História Bite - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Abo, Jikook, Jimin!alfa, Jungkook!ômega
Visualizações 746
Palavras 4.846
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Fluffy, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Shounen, Slash, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Tô atualizando enquanto tenho aula de matemática hdjdbdmbdmfbdnd
Não está betado u.u
Boa leitura, amores ❤

Capítulo 4 - Capítulo 4


Jimin 

 

Depois de eu lhe entregar outras flores de significados simplórios – tendo o suficiente para criar uma coroa de flores – nos sentamos no único banco que há em meio ao jardim esplêndido.

O silêncio presente é confortável; enquanto o ômega concentra sua atenção em fazer sua coroa de flores eu apenas o observo perdido em meus próprios pensamentos. Como é possível sentir sentimentos tão fortes por alguém em tão pouco tempo? Como é possível que apenas eu sinta seu cheiro doce de morango sem a presença do cheiro do alfa que o marcou? Essa e outras perguntas rondam minha mente e não consigo encontrar respostas plausíveis. Pelo visto, o melhor a se fazer é esperar pela tradução do livro. Mas como lidar com o que sinto?

– O hyung ainda não conversou comigo sobre o que me disse ontem... Da marca... – Jungkook termina de fazer sua coroa de flores pondo-a em sua cabeça.

Tão lindo.

– Ah, sobre isso... – Desvio o olhar de si e olho para as rosas brancas que estão na nossa frente – Quando mais novo, minha avó tinha um livro antigo e todas as noites ela me contava lendas, lendas sobre o passado e sobre a nossa espécie. – Sorrio ao lembrar-me da voz suave de minha avó me contando histórias e levando sempre um copo de leite quentinho.

– Não entendo. – Volto minha atenção para o mais novo que está sentado com as pernas cruzadas e com as mãos sustentando seu rosto.

– Pelo o pouco que me lembro das lendas, uma delas contava sobre as diferentes mordidas que um alfa poderia fazer em um ômega e o que cada uma delas significa. Lembro que há dois tipos de mordidas, e a que é feita do lado contrário ao do coração não significa a junção de almas. – Explico de uma vez e percebo Jungkook prender a respiração. – Ontem de noite eu fui à casa de meus pais para pegar o livro, só que é em latim. Hoseok sabe latim e nesse momento está traduzindo.

– M-mas não são só lendas?

– Minha avó me disse que esse livro é antigo e muito importante, e que foi passado de geração em geração. De acordo com ela, o livro foi escrito pelo filho do deus dos lobos com uma humana, o que gerou nossa espécie ou algo assim.

Vejo que seus olhos arregalam levemente em surpresa.

– Acredita nisso? – Pergunta parecendo incerto. – Eu sei sobre as histórias de como surgimos, mas nunca ouvi falar sobre isso e sem contar que faz muitos anos.

– Não sei ao certo em quê acreditar, só penso que não custa tentar. – Dou de ombros e me levanto. – Acho melhor descer, daqui a pouco Taehyung devora todos os meus doces.

O ômega dá risada e se levanta.

– Obrigado por me mostrar esse lugar. – Jungkook olha para as flores com um brilho nos olhos, um brilho mais bonito do que o das estrelas. O que eu estou pensando? – É lindo demais!

– É o meu lugar favorito. – Fito as flores e sinto a leve brisa brincar com meu rosto trazendo o cheiro de morangos do Jeon me embriagando mais uma vez. Fecho os olhos e me viro em direção ao cheiro que fica cada vez mais forte. Curioso, abro os olhos encontrando a face de Jungkook a poucos centímetros da minha. Meu coração começa a palpitar mais rápido e tenho receio que o ômega escute. Observo cada detalhe memorizando mais uma vez em minha mente, levo uma mão à sua bochecha tocando em uma cicatriz antiga, fazendo o ômega fechar suas pálpebras. Coloco a outra mão em sua cintura ao mesmo tempo em que contemplo seus lábios finos e rosadinhos. Jungkook me encara na horal e suas bochechas ganham um tom rosado assim que aproximo meus lábios dos seus.

– Hyung, tem um ômega e um alfa na recepção perguntando pelo Jungkook. – A voz alta de meu primo vindo da parte de baixo faz com que o Jeon se afaste em um pulo. Limpo a garganta sentindo meu rosto esquentar e ando em direção à escada sabendo que Jungkook vem logo atrás.

– Como? – Questiono assim que desço da escada e Jungkook fica ao meu lado.

Taehyung alterna seu olhar entre eu e o mais novo com uma sobrancelha erguida, por sorte, não comenta nada.

– O porteiro acabou de ligar perguntando se pode deixar subir um ômega chamado Seokjin e um alfa chamado Namjoon, ambos perguntando por Jungkook. Gostei de sua coroa. – Meu primo sorri para o maior que ainda está com um leve rubor nas bochechas.

– Obrigado.

*

Depois de nos apresentarmos, deixo Jungkook na sala conversando com seus hyungs enquanto meu primo e eu vamos à cozinha.

– O que vocês fizeram lá em cima para Jungkook ficar tão envergonhado? – Taehyung me encara desconfiado e solto um suspiro. Conto ou não conto? Afinal, se eu contar, certeza que Tae vai me infernizar ainda mais.

– Eu quase o beijei. – Solto em um sussurro.

O loiro coloca as mãos na frente da boca abafando o riso.

– Não acredito!

Reviro os olhos e pego uma maçã da fruteira mordendo-a e saboreando seu gosto doce.

– Não é como se eu nunca tivesse tomado a iniciativa de beijar alguém.

– Ah Jimin, mas você não quase o beijou porque apenas acha ele bonito!

Ignoro seu comentário e ando em direção à sala, faz um tempo que estão conversando.

– Espiar é feio! – Meu primo me repreende atrás de mim em um sussurro.

– Fique quieto!

– E você vai ficar morando aqui? – A voz que pergunta vem do ômega mais velho, Seokjin.

– Não sei hyung, não tenho outro lugar.

– Sabe que pode ficar na nossa casa. – Escuto a voz do alfa, Namjoon.

– Acho melhor ele ficar aqui. – Pronuncio-me e escuto um xingamento vindo de meu primo.

– Por que acha isso? – Seokjin me fita desconfiado.

– O alfa que o marcou com certeza irá procurá-lo e aqui ele estará mais seguro já que eu tenho seguranças. – Respondo como se fosse óbvio.

– Não vi nenhum segurança até agora. – Namjoon cruza os braços.

– Isso porque todos os meus empregados voltam amanhã e se isso os faz se sentirem melhor, podem vir visitá-lo todos os dias.

Seokjin matem os olhos fixos em mim como um appa faria e depois olha para Jungkook.

– Se estiver tudo bem para você pequeno, mas saiba que, se quiser, nossas portas estarão sempre abertas. – Ele afaga os cabelos do mais novo delicadamente.

Todos olham para o ômega esperando uma resposta e o mesmo apenas fita suas mãos.

– Eu concordo com o hyung. – Jungkook levanta o olhar para mim. – Vou permanecer aqui por enquanto.

Respiro aliviado, sem saber o motivo para tal, enquanto Seokjin solta um suspiro e junto de Namjoon se despedem com um abraço do Jeon.

Acompanho-os até a porta e antes de fechá-la, o alfa se aproxima e me encara sério.

– Não deixe aquele alfa chegar perto do Jungkook.

– Ele não vai. – Asseguro-o e tranco a porta.

Antes de me virar para os ômegas restantes, escuto o som de meu celular indicando que acabara de receber uma mensagem. Levo a mão ao bolso e retiro o celular do mesmo. Desbloqueio a tela do celular vendo a mensagem de Hoseok.

“Acabei de traduzir uma parte que achei ser muito importante, mandei no seu e-mail. Vá abri-lo e depois de ler me ligue!! xx”

 Sinto meu coração acelerar em expectativa e sem pensar, ando depressa até meu escritório, fechando a porta em seguida e ligando meu computador para abrir o e-mail e ver a mensagem do Jung.

O deus observava de longe a matança em massa entre os humanos. Não era e nunca foi dever dele e nem de outro deus interferir na vida ou no meio de cada planeta que há nesse e em outros universos, mas esse deus possuía um apreço especial por esse pequeno planeta chamado Terra. A matança desenfreada entre os seres humanos que estava acontecendo o entristecia deveras, pois ele havia se apegado a esses seres. Gostava de sua vivacidade, de seu espírito em busca da liberdade, de sua forma de perdoar e ajudar o próximo e principalmente, de como se entregavam às loucuras da paixão.

A guerra nunca foi novidade para este planeta, mas essa, que perdurou por pouco mais que uma década, devastou boa parte da natureza e destruiu quase que totalmente os países em que viviam, deixando os países quase desertos. Quase. Os poucos humanos que sobreviveram estavam fracos, doentes, miseráveis. Não tinham suprimentos suficientes.

O deus, que gostava da ideia de ser um ser superior e ser amado por isso, decidiu que daria uma única chance para aqueles poucos humanos.

Cada divindade possui um dom e cada dom define o planeta que cada deus será mais eficiente. Esse deus possui o dom de cuidar do ambiente de um planeta desde que possua vida. Vida essa que pode ser compreendida de maneiras diferentes em outros planetas, mas que na Terra é chamado de natureza. Ele não pode fazer mudanças que interfiram no ciclo da vida ou no destino que cada ser habitante terá.

Porém, decidiu quebrar algumas “regras”. Ele “dividiu” uma faísca muito pequena de seu dom com os humanos. Escolheu um animal astuto, instintivo e com audição e olfato apurados. Escolheu o lobo. Concentrou suas energias nesse animal e em forma humana foi em direção aos humanos seduzindo e procriando com os mesmos. Surgindo então, uma nova linhagem. É claro que não havia parentescos já que um deus não possui DNA como os que habitam esse planeta.

Ele sabia que as novas proles seriam melhores, agiriam mais por seus instintos do que pela razão, mesmo que obtivessem a inteligência dos humanos. Ele também sabia que com os instintos apurados, os híbridos encontrariam facilmente suas almas gêmeas. Ah, o destino. Os humanos dificilmente percebiam, mas todas as pessoas apareciam em suas vidas com um propósito, sendo ele bom ou não e a alma gêmea de cada ser, indiferente ao gênero, muitas vezes passava pela vida deles sem ao menos terem consciência.

Três séculos se passaram. A nova geração possuía das tecnologias passadas, mas as utilizavam de maneiras mais corretas, é claro que sempre haverá aqueles de má índole, no entanto, saber que a decisão do deus fora certa, deixava-o orgulhoso.

Fascinou-se observando aqueles que encontravam seu par. Era mágico. A conexão sentida era forte e ambas as almas não conseguiam ficar longe uma da outra devido a marca. A marca tornava tudo ainda mais fascinante aos olhos do deus. Ele tinha consciência da hierarquia dos lobos. Os alfas, betas e ômegas. Quase todos os alfas marcam um ômega com um símbolo de posse, para se satisfazer sexualmente, ou para juntarem suas almas, o que não significa que apenas a alma entre esses se completem e que um beta não possa satisfazer temporariamente um alfa ou um ômega. Mas um beta não pode ser marcado devido as suas semelhanças serem maiores com as dos humanos e o alfa sente a necessidade de colocar suas presas afiadas para deixar sua marca quando sente amor ou apenas desejo carnal, logo, apenas um ômega pode ser marcado.

O deus achou curiosa a vida de um alfa e um ômega. O ômega provinha de família rica e tinha como segurança um belo alfa. Ambos se sentiam atraídos por seus cheiros únicos e predominantes e com o pouco de tato que tinham, um "choque elétrico" percorria seus corpos. O amor entre eles cresceu com o tempo, porém, como poderiam ficar juntos se eram de classes sociais tão distintas? Suas famílias jamais aceitariam, ainda mais com o ômega prometido para um alfa de família influente. O desenrolar dessa história perdurou por mais dois anos, até que no aniversário do ômega, seu amado o marcou em sua primeira noite juntos e assim, fugiram rumo ao mundo para viverem seu amor impossível.

Viajou o mundo observando as histórias de almas gêmeas se encontrarem e se desencontrarem por causa de algum fim trágico, o que o deixava algumas vezes melancólico, mas o que poderia fazer? Ainda sim, sempre fora incrível como tudo acontecia e como tudo possuía um fim.

Fechei a tela do computador assim que terminei de ler.

Hoseok acredita que eu e Jungkook somos almas gêmeas? É isso? Rio sozinho. Isso é só uma lenda, e almas gêmeas são tão raras que acreditar que encontrei a minha atrás de uma lixeira e marcada, chega a ser tristemente cômico. Então por que eu me sinto tão atraído por Jungkook em tão pouco tempo? Por que apenas eu sinto seu cheiro? Sem contar o "choque elétrico” que senti quando nossas mãos se tocaram. Não. É só uma lenda. É impossível e improvável. Não é?

– Jimin-hyung, o que está acontecendo? – A voz abafada de meu primo que vem de trás da porta me desperta de meus pensamentos.

– Não é nada Tae, é... Coisa do trabalho. Preciso ficar um pouco sozinho.

*

Uma semana havia se passado.

Uma semana confusa.

Naquele mesmo sábado, liguei para Hoseok para falarmos do e-mail que ele havia me mandado. Meu hyung acredita sim que Jungkook é meu par e eu como um bom teimoso, discordei em todos os momentos. Porém, por causa de sua insistência, fizemos um acordo: eu deixaria o tempo passar e observaria meu comportamento e o de Jungkook e ligaria todas as noites para conversar sobre, com Hoseok. Achei extremamente desnecessário, mas como um bom dongsaeng, acabei topando.

Tae foi embora nesse mesmo dia. Ele levou meu carro e o motorista novo de meus pais, Min Yoongi, trouxe meu carro de volta. Faz um ano e meio que ele trabalha para meus pais. É um bom alfa e sempre que vou à casa de minha família ele me faz companhia.

“Quem é esse alfa baixinho de cabelos platinados?”

Taehyung me enviou uma mensagem assim que chegou à casa de minha família.

 

No domingo, todos os meus empregados voltaram da viagem. Foi engraçado ver a reação de surpresa de Jungkook ao notar a quantidade de pessoas que trabalham para mim. Fiquei feliz por ele preferir que eu continuasse a cuidar de seus ferimentos ao invés de uma empregada. Fomos ao jardim no fim da tarde, Jungkook levou um caderno e seus lápis de cor e desenhou suas flores preferidas. Mais tarde, ficamos deitados olhando as estrelas e conversando sobre nossa infância. Contei a ele minhas travessuras quando criança. Como quando ralei o joelho ao tentar pegar um pacote de pirulitos no armário de cima da cozinha, mesmo que meu appa tenha proibido de eu comer naquele dia. O mais novo contou sobre como descobriu sua paixão pelas cores.

“Eu estava sentado na beirada de minha janela no meu quarto, e notei os tons de laranja e rosa colorindo o céu conforme o sol ia se pondo. Fiquei maravilhado com as tonalidades e passei a prestar atenção nos tons das cores de tudo que eu via.”

 

Na segunda, passei quase o dia inteiro fora por causa do trabalho, mas quando cheguei do mesmo, fui agraciado pela cena extremamente adorável de Jungkook fazendo um bolo junto da cozinheira. Ele tinha sujeira de chocolate nas bochechas e farinha nos cabelos. Em momentos assim, meu coração parecia dar voltas completas em um ginásio e o cheiro do mais novo me embriagava ainda mais.

“Sei que deve estar muito cansado, por isso pensei em preparar um bolo de chocolate.” Jungkook sorri mostrando seus dentes de coelhinho.

 

Na quarta, fomos ao parque de diversões. Não tentei nenhuma aproximação diferente com o mais novo. Sentia a necessidade de conhecê-lo primeiro e aquela lenda permanecia em minha mente. Os machucados de Jungkook estavam visivelmente melhores, então ele não viu problemas em aceitar sair de noite.

Comemos algodão-doce e fomos a todos os brinquedos que ele queria ir. Como sempre tem que ter um clichê; em um dos joguinhos de arremesso que acabei ganhando, escolhi um coelho grande, branco e fofo de pelúcia para dar ao Jeon. Ele parecia uma criança, seus olhos brilhavam com a expectativa de experimentar um brinquedo novo ou de comer um doce diferente. Fazia-me bem saber que essas pequenas coisas eram capazes de fazer Jungkook pensar cada vez menos no que acontecera com ele. Não só em relação ao alfa que o marcou, mas em relação aos seus pais que o prenderam a sua vida toda, fazendo com que o ômega tivesse receio de experimentar coisas novas por ter medo de suas reações.  

 

Na sexta de manhã, meu primo apareceu novamente e trouxe uma mala dizendo que ficaria até domingo. Quando cheguei ao apartamento de tarde, os dois estavam devidamente vestidos.

“– Nós vamos ao shopping.” – Tae se pronunciou ao ver minha cara de confuso.

“– Nós quem?”

“– Eu, TaeTae e você, hyung. – Jungkook me olha em expectativa. – Por favor!”

“– Vamos hyung, quero dar de presente algumas roupas novas pro Kookie e eu demorei um século para convencê-lo a aceitar.”

Ponderei por um momento alternando meu olhar para os dois.

“– Com uma condição. – Aponto para o mais novo que assente prontamente. – Terá que aceitar presentes meus também!”

O ômega fica com as bochechas levemente coradas e deixa um bico se formar em seus lábios.

“– Mas o hyung já me ajudou com muita coisa, não seria certo.”

“– É pegar ou largar.”

Não precisou de muito para convencê-lo. A ida ao shopping foi relaxante. Tirando a parte em que alguns alfas se aproximavam descaradamente dos ômegas. Jungkook se encolhia toda vez que um alfa se aproximava de si, e Taehyung apenas sorria nervoso até que eu me aproximasse dos dois e os afastasse dos alfas intrometidos. Fora isso, correu tudo tranquilamente. Fomos à praça de alimentação e nos deliciamos com os lanches ricos em gordura. Afinal, quem liga? Depois fomos às lojas, onde Taehyung puxava Jungkook pelo braço mostrando roupas e mais roupas. Eu me senti uma barata tonta no meio de tanta roupa. Ficava extremamente aliviado nos momentos em que os eles iam provar o que escolhiam.

Senti o ar faltar todas as vezes em que via o Jeon com uma peça de roupa diferente. Algumas o deixavam com a aparência ainda mais fofa, outras realçavam seu corpo, como algumas calças que marcavam perfeitamente suas coxas fartas. Em momentos assim, tive que controlar meus pensamentos impuros.

Taehyung também provou algumas peças de roupas e como era de se esperar, parecia um modelo. Tenho pena da pessoa que o namorar, provável que essa pessoa sentirá ciúmes.

De noite, nós três assistimos à um filme. Eu e Jungkook ficamos sentados com as pernas esticadas no tapete e Taehyung ficou esparramado no sofá. Em algum momento, o de cabelos roxos deitou sua cabeça em meu ombro e eu passei meu braço em torno de sua cintura repousando minha cabeça em cima da sua. Meu coração palpitava como um louco.

 

Em todos esses dias da semana, Seokjin e Namjoon vieram visitar o Jeon no período da tarde. Jungkook me disse que isso o fazia bem, já que ambos cursavam a mesma faculdade e contavam as notícias de lá.

 

No sábado, Hoseok apareceu ao meio dia em meu apartamento.

– ChimChim, eu trouxe o restante do livro traduzido! – Disse assim que abri a porta para recebê-lo.

– Restante? – Jungkook e Taehyung perguntam juntos. Engulo seco, como contar sobre o que li de almas gêmeas para Jungkook?

Olhei para meu hyung buscando ajuda, o mesmo sabia que eu não havia falado nada com os dois, apenas da de ombros passando por mim enquanto afaga meus cabelos.

Demoro a fechar a porta pensando por onde começar.

– Chim? – Sinto um arrepio passar pelo meu corpo ao escutar a voz de Jungkook chamar pelo meu apelido.

Viro-me devagar para os presentes na sala. Hoseok está sentando na ponta do sofá ao lado de Taehyung, que além de estar com os olhos pregados na mesinha de centro, está com um rubor nas bochechas. Levanto a sobrancelha para meu hyung que me olha sem entender. Jungkook é o único que está de pé a poucos metros de distância esperando por uma resposta minha.

– Lembra daquele livro sobre lendas que eu te contei?

O de cabelos roxo tomba levemente sua cabeça para o lado.

– Lembro.

Respiro fundo e me aproximo aos poucos do maior.

– Semana passada, Hoseok-hyung trouxe uma parte traduzida do livro. – Mordo os lábios e olho para meu primo e meu hyung. Tae, ainda com o rubor nas bochechas, está com a atenção voltada para mim assim como meu hyung. – E hoje ele trouxe o resto. – Volto minha atenção para o mais novo e paro de andar assim que chego a sua frente.

– E o que o livro dizia? – Sinto outro arrepio ao ser analisado por seus olhos escuros como a noite.

Encaro mais uma vez meu hyung que sustenta um sorriso nos lábios e faz um gesto para que eu continue a falar.

– E-ele contava sobre almas gêmeas, que ambas se notam através do cheiro e quando se tocam, sentem uma ligação. – Respondo olhando firme em seus itens escuros que logo ficam marejados.

– Eu sempre escutei histórias sobre almas gêmeas quando mais novo e sempre acreditei que um dia encontraria a minha, mas agora eu estou marcado e... – Uma lágrima escorre pelo seu belo rosto me fazendo levar um dedo para secá-la. –... Como posso ter esperanças?

– Eu acredito que possa ter uma solução. – Acaricio seu rosto e antes que eu continue a falar algo, meu hyung chama minha atenção.

– Por que não lê para todos o que o resto da tradução diz? Não é o livro inteiro, é só a parte que julguei ser necessária.

Afasto-me devagar de Jungkook e sento ao lado de meu primo que até agora não disse uma única palavra. O Jeon senta ao meu lado me fazendo inspirar seu cheirinho doce de morangos, o que de certa forma, acalma-me.

– Está tudo bem com você? – Pergunto para o Kim.

Hoseok se aproxima de meu primo, visivelmente preocupado, a espera de uma resposta fazendo com que o mesmo ganhe uma coloração vermelha nas bochechas.

– Aigo, estou bem. Leia isso logo!

Encaro mais uma vez meu hyung com a sobrancelha arqueada. Alguma coisa entre esses dois está acontecendo e Hoseok se mantém indecifrável.

Solto um suspiro e começo a ler. Uma coisa de cada vez.

 

De tantos pares que o deus vira se encontrarem e se desencontrarem, a história que ele achara mais fascinante ocorrera em meados do quinto século de existência da nova geração.

Dois melhores amigos, um ômega chamado Yeol e um alfa chamado Leetuk, que se conheciam desde que se entendiam por gente, agora adultos dividiam sua moradia. Leetuk sempre protegera Yeol de alfas e betas e às vezes ômegas que só o queriam por sua beleza e para se satisfizerem sexualmente. O alfa nunca admitira para o ômega, mas desde que eram crianças, ele nutria um sentimento diferente por Yeol. Se alguém com boas intenções mandava cartas ou flores para o ômega, Leetuk dava um jeito de interceptá-las, pois ele acreditava que um dia o ômega sentiria o mesmo e enfim viveriam juntos.

Conforme iam crescendo, o sentimento que Leetuk sentia por Yeol foi tomando proporções ainda maiores, mas como o ômega sempre fora inocente, nunca tinha consciência de suas investidas discretas, pois confiava sua vida ao alfa, afinal, sempre foram melhores amigos.

Doía o coração de Leetuk quando Yeol perguntava o porquê que ninguém o queria. Mal sabia ele que Leetuk continuava interceptando qualquer tentativa de aproximação.

“Um dia eu sei que perceberá.” O alfa sempre matinha esse pensamento em mente quando respondia qualquer outra coisa toda vez que o ômega se queixava.

Os anos passaram e como Yeol não queria morar mais com os pais, aceitou morar temporariamente com seu melhor amigo até que encontrasse alguém que o quisesse.

Até que em uma tarde, Leetuk não estava em casa e Yeol cuidava do jardim, um cheiro forte docemente amadeirado impregnou as narinas do ômega fazendo-o fechar os olhos por alguns instantes e aproveitar daquele cheiro tão atrativo. O cheiro ficou mais forte e mais inebriante fazendo o ômega abrir os olhos e encontrar um rapaz de cabelos pretos, olhos amendoados e pele levemente morena o encarando fixamente atrás da cerca da casa que fica entre o jardim e a calçada. Os olhares, quando se encontraram, fizeram os pelos do corpo do ômega se arrepiarem e o mesmo prendeu a respiração. O alfa, novato na pequena cidade, também se sentiu atraído pelo cheiro doce de maracujá, nunca sentira um cheiro tão bom em toda sua vida e teve a mesma reação que o pequeno ômega. Ficou estático.

A partir desse momento, o alfa passava todos os dias enfrente a casa de Yeol. Os dois se aproximaram aos poucos; começaram com a troca de olhares, depois sorrisos, até que passaram a conversar e a se conhecerem melhor. A primeira vez em que trocaram um aperto de mãos, ambos soltaram imediatamente o aperto por sentirem um "choque elétrico" percorrer entre elas.

Após dois meses, ambos se encontravam perdidamente apaixonados. Por sorte do ômega, sem que esse soubesse de tamanha sorte que tinha, Leetuk nunca tivera conhecimento do alfa e Yeol não fizera questão de contar, nem ele sabia o motivo. Até que em um dia da semana, Leetuk sai antes do serviço e encontra Yeol e o alfa aos beijos no jardim de sua casa.

Leetuk fica possesso de raiva. Sua vontade era de matar o alfa que estava beijando seu ômega. Mas ele teve ideia melhor. Esperou o alfa ir embora para enfim entrar em casa e agir como se nada tivesse acontecido.

Ao anoitecer, enquanto Yeol tomava banho, Leetuk despiu-se e entrou sorrateiramente no banheiro que o ômega estava. Passou um braço pela cintura de Yeol e com a outra tapou sua boca. Virou o ômega de frente para si e viu os olhos amedrontados sobre si, porém não se importou. Ele iria torná-lo seu e alfa algum o tiraria de si. Pensou em deixar sua marca em cima do coração de Yeol, pois para Leetuk seria uma demonstração de amor, mas ao notar o coração do menor acelerado pelo medo, fincou suas presas do lado contrário, fazendo Yeol soltar um grito de dor.

Aquela noite, Leetuk aproveitou da fraqueza de Yeol e tornou-o seu de todas as formas possíveis. O alfa estava fora de si.

Na manhã seguinte, Yeol, quase sem forças, encontrou um bilhete ao lado de sua cama com juras de amor e dizendo que Yeol seria para sempre de Leetuk.

O ômega chorou. Chorou como nunca chorara em toda sua vida até sentir que não havia mais lágrimas para derramar. Vestiu qualquer roupa e foi para a casa de seu amado. Esperou-o o dia inteiro agarrado às poucas roupas que tinha no corpo. Quando seu amado o viu, sentiu que o cheiro de Yeol estava mais fraco e também sentiu seu coração doer ao notar o estado do ômega.

Yeol contou tudo e o alfa, jurou que não deixaria Leetuk se aproximar de si mesmo que tivesse a marca.

Já na casa de Leetuk, quando o mesmo chegou do trabalho e encontrou a cama vazia, saiu atrás de Yeol perguntando a quem quer que estivesse na rua pelo ômega. Não fora difícil saber tais informações, já que um ômega visivelmente machucado chamava atenção por onde passava.

 Ao chegar ao local onde um senhor dissera que viu Yeol entrar, Leetuk bateu diversas vezes na porta até que a mesma abriu bruscamente revelando o rapaz que tanto odiava. Os olhares se encontraram e era nítida a raiva contida neles.

Leetuk sentiu uma ardência em seu abdômen e ao baixar seu olhar para o local, viu uma mancha de sangue encobrir a região e a mão do alfa a sua frente segurando um cabo de faca.

Seis meses passaram desde a morte de Leetuk. O casal, que buscou reconstruir sua vida juntos, fora embora para outra cidade. Yeol ainda não conseguia se aproximar de seu amado da forma que sabia que este o desejava. Não porque não tinha vontade, mas porque tinha medo. Medo de algo pior acontecer, já que ainda possuía a marca. Seu cio chegou nesse mesmo mês e pela primeira vez, o alfa sentiu o cheiro forte de maracujá impregnar toda a residência. Entregue ao desejo, Yeol não negou a aproximação de seu amado e quando o alfa estava a ponto de satisfazê-lo por completo, sentiu suas presas saltarem e seus instintos o levaram a marca do ômega. Fincou suas presas no mesmo local e ambos gritaram sentindo uma conexão inexplicável. O alfa, após a mordida, subiu sua boca para a região do pescoço de seu ômega e fincou suas presas ali. Dessa vez, não houve gritos de dor e sim um misto de sensações onde Yeol pode sentir o que o alfa sentia, assim como o alfa pode sentir o que Yeol sentia.

 

Fecho o livro e olho para Jungkook vendo que está com as mãos trêmulas enquanto enxuga algumas lágrimas que persistem em sair.

Aproximo-me de si e envolvo-o em meus braços tentando confortá-lo. Certeza que se lembrou do dia em que fora estuprado. Meu peito aperta por me sentir impotente.

Olho para os dois ao meu lado e vejo que ambos estão olhando para nós com um sorriso nos lábios. O que eu perdi?

– Acho bom você contar pro Jungkook aquilo que me disse semana passada, sobre o cheiro. – Hoseok se pronuncia e puxa Taehyung pela mão.

Meu coração começa a acelerar em nervosismo e sinto Jungkook afastar delicadamente meus braços de si. Olho para o mais novo e vejo-o secar as lágrimas restantes. Continuo estático vendo-o se recompor até que afasta suas mãos de sua face e me encara profundamente.

– Cheiro?


Notas Finais


Provável que de tarde venha o próximo 8D


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