História Belo Desastre ~ yoonmin - Capítulo 11


Escrita por: ~ e ~Mooniemoon

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Visualizações 249
Palavras 6.961
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Não me matem pelo capítulo e não desistam da fic por favor.
Boa leitura Bolinhos 😘😘

Capítulo 11 - A aposta


Jimin on 



— Definitivamente, ele está encarando você — sussurrou Taehyung, se curvando para dar uma espiada do outro lado da sala. 


— Para de olhar, besta, ele vai ver você.


Taehyung sorriu e acenou.


— Ele já me viu. E ainda está te encarando.


Hesitei por um instante e, por fim, consegui reunir coragem para olhar na direção dele. Parker estava olhando direto para mim, com um largo sorriso no rosto.


Retribuí o sorriso e então fingi que estava digitando algo no laptop.


— Ele ainda está me encarando? — murmurei.


— Sim — ele respondeu, dando risadinhas.


Depois da aula, Parker me parou no corredor.


— Não esquece da festa nesse fim de semana.


— Não vou esquecer — falei, tentando não começar a pestanejar ou fazer algo ridículo do gênero.


Taehyung e eu cruzamos o gramado até o refeitório para encontrar Yoongi e Jungkook para o almoço. Ele ainda estava rindo do comportamento de Parker quando eles se aproximaram.


— Oi, baby — disse Taehyung, beijando o namorado na boca.


— O que é tão engraçado? — Jungkook quis saber.


— Ah, um carinha na aula que ficou encarando o Jimin  durante uma hora. Foi tão fofo!


— Contanto que ele estivesse encarando o Jimin  — disse Jeon, dando uma piscadela para o namorado.


— Quem era? — Yoongi fez uma careta.


Arrumei a mochila nas costas, o que fez com que ele a tirasse dali e a segurasse para mim. Balancei a cabeça.


— O Tae está imaginando coisas.


— Jimin! Seu grandessíssimo mentiroso. Era o Parker Hayes, e ele estava dando muito na cara. Estava praticamente babando.


Yoongi fez uma expressão de nojo.


— Parker Hayes?


Jungkook puxou Taehyung pela mão.


— Vamos almoçar. Vocês vão desfrutar a fina culinária do refeitório essa tarde?


Taehyung beijou-o novamente em resposta, e eu e Yoongi os acompanhamos. Coloquei minha bandeja entre a do Taehyung e a da lisa, mas Yoongi não se sentou no lugar de costume, na minha frente; foi se sentar um pouco mais longe. Foi então que me dei conta de que ele não tinha dito muita coisa durante nossa caminhada até o refeitório.

— Você está bem, Yoonie? — perguntei.

— Eu? Ótimo, por quê? — ele respondeu, aliviando um pouco a expressão no rosto.

— Você está quieto.

Vários jogadores do time de futebol americano se aproximaram da mesa e se sentaram, rindo alto. Yoongi parecia um pouco irritado enquanto revirava a comida no prato. Jackson jogou uma batata frita no prato do Yoongi.


— E aí, Yoongi ? Ouvi dizer que você comeu a Tina Martin. Ela estava falando um monte de você hoje.


— Cala a boca, Jackson — disse Yoongi, sem tirar os olhos da comida.


Eu me inclinei para frente, de forma que o gigante sentado diante do Yoongi pudesse sentir toda a força do meu olhar fulminante.


— Para com isso, Jackson.

Os olhos de Yoongi perfuraram os meus.

— Eu posso me cuidar sozinho, Jimin.

— Desculpa, eu...

— Não quero que você peça desculpas. Não quero que você faça nada — ele retrucou, se afastando bruscamente da mesa e saindo como um raio pela porta.

Lisa olhou para mim com as sobrancelhas arqueadas.


— Nossa! O que foi aquilo?


Enfiei o garfo na batata e bufei.


— Não sei.


Jungkook deu um tapinha nas minhas costas.


— Não foi nada que você fez, jimin.


— Tem umas coisas acontecendo com ele — acrescentou Taehyung.


— Que tipo de coisas? — perguntei.


Jungkook deu de ombros e voltou à atenção para o próprio prato.


— Você já devia saber que é preciso ter paciência e saber perdoar para ser amigo do Yoongi. Ele tem um mundo próprio.


Balancei a cabeça em negativa.


— Esse é o Yoongi que todo mundo vê... não o Yoongi que eu conheço.


Jungkook se inclinou para frente.


— Não tem diferença entre um e outro. Você só tem que seguir a onda.


Depois da aula, fui com Taehyung até o apartamento e vi que a moto do Yoongi não estava lá. Entrei no quarto e me encolhi como uma bola na cama dele, apoiando a cabeça no braço. Ele estava bem aquela manhã. Tínhamos passado tanto tempo juntos, e eu não conseguia acreditar que não havia notado que algo o chateara. E não era só isso — me perturbava o fato de que parecia que Taehyung sabia o que estava acontecendo, e eu não.


Minha respiração se acalmou e senti os olhos pesados; não demorou muito para que eu caísse no sono. Quando acordei, o céu noturno já tinha escurecido a janela. Ouvi vozes abafadas vindo da sala pelo corredor, entre elas o tom grave do Yoongi. Fui sorrateiramente até o corredor e parei quando ouvi meu nome. 


— O Jimin entende, Yoon. Não fique se martirizando — disse Jungkook.


— Vocês já vão juntos na festa de casais. Qual o problema em chamá-lo  pra sair? — Taehyung quis saber.


Meu corpo ficou tenso, e esperei para ouvir a resposta.


— Não quero namorar o Jimin... só quero ficar por perto. Ele é... diferente.


— Diferente como? — perguntou Taehyung, parecendo irritado.


— Ele não atura as minhas merdas, e isso é reconfortante. Você mesmo disse, Tae. Eu não faço o tipo dele. Só não é... assim com a gente.


— Você está mais próximo do tipo dele do que imagina — Taehyung disse.


Recuei fazendo o mínimo de barulho possível e, quando as tábuas do assoalho rangeram sob meus pés descalços, estiquei a mão e fechei a porta do quarto de Yoongi. Então voltei pelo corredor.


— Oi, Jimin — disse Taehyung, com um largo sorriso. — Como foi o cochilo?


— Desmaiei durante cinco horas. Isso está mais próximo de um coma que de um cochilo.


Yoongi ficou me encarando por um instante e, quando sorri para ele, veio direto na minha direção e me puxou pelo corredor até o quarto. Fechou a porta, e senti meu coração bater forte no peito, esperando que ele dissesse algo para esmagar meu ego.


Ele juntou as sobrancelhas e disse:


—Desculpa, Bolinho. Fui um babaca com você hoje.


Relaxei um pouco ao ver o remorso nos olhos dele.


— Eu não sabia que você estava bravo comigo.


— Eu não estava bravo com você. Eu só tenho o péssimo hábito de atacar verbalmente aqueles com quem me importo. É uma desculpa tosca, eu sei, mas eu sinto muito — ele disse e me envolveu em seus braços.


Aninhei o rosto no peito dele e me ajeitei.


— Com o que você estava bravo?


— Nada de importante. A única coisa que me preocupa é você.


Eu me afastei para olhar para ele.


— Consigo lidar com seus acessos de raiva.


Seus olhos ficaram tentando ler a expressão no meu rosto antes de um sorrisinho se espalhar por seus lábios.


— Eu não sei por que você me aguenta, e não sei o que faria se fosse diferente.


Eu podia sentir o cheiro de cigarro e menta em seu hálito e olhei para sua
boca. Meu corpo reagia à nossa proximidade. A expressão no rosto de Yoongi ficou diferente, sua respiração ficou instável... Ele também tinha notado.

Ele se inclinou milimetricamente na minha direção, e ambos demos um pulo quando o celular dele tocou. Yoongi suspirou e tirou o telefone do bolso.


— Alô. O Hoffman Meu Deus... tá bom. Esses mil vão vir fácil, fácil. No Jefferson? — Ele olhou para mim e piscou. — Estaremos lá. — Então desligou e me pegou pela mão. — Vem comigo — e foi me puxando pelo corredor. — Era o Namjoon — ele disse ao Jungkook — O Brady Hoffman estará no Jefferson em uma hora e meia.


Jungkook assentiu e se levantou, pegando o celular do fundo do bolso.
Digitou as informações rapidamente, convidando para a luta os que sabiam do círculo. Aqueles dez membros, mais ou menos, enviaram mensagens a outros dez e assim por diante, até que todos soubessem exatamente onde o ringue estaria.


— Lá vamos nós! — exclamou Taehyung, sorrindo. — É melhor a gente se arrumar.


O ar no apartamento estava tenso e alegre ao mesmo tempo. Yoongi parecia ser o menos afetado, calçando rápido as botas ecolocando uma regata branca como se fosse sair para resolver algo trivial. Taehyung foi comigo pelo corredor até o quarto do Yoongi e franziu a testa.


Vesti uma camiseta colada branca quase transparente e uma calça jeans bem apertada marcando bem minha bunda. Quando aparecemos, Yoongi e Jungkook estavam parados à porta.


Yoongi ficou boquiaberto.


— Ah, não! Você está tentando fazer com que eu seja morto? Você tem que se trocar, Bolinho. 


— O quê? — perguntei, olhando para baixo.

Taehyung levou as mãos ao quadril.


— Ele está uma graça, Yoon ,deixe o menino em paz!


Ele me pegou pela mão e me conduziu pelo corredor.


— Coloque uma camiseta... e uma calça menos apertada. Alguma coisa confortável.


— O quê? Por quê?


— Porque, com essa blusinha aí, vou ficar mais preocupado com quem está olhando pro seu ABS do que com o Hoffman — ele disse, parando na porta.


— Achei que você tinha dito que não ligava a mínima para o que as pessoas achavam.


— A situação é diferente, Bolinho — Yoongi olhou para o meu ABS e depois para mim. — Você não pode usar isso para ir ver a luta, então por favor... só... se troca, por favor — ele gaguejou, me enxotando para dentro do quarto e fechando a porta.


—Yoongi! —gritei. 


Eu continuo com meu  par de All Star Converse nos pés. Depois enfiei a primeira camiseta de algodão que vi pela frente e corri até a sala, parando na entrada do apartamento. 


— Tá melhor? — perguntei, bufando de raiva e puxando o cabelo para trás.


— Agora tá! — Yoongi respondeu aliviado. — Vamos!


Fomos correndo até o estacionamento. Pulei na garupa da moto enquanto ele ligou o motor com tudo e saiu voando pela estrada até a faculdade. Apertei a cintura dele, tamanha era minha expectativa; a correria na hora de sair tinha enviado ondas de adrenalina por minhas veias. Yoongi subiu no meio-fio com a moto e a estacionou na sombra, atrás do Pavilhão Jefferson de Humanas. Pôs os óculos de sol no alto da cabeça e me agarrou pela mão, sorrindo enquanto seguíamos sorrateiramente até a parte de trás do prédio. Paramos ao lado de uma janela aberta perto do nível do chão.

Arregalei os olhos quando me dei conta do que faríamos.


— Você só pode estar brincando!


Yoongi sorriu.


— Essa é a entrada VIP. Você devia ver como o resto do pessoal entra.


Balancei a cabeça enquanto ele enfiava as pernas ali para entrar, sumindo de vista logo depois. Eu me abaixei e o chamei no meio da escuridão.


— Yoongi!


— Aqui embaixo, Bolinho. É só descer, os pés primeiro. Vem, eu te seguro!


— Você está louco se acha que vou pular no escuro!


— Eu te seguro, prometo! Anda logo, vai!

Suspirei, levando a mão à testa.


— Isso é loucura!


Eu me sentei no parapeito da janela e fui indo para frente, até que metade do meu corpo ficou pendurado no escuro. Virei de barriga para baixo e tentei tatear o chão com os dedos dos pés. Esperei que meus pés encostassem na mão do Yoongi, mas perdi a pegada, soltando um gritinho agudo quando caí para trás. Duas mãos me seguraram e ouvi a voz dele no escuro. 


— Você cai que nem menina — ele disse, dando uma risadinha.


Ele me pôs no chão e me puxou ainda mais para a escuridão. Depois de uns doze passos, eu já podia ouvir a gritaria familiar de números e nomes, e uma luz se acendeu. Havia uma lanterna no canto, que iluminava a sala o suficiente para eu conseguir ver o rosto do Yoongi.


— O que estamos fazendo? — perguntei.


— Esperando. O Namjoon tem que fazer o discurso de abertura dele antes de eu entrar.


Fiquei inquieto.

 

— É melhor eu ficar esperando aqui ou entrar? Pra onde eu vou quando a luta começar? Cadê o Kook e o Tae?


— Eles foram pela outra entrada. É só me seguir, não vou deixar você entrar naquele tanque de tubarões sem mim. Fique perto do Namjoon, ele vai impedir que te esmaguem. Não posso cuidar de você e dar socos ao mesmo

tempo.


— Me esmaguem?


— Vai ter mais gente aqui hoje. O Brady Hoffman é da Estadual. Eles têm o Círculo deles lá. Vai ser a nossa galera e a galera deles, então vai ficar uma doideira lá no salão.


— Você está nervoso? — perguntei.


Ele sorriu, baixando o olhar para mim.


— Não. Mas você parece que está um pouco.


— Talvez — admiti.


— Se isso fizer você se sentir melhor, não vou deixar nem ele encostar em mim. Não vou deixar ele me acertar nem uma vez, pra agradar os fãs dele.


— Como vai fazer isso?


Ele deu de ombros.


— Geralmente deixo que eles acertem uma... para parecer justo.


— Você... deixa as pessoas te acertarem?


— Que graça teria se eu só massacrasse o adversário e nunca levasse nenhum soco? Isso não seria bom para os negócios,ninguém apostaria contra mim.


— Que monte de baboseira — falei, cruzando os braços.


Yoongi ergueu uma sobrancelha. 


— Você acha que estou te zoando?


— Acho difícil acreditar que você só leva um golpe quando deixa.


— Quer fazer uma aposta, Park Jimin? — ele me perguntou sorrindo, com um brilho nos olhos.


Sorri de volta.


— Quero. Aposto que ele acerta um soco em você.

 

— E se ele não acertar? O que é que eu ganho? — ele me perguntou.


Dei de ombros enquanto a gritaria do outro lado da parede se transformava num rugido. Namjoon cumprimentou a multidão ali reunida e depois repassou as regras.


A boca de Yoongi se abriu em um largo sorriso.


—Se você ganhar, fico sem sexo durante um mês. — Ergui uma sobrancelha e ele sorriu de novo. — Mas, se eu ganhar, você tem que passar um mês comigo.


— O quê? Já estou ficando lá de qualquer forma! Que tipo de aposta é essa? — perguntei, gritando em meio ao ruído.


— Eles consertaram as caldeiras do Morgan hoje — disse Yoongi, com um sorriso e uma piscadinha.


Um riso sem graça aliviou minha expressão quando Namjoon chamou Yoongi.


— Qualquer coisa é válida para tentar ver você em abstinência, pra variar.


Yoongi me deu um beijo no rosto e foi andando, com um porte orgulhoso.
Fui atrás dele e, quando passamos para a sala seguinte, fiquei assustado com a quantidade de gente reunida naquele espaço pequeno. Só havia lugar em pé, e os empurrões e a gritaria aumentaram quando entramos. Yoongi assentiu na minha direção, e Namjoon pôs a mão no meu ombro e me puxou para seu lado.


Eu me inclinei para falar ao ouvido dele:


— Duas no Yoongi. 


Namjoon ergueu as sobrancelhas quando me viu puxar duas notas de cem do bolso. Ele estendeu a palma e bati com as notas na mão dele.


— Você não é a Poliano que achei que fosse — ele falou, me olhando de cima a baixo.


Brady era pelo menos uma cabeça mais alto que Yoongi, e engoli em seco quando os vi em pé, prontos para o combate, Brady era enorme, tinha duas vezes o tamanho de Yoongi e era só músculos. Eu não conseguia ver a expressão no rosto de Yoongi, mas era óbvio que Brady estava ali para derramar sangue.


Namjoon aproximou os lábios de minha orelha e disse:


— Acho que você vai querer tampar os ouvidos, menino.


Coloquei as mãos em concha, uma em cada ouvido, e ele sinalizou o começo da luta com o megafone. Em vez de atacar, Yoongi deu uns passos para trás. Brady desferiu um golpe, do qual ele se esquivou indo para a direita. O adversário atacou de novo, e Yoongi abaixou a cabeça, desviando para o outro lado.


— Que merda é essa?! Isso não é uma luta de boxe, Yoongi! — Namjoon gritou.


Yoongi deu um soco no nariz de Brady. O barulho no porão era ensurdecedor. Yoongi acertou um gancho de esquerda no maxilar do adversário, e levei as mãos à boca quando este tentou acertar mais alguns socos, mas todos atingiram o ar Brady caiu de encontro a seu séquito quando Yoongi lhe deu uma cotovelada no rosto. Achei que a luta estava quase terminando, porém Brady voltou a lançar golpes, mas parecia que ele não conseguia mais manter o ritmo.Ambos estavam cobertos de suor, e tive um sobressalto quando Brady errou mais um soco, batendo forte a mão em uma pilastra de cimento. Quando ele se curvou segurando o punho cerrado, Yoongi partiu para o ataque final. Ele foi implacável, acertando primeiro o rosto de Brady com o joelho, depois golpeando-o com os punhos cerrados repetidas vezes, até o adversário cambalear e cair. O barulho foi às alturas quando Namjoon saiu do meu lado para jogar o quadrado vermelho sobre o rosto ensanguentado de Brady. Yoongi sumiu entre os fãs, e pressionei as costas na parede, tateando o caminho até chegar à entrada por onde tínhamos vindo. Chegar onde estava a lanterna foi um alívio imenso. Eu estava aflito, com medo de ser nocauteado e pisoteado. Meus olhos focaram a entrada, e fiquei esperando que a multidão dispersasse. Depois de vários minutos sem sinal de yoongi, eu me preparei para refazer os passos até a janela. Com o número de pessoas que tentavam sair ao mesmo tempo, não era muito seguro ficar andando por ali.

Assim que pisei na escuridão, ouvi o som de pegadas esmagando o concreto solto no chão. Yoongi estava em pânico procurando por mim.


— Bolinho!


— Estou aqui! — gritei, correndo para os braços dele.


Yoongi baixou o olhar e franziu a testa.


— Você me matou de susto! Quase tive que começar outra luta só pra vir te pegar... Eu finalmente chego aqui e você não estava!


— Que bom que você voltou. Eu não estava lá muito ansioso para achar a saída no escuro.


Sem mais nenhum traço de preocupação no rosto, Yoongi abriu um sorriso.


— Acho que você perdeu a aposta.

Namjoon entrou pisando duro, olhou para mim e depois encarou Yoongi.


— Precisamos conversar.


Yoongi deu uma piscadinha para mim.


— Não saia daí. Eu já volto.


E sumiram no escuro. Namjoon ergueu a voz algumas vezes, mas não consegui entender o que ele estava dizendo. Yoongi voltou, enfiando uma bolada de dinheiro no bolso, e me deu um meio sorriso.


— Você vai precisar de mais roupas.


— Você realmente vai me fazer ficar no seu apartamento durante um mês?


— Você teria me feito ficar sem sexo por um mês?


Eu ri, sabendo que teria feito isso.


— É melhor darmos uma parada no Morgan.


Ele abriu um sorriso de alegria.


— Isso vai ser interessante.


Namjoon passou pela gente e bateu com as notas do meu lucro na palma da minha mão, depois se juntou à turma, que se dissipava.


Yoongi ergueu a sobrancelha.


— Você apostou dinheiro?


Sorri e dei de ombros.


— Achei que devia ter a experiência completa.


Ele me levou até a janela e se arrastou por ela, então se virou para me ajudar a subir e sair no ar refrescante da noite. Os grilos cantavam nas sombras, parando apenas o suficiente para passarmos. A grama preta que cobria a beirada da calçada oscilava com a brisa suave, me fazendo lembrar o som do oceano quando não se está perto o bastante para ouvir o barulho das ondas se quebrando. Não estava muito quente nem muito frio; era a noite perfeita.


— E aí? Por que diabos você quer que eu fique no seu apartamento? — perguntei.


Yoongi deu de ombros, enfiando as mãos nos bolsos.


— Não sei. Tudo fica melhor quando você está por perto.


Os arrepios que senti por causa do que ele falou logo se foram quando avistei as manchas vermelhas que cobriam sua camiseta.


— Credo! Você está coberto de sangue.


Yoongi olhou para baixo com indiferença e então abriu a porta, fazendo um gesto para eu entrar. Passei rapidamente por Momo, que estudava na cama, cercada por livros.


— As caldeiras foram consertadas hoje de manhã — ela disse.


— Fiquei sabendo — falei, esvaziando meu armário.


— Oi — Yoongi a cumprimentou.


Ela torceu o nariz enquanto o analisava, suado e ensanguentado.


— Yoongi, essa é a minha colega de quarto, Momo. Momo, esse é Min Yoongi.


— Prazer — ela respondeu, ajeitando os óculos, depois olhou para minhas malas. — Você está se mudando daqui?


— Não. Perdi uma aposta.


Yoongi caiu na gargalhada, segurando as malas.


— Está pronto?


— Estou. Como vou levar tudo isso para o seu apartamento? Estamos de moto.


Yoongi sorriu e pegou o celular. Foi levando minha bagagem para a rua e, minutos depois, o Charger vintage preto do Jungkook estacionou.


A janela do lado do passageiro foi descendo e Taehyung enfiou a cabeça para fora.


— Oi, meu lindo!


— Oi. As caldeiras estão funcionando de novo no Morgan. Mesmo assim você vai ficar no apartamento do kook?


Ele deu uma piscadinha.


— É, pensei em ficar lá essa noite. Ouvi dizer que você perdeu uma aposta.


Antes que eu pudesse falar alguma coisa, Yoongi fechou o porta-malas e kook acelerou, com Taehyung soltando gritinhos enquanto caía de volta dentro do carro.


Fomos andando até a Harley do Yoongi, que esperou que eu me ajeitasse no banco. Quando coloquei os braços em volta dele, ele apoiou sua mão na minha.


— Fiquei feliz porque você estava lá hoje à noite, bolinho. Nunca me diverti tanto numa luta em toda a minha vida!


Apoiei o queixo no ombro dele e sorri.


— É porque você estava tentando ganhar a nossa aposta.


Ele se virou para me olhar de frente.


— Pode crer, estava mesmo!


Não havia expressão alguma de diversão em seus olhos. Ele estava sério e queria que eu visse isso.


De repente, ergui as sobrancelhas.


— Era por isso que você estava com aquele tremendo mal humor hoje? Porque sabia que tinham consertado as caldeiras e que eu iria embora hoje à noite?


Yoongi não respondeu, apenas sorriu enquanto dava partida na moto. A viagem até o apartamento foi lenta, de um jeito que não lhe era característico. A cada sinal vermelho, ele cobria minhas mãos com as dele ou colocava a mão no meu joelho. Os limites estavam ficando tênues de novo, e eu me perguntava como passaríamos um mês juntos sem arruinar tudo. As pontas soltas da nossa amizade estavam se enrolando de um jeito que eu nunca tinha imaginado.

Quando chegamos ao estacionamento do prédio, o Charger do Jungkook estava parado no local de costume.


Desci da moto e parei na frente dos degraus.


— Odeio quando os dois já estão em casa faz um tempinho. Sinto como se a gente fosse interrompê-los.


— Pode se acostumar. Este lugar vai ser seu durante as próximas quatro semanas — Yoongi sorriu e se virou de costas para mim. — Sobe aí.


— O quê? — sorri.


— Vamos, vou carregar você até lá em cima.

Dei uma risadinha e pulei nas costas dele, entrelaçando os dedos em seu peito enquanto ele subia as escadas correndo. Taehyung abriu a porta antes de chegarmos lá em cima e sorriu


— Olhe só pra vocês dois. Se eu não soubesse...


— Para com isso, Tae — disse Jungkook do sofá.


Taehyung sorriu como se tivesse falado demais e abriu mais a porta para que pudéssemos passar. Yoongi tombou na cadeira reclinável. Soltei um gritinho agudo quando ele se apoiou em cima de mim.


— Você está tão alegre hoje, Yoon. Que foi? — Taehyung quis saber.


Eu me inclinei para frente para ver o rosto dele. Nunca o tinha visto tão contente antes.

 

— Acabei de ganhar uma bolada de dinheiro, Tae. O dobro do que achei que tiraria nessa luta. Por que eu não estaria feliz?


Taehyung abriu um largo sorriso.


— Não, é alguma outra coisa — falou, olhando para a mão de Yoongi enquanto ele dava uns tapinhas na minha perna.


Ele estava certo: ele parecia diferente. Havia uma aura de paz em volta dele, quase como se uma profunda satisfação tivesse tomado conta de sua alma.


— Tae — Jungkook chamou atenção.


— Tudo bem, vou falar de outra coisa. O Parker não te convidou para ir à festa da Sig Tau nesse fim de semana, Jimin?


O sorriso de Yoongi desapareceu e ele se virou para mim, esperando a resposta.


— Hum... convidou. Mas não vamos todos nós?


— Eu vou — disse Jungkook, distraído com a televisão.


— O que quer dizer que eu também vou — falou Taehyung, olhando para Yoongi com ar de expectativa. Ele me encarou por um instante, depois me cutucou de leve na perna com o cotovelo.


— Ele vem te buscar ou algo assim?


— Não, ele só me falou da festa.


Taehyung abriu um sorriso quase zombeteiro. 


— Mas ele disse que ia te encontrar lá. Ele é uma gracinha.


Yoongi olhou irritado para Taehyung, depois voltou a olhar para mim.


— Você vai?


— Falei pra ele que iria — dei de ombros. — Você vai?


— Vou — disse ele sem hesitar.


Foi então que a atenção de Jungkook se voltou para Yoongi.


— Você disse na semana passada que não ia a essa festa.


— Mudei de ideia, kook. Qual é o problema?


— Nada não — ele resmungou, indo para o quarto.


Taehyung franziu a testa para Yoongi.


— Você sabe qual é o problema — disse ele. — Por que você não para de deixá-lo maluco e resolve isso logo?


Ele foi se juntar a Jungkook no quarto, e as vozes dos dois foram reduzidas a murmúrios atrás da porta fechada.


— Bom, fico feliz que todo mundo, menos eu, saiba qual é o problema — falei.


Yoongi se levantou.


— Vou tomar uma ducha.


— Tem alguma coisa acontecendo com eles? — eu quis saber


— Não, ele só é paranoico.


— É por causa de nós dois — adivinhei.


Os olhos de Yoongi ganharam um brilho e ele assentiu.


— Que foi? — perguntei, olhando para ele com ar de suspeita.


— Você está certo. É por causa de nós dois. Não vá dormir, tá? Quero conversar com você sobre uma coisa.


Ele deu uns passos para trás e então sumiu atrás da porta do banheiro. Eu torcia o cabelo em volta do dedo, refletindo sobre a forma como ele tinha enfatizado as palavras “nós dois”, além da expressão em seu rosto quando disse isso. Eu me perguntava se já haviam existido limites algum dia, e se eu era o único que ainda considerava minha relação com Yoongi só de amizade.


Jungkook saiu do quarto como um raio, e Taehyung foi correndo atrás dele.


— kookie, não! — ele suplicou.


Ele olhou para trás, para a porta do banheiro, e depois para mim. A voz dele estava baixa, mas com raiva.


— Você me prometeu, Jimin. Quando te falei para ter paciência e saber perdoar, não quis dizer que era para vocês dois se envolverem! Achei que vocês fossem apenas amigos!


— Mas nós somos! — falei, abalado com o ataque surpresa.


— Não são, não! — ele exclamou, furioso.


Taehyung pôs a mão no ombro dele.


— Baby, eu disse que vai ficar tudo bem.


Ele se soltou dele.


— Por que você está forçando a situação, Tae? Eu já falei pra você o que vai acontecer!


Ele segurou o rosto do kook nas mãos.


— E eu falei que não vai ser assim! Você não confia em mim?


Jungkook suspirou, olhou para ele, para mim, depois entrou no quarto pisando duro.


Taehyung tombou na cadeira reclinável ao meu lado e bufou.


— Eu não consigo enfiar na cabeça dele que não importa se você e o Yoongi vão dar certo juntos ou não, isso não vai afetar a gente. Mas ele já se deu mal muitas vezes e não acredita em mim.


— Do que você está falando, Tae? Eu e o Yoongi não estamos juntos. Somos apenas amigos. Você ouviu o que ele disse... que não tem interesse em mim desse jeito.


— Você ouviu isso?


— Bom, ouvi.


— E acreditou?


Dei de ombros.


— Não importa. Nunca vai rolar nada entre a gente. Ele me disse que não me vê desse jeito. Além disso, ele morre de medo de se comprometer, seria impossível arrumar um amigo além de você com quem ele não tenha dormido, e também não consigo lidar com as mudanças de humor dele. Não acredito que o kookie acha que vai acontecer alguma coisa.


— É que ele não só conhece o Yoongi... como conversou com o Yoongi, Jimin.


— O que você quer dizer?


— Tae — Jungkook chamou lá do quarto.


Taehyung soltou um suspiro.


— Você é meu melhor amigo. Acho que te conheço melhor do que você mesmo às vezes. Quando vejo vocês dois juntos, a única diferença entre o relacionamento de vocês e o meu com o kook é que você e o Yoongi não estão transando. Fora isso, não tem diferença nenhuma.


— Tem uma diferença enorme, colossal, Tae. O kook traz uma garota diferente pra casa toda noite? Você vai a uma festa amanhã para se encontrar com um cara que tem grande potencial para ser seu namorado? Você sabe que não posso me envolver com o Yoongi, Tae. Não sei nem por que estamos discutindo esse assunto.


A expressão no rosto dele era de decepção.


— Não estou imaginando coisas, Jimin. Você passou quase todos os segundos com ele no último mês. Admita, você sente algo por ele.


— Deixa quieto, Tae — disse Yoongi, apertando com força a toalha enrolada em volta da cintura.


Tanto Taehyung quanto eu demos um pulo ao ouvir a voz de yoongi. Quando nossos olhares se encontraram, pude ver que toda aquela sua felicidade tinha ido embora. Ele atravessou o corredor sem falar mais nem uma palavra, e Taehyung olhou para mim com tristeza.


— Acho que você está cometendo um erro — ele sussurrou. — Você não precisa ir àquela festa para conhecer um cara. Tem um que é louco por você bem aqui — ele disse e me deixou sozinho.


Fiquei balançando na cadeira reclinável e repassei na minha cabeça tudo que tinha acontecido na última semana. Jungkook estava com raiva de mim, Taehyung estava decepcionado comigo, e Yoongi... passou de estar mais feliz do que nunca a tão ofendido que ficou sem palavras. Nervoso demais para ir me deitar na cama ao lado dele, fiquei olhando para o relógio enquanto os minutos se arrastavam. Tinha se passado uma hora quando Yoongi saiu do quarto e cruzou o
corredor. Quando entrou na sala, eu esperava que ele fosse me chamar para ir me deitar, mas ele estava vestido e com a chave da moto na mão. Os óculos de sol escondiam seus olhos, e ele colocou um cigarro na boca antes de segurar a maçaneta da porta.


— Vai sair? — perguntei, erguendo meio corpo na cadeira. — Aonde você vai?


— Sair — disse ele, puxando a porta com força para abri-la e depois batendo-a atrás de si.


Tombei de volta na cadeira reclinável e soltei o ar preso. De alguma forma eu tinha me tornado o vilão, e não fazia a mínima ideia de como havia conseguido essa façanha. Quando o relógio acima da televisão marcou duas da manhã, me conformei em ir para a cama. O colchão era um lugar solitário sem Yoongi, e a ideia de ligar para o celular dele se insinuava em minha mente. Eu tinha quase caído no sono quando ele parou a moto no estacionamento. Duas portas de carro se fecharam logo depois, e então ouvi vários pés subindo as escadas. Yoongi ficou mexendo na fechadura por uns instantes e logo a porta se abriu. Ele deu risada e falou algo que não entendi. Então ouvi não uma voz feminina, mas duas. As risadinhas delas foram interrompidas pelo distinto som de beijos e gemidos. Meu coração afundou no peito e, na hora, fiquei com raiva por me sentir daquele jeito. O gritinho agudo de uma das garotas fez com que meus olhos se fechassem com tudo, e depois tenho certeza de que o som era dos três caindo no sofá. Cheguei a pensar em pedir que Taehyung me emprestasse a chave do carro, mas a porta do quarto de Jungkook ficava em uma linha de visão direta para o sofá, e eu não aguentaria ver as imagens que acompanhavam os ruídos naquela sala de estar Enterrei a cabeça debaixo do travesseiro e fechei os olhos quando a porta se abriu de repente. Yoongi atravessou o quarto, abriu a gaveta de cima da mesa de cabeceira, pegou algo no pote de camisinhas e voltou pelo
corredor meio rápido. As garotas ficaram dando risadinhas pelo que pareceu uma meia hora, depois veio o silêncio. Segundos mais tarde, gemidos, gritos e sussurros encheram o apartamento. Parecia que um filme pornô estava sendo gravado na sala de estar. Cobri o rosto com as mãos e balancei a cabeça. Quaisquer limites que tivessem ficado obscuros ou sumido na semana passada agora eram substituídos por uma parede impenetrável de pedra. Deixei de lado minhas ridículas emoções, forçando-me a relaxar. O Yoongi era o Yoongi, e nós dois éramos, sem sombra de dúvida, apenas amigos. Os gritos e outros ruídos nojentos foram ficando mais baixos até cessar por completo depois de uma hora, seguidos de lamúrias e murmúrios descontentes das mulheres quando foram dispensadas. Yoongi tomou banho e caiu na cama, de costas para mim. Mesmo depois do banho, o cheiro que vinha dele indicava que tinha bebido uísque o suficiente para sedar um cavalo, e fiquei furioso por ele ter dirigido naquele estado até o apartamento. Eu ainda não conseguia dormir, nem depois que a estranheza da situação e a raiva foram diminuindo. Quando a respiração de yoongi ficou profunda e uniforme, me sentei e olhei para o relógio. O sol nasceria em menos de uma hora. Sai de debaixo das cobertas, atravessei o corredor e peguei uma manta no armário. A única prova do ménage à três de Yoongi eram duas embalagens vazias de camisinha que estavam no chão. Pisei nelas e me joguei na cadeira reclinável. Fechei os olhos. Quando os abri de novo, Taehyung e Jungkook estavam sentados no sofá, em silêncio, vendo televisão sem som. O sol iluminava o apartamento, e me contorci quando senti as costas reclamarem de qualquer tentativa de movimento.

Taehyung voltou rapidamente a atenção para mim.


— Jimin ? — ele veio correndo para o meu lado.


Ele me olhava preocupado. Estava esperando raiva, lágrimas ou alguma outra explosão emocional da minha parte.


Jungkook parecia desolado.


— Sinto muito pela noite passada, Jimin. A culpa é minha.


Eu sorri.


— Está tudo bem, kook. Não precisa se desculpar.


Taehyung e Jungkook trocaram olhares de relance, e então ele me segurou pela mão.


— O Yoongi foi até o mercado. Ele... argh, não vem ao caso como ele está.Arrumei suas malas e vou te levar até o dormitório antes que ele chegue, para você nem ter que lidar com a presença dele. 


Foi só naquele instante que tive vontade de chorar — eu tinha sido
expulso dali. Fiz um grande esforço para que minha voz saísse tranquila antes de falar:


— Dá tempo de tomar um banho?


Taehyung balançou a cabeça em negativa.


— Vamos embora, Jimin. Não quero que você tenha que ver o Yoongi de novo. Ele não merece...


A porta se abriu com tudo e Yoongi entrou, cheio de sacolas. Foi direto para a cozinha e começou a colocar latas e caixas nos armários.


— Quando o bolinho acordar, vocês me avisam, tá? — ele disse, baixinho.


— Eu trouxe espaguete, panquecas e morangos, além daquele treco de aveia com chocolate. E ele gosta do cereal Fruity Pebbles, não é, Tae? — ele perguntou e se virou.


Quando me viu, ficou paralisado. Depois de uma pausa sem graça, sua expressão se derreteu. Sua voz estava doce e suave.


— Oi, Bolinho.


Eu não teria ficado mais confuso se tivesse acordado num país estrangeiro. Nada fazia sentido. Primeiro achei que estava sendo expulso, agora Yoongi chegava em casa com sacolas cheias das minhas comidas prediletas. Ele deu alguns passos e entrou na sala de estar, nervoso, enfiando as mãos nos bolsos.


— Está com fome, bolinho? Vou preparar umas panquecas. Ou tem... hum... aveia. Também trouxe pra você aquela espuma cor-de-rosa que você usa pra se depilar, além de um secador de cabelos, e um... um... só um segundo — disse ele, correndo até o quarto.


Quando voltou, ele estava pálido. Inspirou fundo e as sobrancelhas se encolheram.


— Suas malas estão feitas.


— Eu sei — falei.


— Você está indo embora — ele disse, derrotado.


Olhei para Taehyung, que o encarava com raiva, como se pudesse matá-lo com o olhar.


— Você esperava mesmo que ele fosse ficar aqui?


— Baby — Jungkook sussurrou.

— Não começa, kook. Nem se atreva a defender esse cara na minha frente — disse Taehyung, furioso


Yoongi parecia desesperado.


— Desculpa, bolinho. Não sei nem o que dizer


— Vamos, Jimin — disse Taehyung.


Ele se levantou e me puxou pelo braço. 


Yoongi deu um passo na minha direção, mas Taehyung apontou o dedo para ele e disse:


— Que Deus me ajude, Yoongi Se você tentar impedir o Jimin  de ir embora, vou encher você de gasolina e botar fogo enquanto você estiver dormindo!


— Taehyung — disse Jungkook, soando um pouco desesperado.


Eu podia ver que ele estava dividido entre o primo e o homem que amava, e me senti muito mal por ele. Aquela situação era exatamente o que ele tinha tentado evitar o tempo todo.


— Estou bem — falei, exasperado pela tensão na sala.


— O que você quer dizer com “estou bem”? — Jungkook me perguntou, num tom de quase esperança.


Revirei os olhos.


— O Yoongi trouxe umas mulheres pra casa ontem à noite, e daí?


Taehyung  parecia preocupado.


— Tudo bem, Jimin . Você está me dizendo que está de boa com o que aconteceu?


Olhei para eles.


— O Yoongi pode trazer pra casa quem ele quiser. O apartamento é dele.


Taehyung me encarava como se eu tivesse enlouquecido, Jungkook estava quase abrindo um sorriso, e Yoongi parecia pior do que antes. 


— Você não fez suas malas? — ele quis saber.


Fiz que não com a cabeça e olhei para o relógio: já passava das duas horas da tarde.


— Não, e agora vou ter que tirar tudo delas. Ainda tenho que comer, tomar banho, me vestir... — falei, enquanto entrava no banheiro.


Assim que fechei a porta, me apoiei nela e fui deslizando até o chão. Eu tinha certeza de que havia irritado o Taehyung de um jeito irreparável, mas tinha feito uma promessa ao Jungkook e pretendia manter minha palavra.

Ouvi um som baixinho de alguém batendo na porta.


— Bolinho? — disse Yoongi.


— O quê? — falei, tentando soar normal.


— Você vai ficar?


— Eu posso ir embora se você quiser, mas aposta é aposta.


A porta vibrou com o som baixo e oco da testa dele batendo do outro lado.


— Não quero que você vá embora, mas não te culparia se você fosse.


— Você está me dizendo que estou liberado da aposta?


Seguiu-se uma longa pausa.


— Se eu disser que sim, você vai embora?


— Bem, vou. Eu não moro aqui, seu bobo — falei, forçando um sorrisinho.


— Então não, a aposta ainda está valendo.


Olhei para cima e balancei a cabeça, sentindo as lágrimas arderem nos olhos. Eu não fazia ideia do motivo pelo qual estava chorando, mas não conseguia parar.


— Posso tomar um banho agora?


— Pode — ele suspirou.


Ouvi o som dos sapatos de Taehyung pisando duro no corredor e parando perto de Yoongi.


— Você é um canalha egoísta! — ele grunhiu, batendo a porta do quarto de Jungkook  com força depois de entrar.


Eu me forcei a me levantar do chão, abri o chuveiro e tirei a roupa, puxando a cortina do boxe.Depois de bater mais uma vez na porta, Yoongi pigarreou e disse:


— Bolinho? Trouxe algumas coisas suas.


— É só colocar aí na pia que eu pego.

Ele entrou no banheiro e fechou a porta.


— Eu fiquei louco de raiva. Ouvi você falando pro Taehyung tudo que havia de errado comigo e isso me emputeceu. Eu só queria sair, tomar umas e pensar, mas, antes que me desse conta, eu estava pra lá de bêbado, e aquelas garotas... — ele fez uma pausa. — Acordei hoje de manhã e você não estava na cama, e quando te vi na cadeira reclinável e as embalagens de camisinha no chão, eu fiquei com nojo.


— Você podia ter me perguntado, em vez de gastar todo aquele dinheiro no mercado só para tentar me fazer ficar.


— Não ligo para o dinheiro, bolinho. Fiquei com medo de você ir embora e nunca mais falar comigo.


Eu me encolhi ao ouvir a explicação dele. Não tinha parado para pensar em como ele se sentiria me ouvindo falar de como ele era errado para mim, e agora a situação tinha chegado a um ponto complicado demais para consertar.


— Eu não queria magoar você — falei, debaixo do chuveiro.


— Sei que você não queria. E não importa o que eu diga agora, porque ferrei com tudo... como sempre faço.


—Yoonie?


— O quê?


— Não dirija mais bêbado daquele jeito, tá?


Esperei um minuto até que, por fim, ele respirou fundo e respondeu


— Tá bom — e fechou a porta ao sair


Notas Finais


Podem xingar o Yoongi eu deixo. Kkk
Comentem o que vcs acharam do capítulo. Obrigado pelos 60 favoritos e não me abandonem a fic ainda vai ter altas revelações. 😂😂
Até o próximo capítulo 😘❤❤😘😘


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