História Behind Blue Eyes - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Homossexualismo, Mutilação, Romance
Exibições 92
Palavras 2.582
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olha quem resolveu escrever um capítulo de um tamanho que preste? Pois é, eu mesma... me perdoem por eu estar demorando pra atualizar, juro que estou tentando me organizar melhor, mas é que tá bem difícil...

Boa leitura! ♥

Capítulo 6 - Estamos juntos nessa


Fanfic / Fanfiction Behind Blue Eyes - Capítulo 6 - Estamos juntos nessa

Lugar onde todos têm razão,

melhor não ter nenhuma. – Paulo Leminski.

 

Duas semanas se passaram. Eu fui devidamente liberado do quarto em que havia ficado e pude voltar a conviver com todos os outros jovens que moravam no hospital comigo. Eu, infelizmente, fui informado que a quimioterapia começaria e fui informado sobre todos os medicamentos que eu teria que tomar.

Era horrível saber o que todos eles me trariam antes de um bom resultado. Era desgastante aquela rotina de remédios, caminhada pelo sol, exames, conversas com a psicóloga e raras visitas de um certo publicitário que estava sem tempo para me ver.

Eu aceitava isso, ele tinha sua vida e não tinha obrigação nenhuma perante mim, mas isso não significava que eu não sentisse sua falta.

Hoje, sábado, era o início da primeira campanha em relação ao hospital que Anthony estava promovendo. Por mais que estivesse ansioso para vê-lo hoje, estava também ansioso para vê-lo amanhã, domingo, quando ele iria conversar com todos nós pacientes e finalmente contar o que faríamos para ajudá-lo no tal evento que a empresa dele faria para contribuir com o hospital.

Eu sabia muito pouco, mas já estava feliz por ter montado o primeiro banner com ele. Anthony se tornou uma paixão para mim, uma paixão bem difícil de se alcançar, mas ainda assim uma paixão.

Sei que nos conhecemos tem pouco tempo, praticamente um mês, mas é tempo de se apaixonar, ainda mais por alguém tão incrível quanto Anthony, que sempre coloca os outros acima de si mesmo e sempre acha uma maneira de ajudar a todos sem querer nada em troca. Ele realmente vive nos meus sonhos quando eu durmo. Vale até a pena dormir mais por causa disso.

- Anjinho! – Ouvi uma voz de criança já bem conhecida e, em seguida, recebi um forte abraço vindo de Melanie.

- Oi, princesa Mel. – Beijei suas bochechas, a vendo crescer o sorriso. – Espera, cadê o seu cabelo comprido? Por que você cortou?

- Tá aqui o meu cabelinho. – Ela disse ainda alegre, me entregando um saquinho plástico com o cabelo dela.

Meus olhos se encheram de lágrimas. Seria essa a campanha de Anthony?

- Eu falei que era uma ideia legal que eu tinha que fazer. – Anthony informou, me cumprimentando com um sorriso. – Todos da minha empresa estão aqui com suas famílias para que todos cortem os cabelos e doem para o hospital. Mesmo que seja apenas um pedacinho do cabelo, todos querem fazer.

- De onde surgiu essa sua ideia magnífica? Tem quatro meninas aqui desesperadas de triste porque vão ter que raspar a cabeça... inclusive, eu também vou fazer isso... – Meu tom de voz pareceu perder a força. – Eu amo o meu cabelo...

- Você vai continuar lindo mesmo sem cabelo, anjinho. – Mel me puxou e eu a peguei no colo, a abraçando com força.

- Você também ficou linda com esse cabelo curtinho. – Sorri para ela, por mais difícil que fosse. – Obrigado por ter puxado o seu pai com essa alma altruísta, viu? O mundo é um lugar melhor por ter vocês dois nele.

- A mamãe não queria que eu cortasse, mas eu insisti. – Informou-me ela, assentindo freneticamente com a cabeça.

- Ela é egoísta demais para isso. – Anthony suspirou. – Mas nós não somos.

- Anthony, será que eu posso falar com você rapidinho? – Perguntei e ele me seguiu para longe de Melanie. – Você também vai cortar seu cabelo?

- Sim... a proposta até perde a força se eu não fizer isso. – Riu ele. – Por que?

- N-nada. – Gaguejei e me odiei por isso. – Gosto do seu cabelo, só isso.

Percebi que ele ficou sem palavras, mas, honestamente, eu já esperava por isso. E não é como se eu tivesse ficado esperando ele me elogiar, longe disso. Eu não criava expectativas, sabia que iria morrer, não teria nem tempo de fazer com que ele mudasse por mim e, talvez, eu nem quisesse verdadeiramente que ele mudasse.

Mas uma coisa era fato e eu não podia negar:

Eu estava mesmo apaixonado por Anthony Banks. Aconteceu, não posso fazer nada. Eu não mando no meu coração.

...♥...

ANTHONY BANKS

Quando me veio em mente a ideia de levar todos da empresa para cortar o cabelo em solidariedade aos pacientes que precisariam fazer isso, não pensei que precisaria travar uma briga em casa com Tamara. Minha esposa andava me incomodando todo santo dia por eu estar passando tempo demais envolvido com meu trabalho e, principalmente, com Oliver.

O que posso fazer se me sinto bem ao lado dele? Tamara só sabe me menosprezar nos últimos tempos, além de só me procurar quando quer que eu satisfaça seus desejos, sendo que nem desejo por ela eu não sinto mais. Está bem óbvio que não estamos mais dando certo, só que o problema é que temos uma filha e não queremos que ela passe por uma crise ao ver o divórcio dos pais.

Ela é muito nova para isso.

Tamara tentou proibir Melanie de cortar seu cabelo quando a mesma disse que faria isso, por isso queria vir comigo ao hospital. Eu prontamente disse que, por mais que ela fosse apenas uma criança, podia decidir o que faria com o próprio cabelo e saí de casa antes que a discussão aumentasse. Eu não queria mais uma briga com ela, estava cansado disso. De tudo isso.

No entanto, eu me surpreendi quando, no meio de uma conversa com Oliver, ele disse que gostava do meu cabelo. Eu posso ter entendido errado, mas ele andava meio estranho nas últimas vezes em que nos vimos, me elogiando e dizendo que sou incrível e vários outros tantos adjetivos que usa para falar sobre mim. Estaria ele interessado em mim?

Resolvi ignorar tais pensamentos e prestar atenção na quantidade de pessoas que estava realmente cortando os cabelos, mesmo que não o suficiente para doar eles já estavam fazendo sua parte e era isso que importava: a intenção.

Observei Oliver por um instante, senti algo ruim ao olhar para ele, seus olhos azuis pareciam estar se fechando e ele estava ainda mais pálido que o normal.

- Oliver, você está bem? – Questionei, vendo que ele levou um susto com minha repentina chegada ao seu lado, sendo que segundos atrás eu tinha ido conferir o restante dos pacientes. – Pode me contar o que está sentindo, você sabe que eu só quero te ajudar.

- Estou bem, não se preocupe. – Afirmou para mim, abrindo um sorriso em seguida.

- Papai, papai! – Ouvi Mel me chamar e me abaixei em sua altura. – A mamãe ‘tá na rua querendo falar com você.

- Tudo bem, já estou indo. – Informei, vendo ela correr novamente no meio dos adolescentes ali presentes. – Oliver, se você precisar de mim não hesite em me chamar.

Ele apenas assentiu, sorrindo fraco. Saí em direção à rua para falar com Tamara, já prevendo que ela iria reclamar de algo. Sua feição irritada demonstrava que ela queria me matar de uma maneira lenta e dolorosa, soltei um suspiro e respirei fundo, indo ao seu encontro.

- Achei que não fosse vir. – Comentei, tentando quebrar o silêncio.

- Não iria, mas parece que você não tem mais casa. Fica mais nesse hospital e na empresa do que comigo. – Reclamou ela. Como eu queria ser como um bom adolescente e revirar os olhos nesse instante.

- Tamara, você precisa entender que esse é o meu trabalho. Se tudo der certo, serei promovido e uma promoção tem seus milhares de benefícios, inclusive menos trabalho se eu conseguir o cargo que quero. – Expliquei, mas ela apenas riu fraco. – Qual o problema?

- Você parece dar mais bola para esse insignificante do que para mim. – Ela encheu os olhos de lágrimas. – Até nomeou ele de “anjinho”.

- Quem nomeou Oliver assim foi Mel, não eu. Eu só falo desse jeito perto dela porque ela o chama assim, eu chamo ele pelo nome. Não quer conhecê-lo? Tenho certeza que mudaria de ideia caso o visse.

- Eu quero é distância desse moleque. – Aquela frase me irritou.

- Então vai embora daqui. – Esbravejei. – Eu vou continuar aqui como responsável pela campanha e como colaborador e amigo desses jovens. Se está incomodada, é só ir embora. Eu e Mel ficaremos, quer você queira ou não.

Ela saiu a passos firmes dali e eu apenas respirei fundo mais uma vez, andando lentamente para dentro do hospital. Melanie estava me procurando e dizendo que Oliver tinha sumido. Um desespero tomou conta de mim, pois eu tinha percebido que ele não estava bem, era de se desesperar saber que ele sumiu.

Mas não foi tão difícil de encontrá-lo quanto pensei que seria. Ele estava em um dos quartos dos pacientes, sentado na grande plataforma da janela. Ele estava abraçando as próprias pernas e chorava baixinho. Me aproximei dele devagar e toquei seu ombro, ele se assustou e tratou de secar as lágrimas.

- Tudo mundo chora, não precisa esconder isso de mim. – Falei suavemente, me sentando de frente para ele. – Quer conversar?

- Não quero perder meu cabelo, não quero me perder... eu estou perdendo tudo aos pouquinhos, Anthony. Eu não quero isso. – As lágrimas começaram a cair e eu lentamente fui as secando, compadecido pela cena que eu via em minha frente. – Eu sorrio para todo mundo, mas por dentro eu estou em pedaços, Anthony. Essa situação toda é tão horrível, que se fosse uma pessoa eu faria questão de matar. Por que precisa existir uma doença dessas? Eu odeio tudo isso, odeio muito.

- Você é um guerreiro, sabia? – Elogiei, vendo ele arquear a sobrancelha. – Você está passando por um enorme problema e mesmo assim sorri para todo mundo. Oliver, eu entendo que seja difícil, por mais que eu não passe pelo que você passa, tudo bem? Eu sei que deve ser horrível tudo isso, mas é necessário esse tratamento, é a única chance de dar certo.

- Mas e se não der? E se eu fizer a quimioterapia e não der certo? E se eu morrer mesmo assim? Eu não quero morrer, Anthony. Eu estou com medo. – Aproximei-me mais do menino em minha frente e o abracei, sendo abraçado de volta e com força. – Tem tanta coisa que eu não fiz e ainda quero fazer... tanta coisa.

- E você vai fazer, porque eu tenho certeza de que vai dar certo. – Continuei o abraçando.

- Oliver, aí está você. – Hailey, a psicóloga, entrou no quarto em que estávamos. – Chegou a sua vez, caso queira fazer isso hoje. O que não é necessário...

- Oli... – Chamei, mas ele só se agarrou mais a mim. – Quer que eu faça isso para você?

Ele assentiu, mesmo sem parar de chorar. Peguei a máquina da mão de Hailey e pedi que ela nos deixasse a sós, ela entendeu, pois sabia que não seria um momento fácil para Oliver, assim como não é para ninguém. Não é apenas cabelo, é uma parte de si. Apenas uma das várias partes que Oliver estava perdendo aos poucos.

Sentei novamente de frente para Oliver, vendo que suas mãos tremiam. Hailey tinha me entregue a capa para eu colocar nele e assim eu coloquei. Esperei por um sinal de que eu pudesse começar e, quando o sinal me foi dado, eu estava tão nervoso quanto ele. Eu fui tirando aos poucos o seu cabelo, doía em mim ver as lágrimas que caíam por seu rosto.

Ele estava destruído por fazer aquilo, eu podia sentir sua dor. Oliver chorava mais cada vez que eu passava a maquininha em sua cabeça, seus olhos azuis estavam inundados e avermelhados, tão desolados quanto seu coração deveria estar agora. Demorei quase meia hora fazendo aquilo, porque me doía demais vê-lo daquele jeito.

Quando terminei, desliguei a máquina e tirei a capa dele. Seus olhos se encontraram com os meus e eu abri meus braços, dando a ele a liberdade de me abraçar se quisesse e assim ele fez, praticamente sentando em meu colo.

- Eu devo estar horrível agora. – Falou aos prantos. – Eu sempre cuidei tão bem do meu cabelo e agora eu simplesmente não tenho mais... isso dói.

- Ah, qual é, as garotas vão adorar te ver assim. – Tentei fazer uma brincadeira, porque aquele sofrimento todo estava me deprimindo já.

É em um momento como esse que eu percebo que todos os problemas dos quais reclamo em minha vida não são nada se comparados ao que esse menino passa e ele tem onze anos a menos que eu com muito mais problemas. Problemas mais sérios, inclusive.

- Eu sou gay, nenhuma garota vai me querer. – Soltou ele depois de um tempo, sentando-se melhor e secando as lágrimas. – Não que isso mude algo, mas...

- Então fará sucesso com os meninos. – Sorri para ele, que se esforçou para fazer o mesmo e acabou não conseguindo. – Você não está nada bem, Oli. O que está sentindo?

- Eu já falei com meu médico, ele disse que estou assim por causa dos remédios, não se preocupe. O máximo que vai acontecer é eu desmaiar. – Deu de ombros como se fosse a coisa mais normal do mundo. – Por favor, vamos falar sobre outra coisa. Não aguento mais chorar.

- Você disse que tem muita coisa que ainda quer fazer... quer conversar sobre isso?

- Tem algumas coisas que são até vergonhosas. – Ele corou, me fazendo sorrir. – Vamos falar primeiro das coisas mais legais. Eu queria muito fazer uma tatuagem e colocar um piercing.

- Um piercing? – Me surpreendi. – Onde?

- Na boca. – Respondeu. – E eu queria tatuar um símbolo de uma saga que sou fã.

- Vai me dizer que você queria tatuar as Relíquias da Morte. – Chutei, vendo ele abrir a boca em um perfeito ‘O’.

- Você conhece Harry Potter? – Seus olhos chegaram a brilhar. – Não acredito! Qual seu preferido? Anda, pode admitir que é a Câmara Secreta.

- De fato, é. – Afirmei, rindo.

Eu e Oliver começamos justamente a conversar sobre Harry Potter, ele me falou sobre quem ele gostava mais, qual a sua parte favorita de cada livro e filme, me disse quantas vezes já leu e assisti e por aí vai.

Quando voltou a me contar sobre as coisas que queria fazer, me disse que queria conhecer New York, pois nasceu lá, mas se mudou com menos de um ano. Disse também que queria conhecer a Suíça. Disse que seu sonho era fazer faculdade de letras.

Em meio a muitos assuntos, seus olhos entraram no enredo e ele me disse que muita gente acha que ele usa lente de contato, mas na verdade seus olhos são mesmo azuis. E que azul...

- Estou esperando a parte vergonhosa. – Provoquei, vendo ele corar novamente.

- É que eu... eu nunca... – Ele olhou em outra direção, o que me fez sorrir apenas por imaginar o que ele iria dizer. – Eu sou virgem. Pronto, falei.

- Ah, era isso? – Falei como se fosse pouca coisa, o que fez ele me olhar incrédulo.

- Eu não posso morrer virgem. – Disse óbvio, me fazendo rir. – E isso não é o pior. Eu também nunca... eu nunca beijei.

- Porque você não quis ou porque... – Deixei no ar, me ajeitando no lugar onde estava sentado.

- Nunca senti vontade de beijar ninguém. – Deu de ombros. – Eu não estou me sentindo bem...

- O que eu posso fazer por você? – Oliver tentou se levantar, mas ficou tonto e acabou caindo em meus braços.

- Você pode me beijar... – Sua voz saiu completamente baixa e enrolada.

- O que?

- Me beija, Anthony...


Notas Finais


Ain, gente, esse final me deu uma dor :(

Até o próximo capítulo ♥


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