História Beautiful Killer - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias BtoB, EXID, EXO, VIXX
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Hani, Hongbin, Hyuk, Ken, Leo, Minhyuk, N, Ravi
Tags Chanbaek, Couple, Exo, Gay, Hyukbin, Jellyfish, Keo, Kpop, Navi, Vixx, Yaoi
Exibições 35
Palavras 4.157
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


olar, meus amoressss. obrigado pelo carinho com a história, viu? *_*
desculpa pela demora para responder os comentários tbm! AUHUAHUA eu sou uma pessoa bem ocupada, gente. me perdoem messssmo. mas eu leio TODOS, e com muito amor. obrigado por terem curtido a ideia <3
mais um capítulozinho bem do amorrrr, e bah, eu tinha esquecido de adicionar o personagem do finalzinho na história auhauhauah mas tá aí <3
n esqueçam de comentar!
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Capítulo 2 - Beautiful Nightmare.


Por favor... – Os olhos da jovem amarrada na cadeira suplicavam em agonia, suas mãos estavam atadas às suas costas, suas pernas ligadas aos pés da cadeira e uma corda escura presa em sua cintura para que ela não pudesse abandonar aquele estado de horror. – Eu... Eu te dou dinheiro, eu tenho dinheiro! Só me tira daqui! – Ela moveu o corpo de forma feroz e lágrimas desceram entrando em contraste com o suor que iluminava sua testa.

Do outro lado do grande galpão naquela madrugada chuvosa de Los Angeles, Cha Hakyeon se escondia – não literalmente, ele apenas disfarçava a sua verdadeira identidade assim como o seu pavor por estar ali. Com os braços cruzados, fitando sua própria irmã prestes a ser executada, ele repensou trezentas vezes antes de decidir se aquilo era o certo a se fazer.

— Eu não fiz... Eu não fiz por mal... – Ela lutava para desamarrar as mãos e cada lágrima era uma facada no coração do homem à sua frente. – Eu faço qualquer coisa, mas não me mata.

Aquele pavor fez Hakyeon engolir em seco diversas vezes. Sua mente girava, mas ele tentava manter ao menos um por cento de calma

Um teste. Respira.

Ahn Hee-yeon traficava cocaína por praticamente todo o sul dos Estados Unidos, da Flórida ao Texas, sua graduação era satisfazer sua conta no banco. Os encantos joviais da moça nunca a impediram de trazer as quantidades mais massivas daquele pó de todo o mundo e distribuir para grandes chefes que a transformaram em uma autêntica empresária nesse assunto. Ouro, um Maserati, Chanel em cada parte do corpo, entrada VIP em qualquer balada e seu nome estampado em qualquer revista de celebridade com problemas de narcisismo, não era mais novidade naquela vida invejada.

Hani, como era chamada por praticamente todos que a conheciam, era como o mais próximo de uma Kardashian do tráfico. E seu irmão repensava em sua mente confusa com uma Glock G19 ardendo por entre seus dedos, formas de matá-la sem trazer sua própria destruição.

“Rápido e limpo. Um tiro certeiro”.

A voz rude no aparelho que estava instalado no seu ouvido soou e seu corpo tremeu.

Ele precisa fazer aquilo se quisesse tirar a agonia do peito. Precisava fazer para iniciar uma jornada diferente em sua vida, mas nunca imaginou que o primeiro passo era descarregar uma bala em sua irmã, que agora, parecia tão humilhada e suja que chegava a ser irreconhecível. Hakyeon jamais imaginou que a ascensão financeira de Hani tivesse sido por meios tão surreais assim.

Ele não a reconhecia, mas ela ainda era sua irmã.

— Você falhou. – Sua voz ecoou grossa e distorcida já que o pequeno colar preso em sua garganta se encarregava de não denunciá-lo.

E seu peito ardeu ao levantar o braço e apontar aquela pistola brilhante na direção de uma jovem com mechas verdes no cabelo e o rosto em súplica e desespero.

Seu coração parecia sair pela boca quando destravou a parte de cima do objeto e as coisas se propagavam em câmera lenta, conforme ele se aproximava, lutando para não se desequilibrar naquele uniforme escuro.

Suspirou uma vez.

Duas.

Três.

Seu corpo entrou em chamas e suas lágrimas eram misturadas a sua agonia que lhe matava por dentro, enquanto Hani gritava.

xXx

Tudo ficou escuro e Hakyeon pulou da cama com um susto, deixando respingar o suor em seu rosto pelos lençóis finos que agora já não cobriam mais seu corpo. Ofegou diversas vezes até voltar para a sua realidade.

Olhou para o relógio do seu lado e fitou 4h19h.

Merda – passou seus dedos pequenos em seus fios molhados e suspirou, perdendo a conta de quantas vezes relembrava aquela cena em sua mente mesmo após dois anos terem se passado.

Noite após noite.

Levantou-se devagar e engoliu em seco, olhando ao seu redor e consumindo aquele vazio habitual que sempre esteve instalado em sua vida. Mesmo com uma grana absurda que ganhava da Night Walkers, o aperto em seu peito era constante e imutável. Todo o dinheiro e o luxo que fora proporcionado jamais foram capazes de fazê-lo recuperar o seu olhar feliz diante das coisas que se faziam presente em sua vida. Ele era apenas alguém que busca de alguma forma, saciar aquela estranha vontade de se sentir útil para algo.

Calçou seus chinelos e ajeitou seu moletom no quadril, tirando sua regata branca e jogando-a de lado, não se importando com a bagunça comum de seu quarto gigantesco. Caminhou cabisbaixo até sua suíte e correu os dedos pela porta de madeira, arrastando e entrando no ambiente. Aquele silêncio que percorria aquela mansão era como um tiro no meio da sua testa, e acordar no meio da madrugada não o ajudava a se acostumar com o ritmo da sua vida e de todas as consequências.

Colocou-se de frente ao enorme espelho a sua frente e ligou a torneira, querendo evitar encarar a si mesmo e enxergar alguém tão perdido, e lutando para que não seja encontrado. Tremeu um pouco ao sentir aquela água gelada invadindo suas narinas e parte da sua franja, mas ignorou, só queria que aquilo fosse suficiente para limpar sua alma também.

Onde eu estava com a cabeça?

Sua mente vagou ao lembrar-se do seu nome na lista para sua nova missão, que fora anunciada na semana passada, onde o treinamento intensivo para aprimorar habilidades deveria ser iniciado hoje, mas ele realmente não estava disposto, pelo menos não no momento.

Secou o rosto com a toalha e andou de volta a cama, sem se importar com uma pequena ereção que marcava em seu moletom fino. Ninguém estava por ali, e mesmo se estivessem, aquele pensamento era vago e distante. Porque além de ser um tanto quanto fracassado fora do seu trabalho, era também um desastre em relacionamentos.

Essa era a razão pelo qual estava fazendo aquilo; matando pessoas e enchendo seu coração de fúria. Seu passado não era interessante, e por diversos momentos da vida seu maior desejo foi ter algum tipo de máquina que apagasse da sua mente tudo o que foi obrigado a conviver.

Sentou-se na cama e suspirou, olhando pela janela e querendo o que dia não estivesse de fato, acontecendo. Sabia bem que não iria conseguir voltar a dormir. Nunca conseguia depois de sonhar com aquilo.

xXx

— Uma Korth .357, meu caro – um riso saiu por entre dentes muito brancos no salão de treinamento de tiro, que consistia em enormes vidros que separavam metade do lugar, deixando o outro lado com pequenos alvos em vermelho, para que fossem aniquilados – A única parte boa de entrar em uma missão é possuir controle total sobre o armamento.

Hakyeon empurrou a porta que ligava a sala de administração à área de treinamento e fitou Wonshik se preparando para atirar, enquanto outro agente se afastava. Olhou com calma ele ajeitar o quadril e montar sua posição; um tanto quanto provocativa e também defensiva. Seguindo as regras básicas de como manusear uma arma. Mirou o alvo do outro lado com um olho fechado e o outro bem atento, destravando a parte de cima do revólver enquanto suas botas faziam um barulho cortante pelo salão, conforme seu corpo se movimentava procurando a melhor posição. Esticando os braços para frente na altura do queixo, segurou o cabo com uma mão e soltou o ar dos pulmões. Como habilidoso de sempre, um tiro fora certeiro no meio daquele círculo de diversas cores.

O mais baixo adentrou de vez no local arqueando as sobrancelhas, demonstrando certo tipo de admiração pelo outro, que agora sorria pelo sucesso obtido com seu novo brinquedo. Hakyeon jogou sua bolsa em uma das mesas que se instalava no canto e vagou mais a frente, vendo em uma lista pequena de qual armamento foi destinado a ele para o treinamento com Wonshik, já que os dois seriam dupla.

Passou calmamente os dedos nos seus cabelos finos e pegou o papel, surpreso por notar que um fuzil de precisão absurda estaria sob suas mãos na missão. Não imaginara que um Barrett M82 poderia ser controlado por seus dedos estranhos e pequenos, já que o comprimento daquilo era quase o seu tamanho por completo.

Engoliu em seco e olhou mais à frente, sentindo o olhar do outro sobre si. Pigarreou devagar e foi até sua direção, deixando o papel no local.

— Coisa boa, hum? – Wonshik perguntou enquanto ajeitava um bracelete estranho no braço, que trabalhava os músculos conforme ele os forçava.

— Inesperado – o mais baixo respondeu, dando de ombros e buscando um par de luvas para colocar, já que alguns treinamentos exigiam demais da precisão de suas mãos para o controle da situação – Te passaram o que faríamos hoje?

— Você me parece tão bem – indagou o agente de voz profunda, fazendo o outro se virar e fitá-lo com a testa franzida – Quer dizer... isso é perigoso, você sabe. Não imaginei que ia aceitar de forma tão tranquila.

Estou com um constante medo de morrer e ele acha que transpareço tranquilidade? Hakyeon pensou abrindo a boca para dizer algo, mas apenas soltou um riso abafado.

— É pelo fato da minha inexperiência, certo? – ele apertou as luvas escuras nas mãos e sorriu – Não estou bem com tudo. Mas a partir do momento que coloquei o meu nome no papel, soube bem onde estava me colocando.

Os dois se olharam por alguns segundos e o mais alto assentiu com a cabeça, indo em direção à outra parte do salão onde eram feitos treinamentos físicos, para preparações de desarmamento, luta corporal e alguns testes de fuga.

— Hyuk me passou um cronograma do que precisamos treinar – o mais alto comunicou, ainda caminhando em direção ao outro lado, seguindo pelo corredor que tinha diversas portas, com diferentes salas para diversos tipos de situações – Isso ainda é bem complicado – moveu o pescoço para trás e encarou Hakyeon que apenas assentiu calado – Os treinamentos foram elevados em um nível que não tínhamos tentado ainda.

— Não me surpreende pela gravidade da situação – o mais baixo concordou com a cabeça, tendo noção de que teria que se esforçar antes de entrar em uma missão desse tipo.

— Cinco horas de combate físico – Wonshik parou em uma porta e a empurrou, revelando uma sala equipada com equipamentos de musculação e armamentos não tão perigosos – Duas horas de defesa e formas de desarmamento e terminamos com alguns minutos resolvendo o melhor para o aprimoramento, ok?

Hakyeon engoliu em seco, notando uma diferença gritante no nível drástico daquilo. Nunca passou cinco horas treinando combate corpo-a-corpo, o máximo era apenas uma revisada básica de 1 hora e meia sobre os pontos fracos de cada um. Cinco horas ia levá-lo a um esgotamento físico inimaginável.

E além de tudo, era estranho o entrosamento dos dois agora. Não que Wonshik fosse algum monstro intocável, mas de longe, era o mais experiente e desenvolvido de toda a agência. Hakyeon o admirava em segredo, porque  Wonshik parecia ter total controle sobre o que lhe passavam.

— Não vai entrar? – o mais alto murmurou enquanto segurava a porta, olhando um Hakyeon ainda preso em seus pensamentos complicados.

— Desculpe, não dormi muito bem.

Lembrou-se de ficar fitando o teto até às seis da manhã, completamente perdido em vazio que nem ele mesmo conseguia explicar. E de alguma forma, aquele trabalho era um jeito complicado e bom de distrair a sua mente. Pois com todos os seus complexos e defeitos, ele sempre fora fiel ao que lhe foi dado, a todo instante cumpriu o que seus instintos o diziam, mesmo tendo uma carne fraca e que vacila sob pressão, riscar nomes em uma lista a sangue frio o faziam útil para alguma coisa. Saciava a sua vontade e acabava com a crise existencial que o perseguia.

— Você quer começar com algo específico? – a voz de Wonshik o despertou, fazendo-o piscar algumas vezes e encarar o salão ao seu redor, que sempre o interessou bastante pela composição bizarra de espelhos por todos os centímetros do local.

— Você é expert em artes marciais. Não quero sair daqui com meu corpo quebrado – Hakyeon riu fraco e começou a alongar, tencionando seus músculos e fazendo seu corpo esquentar.

— E você é graduado na arte de matar as pessoas silenciosamente, não é como se pudesse me desviar dessa habilidade – o mais alto riu baixo e repetiu os movimentos do outro.

Com um movimento que o assustou, Wonshik levantou sua camisa, posicionando o mesmo bracelete que estava em seu braço, agora na sua cintura. Era de um material elástico e prendia conforme pressionava, mas o que assustou Hakyeon de verdade foi a forma como diversos músculos surgiram do mais completo nada no seu campo de visão.

— Você vem? – perguntou o outro com as mãos na cintura, olhando fixamente para o mais baixo, que apenas suspirou fraco perguntando-se mil vezes o que deveria fazer.

Não é como se Hakyeon estivesse com medo de enfrentá-lo corpo-a-corpo, até porque todos os homens daquela agência faziam isso constantemente, mas as coisas pareciam diferentes já que os dois estavam juntos por um único ideal. Não é como se estivessem também treinando para respectivas missões particulares, eles agora precisavam trabalhar juntos e entender a sintonia um do outro para que tivessem sucesso. E a aproximação era o jeito mais rápido de fazer isso acontecer, conhecer os reflexos de combate dos dois para entrarem em harmonia.

Ele avançou um passo e suspirou, olhando seu corpo firme pelo espelho e confiando nas consequências que o fizeram um profissional. Então desviou o olhar para Wonshik que observava seus movimentos, estudando-os e analisando calmamente. Avançou mais um passo e de forma habilidosa, abaixou rapidamente passando sua perna no chão do salão e fazendo o mais alto cair pela pressão que exerceu com a face do seu pé sobre ele.

Querendo conter um riso, Hakyeon avançou e posicionou seu corpo na barriga do outro que estava caído e com os olhos assustados, segurou no pescoço de Wonshik e prendeu seus braços com os joelhos, mesmo que o seu tamanho fosse cem vezes inferior ao do seu colega, suas habilidades em imobilizar alguém o tornaram muito bom no que fazia.

— Nada mal, hum? – Wonshik riu mesmo com o pescoço imobilizado pelas mãos pequenas do outro – Mas... – ele levantou uma das pernas e levou nas costas de Hakyeon, que franziu o cenho com aquele baque e depois foi jogado no chão, com o impacto que sentiu de duas pernas enormes empurrando o seu corpo – Você é pequeno, tenho vantagem.

Merda – Hakyeon resmungou e se levantou, movendo seu pescoço de um lado para o outro lentamente, querendo se sentir um tanto quanto menos envergonhado – Vamos ficar nisso por cinco horas mesmo?

— Falando do seu tamanho ou treinando nossas habilidades? – o mais alto arqueou uma sobrancelha e depois de notar uma expressão de fúria surgindo no local, ele soltou um riso – Podemos treinar nossos reflexos, sei o quanto você é bom em imobilizar, podemos pular essa fase.

Hakyeon assentiu e resolveu não se ofender tanto com o que ouviu, temendo que seu dia se transformasse em uma piada constante por parte do outro, que de alguma, fez com que ele se sentisse bem por estar ali, mesmo que a situação fosse um tanto estranha.

Ele não imaginava que poderia, a certo ponto, estar com Wonshik assim, como se fosse um amigo confidente. Perguntava-se por diversos segundos como era estranho, mas concordava consigo mesmo que era bom, porque na maioria das vezes que eram chamados para uma missão por Hyuk o único objetivo era arrumar uma pequena mala, notar se o uniforme escuro estava bem passado e as armas carregadas. E agora tudo soava diferente, beirando quase um inferno, mas ele estava um tanto quanto aliviado por não ter que enfrentar a face do diabo sozinho.

Seu celular vibrou no bolso enquanto ele segurava uma garrafinha de água, fitou Wonshik do outro lado arrumando alguns objetos no chão. Presumiu que a próxima etapa do treinamento era conhecimento de pontos corporais que causavam dano elevado, então retirou o aparelho do bolso.

Sua mãe havia lhe mandado uma mensagem carinhosa de bom dia, dizendo que as coisas estavam bens apesar daquela data ser perturbadora então ele olhou para cima da tela vendo que dia era exatamente aquele. Seu coração pulou por alguns segundos e seu peito afundou, ele começou a ofegar e a perder noção das próprias pernas, lutando um pouco para permanecer estável naquele salão.

Como pude esquecer isso?

Passou a palma da mão na testa, limpando os vestígios de suor por ali e guardou o celular, desviando sua atenção para aquele problema em particular que fazia sua mente entrar em um colapso. Mordeu o lábio de baixo tentando deixar sua visão controlada, temendo que Wonshik notasse alguma coisa.

Três anos.

Sentou-se no chão, travando uma batalha intensa com a própria mente, querendo naquele momento controlar as próprias emoções para não se derramar em lágrimas bem naquele local. Certamente não era hora de demonstrar sua única fraqueza, não era momento para fazer daquilo um desabafo.

As imagens começaram a rodar na sua mente e ele apoiou os braços nos joelhos, balançando as pernas devagar querendo apagar de sua memória todo o nervosismo que tomou conta do seu corpo pequeno, que agora ardia em uma agonia ensurdecedora. Tudo começou a rodar como um filme, desenrolando todo o trajeto, todos os segundos, toda a situação perturbadora.

Suspirou fundo uma vez, duas, três. Queria sumir. Com os olhos molhados ele olhou para o outro, que estava concentrado naquele papel que dizia o que precisava fazer, então ele agradeceu por Wonshik não estar presenciando o que estava acontecendo naquele momento. E por mais que tivesse vontade de contar a alguém, e queria muito que esse alguém fosse uma pessoa do qual ele demonstrasse ao menos 1% de confiança, pensou que talvez poderia dizer algo, mas ainda assim, era complicado demais até para ele. Complicado demais explicar porquê estava quase tendo um ataque de pânico, era simplesmente difícil em uma intensidade gigantesca dizer para uma pessoa que não fosse ele mesmo, o porquê tinha escolhido aquela vida.

Hakyeon simplesmente não conseguia encontrar palavras para descrever o que o levou a tomar as decisões de ser um assassino, não sabia explicar consequências. E essa parcela de problemas, estava rondando sua cabeça há muito tempo, e ele se sentia culpado por ter esquecido aquilo, por mais que fosse bom e ruim ao mesmo tempo, ele simplesmente se sentia mal.

xXx

Três anos atrás.

— Minhyuk! Você sabe que a pousada é do outro lado da cidade e que reservas podem ser desfeitas caso não estejamos lá, não é? – Hakyeon gritou subindo dois degraus da escada, ecoando sua voz para o corredor acima, com duas malas enormes nas mãos – Por que essa demora toda para escolher uma roupa?

— Você sempre me elogia, não precisa agir como se não gostasse disso tudo – ele respondeu, descendo calmamente pelas escadas, exibindo um sorriso estonteante.

— Se você não fosse tão bonito assim, acredito que me irritaria bastante – ele sorriu calmamente, observando o outro descer pelas escadas e ir ao seu encontro – Podemos ir agora? – arqueou uma sobrancelha e o pegou pela cintura, sentindo seu pescoço ser preenchido por aqueles braços macios.

— Se eu disser que esqueci minha escova de dentes você ainda aceita casar comigo? – Minhyuk sussurrou soltando uma risada baixa, vendo o outro fechar o sorriso em uma expressão impaciente, mas que era um tanto graciosa – Dois segundos, amor, dois segundos! – e correu pela escada novamente.

Hakyeon desfez sua posição de mandão e acabou cedendo a um riso bobo, suspirando fundo e assentindo para si mesmo vendo que não desejaria ter vida melhor do que aquela. Por anos estava com a mesma pessoa e não sentia um tom de arrependimento.

Conheceu Minhyuk ainda no colegial, eram tão estranhamente apegados como amigos que não hesitaram em tentar um relacionamento e quando menos esperavam, estavam compartilhando o mesmo teto e trocando alianças com uma imensidão de promessas. E ambas as famílias tiveram reações completamente inesperadas, mas no fim, aceitaram tranquilamente. Não é como se pudessem ter impedido também.

Aquilo parecia certo, tão certo para ele que não cogitava a ideia de querer outra coisa, de querer outro estilo de vida. Tinha um emprego que lhe rendia uma quantidade de dinheiro suficiente para manter sua casa, um noivo que lhe dava felicidade plena, e com tudo aquilo, as coisas ainda pareciam melhorar com o tempo. Ele definitivamente se via no que poderia ser categorizado como sonho, e mesmo acordado, não queria que aquilo acabasse.

Após juntar tudo dentro do seu enorme Duster, partiu em direção a Califórnia, onde passaria suas férias de verão com Minhyuk, desfrutando daqueles momentos que não eram raros para os dois, mas que agora seria diferente, pois estavam excitados demais em um tipo de aventura nova, abismados demais com o decorrer dos acontecimentos recentes de suas respectivas vidas.

Hakyeon saiu da Coréia após receber uma promoção magnífica da empresa de arquitetura onde trabalhava, com uma proposta nova de filial na América e não pensou muito quando Minhyuk também topou mudar totalmente o que estavam acostumados a viver. No começo foi um tanto complicado apesar da ideia soar maravilhosa, já que ele parecia entusiasmado em abrir uma loja no centro de Seoul, mas admitiu pra si mesmo que seu talento para vendas e um futuro empreendimento não estaria sendo jogado fora caso saísse de onde estava.

Os dois seguiam calmamente pela estrada, deixando um sol calmo iluminar aqueles corpos alegres dentro do carro, que cantavam a todo vapor alguma música da rádio. Pareciam tão alegres e intensos que não se importavam com problemas ruins que poderiam cercar suas vidas, sabiam que se tivessem um ao outro, poderiam passar por qualquer coisa. Sabiam também que apesar de praticamente casados, eram tão amigos quanto sempre foram.

— Hey! – ele arregalou os olhos e começou a sacudir as pernas dentro do carro, abrindo as janelas e gritando escandalosamente – Nossa música!

“I Write Sins Not Tragedies”, da Panic! At the Disco, começou a ecoar ainda mais alto quando Minhyuk aumentou o volume do rádio, fazendo o outro rir enquanto prestava atenção na estrada, mas também animou-se ao ouvir a canção, que remetia seus tempos de quando conheceu o homem do seu lado.

— WHAT A BEAUTIFUL WEDDING! – Minhyuk exclamou rindo, com os olhos cintilando e sendo iluminados pela luz solar que regava os dois em um sentimento arrebatador.

Hakyeon o fitou por diversos segundos, vendo o quanto era sortudo por tê-lo. Era tão amável, tão intenso e ao mesmo tempo, tão pacífico como sempre foi. Desde a extensão dos lábios até aquele corpo invejável, Hakyeon sabia que não encontraria homem como Minhyuk em nenhum outro lugar e que a promessa de amá-lo para o resto da vida era real. Ele simplesmente não conseguia desviar os olhos dele, que agora berrava junto com Brendon Urie pelo carro.

Os dois se entreolharam e um sorriso surgiu, confirmando aquilo que tinham. Mas a música foi interrompida, as expressões também. O que antes podia ser fotografado e emoldurado como um momento feliz de um casal, agora tinha se transformado em uma catástrofe.

O carro virou devagar, como se as coisas passassem em câmera lenta, girando quatrocentas vezes pela rodovia, espalhando sangue e gritos por toda a imensidão do local. Vidros estavam sendo despedaçados no chão, pescoços girando e enfim o carro parou quando se chocou com o tronco de uma árvore, praticamente sendo engolido floresta a dentro, tirando a certeza de que um futuro era certo para os dois.

Minhyuk passou duas semanas em coma e foi declarado morto logo depois por falência múltipla de órgãos, já que seu corpo não suportou todos os estragos causados pelo acidente.

E Hakyeon morreu também, perdeu parte da sua alma, perdeu o que podia ser considerado como humanidade, já que não imaginava mais viver em mundo sendo quem era antes, quando na verdade, não tinha ninguém para colocá-lo de pé mais.

xXx

— Não vai treinar, hum? – Wonshik se aproximou, despertando Hakyeon daquele pesadelo que ele tinha passado todos os dias tentando tirar da cabeça – Aconteceu alguma coisa?

Ele levantou a cabeça com calma, tentando captar bem aquelas palavras, forçando seu corpo a voltar a um estado que poderia ser considerado como normal. Tentou com tudo deixar aquilo para trás e voltar a encarnar aquele ser humano que tinha se tornado; frio, impaciente, invisível, só não estava morto porque seu corpo ainda insistia em estar por ali.

— Facas? – Hakyeon perguntou, desfazendo a expressão de tristeza total e voltando a ser aquele assassino impiedoso – Presumo que podemos despistar os terroristas com as facas, assim poupamos nossa munição, certo?

Queria demais não demonstrar seus sentimentos, e de certa forma fazia aquilo com sucesso. A única pessoa que tinha algum tipo de contato na vida era o caixa do mercado, sua mãe, atendentes do banco, seu chefe e agora, Wonshik. Queria chamá-lo de amigo, mas desconhecia o sentido daquela palavra há muito tempo e no momento, não queria criar laços já que estava a um palmo de enfrentar sua própria morte.


Notas Finais


goxxxtaram?? <3
não deixem de dar uma olhada na minha outra fanfic, MASTERPIECE! tá bem amorzinho, vou atualizar daqui a algumas semanas ^^


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