História Biker Blood - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Lana Del Rey, Sons of Anarchy
Personagens Alexander "Tig" Trager, Clarence "Clay" Morrow, Filip "Chibs" Telford, Gemma Teller Morrow, Happy Lowman, Jackson "Jax" Teller, Juan Carlos "Juice" Ortiz, Lana Del Rey, Personagens Originais, Robert "Bobby Elvis" Munson, Tara Knowles-Teller
Tags Badboy, Charlie Hunnam, Criminal, Heath Ledger, Lana Del Rey, Mads Mikkelsen, Motoclube, Motoqueiro, Motoqueiros, Motos, Romance, Sons Of Anarchy
Exibições 82
Palavras 3.104
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 20 - Breaking the glass


Fanfic / Fanfiction Biker Blood - Capítulo 20 - Breaking the glass

Esfreguei os olhos clareando minha visão. Estiquei o braço até alcançar o roupão e o vesti. Jax não estava na cama e só restava-me duas alternativas, ou eu havia dormido demais ou ele acordara mais cedo. Assim que usei o banheiro, encontrei-o na cozinha. O perfume do café consumia toda a casa e eu já podia sentir seu amargor em minha boca sem nem mesmo tê-lo provado.

— Bom dia, Bela Adormecida. – Jax disse e seu excêntrico sorriso de canto estampava seus lábios. Ele colocava o revólver na bainha de sua calça e logo em seguida, apanhou as chaves da moto.

— Caiu da cama, Pres’? –perguntei debochando. Aproximei-me e alcancei seus lábios, beijando-os.

— Hoje o dia será cheio, querida! Aliás, antes que eu esqueça, me faz um favor? – Ele disse lançando-me todo o charme que acumulara para usar durante um dia inteiro. Seus dedos tocaram-me o queixo, acariciando-o e hipnotizando-me com o azul de seus olhos.

— Como negar um favor diante desses olhos trapaceiros?

— Eu sou um conto de fadas, baby. – Ele disse a se gabar. Golpeei-o no peito e rimos por um instante, antes que ele continuasse: – Quero que vista aquele vestido que lhe dei de aniversário. Pode fazer isso?

— Sim, claro... –disse automaticamente, porém, estava perdida nas hipóteses que começaram a surgir em meus pensamentos. – Mas, por quê?

— Eu sabia que me faria este favor, Elizabeth. –ele disse e calou-me com outro beijo antes mesmo que pudesse questioná-lo. Abriu a porta e olhou para trás, fitando-me novamente com seu sorriso travesso. Deixou-me ali para que me afogasse em meu mar de ansiedade.

{...}

Uma das garotas precisara faltar e acabei tendo de me encarregar dos serviços do bar. Para meu azar o movimento em Diosa não estava tão badalado, o que deixava-me no ócio, alimentando ainda mais minha ansiedade diante do pedido de Jackson.

Preparava um dry-martini quando vi Gemma adentrar a boate. Ela logo pousou seus olhos sobre mim e caminhou até o balcão. Entreguei a bebida ao homem que havia a ordenado e Gemma se sentou à minha frente. Ela sorria e isso era incomum, causando-me desconfiança.

— Como vão as coisas por aqui, querida? Parecem calmas. –Ela disse entregando-me sua bolsa para que eu guardasse detrás do balcão. Isso significava que Gemma ficaria na boate por mais tempo do que costumava, o que é, novamente, incomum.

— E estão. Aconteceu algo, Senhora Teller? Bem, não quero parecer grosseira, mas tenho a impressão de que há algo de errado. –Disse fitando-a e provavelmente a insegurança estava estampada em meu rosto.

— Algo errado? Não, querida. Na verdade, resolvi passar por aqui para avisá-la que agendei sua primeira consulta com o médico. Quero garantir que essa gravidez receba todo acompanhamento possível. –ela disse sorrindo. Não havia titubeado em nenhuma de suas palavras, mas isso não me causava conforto algum, pois Gemma é graduada em manter mistérios. Condenei a mim mesma, culpando a gravidez por minha paranoia repentina.

— Obrigada, Gem’.

— Querida, não vou ocupa-la por muito mais. Se me der licença, preciso usar o banheiro antes de ir.

— Claro, fique a vontade. –respondi e Gemma dirigiu-se à direção contrária aos banheiros. Lyla apareceu, aproximando-se dela e sussurrando algo em seu ouvido.

Eu iria descobrir o que estava acontecendo naquele exato momento, mas a porta da boate se abriu novamente e dessa vez, Kevin a adentrou. Wendy estava ao seu lado e ela segurava uma câmera digital nas mãos. Fitei-os questionando que diabos estava acontecendo que eu parecia ser a única a não saber. Deixei o balcão e caminhei até eles, esbanjando minha irritação pelo modo como meus saltos ecoavam contra o piso.

Subitamente a porta da boate se abriu outra vez, fazendo-me congelar em meus passos. Jax a adentrou, convidando um velho homem a acompanha-lo. O homem vestia-se de terno e gravata e carregava consigo uma espécie de livro negro. Atrás deles, todos os rapazes sucederam. Eu deveria me preocupar, mas todos estavam sorrindo e fitando-me como se o que estivesse prestes a acontecer tivesse a ver comigo.

— Jax, o que está havendo? Pelo amor de Deus, me diga agora ou eu juro que...  – Comecei, pronta para atacá-lo com minha pior ameaça, porém interrompeu-me.

— Vamos nos casar, Elizabeth. –ele disse esbanjando seu mais belo sorriso. Abriu seu colete e tirou de lá um pequeno tecido, mas na verdade não era um simples tecido. Era um véu. Ele colocou cuidadosamente a tiara presa ao véu em minha cabeça, certificando-se de que estaria bem afixada em meus cabelos.

Naquele momento meus saltos pareciam ter se transformado em um par de agulhas que perfuravam meus calcanhares e faziam-me lutar para permanecer de pé. Jax notou meu espanto e segurou minhas mãos, aproximou-as de seu rosto e beijou-as, sempre mantendo seu olhar conecto ao meu, como se registrasse cada uma de minhas reações.

— Desculpe-me querida, mas eu precisava manter a surpresa.  –ele sussurrou ao meu ouvido, zombando de meu estado. Eu poderia ter aproveitado a chance para estapeá-lo, mas eu só conseguia sorrir.

Ele guiou-me até os fundos da boate, onde mantínhamos uma espécie de armazém. Lá estavam Gemma e Lyla. Fitei-as incrédula. Haviam espalhado pétalas brancas por todo o piso e ainda tiveram tempo para empilhar todas as caixas em um canto do armazém, deixando o centro livre para que a cerimônia acontecesse. 

O velho homem se colocou detrás de algumas caixas, transformando-as em uma espécie de bancada, onde colocou o livro negro e se endireitou, assumindo uma postura ereta e ajustando sua gravata. Senti a mão de Jax percorrer a linha de minha coluna, pousando no final de minhas costas e fazendo-me a acompanha-lo, deixando-nos de frente ao homem.

— Teller, você é completamente maluco! –sussurrei ainda atônita com o que estava prestes a acontecer.

— Acho que percebeu isso tarde demais, querida. –ele retrucou voltando a segurar minhas mãos.

Todos os rapazes estavam a nos cercar, fazendo piadas, caçoando uns dos outros e claro, aproveitando o momento para comemorar com uma boa dose de uísque. Gemma e Lyla estavam a nos observar e o lisonjeio em seus olhos era irrefutável. Gemma tinha seus lábios curvados em um tímido sorriso. Kevin e Wendy disputavam o melhor ângulo para recordar em sua câmera cada momento do que acontecia. Eles também estampavam sorrisos e eu jamais duvidaria, pois sei que eram sinceros.

— Jackson Nathaniel Teller, você aceita Elizabeth Woolridge Grant como sua legítima esposa? –O homem perguntou e todos se calaram a fim de ouvir a resposta que se sucederia.

— Sim, eu aceito. –Jax disse e suas palavras saíram de sua boca como se estivessem em slow-motion. Seus olhos permaneciam fixos aos meus e o modo como me fitava fez com que um calafrio percorresse cada centímetro de minha pele.

— Elizabeth Woolidge Grant, você aceita Jackson Nathaniel Teller como seu legítimo esposo?

— S-Sim... Eu... Eu aceito. – gaguejei como jamais gaguejara antes. Ouvi risos preenchendo o armazém e acabei rindo de mim mesma. Eu superava minhas próprias expectativas de conseguir estragar momentos que deveriam ser perfeitos. Jax sorriu e seus olhos me diziam para manter a calma e que estava tudo bem.

— As alianças, por favor. – O homem disse e Juice as entregou para Jax.

Vê-lo abrir a pequena caixa aveludada e expor um par de belos anéis dourados fez-me crer que aquilo não era nenhum conto de fadas, era tudo real. Ele apanhou minha mão esquerda e deslizou o anel cuidadosamente em meu dedo anelar. Assim que o colocou, inclinou-se e acariciou meu ventre, depositando um beijo em minha barriga. Cautelosamente fiz o mesmo com a segunda aliança. Conforme deslizei o anel por seu dedo, meu sorriso tornou-se maior e maior, como se pudesse a qualquer instante se romper.

Ouvi aplausos e gritos, mas Jax interrompeu minha percepção de espaço, erguendo o véu que encobria meu rosto e selando meus lábios com um longo beijo. O beijo que concretizou o sonho do qual eu jamais queria acordar. Estávamos casados. Fora uma cerimônia bastante incomum e confesso que em meus delírios adolescentes nunca imaginei nada parecido. Ao invés de ternos e trajes de gala, tínhamos coletes de couro e ceifeiros estampados. Ao invés de um luau à beira mar, tínhamos um bordel repleto de acompanhantes. Ao invés de tios e primos distantes, eu tinha uma nova família e o homem que se dispôs a amar-me acima de qualquer empecilho.

— Aproveitem que iremos ocupar as garotas e escolham um dos quartos para a Lua de Mel! Hoje é por conta da casa! –Tiggy gritou fazendo todos gargalharem. Abracei Jax, escondendo-me debaixo de seu pescoço por tamanho constrangimento.

— Acabou de ler meus pensamentos, Tig! Aproveitem enquanto resolverei meus negócios no quarto ao lado. – Jax disse e subitamente suas mãos tocaram-me os quadris, levantando-me no ar. Colocou-me sobre seu ombro e carregou-me como se estivesse a me raptar.

— Jax! –berrei esmurrando suas costas, mas ele ignorou-me completamente, rindo e correndo até o corredor dos quartos.

Ainda comigo pendurada em suas costas, Jax abriu a porta de um dos quartos e logo em seguida a fechou, colocando-me no chão. Golpeei-o três vezes em seu peito e ele se protegeu, correndo e se jogando na cama. Pulei sobre seu corpo e ele segurou meus punhos, impedindo-me de continuar. Acabamos por deitar lado a lado, encarando um ao outro, enquanto recuperávamos o fôlego das gargalhadas.

— Acho que voltamos à adolescência, Senhor Motoqueiro-Fora-Da-Lei. –debochei, roubando-lhe um beijo.

— Adolescentes não aproveitariam um quarto desses para deitar na cama e contemplar um ao outro, querida. –Jax retorquiu sorrindo e se ajeitando sobre o colchão. Um de seus braços envolveu minhas costas, puxando-me de modo que eu me deitasse sobre seu peito.

— Eu realmente não esperava algo assim. Foi lindo, Jax. –disse depois de uma longa pausa, irrompendo o silêncio.

— Queria ter podido fazer algo mais formal, mas decidi não esperar pelo amanhã.

— Pelo menos eu estou vestindo o vestido que marcou o início de tudo. –disse rindo e erguendo-me um pouco para que pudesse fitar seu rosto.

— E está linda nele. – ele disse e colocou uma das mãos em meu rosto, acariciando-me. – Não tenho certeza do dia de amanhã, mas pelo menos no dia de hoje pude fazê-la sorrir e tenho certeza de que guardarei para sempre a memória de suas palavras falhas quando aceitou se tornar minha Senhora.

— Hoje você me fez feliz e tenho certeza de que amanhã e depois de amanhã, continuará a fazê-lo, Jackson. –Disse sorrindo, mas Jax parecia inseguro. Ele apenas forçou um sorriso frouxo e tocou meus lábios, beijando-os.

[Narração]

Jax foi revistado e lhe concederam permissão para permanecer com a fotografia. A fotografia onde Elizabeth e Lyla brincavam com os filhos de Opie. Ele esperava na fila, assim como todos os outros visitantes, quando um dos oficiais convidou-o para segui-lo. Jax hesitou, mas acabou o acompanhando.

Entraram em outro compartimento do presídio. Este também era um pátio de visitas, porém, havia uma parede que separava os detentos dos visitantes. Uma parede de vidro, seccionada em centenas de cabines. Preso ao vidro havia um sistema de comunicação, onde em cada um dos lados ficava um telefone. O detento e o visitante se comunicariam através de uma ligação, porém, não teriam nada além do contato visual.

— Cabine vinte e sete. – O oficial disse apontando para a suposta direção.

Jackson pôs-se a caminhar pelo longo corredor, ouvindo os trechos das conversas desesperadas e o som dos prantos angustiantes. Avistou o número vinte e seis e aliviou-se ao saber que a cabine ao lado seria a vinte e sete. Puxou a cadeira para se sentar e cruzou olhares com aquele que estava do outro lado do vidro. Não era Opie. Jax levantou-se imediatamente, mas ele bateu no vidro, mimicando para que Jax lhe desse um instante.

Sean Copperfield estava ao outro lado do vidro. Jax praguejou-se internamente, perguntando a si mesmo como esta situação era possível. Sean o encarava sem demonstrar nenhuma emoção. Apanhou o telefone e mencionou para que Teller fizesse o mesmo.

— Olá, Teller. Surpreso em me ver? –Sean perguntou curvando os lábios em um sorriso perverso.

— Vá se foder. O que quer?

— Eu? Bom, eu quero muitas coisas, mas por agora gostaria de lhe atualizar sobre o que acontece dentro de Stockton.

— Eu não dou a mínima para o que tem a dizer. –Jax retorquiu de forma rude, causando de Sean engrandecer ainda mais o pequeno sorriso que lhe curvava os lábios.

— Consegue ver o meu olho esquerdo?

— Aonde quer chegar com isso, Copperfield? – Jax perguntou impaciente. Ele notara o olho esquerdo de Sean. Estava esbranquiçado e marcado por uma cicatriz que não existia na última vez o que o vira. Ele também tinha vários hematomas pelo rosto, como se tivesse se envolvido em alguma briga.

— Cegaram-me. –Sean disse e sua postura permanecia bastante serena. – Assim que o souberam do ataque aos Agraviados, aquele em que ordenastes seus homens a assassinar uma família inteira durante a festa de aniversário do niño Lorenzo. Lembra-se?

Jax permaneceu calado, apenas ouvindo-o e contendo qualquer tipo de reação que o expusesse a Copperfield.

— Talvez não se lembre, afinal, assassinar inocentes tornou-se um hobby para SAMCRO. Enfim, logo que as notícias se espalharam por Stockton, os chicanos retaliaram. Apanharam-me como bode-expiatório e cegaram-me com um pedaço de espelho.

— Espera que eu fique comovido com isso?

— Soube que Elizabeth está esperando um filho seu.

— Eu não vim aqui para falar de Elizabeth e ainda não sei por que decidi lhe dar ouvidos. – Jax disse e tirou o telefone do ouvido, aproximando-o de sua base, mas Sean continuou a falar:

— Espero que a criança seja feliz sabendo que o pai é um assassino e a mãe, uma prostituta. – Sean disse friamente, mantendo seus olhos fixos em Teller e examinando cada uma de suas expressões. Jax apanhou o telefone imediatamente e retrucou enfurecido:

— Espero que seja feliz sabendo que tudo o que fez em sua vida foi em vão, pois morrerá antes mesmo de poder cumprir sua maldita pena!

— Eu não fui o único que morreu antes de cumprir a própria pena.

— O que você disse? – Jax perguntou, mesmo o tendo escutado perfeitamente.

 Jax sentiu sua boca secar, faltando-lhe saliva para formar qualquer frase. Seus dedos enrijeceram ao redor do telefone, deixando suas articulações avermelhadas pela força que o segurava ao ouvido. Sean percorreu uma das mãos pelo cabelo, fixando seus fios oleosos e se divertindo com o modo que deixara Teller.

— Exatamente o que ouviu. E lhe digo mais: aquele era um cavalheiro honroso! Não implorou pela vida em nenhum momento.

Jax ruiu, desmoronando-se sobre a cadeira. Suas mãos pareceram perder o movimento e se seus dedos não estivessem tão envoltos ao telefone, ele teria caído de seu ouvido. Milhares de flashes começaram a percorrer pelos pensamentos de Jax e cada uma das palavras de Sean passou a ecoar em sua mente, como se ele narrasse o filme mais pavoroso que Jax já assistira.

Pedi que o apagassem durante a hora do banho. Luke, um dos policiais que tenho em minha folha de pagamento fez-me o favor. Ele ainda me disse que o grandalhão precisou de dois golpes para perder os sentidos, acredita? Precisei me decidir como o faria, pois queria que fosse especial. Tanto ele como eu precisaríamos nos lembrar desse momento para sempre, e... Ah! Mesmo não estando lá, acredito que você também irá se lembrar, Teller.

— Desgraçado... –Jax murmurou quase de forma inaudível, mas tal ofensa não impedira Sean de prosseguir.

Por volta das onze da noite, eu e mais dois colegas fomos levados à lavanderia do presídio. Recebemos três trocas de roupa. Sim, apenas três, pois Opie não precisou. Chegamos lá e Luke disse que não deveríamos acender as luzes, pois poderia chamar a atenção. Circulamos pela lavanderia e apanhamos três canos metálicos. Foi até fácil de consegui-los, parecia até mesmo que haviam sido colocados ali para nós! Foi então que levei um susto. Opie estava sentado recostado à parede. A luz da Lua clareava o local, então pude notar detalhes como o de que ele estava com as mãos atadas atrás das costas e também amordaçado com uma meia suja. Eu, sinceramente, achei que não seria necessário tanto, então destapei sua boca. Ele não gritou, não berrou, não disse absolutamente nada. Então, para dar-lhe um bônus, também soltei suas mãos. Foi então que ele me mostrou a rebeldia que estava escondendo. Acertou-me várias vezes no rosto, até que me derrubasse. Minha visão escureceu e eu tive medo de morrer antes que pudesse concluir meu trabalho. Chamei meus dois colegas e eles contiveram Opie, segurando-o.

— Covarde... –Jax murmurou novamente, sentindo os olhos pesarem.

Perguntei a ele se gostaria de permanecer vivo, mas ele não me respondeu. Então fiz uma proposta: Pedi que me ajudasse com os Federais, entregando-me provas que pudessem comprovar o envolvimento de SAMCRO com o tráfico, mas adivinha o que ele me disse? “Vá se foder”. O modo como disse expunha seu ódio e eu tive vontade de acabar com ele naquele momento, mas eu não me divertiria tanto como me diverti. Ordenei que o soltassem e foi então que agarrei o cano e o golpeei. Golpeei-o uma vez. Duas vezes. Três vezes. Só na quarta vez vi o sangue escorrer por seu nariz. Ele reagia e eu aproveitava para acertar suas mãos. Golpeei-o e vi seus dedos dobrarem para trás. Garanto que quebrei pelo menos três dedos de sua mão direita. Gargalhei tão alto e acabei o enfurecendo ainda mais, mas eu já estava exausto. Deixei com que meus rapazes terminassem o que eu comecei. Os dois passaram a golpeá-lo por todas as direções possíveis, enquanto eu sentei-me em uma das banquetas e assisti-o arfar por ar. Ele se ajoelhou e olhou diretamente em minha direção. Eu podia ver sua face pela luz do luar. Estava desfigurado. Acho que nem mesmo você, Teller, o reconheceria naquele estado. Aproximei-me dele, ficando de pé a sua frente. Ele ergueu os braços na tentativa de me acertar, mas não teve força suficiente para levantá-los nem acima da altura de sua cintura. Afastei o cano o mais alto que consegui e o desci o mais rápido que pude, agravando ainda mais o impacto com que atingi sua cabeça. Ele nem sequer gritou. Só consegui ouvir o ruído de seu crânio se chocando contra o chão quando ele caiu.

Jax soltou o telefone, deixando-o cair sobre a bancada. Ele cambaleou, quase tropeçando em seus próprios pés e andejou pelo corredor. Estava em uma espécie de transe onde não conseguia enxergar um palmo a frente de seu nariz e se movia mesmo sem perceber para onde estava indo.

— Opie... –Jax balbuciou agarrando o guidão de sua moto. Suas pernas fraquejaram e ele caiu de joelhos, chocando-se contra os pedregulhos do estacionamento.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...