História Bipolarity and Murder - Capítulo 61


Escrita por: ~

Postado
Categorias Jeff The Killer
Personagens Jeff, Personagens Originais
Tags Assassinato, Bipolaridade, Creepypasta, Doenças Mentais, Jeff The Killer, Lemon, Orfanato, Yaoi
Exibições 34
Palavras 10.131
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sadomasoquismo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aviso: Esse capítulo contém coisas bastante... estranhas. Por isso recomendo para você, leitor ou leitora, não confiar nelas... isso é pra valer.

  Ah, Link nas Notas Finais, com um bônus de recadinho.

  Os capítulos já foram editados do 1 ao 27.

Capítulo 61 - Desespero


Fanfic / Fanfiction Bipolarity and Murder - Capítulo 61 - Desespero


Luck

  De frente a varanda, meus pés para fora. Sinto a repulsão em cair de uma imensurável altura me consumindo, me proibindo de reagir, de falar feito antes com isento de malícia. Mesmo que assim não fizesse mais tanta diferença agir com inocência, é o que ele deseja faz muito tempo e mais uma vez seria submisso a meu dominador.  A respiração fraca e esgotada, a confusão acumulada prejudica a mente de um garoto que a pouco tempo só se preocupava em desenhar e chacinar, somente quando a revolta fútil fazia seu cruel papel ao assumir meu cérebro. Mas hoje me incomoda... com um sentimento perigoso, o coração fica mais quente e dolorido, as sensações novas e proibidas, a cabeça ignorava tudo pois o desejo de consumir seu amor preenchia-me, rasgando-me por dentro. E ainda rasga, pouco preenche, Brian, este nome, por mais que tente jamais irei esquecer dele. Ele é meu brinquedo, por isso eu é quem sou seu controlador, mas acabo em revezamento sendo a sua marionete.  Essa vida que tenho muitas vezes pensei que nunca tivesse, eu desejava viver sozinho nesse lugar após a morte de meus pais ou talvez até que terei os assassinado por decadência emocional no futuro. Matarei as pessoas que me incomodam, quem sabe as inocentes quando a raiva me consumirá por completo... Mas devido ao surgimento do meu primeiro ''amor'', – esse tal brinquedinho que mexe com minha estrutura, – meu mundo de expectativas tornou se o reverso de tudo e de todos: minha verdadeira casa foi demolida a mais de sete meses, isolada e coberta por fitas policiais amarelas. No momento me encontro na antiga casa onde morávamos, e todas as lembranças foram esquecidas propositalmente do meu cérebro. Estou investindo na primeira alternativa de matar meus pais, e viver com Brian sem mais regras e ordens que proíbem a sentida atração que ainda sustentamos na alerta de perigo, mesmo por estarmos pouco distantes um do outro. Quem sabe eu mereça isso, mereço porque quero e não posso evitar. Irei me ferrar mais tarde, um de nós morrerá, cada um por sí a partir desta alternativa escolhida por mim.

— Pois é, eu mereço isso — sussurro após um suspiro — Mereço porque fui eu quem deixei acontecer, que insisti e resultei na total atenção do meu ativo. Com essas marcas nos meus braços e punho...

Minha voz infantil ecoa e me deixa constrangido consigo mesmo, devido a fala audível para o mundo até em pensamentos inúteis, que acredito eu, somente eu possuo consciência sobre eles.

  É Outono, a prévia da estação dos dias mais curtos do ano, o vento soprando meus cabelos, as árvores balançando às duas da tarde e suas folhas avermelhadas farfulhando, batem em mim rasgando meu rosto e olhos sensivelmente. Fecho meu olho direito quando uma folha amarelada cobre minha visão. Dou um grunhido a retirando calmamente, agarrando seu pecíolo e com isso sorrindo pelo sol se escondendo e pelas nuvens mais agitadas e escuras; o vento cada vez mais forte; mais folhas cobrindo minha total visão. Há montanhas e relevos verdes repletos de árvores alaranjadas de folhas. Graças a esses acontecimentos e visões, que estou sorrindo, sorrindo pois também percebo que virá tempestade. Começo a assobiar. A melodia que mamãe tocava em sua flauta. Meus pés balançam e o som e toque do vento forte, empurra meus cabelos tornando-os mais volumosos e um tanto ondulados e frizados. Meus dedos batucando na ripa branca de madeira conforme o ritmo das teclas do piano de Raphael. Sempre adorei fazer isso, ouvi-los, imita los e assisti-los por demasia, me incentivou muito mais do que cometer assassinatos devido a seus surpreendentes estímulos sangrentos. Satisfatoriamente eu paro antes que me escutem, o som da brisa que trazia as folhas era a minha única melodia quando parei. Papai colocava vidros mais resistentes onde Brian havia quebrado, e cobria o espaço vazio com madeiras mal proporcionadas, tudo muito distante de onde me encontrava agora. Na varanda, com as janelas escancaradas recebendo para o quarto a sujeira das folhas outonais.

  Aqui de cima posso ver Brian amarrado e amordaçado perto de uma árvore, nos encaramos e logo abaixamos nossas cabeças em lamentação a mais um desastre.

— Infelizmente, você falhou nessa missão, Brinquedinho...

 
Current Days...

   Sentados na mesa. Tento agir como se tivesse seis anos mais uma vez. Encaro o prato de comida, ignoro Brian e meus pais. Eles parecem estar felizes com isso, com a minha falta de atenção as coisas menos importantes ao redor, com frieza e narcisismo, com demostração de apatia. Não sei por qual motivo, sempre gostaram da própria e da alheia desgraça, mesmo que meus atos agora não sejam por enquanto uma desgraça para alguém. Seus gostos são como os... de Brian! Bom, esse nome se transformou no principal fruto de minhas coerentes reflexões. Essa palavra me faz lembrar das aulas não mais freqüentadas, e de que eu preciso utilizar a mesma tática das árvores que se protegem do frio com a caída das folhas, para diminuir e acabar com esse romance que incomoda a minha vivência nesse ciclo dificultoso de outono. Vou derrubar tudo o que o menciona, e usar isso para o meu próprio aquecimento. Mas não funciona muito, minhas idéias somem quando vejo que não estou sozinho, que meu brinquedinho está distante nesse móvel chamado mesa. Que não posso deixar de notar sua presença agravada em mim, pois necessito dela assim como as folhas nascem e assim como as árvores logo precisam delas novamente talvez por capricho, mas para a chegada de novos frutos. Meus frutos não irão ser colhidos, e essa explicação só está piorando as coisas, pode muito bem estar errada. EU SOU UM IDIOTA! Vejo que come sem parar e todos os dias usa uma roupa diferente. Acho que irei começar a desenhar novamente, voltar a falar feito antes e agir de um modo inesperado por ele, vou chamá-lo de irmãozinho nas horas vagas. Quem sabe isso o faça mudar de idéia sobre como é excitante a minha personalidade pouco ingênua feito antes.

— Luck, você sabe que conseguimos ver as filmagens, mesmo depois de chegarmos em casa ontem de madrugada não sabe? — ouço o som de porcelana e uma colher batendo nela, mamãe parecia perturbada e essa é a primeira frase que me diz pela manhã enquanto adoça seu café.

  Estava divagando muito e ela tirou isso de mim.

  Tentei disfarçar e ignorar o que dissera, mas eu a respeito e preciso respondê-la. Encaro mais uma vez minha xícara quente, evito olhar para Brian e então, abro a boca para protestar. Não, tenho de falar a verdade e fingir sentimento de culpa. Mesmo que isso me perturbe por agir falsamente de um modo debochado com ela.

— Desculpe mãe, o que fiz não irá voltar a acontecer — respondo sério e dou um sorriso tanto quanto ingênuo diferente dos demais.

  Falsa exatidão.

  Raphael suspira e levanta da mesa, a rubra continua e a vitima, vejo ele corar por alguns segundos. Talvez o fulvo se retirou porque já imaginava o que aconteceria.

— Foi muito... estranho, o que vi nas filmagens. Pensei que seria diferente, daqui em diante eu quero que pare, está bem? — não respondo — Sei que pra você é difícil, ainda está se descobrindo e eu não posso tirar isso de você, é cruel. Mas, não é impossível, é?

— Não — respondo um pouco insosso, como dizia Brian.

— Olha... não queria dizer isso mas é bom um recomeço. Brian estando aqui é o certo e sempre foi. Ele não deveria ter fugido e esse agora é um ótimo castigo de continuidade. Tirou nossa guarda que me custou bastante esforço... — ela já estava se alterando patologicamente encarando somente ele — Não vou colocar vocês na escola por enquanto. É arriscado e irritante e agora que estão... juntos, talvez sofram Bullying e vocês não querem isso, querem?

  Bullying?

— Não estamos juntos, Sam — ele interferiu, em seguida limpando sua boca.

  Tombo minha cabeça para o lado com a tal resposta. Os olhos castanhos da rubra dilatam e seu sorriso some para brotar em sí algo mais ameaçador e assumido. Ele se encolhe na cadeira, me fita um pouco e logo enrubesce, está ficando cada vez mais inativo.

— Uh... eu já sei o que está rolando por aqui. É bom que não estejam, por que se estiverem Luck também irá sofrer nas minhas mãos. Isso não é brincadeira! — respondeu raivosa e saiu da mesa me deixando abismado.

  Encaro o chão. Encaro Brian, atos e mais atos repentinos e que nos deixam corados ao recordar da noite anterior. Meu olhar triste, mas levanto da cadeira e volto a ficar próximo antes do seu afaste. Ele parece uma criança prestes a ser violentada, tão logo desafiador levanta enquanto dou passos cautelosos me direcionando ao seu encontro. Não quero vivenciar meu pretérito pouco distante novamente. Não quero pensar que eles fariam uma coisa dessas mais uma vez comigo. Não é minha culpa, eu mesmo tenho nojo e raiva do sentimento proibido que sinto por ele mas, é inevitável e incontrolável feito uma droga. Sentir o cheiro típico deteriorado, acompanhar todos os processos de putrefação, trancafiado em um cárcere privado, quem sabe em um porão ou em meu próprio quarto é agonizante. Somente o bipolar a minha frente sabe disso. Estou tímido a seguir adiante para mais um pedido de ajuda. Meus dedos se conectam, minha cabeça baixa, Brian parado sem a mínima paciência aparente. Ele sabe que o teatrinho já começou...

— Por favor, me ajude? — sussurro.

  Seus olhos de ambas as cores castanho e verde claro misturado ao azul, me fitam quando viram em direção ao meu rosto. Isso faz a madeixa castanha descobrir sua áurea, pálido e inquieto. Parece que é a primeira vez que nos falamos, pareço estar voltando á oito meses atrás quando nos conhecemos. A raiva crescente, na mistura de uma atração fervente que me tirava a sanidade. Minhas mãos trêmulas, estou chorando e ele sorri com isso. O sorriso neutro que me assusta. Ele se aproxima mais do que esperava, meus olhos assustados encarando os seus. A marca vermelha em sua bochecha, cada vez mais perto, seu hálito quente...

— A, h-hum... — sou interrompido por um beijo.

  Agarra os meus cabelos, sua língua, movimentos circulares, quase encostam na minha goela. Estou suspirando e reagindo ao gosto descafeinado que me consome. Olhos fechados, concentrados, gemidos incontroláveis dele, o calor me possui além das mãos que correm pelas poucas curvas que tenho, a pausa me contem antes de tirar a roupa. Excitado, tento me aproximar lentamente, nossas línguas se conectam e se esfregam, seus lábios quentes, nossos inferiores se tocam delicadamente. Há poucas pausas para uma tirada de fôlego, há suspiros e mais suspiros que me coram e atiçam, o fogo nos consome, abrange por nossos corpos, o desejo esta me matando, circulando por nossas veias. Enquanto declinava com uma palma em sua bochecha, Brian repuxava-me o lábios inferior em câmera lenta, provocando um gemer choroso. Seu cheiro, seu calor, minhas mãos em seu pescoço, eu o abraço, é confortável.

  O perfume me faz apertá-lo mais, aproveitar mais, e também meu coração acelera.

— Você não está certo disso, não há como, nem razão. Não temos para onde ir e vai acabar se arrependendo do resultado — responde calmo e eu continuo fitando seus lábios, sua mão em meu queixo, próximos e necessitados de amor.

  Brian limpa minhas lágrimas feito um gato, as engolindo e me fazendo corar, estremecer.

  Eu piro, isso me descontrola.

— Por que me beijou? — tiro suas mãos de mim, dos cabelos e bochechas, as mãos quentes e seu sorriso continua bobo e ingênuo — O que foi isso? — sussurro.

  Vejo o amuleto em seu pescoço e ele percebe a minha atenção. Chad...

  Meus olhos se tornam riscos obscuros de ódio e fúria.

— Desculpa — revirou os olhos, sua franja cobria boa parte, uma madeixa atrás da orelha. — Acho melhor agirmos como deveria ser! — respondeu se afastando, permaneci inquieto com o cenho franzido então subi as escadas.

  Que frase, que momento mais patológico, o que houve?

— E-e e eu acho melhor, você se decidir ao invés de me tratar feito um trouxa.

  Não!

— Você merece, idiota — sussurra.

— Vou te dizer o que merece. Se eu desse o que merece larvas estariam bem gordas debaixo da terra!

  Brian me encara com raiva, meu corpo parado nas escadas, realmente o outro lado necessitava desse resultado, ambos os resultados que planejava. Limpo meu rosto com o punho. Sinto que essa discussão ainda não acabou.

  Este corredor escuro... quanta, nostalgia. Escuro, muito escuro... apenas uma janela iluminando o canto da próxima parede para uma nova escada em direção ao terceiro andar, me entristecia.

`` Você precisa cuidar disso e não dos outros...``

  Ignoro tais sentimentos, encaro as paredes, chão com raiva e logo me encontro dentro do quarto. O meu, quarto. A cama intocável, desenhos pelos móveis que ainda não organizara. O restante todos sabem, ele sabe e pra sempre saberá. Foi aqui que me adentrou, insanidade.

  Me sento.

  Somente eu e você, minha alma ensandecida.

— E pensar que a pouco tempo ainda conseguia o controlar e proibir suas manifestações. AHAHAAAA!

  Abro minha gaveta com um sorriso no rosto, á uma faca no fundo lá dentro, papéis, lápis e em meu bolso uma simples tesoura que não uso há um bom tempo mas nunca me livro. Pego a seringa com água, engolindo uma pilula branca que havia em minhas calças, a cabeça gira e me deito na cama.

  " I Go to Sleep... "

.
.
.

  O barulho da porta me faz despertar. O estrupido estrondoso e forte.

— O QUE VOCÊ TÁ PENSANDO!? — seu corpo, passos se aproximam em um corredor imenso e desastroso repleto de folhas rabiscadas — Acha que pode me trazer pra esse inferno, estragar ainda mais a minha vida e agir normalmente como se tudo fosse perfeito? ACHA QUE EU NÃO ME IMPORTO COM ISSO LUCK!? EU NÃO SOU VOCÊ!

  Ele agarra os meus cabelos, lágrimas nos olhos, minha expressão séria e a pressão dói junto aos meus tímpanos. Não faça isso, eu não quero me arrepender depois por um ''simples'' acidente...

— Eu pensei que gostasse de mim, pensei que me amasse de verdade porque sempre gostou de dizer isso...  as vezes acho que tudo foi feito para esse resultado, você me arrastou até aqui, não é? — ele volta a chorar e agora eu estou rindo — Já planejavam isso e a atração é apenas um disfarce que sabe o quanto me afeta.

— Já te disse que não foi culpa minha. — estou ofegante, rouco e raivoso — Eu só não quero ser prejudicado novam...

— Não parece, pois você está sempre se arriscando.

    Agarro seu rosto, ele arregala os olhos. Aproximando meus lábios, suas mãos agarrando meus cabelos, meu corpo em pé, ele, mirando para a parede como se evitasse um abraço indesejado do seu próprio medo. Limpo suas lágrimas salgadas com minha língua. Devagar...

— Ham... — ele põe a língua em minha boca e começamos a reagir com movimento.

  Um movimento lento, e suas mãos pressionam meu pescoço, ele aperta, acelera o beijo e logo estou sem ar. Ignorando a necessidade de fôlego, ignorando a vermelhidão que deveria de estar meu rosto, nossas línguas guerreavam para controlar o beijo.

  Começo a tossir quando me solta.

— Eu não estou me arriscando Brian — me sento na cama, exausto, de frente para o mesmo — Você acha que é simples parar de gostar de você, parar de te tocar porque ELES querem — ele ignora minhas palavras, coloca as mãos nas próprias pernas, abaixando o pescoço ainda em pé enquanto tombava debilmente a cabeça me encarando, mas isso não me enrubesceu nem me desconcentrou — Não quero ser afetado novamente, sei que pra mim agora não significa tanto mas também tenho certeza de que posso ficar louco! Você está certo, é confuso, você faz o mesmo e não têm como negar pois acabara de fazer naquela cozinha seu desgraçado trouxa! — Brian franze o cenho um pouco ofendido — Não faz sentido parar de se envolver comigo porque você também sabe que é inevitável...

  Ele sorri corando e eu abaixo o rosto.

— Então essa é uma volta? A seis meses atrás quando lhe pedi em namoro? E depois disse que nossa relação não fazia mais tanto sentido, só por causa de um simples afastamento seu?

— Está se referindo ao que VOCÊ disse? — ele assentiu devagar, colou nossas testas, encarou-me os olhos e simplesmente beijou minha boca.

  Seu gemido não é escandaloso feito o ápice de um passivo, mas sim excitante na legalidade de uma inocência. As mãos quentes cobertas com uma luva meio dedo estão agarrando minha bochecha, nossas línguas desfrutando de um momento que ambos gostaríamos que fosse para sempre, e seus lábios macios que entre abertos se roçam nos meus de olhos fechados, aproveitam o prazer. Puxando seus cabelos com as duas mãos, suas pernas se afastam e se enroscam no meu abdômen, pela primeira vez Brian está em meu colo e eu sinto o seu coração batendo forte. Ele não é muito pesado, é um peso bom. Nossas bocas se separam, uma ponte de saliva nos une e ambos nos olhamos com um mais do que descontrolado, desejo lascivo ao perceber sua posição. Estou ereto, e ele também, apenas com um beijo delicioso de língua, nossos membros se despertam já necessitados de mais atenção. Com os olhos arregalados, meu membro logo implora, pulsando e recebendo seu carinho, minhas costas estão se arqueando, estou gemendo e o sorriso de Brian reage a minha satisfação apenas ao massagear o volume crescente do meu sexo por cima da cueca. Ele tira uma das luvas, olha para baixo e eu escondo meu rosto. Minhas calças abaixadas, minhas pernas não se afastam, e permanecendo na mesma posição, o mais velho me masturba lentamente. Meu tronco começa a se mover com isso, e o lençol também pois eu o agarro, ao mesmo tempo em que acelera com o som de meus gemidos.

— Ahn... não vou aguentar desse jeito, Brian... — ele começa a sorrir com o meu ''sofrimento''.

  Brian abre seu zíper e põe a fora o que eu desejava a semanas. Nossas glandes se esfregam e a sua está molhada de pré gozo, os movimentos curtos, segurando minha extensão peniana para impulso nos fazia gemer e me arrepiava. Eu poderia chegar ao meu orgasmo somente com isso e ele já havia percebido. Era uma fragilidade intensa e deliciosa.

   Agarrando minha cintura, a puxando para cima. Ele começa a me lamber, o que nunca esperaria que colocasse a língua, lubrificando com ela, do jeito que eu nunca esperaria ser lubrificado. Comecei a se contorcer na cama, os nós de meus prolongamentos, apertavam o lençol para que a sensação fosse amenizada. Minha boca entreaberta, seus dedos me adentrando com dificuldade. Logo seu sexo estava a me roçar, logo seu membro estava a me estocar, e eu, indo de encontro com suas estocadas. Minhas pernas foram puxadas para a cima, minhas panturrilhas em seus ombros, minha próstata a ser massageada por sua glande. Estava completamente penetrável para Brian. Estava sendo masturbado. Minha fragilidade estava imensa. Não pude me conter até seu término. Quando percebi, já havia chegado e desfrutado de meu ápice.

  Brian solta uma risada baixa depois de gemer mais uma vez, agarra meus braços acobertados pela minha jaqueta escura de couro, e faz com que meu rosto se exponha devido a vergonha que me abominava, nada igual a malícia da noite passada...

   Ele se aproxima do meu ouvido, e com um suspiro amoroso sussurra:
   
— Eu te desejo como nunca lhe desejei esses meses todos... Luck. Eu... eu te amo — e beija a minha bochecha corada.

  Achei a frase um tanto estranha pois ele ainda me parecia assustado. Acontece que mais nada vindo de Brian me impressiona, ele é uma caixinha de surpresas e merece um prêmio por isso. Começo a sorrir debilmente, fico de joelhos em cima da cama e tão logo estou o chupando. Sem hesitar Brian volta a gemer bastante, algo como "Ahn... isso é bom!" "Hmm... muito! Isso Luck...! " e mais um fraco gemido junto com "isso" também me fazendo gemer acanhado. Minhas calças são postas pois quero apenas agradá-lo, não sou egocêntrico na cama e quando senti o gosto amargo daquele espesso líquido algo foi apontado para a minha cabeça.

  Uma faca.

— Ahn... mmm... é só uma brincadeira, Luck.

— Que?

  Brian cora, põe as calças e meus olhos se enchem de lágrimas.

— Hahaha... estou delirando... me desculpa.
   
  Ele rapidamente beija minhas lágrimas em desespero, enquanto eu, rapidamente limpo os resquícios brancos em minha boca. Cada vez mais patológico... será a falta de remédios? Ouço um barulho na porta, e a descompensada respiração que não era nossa.

  Por falar em patologia...

  Brian se afasta um pouco e vejo o reflexo rubro que me assusta. No rosto dele uma seriedade bastante compreensível, na face de "Sam" uma raiva obviamente contrária.

— Então irá me desobedecer? — respiro fundo e meus ombros se mexem com isso, boquiaberto.

[ ... ]

Brian
  
  Você é meu incomum, minha sorte e meu acaso
  Sou o descendente
  O indiferente
  O Perturbado
  Seus olhos me sugam a felicidade, me deixam a tristeza e me devolvem o prazer
  Este me consome, me excita porém me inconforma
  Você me suga a insanidade e me trás o autônomo deste...
  Este me enfraquece, me entristece e me comove
  Ao lembrar do passado recordo que você não estivera nele
  Isso me deixa feliz, porém os momentos que tivemos poucos foram os que me trouxeram alegria
  Não sinto tristeza, somente sinto que o que fazemos é errado
  Contudo me satisfaz, me faz querer mais e me vicia feito o cigarro 
  Sua pele branca e extremamente gélida...
  Ao tocar meu rosto aquece meu coração não entendo o misterioso motivo
  Talvez a atração é a palavra chave
  A chave que nos liga, a chave que nos une 
  Que me irrita
  Mas eu não entendo o porque de achar isso tão cruel
  Tão errado
  Eu não entendo
  Não compreendo 
  Por que te quero se isso simplesmente me machuca?
  É temporário
  Extraordinário
  Uma hora te amo e tenho mil motivos para isso
  Amores incondicionais, a melancolia atrapalha tudo
  A tristeza preenche e ocupa a felicidade quase invisível 
  Outrora te odeio, te menosprezo e te machuco como faz comigo
  As vezes quando você está perto...
  As emoções que sinto que viciam e me enfraquecem
  As lágrimas que escorrem, caem, molham, mancham e que me esvaziam
  Parecem não ter mais fim
  E elas são quentes, ardentes de um lado
  São frias, geladas, de um outro
  E a cada gota há uma poça que diminui minhas forças
  Diminui minhas forças, minha esperança!
  Estou a um passo da morte...
  Como se perdesse sangue
  Lágrimas vermelhas e azuis...
  Minha felicidade vai embora mas eu te desejo até o último segundo.
  É uma droga sentir isso! Reagir a isso!
  Lágrimas caem, escorrem e ardem!
  A tranquilidade domina meu peito...
  Como se estivesse perdendo sangue, hemácias!
  Como se minha alegria fosse embora feito a hemorragia, ela pode matar, sabia?
  Finalmente, sua existência é feito ela meu Azar...
  O desejo sagaz, a emoção que vicia, o choro não contido
  E que não pode, ser destacado...

  Isso, eu o vejo se afastando e gritando, e ela fechando e trancando a porta na minha cara. Eu olhei para a janela com lágrimas caindo e escorrendo pelos meus olhos, não sei de onde tirei forças, mas consegui escapar saltando em direção ao chão coberto por grama.

— Hm... — estou completamente machucado, manco e sujo, mas me levantei, sim, eu me levanto.

  Passos rápidos, pequenas corridas. Árvores e galhos batem e rasgam meus rosto mais do que a cicatriz em minha bochecha direita. Pedras e corpos deteriorados pelo chão me fazem tropeçar feito um bêbado igual a Jeffrey. Me sentia observado, seguido e folhas secas ao quebrar eram o principal som quando cheguei a floresta naquela tarde esquecida e inconsciente. Virei para trás e o fulvo corria á apenas três metros de distância. O vento gemia nas montanhas, o frio me consumia, assim congelando minhas narinas, a respiração fazia fumaça. Com aquela visão eu tomei um susto e perdi todas as minhas forças. Sem olhar para a frente continuei correndo, a marca da cerca ficou em meu rosto, e um taco de baseball arrebatou minha cabeça.

— Ai, seu... — a última coisa que vi, foi o sorriso sujo de sangue do fulvo.

''Não confie em estranhos", quem sabe um dia direi isto antes de você, fazê-lo: antes de não seguir o conselho por mim, dado. A vontade que sinto de matá-lo com as próprias mãos em trêmulo nervoso é desigual ao meu pretérito. Se estivéssemos frente a frente eu diria "você errou ao procurar por Jeff The Killer, pequeno Brian". A única criança que trataria bem, desde o começo de um simples e "educativo" diálogo. Eu verei os olhos verdes e castanhos brilhando ao me agachar, e chorarei com isso e com a inocência que  possuía a sete anos. Se pudesse fazer tudo de novo, me conteria antes de entrar por aquela porta. Caixa velha de empoeirada e vermelha alça, cartas, camisinhas gastas e pertences antigos. A vontade de matar não me vêm do consangüíneo, papai, e sim, da raiva em meu peito, o ódio interior. Posso deixar sequelas maiores em minha boca, com uma faca? Eu poderei e mostraria para Sintha, junto as marcas e o sangue vermelho em minhas vestes; sobretudo escuro; calça jeans preta; tênis azuis; todos sujos com este mesmo líquido. As pupilas exóticas e curiosas marejariam com este ato, medo e desespero, meu outro eu tentaria fugir.

  '' A prova de que não nascera assim, que meus sentimentos voltariam a tona junto ao brinde da falsa bondade. "

— Você me subestimou mas mesmo assim está tentando evitar nosso filho. Você é cruel e mostrou para nós que não é tão fraco como aparenta. Matou crianças e mulheres, homens e pré adolescentes, cada um de uma maneira diferente e piedosa, sem se importar com suas histórias, sem se importar, nem de modo minimalista com os pedidos de socorro, desculpas, choros e misericórdias. Por isso não faremos nada contra você... — levei minutos para acordar.

  A luz forte me cegava, preso em cima da cama.

— Nada forte, pois não quero perdê-lo, você é importante... — Raphael sussurra no meu ouvido, de uma maneira diferente que me deixa confuso e arrepiado — você têm cheiro de... criança.

  Eu odeio esse cheiro.

— Por que me prendeu aqui? — afastaria seu rosto e lábios do meu pescoço se não estivesse acorrentado — Por que diz isso? — um sorriso de ponta a ponta brota em seu rosto pálido e a cabeça tomba para o lado.

  Não me sinto lúcido ao ouvir sua voz.

— Será que já não percebeu? Aquelas fotos na sala aberta por Luck? — minha expressão congela, estou sem camisa.

  Sei que ambos possuem um hábito estranho de degustar carne humana, que os assassinatos do loiro tem de registros macabros canibais, enquanto os de Samantha requintes grotescos como a extirpação de um corpo. Mas nunca passara pela minha cabeça que um deles era pedófilo, ou, os dois igualmente.

  A faceta séria do fulvo, logo está a arquear uma sobrancelha. Ele tira sua camiseta, mostrando o quanto é branco e pouco em forma, não creio no que está acontecendo. Raphael pega meu rosto com as mãos, subindo em cima de mim. Fecho os olhos junto com ele, minha boca se comprime quando sinto seu hálito quente se aproximar. Lambe, morde meu pescoço, enquanto que abre o zíper de minhas calças. Não consigo conter gemidos.

— Isso é traição, uma dupla traição — sussurro sem muita resistência entre os beijos que distribui.

— Samantha sabe o que estou fazendo — cela nossos lábios, a boca quente e destroçada por dentro.

  Sinto como se estivesse beijando Luck no começo da nossa relação: sangue, muito sangue, feridas e muitas feridas.

  Inegável, isso é surreal para mim.

— E quanto a Luck? — digo doce ao meio de suas palavras sacanas e libidinosas no meu ouvido.

  Palavras chulas e frases eróticas que me arrepiam cada vez mais.

  Sua risada, meus olhos se fecham e se apertam de nojo, com isso vejo o escuro e sinto frio.

  O fulvo se afasta, sua mão gélida em meu abdômen, descendo paras as minhas coxas, encarando elas.

— Arredondadas como a de uma garota.

  Meu rosto enfurece de raiva pelas suas palavras, logo estou tentando fugir mas sem sucesso. Fechando minhas pernas, virando de brusco, gritando, me contorcendo mas isso só piora a situação, pois o fulvo aperta as minhas nádegas, afastando as, me deixando exposto e corado.

— Virgem... — Raphael beija minha cavidade, deixando meus olhos arregalados.

  Ele suspira irritado, vira meu corpo e abre minhas pernas novamente, me masturbando... lentamente. O barulho ecoando, excitando. Me fazendo gemer, tremer e reagir. Minhas costas arqueadas e seu dedo me adentra, deslizando e acariciando, enquanto que a mão esquerda repete movimentos, subidas e descidas calorosas e frenéticas. Seu dedo me adentra mais uma vez, adentra e desliza logo aumentando para dois... três...

— EU NÃO QUERO! — quanto mais eu grito, mais o sorriso aumenta em seus lábios, mais a freqüência acelera e me atiça inativamente — A-Ahhnn...

  Raphael me excita de baixo a cima, sua boca lubrifica meu membro sem pressa, odeio quando percebo o mesmo ficar ereto enquanto isso. Minhas pernas são afastadas quando as fecho, e isso dói por ser abrupto, meus dedos cerram agarrando as cordas para se conter. Estou gemendo, mas não quero, estou gostando, mas sinto raiva na certeza disso. Ele é rápido com sua boca, sentir outro alguém fazendo... em mim, é melhor do que imaginava. Agora sou o passivo, louco para ser penetrado, atolado, melecado e usado feito um objeto de adorno. Nutrido com seu esperma.

  Não!

— Por fav... — ele me faz engolir uma espécie de bala, remédio.

  Conforme sou forçado a digerir e inocular, sinto algo adentar minha traseira. Os movimentos são lentos, precisos e demorados no começo, mas logo estou gemendo e gemendo continuações, e eles se tornam rápidos, porém difíceis e dolorosos. É grosso, porém médio e me destabiliza a negar pois confesso gostar. Agarrando minha cintura, sua respiração acelerada junto a minha, estava suando, temendo, gemendo e reagindo com um esticar de pernas para que nunca parasse e finalizasse de estocar e se atolar dentro de mim. Afastei minhas pernas por vontade própria.

  " — Me coma... Me foda!... com força!"

  Não quero pare, não quero que pare... mas eu não o digo, e suas mãos me masturbam.

— Quente e apertado... — ele geme.

  A cama range, meu corpo balança. Seu membro atinge e acaricia o local que mais me agrada e aos meus gemidos ele continua! Agarrando meu pescoço, suavemente. As estocadas fortes, meus gemidos fracos, manhosos, como uma criança perdida no meio do mato ao chorar. Fisgadas em êxtase, espasmos, beijos, lambidas... o corpo todo estremecia e logo senti o jato forte transbordar para fora de mim. Em seguida a minha vez, e essa vez parece eterna para sua chegada...
  
  Meus olhos se fecham, atordoado eu perco todos os meus sentidos.

...

  Tudo não se passara de um sonho, um pesadelo! Ou sei lá o que se passa, nessa minha vida insossa e desgraçada. Meu corpo estava estirado em um frio e desconfortante chão mofado, composto de cimento e brita, não numa cama. Ao meu redor, macas sangrentas com corpos recentes e obviamente mortos, dissecados, junto a um cheiro metálico e profundo. Eu não conseguia enxergar tudo isso quando despertei, pois a minha visão estava turva e meus sentidos pouco aguçados. Meus braços, mãos, pernas, dilacerados, e a sensação de estarem quebrados a algo que escorria lentamente junto as minhas lágrimas, era arrebatador e dolorido. Tudo foi estranho e eu encarava semi cego com desconfiança. Pontos e pontos, um espaço tenebroso, tempestuoso e triste. Pontinhos e pontinhos escuros se ligando, formando manchas, e um borrão de cores entre preto, cinza, vermelho e cor-de-pele. Sem falar, que a minha estava esfolada naquele piso que espetava meus cotovelos sujos de terra e ardendo em carne-viva.

  Demorei ao perceber, demorei para sentir, para apalpar, agarrar, enxergar e me mover. Uma corda firme, resistente e peniquenta apertava e pressionava fortemente meus músculos e punhos de um modo violento, tornando-me completamente imóvel. Feito um boneco de ação, sem movimentação e sim, petrificado mas perturbado. Como se, tivessem me desligado da tomada, como se, o canal "emoções e dramatizações" tivera sumido da lista e apenas estática chiava em meu cérebro amnésico. Sem reagir, suspirei e fechei meus olhos ao murmurar, amordaçado.

  Essa risada, baixa...

— Briaaaan... lembra dessa voz? — a voz polida e terrorista de Samantha — Lembra dessa voz, gritando e sussurrando na sua janela junto com o demônio ao meu lado? Dessa minha voz, gritando o seu nome naquela janela empoeirada daquela sua casa podre antes repleta de moradores?

   No Orfanato?

  Tento gritar, mas então viro meu rosto a encarando com ódio. Quando a porta está entre aberta eu consigo ver a luz adentrar. A rubra sentada nas escadas indo em direção a mesma porta em horizontal e na tentativa de se locomover, acabo por me machucar tanto mais do que estava e ostentava desgraçadamente.

— Não se preocupe com seus sonhos, é algo que os liga, ele me disse... algo que seu biológico papai faz, e nem percebe — ela sussurra a última frase, se aproximando e se agacha, continuando — Você ainda terá muitos destes, eu posso vê-los... seu pervertido... qual será o próximo? Será que vai ser comigo? — após a pergunta eu me arrepio com o atrevimento em morder meu lóbulo — posso me envolver nele, adoraria participar de uma orgia criada por essa sua cabecinha púbere... bonitinho.

  A fita é retirada da minha boca de uma maneira bruta e eu logo começo a gritar.

— VA... DIA! VAGABUNDA SEM NOÇÃO! SUA PROSTITUTA DESGRAÇADA E PEDÓFILA! Mmm...
— ela cobre minha boca enquanto ria — VOU ARRANCAR ESSES SEUS OLHOS E ENFIAR NA GOELA DAQUELE SEU MARIDO CORNO! AAA! MM... NÃ...

— Ah, com certeza ele iria amar essa experiência — cobre novamente.

— Eu vou fazer você sofrer e dizer á Luck toda a verdade. A verdade... vai ser... a última coisa que irá dizer, Samantha — a frase sai fraca das minhas cordas vocais, propenciosas e tristes.

— Ora, vejam só, miolos é bastante esperto, não? Miolo é o significado desse seu nome — ela sussurra patologicamente.

— É colina.

Ignora.

— Finalmente alguém sincero, esperto e prontificado para perceber o óbvio. Foi o que quis dizer anti ontem a tarde? Já comentou com ele? Comentou o que ele já sabe a muito tempo?

— Ele... já sabe?

  Ela sorri.

— Ele sabe, mas já se esqueceu. Agora ele não faz a mínima idéia... ele, não faz a mínima idéia de ser quase apenas dois anos mais novo do que você...

  Samantha se levanta me deixando em choque.

— Como conseguiu a guarda dele? Como conseguiu a perca de memória? É inexplicável. Eu sabia, não há nada aparente...

— Apenas uma parte dele reconhece isso, apenas o lado que transparece obscuridade ao invés da tristeza, melodrama e além, Luck sabe da verdade.

  A risada nervosa e confusa, esquizofrênica que me faz cogitar. Dou um sorriso malicioso quando afaga meus cabelos. Se é o que quer...

— Me deixe... apertá-los um pouco? — pergunto, minha voz infantil ao tentar provocá-la.

  Ela sorri maliciosamente. Começo a sinalizar o que queria e Samantha logo compreende a minha estratégia.

— O que? Meus seios? — interroga de um modo sensual, fico excitado.

— Sim... — meu timbre é rasteiro e estremecido.

  Samantha puxa sua camiseta escura para cima, deixando a mostra apenas seu sutiã de renda da cor branca para mim. Foi quando vi um amuleto bastante estranho, uma pedra vermelha que fazia contraste com suas madeixas. Ignorei, encarando seus seios, fartos, pela primeira vez me sentindo atraido por eles. Um cacho rubro cobre-lhes a auréola rosada quando retira a última peça. Branderoft desprendeu meus punhos, pegou minhas mãos e as colocou suavemente posicionadas no peito, fazendo me senti-la se enrijecer com o toque, e logo os aperto levemente de mão cheia. Tento me levantar, e ela aperta minha cintura. Fecho meus olhos ao sentir as mãos da rubra ao me tocar. Me sinto estranho com isso. Seu gemido é curto e quase silencioso quando começo a lamber entre o meio deles, enquanto que minha outra mão desfruta de suas pálpebras fechadas para pegar o estilete dentro de meus tênis púrpura. Volto a ''lambuzar'' a parte que mais a agradava pelo que percebi, permito-lhe exposto minha arma e perfuro seu abdômen duas vezes seguidas.

  Ela se afasta com a dor, e eu não podia me aproximar porém cortei e soltei a corda de meus tornozelos, fazendo do meu corpo algo totalmente livre!

— Ah... idiota! — mal percebo a tamanha rapidez em que se veste, ao por a camiseta tenta se atirar para cima de mim mas continuo sorrindo e pulando em distância com a ponta da lâmina repleta de sangue.

  Não sei de onde tira tantas forças, mas a maca é arremessada contra minha cabeça pela segunda vez em apenas um ano.

— Me deixe matá-la, mas eu não posso fazê-la, tens de dizer a verdade e apenas a mais pura e singela verdade, estéreo — sorrio, um enorme sorriso ao ser consumido pela própria fraqueza.
  
   De cara no chão, logo estou desacordado.

  Luck

  Quantas vezes me iludi
  Quantas vezes lhe fiz sofrer
  Minha vida sem você é apenas um passo para o suicídio
  Meu amor por você assim como todos os términos é feito a bipolaridade;
  Repleto de sentimentos, emoções, lembranças tristes e contudo isso a solidão e o isolamento deprimido e obscuro
  Uma desgraça que fortalece...

  Quantas vezes me iludi
  Sem essas vezes, quem sabe eu nunca teria aprendido
  No intuito de saber o que é amor e o que é o ódio
  Pois o que sou se chama pequeno psicopata.

  Ignorando você eu tentei fazê-los felizes
  Ignorando você eu pensei somente em minha sádica vontade de satisfazer desejos graças ao pacto que me destruira por inteiro

  Quantas vezes reparei no seu estado;
  Seu estado confuso e doente que faz de mim uma releitura de todos os seus sentidos;
  A troca constante de seus sentimentos e vontades
  As vontades confusas que me obrigam a satisfazê-las

  O amor que sentimos é proibido e nossas mentes são novatas e frágeis como uma íris 
  Você possui duas de diferentes cores e sentimentos, diferentes conceitos e rancores 
  Suas cores, representam a alegria e a tristeza
  De um lado ela te favorece, de um outro somente o prejudica
  Elas interpretam o seu trastorno depressivo
  Quando estou com você é a primeira emoção, mas com apenas um toque ao mal jeito já me desconcentro 
  E me torno o monstro de sempre...

  É incontrolável, inevitável, é inadmissível
  Não quero machucá-lo, porém ao fazer isso somente me favoreceria.
  Estou aqui para ajudar? Ou apenas preencher a vontade que sinto de tê-lo somente comigo?
  Nunca foi do meu feitio pensar somente em mim, mas agora o que sinto é contraditório.

  Não quero me separar!
  Não quero me desgrudar de você nem por um segundo!
  Eu te desejo
  Eu te possuo
  Eu te conservo!

  Eu não acredito em pessoas felizes, o sorriso é apenas um disfarce. 
  São das mais traidoras as que fazem de tudo para conseguir o que querem. 
  Eu mesmo acreditei anteriormente!
  Acreditei nela e apenas fiz sofrer o indivíduo que mais amei e ainda amo com o meu jeito!
  Fiz isso para satisfazê-la feito um circo de horrores, atuações e desilusões...
  Fiz de tudo e ainda faço.
  Como se fosse a marionete de ambos.

  Uma parte de mim é a alegria sádica que obriga minhas emoções a despencarem de uma montanha repleta de melancolia, ironia e sedução, a contribuição para o narcisismo que tanto quero mas não possuo.
 Mas a outra parte de mim, é a inocência falsificada e masoquista que obriga meus sentimentos contrários a despencarem de uma ponte vasta de sangue, morte e destruição alheia.
  Qual delas confiar? Qual delas seguir e acreditar?
  As duas são ruins e me prejudicam...
  Com você eu já teria essa resposta...

  Mas agora estou sozinho. Maluquices ajudam minha mente a existir. O chão frio acarpetado, o chão que conheço tão bem quanto a Brian. Repleto de emoções assim como esse pavimento coberto por desenhos.

   Minhas bochechas frias, eu logo desperto.

— Onde estou?

  A minha voz sai rouca e, devido a falta de uso nas últimas horas, fraca e gélida feito o chão em comum consigo igualmente.

— Está no seu lugar favorito.

— O que? — minha voz é amassada e escapa de modo aleatório com sua afirmação.

  Quadros, sofás velhos e uma simples poltrona. A claridade daquela pequena janela estava sendo substituída por pedaços improvisados de madeira e pregos. Fotos rasgadas, queimaduras, e o velho sangue pelo chão. Esse o lugar estranho, porém legal e bonito onde sempre adentrei e fiquei: o sótão. Não entendi...
  
— Este vai ser o meu castigo agora? — perguntei a papai, seu corpo debruçado sob o sofá acinzentada ao lado das trancas e hastes metálicas.

  Ele sorriu para mim. Várias facas depositadas pelo chão, e com suas mãos fantasmagóricas e o seu olhar canibal, deu leves batidas em sua perna para que me sentasse com ele: no colo. E eu me aconcheguei ali, o loiro tinha um cheiro masculino quente e gostoso, mas achei meio fora do comum o convite que tivera feito. Ele não é do tipo demonstrador de afeto, amoroso, e sim antipático, narcisista, não é de conversar – se não tivesse seus quase 32 anos com toda certeza eu desconfiaria da meia idade teimosa e ignorante. – Logo suspirou encarando seus tênis, o corpo esguio e magro, os olhos tristes esmeralda de quem ainda tem muitas histórias para contar ao filho transtornado e problemático.

— Pelo jeito você não se lembra muito, é um grande problema seu. Meu pequeno — sussurrou como de costume, já que estava perto, perigosamente perto.

— Então você irá me castigar por amar alguém?  — indaguei, indignado.

  O ''louro'' vira seu rosto para mim, o ato rápido antes mesmo de terminar me arrepiou e me corou o nariz. Engoli seco abraçando seu pescoço.

— Isso o que sente não é amor, muito menos atração. Quantas vezes terei de explicar? Bom...esse sentimento é apenas algo obsessivo e temporário que logo logo irá passar, ok? Para nós o sexo tanto masculino quanto feminino não importam, o que importa é o que essa pessoa significa a você.

— Mas...

— Eu sei o que ele significa á você, e sem querer desanima-lo, isso não ajuda nada. Você tenta ser normal, tenta agir como a maioria das pessoas conseguem. Dois doentes... o sentimento que possuem um pelo outro os confunde. Argh... isso é nojento Luck! Sei que é impossível afastá-los... isso só irá te machucar e te deixar depressivo mais uma vez... eu não quero que sinta isso! Você não precisa de afeto! — ele volta a me chacoalhar em seu colo para fazer com que isso tudo entre em minha cabeça.

  Encarei minhas mãos, tão logo a face de papai ficou mais séria.

— Se você precisasse de amor e amasse alguém nunca teria feito o que fez, foi obrigado mas acabou gostando. Você não desistiu e não me proibiu. Acabou viciando e reagindo as vontades que tinha por morte quando chegava a noite. Você não se lembra de nada, porque sua mente resultou a isso, ela quis e preferiu amenizar a dor com a dissimulada ''amnésia'', e as tentativas se tornaram tão normais que logo se acostumou a reagir desse modo, como se nunca tivera acontecido... mas eu me lembro, Luck. Eu me lembro do que fazia e do quanto não se importava, da chacina que causava e do quanto a cozinha estava em sangria quando nos despertava pela manhã. Você era desgraçado, hahaha! Você queria testemunhas para sua obra de arte, queria atenção á suas pinturas com sangue e corpos... e a Samantha te bajulava tanto... era tudo o que queria, e tudo o que mais queríamos. Por isso você não parou e nunca nos machucou como muitas crianças denominadas com trastorno de conduta fazem, porque nós nunca o castigamos e você não temia a uma punição.

  Não acreditei quando disse aquilo.

— Pai...? Esse, não sou eu, pai.

  Não sei o que houve, mas vi algo em seu rosto que me afligiu e atingiu de uma maneira angustiante. A expressão nunca vista em sua face.

— Eu sei que não...

— As vezes eu tenho tantos pesadelos e... uma parte de mim gosta disso, mas a outra não. É como se fosse um pensamento normal realizado por pessoas também normais, mas acontece que isso é concreto e permanente pois sou totalmente dividido entre dois lados obscuros Pai. Pai... eu não sou assim! Eu o odeio, eu odeio Brian! Ele me faz... tão estranho, incomum, indiferente de todos, ele me confunde e eu tenho nojo disso mas... daqui a pouco, o amo mais do que tudo e tenho vontade de ser possuído por ele como uma alma ao próprio demônio. Daí crio nojo disso, pois sei que se ele fosse uma garota agiria igual, eu realmente não me importo com o sexo dele, acontece que... quero estar com ele para sempre. Eu não sou assim!

— Eu sei que não! — ele grita — Realmente passaria o resto da vida virando a bunda pra esse garoto que mal se importa com você? — comecei a rir — Se passar a vida inteira com Brian, um dia isso tudo irá acabar em suicídio ou morte, pequeno.

— Eu sei... — sussurro — mas o que devo fazer por enquanto?

— Tente seguir a sua mente e não o seu coração. Seu coração é mentiroso, mas enquanto isso seu cérebro não interpreta as emoções. É melhor agir desse jeito, agir como Brian sempre tentara e você nunca deixou.

  Suspirei.

— Na verdade... foi mais pelo contrário, eu não deixava ele seguir o coração, mas queria que ele fizesse parte da minha vida. Assim eu me aliviava com a atração que sempre pensei ser o único sentimento bom que minha mente interpretava. Achei que a empatia estivesse voltando...

— Que ridículo, você nunca irá amar alguém na sua vida, empatia... nós não nos importamos com as pessoas. O amor irá te entediar e o sofrimento alheio preencherá isso em você, psicopatas só têm emoções ao ver os outros sofrerem... o amor que diz é uma obsessão que logo se transformará em sangue.

  Raphael têm razão. Tudo parece estar voltando agora.

— Tocando nesse assunto pai... já que estamos aqui... gostaria de dizer que seu relacionamento com mamãe não justifica o que tanto fala.

  O silêncio perturba o ambiente, as repostas dele são sempre bem diretas e com a minha observação o fulvo bolava uma que com certeza eu não iria engolir tão facilmente.

— O que temos não é bem um relacionamento... — depois de segundos é o que diz cauteloso — O que tenho com Samantha não é algo possessivo entre ambos os lados. Nós temos algo livre, e talvez você já tivera descoberto quando eu e ela enchíamos a casa com pessoas desconhecidas. Você não saberia lidar com isso, especialmente porque Brian ainda não se importa, você só têm olhos para ele ao mesmo tempo que deseja seu sofrimento. Já ele é uma mistura de tudo que o menciona, te odeia mas te deseja, te possui mas logo enjoa porque ainda não aceita esse sentimento em sí próprio. Ele queria muito agir feito você, mas acontece que o mesmo não é uma pessoa psicopática e sim um bipolar extremamente impulsivo. Foi o pai dele que o forçou a isso, e eu e sua mãe também forçamos, acontece que psicopatas, não se arrependem das coisas que fazem depois... o amor que Brian sente por você confundiria a mente de qualquer um em seu lugar, isso o faz pensar que ainda é uma pessoa boa.

— E por que a nossa convivência seria ruim? Por que eu não consigo matar ele? Por que nós nunca acabamos com isso de uma vez por todas?! Por quê eu gosto tanto dele...

— Porque vocês não são iguais, ele precisaria de remédios para conviver contigo. Ele sim o ama, e esse sentimento não é falso de sua parte, por isso ele não te mata, e você não o faz por puro capricho. Já disse que o que sente é obsessão, atração e que essa não será a sua primeira vez com esses sentimentos. Tanto pra ele quanto pra você, Luck — me sento no chão — Você pode muito bem tentar matá-lo e conseguir, não terá mais o calor de que tanto gostava em seu corpo, ele não irá mais se mover mas tão bem pode tirar uma foto ou conservá-lo. Samantha consumiu com as pessoas que eu tinha guardado de lembrança, e nós nunca escondemos nada porque... desde pequena ela fora sempre patológica em relação ao que sentia e ao que presenciava...

— Desde pequena? Não conheceu ela na faculdade quando dissecava cachorro morto nas estradas de Luck?

— Ah... hm... têm razão, mas eu soube por outras pessoas. Falando nela tenho que ir... — mudou de humor e se levantou da poltrona.

— Sério que eu vou ter de ficar aqui? — olhei para trás, sua expressão não era lá muito confiável.

— Vai... por enquanto. Têm muito o que fazer por aí, quem sabe eu lhe traga algum divertimento mais tarde.

  Eu sei exatamente quando estão mentindo.

  [ ... ]

  Agarrava os meus joelhos e me balançava naquele quarto sem iluminação. Ele me trazia tantas lembranças ruins, recordações sombrias e acontecimentos esquecidos pela pouca memória capacitada e consumida por imagens, pretéritos tristes, paranóicos, macabros e assustadores de minha Him Self... que mal conseguia controlar meus pensamentos para não manifestar a raiva o furor e a psicopatia interna que aparentava.

  O cômodo triste, depressivo, que me motivava a realização de novos assassinatos por mim planejados.

— Sou apenas um... um... sou apenas um e continuarei sendo.

  Na cama acolchoada de preto, cinza e de cobertas vermelhas listradas, esquentava minha pele quase nua e gelada que me agonizava após encarar o frio nas frestas das janelas. Dentro de horas, pouquíssimas horas, já tivera percebido e cogitava sobre isso: sobre o meu passado. Não fora algo absolutamente surpreendente, também não me pegou e chocou com tamanho inesperado, mas acabou tirando a mínima salubridade, deixando apenas raiva, ódio, furor e a persuasão em mim aparente que isolava.

— Sou apenas um, um, um... sou apenas um e continuarei sendo. Ele não irá rasgar a minha cara com a bondade. Ele não irá destroçar esse meu rosto com a feiúra da ingenuidade!

  Na época em que não conhecia Brian a mais ou menos dez meses atrás, tudo era diferente e eu era bem visível e extremamente crédulo, todos reparavam o quanto mentiroso estava ultimamente. Eu queria muito, muito mesmo conhecê-lo, mais diferente porque, eles nunca me avisavam sobre novas crianças que chegariam vindas de um orfanato. Inocentes crianças que sempre vi e a irmã de Chad: uma delas. Eu era o contrário delas, eu era introvertido e continuo sendo assim como continuo as vendo nos vídeos gravados por papai. Curioso, tanto com coisas positivas quanto negativas mas eu sabia que com Brian seria diferente. Estava cheio de alegria, entusiasmo e excitação por ter um irmão mais velho e evoluído, feito um pirralho prestes a visitar o circo em um passeio de colégio chato para os adultos, rejeitado por eles. Diferente de quando fitava fedelhos novos adentrando portas, mamãe dando de ombros e papai se dedicando como nunca fazia comigo. Sentando no Larry... voando para cima dos meus brinquedos, eu arranquei a cabeça de tantos ursinhos com isso...

  Mas queria, queria mesmo saber...

" — Como ele é? Como ele é? "

  Sempre que voltavam da visita eu lhes indagava isto. Mas me aborrecia depois. Papai e mamãe diziam que Brian era um irmão que me surpreenderia mais tarde, ele tinha pouca diferença de tamanho, pouca diferença de idade e diversas características raras e divertidas que eu  gostaria bastante. A cada explicação meu sorriso diminuía gradativamente, até perceberem a raiva em meu rosto. Pelo jeito ele era bonito e muito melhor do que eu.

  "— Ele é bonito, papai e mamãe irão me substituir por um estranho. Eles irão destroçar meu rosto para Brian se tornar indiferente... ele a borboleta e eu a mariposa. Quero que destruam o rosto dele! "

  Levanto da cama.

  ``Pois quando ele chegou... meus pensamentos não se modificaram totalmente. ``

  Abro a porta branca. Uma parede de tijolos e pedregulhos e o piso relativamente igual. Abro outra porta, espelhos, espelhos... camas velhas e a peça de madeira range. Ali onde as crianças mais disformes e desobedientes ficavam. A sala cercada por espelhos para que pudessem encarar seus rostos desfigurados todos os dias ao amanhecer. Graças a mim e a minha insistência, Rick... e Selena.

  Eles eram irmãos, lindos irmãos. Víeram para cá durante uma reforma em 2014. Estranho, pois eu não parecia ter seis anos naquela época. Quando os conheci eram incrivelmente fascinantes, me deixavam invejado por sua tamanha beleza. Aquela garotinha era... tão pequena e doce, a face rosada e frágil feito uma boneca. Seu irmão tinhas as mesmas características, loiro dos olhos azulados e bastante hiperativo. Meu pescoço girava os fitando, a maior parte do tempo corriam para lá e para sempre enquanto riam e se divertiam entre sí, sem me dar a mínima atenção.

   Mamãe gritava com ambos, isso me fazia sorrir e agradecer mentalmente por serem menosprezados por ela, mas nunca entendi o motivo de permanecerem com a gente, em um local tão legal e apropriado onde ficar, deveriam se 'estabelecer' em um local semi inóspito, repleto de fezes e se alimentando delas para sobreviver. Bom, foi moleza e conforto até o dia em que eu acabei me irritando com tantos problemas, eles pegavam meus brinquedos e a garota quebrava e mordia meus lápis de cor e canetinhas, sua risada... o pior som que já escutara, algo estranho como prata tinindo, porém, infantil e mais irritante do que eu conseguia ser para iludir as pessoas ao tentar "protegê-las".

  Disse a mamãe que não os queria comigo, e logo comecei a chorar.

  " — Eles são muito bonitos! Eles são muito bonitos e aproveitam disso para roubar e destruir as minhas coisas! As melhores coisas que tenho! " – gritava para ela.

  " — Acontece que ambos não sabem aproveitar direito o que papai do céu os dera de presente. Por isso iremos eliminar a beleza deles... "

  No começo eu não entendi, mas foi só até o dia em que acordei e haviam duas cadeiras posicionadas a minha frente. Pelas roupas no momento sujas e rasgadas, logo soube de quem se tratava. Eu limpei meus olhos com o dorso antes de abri-los e quando vi os pequenos pontos a ligar, averiguei dois sacos em ambas as cabeças. Neles possuíam furos no lugar do nariz e olhos, e quando mamãe os retirou, me assustei profundamente com o conteúdo que jazia ali:

  As faces de Rick e Selena estavam completamente deformadas, desconstruídas e destroçadas. Nariz e boca, olhos e bochechas. A órbita esquerda do garoto sem pálpebra e a outra com, mas completamente vazada, a orelha direita da menina estava cheia de pontos enquanto que a outra completamente caída, e rejeitada. Os lugares se invertiam nos gêmeos: o ouvido direito da garota, igual ao esquerdo do menino e assim por diante. A bochecha cortada, com a visão nojenta dos dentes e língua dos dois me forçaram a segurar as lágrimas, mas minha Him Self dizia o reverso disto. Me bateu um desespero terrível quando as mãos brancas de Selena tentaram puxar a língua enquanto que as de Rick retiravam o olho direito. Samantha pediu para que levantasse, e assim pude vê-los mais de perto enquanto se esforçavam a gritar agonizando.

  Diversos furos no pescoço, múltiplas marcas e violações pelo corpo. Antes os cabelos eram de um tom dourado, depois sujos ganhavam uma coloração fulva, o amarelo queimado e amarronzado. Eles não conseguiam falar, e pareciam bem mais velhos com aquela transformação, aparente a máscaras de Halloween.

  " — Isso não foi culpa minha, foi? " — perguntei em um tom inocente.

  Eu sabia que era.

  Eles só queriam brincar, só isso. Eles eram crianças que não tinham com o que brincar, abandonados e transtornados psicologicamente. Me doeu o coração ao perceber que tudo era culpa minha, mas com o passar dos dias aprendi a conviver e a dor amenizou. Eu esfregava meus brinquedos no rosto adoentado deles enquanto gargalhava, mesmo eles implorando para uma pausa, acontece que a beleza alheia nunca seria reconstituída novamente. Viveriam com aquilo para sempre, e eu precisava acabar com o sofrimento dos gêmeos. 

  "— Quem é bonito agora seus trouxas? "

  Trilhando caminhos avermelhados pelo chão e paredes, com um machado nas mãos a meia noite em ponto, eu me aproximava do quarto dos mais velhos cantarolando e assobiando baixo, a melodia "bonita" que mamãe tocava em sua flauta. Meus passos eram rápidos, o sadismo era bem reparável em meu rosto de criança. Apenas seis anos, com uma ausência de empatia, impertinência e crueldades chocantes detectadas no cérebro. Para um menino de tenra idade, com uma impecável leviandade tomava controle daquela peça cortante de metal sangrenta, batendo na porta, suave...mente. Eles nunca dormiam cedo, e eu sabia que não estavam dormindo, podia ouvir os sons nervosos de tristeza, dor e diálogos com inobservância do lado de fora. Eles mal conseguiam se comunicar devido as deformidades pelo rosto, a boca abruptamente aberta e a língua cortada atrapalhavam isto.

  Agora não consigo lembrar de mais nada, chutando recordações como alternativas difíceis em um prova de Brush College Estates. Sentado nestas almofadas, encarando essa vela derretida com a visão de concreto a minha frente, dou um sorriso torto para sí mesmo e fito um pouco minha própria respiração. É irritante essa perca constante de memórias, fazem três ou quatro anos apenas... mais? Eu não sei nem a minha idade, e Raphael sempre troca de assunto quando comento sobre isso.

  Mas agora eu sei que ele estava certo, me sinto tão... calmo, e leve.

  Ele estava certo sobre os meus ''esquecimentos'', eu mesmo resolvi esquecer de tudo pelo peso na consciência devido ao menosprezo de meus colegas e conselhos. Já machuquei diversas pessoas em público, professores, alunos mais velhos e mais novos. Levava objetos cortantes para a escola e por tantos ocorridos do tipo, tivemos de nos mudar para Neisville, depois Cudahy e então finalmente para West Allis. Onde mamãe e papai decidiram me ensinar em casa.

  Eu só não esperava ficar tanto tempo sem fazer os outros sofrerem, e agora, continuo sem isso.  Apenas sustentado por "amor".

  `` Sustentados pela falsidade. ``

 


Notas Finais


Como eu gosto de recordar daquelas férias em que todos comentavam, e eu gostaria bastante de um apoio a mais.

Poucas pessoas sabem, mas esta História está chegando ao Final, e vocês todas têm ciência que comentários ajudam muito para o desenvolvimento da Fanfic. Não é só aqui, mas sim em todas as vezes em que lêem, isso ajuda bastante, então espero que colaborem...

Quanto a
Myst e a Haru

Vocês são demais minhas lindas <3

  Alguém sente saudade dos Links?

Entrada do Sótão: http://prnt.sc/dbzhr8

Cozinha: http://prnt.sc/dbzi3g

Sótão: http://prnt.sc/dbzi0b

Quarto de Luck: http://prnt.sc/dbzhxl

Sala: http://prnt.sc/dbzhti


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