História Bela Chama (Fallen Reimaginado) - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Fallen
Personagens Ariane Alter, Callie, Cameron Briel, Daniel Grigori, Gabrielle "Gabbe" Givens, Mary Margaret "Molly" Zane, Pennyweather "Penn" Van Syckle-Lockwood, Personagens Originais, Randy, Roland Sparks, Sophia Bliss, Todd Hammond, Trevor
Tags Anjos, Cristianismo, Demonios, Deus, Fallen, Fanfiction, Fantasia, Hot, Mistério, Mitologia Cristã, Reencarnação, Romance Gay, Vidas Passadas
Visualizações 47
Palavras 3.565
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Festa, Ficção, Hentai, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Pois é, povo. Existem situações na vida em que simplesmente não HÁ qualquer saída.
O nosso Luckhart está descobrindo isso da PIOR maneira possível... Mas não deixa de ser um aprendizado, não é mesmo?

Capítulo 13 - Preso


CAPÍTULO 10

 

 

 

 

Luck estava sentado em sua cama, rígido como uma estátua.

Seus olhos estavam fechados, e as pálpebras lutavam contra as lágrimas que ameaçavam escapar pelas extremidades, consequentemente pondo abaixo a barreira arduamente erguida entre o garoto e o seu desespero. Ele respirou fundo, soltando o ar há muito preso. A respiração saiu entrecortada. Algo arranhava a garganta apertada. Engoliu em seco, aguçando os ouvidos. Nada.

Seus pais já haviam ido dormir fazia algumas horas. Doreen veio deixar o seu jantar, sem nada mais dizer além de um apático “boa noite”. Depois ela ainda veio checar se Luck estava dormindo duas vezes. Já Harry passou pela porta do filho como um fantasma – ou, provavelmente, ainda estava enfurnado no escritório.

Luck queria tanto voltar no tempo, descer as escadas e se desculpar com os pais. Queria até nem ter feito aquele showzinho para que o enxotassem. Se tinha algo que odiava mais que a violência sofrida por Ashton e sua corja; era o gelo dos próprios pais. Na maioria das vezes Luck não levava broncas quando fazia algo errado. Era simplesmente ignorado e tratado com frieza. O que era bem pior do que qualquer sermão. Era terrível ser tratado com tamanho desdém.

Justamente por eles, seus pais, aqueles que sofreram tanto e ainda sofriam constantemente com o filho complicado e mentalmente desequilibrado. Como Luckhart odiava – com todas as suas forças – ser um fardo. E odiava ainda mais que seus pais agissem como se ele fosse um – o que, na maior parte do tempo, era inevitável. Não importava o quanto tentassem fingir, todos os três sabiam que a vida seria bem mais fácil se Doreen tivesse usado camisinha depois do show da Lucinda Williams.

E, ás vezes, isso feria Luck mais do que qualquer soco em seu rosto. Ou qualquer corte em seu pulso.

Mas aqueles pensamentos não lhe ajudariam em nada naquele momento – e nem em qualquer outro. O garoto sacudiu a cabeça com força, mandando imagens sangrentas e negras para fora do alcance de sua mente. As lágrimas escaparam dos olhos cerrados, traçando linhas geladas pelo rosto pálido até chegar ao seu queixo. Luck pôs a língua para fora, como uma criança. O gosto salgado explodiu na ponta das papilas gustativas. Ele engoliu em seco.

Não começaria de novo. De novo não. Pois foram justamente pensamentos e ideias como essas que o impulsionaram – lentamente e quase imperceptivelmente – á quase deixar de existir por vontade própria. Ele se lembrava bem da sensação. As dores silenciosas eram as mais perigosas. Como adormecer com os olhos abertos. O que quase o matou foi sutil o bastante para passar despercebido, porém suficientemente rápido para se tornar fatal em questão de dias.

A famigerada depressão. Luck, de certa forma, não sabia o que está fazendo, até que quase foi tarde demais. Ele realmente acreditou, do fundo de seu ser, que aquele é o caminho certo. E, depois, não teria mais volta. Luck não conseguiria parar a si mesmo. Apenas outro alguém pôde. Mais específicamente, o acaso.

O garoto não estava disposto a piorar as coisas. Muito menos depender de outra pessoa. Não. O gosto do que passou era como uma ferida em sua língua. O ferro forte encranhado no paladar, e a sensação da ferida grudada para sempre ao seu cérebro. A morte não tinha um bom sabor. 

O que Luckhart queria, mesmo, era falar toda a Verdade – um termo amplo o bastante para lhe dar calafrios. Era isso o que ansiava. Ele queria fazê-los compreender. Queria pedir ajuda. Por favor. Ou, ao menos, queria poder chorar nos braços dos dois, como uma criança. Sem perguntas ou mais preocupações. Sem precisar dar satisfações. Apenas receber afagos em seus cabelos, beijos quentes em suas bochechas e palavras de conforto para o ajudarem a se manter de pé.

Ah, se Luck fosse bom o bastante para arrancar uma dica de Callie sem alertar os seus sentidos ultra-aguçados. Ele o faria sem hesitar. Tinha certeza de que havia uma solução para tudo aquilo, apenas ele não estava conseguindo enxergá-la. Callie conseguiria sem dúvida.   

Mas Luck sabia muito bem que conseguir a ajuda da amiga sem puxá-la para a enorme pocilga em que estava soterrado era tão surreal quanto a possibilidade de Ashton pedir-lhe desculpas e balançar a bandeira branca. O garoto tinha que encarar logo de uma vez os fatos como eles eram, e parar de fantasiar possibilidades mais agradáveis – e menos hediondas. Estava sozinho, no fim das contas. Talvez até mais do que nunca esteve.

Os problemas forçavam os seus ombros para baixo, tencionando a coluna como o céu devia ter feito com Atlas, ao sustentar o Céu pela eternidade. Luck era tão covarde assim, apenas por desejar um descanso daquilo tudo? Duvidava veemente que o Céu pesasse tudo aquilo. Ele sentia que, a qualquer momento, poderia desabar sobre si mesmo.

Não conseguiria carregar tudo aquilo sozinho. Pelo o menos não por muito tempo.

Luck enterrou o rosto molhado no travesseiro, abafando o urro de frustração reprimida no tecido de malha dupla. Cerrou seus punhos com mais força ainda, sentindo os ossos estralarem no desejo de socar algo. Porra, como ele queria gritar. Fazer um escândalo. Quebrar tudo em seu quarto. Demolir as paredes com uma bola de aço gigante. Queria espancar Ashton, xingar Trevor e estapear Rachel. Queria jogar toda a culpa em cima de alguém. Quem sabe até lançar tudo para o alto e se entregar para a polícia de uma vez.

Roubar o celular de alguém, prestar uma queixa anônima contra Ash e ver o que acontecia depois. Confiar as fotos íntimas de Rachel á delegacia de polícia da cidade, talvez?  

Com um sorriso assassino, Luck pensou em subir até a janela do segundo andar da casa do senador e bater uma pedra na cabeça de Ashton. Se isso não fosse o bastante para matá-lo, arrastaria aquele corpo pesado até a janela e o lançaria para baixo. Desceria com cuidado pelas vinhas da Srta. Davis e, com um bastão de aço, quebraria o bulbo da medula do jogador por via das dúvidas. Quem sabe, caso não se cansasse muito com o processo de carregá-lo de um lado para o outro, Luck não o jogasse num dos lagos de Blue Pines.

O Bright Lake não ficava muito longe da residência dos Davis. Apenas alguns minutos de caminhada. Achariam que foi suicídio. Provavelmente.  

Os olhos do garoto reviraram por traz das pálpebras cerradas, e seu corpo relaxou, como que exausto. Ah, mais uma vez aquelas coisas terríveis lhe passando pela cabeça. Luck os afastou para longe com tanta fervura quanto o fez com os pensamentos suicidas. O desejo cruel e pulsante de tornar aquilo realidade era tão palpável quanto um órgão dentro dele – constantemente alimentado por todos os anos em que fora forçado a aguentar os abusos de Ashton. Mas ele não era um assassino. Muito menos poderia se permitir sequer cogitar levar aquele tipo de pensamento a sério.

Porém, levando em conta a ameaça de Ashton no vestiário – e tudo o que veio antes –, não era de se admirar que o seu cérebro lutasse para ter ao menos uma atitude sobrevivencionalista. Ele não queria por fim a própria vida. E não o queria justamente por desejar viver. Ter alguém como Ashton em sua cola poderia enlouquecê-lo caso o tormento se estendesse por muito tempo.

Fosse de um jeito ou de outro, Luck tinha de derrubá-lo... Mas não no sentido literal.

De qualquer forma, apagar Ashton não seria o bastante. Além de tornar Luck um psicopata insano, iria beneficiar apenas á ele, uma vez que havia outros depravados envolvidos no lance das fotos de Rachel – e quem sabe se haviam outras vítimas. Poderia até sobrar para ela. E havia a possibilidade de que Luckhart fosse considerado um dos suspeitos.

O garoto bufou, exasperado. Levantou a cabeça do travesseiro. Seu rosto estava molhado pelas lágrimas recentes, mas também pela umidade grudada á fronha da noite passada, quando Luck quase transformou o travesseiro numa esponja. Jogou-o para fora da cama, pegando o que estava seco. Esfregou o nariz escorrido com força. Chega de pensar naquilo.    

Luck devia mesmo era se enfiar debaixo das cobertas e checar o conteúdo do celular ali, onde poderia fingir estar dormindo caso fosse pego de surpresa. Porém o seu corpo simplesmente não estava disposto a relaxar, não importando o quanto ele o forçasse a desistir. Ele se sentia feito um boneco de plástico. Coluna ereta, lábios cerrados. O frio parecendo penetrar a sua pele, como se ele fosse oco.

Luck secou o rosto molhado com as costas das mãos, surpreendendo com o quão as lagrimas estavam geladas. Esfregou o catarro e as lágrimas na camisa, respirando fundo. Depois de alguns minutos acalmando-se, ele torceu o pescoço rígido, – que fez um barulho de galho seco sendo quebrado – olhando para as mãos pressionadas sobre as coxas. O garoto definitivamente precisava relaxar. Seus punhos estavam cerrados com tanta força, que as juntas estavam ainda mais pálidas que a pele por cima. Se ele já não tivesse cortado as unhas animalescas, com certeza teria atravessado as palmas das mãos com elas.

Luckhart engoliu em seco, passando a língua pelos lábios ressecados e quase roxos com a brisa constante que entrava no quarto pela janela escancarada. As cortinas leves de linho branco esvoaçavam, como nos filmes de terror. O céu, no entanto, estava estonteante. Fixando o olhar nas estrelas reluzentes, Luck sugou o ar para dentro de si, sentindo os pulmões contraídos arderem com o frio. A pele estava arrepiada. Mas isso o fazia se sentir bem. Ajudava-o a sentir-se ao menos um pouco normal.

Não queria ser observado pelas sombras agora. Nem sentir aquela sensação terrível queimando-lhe de dentro para fora. Apenas a fadiga de uma tediosa noite gelada – onde nada terrível se atreveria em quebrar a canção das cigarras e o murmúrio do sereno contra os tetos triangulares das casas. Para Luck, era bom sentir-se, ao menos por alguns minutos, humano. Afinal ele e seus pais moravam numa cidadezinha intermediária e pequena, perto de uma das costas mais geladas do país.

Nada mais natural do que um clima ameno. Frio. Tão normal. Tão comum.

Ah, como ele sentia falta disso.

Esfregou os cílios com os nós dos dedos, eliminando as gotículas que ainda se prendiam ali, e deixando a sua visão periférica limpa dos borrões de luz que as lágrimas faziam quando iluminadas pela prata da lua.

O muro estava intacto novamente. Luck fungou profundamente e relaxou a espinha, aliviado.

O cerne de todos os problemas descansava entre seus joelhos. A lataria amassada do celular de Ashton reluzia sob a luz suave. A tela negra do aparelho refletia metade da face do garoto, que estava parcialmente iluminada. Parecia um caminho sem volta. Como se, ao abrir a galeria mais uma vez e analisar – com minúcia – as fotos, Luckhart fosse sugado para todo sempre para dentro do negro. Sem a menor possibilidade de retorno.

Mas quem ele queria enganar? Não era mero pedaço do reflexo de seu rosto que estava ali dentro. Todo o seu ser estava. Assim como Rachel.

Antes que mudasse de ideia ou voltasse ao seu ciclo eterno de procrastinação, Luck agarrou o celular e teclou com força na tela para abrir a galeria. As fotos se espalharam pela pasta, como cartas de um baralho, organizadas em fileiras de quadradinhos que mostravam as miniaturas em baixa definição. Desceu com o indicador, clicando numa aleatória.

Rachel encarava algum ponto com o olhar trôpego e vesgo. Os braços finos estavam erguidos acima de sua cabeça, mas pareciam ter sido desamarrados pelo espaço entre os pulsos – que estavam fora do alcance da câmera. As pernas reluziam com a luz do flash, e estavam escancaradas. A base do pênis de alguém penetrava o seu sexo – felizmente a auréola da camisinha era visível perto dos pelos pubianos do ventre masculino. Luck engoliu em seco, sentindo o seu estômago revirar.

Não estava surpreso com o estupro. Mas talvez um pouco com o registro escancarado dele.

Bem, não poderia subtender quem era o sujeito apenas olhando o seu pênis – eis a única coisa que queria fazer. Trincando o maxilar, passou para a próxima imagem. Suas mãos tremendo de puro ódio, e as lágrimas não demoraram a reaparecer, turvando mais uma vez a visão periférica. Luck expirou pela boca profundamente e absorveu a umidade dos olhos. Desceu as pálpebras por alguns segundos, descasando os olhos para horror que ainda estava por vir.

Ele devia ter feito algo deplorável em alguma vida passada para estar passando por aquilo – Rachel que o diga.

Abriu os olhos com cuidado, assustado com o que iria encontrar. Porém não desviou o olhar da tela. Desta vez a líder de torcida estava com as pernas fechadas. Sua vagina estava recolhida entre as coxas, e apenas uma faixa de penugem comportada era visível entre os ossos dos quadris. Ela parecia estar dormindo agora. Seu rosto estava sereno. Luck estremeceu de nojo, incapaz de conter uma careta monstruosa. A ponta da camisinha do sujeito estava cheia de sêmem, e seu pênis parecia murchar lentamente.

Engolindo o fel que crescia em sua garganta, o garoto passou para a próxima. E a próxima.

Foto após fotos, coisas minúsculas pareciam mudar. Era como dissecar frames de um gif sádico, detalhe por detalhe. Mas nada de muito útil se revelava para confirmar – ou contestar – que se tratava de Ashton ali. Quando chegou ao final da pasta, Luck voltou para o começo, analisando o andamento das fotos desde o início, quando o sujeito ainda estava de calças; até começar a descê-la, expondo o volume rígido sob as roupas de baixo – seguindo até a penetração e ejaculação.

Luck apenas parou de zapear quando a barra da cueca incidiu exatamente no centro do flash, reluzindo sobre o tecido em letras prateadas.

Calvin Klein.

E ele não pôde evitar: Suspirou longamente, dominado pelo mais puro alívio – e vergonha. Parte de seu inconsciente tentava encontrar similaridades no sexo do estuprador com o de Trevor, mesmo que isso o fizesse se sentir mais patético – e depravado – ainda. Mas era simplesmente inevitável – bem como inútil. Não que a divergência de cueca provasse algo. Tudo bem que Trevor sempre usava apenas a com estampa do capitão planeta – o que Luck sempre achou algo entre adorável e nojento. Mas se o jogador estivesse envolvido, seria fácil trocá-la.

E ele não estava.

Pare de pensar isso, Luck ordenou á si mesmo com veemência. Seu rosto estava quente como uma fogueira, e vermelho feito um pimentão. Ele respirou fundo, piscando freneticamente os olhos aguados. Estava certo de que todo o estresse que enfrentava já estava de bom tamanho. Não precisava pensar em problemas imaginários para si mesmo, quando nem dar conta dos reais ele conseguia.

Era simples: Baseando-se em fatos, Trevor não poderia estar envolvido. Por que, neste caso, de acordo com as fotos; teria de trocar não apenas a cueca, como suas partes baixas. Quer dizer... Luck não ficava particularmente aficionado pelo pênis do ex-namorado quando tinha a oportunidade de vê-lo sem pudores. Mas também não era estúpido o bastante para não saber distinguir um membro tão íntimo – e de alguém como Trevor – e que durante tanto tempo lhe causou desejo, pavor e vergonha; tudo de uma só vez.

Aquele não era Trevor. E descer as calças de Ashton para comparar as proporções estava fora de cogitação. Então de que valia tudo aquilo?

Ainda com o rosto em chamas, Luck jogou o celular para o lado. Era uma péssima hora para pensar em coisas como aquela. Estava lidando com estupro, chantagem, talvez até violência psicológica... Ou pior. Ele andaria logo com aquilo. Bem, pelo que tinha visto, as fotos eram tão úteis quando uma seção de snuff porn na Deep Web. Apenas delatavam Rachel, o que até já era esperado. Nem Ashton seria tão idiota a ponto de se entregar enquanto fazia algo como aquilo. Não.

Mas também era péssimo.

COMO Luck o acusaria, quando nem certeza de que, de fato, apenas o jogador tinha usado Rachel enquanto ela estava dopada? O garoto não se surpreenderia nem um pouco se descobrisse que o Tom Cruise filho da puta a tinha compartilhado com outros Acéfalos. Mas nem prova disso ele tinha. As fotos eram vagas demais. E em todas elas o sujeito que as tirava – e estuprava – trajava as mesmas roupas. No fim das contas, toda a prova de que Luck dispunha nada mais era que o segmento de um estupro simples, com foco na vítima desacordada.

Apenas Rachel se queimaria caso aquilo fosse divulgado.

Quem sabe até o próprio Luck, por estar de posse daquela atrocidade. Não o confundiriam com o estuprador. Pelo o menos disso ele tinha toda certeza. A diferença entre o garoto e o criminoso não eram latentes não apenas no órgão sexual, como também nas proporções corporais. O estuprador era muito maior que ele – e melhor dotado, havia de se convir. Porém nada impedia que Luckhart fosse um cúmplice. Que estivesse passando as fotos para outros caras. Quem sabe até as comercializando.

O garoto arfou, horrorizado com a possibilidade. E se Ashton estivesse fazendo exatamente aquilo? E se houvesse mais rapazes envolvidos? Mais do que constavam no celular? E como diabos Luck poderia ter qualquer certeza, além de conjecturar possibilidades? Simplesmente não havia como delimitar o território em que estava pisando. Luck estava se equilibrando numa corda bamba, com as mãos atadas e os olhos vendados.

O que nunca foi uma grande novidade, ele sabia bem. Porém ainda sim lhe pareceu altamente aterrador quando se deu conta da falta de provas que dispunha em mãos. E da ira que se derramaria sobre ele quando Ashton notasse a falta do celular – se já não tivesse notado. Luckhart estava cercado por inimigos que não conhecia. Estava sendo perseguido por um bonitão sádico que o odiava com todas as forças – e agora tinha um bom motivo para lhe dar uma boa surra.

Sem armas úteis para usar. E sem qualquer chance de trazer Trevor para o seu lado.

Ainda com uma nesga de esperança, Luck vasculhou as fotos mais uma, duas, três vezes. Nada. Foi até a pasta dos vídeos, mas não havia nenhum arquivo. Era como se Ashton estivesse deletando com minúcia os conteúdos do celular, bem aos poucos. As mensagens picotadas na caixa de mensagens eram um ótimo indício. Talvez ele estivesse transferindo os arquivos pra outro aparelho. Mas por quê? E por qual motivo não passou tudo logo de uma só vez?

Bem, o que Luck podia afirmar com certeza era que, antes de se desfazer do celular, o jogador tinha um plano em mente – este, ele não sabia ao certo. E o interlúdio em sua queima de provas foi a ameaça que ele mesmo arquitetou á Luckhart. A confusão no vestiário não devia ter sido premeditada. Ashton não pensava que o garoto reagiria fisicamente, ou tentaria se defender – ele nunca o tinha feito. Por isso talvez estivesse com o telefone no bolso. Luck não era uma ameaça.

Mas o acaso foi – e como. E por conta dele trocaram o celular. Por conta dele tinham o mesmo maldito modelo.

E agora Luck estava afogado em toda aquela merda.

O jogador acreditaria apenas na palavra do ex-namorado – que o havia chutado há apenas um dia – sem evidências gritantes? O seu amor seria o bastante para que duvidasse do amigo de infância? O único, fora Luck, que conhecia os seus segredos – ou parte deles – tão bem como se fossem os seus? Quer dizer, todo mundo sabia o que Ashton fazia com os nerds – e com o próprio Luck, antes da tentativa de suicídio. Até o próprio Trevor sabia.

Mas seria quase fantástico que aceitasse a progressão de valentão de Ash para estuprador psicopata manipulador – o que era até bem pouco para descrevê-lo.

Luck fechou os olhos, envergando a coluna, agora exausta demais pra suportar o peso que carregava. Jogou-se de costas na cama, por cima dos lençóis, e largou os braços finos ao lado do tronco. Ele estava tremendo. Mas não de frio. Isso era algo com que já tinha se acostumado. Tremia de medo. De puro pavor pelo que estava por vir.

E estava bem claro que não seria bom.

A confirmação definitiva se deu como selada pelo timming perfeito do destino – ou karma. Um pedaço de quartzo reluzente atingiu a janela de Luck, atravessando-a como um raio de luz. Se arrastou pelo assoalho de madeira até parar debaixo da cama de solteiro onde ele estava deitado. O garoto deu um pulo, correndo até o parapeito da janela com o coração pulsando como uma bomba prestes a explodir.

Agarrou a borda da janela como um apoio, pois suas pernas quase fraquejaram.

Ashton Tucker estava do outro lado da rua, levemente camuflado pela luz opaca da lua, que jogava na rua a mesma colocação prateada e morta. Quando Luck se apoiou na janela, o jogador baixou o braço, onde segurava outra pedrinha. Estava casualmente encostado em seu carro – tão caro que o garoto nem sequer sabia o seu nome. Ele sorriu com os lábios cerrados, erguendo o queixo numa saudação amistosa.

Era quase como nos filmes românticos, quando a garota era chamada no meio da noite para uma escapulida com o bad boy gatão. Mas Luckhart não estava em um filme. Muito menos num sonho. Ele estava em sua própria vida. Pior do que qualquer filme tosco dos anos noventa.

E pior que qualquer pesadelo.

 


Notas Finais


E aí começamos a penetrar na catástrofe.
Vem, Sword & Cross.
Estamos prontos para você.
(Esperemos que o Luck também)


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