História Best Friend - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Tags Snsd, Taeny
Exibições 352
Palavras 3.540
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Fluffy, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi gente!
Eu sei que vou levar uns bons tapas e quem sabe depois dessa eu não morro, não é mesmo? Mas amo vocês tá? Especialmente você, Seobang! Karen e Annenha, amo vocês too então não me matem, pfv!

Sem mais comentários...

Leiam <3

Capítulo 13 - It Hurts...


Taeyeon:

 

                Eu estava voltando da casa da Juni, fiquei um tempo lá pra me aliviar do estresse, da preocupação e do medo de que algo acontecesse com Tiffany. Eu estava com um péssimo pressentimento e por muitas vezes Juniel me chamou a atenção por estar perdida nos meus próprios pensamentos e ignorando completamente o que ela me dizia. Ela me perguntou o que estava acontecendo e o que estava me deixando tão preocupada, até mesmo os pais dela me perguntaram isso, mas eu não poderia contar, não era sobre mim e eu não tinha o menor dos direitos de expor algo sobre Tiffany sem o seu consentimento. Acabou que a Juni disse que era melhor eu ir pra casa e tentar relaxar, talvez até dormir. Resolvi acatar seu pedido e vim embora.

 

                Naquele exato momento eu já estava me aproximando de casa, pensando em como ela poderia estar, se Nichkhun fez algo, se ele aceitou o fato de que vai ter um filho com a pessoa que eu amo, ou se tudo havia ido por água abaixo, quando eu vi uma certa pessoa andando apressadamente, ela parecia tão longe daqui e tão irritada. Então ela atravessou a rua sem olhar pros lados, um carro estava vindo exatamente nesse momento.

 

- TIFFANY! – gritei enquanto inutilmente tentava chegar antes que o carro a acertasse em cheio.

 

                O carro até tentou frear, mas não deu tempo. Tudo o que eu vi foi Tiffany batendo contra o parabrisa do carro e rolando até encontrar o chão, o homem desceu do carro e pôs as mãos sobre a cabeça enquanto andava de um lado pro outro, logo várias pessoas se aglomeraram ali frente ao carro. Minhas pernas doíam pela rapidez que eu estava correndo, eu estava consideravelmente longe de tudo e precisei usar toda a minha força pra correr tudo aquilo, meus olhos ardiam, meu coração estava acelerado e apertado. Quando finalmente cheguei perto das pessoas, as empurrei sem me importar com as reclamações vindas de algumas delas, até chegar ao centro do pequeno círculo ali formado.

 

                Eu não tenho como explicar a dor que eu senti ao ver Tiffany desacordada no chão. Me sentei no chão e comecei desesperadamente a chamar por ela, mas nada. Ela não falava nada. Sua testa estava sangrando, seus braços tinham alguns arranhões, porém aquilo não era o que mais me apavorava. Não chegava nem perto disso.

 

- Tiffany, pelo o amor de Deus, fala comigo, por favor! – continuei gritando enquanto dava alguns tapinhas em seu rosto. Foi quando olhei pro resto de seu corpo e vi que o vestido que ela usava estava sujo de sangue entre suas pernas. – Não, não, não... NÃO! ALGUÉM CHAME UMA AMBULÂNCIA! RÁPIDO! É URGENTE! – me desesperei ainda mais e logo várias pessoas começaram a se movimentar, talvez fossem ligar para um hospital pedindo uma ambulância, mas eu estava a ponto de precisar de uma também, meu corpo tremia demais, meu coração doía e me sentia tonta.

 

                Depois de quase 40min uma ambulância finalmente chegou. Os paramédicos a colocaram sobre uma espécie de maca dura, acredito que aquilo era para imobilizar a coluna dela, colocaram um colar cervical também para evitar que o mesmo se movesse, logo dois homens suspenderam a prancha longa para imobilização de sua coluna e a colocaram sobre uma maca de verdade. A amarraram sobre a mesma e contaram de um até três e suspenderam a maca, a colocando dentro da ambulância.

 

- Ok, temos apenas uma vaga dentro da ambulância e precisamos que alguém vá conosco para dar os dados da paciente. Quem se voluntaria? – a enfermeira disse.

 

- Eu quem a atropelou, então eu acho que-----

 

- Eu vou. – falei.

 

- Mas----

 

- Eu a conheço desde que me entendo por gente, eu tenho esse direito. – falei desesperada.

 

- Okay, tudo bem. – o homem disse. – Eu vou no meu carro.

 

- Pois bem, vamos. – a enfermeira disse e nós duas entramos dentro da unidade.

 

                Eu automaticamente segurei a mão de Tiffany como se eu precisasse daquele contato pra me acalmar, eu estava chorando ao ponto de soluçar enquanto observava a mulher colocar alguns absorventes e gazes entre as pernas de Tiffany, afim de estancar o sangramento. Não estava sangrando tanto, mas ainda assim era preocupante. A mulher me fez algumas perguntas que eu me esforcei ao máximo pra responder adequadamente e então ela me perguntou algo que me deixou desesperada.

 

- A senhorita Hwang é virgem? – ela perguntou e eu neguei com a cabeça. – Existe alguma suspeita de gravidez?

 

- Sim. – respondi e a mulher suspirou pesado.

 

- Eu sinto muito. – ela disse.

 

- Como assim? Ela não... – não precisei terminar de falar pra entender o que ela queria dizer. – Que merda!

 

                Ao chegarmos ao hospital, Tiffany foi automaticamente encaminhada à ala de emergência e eu por ser menor de idade não pude ser muito útil, então tive que ligar pra minha mãe e chamá-la até o hospital local. Ela imediatamente veio e ficou responsável por todas as despesas que fossem necessárias, logo após todos os procedimentos terem sidos sanados, minha mãe veio me perguntar o que realmente havia acontecido e eu tive que contar toda a história, desde o dia em que ela havia feito sexo com Nichkhun sem proteção até o dia do acidente. Minha mãe estava tão apavorada quanto eu e eu até pude ver um certo olhar de pena vindo dela pra mim quando eu falava sobre o bebê de Tiffany. Pedi total sigilo pra minha mãe e que ela falasse apenas sobre o acidente pro pai dela, Tiffany sofreria bastante com esses problemas e se o pai dela soubesse que Tiffany iria ter um bebê tudo iria piorar. Depois de um tempo, o médico que havia ficado responsável por Tiffany apareceu, eu e minha mãe imediatamente nos levantamos.

 

- E então? Como ela está? – perguntei completamente ansiosa.

 

- Agora ela está em um quarto descansando. Ela está bem, o corpo dela não sofreu tanto com o acidente, mas como você já deve saber o bebê não suportou o impacto... – o médico suspirou profundamente. – Houve um sangramento vaginal, o bebê não fazia movimento algum e não haviam batimentos cardíacos também. Fizemos a remoção do feto e a curetagem----

 

- O que é isso? – perguntei exasperada.

 

- É a raspagem do útero, onde tiramos qualquer coisa que possa ter ficado do aborto, como a placenta e alguns fluídos que restaram da gestação. Uma limpeza, entende? – ele perguntou e eu assenti. – Bom, a gestação dela de qualquer maneira seria de risco, por “n” motivos. – o médico suspirou mais uma vez.

 

- Pode nos explicar, senhor? – minha mãe perguntou.

 

- Bom, a senhorita Hwang sofre de anorexia, certo? – assentimos. – O corpo dela precisaria do dobro de nutrientes para sustentar tanto o corpo dela, quanto do bebê, fora que ela tem apenas 16 anos, o corpo dela, por mais que esteja em forma, poderia não aguentar segurar a gravidez e acabar perdendo o bebê quando a gestação já estivesse mais avançada, a doença dela também ajudaria muito a obter um aborto espontâneo. As chances dessa gravidez correr bem teriam sido mínimas caso ela tivesse continuado. – o médico disse e nós suspiramos pesado.

 

- Tudo bem, muito obrigada, senhor. – minha mãe disse e o médico assentiu, logo se afastando. – Tae, não se preocupe, Tiffany vai ficar bem.

 

- É um pouco difícil ficar bem quando eu não posso ver ela com os meus próprios olhos, mãe. – falei abraçando o corpo de minha mãe. – Eu vi tudo aquilo acontecer, mãe. Foi horrível. Eu preferia que acontecesse comigo do que com ela, eu faria tudo pra ter conseguido chegar a tempo. – suspirei e minha mãe ficou apenas me consolando enquanto eu voltava a chorar.

 

                Quase uma hora depois, Tiffany acordou e chamou por mim. Uma enfermeira me levou até o quarto dela e eu abri a porta com cuidado. A cena que eu vi foi a mais triste que eu já presenciei em toda a minha vida. Tiffany estava sentada na cama, em sua testa havia um curativo em formato quadricular e ela estava chorando, em silêncio, mas seus soluços eram audíveis e ela estava abraçando algo, eu não consegui ver o que era, mas quando ela pôs sobre suas pernas e começou a acariciar com suas mãos pude ver que era uma roupinha de bebê, me doeu tanto ver aquilo. Me aproximei dela e a abracei, segundo depois o choro dela se tornou alto e doloroso, minhas lágrimas voltaram a correr pelos meus olhos e eu me sentia inútil ali.

 

- Por que, TaeTae? – ela falou chorando. – Por que só acontece coisa ruim minha vida?

 

- Eu não sei, meu amor...eu não sei. – suspirei pesado, tentando controlar minha voz.

 

- Nichkhun deve estar feliz a essas alturas. – ela disse, sua voz transparecia sua raiva.

 

- Como assim, meu bem? – me afastei um pouco e tentei limpar as lágrimas dela.

 

- Ele queria que eu fizesse aquilo, TaeTae. – ela disse e voltou a chorar ainda mais pesado. – Eu não queria. Eu queria ter meu bebê, queria poder ver o rostinho dele ou dela, queria poder amamentar, queria ter que passar noites e mais noites acordada fazendo a cólica passar, queria poder ver os primeiros passos, ver o primeiro dentinho nascer, ouvir ele me chamar de mamãe...Eu queria poder ter sido mãe. Isso dói tanto... – ela voltou a chorar como se estivesse sentindo uma dor muito forte e eu acreditava que estava sentindo uma parte dela, já que meu coração doía como se alguém estivesse apertando ele com uma força absurda.

 

                Eu fiquei ali, abraçada a ela por alguns minutos e quando ela finalmente havia se acalmado, ouvimos batidas na porta e a mesma ser aberta. Olhei por curiosidade e não tenho como explicar a raiva que eu senti ao vê-lo ali com a maior cara lavada.

 

- Saia já daqui. – Tiffany falou entredentes enquanto novas lágrimas se formavam em seus olhos.

 

- Tiff, eu sinto mui---

 

- VOCÊ NÃO SENTE E NEM TEM QUE SENTIR NADA! TENHO CERTEZA QUE ESTÁ FELIZ POR SABER QUE NÃO VAI TER QUE ASSUMIR NENHUM FILHO E NEM VAI PRECISAR ARCAR COM RESPONSABILIDADES QUE, OBVIAMENTE, “AQUELA COISA” TRARIA PRA SUA VIDINHA DE MERDA. – Tiffany gritou.

 

                Eu nunca tinha visto Tiffany com tanta raiva antes, aquilo de certa forma me assustou, me fazendo afastar dela. Nichkhun ainda estava parado na porta do quarto, segurando um buquê de flores, então ele entrou e fechou a porta, colocou o buquê sobre o sofá e olhou pra mim furioso.

 

- Pode nos dar licença? – ele disse, eu estava ainda em estado de choque com a raiva que Tiffany expôs, por isso apenas abri e fechei minha boca inúmeras vezes.

 

- Ela não vai sair daqui. – Tiffany disse. – Eu não vou ficar mais nenhum segundo sozinha com você.

 

- O QUE VOCÊ QUERIA QUE EU FIZESSE? EU NÃO ESTAVA E NÃO ESTOU PRONTO PRA SER PAI! – ele gritou.

 

- E VOCÊ ACHA QUE EU ESTAVA, SEU EGOÍSTA? – Tiffany também gritou. – VOCÊ NÃO IA SOFRER METADE DO QUE EU IRIA SOFRER. EU IRIA SER JULGADA TANTO NA ESCOLA, QUANTO NA RUA, IRIA SER REJEITADA PELO MEU PRÓPRIO PAI, IRIA SER FORÇADA A CASAR COM VOCÊ, DIFICILMENTE IRIA ARRUMAR UM EMPREGO DECENTE POR NÃO TER UMA FORMAÇÃO E SERIA COMPLETAMENTE INFELIZ AO SEU LADO! – Tiffany listou enquanto seu choro se tornava mais forte e então ela subitamente parou de falar, sua voz sendo substituída por seus soluços altos e agoniantes. – E mesmo com tudo isso, mesmo com toda essa dificuldade que eu teria de passar, eu ainda queria ter meu filho. E você? O que você iria ter de enfrentar? Um corte de mesada? Ser forçado a trabalhar na empresa do seu pai? Ser forçado a casar comigo? Ficar sem o carro? É realmente algo muito complicado pra se enfrentar sozinho, não é mesmo? – Tiffany riu soprado, ironizando. – Você pensou só em você mesmo e me pediu pra fazer algo que é considerado um crime aqui, e você me vem com a desculpa de que não estava pronto pra ser pai? Por favor, né?

 

- Eu lhe disse que daqui a alguns meses eu vou entrar pra uma faculdade e tudo poderia ir por água a baixo caso soubessem da existência dessa coisa. – Nichkhun falou tentando controlar o seu tom de voz. Tiffany o olhou incrédula e tirou o anel de compromisso que eles usavam de seu dedo.

 

- Sabe, eu não fiz essa “coisa” sozinha. – fez aspas. – Na hora do prazer você não estava ligando pra nada, só foder mesmo, né? Mas bastou as coisas apertarem um pouco pro seu lado que você mostrou o quão filho da puta você consegue ser. – jogou o anel de compromisso na direção dele, que bateu em seu peitoral e caiu ao chão. Nichkhun olhou frustrado pro objeto caído e seus olhos encontraram os de Tiffany.

 

- Você está...terminando comigo? – ele perguntou pausadamente.

 

- Sério que você está me perguntando isso? – Tiffany riu. – Eu acho que tenho motivos o suficiente pra não querer te ver nunca mais na minha vida e espero de verdade que você suma de vez a partir de hoje. – ela disse num tom gélido.

 

- Quer saber? Eu nunca amei você. Se eu gostava de beijar você? Sim, eu gostava. Se eu gostava de transar com você? É, você era boazinha na cama, mas já tive transas melhores. – ele disse com um grande descaso e isso só estava ajudando a minha raiva crescer. Tiffany apertou minha mão e eu olhei pra ela, ela chorava silenciosamente e todos sabemos que o choro silencioso sempre é o que mostra o quão magoado podemos estar. – Ah, e mais uma coisa... – ele pegou o buquê e o jogou no lixo. – Eu realmente estou muito satisfeito em saber que aquela desgraça não irá nascer pra acabar com a minha vida.

 

                Em um curto espaço de tempo me vi voando em cima dele, distribuindo socos em seu rosto. Ele ainda estava um pouco atordoado por não esperar tal atitude vinda de mim, mas ao que ele retomou seus movimentos ele me empurrou no chão e deu alguns socos no meu rosto. Eu estava com tanta raiva que nem ao menos ouvi quando Tiffany gritou por socorro apertando um botãozinho ao lado da cama. Logo a porta do quarto fora aberta e Nichkhun fora puxado de cima de mim, sendo segurado por dois seguranças.

 

- Você me paga, sapatãozinha de merda! – ela grunhiu olhando pra mim.

 

- Estarei esperando deitada. – sorri desafiadora.

 

- Ora, sua-----

 

- Opa, opa, opa! Melhor você abaixar sua bola aí, rapazinho. Caso não queira ir parar na delegacia. – um dos seguranças disse.

 

- Nós já estamos fazendo demais em não lhe levar agora mesmo pra delegacia. – o outro disse. – Levaríamos caso a mocinha aqui não tivesse feito um estrago no seu rosto. Os policiais iriam rir de você quando soubessem que levou uma surra de uma adolescente em completa desvantagem, fisicamente falando. – o homem riu, levando o outro segurança também rir.

 

- Vamos logo, saia daqui e deixe as duas em paz. – o homem disse empurrando Nichkhun pra fora do quarto.

 

- TÁ, TÁ! ME SOLTA! – Nichkhun gritou. – Eu já vou. – bufou e os homens o soltaram. Ele olhou na minha direção, que já estava me levantando do chão, e na direção de Tiffany, só então indo embora.

 

                Caminhei até a poltrona que havia ao lado da cama de Tiffany e me sentei nela. Toquei o canto de minha boca levemente e o senti arder e latejar ao toque.

 

- Desgraçado. – resmunguei.

 

- Alguém pode por favor trazer uma maleta de primeiros socorros para o quarto 496? – Tiffany falou com a voz fraca. Ela se endireitou na cama e suspirou, ela não me olhava e tinha as mãos fechadas em punhos sobre as pernas. Depois de quase dois minutos em silêncio, uma enfermeira entrou no quarto e ela iria cuidar dos meus machucados, mas Tiffany interviu. – Não, não. Não é necessário, deixa que eu mesmo cuido dela.

 

- Mas esse é o meu trabalho, senhorita. – a enfermeira disse.

 

- Por favor, eu quero me sentir útil pelo menos uma vez. – Tiffany pediu com um sorriso mínimo em seus lábios, a enfermeira me olhou e eu assenti com a cabeça.

 

- Tudo bem, qualquer coisa podem chamar. – a enfermeira disse, entregando a maleta para Tiffany antes de se retirar do quarto.

 

                Tiffany abriu a maleta e pegou um vidrinho, leu o rótulo e derramou um pouco sobre o pedaço de algodão que ela já havia pegado. Com certa lentidão e cuidado, ela se sentou na borda da cama que ela estava e se virou de frente pra mim, mas fez uma careta ao ver que não era o suficiente. Voltou a se sentar na direção anterior e dobrou as pernas parcialmente sobre a cama, olhou pra mim e bateu a mão sobre o espaço livre à sua frente. Sem falar absolutamente nada, me levantei e sentei de frente pra ela, ela segurou meu queixo com seus dedos da mão livre e começou a colocar delicadamente o algodão sobre a maçã esquerda de meu rosto, mas parecia que estava era abrindo ainda mais o corte.

 

- Ai... – resmunguei. – Ai, ai, ai, ai, Fany-ah! – choraminguei.

 

- Para de resmungar. – ela disse e eu parei. – Você não deveria ter feito aquilo. – ela suspirou.

 

- E eu deveria deixar ele dizer tudo aquilo com você e ficar apenas assistindo? Claro que não. – suspirei.

 

- Você pelo menos estaria inteira e sem nenhum machucado. – ela tentou me olhar com severidade, mas seu olhar estava triste demais pra isso.

 

- Do que adiantaria eu sair inteira fisicamente se você não está inteira sentimentalmente? – perguntei e aquilo a pegou de surpresa, seu olhar vacilou, seus movimentos pararam, mas logo ela voltou a cuidar dos meus ferimentos.

 

                Pegou outro algodão e o molhou com aquele líquido, que eu vi no rótulo ser água oxigenada, e começar a colocar o algodão agora sobre a minha sobrancelha, estava doendo, mas nada doía mais do que aquela expressão triste dela. Ela não merecia passar por tudo isso. Fiquei apenas observando seu olhar concentrado em cuidar do ferimento em minha sobrancelha e logo abaixar o mesmo, sua mão segurou a minha e começou a limpar a mesma, os ossinhos do final de meus dedos estavam com leves cortes e muito vermelhos, provavelmente iriam ficar roxos.

 

                Ela fez o mesmo na outra mão e descartou aquele algodão, logo pegando um cotonete, o molhou na água oxigenada e segurou meu queixo, ela aproximou seu rosto do meu e naquele instante eu me vi nervosa, eu estava apavorada, minhas mãos começaram a tremer, até que ela começou a limpar o corte em minha boca com aquele cotonete. Eu sentia a dor, era quase insuportável, mas minha expressão se negava a mudar, eu continuava imóvel. Alguns segundos se passaram, que mais pareceram ser uma eternidade cada um, e ela se afastou um pouco.

 

- Prontinho, agora só falta colocar os curativos. – ela disse me dando um sorriso fechado.

 

- C-claro. – sorri nervosa.

 

                Ela colocou todos os curativos e suspirou pesado.

 

- Obrigada, TaeTae. – ela disse.

 

- Eu não fiz nada, ele merecia aquilo há muito tempo... – dei de ombros.

 

- Não é por isso. – ela disse e olhou em meus olhos, minha expressão era confusa. – Obrigada por estar comigo. – ela disse e seus olhos se encheram de lágrimas, a abracei e afaguei seus cabelos.

 

- Eu já lhe disse que você estar sempre com você. Você não lembra de quando éramos crianças? No dia que prometemos ser melhores amigas pra sempre, nós juramos uma a outra que nunca nos abandonaríamos, mesmo se eu comesse todo o seu sorvete preferido sem sua permissão. – falei num ar nostálgico e ela riu. Me senti muito bem ao ouvir sua risada.

 

- Eu amo você. – ela disse antes de dar um beijo delicado em minha bochecha e repousar sua cabeça em meu ombro.

 

- Eu também amo você. – falei numa seriedade maior do que a necessária.

 

- Meninas? – ouvimos a voz de minha mãe. – Desculpe atrapalhar o momento de vocês, mas temos que--- Oh, meu Deus! O que aconteceu com você, Tae? – minha mãe perguntou assustada.

 

- Ah, nada não, omma. Não se preocupe. – sorri e ela sussurrou um “Depois conversamos”.

 

- Enfim, o médico disse que você já pode voltar pra casa, Tiffany. – minha mãe acariciou o rosto de Tiffany e sorriu. – Você vai precisar de repouso por, no mínimo, dois dias, então por esse motivo eu já falei com seu pai e disse que você vai passar uma semana lá em casa, só pra fazer companhia pra Tae, não falei nada sobre acidente, nem nada.

 

- Muito obrigada, Omoni. – Tiffany sorriu fraco. – Eu realmente não quero que meu pai saiba de nada, não quero que ele se preocupe. – ela disse e minha mãe assentiu.

 

                Depois de um tempo, fomos pra casa e Tiffany não quis comer, apenas pediu pra dormir comigo, eu sabia que ela estava precisando de mim, por isso não hesitei em atender seu pedido. Dormimos abraçadas e por diversas vezes durante a madrugada acordei apenas para consolá-la. Odiava ter que vê-la assim, mas iria permanecer ao seu lado. Eu sei que é difícil, mas vamos passar por isso juntas.


Notas Finais


Tiau... *correndo para as colinas*


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