu queria chamar atenção.

— Você está incrível — disse ele, quando coloquei os vans vermelhos.

Fiz um aceno com a cabeça, aprovando o visual dele também — camisa social branca e calça jeans.

— Você também está legal.

As mangas da camisa dele estavam dobradas até os cotovelos, deixando à mostra as tatuagens dos antebraços. Quando ele colocou as mãos nos bolsos, notei que usava seu bracelete de couro preto predileto.

Gabriel e Sam esperavam por nós na sala de estar.

— O Stanley vai ter um treco quando vir você — disse Gabriel, dando risadinhas enquanto Sam seguia na frente até o carro.

Dean abriu a porta e entrei no banco detrás do Impala. Embora já tivéssemos nos sentado lá inúmeras vezes antes, de repente pareceu esquisito ficar ao lado dele.

Havia várias filas de carros na rua; alguns estavam estacionados até no gramado da frente. A casa estava a ponto de explodir com tantas pessoas, e ainda havia mais gente descendo a rua, vindo dos dormitórios.

Sam estacionou nos fundos da casa, e Gabriel e eu seguimos os meninos.

Dean me trouxe um copo de plástico vermelho cheio de cerveja, e então se inclinou para sussurrar algo ao meu ouvido.

— Não aceite cerveja de ninguém além de mim e do Sam. Não quero que ninguém coloque nada na sua bebida.

Revirei os olhos.

— Ninguém vai colocar nada na minha bebida, Dean.

— Só não beba nada que não venha de mim, tá? Você não está mais no Kansas, Flor.

— Já ouvi essa antes — falei em tom de sarcasmo, bebendo um gole da cerveja.

Uma hora havia se passado e nada de o Stanley aparecer. Gabriel e Sam dançavam ao som de uma música lenta na sala de estar quando Dean me cutucou a mão.

— Quer dançar?

— Não, obrigado — respondi.

Ele fez cara de decepção. Pus a mão no ombro dele e disse:

— Só estou cansado, Dean.

Ele colocou sua mão na minha e começou a falar, mas, quando olhei para frente, vi o Stanley. Dean notou a mudança na minha expressão e se virou.

— Oi, Castiel! Você veio! — Stanley abriu um sorriso.

— É, já estamos aqui faz mais ou menos uma hora — falei, puxando a mão que estava debaixo da do Dean.

— Você está incrível! — ele gritou, mais alto que a música.

— Obrigado!

Abri um largo sorriso, olhando de relance para Dean, que estava com os lábios tensos. Uma linha tinha se formado entre as sobrancelhas. Stanley fez um aceno com a cabeça, indicando a sala de estar, e sorriu:

— Quer dançar?

Torci o nariz e balancei a cabeça.

— Não, estou meio cansado.

Então ele olhou para Dean.

— Achei que você não viria.

— Mudei de ideia — disse Dean, irritado por ter que se explicar.

— Estou vendo — disse Stanley, olhando para mim. — Quer tomar um pouco de ar?

Fiz que sim com a cabeça e subi as escadas atrás dele, que fez uma pausa nos degraus, esticando a mão para pegar a minha enquanto subíamos até o segundo andar. Quando chegamos ao topo da escada, abrimos a porta dupla que dava para a varanda.

— Está com frio? — ele me perguntou.

— Um pouquinho — falei, sorrindo quando ele tirou a jaqueta para cobrir meus ombros. — Obrigado.

— Você veio com o Dean?

— Viemos no mesmo carro.

Stanley abriu um largo sorriso e olhou para o gramado. Um grupo de garotas se aninhava, de braços dados para se proteger do frio. A grama estava cheia de papel crepom e latas de cerveja, além de garrafas vazias de bebidas destiladas. Em meio àquela bagunça, os integrantes da Sig Tau rodeavam sua obra-prima: uma pirâmide de barris de cerveja decorada com luzinhas brancas.

Stanley balançou a cabeça.

— Esse lugar vai estar detonado de manhã. A equipe de limpeza vai ter muito que fazer.

— Vocês têm uma equipe de limpeza?

— É — ele sorriu —, que chamamos de calouros.

— Coitado do Sam.

— Ele não faz parte da equipe. Ele tem passe livre por ser irmão do Dean, além de não morar na casa.

— Você mora na casa?

Ele assentiu.

— Faz dois anos. Mas preciso arranjar um apartamento. Preciso de um lugar mais calmo para estudar.

— Deixe-me ver se adivinho... Administração?

— Biologia, com especialização em anatomia. Tenho mais um ano pela frente, depois vou fazer a prova de admissão para medicina e, assim espero, entrar em Harvard.

— Você já sabe se entrou?

— Meu pai estudou em Harvard. Não tenho certeza, mas ele é um ex-aluno generoso, se é que você me entende. E minhas notas são legais, então tenho boas chances de conseguir uma vaga.

— Seu pai é médico?

Stanley confirmou com um sorriso simpático.

— Cirurgião ortopédico.

— Impressionante.

— E você? — ele me perguntou.

— Não decidi ainda.

— Típica resposta de calouros.

Suspirei de um jeito dramático.

— Acho que acabei de destruir minhas chances de ser brilhante.

— Ah, você com certeza não tem que se preocupar com isso. Prestei atenção em você desde o primeiro dia de aula. O que um calouro está fazendo em cálculo três?

Sorri e torci o tecido da camisa em volta do dedo.

— Matemática é meio que fácil pra mim. Fui tão bem no ensino médio que fiz dois cursos de verão na Faculdade Estadual de Wichita.

— Uau, isso sim é impressionante — disse ele.

Ficamos na varanda durante mais de uma hora, conversando sobre tudo, desde os restaurantes locais até como me tornei tão amigo de Dean.

— Eu não ia falar nada, mas vocês dois parecem ser o assunto do momento.

— Que ótimo. — murmurei.

— É que é algo fora do comum para o Dean. Ele não faz amizade com qualquer um. Ao contrário, tende a transformá-los em inimigos.

— Ah, não sei não. Já vi vários sofrerem de perda de memória ou serem tolerantes demais em se tratando dele.

Stanley riu. Os dentes brancos brilhavam em contraste com a pele bronzeada.

— As pessoas só não entendem o relacionamento de vocês. Você tem que admitir que a coisa é um pouco ambígua.

— Você está me perguntando se transo com ele?

Ele sorriu.

— Se transasse você não estaria aqui com ele. Conheço o Dean desde os catorze anos e sei muito bem como é que ele funciona, curioso em relação à amizade de vocês.

— Ela é o que é — dei de ombros. — Saímos juntos, comemos, vemos televisão, estudamos e discutimos. É basicamente isso.

Stanley riu alto, balançando a cabeça com a minha honestidade sobre o assunto.

— Ouvi dizer que você é a única pessoa que tem permissão de pôr o Dean no lugar dele. É um título honrável.

— Seja lá o que isso signifique, ele não é tão mau quanto todo mundo pensa.

O céu ficou púrpura e então cor-de-rosa quando o sol irrompeu no horizonte. Stanley olhou para o relógio e depois de relance por cima do parapeito da varanda, para a multidão que se dispersava no gramado.

— Parece que a festa acabou.

— É melhor eu ir ver onde estão o Sam e a Gabriel.

— Algum problema se eu levar você até em casa? — ele me perguntou.

Tentei controlar a animação.

— Problema nenhum. Vou avisar o Gabriel. — Cruzei a porta e depois me encolhi, receoso, antes de me virar — Você sabe onde o Dean mora?

Stanley juntou as espessas e castanhas sobrancelhas.

— Sei sim, por quê?

— Porque estou ficando lá por um tempo — falei, esperando para ver qual seria a reação dele.

— Você está ficando no apartamento do Dean?

— Eu meio que perdi uma aposta, então vou passar um mês lá.

— Um mês?

— É uma longa história — dei de ombros, envergonhado.

— Mas vocês são só amigos?

— Sim.

— Então eu levo você até o apartamento do Dean — ele disse e sorriu.

Desci as escadas rapidinho para encontrar Gabriel e passei por Dean, que estava mal-humorado, aparentemente irritado com a garota bêbada que conversava com ele. Dean me seguiu até o corredor quando dei um puxão na camiseta de Gabriel.

— Vocês podem ir na frente. O Stanley me ofereceu carona até em casa.

— O quê? — Gabriel disse com o olhar animado.

— O quê? — Dean bufou.

— Algum problema? — Gabriel perguntou para ele.

Dean olhou furioso para ele e depois me puxou para o canto, sem parar de mexer o maxilar.

— Você nem conhece o cara.

Soltei o braço da pegada dele.

— Isso não é da sua conta, Dean.

— É lógico que é! Não vou deixar você pegar carona com um completo estranho. E se ele tentar fazer alguma coisa com você?

— Vai ser ótimo! Ele é uma graça.

A expressão contorcida no rosto de Dean passou de surpresa para raiva, e me preparei para o que ele poderia dizer em seguida.

— Stanley Parker, Flor? Mesmo? Stanley Parker — ele repetiu com desdém. — Que nome é esse?

Cruzei os braços.

— Para com isso, Dean. Você está sendo um imbecil.

Ele se inclinou na minha direção, parecendo perturbado.

— Mato o cara se ele encostar um dedo em você.

— Eu gosto dele — falei, enfatizando cada palavra.

Dean parecia perplexo com a minha confissão, e então suas feições ganharam um ar sério.

— Tudo bem. Se ele acabar agarrando você no banco traseiro do carro e te forçar a fazer alguma coisa, não venha chorar para mim depois.

Fiquei boquiaberto, ofendido e furioso.

— Não se preocupe, não farei isso — falei, empurrando-o com o ombro. Dean agarrou meu braço e suspirou, olhando para mim por cima do ombro.

— Eu não quis dizer isso, Flor. Se ele te machucar, se ele fizer com que você se sinta só um pouquinho constrangido, você me fala.

Minha raiva diminuiu, e meus ombros ficaram mais relaxados.

— Eu sei que você não quis dizer nada disso, mas você precisa dar um tempo nesse lance super-protetor e parar de bancar meu irmão mais velho.

Dean deu risada.

— Não estou bancando o irmão mais velho, Flor. Nem de longe.

Stanley apareceu e colocou as mãos nos bolsos, oferecendo-me o braço.

— Pronto?

Dean cerrou o maxilar, e fui ficar do outro lado de Stanley para distraí-lo da expressão no rosto de Dean.

— Sim, vamos.

Entrelacei meu braço no dele e caminhei um pouco a seu lado antes de me virar para me despedir de Dean, que olhava com raiva para a nuca de Stanley. Ele voltou rapidamente o olhar para mim e então ficou com uma expressão mais suave.

— Para com isso — falei entre dentes, seguindo Stanley até o carro dele, em meio ao que restava dos convidados na festa.

— O meu é o prateado.

Os faróis dianteiros piscaram duas vezes quando ele destravou o carro sem usar chave.

Ele abriu a porta do lado do passageiro, e eu dei risada.

— Você tem um Porsche?

— Não é só um Porsche. É um Porsche 911 GT3. Tem uma diferença.

— Deixe-me adivinhar... Ele é o amor da sua vida? — falei, citando a declaração de Dean sobre a Baby.

— Não, isso aqui é um carro. O amor da minha vida será alguém com meu sobrenome.

Eu me permiti abrir um leve sorriso, tentando não ficar tocado além da conta com o que ele tinha acabado de dizer. Ele segurou minha mão para me ajudar a entrar no carro e, quando se sentou atrás do volante, inclinou a cabeça na minha direção e sorriu.

— O que você vai fazer hoje à noite?

— Hoje à noite? — perguntei.

— Ainda é de manhã. Quero convidar você para jantar antes que alguém passe na minha frente.

Um sorriso surgiu em meu rosto.

— Não tenho planos para hoje à noite.

— Pego você ás seis, então?

— Tudo bem — falei, olhando enquanto ele entrelaçava seus dedos nos meus.

Stanley me levou direto até o apartamento de Dean, no limite da velocidade, com a minha mão na dele. Estacionou atrás do Impala, e como tinha feito antes, abriu a porta para mim. Assim que chegamos ao patamar da escada, ele se inclinou para me dar um beijo no rosto.

— Descanse um pouco. A gente se vê hoje à noite — ele sussurrou ao no meu ouvido.

— Tchau — falei, girando a maçaneta.

Quando empurrei, a porta se abriu e fui com tudo para frente. Dean me segurou pelo braço antes que eu caísse.

— Vai com calma aí, garoto.

Eu me virei e vi Stanley nos encarando com uma expressão de desconforto. Ele se inclinou e olhou para dentro do apartamento.

— Alguma garota humilhada e largada por aí precisando de carona?

Dean olhou com ódio para ele.

— Não começa.

Stanley sorriu e deu uma piscadinha.

— Estou sempre provocando o Dean. Não consigo fazer isso mais com tanta frequência desde que ele percebeu que fica mais fácil se elas vierem de carro.

— Acho que isso simplifica as coisas — falei, brincando com o Dean.

— Não tem graça, Flor.

— Flor? — Stanley perguntou.

— É, hum... Abreviação de Beija-Flor. É só um apelido, não sei nem de onde surgiu — falei.

Foi a primeira vez que me senti estranho em relação ao apelido que Dean havia me dado na noite em que nos conhecemos.

— Você vai ter que me contar quando descobrir. Parece uma boa história — Stanley sorriu. — Boa noite, Castiel.

— Você não quer dizer "bom dia"? — falei, olhando enquanto ele descia rápido as escadas.

— Isso também — ele falou, com um doce sorriso.

Dean bateu a porta com força. Tive que tirar rápido a cabeça do caminho, antes que a porta a prendesse.

— Que foi? — perguntei, irritado.

Dean balançou a cabeça e foi andando até o quarto. Fui atrás dele, dando pulinhos com um pé só para tirar o tênis.

— Ele é legal, Dean.

Ele soltou um suspiro e veio andando até mim.

— Você vai se magoar — disse, enganchando o braço na minha cintura com uma das mãos e tirando meus sapatos com a outra. Ele jogou os sapatos no armário, depois tirou a camiseta e foi para a cama.

Abri o zíper da calça e deslizei até minhas pernas estarem livres, a jogando para o canto do quarto. Quando estava pegando uma camiseta mais velha para dormir, notei que ele me encarava.

— Tenho certeza que não há nada aqui que você já não tenha visto — falei, revirando os olhos. Entrei debaixo das cobertas e me ajeitei no travesseiro, encolhendo-me como uma bola.

Ele abriu a fivela do cinto e se livrou da calça jeans. Esperei um tempo enquanto ele ficava lá parado, sem falar nada. Eu estava de costas para ele e me perguntava o que ele estaria fazendo, em pé ao lado da cama, em silêncio. A cama balançou quando ele enfim se deitou ao meu lado. Senti meu corpo ficar tenso quando ele colocou a mão no meu quadril.

— Perdi uma luta essa noite — ele me disse. — O Crowley ligou e eu não fui.

— Por quê? — perguntei, me virando de frente para ele.

— Quis me certificar de que você chegaria bem em casa.

Torci o nariz.

— Você não tem que bancar minha babá.

Ele fez um traço imaginário com o dedo na extensão do meu braço, o que me deu arrepios na espinha.

— Eu sei. Acho que ainda me sinto mal pela outra noite.

— Eu já falei que não me importava.

Ele apoiou a cabeça no cotovelo, com uma expressão dúbia e a testa franzida.

— Foi por isso que você dormiu na sala? Porque não se importava?

— Eu não conseguia dormir depois que suas... Amigas foram embora.

— Você dormiu muito bem na sala. Por que não conseguiu dormir comigo?

— Você quer dizer... Do lado de um cara que fedia como as duas bêbadas que ele tinha acabado de mandar embora? Não sei! Que egoísta da minha parte!

Dean se encolheu.

— Eu disse que sentia muito.

— E eu disse que não ligava. Boa noite — falei, virando-me para o outro lado.

Um bom tempo se passou em silêncio. Ele deslizou a mão por cima do meu travesseiro e a colocou sobre a minha. Acariciou a pele delicada entre os meus dedos, depois senti a pressão de seus lábios nos meus cabelos.

— Eu estava preocupado que você não fosse nunca mais falar comigo... Mas pior ainda é ver que você não liga.

Fechei os olhos.

— O que você quer de mim, Dean? Você não quer que eu fique chateado com o que você fez, mas quer que eu me importe. Você disse ao Gabriel que não quer me namorar, mas fica irritado quando digo a mesma coisa... Tão irritado que sai feito um raio e fica ridiculamente bêbado. Não dá pra te entender.

— Foi por isso que você disse aquelas coisas para o Gabriel? Porque falei que não ia ficar com você?

Cerrei os dentes. Ele tinha acabado de insinuar que eu estava fazendo joguinhos com ele. Formulei a resposta mais direta em que pude pensar.

— Não, eu realmente quis dizer cada palavra que disse. Só não tive a intenção de te ofender.

— Eu só disse aquilo por que... — ele coçou os cabelos curtos, nervoso. — Não quero estragar nada. Eu nem saberia ser a pessoa que você merece. Só estava tentando trabalhar isso na minha cabeça.

— Seja lá o que você quer dizer com isso... Eu tenho que dormir um pouco. Tenho um encontro hoje à noite.

— Com o Stanley? — ele quis saber, a voz transbordando de raiva.

— Sim. Por favor, posso dormir agora?

— Claro — ele disse, levantando com tudo da cama e batendo a porta ao sair do quarto.

A cadeira reclinável rangeu com o peso dele, depois ouvi vozes abafadas vindo da televisão. Forcei os olhos a se fecharem e tentei me acalmar para conseguir pegar no sono, nem que fosse por poucas horas.

x~x~x~x

Quando abri os olhos, vi no relógio que eram três da tarde. Peguei uma toalha e o roupão de banho e me arrastei até o banheiro. Assim que fechei a cortina do boxe, a porta se abriu e se fechou. Esperei que alguém falasse alguma coisa, mas o único som que ouvi foi o da tampa da privada batendo na porcelana.

— Dean?

— Não, sou eu — falou Gabriel.

— Você tem que vir até aqui para fazer xixi? Você tem o seu próprio banheiro.

— Faz meia hora que o Sam está lá com diarreia. Não vou lá não.

— Que legal.

— Ouvi dizer que você tem um encontro hoje à noite. O Dean está irritadíssimo — disse ele animado.

— Às seis! Ele é tão fofo, Gabriel. Ele simplesmente... — parei de falar, soltando um suspiro.

Eu estava todo empolgado falando do Stanley, mas não era a minha cara fazer esse tipo de coisa. Continuei pensando em como ele tinha sido perfeito desde o momento em que nos conhecemos. Ele era exatamente aquilo de que eu precisava: o oposto do Dean.

— Deixou você sem palavras? — ele me perguntou, dando uma risadinha.

Enfiei a cabeça para fora da cortina.

— Eu não queria voltar pra casa! Poderia ter ficado conversando com ele para sempre!

— Isso me soa promissor. Mas não é meio estranho o fato de você estar aqui?

Mergulhei a cabeça debaixo da água, enxaguando os cabelos.

— Expliquei a situação para ele.

Ouvi o barulho da descarga e a torneira se abrindo, o que fez com que a água ficasse fria por um instante. Soltei um grito e a porta foi escancarada.

— Flor? — falou Dean.

Gabriel deu risada.

— Eu só dei descarga, Dean, calma!

— Ah. Está tudo bem com você, Beija-Flor?

— Estou ótimo. Sai daqui!

A porta se fechou novamente e suspirei.

— É pedir demais que se tenha tranca nas portas?

Gabriel não respondeu.

— Gabriel?

— É realmente uma pena que vocês dois não tenham conseguido se entender. Você é o único garoto que poderia ter... — ele soltou um suspiro.

— Não importa. Isso não vem ao caso agora.

Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha.

— Você é tão mau quanto ele. É uma doença... Ninguém aqui consegue pensar direito. Você está bravo com ele, lembra?

— Eu sei — ele assentiu.

Liguei meu secador novo e comecei a me arrumar para o encontro com Stanley.

Era um pouquinho demais para um primeiro encontro. Franzi a testa para meu reflexo no espelho. Não era o Stanley que eu estava tentando impressionar. Eu não tinha o direito de me sentir insultado quando o Dean me acusou de estar de joguinho com ele no fim das contas.

Dando uma última olhada no espelho, fui invadido pelo culpa. Dean estava se esforçando tanto, e eu estava agindo como uma criança teimosa.

Saí do banheiro e fui para a sala de estar. Dean sorriu — e não era essa, de jeito nenhum, a reação que eu esperava.

— Você... Está lindo.

— Obrigado — falei, perturbado com a ausência de irritação ou ciúme na voz dele.

Sam assobiou.

— Bela escolha, Castiel.

— E sua bunda está magnifica — completou Gabriel. A campainha tocou e Gabriel sorriu, acenando para mim com animação exagerada.

— Divirta-se!

Abri a porta. Stanley segurava um pequeno buquê de flores, de calça social e gravata. Ele me analisou rapidamente de cima a baixo, depois voltou a olhar para o meu rosto.

— Você é a criatura mais linda que já vi na vida — disse, enamorado.

Olhei para trás para acenar para Gabriel, cujo sorriso era tão largo que eu conseguia ver cada um de seus dentes. Sam tinha uma expressão de pai orgulhoso, e Dean continuava com os olhos pregados na televisão.

Stanley estendeu a mão e me levou até seu Porsche reluzente. Assim que entramos, ele soltou o ar que vinha prendendo.

— Que foi? — perguntei.

— Tenho que confessar que estava um pouco nervoso de vir buscar o garoto por quem Dean Winchester está apaixonado... E no apartamento dele. Você não sabe quanta gente me acusou de insanidade hoje.

— O Dean não está apaixonado por mim. Às vezes ele mal aguenta ficar do meu lado.

— Então é uma relação de amor e ódio? Porque, quando falei para o pessoal da fraternidade que levaria você para sair hoje à noite, todos eles me disseram a mesma coisa. Ele vem se comportando de um jeito tão instável... Mais que de costume... Que todos chegaram à mesma conclusão.

— Eles estão errados — insisti.

Stanley balançou a cabeça, como se eu fosse completamente ingênuo, e colocou a mão sobre a minha.

— É melhor a gente ir. Temos uma mesa à nossa espera.

— Onde?

— No Biasetti. Eu me arrisquei... Espero que você goste de comida italiana.

Ergui uma sobrancelha.

— Não estava muito em cima da hora para conseguir uma mesa? Aquele lugar vive lotado.

— Bom... O restaurante é da minha família. Metade dele, pelo menos.

— Adoro comida italiana.

Stanley foi dirigindo até o restaurante na velocidade limite, dando seta quando ia virar e desacelerando a cada sinal amarelo. Quando ele falava, mal tirava os olhos do caminho. Quando chegamos ao restaurante, dei uma risadinha.

— Que foi? — ele perguntou.

— É só que... Você é um motorista muito cuidadoso. Isso é bom.

— Diferente de estar no Impala do Dean? — ele perguntou com um sorriso.

Eu deveria ter dado risada, mas a diferença não parecia algo bom.

— Não vamos falar sobre o Dean hoje à noite, tudo bem?

— Bastante justo — disse ele, saindo do carro para abrir a porta para mim.

Fomos conduzidos imediatamente a uma mesa, perto da janela da sacada. Embora eu estivesse de terno, meu visual parecia pobre em comparação ao dos outros homens — que com certeza vestiam algo que custava mais que todas as parcelas da minha faculdade.

Eu nunca tinha comido num lugar tão chique.

Fizemos o pedido e Stanley fechou o cardápio, sorrindo para o garçom.

— E, por favor, nos traga uma garrafa de Allegrini Amarone.

— Sim, senhor — disse o garçom, recolhendo os cardápios.

— Este lugar é incrível — sussurrei, apoiando-me na mesa.

Seus olhos castanhos se suavizaram.

— Obrigado. Vou falar para o meu pai.

Uma mulher se aproximou da nossa mesa. Os cabelos loiros estavam puxados em um apertado coque francês, e uma mecha de cabelos grisalhos interrompia a onda suave da franja. Tentei não ficar encarando as joias cintilantes ao redor do pescoço ou as que balançavam nas orelhas, mas elas eram feitas para ser notadas. O alvo de seus olhos azuis, apertados para enxergar melhor, era eu.

Ela desviou rapidamente o olhar para voltá-lo ao meu acompanhante.

— Quem é seu amigo, Stanley?

— Mãe, esse é Castiel Novak. Castiel, essa é minha mãe, Vivienne Parker. Estendi a mão e ela me cumprimentou rapidamente. Em um movimento bem pensado, o interesse iluminou suas feições distintas, e ela olhou para Stanley.

— Novak?

Engoli em seco, preocupado com a possibilidade de ela ter reconhecido o sobrenome.

Stanley assumiu uma expressão impaciente.

— Ele é de Wichita, mãe. Você não conhece a família dele. O Castiel estuda na Eastern.

— Ah — Vivienne olhou para mim de novo. — O Stanley vai embora no ano que vem. Para Harvard.

— Ele me contou. Acho ótimo. A senhora deve estar muito orgulhosa.

A tensão ao redor de seus olhos se suavizou um pouco, e os cantos de sua boca se viraram para cima, num sorriso afetado.

— Estamos sim. Obrigada.

Fiquei impressionado pelas palavras dela serem tão educadas e, ainda assim, transbordarem desprezo. Não foi um talento que ela desenvolveu da noite para o dia. A Sra. Parker devia ter passado anos enfatizando aos outros sua superioridade.

— Foi bom ver você, mãe. Boa noite.

Ela o beijou no rosto, tirou com o polegar a marca de batom que havia deixado ali e voltou para sua mesa.

— Sinto muito por isso, não sabia que ela estaria aqui.

— Tudo bem. Ela parece... Legal.

Stanley riu.

— Sim, para uma predadora.

Contive uma risadinha, e ele abriu um sorriso como que se desculpando.

— Ela vai ficar mais amigável. É só uma questão de tempo.

— Sendo otimista, quando você for para Harvard.

x~x~x~x

Conversamos sem parar sobre comida, a Eastern, cálculo e até mesmo sobre o Círculo. Stanley era charmoso, divertido e dizia todas as coisas certas.

Várias pessoas se aproximaram para cumprimentá-lo, e ele sempre me apresentava com um sorriso orgulhoso. Ele era visto como uma celebridade lá no restaurante, e, quando fomos embora, senti os olhares avaliadores de todos no salão.

— E agora, o que vamos fazer? — perguntei.

— Tenho prova de anatomia comparativa de vertebrados logo na segunda de manhã. Tenho que estudar um pouco — disse ele, cobrindo mina mão com a dele.

— Antes você do que eu — falei, tentando não parecer tão decepcionado. Ele me levou até o apartamento, conduzindo-me na escada pela mão.

— Obrigado, Stanley. — Eu estava ciente do sorriso ridículo em meu rosto. — Foi ótimo.

— É cedo demais para convidar você para sair de novo?

— De jeito nenhum — falei, irradiando alegria.

— Ligo pra você amanhã?

— Perfeito.

E então chegou o momento do silêncio constrangedor. O elemento que eu mais temia nos encontros. Beijar ou não beijar, eu odiava essa questão.

Antes que eu tivesse a chance de imaginar se ele ia me beijar ou não, Stanley segurou meu rosto e me puxou para perto, pressionando os lábios nos meus. Lábios macios, quentes e maravilhosos. Ele se afastou um pouco, depois me beijou de novo.

— A gente se fala amanhã, Cassie.

Acenei em despedida, observando enquanto ele descia os degraus direção ao carro.

— Tchau.

Mais uma vez, quando girei a maçaneta, a porta se abriu com tudo e caí para frente. Dean me segurou, e consegui voltar a ficar em pé.

— Quer parar com isso? — falei, fechando a porta depois de entrar.

— Cassie? Que tipo de apelido é esse? — disse ele com desdém.

— E Beija-Flor? — respondi com o mesmo desdém. — Um pássaro que fica voando e fazendo um barulho esquisito?

— Você gosta de Beija-Flor — disse ele, na defensiva. — É um pássaro lindo, que nem você. Você é meu beija-flor.

Eu me segurei no braço dele para tirar os sapatos e depois entrei no quarto. Enquanto trocava de roupa e colocava o pijama, fiz o melhor que pude para continuar bravo com ele. Dean se sentou na cama e cruzou os braços.

— Foi bom?

— Sim — suspirei —, foi fantástico. Perfeito. Ele é... — não consegui pensar em uma palavra adequada para descrever Stanley, então só balancei a cabeça.

— Ele beijou você?

Pressionei os lábios um no outro e fiz que sim com a cabeça.

— Ele tem lábios muito macios.

Dean ficou horrorizado.

— Não me interessa que tipo de lábios ele tem.

— Vai por mim, é importante. Fico tão nervoso com o primeiro beijo, mas esse até que não foi ruim.

— Você fica nervoso com um beijo? — ele me perguntou, com ar divertido.

— Só com o primeiro. Odeio primeiro beijo.

— Eu também odiaria, se tivesse que beijar o Stanley.

Dei uma risadinha e fui até o banheiro escovar os dentes. Dean foi atrás de mim e se apoiou no batente da porta.

— Então vocês vão sair de novo?

Com a boca cheia de espuma, respondi:

— Vamos. Ele vai me ligar amanhã.

Sequei o rosto e cruzei o corredor, pulando na cama para me deitar.

Dean tirou a roupa e ficou só de cueca, sentando-se na cama de costas para mim. Um pouco curvado, parecia exausto. Olhou de relance para trás por um instante, para me ver, e os músculos perfeitos de suas costas se retesaram.

— Se vocês estavam curtindo tanto, por que você voltou tão cedo pra casa?

— Ele tem uma prova importante na segunda-feira.

Dean torceu o nariz.

— Quem se importa com isso?

— Ele está tentando entrar em Harvard. Precisa estudar.

Ele bufou e deitou de bruços. Vi quando enfiou as mãos debaixo do travesseiro, parecendo irritado.

— É, é isso que ele fica dizendo pra todo mundo.

— Não seja idiota. Ele tem prioridades... Acho responsável da parte dele.

— O garoto dele não deveria estar no topo das prioridades?

— Não sou o garoto dele. Saímos uma vez, Dean — falei em tom de bronca.

— E o que vocês fizeram? — Olhei para ele com um ar meio hostil e ele riu. — Que foi? Estou curioso!

Vendo que ele estava sendo sincero, descrevi tudo, desde o restaurante, passando pela comida e depois pelas coisas doces e divertidas que o Stanley dissera. Eu sabia que minha boca estava congelada em um ridículo sorriso, mas não conseguia evitá-lo enquanto descrevia minha noite perfeita.

Dean me observava com um sorriso entretido enquanto eu tagarelava, e até me fez perguntas. Embora parecesse frustrado com a situação, eu tinha a distinta sensação de que ele gostava de me ver tão feliz.

Ele se ajeitou na cama e bocejei. Ficamos nos encarando por um instante antes de ele soltar um suspiro.

— Fico contente que você tenha se divertido, Flor. Você merece.

— Obrigado — abri um sorriso.

Meu celular tocou na mesa de cabeceira, e me levantei, um pouco torto, para olhar o número de quem ligava.

—Alô?

— Já é amanhã — disse Stanley.

Olhei para o relógio e ri. Era meia-noite e um.

— É.

— Então, que tal na segunda-feira à noite? — ele me perguntou.

Cobri a boca por um instante e inspirei fundo.

— Ah, tudo bem. Segunda à noite está ótimo.

— Que bom! A gente se vê na segunda — disse ele.

Dava para ouvir o sorriso em sua voz. Desliguei o celular e olhei de relance para Dean, que observava a cena com uma leve irritação. Desviei do olhar dele e me encolhi como uma bolinha, tenso de animação.

— Você é uma menininha mesmo — disse Dean, dando as costas para mim.

Revirei os olhos. Ele se virou e me puxou, para que ficássemos cara a cara.

— Você gosta mesmo do Stanley?

— Não estrague as coisas para mim, Dean!

Ele ficou me encarando por um instante, balançou a cabeça e desviou o olhar de novo.

— Stanley Parker — disse.



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