História Behind Blue Eyes - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Homossexualismo, Mutilação, Romance
Exibições 53
Palavras 1.878
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa noite! Eu não demorei pra postar \o/

Espero muito que gostem ♥

Capítulo 7 - Você me pediu um beijo


Fanfic / Fanfiction Behind Blue Eyes - Capítulo 7 - Você me pediu um beijo

O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes,

não tivesse tentado o impossível. – Max Weber.

 

Ao acordar senti minha cabeça latejar. Não me recordava de nada que provavelmente deve ter acontecido nos últimos momentos antes de eu apagar de vez. Apenas me lembro, como última coisa, que eu estava em um quarto com Anthony e conversávamos após meu cabelo ter sido retirado por completo.

Por mais que estivesse acordado, demorei alguns instantes para abrir meus olhos. Sentia um gostoso carinho em minha mão direito e uma mão praticamente entrelaçada na minha do lado esquerdo. Abri os olhos. Melanie estava me acariciando e Anthony estava escorado na minha cama, segurando minha mão.

- Oi, princesa. – Sussurrei para Melanie, que estava acordada; Anthony parecia estar no mundo dos sonhos.

- Anjinho! – Ela manteve um tom baixo, ainda que empolgado. – Como você ‘tá? Pensei que não fosse mais acordar e eu chorei um monte, mas o papai me abraçou e disse que você ficaria bem. – Melanie fez um biquinho adorável e acabei apertando sua bochecha.

- Eu vou ficar bem. – Sabia que para ela aquela afirmação era algo valioso, então não me importei de dar uma pequena mentida.

Era óbvio para mim que eu não ficaria bem, mas não queria derrubar ninguém junto comigo. Nem sempre é errado mentir, não quando esse é o caso. Não queria deixar alguém como Mel triste. Seus cabelos castanhos claros, sua pele branquinha e seus olhos castanhos, além de bochechas adoravelmente rosadas me faziam querer abraça-la como se ela fosse uma boneca, algo que ela realmente parecia ser.

- Oliver? – Ouvi uma voz rouca me chamar e me virei na direção da mesma. – Você está bem?

- Eu não sei como vim parar aqui, mas acho que estou. – Dei de ombros, vendo ele assentir e coçar os olhos.

- Mel, meu anjo, por que não vai ver os outros pacientes enquanto eu converso a sós com o Oliver? – O mais velho perguntou para a filha, que assentiu.

Melanie praticamente pulou em cima de mim, enchendo meu rosto de beijos e mais beijos, dizendo antes de sair que eu era o anjinho dela. Esse apelido sempre me fazia sorrir. Nunca pensei que faria a diferença na vida de alguém, principalmente uma criança como ela. Era boa a sensação.

- O que aconteceu? – Questionei, tentando quebrar o tenso silêncio que se instalou ao nosso redor.

- Você disse que não estava se sentindo bem e quando eu perguntei o que estava acontecendo você me pediu um beijo. – Seu olhar desviou do meu e eu senti minhas bochechas ficarem vermelhas.

- E você beijou? – Minha voz saiu baixa, por nervosismo e vergonha.

- Não. – Me encarou. – Eu realmente não quero ser chato, mas... você está interessado em mim?

Não soube o que responder a ele. Tinha certeza quase que absoluta que qualquer coisa que eu dissesse iria me comprometer e eu iria acabar fazendo com que ele se afastasse de mim. A única coisa pela qual eu sofreria caso perdesse seria ele, que em tão pouco tempo se tornou tão importante para mim.

Anthony tinha seu jeito tão único, me cativou tão rapidamente com aquele olhar preocupado e sai maneira carinhosa de cuidar de mim. Como eu não iria me encantar por ele? Me interessar foi quase que automático, como se eu tivesse sido predestinado a isso. E agora pensar que posso usar as palavras erradas e o afastar faz meu coração doer muito.

- Oliver?! Não vai me responder? – Não consegui encará-lo. – Devo levar isso como um sim?

- E-eu... eu não sei. – Me manifestei. – De verdade, eu não sei.

- Boa tarde, Oliver. – Doutor Hank, o qual cuidaria de boa parte de meu tratamento daqui para frente, entrou no quarto já me cumprimentando. – Pelo visto você não está se alimentando direito ainda.

- O que aconteceu? – Anthony o perguntou, aparentando estar nervoso e preocupado.

- Oliver não está comendo tudo o que deveria. Damos todas as vitaminas necessárias a ele, mas mesmo assim esse menino se recusa a se alimentar corretamente. – Respondeu o médico. – Escute-me, Oliver, eu falo isso para o seu próprio bem. Você não é mais uma criança e sabe bem o que vai acontecer se não cooperar conosco. O tratamento não vai te ajudar se você mesmo não fizer isso.

- Eu vou morrer de qualquer jeito. – Balbuciei irritado. – Qual a diferença? Eu estou protelando minha morte, só isso.

- Você é muito teimoso mesmo! – Anthony me disse, como se eu já não soubesse.

E depois disso fui obrigado a ouvir um grande discurso, tanto de Anthony quanto do doutor Hank. Ambos me disseram que eu precisava me alimentar direito, que eu precisava me esforçar ao máximo do máximo e não me deixar abalar por nenhum instante.

No dia seguinte, Anthony me deu um livro de presente. Era o livro “O Símbolo Perdido”, de Dan Brown. Eu já tinha lido outros dois livros dele: “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios”. Ambos maravilhosos, inclusive, recomendo. Anthony disse que se eu me comportasse e lesse esse livro direitinho, ele me daria mais livros e é óbvio que o fiz uma promessa de que me comportaria. O que eu não faço por livros?

E, ainda na mesma semana, fiz a primeira sessão de quimioterapia. Eu não queria, estava óbvio para todos, mas fiz mesmo assim. Ter algo sendo injetado em sua veia não é uma das melhores sensações que lhe podem ser proporcionadas, a não ser que você seja viciado em drogas e esteja usando heroína.

A sensação de tudo aquilo era horripilante, assustador, eu só conseguia pensar no quanto eu queria que acabasse. Os médicos me explicaram inúmeras vezes sobre o que os quimioterápicos fariam em meu organismo e como eles iriam me ajudar, mas eu não conseguia prestar atenção. Eu queria dormir, queria sumir, queria fugir.

Queria muitas coisas e não podia ter quase nada. Mesmo assim, após essa primeira sessão, continuei sorrindo para tudo e todos como se eu estivesse, aos poucos, vencendo a doença que se apoderou de meu corpo.

Nesse momento eu estou sentado em minha cama com meus fones de ouvido, ouvindo uma música tranquila e lendo o livro que Anthony me deu. Já estou na metade, sendo que ele me deu o livro dois dias atrás. Um menino, que fica no mesmo enorme quarto que eu, sentou-se em minha frente, na minha cama, e sorriu quando eu o encarei. Não me lembro do nome dele, mas lembro que já conversei em algum momento com ele. Se não me falha a memória, ele tem leucemia e está bem pior que eu.

- Posso te ajudar em algo? – Indaguei, vendo ele ter um ataque histérico.

- Eu sou apaixonado por Dan Brown. – Ele quase gritou, então reparei que estava falando do autor do livro que eu lia. – Quais dele você já leu?

- Só “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios”. – Fechei meu livro, marcando a página em que estava. – Agora estou lendo esse e pretendo ler os outros. E você?

- Já li todos. Li também “A Divina Comédia”, de Dante, porque tinha muita coisa sobre isso no livro Inferno, que, na minha opinião, é o melhor livro de todos. – Me disse, ainda sorrindo. – Você vai gostar. Esse é o seu tipo de leitura? Coisas que envolvem religião, história e todos esses pequenos detalhes e referências que Dan Brown usa?

- Bem, não é muito o meu estilo. – Dei de ombros. – Gosto de ficção, fantasia e aventura. Sou apaixonado por “Harry Potter”.

- Você é um menino que lê bastante, então?

- Sou sim. Eu tenho uma meta de alcançar quinhentas leituras antes dos vinte e um anos. – Sorri bobo com minha própria meta.

- Já leu quantos? – Seus olhos brilharam.

- Trezentos e oitenta já contando com esse aqui.

Depois de mais uma meia hora de conversa, o menino me lembrou que seu nome era Nicolas e eu me senti um grande idiota por não lembrar como ele se chamava. De fato, o garoto era inteligente e entendia sobre boa literatura. Desenvolvemos uma boa conversa, repleta de citações de livros famosos. Falamos bastante sobre os livros que ambos gostamos e chegamos à conclusão de que não eram tantos assim.

Nicolas preferia mesmo os livros que envolvessem histórias reais, ou baseadas nas mesmas. Já eu, preferia ficções, porque de história real e cruel já bastava aquela que eu vivia.

Foi divertido conversar com alguém tão inteligente. O que não foi divertido, foi ver o que aconteceu com ele depois. Nicolas estava em meio a uma parte muito delicada de seu tratamento e ele não podia se emocionar, se esforçar, ou qualquer coisa do gênero e a emoção que tivemos em nossa conversa fez ele ter uma péssima recaída.

Por certos instantes, jurei que ele não iria sobreviver. Fiquei ao seu lado enquanto ele estava internado em um quarto separado, tentando distrai-lo de todas as formas. Ele ficou lá por uns bons dias e, durante esse tempo, li meu livro para ele e assisti filmes no notebook de Hailey, que havia nos emprestado justamente para isso.

Assistimos os filmes dos livros de Dan Brown, já que era algo que ambos havíamos gostado. Comentamos bastante em vários momentos e percebemos que tínhamos quase a mesma opinião perante várias cenas.

- Vejo que está bem acompanhado, Oliver. – Ouvi aquela voz já conhecida e me virei em sua direção. – Só dei uma passada rápida e...

O interrompi com um abraço. Ele pareceu ficar confuso, mas eu não me separei dele até que ele correspondesse e também me abraçasse, o que não demorou a acontecer. Anthony me soltou e ficou me encarando, mas eu não disse nada.

Voltei a me sentar e apresentei Anthony para Nicolas. Os dois conversaram bastante, me senti até um pouco deslocado, mas não me importei. Nicolas precisava, nesse momento, de mais atenção do que eu. Ele estava muito mais vulnerável do que eu.

Quando Nicolas finalmente dormiu, eu e Anthony deixamos o quarto e sentamos no banco do corredor.

- Desculpa ter te abraçado do nada. – Pedi, virando meu rosto em sua direção. – É só que... Nicolas quase morreu e eu pensei que poderia ter sido eu e eu não queria morrer sem poder te abraçar e te agradecer por tudo.

- Tudo o que? – Me perguntou, mantendo em seu rosto um pequeno sorriso.

- O passeio, os cuidados, até mesmo a campanha. Obrigado também por ter me aguentado quando tive aquela crise naquele dia e por ter cortado meu cabeço. Só, obrigado por me dar um pouco de alegria nesses dias infelizes que tenho suportado. Você e a Mel me mantém vivo, mesmo que vocês não saibam disso.

Fui surpreendido por um forte abraço vindo de Anthony. Enfiei meu rosto na curva de seu pescoço, inalando seu delicioso e forte perfume amadeirado. Fui mais surpreendido ainda, não apenas pelo abraço, mas pelo que ele disse durante o toque:

- Além da Mel, eu não tinha nada de feliz na minha vida. Então você surgiu, Oli, e agora minha vida é simplesmente muito melhor. Quem deveria estar mesmo agradecendo, era eu e não você. Obrigado por me mostrar, mesmo que sem querer, como ser verdadeiramente feliz. Obrigado por ter surgido na minha vida, Oliver Mitchell.


Notas Finais


Altas revelações nesse final, não é mesmo? Bom, gente, eu planejei uma boa quantidade de capítulos e só quero deixá-los preparados de que esse final não significa que o Anthony está perdidamente apaixonado e já vai agarrar o Oli, ok? Não é por eu não querer, porque eu quero, mas é porque tudo vai acontecer no seu devido momento ♥ Vejo vocês em breve, ou nas minhas outras histórias (pra quem lê ♥) Bjo ♥


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