História Beyond The Dimensions - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Devil May Cry
Personagens Dante, Lady, Nero, Personagens Originais, Trish, Vergil
Exibições 37
Palavras 2.036
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Confused Heart


O vagão esvaziou-se na última estação, mas não o suficiente para dar a chance de fazer minha caçada sem interferência. Havia restado, no máximo, de acordo com meus cálculos, doze pessoas ali compartilhando o mesmo espaço – comprimido e ventilado – que eu. Esperava que o número não aumentasse conforme a viagem fosse avançando, seria desfavorável e incômodo. Abri os olhos, estudando discretamente o homem engravatado que apresentava sintomas de corrupção. As veias negras eram perceptíveis ao redor do globo ocular e os tremores deixavam claro que a metamorfose se iniciava. Os seres humanos possuíam a capacidade ignorante de serem alheios ao perigo se não tiver realmente exposto e explícito, caso contrário, suas reações permanecem tranquilas. Não podia julgá-los tão severamente, ainda que tivesse razões de sobra para tal. Minha impaciência estava devorando meu ceticismo e concentração, levaria o dobro do tempo estimado para retomar à estável psique. Relaxei no assento, agarrada a Blood estrategicamente camuflada em uma capa escura. Formulei mentalmente minha primeira investida, se tivesse sorte o mataria sem chegar a completar a transformação. Entrar em luta com a desvantagem na questão de localidade e possíveis vítimas estava fora de cogitação. Tinha que ser precisa e finalizá-lo logo. O homem convulsionou como se acometido por ataques epiléticos. Assustados, os passageiros ao lado afastaram-se de imediato, agora mais alardeados. Retirei Blood ao ver a pele dos braços se alargar e rasgar, surgindo uma mais escura e mórbida de um Espectro. Gritei para que todos ficassem longe e fiz um rastro de sangue na lâmina. Com um rosnado animalesco, o monstro se pôs de pé e cheirou o ar em um instinto primitivo de captação olfativa do alimento. O medo das pessoas estimulou o fator predatório da criatura que estava disposta e dilacerá-los como sua refeição. Posicionei-me entre ele e as suas presas, evitando o ataque das enormes garras com a espada. Aproveitei o ponto cego dele, cuja motivação principal limitava-se a comer, para cortar o seu braço ganhando um urro de dor sufocado. As luzes do vagão iam apagando uma a uma enquanto a velocidade reduzia-se, advertindo-me que meu tempo estava se esgotando. Ao ver, por cima dos ombros, os passageiros embarcarem no vagão da frente, pude agir sem preocupações e partir o Espectro ao meio. Sangue cobriu os assentos e janelas fazendo-me lembrar que aquilo era apenas o começo de um longo trabalho. Por ter feito a escolha definitiva de enfrentar meu destino que larguei a vida segura com Dante – um dilema muito complicado e necessário.

Dante... Ele deve estar a minha procura. Eu preferia que ele simplesmente esquecesse tudo isso. Estava inapta para dedicar meus sentimentos positivos com a mente focada num unico objetivo.... Mente sombria, coração confuso.

Desci na parada seguinte, Vergil esperava-me como tínhamos planejado. Apesar de que improvisamos no encontro e no processo todo, nenhum de nós fazia ideia que, justamente no metro, um Espectro apareceria. Apertei o passo, a fraqueza apossou-se de meus sentidos e minhas pernas perderam força. Vergil amparou-me antes de uma queda desastrosa.

– Estou bem – garanti num sopro de voz.

– Você não tem comido e nem dormido direito – afirmou reprovador. – Nesse estado não vai muito longe. Não poderá sequer proteger a si mesma. Ainda pretende continuar com isso?

– Já disse que estou bem – repeti, esfregando os olhos para expulsar a sonolência.

Passamos boa parte de nossas investigações juntos e, aparentemente, eu era uma das poucas que lidava melhor com o temperamento recluso e de poucas palavras de Vergil. Nossa relação não tinha uma atmosfera estranha, apesar das divergências – que não eram poucas considerando o abismo de diferença de personalidades e opiniões. O meio-demônio tecia duras críticas ao meu modo de executar minha missão e meu desempenho, mesmo que essas ocorrências tenham diminuído. O que para mim significava que ele estava se habituando, ou pelo menos nutria essa esperança.

Alugamos um quarto em hotel aos arredores de um parque. Segundo algumas manchetes de jornais de alguns dias atrás, a polícia declarou que, um método efetivo, seria implantado pela segurança da população. Há dois dias foi decretado pelo governo um toque de recolher, ficando estritamente proibido permanecer na rua após as dez da noite sem autorização. Não estranhei esse detalhe, através de minha pesquisa onde mais incidentes com Espectros ocorreram, que cheguei aquela cidade. Fiquei passando de canal em canal na busca por algo relevante para assistir, todos os noticiários locais não se aprofundavam em informações. O governo alegava ataque terrorista, mas não poderiam manter essa fachada por muito tempo. Uma hora perceberiam que as provas de terrorismo sequer existiam. Desliguei a TV e Vergil entregou-me um comprimido, sua expressão não era dada a recusas. Encarei com curiosidade o remédio e sem hesitar muito, peguei e engoli de uma vez. Não tardou para sentir os efeitos calmantes se instalando pelo meu corpo e o sono.

Acordei horas depois, no meio da tarde. Vergil lia um jornal novo na poltrona e lançou um breve olhar de complacência a mim. Estava grogue e meus pensamentos flutuavam sem direção, imersos na densa névoa decorrente ao medicamento. Olhei para o cômodo parcamente iluminado, as luzes alaranjadas entravam pela persiana e os sons de carros do lado de fora situou-me. Identifiquei o quarto e vi uma bandeja na mesa no canto. Forcei-me a pensar coerentemente, afugentando o débil torpor. Meus olhos, em frenética e intuitiva sensação de alerta, vasculharam os móveis e tranquilizei-me com Blood próxima a prateleira.

Rastejei para fora da cama direto para o banheiro.

– Deveria comer – Vergil propôs sem tirar o foco de sua leitura. – Sua negligenciar irá atrapalhá-la nesse caminho que escolheu. E tolice da sua parte se punir por tudo que houve.

– Eu não... – não tinha como me defender de sua acusação, a culpa estava gravada a ferro quente em mim e a cada pulsação dolorosa lembrava disso. Talvez seja pura teimosia minha manter esse sentimento desagradável devido a incapacidade de não me perdoar. Nenhum deles tinha conhecimento do passado obscuro que unia-me a Sebastian, nem meus motivos de tê-lo selado. Tudo que as vagas impressões dele lhes forneciam eram baseadas no incontestável mal que Sebastian representava, que tive a chance de eliminar e não o fiz. Falhei e tudo que recolhi nessa vida é resultado desse erro.

– Não estou com fome – completei sendo prontamente contrariada pelo meu estômago traidor que clamou por comida, contraindo rudemente. Contragosto, comi metade do que Vergil trouxera que consistia em uma sopa de cebola, um prato que não conhecia e bolinhos amanteigados com forma de concha.

– O prato principal é um coq au vin e os bolinhos chamam-se Madeleine – informou, dobrando o jornal e depositando-o sobre a cômoda. – Coma. Iremos sair em breve.

Assenti.

A possibilidade de ter uma experiência mais ampla de culinária de outros lugares do mundo, encorajou-me a degustar tudo a disposição. Satisfeita, troquei de roupa optando por peças de tecidos mais justos como uma segunda pele para movimentar-me com mais liberdade e desembainhei Blood em uma inspeção sutil, checando a afiação da lâmina. Segui para o Hall com Vergil.

Olhei para o céu ao ouvir um longo estrondo ameaçando uma chuva. As pessoas iam e viam apressadas, algumas preparadas para a tormenta com capas e guarda-chuvas de cores variadas. Conforme a escuridão da noite subjugava o dia, novos pontos de luz emergiam de todos os prédios e estabelecimentos abertos, criando uma visão magnífica do ponto mais alto no qual nos encontrava. Meditei profundamente, captando no ambiente, no meu pequeno raio de alcance, uma energia estranha. E um grito quebrou minha concentração. Virei-me correndo por entre as construções até a fonte da perturbação. Havia três Espectros cercando uma garota que não pude identificar muito bem suas características, mas não precisava ser vidente para saber que o terror estava gravado na fisionomia dela. Aterrissei ali próxima, atraindo a atenção deles. Saquei Blood refazendo o procedimento já natural; o sangue gotejou no chão, respingando. O primeiro Espectro urrou, um artifício usando para intimidar a presa, algo que não funcionaria comigo. Afinal, eles eram minha caça. Ele não pôde acompanhar meus movimentos para revidá-los, assim saltei por cima dele e finquei a espada no seu peito, imediatamente afetado pelo meu sangue começou a se deteriorar, sobrando somente cinzas e uma poça vermelha ao redor. O segundo tentou tirar proveito que eu estava de costas para um golpe traiçoeiro, Vergil interviu e o despedaçou. Eu finalizei despejando sangue. O terceiro, voltou-se para a garota enquanto nos distraíamos com os demais. Disparei contando os segundos decisivos que determinariam se teria êxito para salvá-la, ou a jovem morreria da pior forma possível: sendo devorada viva. Liberei minha mente de toda preocupação, apagando o medo de falhar e, fazendo exatamente como me foi ensinado, apliquei energia nos pés e quando estava prestes a terminar o serviço uma sensação de deslocamento arrancou-me da realidade.

– Não, agora não – grunhi. A mente dele, a influência de Sebastian, atravessou a finita distância que nos separavam e chegou até mim, batendo dentro da minha cabeça como um martelo. Foi tão forte e brusco que, por um momento, fiquei desorientada pela mistura de novas percepções e ondas revoltas de pensamentos que se sobrepunham os meus. As trevas me circundavam, me embrulhavam, até que o lado racional do meu cérebro lembrou-me que tinha que sair antes de ser sugada mais a fundo – a consciência dele não seria mais poderosa que a minha. Abri os olhos, apesar de querer me desvencilhar dele, não consegui escapar e estava vivendo tudo por Sebastian, vi Ayden horrorizado o encarando. Recuando a medida que ele avançava. 

– Finalmente seremos um só.

Um jato quente e pegajoso espirrou em mim tragou-me abruptamente de volta. O calor que irradiava do corpo atrás do meu despertou-me verdadeiramente, por fim. O corpo decapitado ainda preservava a vitalidade e ferocidade, porém sem nenhuma coordenação motora. Vergil deu-me a chance para partir o Espectro no meio, fazendo mais sangue jorrar como água de um géiser.

Soltei o ar, os efeitos da adrenalina que diluiu-se em minhas veias gradativamente cessou. A garota repousou seu olhar em mim, sem medo.

– Já terminamos Vergil – embainhei Blood.

Uma troca de olhares, os meus impassíveis e os dela perplexos e atônitos, trouxe um engolfante ressentimento. Inspirou um sentimento de receio e pesar. A garota assustada, impotente diante de seus agressores e humanamente inábil  formavam quem eu tinha sido ao que parecia em outra vida – naquele tempo dependia de Dante para quase tudo. Odiei ver a minha imagem nela. Acelerei meu passo e percebi a falsa sincronia que a menina produzia, deixando nítida sua intenção. Eu parei e desajeitadamente ela fez o mesmo.

– Não sou uma heroína ou sua benfeitora se é isso que pensa. Não vim para salvá-la.

Os ruídos úmidos dos sapatos dela em contato com o sangue enquanto movia-nos, obrigou-me novamente a parar. Ela era persistente e inconveniente. Puxei-a pela camisa e a empurrei, ela se desequilibrou minimamente chocada, mas se recompôs.

– Pare de me seguir!

Permaneceu mais poucas quadras com a garota no meu encalço e não estava certa de uma abordagem mais delicada fosse o bastante para fazê-la desistir.

– Pare com isso! – retirei a pequena faca da bainha e, girando, rasguei a bochecha direita dela. Ela não chorou, embora estivesse muito assustado pela minha atitude agressiva. Pressionou a mão no ferimento a fim de estancar o sangramento. Sem esboçar preocupação – o que realmente me fez acreditar que me tornava alguém sem escrúpulos –, prossegui meu caminho com Vergil. O susto seria o método mais eficiente para afugentá-la.

Cerrei os punhos com o quão estúpida ela provou ser com tamanha insensatez. Mais debilitada, não recuou e ainda marchava atrás de nós. Num ímpeto de impaciência, ergui a mão para esbofeteá-la e acabar de uma vez com a insistência descabida de querer ficar perto.

– Já chega – Vergil agarrou meu pulso, restringindo-me e, deste modo, impedindo o tapa. 

Mexi o braço e ele o soltou.

– Será que é difícil entender... – fui surpreendida com a queda, a menina desmaiou colidindo-se comigo ao cair e derrubou-me contra o chão frio. A dor do impacto me atordoou. Vi o semblante amedrontado e tive que admitir que, no fundo, ainda tinha o mesmo coração mole e simplesmente decidi que cuidar dela era o certo a ser feito.

– É tarde de mais para pedir desculpas? – sussurrei.


Notas Finais


Finalmente terminei, acho que esse negócio de fazer uma temporada atrás da outra é muito mais exaustivo do que imaginei :v
Até a próxima!


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