História Between Two Worlds - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Assassin's Creed
Personagens Ratonhnhaké:ton "Connor"
Visualizações 5
Palavras 1.109
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Um Menino Letrado


Somente quando o inverno chegou tive a oportunidade de me aproximar de Ratonhnhaké:ton. Os ursos hibernavam e assim como os pássaros, os cervos haviam migrado para lugares mais quentes, onde encontrariam grama verde para comer. Sendo assim, as caçadas quase não aconteciam e não haveria muitas penas disponíveis para ele pegar entre os galhos das árvores.

Nesses meses que se sucederam, ele completou mais um ano de vida. Geralmente havia alguma comemoração para celebrar a vida da criança que crescia com saúde. Mas não no dele, visto que eram os pais a fazerem isso. Eu mesma não iria saber se não fosse por Kanen'tó:kon. Eu o procurava sempre que queria saber de Ratonhnhaké:ton.

“Então ele não ficou triste por ninguém comemorar seu aniversário?” – eu mantinha meus olhos na palha que eu entrelaçava pouco a pouco enquanto Kanen'tó:kon parecia confuso em começar a fazer o mesmo.

“Para ele foi um dia igual aos outros.”

A palha seca se partiu entre seus dedos e ele suspirou frustrado. Demoraria alguns anos até eu perceber que minha admiração por Ratonhnhaké:ton não era isolada e algo particular. Mesmo que de uma maneira pouco gentil, o menino demonstrou seus talentos ainda muito precocemente. Aprendendo a caçar, lutar, escalar entre outras coisas, como se houvesse múltiplos talentos naturais em uma só criança. Em minha vida eu nunca mais encontraria um prodígio como ele.

Com o tempo eu não seria a única a perceber isso. Logo os outros meninos de sua idade sentiram-se em posição de competir com Ratonhnhaké:ton. Quando todos alcançassem a idade de homens, ele seria o melhor guerreiro de nossa aldeia e na minha opinião, também seria o mais bonito. Uma disputa desleal em suas proporções. Contudo, para a satisfação de muitos deles, Ratonhnhaké:ton não estaria ali por muito tempo. Mas ainda há mais a ser contado até lá.

“Eu não acho isso justo.” – me ergui da esteira e Kanen'tó:kon me observou curioso. – “Eu mesma irei dizer que estamos todos orgulhosos por ele crescer forte e com saúde.”

Deixei um pequeno entrelaçado de palha no colo do garoto e parti da cabana para a neve. Era difícil andar com toda aquela pele de urso em volta dos meus pés, mas era melhor do que ter meus pés congelados. Nas pernas eu usava a pelagem de um cervo e no tronco uma manta do mesmo urso que um dia foi dono dos pelos que aqueciam os meus pés. Fui até a cabana da Mãe do Clã, era aonde ele vivia agora, e ao entrar no local o encontrei sentado em um canto solitário.

O local estava aquecido graças à fogueira que ardia no centro da cabana de madeira. Aproximei-me silenciosamente e ele só me percebeu quando sentei ao seu lado. Sua expressão era a mesma de sempre, neutra. Eu, por outro lado, sorri confiante e repeti as palavras que eram comumente ditas a nós em nossos aniversários.

“Estamos muito felizes em ver você crescendo forte e com saúde.”

Tentei soar o mais adulta possível e por isso dei alguns tapinhas leves em seu braço esquerdo. Seu olhar se alternou entre os meus olhos e minha mão em seu braço. Somente após alguns instantes dissimulando o que estava acontecendo que ele me respondeu.

“Obrigado.”

Então ele voltou sua atenção à atividade que fazia antes. Em seu colo havia algo similar a um caderno ou livro. A capa era de couro e em sua mão uma pena fazia alguns desenhos estranhos a mim na época.

“O que está fazendo?”

“Estou estudando.”

“Estudando? Estudando o quê?”

“Inglês.”

Debrucei-me sobre o caderno e olhei os detalhes daquela língua estranha antes de encará-lo novamente.

“Por que está estudando isso?”

Ratonhnhaké:ton virou-se de costas para mim, mas eu não desisti e me aproximei mais dele. Com uma pena em seus dedos, ele continuou a escrever naquele padrão esquisito de letras e eu permaneci observando em silêncio. Não sei quanto tempo ele passava ali, recluso em seus estudos, mas percebi que era muito tempo. Vi ali a oportunidade que eu procurava por semanas.

“Ensina-me?”

Lembro-me de como ele me encarou espantado, seus lábios estavam levemente separados enquanto seus olhos piscavamem plena descrença.

“Essas são palavras dos homens brancos não?”

Sua feição se abrandou antes dele menear positivamente a cabeça, seus olhos permaneciam confusos quanto á minha proposta.

“Você sabe falar como eles?”

“Minha mãe me ensinava todos os dias.”

Eu senti a tristeza em sua voz e vi novamente aquele olhar distante e firme. As feridas ainda estavam frescas e doídas demais. Minhas mãos suavam e me senti desconfortável pela primeira vez na vida. Fui incapaz de ser sensível com os sobreviventes do grande incêndio no dia do funeral, mas lá estava eu, experimentando o sentimento da compaixão.

“Se me ensinar, então poderá praticar comigo. Poucos em nossa aldeia conhecem as palavras dos homens brancos.”

Ele virou algumas páginas do caderno até chegar a uma que continha desenhos grandes do que eu viria a descobrir serem letras do idioma comum. Desta vez ele se ajeitou e ficou sentado do meu lado, deixando o material de seus estudos metade sobre meu colo e metade no colo dele. Ratonhnhaké:ton estava compartilhando algo comigo.

Foi quando ouvi a voz de Kanen'tó:kon que se aproximava de nós dois com sua típica animação infantil.

“Também quero aprender e estudar com vocês.”

Rolei meus olhos e cruzei os braços. Eu estava furiosa. O que deveria ser um momento só meu e de Ratonhnhaké:ton tornou-se uma aula para terceiros. Terceiros que falavam pelos cotovelos. O garotinho sentou-se entre nós dois e essa é a minha lembrança mais antiga de sentir raiva. Eu queria argumentar, porém não sabia como fazer isso na época. Éramos apenas três crianças e ainda que eu soubesse falar como sei hoje, eles dificilmente entenderiam.

Foi assim que eu e Ratonhnhaké:ton começamos nossa conturbada relação. A partir daquele dia nos reunimos diariamente para aprender as letras e sons de inglês. Ratonhnhaké:ton se mostrou ser um bom professor quando repetia pacientemente às coisas à Kanen'tó:kon. Também passamos a ir para a fronteira juntos, eu estudava enquanto os dois caçavam. Melhor dizendo, enquanto Ratonhnhaké:ton também ensinava essa prática ao seu amigo com menos habilidade.

Eu tinha aulas com a minha mãe sobre como cozinhar, colher e trançar cedo e a tarde ia  para fora dos muros de madeira, brincávamos juntos e estudávamos juntos. Observei por anos os dois meninos subirem em árvores, prepararem armadilhas e flechas enquanto eu passei a carregar os cadernos e livros que eram de Kaniehtí:io no passado. E a noite eu aprendia a ficar mais bonita usando tintas e penas. Essa foi a minha rotina por alguns anos. Alguns dos melhores de minha vida.



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