História Beyond The Dimensions - Capítulo 10


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Categorias Devil May Cry
Personagens Dante, Lady, Nero, Personagens Originais, Trish, Vergil
Exibições 14
Palavras 1.928
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - A Small Mark Of Darkness


Ao examinar os frutos da noite mal dormida na manhã seguinte, pude finalmente dar devida atenção a minha condição física. Eu nunca fui adepta de maquiagens e usava o mínimo possível para não ter o dobro de trabalho para remover, mas depois da minha inspeção diante do espelho não vi outra alternativa. Havia, ao redor dos meus olhos, evidentes olheiras escuras que geralmente surgiam quando tinha noites de insônia – o que ultimamente, para meu desgosto, virou hábito – ou enferma. Teria que arduamente amenizá-las com o que tinha à disposição. Apesar do cansaço salientado em cada traço do meu rosto, ainda mantinha a característica natural – e irritante – de aparentar ser mais nova do que realmente sou. Isso facilitava empreitadas como aquela, porém despertava um certo grau de insegurança quanto a minha aparência. O uniforme, constituído por tons de azul marinho e detalhes vermelhos, conferia maior credibilidade quando a minha falsa identidade de estudante. Suspirei frustrada, escondendo a palidez em meus rosto.

– Droga... – praguejei ressentida.

Limpei novamente o rímel impaciente com o resultado. Não adiantava o quanto me esforçava, nunca conseguia dar um ar mais maduro para não ficar tão infantilizada – mais do que estava. Precisava apressar esse martírio de vestir camadas – que possuía seu nível de complexidade como um teste a paciência – de peças que compunha o uniforme, sendo a meia e o sapato os que faltavam. Com o desastroso processo de limpeza concluído, cacei as meias, cuidadosamente colocando-as. Por ser longa e de nylon, que com um descuido rasgaria, enrolei pacientemente até metade da minha coxa, exatamente onde deveria e, por fim, calcei os sapatos. O fato do meu cabelo estar curto convenientemente não exigia muito trabalho para arrumá-lo de acordo com meu agrado. Lucrécia fez questão de deixar uma presilha nele para, segundo ela, tirar um pouco a aura monótona séria de mim. Guardei Blood na capa camuflada a um instrumento musical, recolhi o aparelho de comunicação e desejei boa sorte a mim mesma como um encorajamento para o que me esperava além do quarto no hotel. Lucrécia aguardava no carro em um misto de apreensão e expectativa e compreendia a ausência de ânimo usual. Não era um começo para ela quanto para mim, e sim um recomeço. Após o acidente e a morte dos pais, ela permaneceu em luto e se privou do contato de outras pessoas da mesma forma que eu fazia. Como uma solidão opcional, tendo cada uma seus motivos. Assim que acomodei-me ao seu lado, Lucrécia esboçou um sorriso. Para oferecer conforto, tentei retribuir o gesto. Vergil corrigiu a posição do espelho retrovisor e ligou o carro. A névoa da noite anterior havia se dissipado, não totalmente, contudo, o suficiente para distinguir com clareza as casas e as pessoas em sua rotina desgastante. O trânsito, que põe à prova os nervos de qualquer um, não afetou o silêncio dentro do veículo. Todos pareciam concordar em não travar um diálogo desnecessário ou simplesmente não tinham nada para dizer. Independente da razão, apreciei esse intervalo para dedicar-me a pensar em inúmeras maneiras de garantir que não teria falhas no plano. Imersa em meus pensamentos, perigosamente lembrei da minha decisão definitiva de cortar relações com Dante. Fiquei a noite toda convencendo-me a não revogar a ideia, chorando baixinho para não acordar Vergil. Vieram outras coisas, dúvidas que rondavam minha mente. Conhecendo Dante e teimoso do jeito que era, não desistiria tão facilmente de uma explicação. Ele tinha seus métodos para me localizar e eu tinha que ganhar tempo. Precisava preparar-me espiritual e psicologicamente para confrontá-lo. Involuntariamente suspirei. Encostei a cabeça no vidro da janela fingindo poder estar na pele de qualquer outra pessoa que meus olhos capturavam. Como se tivesse a oportunidade de espiar outras vidas. As lojas e outros estabelecimentos passavam como um filme. Distraidamente, observei Vergil na condução. Ele parecia estar muito acostumado com aquilo do eu que poderia imaginar. Ainda precisava aprender muito sobre ele e teria todo tempo necessário para saber mais, visto que nós ficaremos juntos nessa jornada. Deslocamo-nos rumo à uma avenida com velocidade no limite, seguindo para a rua do Colégio Santa Marta. A primeira coisa que fica claro ao sair do carro e ter uma visão geral do lugar, era sua grande e clássica arquitetura. Algo que remetia ao luxo e a arte. A concentração de pessoas, mais especificamente garotas – pois era um colégio exclusivo –, acrescentou um desconforto extra em mim. Eu não gostava muito de ambientes tumultuados, e se tratando de um terreno desconhecido foi mais que suficiente para ficar ligeiramente estressada e com alerta redobrado. Tudo que faria ao infiltrar-me ali seria estritamente perigoso; o risco de ser uma armadilha existia tal como uma infestação de Espectros. Com a ansiedade sob controle, pensei se a sorte estaria a nosso favor, mas repreendi-me atestando que aquilo, igual a tudo que ocorrera, não tinha nada a ver com trivialidades de sorte. Era uma questão de desempenho e determinação. 

– Esse é o lugar...? – perguntei retoricamente. – Eu posso senti-lo aqui... David.

Vergil pegou meu braço.

– Tenha cuidado. – nossos olhares se cruzaram, em um breve olhar de cumplicidade. – Assim que perceber que tem algo errado, farei do meu jeito.

– Certo.

Despedimos de Vergil, quase que implicasse em uma tensão maior. Estava em minhas mãos a responsabilidade de deter o exército das Trevas. Se tiver sucesso e matar David, reduziria estrategicamente a força tática deles. Caso perca a chance, teria prosseguir incansavelmente nessa luta.

– Seu namorado... É um homem assustador. – Lucrécia comentou, agarrando meu braço, fincando as unhas no tecido da blusa.

Ruborizei, pasma.

– Ele não é meu namorado. – declarei, tentando ser indiferente.

A segurança reforçada conscientizava as alunas da presença de uma figura de importância; David, o presidente dos conglomerados Ifrit e recentemente Trinity E. Baseada em incontáveis pesquisas e com as habilidades de Hacker de Max – e alguns amigos dela: David tirou vantagem do poder de seus recursos financeiros para se tornar acionista principal das mais poderosas empresas mundiais. Isso que ele é aos olhos do público. Então a grande parcela de dados coletados tinham predominantemente conexão com parcerias empresariais e acordos com comércio de remédios, alimentos e até armas. Um comércio rico e suspeito. Dizem que quem tem maior poder bélico controla o mundo e esse conhecimento já causava mais receio. Ajustei o comunicador na orelha, pronta para repassar as instruções a Max. Sabia que esse tipo de instituição possuía um sistema de segurança onde havia câmeras espalhadas pelos corredores e nas salas, nada de incomum, apenas invasivo. Logo de cara consigo encontrar, pelo menos, duas delas no estacionamento. Discrição era prioridade. Lucrécia andava lado a lado comigo, cabisbaixa.

Assim que deixamos o estacionamento um pequeno grupo de garotas nos recepcionou com condolências e palavras amigáveis, todas direcionadas a Lucrécia. Talvez devesse esse empecilho a ela, que aparentemente estava na classe mais alta no círculo social daquele lugar e, embora tivesse ficado um período afastada, não mudou muito seu status. Visto sua cordialidade e comportamento um tanto forçado mediante a diversas formas de abordagem dos garotas, tive que ir na frente para preservar meu estado de espírito para não lidar com tanta afobação. Eu passei despercebida pelos corredores apinhados. Não demorou muito para escutar os passos apressados atrás de mim, sem fôlego. O único fator vantajoso do uniforme poderia dizer com sinceridade que seria a fluidez do tecido, algo que não atrapalhava nossos movimentos. Lucrécia, vermelha e suada, diminuiu o ritmo da corrida para se alinhar comigo.

– Pensei que ficaria com suas amigas

– Elas não são minhas amigas. Só colegas. – rebateu, amargamente.

– É sobre o que houve com seus pais...?

Lucrécia virou a cara, abatida.

– Sinto muito.

– Tudo bem. Já passou... Sabe, é difícil manter a máscara de conformidade, de felicidade. Mas não posso evitar, quando as pessoas te perguntam se está tudo bem, elas não querem verdadeiramente saber sequer se importam. Apenas querem um motivo para nos olhar com pena.

Refleti a respeito que ela dissera.

– Acho que você é a única que mostrou sinceridade e não me olha com pena... E vejo que também há dor em seus olhos... A de perder alguém.

Apertei o passo, abalada. Voltei a trancar a sete chaves a tempestade de sentimentos que teimavam em sair da prisão que os enclausurava. Não precisava de rachaduras na barreira que construí.

Por cima dos ombros, identifiquei outra câmera nos monitorando. A sensação constante de vigilância acirrada se multiplicou ao nos dirigirmos ao local que serviria como sede da palestra. Tivemos ocupar assentos na plataforma superior, o que tornou a vista mais ampla e o espaço mais aberto para, se necessário, executá-lo. Burburinhos enchiam o ambiente, um coro de vozes que sugerem excitação e empolgação. Havia uma expectativa inocentemente esperançosa na espera enquanto, aos poucos, as vozes se silenciavam. Em mim, muito mais que a ansiedade, tinha o tempestuoso vigor de fúria. Algo que estava fazendo progresso em concentração e foco. Mudei muito no quesito auto controle; talvez não o bastante para não cometer imprudências, mas conseguia frear meus impulsos irracionais e estava bem orgulhosa da minha eficiência. Ponderei se, em troca dessa tal competência, perdi traços significantes da natureza humana, como a compaixão ou a empatia. E mesmo tendo ajudado Lucrécia e assistindo sua inútil e ambiciosa tarefa de fazer amizade comigo, não nutria nenhum sentimento de ligação. Boa parte do tempo contava mentalmente até onde ela iria e quando se afastaria. Não a odiava, sequer possuía motivos para tal, ainda assim se acontecesse algo a ela por minha culpa sei que me afetaria. Eu não estava no direito de ter interações sociais e uma convivência pacífica. Qualquer criatura viva que estiver comigo parecia fadada a morte. E queria evitar isso. Max enviou um sinal avisando que a sala onde nos encontrávamos, além de trancada com mecanismo de segurança que só poderia ser acessado por alguém de dentro, soldados cercavam as portas armados com equipamento pesado. Abri o compartimento que guardava Blood.

As luzes apagaram-se e minha mão segurou o punho da espada. Toda atenção voltou para o palco na qual os holofotes se reuniam, iluminando o meu alvo.

Interessante como a adrenalina no pico mais alto, agindo em todas as células – liberando hormônios como a glicose – e promovendo o aumento da frequência cardíaca e pressão arterial causava uma reviravolta no nosso metabolismo. E exatamente senti o calor em jatos potentes gerados por ela indo, freneticamente, de um lado para outro, forçando passagem na corrente sanguínea e nos nervos. A razão, todo pensamento lógico, abandonou-me e tudo ao meu redor se resumia em mim e David. Incapaz de deter meu impulso nervoso, equilibrei-me no parapeito empunhando Blood, a lâmina brilhando com o jogo de luzes. Não ocorreu-me que tinha testemunhas, inocentes que acabariam envolvidos na roda e que seriam feridos ou mortos. Se tivesse que apostar todas as fichas consciente dos riscos que minha escolha acarretaria, faria sem hesitação. Se titubear, demonstrar estar dividida, provocaria danos maiores e irreversíveis. Minha mandíbula tratava enquanto meus dentes rangiam em uma postura hostil e bestial. Apertava com força desmedida o punho da espada. Minha presença não surpreendeu David. Ele encarava-me com falso encantamento e sutil desprezo.

– Ora, que prazer vê-la.

O sorriso que preguiçosamente estampava suas feições tranquilas rematou minha última fagulha de racionalidade, saltei para o andar inferior, caindo estudadamente no encosto de dois assentos, assustando duas estudantes que gritaram. Disparei com o intuito de matá-lo no primeiro golpe.

– Que decepcionante. É isso que toda sua dor e tristeza podem fazer? - inquiriu debochadamente, contendo a espada entre suas duas mãos como se brincasse com a diferença em nossas forças. – Esperava um pouco mais... Diva.


Notas Finais


Voltei. Ou enquanto puder. :v
Ficar quase um mês inteiro prograstinando não foi tão ruim assim, no fim acabei pondo umas coisas em dia. Agradeço a pessoa que é metade do meu shipp pelo apoio e ter me dado inspiração. Moça, você é a outra fatia do meu bolo 'u'
Até a próxima!


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