História Beyond the Boundary - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Batalha, Cidade Futurista, Drama, Mutantes, Poderes, Romance, Sexo, Tecnologia, Violencia
Visualizações 13
Palavras 3.868
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Dana Moore, na voz de Sandra Mara Azevedo que fez o filme 17 Outra Vez).

Marsha Collins, na voz de Sheila Dorfman que fez o filme Zoom: Academia de Super Heróis e que, inclusive, dublou a atriz que escolhi de imagem para essa personagem.

Links nas notas finais.

Bom, já que vocês já sabem as vozes dos outros personagens (eu espero), tenham uma boa leitura.

Capítulo 3 - Lump in the Throat


Fanfic / Fanfiction Beyond the Boundary - Capítulo 3 - Lump in the Throat

— Eu não sei, Anne... — Comentou pensativo.

—Qual é? Não vai ajudar? Vai deixá-la morrer sem mais nem menos? — Chantageou.

— Eu vou ajudar, mas se você terminar num tubo de ensaio gigante com cientistas estudando o seu sangue e o seu DNA, não diga que eu não avisei... — Respondeu causando alívio na morena.

— Eu sabia. — Sussurrou com um sorriso de canto.

A porta do elevador se abriu e os dois jovens atravessaram a enfermaria em passos rápidos rumo à sala de emergência.

— Até que enfim! — Disse Gwen, aliviada. — Pensei que você tinha entrado em coma alcoólico, Nate.

— Muito engraçado. — Respondeu.

— Sem brincadeira, crianças, isso é um assunto sério. — Disse Magnus, tocando na testa da garota sobre a mesa. — Não consigo fazer contato com ela por telepatia, tem algum tipo de bloqueio...

— Crianças? — Gwen se ofendeu.

— Bloqueio? — Repetiu Anne. — Que tipo de bloqueio?

— Não posso dizer com certeza mas, se eu estiver certo, ela deve ter passado por momentos ruins, está perdida... e eu suspeito que ela seja uma de nós. — Explicou.

— Eu tinha certeza que ela era mutante! — Disse a mais baixa.

— E por que acha isso, professor? — Gwen o encarou com os braços cruzados.

— Pessoas normais não conseguem bloquear a própria mente... essa menina está se protegendo de alguma coisa. — Insistiu.

— Mas eu sou mutante e não consigo fazer isso... — Comentou Nate, confuso.

— Tenho mais uma suspeita... Acredito que ela e eu temos os mesmos poderes. — Disse pensativo.

— Então ela pode ler nossas mentes e fazer tudo o que você faz, professor? — Anne se surpreendeu.

— Ela é poderosa como o senhor? — Perguntou Gwen.

— Acalmem-se! Não tirem conclusões precipitadas. — Pediu encarando os jovens. — É apenas uma teoria, não tenho como saber antes da Senhorita Collins examiná-la.

— E onde ela está? — Perguntou Nate.

— Precisei buscar umas coisas na cidade, mas já estou aqui. — A bela mulher adentrou a sala.

— Diretora Collins! — Os mais novos comemoraram.

— Eu mesma. Posso ajudar em alguma coisa? — Perguntou sorrindo.

— Ah... Marsha, podemos conversar em particular? — Questionou Magnus, com seriedade.

— Claro, professor. Me acompanhe, por favor. — Respondeu. Ambos se afastaram dos demais.

— Por que ele não quis contar o que aconteceu na nossa frente? — Anne franziu o cenho.

— Ele está preocupado. — Nate justificou.

— Acham que é por causa dos poderes dela? — Perguntou Gwen, encarando a garota pálida.

— Eu não sei... mas essa louca não me arrastou até aqui atoa. — Disse Nate. — Vamos ver o que eu posso fazer...

— Eu não tinha visto esses hematomas antes... o que acham que deve ser? — A loira tocava os roxos em seu pulso.

— Parecem cordas ou talvez alguém tenha apertado com muita força — Nate foi interrompido.

— Correntes... são marcas de correntes, ela também tem nos tornozelos. — Anne observava cada machucado com atenção.

— Acho que alguém aqui precisa urgentemente de uma pedicure... — Gwen apontou para os pés da adolescente à sua frente.

— Vou fazer o que precisa ser feito. — Nate estralou os dedos como um aquecimento.

Colocou sua mão esquerda sobre o tornozelo de Chloe e liberou algum tipo de energia esquisita, nem mesmo ele sabia ao certo como conseguia fazer aquilo, mas controlava seus poderes como se controlasse seus movimentos. Nate sempre entendeu seu poder de regeneração mas não entendia como curava os outros. Lembrava da primeira conversa que teve com a Doutora Moore como se fosse hoje:

Andrômeda, 2128...

— E então... Nate Carter, certo? — A mulher ajeitava seu jaleco enquanto se sentava na poltrona de couro.

O jovem apenas assentiu com a cabeça em resposta.

Seus pais morreram numa queda de avião e desde então tem vivido de casa em casa, sendo ajudado por seus “amigos”. Ele sabia que não eram tão amigos assim, Nate costumava fazer favores para não passar a noite nas ruas, havia se recusado a ir para algum abrigo ou internato, não queria viver como órfão.
Sempre teve noção de que era apenas um mensageiro e de que teria causado diversas brigas de gangue, mas a vida “fácil” tinha seu lado bom, não tinha? Dólares gastos com strippers e prostitutas, álcool à vontade... adorava ficar chapado apenas para esquecer que estava sozinho. Mas sua vida fora da lei, como seus companheiros diziam, chegou ao fim quando se envolveu num desses combates.

Quando se deu conta já estava num galpão afastado de Andrômeda com uma arma em mãos, suava frio, seu coração palpitava rápido.
Não pensou duas vezes, apenas se afastou lentamente e soltou o revólver. Teve certeza que tomou a decisão certa quando ouviu o primeiro disparo. Correu o mais rápido que pôde, só descansou quando não escutava mais nada.

Enxergava com dificuldade pois já havia escurecido. Se assustou ao tropeçar num monte de algo que mal podia identificar, ele conseguia ver minúsculos pontinhos coloridos subindo pelo ar num gás de definição indescritível. Empurrou com o pé o monte do que parecia vidro misturado com alguma outra coisa e via o gás estranho se perder com o vento, não fazia ideia do que poderia ser.
Se sentiu extasiado por um momento, mas a sensação diferente foi substituída pela dor aguda na lateral de seu tórax.

Um tiro, ótimo! — Pensou.

Tirou a camisa escura para estancar o sangue, a ferida era funda demais para um tiro de raspão.

Já tinha perdido a conta de quanto tempo passou caminhando de volta para a cidade. Agradeceu aos céus quando finalmente avistou uma loja de conveniência. Entrou apressado atraindo a atenção da balconista que o olhou da cabeça aos pés. Pegou o que precisava e se direcionou ao balcão com a cara fechada.

— Senhor, não é permitido entrar no estabelecimento sem camisa. — A mulher que aparentava seus trinta anos se debruçou, evidenciando seu decote.

Nate praticamente ignorou a insinuação da adulta. Tirou a camiseta manchada de sangue de cima do ferimento, deixando-o à vista.

— Você está sangrando! — Exclamou espantada.

— Sério? Não tinha percebido... — Retrucou com ironia e colocou o pequeno kit de primeiros socorros sobre o balcão. Estava impaciente.

Deixou o dinheiro e saiu. Seguiu por mais alguns minutos andando reto até encontrar um hotel de beira de estrada.

Na recepção estava apenas um velho com seu cigarro na mão, nem se importava em abaixar o volume do filme pornô que assistia. Avistou a capa do chip de holograma, “O Senhor do Anais”. Riu internamente.

Tirou todo o dinheiro que tinha no bolso torcendo para poder pagar por pelo menos o pior quarto dali, estava esgotado.

O velho pausou seu filme e soltou fumaça por sua boca. Contou os trocados jogados em sua mesa e lhe entregou o cartão com o número do quarto.

Nate subiu as escadas e parou na porta de número 505. Adentrou o pequeno quarto e o cheiro de mofo invadiu suas narinas, não esperava por menos que isso. Abriu as janelas e foi direto para o banheiro, encarou seus olhos cansados e seu rosto sujo no espelho embaçado. Parou para avaliar o tiro com calma e pegou uma pinça dentro do kit que havia comprado.
Soltou um grunhido de dor ao retirar o fragmento da bala alojado em si.

Nunca se sentiu tão estúpido como se sentia naquele momento. que tinha na cabeça ao concordar em participar daquele banho de sangue? E o que diabos era aquele gás que o fez se sentir tão diferente?

Resolveu se deitar e lidar com seus problemas no dia seguinte, então apenas fez um curativo simples e foi dormir extremamente cansado, e não só fisicamente.

Acordou com a luz do sol em seu rosto, havia esquecido as janelas abertas. Levantou se sentindo revigorado mas estranhou o fato de não sentir nenhuma dor ao se movimentar.
Tudo o que mais desejava era um longo banho para refletir sobre a sua vida e tentar chegar a uma solução plausível para sua mente rebelde e triste. Estava decepcionado consigo mesmo... inseguro.

Entrou no banheiro e decidiu remover o curativo improvisado da noite passada, o qual olhou fixamente pelo reflexo do espelho e puxou de uma vez esperando sentir dor, fechando seus olhos com força. E mais uma vez, nada!                Abriu os olhos e sentiu seu coração falhar uma batida. O ferimento havia simplesmente desaparecido.

Não conseguia entender: Numa hora tem um buraco extremamente dolorido em seu corpo, em outra não existe mais nada? Apenas sumiu? Assim, sem deixar marcas e sem cicatriz? Como era possível?

Mas não pode ter sido um sonho, a bandagem ainda tem sangue — Pensou tocando o local.

Abriu o chuveiro e despiu-se ainda confuso. Deixou que a água morna atingisse primeiro suas costas, na esperança de talvez lavá-lo por dentro e limpar sua consciência suja e pesada. Aproveitou para limpar sua camisa, afinal era a única que tinha.

Ainda sim foi um banho rápido, estava preocupado com o que faria sobre tudo. Não voltaria para casa. Ele nem tinha uma casa. 
Como poderia encarar aqueles assassinos sanguinários após fugir daquele jeito? Covarde do caralho...

Pendurou a camisa agora limpa, porém encharcada, no batente da janela e saiu do quarto.

Desceu as escadas pensativo, planejava implorar por algo em alguma cafeteria por aí, estava faminto.
Ouviu uma conversa suspeita e resolveu parar para escutar, mas congelou quando reconheceu a voz masculina.

— Eu vou te perguntar mais uma vez, e só mais uma vez: Esse cara esteve aqui? — Um holograma se projetava do acessório em seu pulso.

Nate pôde ouvir o velho punheteiro engolir em seco pela ameaça e praticamente rezava para que não fosse dedurado.

— Não consigo me lembrar de ni-ninguém com esse rosto por aqui! Por favor, não me machuque! — Implorava.

— Talvez isso te ajude um pouco. — Tirou algo do bolso. — Eu vou te dar mais uma chance, mas estou perdendo a paciência! — Apontou a arma na cabeça do homem.

Nate tentou sair dali sorrateiramente e fazendo gestos para que o idoso não o entregasse para o criminoso com quem estava envolvido, mas bastou o ancião o olhar por exatamente três segundos para que o chefe da gangue que fazia parte notasse sua presença.

O jovem de cabelos escuros correu o mais rápido que pôde, sendo perseguido pelo homem armado em completo desespero e temendo por sua vida.
Conseguiu chegar ao seu quarto e trancou a porta, torcendo para que isso ao menos o atrasasse.
Vestiu-se, pronto para pular pela janela, a queda era alta mas não era mortal. Se assustou com o som da porta sendo arrombada:

— Você sabe que eu sempre odiei os frouxos, não sabe, Nate? — O gangster tinha machucados nas mãos como se tivesse socado muito alguém e uma faixa amarrada na perna esquerda. O encarava com ódio.

— Eu apenas mudei de ideia de última hora e saí de lá porque não queria atrapalhar seus planos. Deveria me agradecer. — O outro gargalhou como se não houvesse amanhã.

— Foi a pior decisão da sua vida, perdi muitos aliados por sua causa, seu pedaço de merda! — Bateu com força na escrivaninha ao seu lado. — Você acha que estou de brincadeira? Quando eu mando você seguir o meu sinal, é pra seguir o meu sinal! — Disse com raiva.

— Agora não precisa mais se preocupar comigo no seu caminho, estou caindo fora. — Nate mantinha seu olhar no piso do quarto.

— Mas que ótima notícia! — Comemorou com sarcasmo. — Então não me faz falta um idiota a menos. — Levantou sua arma. Mirou. Puxou o gatilho.

A partir daí foi como se tudo estivesse em câmera lenta.

Nate conseguiu acompanhar a trajetória da bala e, mesmo se movimentando por conta da agonia, o tiro ainda acertou seu ombro direito.
Com o impulso, caiu pela janela e bateu com as costas no asfalto sujo do estacionamento. Jurou ter visto uma mulher de cabelos ruivos analisando sua queda dentro de um carro atual.

A sensação de dor logo passou e o rapaz notou que a bala o havia atravessado. Respirou fundo e teve a mesma sensação de quando teve contado com o gás colorido. Se concentrou e apenas pensou em se curar, conseguiu sentir cada célula do seu corpo se mexendo, foi extasiante.
Ele sabia o que estava acontecendo. Se sentiu invencível.

A moça do carro agora usava óculos escuros e desnecessariamente grandes, o chamava com o dedo. Nate andou até ela, que apenas pediu para entrar no veículo e saiu como se nada tivesse acontecido.

— Quem é você? — Perguntou fitando os olhos verdes através das lentes escuras.

— Sou a solução para os seus problemas. — Respondeu focada no trânsito. A mulher tinha um semblante sério e parecia estar exausta.

— E eu posso saber pelo menos o seu nome? — Indagou com curiosidade.

— Meu nome é Dana Moore, sou infectologista. — Respondeu.

— Nate Carter. — Apresentou-se. — Então... Senhora Moore

— Doutora, por favor. — Interrompeu.

— Doutora Moore... o que te traz ao meio do nada? E por que estou no seu carro? — Perguntou com o olhar perdido na estrada.

— Sobre a primeira pergunta: não quero ser rude, mas não é da sua conta. Sobre a segunda: me responda você. — Disse ríspida.

— Que frieza. — Comentou, ainda sem encarar o rosto da mais velha. — Só pra saber, a senhora não vai me traficar e me transformar em escravo sexual de algum milionário com fetiches estranhos, né?

— Eu provavelmente deveria, pois você entrou no meu carro sem pensar duas vezes. — Respondeu e recebeu um olhar assustado do garoto. — Mas não vou.

— Se não quer me fazer mal, qual seu interesse em mim? — Questionou aliviado. — Já vou avisando que não curto uma coroa.

— Coroa?! Ah! Por favor! A última coisa que eu quero é algum tipo de relacionamento com você, pirralho! — Retrucou ofendida. — E só pra sua informação, eu nem cheguei aos quarenta!

— Já deve ter passado... — Comentou distraído.

— O quê? — Parou o carro na estrada pouco movimentada. — Moleque insolente! Se não me respeitar eu te levo de volta agora e te deixo virar peneira com aquele bandido!

— Okay, não faço de novo. — Desculpou-se.

— Tudo bem... mas vamos direto ao assunto. — Voltou a dirigir. — Eu vi o que você fez.

— Se refere à minha queda daquela janela? — Perguntou.

— Não, estou falando do que você fez quando levou aquele tiro. Como fez aquilo? — Dana estava séria e ansiava sua resposta.

— Eu realmente não sei do que está falando. — Nate queria esconder sua habilidade, era como se estivesse em perigo.

— Ah... — Suspirou forte, pensativa. — Está vendo aquela garrafa com água? Pegue. — Ele obedeceu.

— O que vai fazer? — Perguntou com curiosidade.

— Espere e verá. — Retrucou com um sorriso.

Nate segurou a garrafa na altura de seus olhos e se assustou ao ver a água dentro dela dar pequenos impulsos. De repente, toda a água se agitou, fazendo com que a tampa da garrafa pulasse.

A ruiva fez um simples gesto com os dedos e trouxe para si todo aquele líquido, que se acumulou acima de sua mão. Dana girou seu dedo indicador e a água repetiu suas ações, criando um pequeno vórtice.

Ficou perplexo. Não acreditava no que havia acontecido diante dos seus olhos.

— Como faz isso? — Estava tão surpreso que mal piscava.

— Eu sou como você. Tenho habilidades especiais que levei muito tempo para dominar. Acho que o destino nos uniu para o seu bem, só quero te ajudar. — Explicou calma.

— Não quero sua ajuda, sei me virar sozinho. — Recusou relutante.

— Ah, sabe? Você mal consegue controlar sua regeneração! — Vociferou. — Teve sorte de eu ter te encontrado, não sabe quanta gente podre existe nessa cidade!

— Acredite em mim, eu sei. — Retrucou ao se lembrar do passado.

— A questão é que você é um mutante, assim com eu e como muitos outros perdidos por aí, mas estamos sendo caçados. — Disse e colocou a água de volta na garrafa.

— ...Caçados? — Perguntou e fechou o recipiente. — Por quem?

— Pelo governo. Nossos poderes não foram dados por deuses de alguma mitologia ou resultados pelo alinhamento de algum planeta com a lua, isso aqui não é a Marvel Comics, é a vida real. E você precisa entender que, a partir de agora, sua vida vai ser diferente. — Respondeu.

— Diferente como? Vai me dar uma máscara e uma capa? — Riu com sarcasmo. — Por acaso você é a líder de algum grupo de heróis?

— Pelo visto, me enganei com você. — Dana parou na estrada deserta. — Saia do meu carro.

— O quê?

— Você me ouviu, saia do carro agora. —  Repetiu, mas ele não se moveu. — Se não vai me levar a sério, então que morra sendo cobaia daqueles hipócritas! Será que você não entende que pode morrer a qualquer momento? Você faz o que faz porque, por alguma razão, teve contato com aquela maldita droga sintética e eu acabei te encontrando naquele lugar imundo! Estou tentando te oferecer ajuda mas você não colabora!

— Eu não quero abandonar tudo o que tenho! — Gritou.

— E o que você tem? Eu ouvi aquele bandido dizendo que você é um dos empregadinhos dele e que ele queria te matar. — Virou-se para ele. — Você não tem mais nada, não é? Não seja tão orgulhoso, me deixa te ajudar.

— Eu já disse que não quero sua ajuda. — Repetiu.

— Mas você precisa. Você sabe que precisa.

O silêncio se instalou no automóvel. Nate estava indeciso. Metade dele dizia que não deveria acreditar numa desconhecida e a outra metade o convencia de que, se essa estranha confiou nele o bastante para mostrar seus poderes mutantes, não queria lhe fazer mal.

Talvez essa fosse a solução que tanto almejava, sua oportunidade de recomeçar, sua segunda chance.

Seus pensamentos foram interrompidos pelo holograma que surgiu entre ele e Dana.

— Doutora Moore, pode me responder? — Era um homem de cabelos grisalhos e olhos castanhos. Dana passou a mão em frente à imagem e o sujeito agiu como se finalmente conseguisse vê-la.

— Sim, Magnus. Aconteceu alguma coisa? — Pareceu preocupada.

— Nada que cause confusão. O instituto recebeu um novo aluno e preciso que volte para fazer a avaliação.

— Tudo bem, volto o mais rápido possível. — Respondeu e finalizou a chamada.

— É pra onde quer me levar?

— Não é como uma prisão, você entra e sai quando quiser. Lá você vai aprender a lidar com seus poderes e evitar desastres. — Explicou esperançosa. — Mas você precisa manter em segredo.

— Meus lábios estão selados. — Disse sorrindo.

A mais velha também sorriu e acelerou o carro. Dirigiu por alguns minutos até que a estrada se acabasse e seguiu floresta adentro.
A viagem durou cerca de quatro horas e Nate acabou adormecendo.

Quando acordou, se deparou com uma estrutura enorme protegida por muros altos, já estava dentro e sentia a empolgação correr por suas veias.
Dana estacionou e os dois saíram do automóvel. Caminharam até sua sala no primeiro andar do subsolo
.

—  E então... Nate Carter, certo?

...

—  Nate! — Gritaram.

— O que? — Perguntou distraído.

—  Não acha que já está bom? Não tem mais nada aí. — Avisou Gwen.

— Hm... sim. — Concordou.

—  O que será que aconteceu com ela? — Indagou Anne.

— Não sei... escravidão talvez? — Perguntou Nate.

— Acho que não. — Comentou a loira. — Ela não tem sinais de agressão, só de que estava presa.

—  Então... cárcere privado? —  Sugeriu Anne.

— Isso só vai ser esclarecido quando ela acordar. — Diretora Collins adentrou a sala. — Preciso que saiam, meninas.

— Tudo bem. Estaremos no jardim se precisarem da gente. — A morena respondeu, ambas saíram.

— Vocês ainda vão precisar de mim? Eu meio que não dormi direito essa noite...— Nate bocejou.

— Lamento, mas é melhor ficar aqui por segurança. — Magnus o olhava com deboche.

A garota de cabelos escuros abria os olhos lentamente. A luz estava fraca mas a pouca claridade ainda a incomodava.
Lembrou-se da noite anterior e sentiu sua garganta secar. Se esforçava para entender o que as vozes diziam, mas era em vão.
Se levantou devagar com a mão na testa.

Droga de dor de cabeça! — Pensou.

Piscou com força na esperança de estabilizar sua visão turva.
Estendeu suas mãos, sabia que haviam hematomas em seus pulsos. Onde estavam?

Ergueu a cabeça e encontrou três rostos desconhecidos, paralisou por algum tempo.
A única mulher do grupo tinha olhos azuis que se escondiam atrás dos óculos de grau, usava os cabelos presos em dois coques baixos e caminhava em sua direção com um sorriso que chegava a ser assustador.

— Eu estava tão empolgada esper... aaaah! — Foi jogada na parede. — Frank, a-acho que já detectei o poder dela.

Poder dela? — Sussurrou quase inaudível. —  Quem são vocês?

— Pra quê tanta agressividade? Ninguém aqui quer... argh! — Nate arfou ao ser afastado violentamente.

Magnus decidiu dar um basta.

O que pensa que está fazendo? Solte-os agora

Saia da minha mente! — Vociferou.

Só quando você parar de machuca-los! Estou me esforçando para não agir com violência...

Quem é você e o que quer comigo?

Eu não quero te fazer mal, preciso que confie em mim. Solte-os agora!

Me dê um motivo para confiar em você.

Preste atenção! Eu estou falando com você por telepatia, isso já não é o suficiente?

Diretora Collins e Nate foram soltos, Magnus suspirou aliviado.

Marsha, tente uma aproximação mais pacífica e calma, você a assustou.

— Eu acho melhor vocês dois nos deixarem à sós, é só que... vocês sabem, papo de mulher...

— Não precisa falar duas vezes, tô caindo fora. — O garoto deus as costas. —  Você vem, professor?

— Sim. — Virou-se para acompanhar o mais novo. — Se precisar de mim, sabe o que fazer.

Era possível escutar os dois se afastando. A jovem encarava cada detalhe da sala, tentava encontrar algum vestígio que indicasse perigo, mas não encontrou nada. Estava nervosa.

A sensação de estar em um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas e alguém invadindo sua mente foi horrível, temia passar por algo pior.

— Acho que te assustei um pouco... — Riu suave e agachou para encará-la. — Nossa! Seus olhos... nunca tinha visto olhos dessa cor.

— Você... Você pode me explicar o que está acontecendo? — Perguntou.

— Eu vou explicar, mas antes preciso fazer algumas perguntas. — Respondeu.

— E por que eu deveria responder alguma coisa? Eu não conheço você. — Retrucou.

— Não se preocupe. Não é nada que te deixe desconfortável. — Respirou fundo. — Podemos começar?

Acenou positivamente com a cabeça.

— Se lembra do seu nome? — Apertou um botão escondido no botão de seu jaleco.

— Meu nome é Chloe.

— Prazer em conhecê-la, Chloe. Eu sou Marsha Collins. — Sorriu. — Sabe sua idade?

— Fiz vinte anos recentemente.

— Feliz aniversário. — Soltou um suspiro. — Você sabe como chegou aqui? Sabe o que faz aqui?

— Se eu soubesse, provavelmente já teria fugido. — Respondeu irônica.

— Assim você me magoa... Preciso que entenda que não vamos te machucar, todos aqui somos como você. — Explicou.

— O que quer dizer? — Questionou curiosa.

— Somos todos diferentes, Chloe. Todos nós já passamos pelo que você está passando. Todos nós sentimos a rejeição de pessoas importantes, sentimos medo e insegurança, e principalmente a dúvida sobre o futuro. Mas então surgiu esse lugar, aqui não somos tratados como aberrações.

Não adianta mais fugir! Você só nos faz perder tempo, monstro!

— Por favor, eu só... — Engoliu em seco. — Quem são vocês? O que está acontecendo? Por que eu sou assim? — Seus olhos já lacrimejavam.

— Não chore, nós vamos te ajudar. Eu vou te ajudar. Não há porquê chorar agora que você finalmente está segura. Ninguém mais vai te perseguir, você vai ter uma vida a partir de agora. Eu só preciso que confie em mim! — Marsha também estava emocionada e segurava as mãos de Chloe, tentava passar segurança.

— E se eu confiar em você? O que acontece? — Perguntou afastando uma lágrima.


Eu estive ignorando esse grande nó na minha garganta. Eu não devia estar chorando, lágrimas são para os dias mais fracos.
— Rihanna


Notas Finais


Links:

Dana Moore: https://m.youtube.com/watch?t=291s&v=pRs3E2huj90

Marsha Collins: https://m.youtube.com/watch?v=4lr42e0yAug

Talvez vocês não estejam entendendo muito bem a estória, então se quiserem fazer perguntas sobre ela eu respondo com o maior prazer!

Se você gostou não esqueça de comentar e seguir, obrigada por acompanhar 💞
Até o próximo capítulo!


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