História Beautiful Disaster - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Visualizações 18
Palavras 5.406
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Ok. Eu to nervosa. Eu nunca termino uma fanfic e espero que essa de certo.
Deixando claro que é uma adaptação do livro "Belo Desastre". É um livro com casal hétero, então é meuo difícil adaptar a Chanbaek.
Eu tenho muitos preconceitos com esse livro, muitas partes que eu julgo ser machistas, eu vou ajustar isso na fanfic.
Eu tentei colocar todos os membros do EXO pra não excluir ninguém, não gosto disso, mesmo que sejam secundários. Eu espero que gostem.
Eu estou postando ela no wattpad, estou sem beta e essa capa é temporária. Me procurem no facebook: Camila Saori
Bjs

Capítulo 1 - Sinal de alerta


  Era como se tudo naquela sala berrasse para mim dizendo que ali não era o meu lugar. As escadas se desfazendo, aquele alvoroço de clientes briguentos, e o ar, uma mescla de suor, sangue e mofo. As vozes viravam borrões enquanto as pessoas gritavam números e nomes, num constante vaivém, acotovelando-se para trocar dinheiro e gesticulando para se comunicar em meio a tanto barulho. Passei espremido pela  multidão, logo atrás do meu melhor amigo.

      - Deixe o dinheiro na carteira, Baek! - Kyungsoo gritou para mim.
  Seu largo sorriso reluzia mesmo sob aquela fraca iluminação.
      - Fiquem por perto! Vai ficar pior assim que começar! - Jongin avisou, bem alto para ser ouvido.
  Kyungsoo segurou a mão dele e depois a minha, enquanto Jongin nos guiava em meio àquele mar de gente.
  O som agudo de um megafone cortou o ar repleto de fumaça. O ruído me deixou alarmado. Tive um sobressalto e comecei a procurar de onde vinha aquela rajada sonora. Um homem estava em pé sobre uma cadeira de madeira, com um rolo de dinheiro em uma das mãos e o megafone na outra, colado à boca.
    - Sejam bem-vindos ao banho de sangue! Se estão em busca de uma aula de economia... estão na merda do lugar errado, meus amigos! Mas se buscam O Círculo, aqui é a meca! Meu nome é Wu Yifan, podem me chamar de Kris. Sou eu que faço as regras e convoco as lutas. As apostas terminam assim que os oponentes estiverem no chão. Nada de enconstar nos lutadores, nem ajudar, nem mudar a aposta no meio da luta, muito menos invadir o ringue. Se quebrarem as regras, vocês serão esmagados, espancados e jogados pra fora sem nenhum dinheiros! E isso vale pra vocês também, meninas, e meninos com cara de meninas! Então, não usem suas putinhas para fraudar o sistema, caras!
  
Jongin balançou a cabeça.
  
- Que é isso, Kris! - ele gritou para o mestre de cerimônias, em clara desaprovação à escolha de palavras do amigo.

  Sentia que as palavras dele foram pra mim, e de certa forma para Kyungsoo. Não sou uma menina, nem me pareço com uma!
 


  Meu coração batia forte dentro do peito. Com um suéter cor-de-rosa e um delineador básico, me sentia uma velha professora. Eu havia prometido a Kyungsoo que conseguiria lidar com o que quer que acontecesse com a gente, mas, naquele lugar imundo, senti uma necessidade urgente de agarrar seu braço magro com ambas as mãos. Ele não me colocaria em perigo, mas estar em um porão com mais ou menos cinquenta universitários bêbados, sedentos por sangue e dinheiro... Bem, eu não estava exatamente confiante quanto as nossas chances de sair dali ilesos.
  
  Depois que Kyungsoo conheceu Jongin durante a recepção aos calouros, com frequência ele o acompanhava às lutas secretas que aconteciam em diferentes porões da Universidade Coreana Para Coreanos e Estrangeiros, UCPCE. Cada evento era realizado em um local diferente, que permanecia secreto até exatamente uma hora antes da luta.
  
   Como eu frequentava circulos bem mais comportados, fiquei surpreso ao tomar conhecimento do submundo da UCPCE; mas Jongin já sabia daquele mundo antes mesmo de ter se juntado a ele. Chanyeol, o primo e colega de quarto dele, participara de sua primeira luta meses atrás. Como calouro, os rumores diziam que ele era o competidor mais letal que Kris tinha visto nos três anos desde a criação do Círculo. Quando começou o segundo ano, Chanyeol era imbatível. Juntos, ele e Jongin pagavam o aluguel e as contas com o que ganhavam nas lutas, fácil, fácil.
  


  Kris levou o megafone à boca de novo, e os gritos e movimentos aumentaram em um ritmo febril.
 
  - Nesta noite temos um novo desafiante! O lutador de luta livre e astro da UCPCE, Lee Marek!
  

   Seguiram-se aplausos e gritos eufóricos da torcida. A multidão se partiu como o mar Vermelho quando Lee entrou na sala. Formou-se um círculo, como uma clareira, e a galera assobiava, vaiava e zombava do concorrente. Ele deu pulinhos para se preparar e girou o pescoço de um lado para o outro; o rosto estava sério e compenetrado. A multidão se aquietou, só restando um rugido abafado. Levantei as mãos depressa para tapar os ouvidos quando a música começou a retumbar, altíssima, nos grandes alto-falantes do outro lado da sala.
 

   - Nosso próximo lutador dispensa apresentações, mas, como eu morro de medo dele, vou apresentar o cara mesmo assim! Tremam nas bases rapazes, e fiquem de quatro, meninas! Com vocês, Park "Cachorro Louco" Chanyeol!
 

   Houve uma explosão de sons quando Park apareceu do outro lado da sala, sem camisa, relaxado e confiante. Foi caminhando a passos largos até o centro do círculo, como se estivesse se apresentando para mais um dia de trabalho. Com os músculos firmes estirados sob a pele tatuada, cumprimentou Lee, estalando os punhos cerrados nos nós dos dedos do oponente. Chanyeol se inclinou para frente e sussurrou algo no ouvido de Lee, que fez um grande esforço para manter a expressão austera. Ele estava muito próximo de Chanyeol, pronto para o combate. Os dois se encaravam. A expressão de Lee era assassina; Chanyeol parecia achar um pouco de graça de tudo aquilo.
  

  Os adversários deram uns passos para trás, e Kris fez o som que dava início a luta. Lee assumiu uma postura defensiva e Chanyeol partiu para o ataque. Fiquei na ponta dos pés quando perdi a linha de visão, apoiando-me em quem quer que fosse para conseguir enxergar melhor o que estava acontecendo. Consegui ver alguns centímetros acima, deslizando por entre a multidão que gritava. Cotovelos golpeavam as laterais do meu corpo e ombros esbarravam em mim, fazendo com que eu ricocheteasse de um lado para o outro, como uma bolinha de pinball. Quando consegui ver o topo da cabeça de Lee e Chanyeol, continuei abrindo caminho na base do empurrão.
  

  Quando enfim cheguei lá na frente, Lee tinha agarrado Chanyeol com seus braços grossos e tentava jogá-lo no chão. Quando ele se inclinou para fazer esse movimento, Chanyeol deu uma joelhada no rosto de Lee. Antes que ele pudesse se recuperar, Chanyeol o atacou - repetidas veses,  os punhos cerrados socavam o rosto ensanguentado de Lee.
 

  Senti cinco dedos se afundarem em meu braço e virei a cabeça para ver quem era.

- Que diabos você está fazendo aqui, Baek? - disse Jongin.
- Não consigo ver nada lá de trás! - gritei em resposta.

   E então me virei bem a tempo de ver Lee tentar acertar Chanyeol com um soco poderoso, ao que este se virou. Por um instante, achei que ele tinha desviado de outro golpe, mas ele fez um círculo completo e esmagou com o cotovelo o nariz do adversário. Gotas de sangue borrigaram o meu rosto e se espalharam no meu blazer. Lee caiu no chão de cimento com um som oco, e, por um breve momenro, a sala ficou totalmente em silêncio.
  

  Kris jogou un quadrado de pano vermelho sobre o corpo caído de Lee, e a multidão explodiu. O dinheiro mudou de mãos novamente, e as expressões se dividiam entre orgulhosos e frustrados.
  

  Fui empurrado com todo aquele movimento de gente indo e vindo. Kyungsoo gritou meu nome de algum lugar lá atrás, mas eu estava hipnotizado pela trilha vermelha que ia do meu pescoço até a cintura.
 

  Um pesado par de botas pretas parou diante de mim, desviando minha atenção para o chão. Meus olhos foram se voltando para cima: jeans manchado de sangue, músculos abdominais bem definidos, um peito tatuado ensopado de suor e, finalmente, um par de cálidos olhos castanhos. Fui empurrado, mas Chanyeol me segurou pelo braço antes que eu caísse.
 

  - Ei! Cuidado com ele! - ele franziu a testa, enxotando qualquer um que chegasse perto de mim.
  

  A expressão séria de derreteu em um sorriso quando ele viu meu suéter. Limpando meu rosto com uma toalha, ele me disse:
 

  - Desculpe por isso, Beija-Flor.

Kris deu uns tapinhas na nuca de Chanyeol.
 
  - Vamos lá, Cachorro Louco! Tem uma galera esperando por você!
Os olhos dele não se desviaram dos meus.
 

- Uma pena ter manchado seu suéter. Fica tão bem em você...

Nos instante seguinte, ele foi engolfado pelos fãs, desaparecendo da mesma maneira como tinha  aparecido.
 
- No que você estava pensando, seu imbecil? - gritou Kyungsoo, me puxando pelo braço.
 - Vim até aqui para ver uma luta, não foi? - respondi, sorrindo.
  - Você nem devia estar aqui, Baek - disse Jongin em tom de bronca.
  - Nem o Kyungsoo - retruquei.
  - Mas ele não tenta pular dentro do círculo! - disse ele, franzindo a testa. - Vamos!
 

Kyungsoo sorriu para mim e limpou meu rosto.
 
- Você é um pé no saco, Baek, mas mesmo assim eu te amo!

Ele me abraçou e fomos embora.
Kyungsoo me acompanhou até o quarto, no dormitório da faculdade, e olhou com desprezo para meu colega de quarto, Tao. Todos sabiam mas mesmo assim ele tentava esconder, que tinha um caso com Kris, do Círculo.
Imediantamente tirei o suéter e o joguei no cesto de roupa suja. Kyungsoo deu um beijo em minha testa antes de deixar o quarto. Logo depois escutei meu celular apitar, como de costume era Kyungsoo enviando um sms.
   
      Vou ficar c/ o Nini t vejo amanhã rei do ringue

Dei uma espiada em Tao, que me olhava como se sangue fosse jorrar do meu nariz a qualquer instante.
  - Acho que vou tomar um banho - falei, pegando a toalha.
  - Vou avisar os jornais - ele respondeu, sem emoção alguma na voz e mantendo a cabeça beixa nos livros espalhados pela cama.

 

  No dia seguinte, fui almoçar com Jongin e Kyungsoo. Eu queria ficar sozinho, mas, conforme os alunos foram entrando no refeitório, as cadeiras à minha volta foram ficando cheias de amigos da fraternidade do Jongin e de membros do time de futebol. Algubs estavam na luta, mas ninguém mencionou minha experiência na beira do ringue.

  - Jongin - disse alguém que passava.

  Jongin assentiu, e tanto Kyungsoo quanto eu nos viramos e vimos Chanyeol se sentanfo em um lugar na ponta oposta da mesa. Duas voluptuosas loiras tingidas, provavelmente estrangeiras não-coreanas, o acoapanhavam. Uma delas se sentou no colo dele, e a outra lhe acariciava a camisa.

- Acho que acabei de vomitar um pouquinho - murmurou Kyungsoo.

A loira que estava no colo do Chanyeol se virou para ela:

- Eu ouvi o que você disse, viado.

Kyungsoo pegou um pãozinho e o jogou, errando por muito pouco o rosto da garota. Antes que a loira pudesse dizer mais alguma coisa, Chanyeol abriu as pernas e a garota caiu no chão.
 
  - Ai! - disse ela em um grito agudo, erguendo o olhar para Chanyeol.
  - O Kyungsoo é meu amigo. Você precisa encontrar outro colo para sentar.
  - Chanyeol! - ela reclamou, esforçando-se para ficar em pé.

  Ele voltou a atenção para o prato, ignorando a garota, que olhou para a irmã e bufou de raiva. As duas foram embora de mãos dadas.

  Chanyeol deu uma piscadela para Kyungsoo e, como se nada tivesse acontecido, enfiou mais uma garfada na boca. Foi aí que notei um pequeno corte na sombrancelha dele. Ele e Jongin trocaram olhares de relance, e então ele começoi uma conversa com um dos caras do futebol do outro lado da mesa.

 
Embora a quantidade de pessoas à mesa tivesse diminuído, Kyungsoo, Jongin e ey ficamos lá ainda um tempo para discutie nossos planos para o fim de semana. Chanyeol se levantou como se fosse embora, mas parou na nossa ponta da mesa.

- Que foi? - Jongin perguntou em voz alta, colocando a mão perto do ouvido.

Tentei ignorá-lo quanto pude, mas ergui o olhar, Chanyeol estaca me encarando.

- Você conhece ele, Chany. O melhor amigo do Kyungsoo, lembra? Ele estava com a gente na outra noite - disse Jongin.

  Chanyeol sorriu para mim, no que presumi ser sua expressão mais charmosa. Ele transbordava sexo e rebeldia, com aqueles antebraços tatuados e os cabelos castanhos cortados bem rente à cabeça. Revirei os olhos à sua tentativa de me seduzir.

- Desde quando você tem um melhor amigo, Soo? - perguntou Chanyeol.

- Desde o penúltimo ano da escola - ele respondeu, pressionando os lábios enquanto sorria na minha direção. - Você não lembra Chanyeol? Você destruiu o suéter dele.

Ele sorriu.

- Eu destruo muitos suéters.
- Que nojo - murmurei.
 
Chanyeol girou a cadeira vazia que estava ao meu lado e se sentou, descansando os braços à sua frente.

- Então você é o Beija-Flor, né?
- Não - respondi com raiva -, eu tenho nome.

Ele parecia se divertir com a forma como eu o encarava, o que só servia para me deixar mais irritado.

- Tá. E qual é o seu nome? - ele me perguntou.

Dei uma mordida no que tinha sobrado da maçã no meu prato, ignorando-o

- Então vai ser Beija-Flor - disse ele, dando de ombros.

Ergui o olhar de relance para Kyungsoo, depois me virei para Chanyeol:

- Estou tentando comer.

Ele topou o desafio que apresentei.

- Meu nome é Chanyeol. Park Chanyeol.

Revirei os olhos.

- Sei quem você é.
- Sabe, é? - ele falou, erguendo a sobrancelha ferida.
- Não seja tão convencido. É difícil não perceber quando cinquenta bêbados entoam seu nome.

Chanyeol se endireitou na cadeira, ficando mais alto.

- Isso acontece muito comigo.

Revirei os olhos de novo e ele deu uma risadinha abafada.

- Você tem um tique?
- Um quê?
- Um tique. Seus olhos ficam se revirando.

Chanyeol riu de novo quando olhei com ódio oara ele.

- Mais são olhos incríveis - ele disse, inclinando-se e ficando a pouquíssimos centímetros do meu rosto. - De que cor eles são?

Baixei o olhar para o prato. Eu não gostava da forma como ele me fazia sentir quando estava tão perto. Não queria ser como aquelas garotas, que ficavam coradas na presença dele. Não queria que ele mexesse comigo daquele jeito. De jeito nenhum.

- Nem pense nisso, Chanyeol. Ele é como um irmão pra mim - Kyungsoo avisou.
-Baby - Jongin disse a ele -, você acabou de dizer não. Agora é que ele não vai parar.
- Você não faz o tipo dele, Chanyeol - Kyungsoo disse, mudando de estratégia.

Chanyeol se fez de ofendido.

- Eu faço o tipo de todas! E todos.

Lancei um olhar para ele e sorri.

- Ah! Um sorriso. Não sou um canalha completo no fim das contas - ele disse e piscou. - Foi um prazer conhecer você, Beija-Flor.

E, dando a volta na mesa, ele se inclinou para dizer algo no ouvido de Kyungsoo.

  Jongin jogou uma batata frita no primo.

- Tire a boca da orelha do meu garoto,  Chany!
- Conexões! Estou criando conexões! - Chanyeol foi andando de costas, com as mãos para cima em um gesto inocente.

Algumas garotas o seguiram, dando risadinhas e passando os dedos nos cabelos na tentativa de chamar sua atenção. Ele abriu a porta para elas, que quase gritaram de prazer.

Kyungsoo deu risada.

- Ah, não. Você está numa enrascada, Baek.
- O que foi que ele disse? - pertuntei, temeroso.
- Ele quer que você leve o Baek ao nosso apartamento, não é? - disse Jongin.

Kyungsoo afirmou com um sinal de cabeça e Jongin negou com outro.

- Você é um garoto inteligente, Baek. Estou te avisando. Se você caur no papo fele e depois acabar ficando bravo, não venha descontar em mim e no Kyungsoo, certo?

Eu sorri e disse:

- Não vou cair na dele, Jongin. Você acha que pareço uma daquela Barbies gêmeas?
- Baek não vai cair na do Chanyeol - Kyungsoo confirmou, tranquilhizando Jongin e encostando no braço dele.
- Não é a primeira vez que passo por uma dessas, Soo. Você sabe quantas vezes ele ferrou as coisas pro meu lado por causa de transas de uma noite com a melhor amiga de namoradas e namorados meus ? De repente, vira conflito de interesse sair comigo, porque seria confraternizar com o inimigo! Estou te falando, Baek - ele olhou para mjm. - Não venha me dizer depois que Kyungsoo não pode ir no meu apartamento nem ser meu namorado porque você caiu no papo do Chanyeol. Considere-se avisado.
- Desnecessário, mas obrigado - respondi.

Tentei tranquilizar Jongin com um sorriso, mas o pessimismo dele era resultado de muitos anos de prejuízo por causa do Chanyeol.

Kyungsoo se despediu de mim com um aceno, saindo com Jongin enquanto eu seguia para a aula da tarde. Apertei os olhos para enxergar sob o sol brilhante, segurando com força as tiras da mochila. A UCPCE era exatamente o que eu esperava, desde as salas de aulas menores até os rostos desconhecidos. Era um novo começo para mim. Finalmente eu podia andar em algum lugar sem os sussurros daqueles que sabiam - ou achavam que sabiam - alguma coisa do meu passado. Eu era tão comum quanto qualquer outro calouro ingênuo e estudioso, sem ninguém para me encarar, sem boatos, nada de penq ou julgamento. Apenas a ilusão do que eu queria que vissem: o Byun Baekhyun que vestia suéters cor-de-rosa, sem nenhum resquício de insensatez.

Coloquei a mochila no chão e desabei na cadeira, me curvando para pegar o laptop na mochila. Quando erguu a cabeça para colocá-lo na mesa, Chanyeol se sentou sorrateiramente na carteira ao lado.

- Que bom. Você pode tomar notas para mim - disse ele, mordendo uma caneta e sorrindo, sem dúvida com o máximo de seu charme.

Meu olhar para ele foi de desprezo.

- Você nem está matriculado nessa aula...
- Claro que estou! Geralmente eu sento lá - disse ele, apontando com a cabeça para a última fileira.

Um pequeno grupo de garotas estava me encarando, e percebi que havia uma cadeira vazia bem no meio delas.

- Não vou anotar nada pra você - eu disse, ligando o computador.

Chanyeol se inclinou tão perto de mim que eu podia sentir sua respiração na minha bochecha.

- Me desculpa... Ofendi você de alguma maneira.

Soltei um suspiro e fiz que não com a cabeça.

- Então qual é o problema?

Mantive o tom de voz baixo.

- Não vou transar com você. Pode desistir.

Um lento sorriso se formou em seu rosto antes de ele se pronunciar.

- Não pedi para transar comigo - pensativo, os olhos dele se voltaram para o teto -, ou pedi?

- Não sou uma dessas Barbies gêmeas nem uma de suas fãs ali. Sou um garoto, não quero te decepcionar, mas não tenho uma buceta. - respondi, olhando de relance para as garotas atrás de nós. - Não estou impressionado com suas tatuagens, nem com os seu charme de garotinho, nem com a sua indiferença forçada, então pode parar de gracinhas, ok? Não é porque sou um garoto gay que vou transar com qualquer um porque tem um pinto também.

- Ok, Beija-Flor.

Ele ficou impassível diante da minha atitude rude, de um jeito que me enfureceu.

- Por que você não passa lá no meu apê com o Kyungsoo hoje à noite?

Olhei com desdém para ele, que se aproxinou ainda mais.

- Não estou tentando te comer. Só quero passar um tempo com você.

- Me comer? Como você consegue fazer sexo falando assim?

Chanyeol caiu na gargalhada, balançando a cabeça.

- Só vem, tá? Não vou nem te paquerar, prometo.

- Vou pensar.

O professor entrou na sala, e Chanyeol voltou sua atenção para a frente da sala.

Conforme a hora passava, ele alternava entre bocejar e se apoiar no meu braço para dar uma olhada no monitor do meu laptop. Eu me concentrei, me esforcei para ignorá-lo, mas a proximidade dele e daqueles músculos saltando de seu braço tornavam a tarefa difícil. Ele ficou mexendo na faixa de couro preta que tinha em volta do pulso até que o professor nos dispensou.

Eu me apressei porta aforq e atravessei o corredor. Justo quando tive certeza de que estava a uma distância segura, Park Chanyeol apareceu ao meu lado.

- Já pensou no assunto? - ele quis saber, colocando os óculos de sol.

Uma morena baixinha parou à nossa frente, ingênua e cheia de esperança.

- Oi, Chanyeol - ela disse em um tom cantado e brincando com os cabelos.

Parei, exasperado com o tom meloso dela, e então desviei da garota, que eu já tinha visto antes, conversando de maneira normal na área comum do dormitório. O tom que ela usava lá soava mais maduro, e fiquei me perguntando por que ela acharia que a voz de uma criancinha seria atraente para Chanyeol. Ela continuou tagarelando uma oitava acima por mais um tempo, até que ele estava ao meu lado de novo.

Puxando um isqueiro do bolso, ele acendou um cigarro e soprou uma espessa nuvem de fumaça.

- Onde eu estava? Ah, é... você estava pensando.

Fiz careta.

- Se eu disser que vou, você para de me seguir?

Ele ponderou sobre minha condição e então assentiu.

- Sim.

- Então eu vou.

- Quando?

Soltei um suspiro.

- Hoje à noite. Vou passar lá hoje à noite.

Chanyeol sorriu e parou de andar por um instante.

- Legal. A gente se vê depois então, Beija-Flor - ele me disse.

Virei a esquina e vi Kyungsoo com Luhan do lado de fora do nosso dormitório. Nós três acabamos ficando na mesma mesa durante a orientação aos calouros, e eu soube na hora que ele setia o providencial terceiro elemento da nossa amizade. Ele não era muito alto, um pouco mais do que eu.

- Park Chanyeol? Meu Deus, Baek, desde quando você começou a pescar nas profundezas do oceano? - Luhan perguntou, com um olhar de desaprovação.

Kyungsoo puxou o chiclete da boca, faze do um fio bem longo.

- Você só está piorando as coisas ao rejeitar o cara. Ele não está acostumado com isso.

- O que sugere que eu faça? Durma com ele?

Kyungsoo deu de ombros.

- Vai poupar tempo.

- Eu disse pra ele que vou lá hoje à noite.

Luhan e Kyungsoo trocaram olhares de relance.

- Que foi? Ele prometeu parar de me encher se eu disse que ia. Você vai lá hoje à noite, não é?

- É, vou - disse Kyungso. - Você vai mesmo?

Sorri e fui andando. Passei por eles e entrei no dormitório, me perguntando se Chanyeol cumpriria a promessa de não flertar comigo. Não era difícil sacar qual era a dele: ou ele me viu como um desafio, ou era hétero e não bi, como falava. Ou ainda, eu era sem graça o bastante para ser apenas um bom amigo. Eu não tinha certeza de qual das alternativas ne incomodava mais.


Quatro horas depois, Kyungsoo bateu à minha porta para me levar até o apartamento do Jongin e do Chanyeol. Ele não se conteve quando apareci no corredor.


- Credo, Baek! Está parecendo um mendigo!
- Que bom - eu disse, sorrindo para o meu visual.


Meus cabelos estavam bagunçados, como se eu tivesse dormido por 10 horas e acordado agora. Eu tinha substituído as lentes de contato para um óculos redondo. Vestindo um moletom bem velho e uma calça também de moletom, eu me arrastava em um par de chinelos de pano e meia. A ideia me viera à mente horas antes: parecer desinteressante era a melhor estratégia. O ideal seria que Chanyeol perdesse o instantaneamente o interesse em mim e colocasse um ponto final em sua ridícula persistência. E, se ele estivesse em busca de um amigo, meu objetivo era parecer desleixado demais até para isso.


Kyungsoo baixou a janela do carro e cuspiu o chiclete.


- Você é óbvio demais. Por que não rolou cocô de cachorro para completar o visual?


- Não estou tentando impressionar ninguém - falei.


- É óbvio que não.


Paramos o carronno estacionamento do conjunto de apartamentos onde o Jongin morava e segui Kyungsoo até a escadaria. Ele abriu a porta, rindo enquanto eu entrava.


- O que aconteceu com você?


- Ele está tentando não impressionar - disse Kyungsoo.


Ele seguiu Jongin em direção ao quarto dele. Eles fecharam a porta e eu fiquei ali parado, deslocado. Sentei-me na cadeira reclinável mais próxima da porta e chutei longe os chinelos de pano, ficando apenas de meias.


Em termos estéticos, o apartamento deles era mais agradável do que um apartamento típico de homens solteiros. Sim, os previsíveis pôsteres de mulheres seminuas e sinais de rua roubados estavam nas paredes, mas o lugar era limpo, os móveis, novos, e o cheiro de cerveja velha e roupa suja notavelmente não existia.


- Já estava na hora de você aparecer - disse Chanyeol, se jogando no sofá.


Sorri e ajeitei os óculos, esperando que ele recuasse diante da minha aparência.


  - O Kyungsoo teve que terminar um trabalho da faculdade.


  - Falando em trabalhos de facultade, você já começou aquele de história?


Ele nem pestanejou ao ver como eu estava, e franzi a testa com a reação dele.


- Você já?


- Terminei hoje à tarde.


- Mas é pra ser entregue só na próxima quarta-feira - falei, surpreso.


- Achei melhor fazer logo. Um ensaio de duas páginas sobre o Grant não é tão difícil assim.


- Acho que sou desses que ficam adiando - dei de ombros. - Provavelmente só vou começar no fim de semana.


- Bom, se precisar de ajuda, é só me falar.


Esperei que ele desse risada ou fizesse algum sinal de que estava brincando, mas sua expressão era sincera. Ergui a sobrancelha.


- Você vai me ajudar com o meu trabalho?


- Eu só tiro A nessa matéria - ele disse, um pouco ofendido com a minha descrença.


- Ele tira A em todas as matérias. Ele é uma droga de um gênio! Odeio esse cara - disse Jongin, enquanto levava Kyungsoo pela mão até a sala de estar.


Fiquei olhando para o Chanyeol com uma expressão dúbia e ele ergueu as sobrancelhas.


- Que foi? Você não acha que um cara cheio de tatuagens e que ganha dinheiro brigando pode ter notas boas ? Nao estou na faculdade por não ter nada melhor pra fazer. (autora: eu quando alguém se assusta com minha notas impecáveis mesmo eu tendo cabelo colorido e raspado lol)


- Mas então por que você tem que lutar? Por que não tentou uma bolsa de estudos? - perguntei


- Eu tentei. Consegui meia bolsa. Mas tem os livros, as despesas com moradia, e tenho que conseguir a outra metade do dinheirode algum jeito. Estou falando sério, Beija-Flor. Se precisar de ajuda com alguma coisa, é só me pedir.


- Não preciso da sua ajuda. Consigo fazer um trabalho sozinho.


Eu queria ter deixado aquilo pra lá. Devia ter deixado, mas aquele novo lado dele me matava de curiosidade.


- Você não consegue fazer outra coisa para ganhar dinheiro? Menos... sei lá... sádica?


Chanyeol deu de ombros.


- É um jeito fácil de ganhar grana. Não conseguiria tanto assim trabalhando no shopping.


- Eu não diria que é fácil apanhar.


- O quê? Você está preocupado comigo? - ele deu uma piscadela. Fiz uma careta e ele deu uma risadinha abafada. - Não apanho com tanta frequência assim. Quando o adversário dá um golpe, eu desvio. Não é tão difícil como parece.

Dei risada.

- Você age como se ninguém mais tivesse chegado a essa conclusão.

- Quando dou um soco, eles levam o soco tentando me bater de volta. Não é assim que de ganha uma luta.

- Quem é você... o garoto do Karate Kid? Onde aprendeu a lutar?

  Jongin e Kyungsoo olharam de relance um para o outro e depois para o chão. Não demorou muito para eu perceber que tinha dito algo errado.

Chanyeol não pareceu se incomodar.

- Meu pai tinha problemas com bebida e um péssimo temperamento, e meus dois irmãos mais velhos herdaram o gene da idiotice.

- Ah.

Minhas orelhas ardiam.

- Não fique constrangido, Beija-Flor. Meu pai parou de beber e meus irmãos cresceram.

- Não estou constrangido.

Comecei a mexer nas mechas do meu cabelo.

- Gosto desse seu lance natural. Não costumam vir aqui assim.

- Fui coagido a vir até aqui. Não me passou pela cabeça impressionar você - respondi, irritado por meu plano ter falhado.

- Já estou impressionado. Normalmente não tenho que implorar para que venham até o meu apartamento.

- Tenho certeza disso - falei, contorcendo o rosto de repulsa.

Ele era o pior tipo de cara confiante. Não era apenas descaradamente ciente de seu poder de atração, mas estava acostumado com o fato de as pessoas se jogaram pra cima dele, de modo qu me via meu comportamento frio um alívio em vez de insulto. Eu teria que mudar de estratégia.

Chanyeol se levantou.

- Estou saindo para jantar. Está com fome?

- Já comi - dei de ombros.

- Não comeu, não - disse Kyungsoo, antes de se dar cobta do seu erro. - Ah... hum... é mesmo, esqueci que você comeu... pizza, né? Antes de sairmos.

Fiz uma careta para ele, pela tentativa frustrada de consertar a gafe, e então esperei para ver a reação do Chanyeol. Ele cruzou a sala e abriu a porta.

- Vamos. Você deve estar com fome.

- Aonde você vai?

- Aonde você quiser. Podemos ir a uma pizzaria.

Olhei para as minhas roupas.

- Não estou vestido para isso.

Ele me analisou por um instante e então abriu um sorriso.

- Você está ótimo. Vamos, estou morrendo de fome.

Eu me levantei e acenei em despedida para Kyungsoo, passando por Chanyeol para descer as escadas. Parei no estacionamento, olhando horrorizado enquanto ele subia em uma moto preta fosca. Subi na moto engolindo em seco.

- É uma Harley Night Rod. É o amor da minha vida, vê se não arranha a pintura quando subir.

Chanyeol agarrou meus pulsos e envolveu sua cintura com eles.

            ¥¥¥¥¥////¥¥¥¥¥

Prendi os cabelos bagunçados atrás da orelha, repentinamente com vergonha da minha aparência.

- Você vem sempre aqui? - perguntei em um tom áspero.

Chanyeol apoiou os cotovelos na mesa e fixou os olhos castanhos em mim.

- Então, qual é sua história? Você odeias homens no geral ou é só comigo?

- Acho que é só com você.

- Não consigo sacar qual é a sua. Você é o primeiro que já sentiu desprezo por mim antes do sexo. Você não fica todo desorientado quando conversa comigo e não tenta chamar minha atenção.

- Não é uma manobra tática. Eu só não gosto de você.

- Você não estaria aqui se não gostasse de mim.

- Não me importo de sermos amigos, mas isso não significa que você tem que tentar transar comigo a cada cinco segundos.

- Você não vai pr cama comigo. Já entendi.

Um sorriso travesso ressaltou ainda mais suas feições quando ele se inclinou um pouquinho mais perto de mim.

Chanyeol me contou que tinha dois irmãos, Suho e Chen, que namoravam. Suho namorava com um chinês, Lay, e Chen namorava Minseok.

Ele também contou que cursava Direito Penal. Contou que era de Seoul, nascido ali. Contou que sua mãe tinha morrido quando ele ainda era criança.


- Do que eles estão rindo - me referi ao grupo que estava sentado perto da nossa mesa.


Ele balançou a cabeça, claramente não querendo me contar do que se tratava. Cruzei os braços e fiquei me contorcendo, nervoso de pensar no que eles poderiam estar dizendo oara deixá-lo tão irritado.


- Me conta.


- Eles estão rindo de eu ter trazido você para jantar primeiro. Não é geralmente... meu lance.


- Primeiro?


Quando me dei conta do que se passava e isso ficou claro na expressão de meu rosto, Chanyeol se encolheu, mas eu falei sem pensar:


- Eu aqui, com medo de eles estaren rindo por você ser visto comigo vestido assim, e eles acham que eu vou transar com você - resmunguei.


- Você está estudando o que? - mudou de assunto.


- Ah... estudos gerais, por enquanto. Ainda estou indeciso, mas estou pensando em fazer psicologia.


- Mas, você não é daqui, de Seoul. De onde você veio?


- De Busan. Que nem o Kyungsoo.


- Por que?


- Só queríamos fugir.


- Do quê?


- Dos meus pais. Qual é a do interrogatório?


As perguntas estavam passando de uma conversa sobre assuntos gerais e partindo para o lado pessoal, e eu estava começando a me sentir desconfortável.


Diversas cadeiras bateram umas nas outras quando o time de futebol levantou. Eles fizeram mais uma piada antes de irem andando lentamente até a porta e aceleraram o passo quando Chanyeol se levantou. Os que estavam atrás epurraram os da frente para fugir antes que Chanyeol conseguisse alcançá-los. Ele se sentou, fazendo força para espantar a frustração e a raiva.


Ergui uma sobrancelha.


- Você estava me dizendo sobre fugir dos seus pais - Chanyeol continuou


- É difícil explicar - respondi, dando de ombros. - Só precisávamos.


Ele sorriy e abriu o cardápio.


- Sei o que você quer dizer.


E ele não sabia. Ele não fazia ideia.




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...