História Beyond (Malec) - Capítulo 4


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Categorias Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Clary Fairchild (Clary Fray), Hodge Starkweather, Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Jocelyn Fairchild, Magnus Bane, Personagens Originais, Raphael Santiago, Simon Lewis, Valentim Morgenstern
Tags As Peças Infernais, Clace, Dama Da Meia-noite, Malec, Os Instrumentos Mortais, Romance Histórico, Sizzy
Visualizações 373
Palavras 4.794
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eu sei que muita gente está esperando Armor, mas como eu demorei quase duas semanas antes com Beyond, resolvi adiantar mais um capítulo dela! E não galerinha, não vai demorar para atualizar Armor, não agora em que estamos quase no fim. Embora isso não queira dizer que faltem poucos capítulos, só que a primeira parte da história tá chegando ao fim mesmo kjkjkjkjkjkkkkkjkj (cada k é uma lágrima e cada j é um soluço).

Bom, vamos para este capítulo, né non?

Músicas:

— Julia Brennan, Inner Demons
— Don't Forget Aboute Me, Cloves
— Waves, Dean Lewis
— A Little Party Never Killed Nobody (All We Got), Fergie feat. Q-Tip & GoonRock
— Lana Del Rey, Young and Beautiful
— Coco O. of Quadron, Where The Wind Blows (The Great Gatsby OST)
— The xx,Together
— Gotye, Hearts A Mess (The Great Gatsby)
— Nero, Into The Past
— Filter, Happy Together
— I Know You Care, Ellie Goulding
— Find Me, Sigma
— I'm Not Her, Julia Brennan
— War Of Hearts, Ruelle
— Salvation, Gabrielle Aplin

Como podem ver escutei a playlist de The Great Gatsby (um dos meus livros e filmes preferidos da história da humanidade) quase inteirinha. E tem duas músicas delas que são especiais para o próximo capítulo. É VAI TER OS BANG LOUCO BISHÃO!

Aproveitem.

Notas finais.

Capítulo 4 - Til The Heart Stops Beating


Fanfic / Fanfiction Beyond (Malec) - Capítulo 4 - Til The Heart Stops Beating

IV

ᘜ τiℓ τнє нєαrτ sτσρs вєατiทg​ ​ᘝ

 

Amor, esperança, medo, fé — isso faz a humanidade;

Esses são seu sinal, registro e caráter.

— Robert Browning, "̶P̶a̶r̶a̶c̶e̶l̶s̶u̶s̶ "

 

Na quarta-feira em que Eleanor se descobrira apaixonada por seu melhor amigo de infância, choveu pela primeira vez em meses na pequena New Ritter. A chuva chegou de repente, levando árvores para longe e deixando os cavalos agitados no estábulo. Em poucos minutos, ela correra para debaixo do telhado com Alec em seu encalço. Ele tinha os cabelos molhados e colados à face, ela lembrava-se bem. Seus ombros largos estavam à mostra pela transparência da camisa branca e as mãos esguias espalmavam-se na madeira da varanda enquanto ele encarava a força com a qual a grama balançava. Fazia tempo demais não viam um temporal como aquele. No entanto, foi quando Alec percebeu que Eleanor tremia e a envolveu em seus braços para que rendessem calor, que tudo mudou.

A combinação de Alec — lindo aos recém vinte anos completados — com o aroma frio da chuva foi fatal para o coração de uma garota tão jovem. Uma garotinha que, após anos sem o pai, encontrava conforto em tudo aquilo que permanecia. E Alec era permanente, alguém fora de sua família que ainda estava ali após os anos se passarem. Ao toque suave de Alec e o sorriso brilhante — um sorriso tão tímido quanto o seu rosto formado —, Eleanor recostou-se ao corpo mais alto e aceitou para si mesma que o amava. Que o beijo que trocaram na infância, um breve selinho sem precedentes, significara mais para ela do que era capaz de raciocinar naquela época. E talvez tenha sido por isso que, quatro anos depois, ela tenha aceitado tão depressa a proposta de casamento quando era tão visível o descontentamento de Alec.

Eleanor deixou-se sair das memórias para bufar frustrada. A porta estava emperrada, embora não trancada. E Alec parecia ter desaparecido. Seus saltos baixos talharam sons profundos no piso enquanto, com as mãos enluvadas, tentava girar a maçaneta. Esta, teimosa, apenas movia-se sem causar nenhuma diferença no pedaço de madeira.

— Alec? — ela chamou novamente. Não havia nenhum barulho vindo de dentro da saleta, mas era um dos lugares onde mais se tinha livros naquela casa e Eleanor sabia, orgulhosa de si, que ler era um dos passatempos preferidos de Alec. — Você está aí?

Suas mãos escorregaram da maçaneta e ela estava quase desistindo quando, de repente, ouvi um som horrendo e a figura de Alec diante dela com fios caindo sobre os olhos. Ele sorriu sem mostrar os dentes, dando passagem para que esta entrasse com ele. Eleanor sorriu, virando-se para observar ao redor e foi quando notou ao canto, com um copo de uísque e pernas cruzadas, Magnus batucando os dedos no couro de uma poltrona escura. Ganhando uma coloração vermelha nas bochechas por imaginar que Magnus a havia visto encarar Alec como uma garotinha apaixonada — o que ela era —, Eleanor abaixou a cabeça em um leve comprimento.

— Olá, querida — disse Magnus ao mesmo tempo em que rodava o copo com o líquido marrom e o erguia aos lábios. — A reunião lá fora já terminou?

Enquanto Eleanor se preparava para responder Magnus, Alec, disfarçadamente, arrumou a própria roupa e esticou o tapete com a ponta do sapato. Magnus ainda estava sem casaco, mas Eleanor não pareceu notar. Ela levou as mãos até a barriga, colocando-as sobre e balançando o pescoço para que os fios de cabelo parassem de incomodá-la.

— Senhora Lightwood se retirou para tomar conta dos últimos preparativos do baile — disse ela.

Alec não conseguiu deixar de comparar Magnus à filha. Eleanor, alta e esguia, tinha um tom de pele amorenado mais claro que o do comandante. Ela possuía um sorriso fácil e palavras macias sempre que falava. No entanto, era aos toques nada sutis e voz pesada de Magnus que Alec se entregava. Era pelo perfume dele que sentia-se anestesiado. E era pela maneira em que conectaram-se naquele terraço que estava pecando.

Eleanor não era nada parecida com o pai. E Alec desejou voltar-se para o momento em que tinha certeza de que ele não era digno de pena. Quantas vezes não a ouviu chorar por ele? Por histórias de ninar que ela lembrava-se mas tinha medo de nunca mais escutar vindas dela? Alec sabia, também, que Magnus fora um marido infiel no início do casamento. Isto porque, ao ir à cozinha após uma tarde treinando arco e flecha, escutara Marlowe conversando em voz baixa com outra criada da casa. Magnus Bane ao menos havia pisado naquela cidade antes da madrugada anterior, mas já era motivo de fofocas entre os moradores. Então, como mesmo sabendo de tudo isso, Alec deixou-se cair pelos encantos sujos daquele homem?

Eleanor não merecia aquilo. E ele também não.

Magnus tardou mais de dois minutos para responder a filha, porque seus olhos estavam focados em Alec. Que, assim que o encarou de volta, perdera boa parte do brilho que tinha nas íris ao beijar Magnus no chão daquela saleta. Ele não olhou Magnus o suficiente para que fosse desvendado.

— Nós vamos ficar por aqui esta noite — foi o que Magnus disse a Eleanor, mas sua voz parecia soar em direção a Alec. — Minha irmã pretende que nos preparemos na ala de hóspedes antes do baile.

— Por quê? — Eleanor não falara com Magnus durante a manhã, no entanto parecia cada vez mais disposta a ceder. Mas, ao mesmo tempo, chamá-lo de pai era, ainda, uma tarefa que ela não estava disposta a traçar. — Moramos ao lado, não demoraríamos em voltar.

— Pensei que gostaria de ficar mais um pouco com o seu noivo — disse Magnus após golear o uísque profundamente. — Além disso, eu aprendi quando era jovem a nunca contestar as decisões de uma mulher. Principalmente quando esta é Catarina.

Anos atrás, Magnus era um jovem que não prestava. Um jovem que adotara uma pequena menina escrava como alguém de sua família. Um jovem que partira corações e nunca tivera o seu partido. E o que havia mudado do passado para o presente? Magnus estava maduro, viúvo e tinha filhos. Mas, ao mesmo tempo, sentia-se como um garoto conhecendo a luxúria pela primeira vez. E por isso não surpreendeu-se quando ao Eleanor se virar para sentar-se, lambera os lábios lentamente ao observar a forma como Alec mexia os quadris caminhando até a janela. Alec percebeu a ação e sentiu suas bochechas corarem. Eleanor não conseguia ver, entretida com a paisagem do lado de fora, o quanto o clima ficara quente de uma hora para outra.

Alec assistiu ao que Magnus deslizava a palma de sua mão pelo próprio abdome coberto, passando os dedos por cada parte do músculo contraído e, ao alcançar a cintura, percorreu o indicador e o polegar sobre a ereção pouco camuflada pela calça. Alec sentiu-se hipnotizado pela forma em que os olhos de Magnus — dourados e verdes e cobertos por uma camada bela de maquiagem escura — pareciam devorá-lo sem seu consentimento. Magnus, entretido com a atenção de Alec, apertou a região onde acariciara há pouco. Um arrepio delicioso atravessou seu corpo ao perceber Alec morder o próprio lábio inferior inconscientemente.

Magnus precisou levar — mais uma vez — o uísque a boca para não dizer alto o que estava pensando.

— Qual será a cor da sua vestimenta, Alec? — Magnus sentiu uma minúscula pontada de culpa ao ouvir a voz animada de Eleanor. Mas, olhando Alec de esguelha, percebeu algo que ele pensava ter deixado de ser há muito tempo. Seu corpo queria continuar com as contrações de êxtase e Magnus entendera que era egoísta. Extremamente egoísta por pensar apenas em si mesmo e ignorar o amor de Eleanor e a moral de Alec. No entanto, a mente de Magnus parecia apagada todas as vezes em que Alec estava perto demais. E isso ele podia jurar que não era sua culpa.

Alec piscou lentamente, ainda afetado pela visão de Magnus desejando-o com os lábios inchados e vermelhos pela bebida.

— Acho que é uma cor escura — disse ele. — Eu não a vi ainda, Marlowe escolheu para mim.

— Você fica bem de roupas escuras — ela disse baixinho e sentiu suas bochechas corarem.

Alec sorriu agradecido a ela.

— Eu acredito que usar vermelho o deixaria tentador — Magnus disse, pouco preocupando-se como sua fala seria interpretada.

— O-o quê? — Alec questionou com a voz falhada.

— Vermelho, Alexander — disse Magnus com um sorriso emoldurando seu rosto sempre inerte. — Vermelho lhe cairia bem. Por que não usa algo dessa cor esta noite? — ele questionou ao deixar o copo em uma mesinha de vidro rente a poltrona em que estava. Magnus esticou as longas pernas, deixando visível para Alec o quanto ainda estava excitado. Mas, aparentemente, ele sabia manter o controle quando queria. — Tenho certeza de que irá agradar sua noiva.

E a mim, o pensamento pervertido fez o comandante apertar os olhos com a bela imagem colossal de Alec vestindo-se para ele.

— Você já usou algo assim uma vez — disse Eleanor com um sorriso singelo. — Acho que foi no seu baile de aniversário de dezoito anos, lembra-se? Divertimos-nos tanto naquela noite!

— Isso foi há tanto tempo — Alec coçou a nuca timidamente. — Mas eu recordo-me de como nos aventuramos à adega de meu pai para provar de seus sagrados vinhos.

— Eu sou adulto — Magnus chamou a atenção deles com seu timbre grave — e estou ouvindo tudo.

Alec corou.

— Quer dizer que os jovens de hoje em dia estão cada vez mais difíceis de controlar? — ele ergueu uma sobrancelha escura. De repente, Alec lembrou-se de como, no terraço, o selar de Magnus tinha gosto de máscara para lábios. Algo como o que via sua mãe utilizando. E pensara, também, a maneira como aquilo em Eleanor o desagradava. Mas ao beijar Magnus, o gosto misturara-se com o de bebida alcoólica e se tornara tóxico a ponto de deixá-lo inerte e fazê-lo correr para longe. — Eu não esperava que fossem ser tão abertos a admitir algo assim diante de mim. Estou sentindo-me até um pouco mais jovem.

— Isso não apaga o fato de que têm belíssimos quarenta e dois anos, meu irmão — Magnus espremeu o olhar para Catarina, que radiante entrava na saleta.

— Eu ao menos cheguei aos quarenta — Magnus revirou os olhos.

— Está querendo enganar a quem? — Catarina sentou-se no braço da poltrona em que ele estava e beijou suavemente na testa, próximo à pintinha discreta que ele possuía acima da sobrancelha. Ela, após o ato, encarou Alec com um olhar adorador. — Ah, Alec! Que bom encontrá-lo, não obtive a oportunidade de cumprimentá-lo adequadamente ainda.

Alec se aproximou — tremendo levemente pelo olhar eletrizante de Magnus — e selou a boca carnuda nas costas macias da mão de Catarina.

— É um prazer revê-la, senhora Carstairs.

— Pare com toda esta formalidade! — Catarina levou as mãos ao rosto de Alec. — Seremos uma família em breve, não há porque desta forma de tratamento, não concorda, Iskandar?

— Iskandar? — foi Eleanor quem questionou curiosa.

— Ah, não — Magnus resmungou.

— Ah — Catarina sorriu lindamente. — Iskandar é o nome do meio de Magnus.

— Eu não sabia que tinha um nome do meio — disse Eleanor a Magnus.

Magnus ouviu o barulho da risada singela de Catarina.

— Minha mãe era metade holandesa e metade indonesiana — disse ele com um levantar de ombros. — Meu pai era inglês, e por isso recebi o nome do meu avô. Mas Dahlia, minha mãe, não queria que o filho fosse mais da Inglaterra do que seria da Indonésia, então chamava-me de Iskandar.

— E o que significa? — os olhos de Magnus encontraram os de Alec em um rompante que deixou um clarão branco na mente de ambos. Aquela ligação imediata sempre parecia fortifica-se quando encaravam-se daquela maneira.

— Significa “o protetor” — disse Magnus e ele não percebeu como sua voz ganhara suavidade. No entanto, sua irmã sim. — Não combina comigo, mas eu não posso mudar minha certidão.

— Uma certidão que precisa ser renovada — Catarina não estava inerte a tensão entre Alec e Magnus, por isso interferiu. Mas ela não sabia o que indicava. Não ainda. — Ficou tanto tempo no mar que ao menos preocupou-se com isso.

— Banalidade — Magnus revirou os olhos. Alec percebeu que ele fazia isso com frequência, quase como um garotinho arteiro.

— Você a tem desde 1818, quando nasceu — Catarina o beliscou no braço, abaixando-se para perto de si. Foi ali, naquele momento, que sentiu um cheiro diferente no irmão. Era suave como rosas e levemente cítrico, mas Catarina poderia afirmar que era masculino. — Estamos entrando em 1860, Magnus. Não haja tão condizente com a sua idade.

— Quando vai parar de chamar-me de velho? — Magnus torceu o nariz. Era uma das poucas vezes em que havia algo se movendo em seu rosto que, na maioria das vezes, parecia uma estátua de pedra.

— Quando eu não for quase uma década mais jovem que você — Catarina tentou uma brincadeira, mas seus olhos escuros intercalaram entre Alec e Magnus.

— Eu completei mais de quarenta a uma semana — Magnus pontuou. — Ainda não estou preparado para ser considerado um homem além da meia-idade.

— Pelo menos admitiu ser mais de quarenta — Catarina, discretamente, apoiando-se nos ombros do irmão aproveitou para novamente cheirá-lo sem que fosse percebida. Aquele cheiro, aquela fragrância, sentira há poucos minutos. Poucos minutos atrás, quando Alec beijara a sua mão.

— Estou criando rugas — disse ele. — A idade não é algo que eu possa esconder.

Eles interromperam a conversa quando ouviram o som de passos. A voz de Maryse soava como se viesse de longe, abafada pelo tilintar dos saltos no piso de madeira. Magnus se ergueu e ajeitou a camisa sob o colete de brocado azul. Seus olhos cintilaram quando a luminosidade da lamparina sombreou suas íris, deixando-as ainda mais misteriosas. Não ocorreu para Magnus que ele encarava Alec com devoção ou que se mantivera parado no centro da saleta diante dele.

Eles eram dois homens altos e fortes, mas um deles tinha as feições de um anjo puro e delicado. E o segundo era danificado pela perda — não que este soubesse que o primeiro também era — e pelas guerras que presenciou. Ambos belos, mas divergentes em suas belezas. Dois homens que não sabiam que pertenciam um ao outro desde que o mundo se tornara mundo.

Maryse rompeu através da porta, olhando-os com o olhar severo com o qual criara os filhos.

— Cuidei dos últimos preparativos até agora — ela disse, mas mesmo que tentasse não conseguia ser suave. — Logo os convidados chegarão, aconselho que partamos para nos aprontar.

— Ah, claro — Eleanor levantou-se, os pequenos seios espremidos pelo decote subindo e descendo rapidamente quando Alec beijou-a na bochecha como uma despedida. — Até logo, Alec.

— Até, Eleanor — ele acenou em despedida.

As três damas partiram da saleta tão rápido quando a luz do sol desaparecera com a neve de inverno. Alec conseguiu ouvi-las caminhando em meio a conversas tranquilas pelo corredor, mas sua mente parou de prestar atenção quando sentiu a respiração quente — e cheirando agradavelmente a álcool — de Magnus em seu pescoço. Como de costume, suas pálpebras pesaram e seus cílios superiores se uniram aos inferiores, deixando-o à mercê depravada do comandante. 

— Espero que acate meu conselho — disse Magnus em um sussurro pesado.

— Conselho? — Alec deixou suas mãos caírem sobre as de Magnus em sua cintura, e suas unhas cravaram na pele morena.

— Use vermelho esta noite — Magnus beijou- singelamente na linha da garganta. — Vista-se para mim, Alexander. Vista-se para me agradar.

Magnus deixou-o sozinho apenas meio segundo depois de recitar tais palavras. Alec enxergou a sombra corpulenta abandonando-o a deriva de candelabros acesos e um casaco esquecido.

— Estou perdido — Alec disse para si mesmo. E sabia que era verdade. 

— Eu não entendo porque abandonar a vestimenta que fora encomendada justamente para esta noite — replicou Isabelle.

Ela estava jogada lindamente em um divã no quarto do irmão mais velho. Era deslumbrante ao seu modo, o vestido dourado parecia contrastar com os longos e ondulados cabelos escuros.

— Eu pensei em trajar vermelho no baile — disse Alec atrás do “trocador de roupas”. — Não acha que venho vestindo muito a cor escura?

Isabelle ergueu as mãos, puxando para trás um fio solto do penteado que lhe cutucava o rosto. Ela passou a língua sobre a coloração vermelha dos lábios e espreguiçou-se. Chegara a pouco mais de trinta minutos e, de forma incomum, encontra Alec em busca de algo que pudesse usar.

— Eu sempre lhe disse isso — Isabelle resmungou. — Mas você nunca deu-me atenção, sempre preferindo suas cores neutras e sem graça.

— Sempre há uma primeira vez para tudo — Alec caminhou até a frente do espelho, ajeitando as abotoaduras. Seus olhos azuis pareciam vívidos através do vidro que o refletia. Isabelle foi até ele, colocando as mãos pequenas nos ombros angulosos e fazendo um breve carinho. — É estranho me ver assim.

— Você está lindo — ela sorriu. — Seu rosto é tão suave que não parece pertencer a um homem de vinte e quatro anos.

— É difícil acreditar que com apenas dezessete já está casada — Alec apoiou a mão sobre a da irmã, encarando-a pelo espelho.

— Eleanor e eu temos a mesma idade.

— Mas você é minha irmã — disse Alec. — Foi difícil deixá-la partir.

— Eu apenas me apaixonei, Alec — Isabelle disse. — Possuí a sorte de me apaixonar por aquele que papai escolheu para mim. Simon me faz feliz, muito.

— Não precisa dizer isso para mim com tanta firmeza — Isabelle riu baixinho para ele. — Eu lembro-me de implicar com o rapaz no começo, mas eu apenas queria proteger você.

— Como sempre o fez — disse Izzy nostálgica. — Cuidou de mim, de Jace, de Max...

Alec balançou a cabeça, seus olhos tornando-se enevoados.

— Eu falhei com Max.

— Não foi culpa sua, Alec — Isabelle retirou um cacho escuro de cima do olho, puxando Alec para que este olhasse para ela. Ele, relutante, abaixou os olhos e encarou as íris castanhas da irmã caçula. — Vocês eram crianças. Você quase morreu.

— Para Max não foi um quase. — Disse Alec amargurado, camadas finas de lágrimas surgindo sem pedir permissão. — Eu deveria ter tentado mais, Iz... Deveria ter conseguido, eu deveria...

— Alec... — Ele a interrompeu com uma negação brusca de cabeça.

— Não. — Alec disse. — Você não entende... Não consegue. Ele era meu irmão gêmeo! Dividíamos tudo: o quarto, as roupas, os brinquedos, os castigos... Éramos um só. E quando ele se foi, Iz, eu senti como se uma parte de mim houvesse ido com ele.

Isabelle suspirou e ergueu os polegares para secar as lágrimas de Alec. Os seus próprios olhos estavam úmidos, mas ela precisara ser mais forte — tomara o lugar de Alec, porque ali era ele quem precisava de consolo — e por isso as conteve.

— Está tudo bem, irmãozão — disse ela baixinho. — Por mais que você seja cabeça dura demais para acreditar, Max está em um bom lugar. Ele está bem e sabe que você tentou. Todos nós sabemos que você tentou. E ninguém te culpa. Então, por favor, não faça isso consigo mesmo.

Eles ficaram em silêncio por breves momentos. Mas não pareceu o suficiente quando escutaram a voz de um dos criados chamando-os do lado de fora dos aposentos. Isabelle deu um passo para trás e ajeitou-se, assistindo Alec fazer — timidamente — o mesmo. Ele, ao se recuperar, ergueu o braço para a irmã e deixou que ela apoia-se seu toque de fada sobre o tecido vermelho que o vestia.

— Soube que conhecera seu sogro esta tarde — disse Isabelle ao que eles caminhavam pelo corredor em direção à escada principal.

Alec tentou ignorar o arrepio que se apoderara de sua pele apenas com a incitação da imagem de Magnus em sua mente.

Involuntariamente, ele mordeu o lábio inferior.

— Sim — disse Alec.

Isabelle percebeu que a voz dele sofreu um leve tremor.

— Eu gostaria de saber como foi — Isabelle sorriu brilhantemente. — Soube que Magnus Bane é um homem impressionante.

— Ele abandonou os filhos, Iz.

— Ouvi as más falas — ela disse. — Eu sei que ele é um soldado severo e corajoso. É intitulado de impressionante pelos conceitos e mistérios que o rodeiam. No entanto, sua má índole de homem infiel e pai que negligenciou os filhos também é uma conversa e tanto na cidade. 

— E como o chamam lá? — Alec desceu os primeiros degraus lentamente, ajudando Isabelle com a saia pesada do vestido. O soar suave de uma sinfonia envolveu-os como um manto.

— Os apelidos vão de cafajeste a encantador — Isabelle deu um risinho, erguendo a mão para coloca-la sobre a boca. — Estava conversando com Clary horas atrás, e ela me disse que ouviu uma de suas criadas comentar sobre o quanto ele é lindo. Mas, também, o quanto seu rosto é inexpressivo. As mulheres até compararam-no com uma estátua de mármore. 

Alec sorriu lateralmente.

— Não é uma mentira — disse ele como se fosse um segredo. — Seu rosto possui um maxilar quadrado e olhos puxados, e sua expressão é quase impossível de ser alterada. Embora eu já o tenha visto sorrir uma ou duas vezes. Mas não é algo durável.

— Eu diria que anos em guerras afetam as pessoas — Isabelle comentou. — Ele precisa impor respeito. É obviamente sensato que seus gestos e aparência tenham conexão com a postura que precisou adquirir.

— Iz — Alec disse. — Ele usa máscara para lábios e sombra nos olhos.

Isabelle não conseguiu controlar um risinho mais alto.

— Isso é algo que não se vê com frequência — disse ela. — Mas imagino que não seja algo adequado à Marinha. Ele deve ter adquirido o hábito novamente ao voltar para a família. Além disso, não é como se o deixasse menos intimidador, não é?

— Para ser sincero — Alec ajudou-a com o último degrau, o salão principal estava parcialmente cheio —, é como se ele ficasse ainda mais cheio de mistérios. 

Ao olhar em volta, Alec reconheceu poucos rostos. A maioria tratava-se de sócios das indústrias de seu pai e alguns poucos parentes distantes. Isabelle não deu tanta atenção à última fala do irmão, pois rapidamente encontrara o olhar do marido e partira ao seu encontro. Alec, desconfortável por ter sido deixado sozinho, ajeitara o tecido que arranhava o pescoço. Levou as mãos — logo após seu ato de nervosismo — até as costas e caminhara por entre a massa de belos vestidos e taças de champanhe. 

A princípio, encontrou Jace — seu irmão do meio — com um braço entornando a cintura da esposa. Clary exibia uma bela barriga de quatro meses de gravidez — tornava-se perceptível por ela sempre ter sido tão magrinha — e cintilava em seu vestido bonito. Seus cabelos pareciam ainda mais alaranjados do que Alec se lembrava, mas fora quando seu olhar verde se partira a ele que Alec percebeu o quanto sentia falta da cunhada. Esta que, antes de se casar com Jace, era sua melhor e mais querida amiga. 

Clary caminhou até ele. Alec envolveu-a em um abraço apertado e longo, não importando-se em como os convidados veriam aquilo. Ela, alegremente, abraçou-o de volta com seus braços finos e curtos.

— É tão bom ver você, Alec — disse ela com sua voz suave, como se estivesse cantarolando.

— É ótimo ver você, Fray — mesmo que ela estivesse casada há algum tempo e este fosse o sobrenome de sua mãe quando era solteira, Alec jamais a deixara de chamar dessa maneira. Era um apelido de infância que nunca seria substituído. — Meu irmão isolou-te do mundo. 

— Ele vem tratando-me como se fosse de vidro — ela revirou os olhos assim que se separaram. Clary era pequena e quase esquelética, e nem mesmo o bebê dera a ela mais do que um pequeno inchaço na barriga. — Acredita que precisa me manter em quarentena para que nada possa me estressar ou interferir na gravidez.

— Jace é sempre tão exagerado — Alec repetiu o gesto dela ao revirar os olhos. 

— Sou apenas cuidadoso — Alec escutara o irmão assim que este o envolvera em um abraço caloroso. — Olá, baby Alec.

Alec afastou-se dele com um resmungo.

— É um abuso de sua parte me chamar dessa forma quando sou quatro anos mais velho.

— Continua possuindo um rostinho adorável de garotinho prendado — Jace beijou a testa da esposa afetuosamente. — Onde está Izzy?

— Com Simon — Alec respondeu.

Alec pareceu perder a respiração ao ver Magnus entre um grupo de senhores ricos, segurando uma taça e trajando seu costumeiro rosto sem traços expressivos. Magnus pareceu sentir que era observado, e seus olhos felinos — contornados por uma fina camada escura de sombra que seguia o contorno de suas pálpebras perfeitamente — encontraram-se com o de Alec. Ele não sorriu, mas despediu-se dos homens com que conversava e passou a dar passos lentos para atravessar o salão. 

— Alec, você está bem? — ele ouviu a voz de Clary e virou-se para ela. — Você está pálido. O que houve?

Alec umedeceu os lábios, sorrindo forçado.

— Estou bem, apenas... — interrompeu-se quando o cheiro pecaminoso de Magnus o envolveu. Todo o seu corpo pareceu reconhecer a temperatura quente que emergia dele. Alec precisou dar um discreto passo para o lado, não sabia do que era capaz com ele tão próximo daquela maneira. 

— Boa noite — o timbre parecia ainda mais delicioso do que Alec lembrava-se de horas atrás. No terraço, na saleta... Magnus era insuportavelmente difícil de esquecer.

— Ah, olá — Clary sorriu seu belo sorriso de boas vindas. — Boa noite, senhor...

— Bane — respondeu ele, beijando-a na mão cordialmente. — Magnus Bane, para ser exato.

Jace ergueu os lábios em um sorriso sem dentes. Ele era como Alec: um pouco tímido demais com desconhecidos.

— É um prazer, senhor Bane — disse Clary com as bochechas coradas.

— O prazer é exclusivamente meu, senhora Lightwood.

— Por favor — Clary deu uma risada. — Senhora Lightwood é minha sogra. Pode chamar-me por Clarissa.

— Claro — Magnus não sorriu, mas seu rosto parecia belamente suave. — Clarissa é um bonito nome.

— Obrigada — disse ela. — O senhor é muito gentil.

— Chame-me apenas de Magnus.

Ele, então, virou-se para o homem louro. Jace, que, educadamente, acenou com a cabeça.

— Sou Jace — disse ele.

— Ah, sim — disse Magnus. — O rapaz que transformou a bela moça em uma Lightwood. Irmão mais novo de Alec, não é mesmo?

— Sim — Jace parecia mais relaxado. Essa era a única diferença entre sua timidez e a de Alec: a dele passava rapidamente. — É um prazer finalmente conhecê-lo, comandante Bane.

— Esta é uma formalidade que custa para ser esquecida — Magnus revirou os olhos discretamente. — Chame-me de Magnus, também. Passei tanto tempo sob os “sim, comandante”, “agora mesmo, comandante”, que anseio demasiadamente por um tratamento menos cordial.

— Como quiser — Jace sorriu, levando a taça até os lábios e entornando o líquido.

A proximidade de Magnus fizera com que Alec se sentisse sujo e pecador, mas, ao mesmo tempo, deixou-o quente ao ponto de manter os olhos curvados para baixo, encarando os próprios pés. Percebeu que Clary e Jace passaram a conversar entre si e que, agora, a atenção de Magnus estava nele.

Ele sentiu a aproximação repentina de Magnus como um soco no estômago: deixou-o sem ar.

— Vejo que seguiu meu conselho — Magnus sussurrou rente ao lóbulo de sua orelha, os lábios relando suavemente na carne macia. — Você está delicioso, Alexander.

— Não pode dizer essas coisas com tantas outras pessoas em volta — disse Alec por entre os dentes cerrados. Ele ouviu Magnus rir e, juntamente, uma mordida suave no local. Uma mordida que acarretou em um arrepio severo em sua espinha. — Pare com isso!

— Vai negar que vestiu-se assim para agradar-me? — perguntou Magnus com a voz afogada em desejo, veneno e egoísmo. Era egoísta porque não importava-se com os olhares sobre eles, tão pouco com os cochichos que se seguiriam sobre a aproximação do pai da noiva e do futuro genro. — Não faça-se de recatado agora, querido. Nós sabemos o que queremos, não há hora para negação. 

Magnus não obteve resposta e por isso se afastou, mas apenas o suficiente para oferecer sua mão a Alec que, confuso, aceitou.

— Venha — disse. — Dance comigo.

Alec caminhou com ele até a área onde algumas pessoas moviam seus pés ao ritmo suave da música — senhor Louis e seu marido, Harry, madame Dorathea e sua esposa, Lilith, e tantos outros. Ele foi girado discretamente, e sentiu seu peito bater contra o de Magnus. Alec, como era estabanado, pisou no pé dele e recebeu um resmungo doloroso em retorno.

— Au — Magnus disse.

— Ai, pelo Anjo — Alec levou as mãos ao rosto dele sem perceber, afagando as bochechas e o belo cavanhaque entornando o maxilar. — Eu sinto muito. Está doendo demais?

Magnus sentiu seu coração saltar. No entanto, ignorou a sensação.

— Não foi nada, Alexander — Magnus pegou as mãos dele, apertando-as suavemente e colocou uma delas em seu ombro. A outra enlaçou com a sua, carregando um braço até a cintura de Alec. — Mas você é lindamente desastrado.

Alec sentiu uma ardência — costumeira — nas bochechas. 

— Sinto muito — disse ele mais uma vez.

— Guarde isso para quando se ajoelhar em nome de Deus — disse Magnus. Alec percebeu seus lábios se erguendo em um sorriso perverso, um sorriso que acompanhava seus olhos sedutores e terríveis, deliciosamente terríveis. — Algo me diz que precisará de todos os “eu sinto muito” que conseguir proferir.


Notas Finais


Magnus está vestido dessa forma: https://ae01.alicdn.com/kf/HTB1bb.kKFXXXXabXFXXq6xXFXXXZ/Luxury-Wine-font-b-Red-b-font-font-b-Suit-b-font-Autumn-Winter-Baroque-Tuxedo.jpg (apenas imagine algo mais de época, já que os ternos não eram desse jeito)

E Alec dessa forma: http://g02.a.alicdn.com/kf/HTB1dPnEPFXXXXXgXFXXq6xXFXXX3/Crime-de-alta-qualidade-jaquetas-de-terno-vermelho-2017-vermelho-calças-de-smoking-preto-terno-personalizado.jpg (esse é mais parecido com o daquela época, mas é bom imaginar um pouco mais velhinho também)

Vestido da Izzy: http://i1168.photobucket.com/albums/r484/moriel2/flowers/1887197934678ab_F.jpg

Vestido da Clary: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/a4/17/09/a417095973bbc07b6be5b127b99a5242.jpg

Vestido da Catarina: https://eravitoriana.files.wordpress.com/2015/10/1865.jpg

Vestido da Eleanor: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/ae/6a/e7/ae6ae7ad001732b00b1d17300a4bd6c4.jpg

Vestido da Maryse: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/93/87/ce/9387cec9fb91ba60808af6c12d24c401.jpg

Catarina né burra não, eita porra. E esse Magnus e Alec no bailezinho, hein? Só trouxa para não perceber o climão. E aos poucos percebemos que Magnus Bane não vale o chão que pisa. Eu não consigo fazer ele bom moço, né non? Aff ;)

Muito obrigada por todos os comentários, vocês são fodas. E leitores fantasmas, apareçam aí ♥

Até loguinho.

XOXO


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