História Bittersweet. - Capítulo 44


Escrita por: ~

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Palavras 4.065
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, FemmeSlash, Ficção, Ficção Científica, Fluffy, Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Nos vemos nas notas finais~
Boa leitura ~

Capítulo 44 - 43. Ficaremos bem, espero.


Seus olhos olhavam pela janela sem nada a ver, deu um suspiro tedioso enquanto encarava as gotículas de chuva batendo de encontro ao vidro, sem a conseguir transpassar.

Ironicamente era assim que se sentia naquele momento, como as pequenas e fracas gotas de chuva, incapaz de transpassar um muro sólido e transparente. Suspirou pesadamente, embora o simplesmente ato tivesse levado dor ao seu peito, suas costelas quebradas ainda em recuperação enquanto ele se abraçava com um de seus braços.

Estava sentado confortavelmente em uma poltrona ao lado da janela de sua própria sala de estar, para onde poderia observar a janela e as árvores ao seu arredor, sua morada era apenas um detalhe marrom em meio ao borrão de verde, mesmo que fosse suficientemente grande para que abrigasse 3 pessoas, com seus dois quartos, um banheiro no segundo andar, ainda tinha um outro no primeiro, onde geralmente guardava seus jogos e alguns livros que ganhara que ele preferia esconder de olhares de terceiros, desde que seu conteúdo era constrangedor para estar à vista de qualquer pessoa.

Tinha uma pequena mesinha a sua frente, com alguns doces, água e um suco natural que lhe tinha sido entregue para si há pouco tempo e que já estava na metade, embora não estivesse com nenhuma vontade de se alimentar.

O Dramin que tinha tomado há cerca de meia hora já o deixava sonolento, mas felizmente, menos enjoado, embora seu rosto estivesse perfeitamente contido em uma máscara trabalhada de indiferença, seu interior estava em uma completa desordem total, tanto física quanto mentalmente. Seus suspiros traziam traços de dor, não só física como emocional.

Estava completamente destroçado, não só pelas suas costelas quebradas, pulso e tornozelo imobilizados e doloridos, mas como também toda e qualquer respiração mais profunda parecia lhe queimar completamente por dentro, como se tivesse aspirando brasas, cada pequeno e mísero movimento seu eram terrivelmente dolorosos, nem mesmo andar parecia uma ideia, desde que pouco conseguia se apoiar em seus móveis para ao menos chegar ao banheiro, o que que rendeu o constrangimento de usar um cateter.

Pela primeira em sua vida, estava se arrependendo de todas as suas decisões estupidas, tivera sorte, os médicos disseram-lhe quando tinha recuperado a consciência há um mês. E, apesar de fazer sua usual pose de durão e sorrir minimizando seu próprio desconforto e dizendo a tudo e todos de que estava perfeitamente bem e em perfeitas condições, muitos olhares de reprovação foram lançados, um em particular tinha uma fúria sem precedentes, deixando-o completamente desarmado e sem ter o que falar.

Era mais do que um olhar enfurecido, era de decepção e auto ódio, não sabia como reagir diante dessas emoções e ele mesmo não sabia como lidar, mas além da tímida vergonha, ainda tinha a confusão ao encontra-la trajada daquela forma, nunca antes vista, desde que desconhecia completamente sobre esse lado tão peculiar dela.

À primeira vista, pensou se tratar de outra pessoa totalmente diferente, desde que o jaleco branco e o suéter verde musgo pareciam completamente deslocado, junto com sua calça social branca e uma prancheta em suas mãos, enquanto os outros dois médicos estavam ao redor, enquanto debatiam entre si usando termos e palavras que ele não fazia ideia de seus significados ou se era mesmo algum idioma conhecido.

Ele suspirou, se arrependendo logo em seguida pela dor que se seguiu pelo ato, enquanto temporariamente era ignorado em grupo de médicos que pareciam debater com vigor. Uma enfermeira entrou no quarto, seu rosto corado e sorrindo para ele quando vez ou outra piscava ou lhe olhava através de seus cílios, em flertes nenhum pouco sutis que ele estremecia internamente, desde que ele sabia que doeria se fizesse literalmente.

Sentia-se entorpecer enquanto o analgésico entrava em sua corrente sanguínea e logo todo o seu redor desapareceu enquanto fechava os olhos lentamente, sendo levado para a terra dos sonhos.

Logo quando estava mais consciente e capaz de ignorar a dor de seus pontos pós cirúrgicos, ele podia então conversar com ela, na qual suas palavras, mesmo que tinham saído em um tom calmo e completamente controlado, parecia soar pior do que se ela tivesse gritado em sua face todas as palavras proferidas em um tom tão gélido que o fizera sentir-se internamente congelado.

Duas semanas havia se passado desde que dera entrada na ala hospitalar, embora tinha se passado apenas cinco dias desde que ele tinha despertado e estava completamente consciente. Era tempo o suficiente para que já se sentisse completamente deslocado de estar preso dentre quatro sólidas paredes brancas, onde os rostos que via eram de enfermeiros, médicos, ela e alguns poucos amigos, como a morcega na qual já era tão sua amiga que parecia para si uma irmã.

Logo já conhecia os outros médicos que estavam consigo, uma gata preta com listras brancas e um olhar azul astuto que pouco conversou consigo e um pato amarelo com seus cinquenta anos que tinha suas penas envelhecidas acima de seus olhos formando uma espécie de sobrancelha envelhecida, aparecendo vez ou outra para lhe checar e verificar seus sinais vitais e retirar amostras de sangue para exames que ele desconhecia quais eram. Um de seus olhos azuis eram marcados por uma cicatriz branca que não crescia sequer uma penugem, marcando seu rosto para toda sua vida. Sua voz geralmente era tranquilizadora, com um tom pausado e tranquilo.

Naquele dia em que ele acordou, encontrou-a sentada confortavelmente em uma das cadeiras disponibilizadas para visitantes, suas pernas cruzadas, o olhar concentrado em demasia no que estava na prancheta, passando de página para página e murmurando silenciosamente como para tomar notas.

A conversa que se seguiu, nunca seria apagada de sua mente.

 

 

 

 

— Acordado, vejo. — Comentou com desinteresse, sua voz severa e fria.

— Uh... — Murmurou piscando algumas vezes, a luminosidade repentina feria seus olhos, o quarto era extremamente claro e branco, doía seus olhos.

Ela esperou que sua visão se acostumasse com toda a luz e aos poucos o ambiente se focava em sua visão.

— Onde...? — Tentou dizer, porém sua voz saia fraca.

Há cinco dias que ele apenas acordava e depois voltava a dormir, os analgésicos em seu sistema eram em geral entorpecentes e acaba sempre voltando a dormir sempre que acordava.

Hoje entretanto, não tinha nenhuma enfermeira esperando com que acordasse para que lhe sedasse novamente, continuou piscando algumas vezes, esperando que alguém respondesse sua pergunta feita pela metade.

— Hospital. — Ela lhe respondeu simplesmente, sem nenhuma vez lhe encarar.

Ficou um tempo em silencio, ele tinha uma quase certeza de estar geralmente em um hospital, porém sua mente estava confusa, suas memórias estavam fragmentadas e a simples tentativa de se recordar de como veio parar ali fazia sua cabeça doer. Fez menção de levar a mão esquerda para a cabeça, mas a dor de um leve fisgão em seu pulso fez com que desistisse, seus olhos então olhavam para seu redor, explorando.

Ao lado, em um suporte, havia duas bolsas distintas com conteúdos diferentes, ligadas ao mesmo IV, olhou com confusão para seu braço, sentindo a pressão em seu dedo médio por uma espécie de pregador que desconhecia a função, o som insistente de um monitor cardíaco em pleno funcionamento, seus ‘bips’ soando com uma frequência suave e regular, na qual em seu íntimo, pressentia que significa algo bom.

Era a primeira vez que dava entrada em um hospital e tudo ao seu redor parecia tanto novo quanto completamente assustador, seus olhos verdes olhavam para tudo com curiosidade e um temor interior.

— Você pode ter algumas dúvidas, acredito. — Ela disse no mesmo tom seco e gélido, não parecia ser a mesma pessoa que conhecia, como se fosse realmente outra pessoa, não tinha o olhar paciente ou a voz mansa que lhe trazia conforto e segurança. — Mas precisa descansar, sendo assim, responderei as perguntas mais comuns que poderia ter em um momento como esse. — Ela concluiu.

Ouviu algum folhear de páginas enquanto ela ainda lia algumas coisas.

Sua postura e voz era excepcionalmente profissionais, não traindo qualquer tom de preocupação ou amizade que outrora houve. Sua postura, na melhor das descrições, era de quem estava diante de um total desconhecido, falando frases com nenhum resquício de animosidade que tanto esperava encontrar. Em realidade, desesperadamente queria encontrar.

— Primeiro — ela começou distraidamente, sua voz soava bastante distante enquanto ainda parecia ainda entretida no que é que estivesse lendo com tanta avidez — você tem 5 fraturas nas costelas, felizmente não houve nenhum osso quebrado, uma lesão na cabeça, um pulso deslocado e uma luxação no tornozelo, tivemos que fazer uma cirurgia de emergência para remover o coagulo que se formou com a lesão em sua perna. — Ela deu uma respiração longa. — Ao menos parte da cirurgia eu estive presente. — Ela olhou para o chão constrangida, enquanto se levantava e chegava perto dele.

Levantou o suéter que usava, revelando seu busto enfaixado com tiras resistentes de tecido enquanto sua barriga estava à mostra, onde podia ver pontos e compressas ensanguentadas.

— Aqui foi onde a lança me atravessou — Ela apontou para o meu onde um corte profundo podia ser visto, com alguns pontos e já com uma casca grossa marrom sobressaindo ao pelo negro. — Esses são dos tiros que levei antes de chegar a Speed Highway. — Ela explicou enquanto os olhos verdes tinham ido até os ferimentos de seus lados, ela deu de ombros. — Não foram grande coisa, mas infeccionaram por causa da batalha. — Fez pouco caso enquanto baixava a blusa. — Esses foram apenas os que ainda permaneceram na pele.

Ela baixou sua blusa e se afastou, enquanto pegava a prancheta novamente.

— Fiquei 12h desacordada quando cheguei ao hospital, nesse tempo já tinham feito grande progresso da cirurgia, mas não podiam acelerar tanto quanto pensavam, era um caso delicado, você perdeu muito sangue, nenhum ferido na região abdominal, mas a dor e o impacto dos outros ferimentos te levaram à um quadro de aborto espontâneo em progresso. — As palavras penetraram seus ouvidos como cortes de uma faca, rasgando e apunhalando-o cada vez mais enquanto ele a olhava com a expressão totalmente em choque.

“Você precisava urgentemente de sangue, mas não tinham nenhum reservado e os que foram usados em grande parte na cirurgia não era o suficiente.” Ela continuou com o mesmo tom. “Tentaram outras unidades de banco de sangue de Central City, Westopólis, até mesmo de Soleanna e Metropólis, mas eram longe e precisaria chamar muito mais atenção com locomoção por helicóptero, não tinham nenhum disponível tanto dos bombeiros e da G.U.N.” Ela balançou a cabeça em negação enquanto parecia se sentir culpada pelo que tinha acontecido. “Grande parte deles estavam ocupados movendo as vítimas dos ataques para um lugar mais seguro, não tinham como fazer muita coisa e por isso tentaram continuar a cirurgia com cautela, foi mais ou menos nesse meio tempo que eu acordei.” Ela balançou a cabeça. “Felizmente já me conheciam o suficiente e permitiram que eu assumisse a dianteira, eu já tinha praticamente todo o seu dossiê médico, não foi de extrema ajuda, mas poupou-nos uma dor de cabeça.”

Ele olhava-na com curiosidade enquanto ela estava perfeitamente sentada e confortável falando consigo, enquanto em contrapartida ela deveria estar acamada e recebendo medicamentos para ajudar na cura e cicatrização dos seus ferimentos, na qual desconhecia o momento em que foram feitos, ao invés de estar simplesmente ali, trajada como alguém do corpo médico, tão fora de seu persona usual.

“Esse hospital tem em parte agentes G.U.N infiltrados como médicos comuns, o que não é nenhuma novidade, desde que grande parte das cidades overlander é controlada e vigiada.” Ela revirou os olhos enquanto apontava casualmente para um ponto escuro na parede branca. “Questões de segurança, alguns quartos são equipados com sistema de câmera e escutas, além de sensor infravermelho, mas não é todo e qualquer paciente que precisamos fazer isso, só para figuras políticas importantes e lutares como você.”

Sonic absorvia tudo atentamente, abriu a boca para tentar falar, mas foi apenas nesse momento que notou o incomodo contra a pele de sua garganta, levou a mão que não estava com os IV’s até onde sentia o objeto, a textura contra seus dedos era de plástico duro e firme, confuso, ele tentou tocar mais, mas sua mão foi afastada por mãos femininas pálidas e frias, olhou para cima se deparando com os olhos vermelhos sérios e frios, que recolocou seu braço de volta para o lugar onde estava antes de ser movido.

— O q... — Ele nunca imaginou que sua voz poderia soar tão fraca e rouca, parecia que tinha corrido vários dias sem que sequer tivesse tomado um misero gole de água. Estremeceu quando a simplesmente menção fez seu corpo doer.

— É um colar cervical, não mexa nele. — Disse calmamente. — Colocamos em você para impedir que mova muito e se machuque. — Ela explicou voltando para o seu lugar, longe dele novamente.

Algo em seu íntimo, desejava que ela sentasse perto de si e segurasse sua mão, mas não conseguia falar sem que sentisse dor e a morcega não parecia ser do tipo de pessoa que se sujeitaria a isso, pelo menos não a visão que tinha diante de si, os olhos vermelhos eram suficientemente intimidadores, mais do que ele lembrava que o tom rubro poderia ter. Apesar de seu tom de voz calmo e lento, falando como se para um desconhecido com problemas de compreensão, ela parecia alguém bastante distante de quem alguma vez tinha se oferecido para hospedá-lo em sua casa.

— Continuando... — Ela disse sugestivamente. — Conseguimos um doador nesse meio tempo, era a única solução viável e não tínhamos tempo para fazer os exames para saber se há compatibilidade sanguínea, não havia muito tempo, era um tiro no escuro, mas que felizmente não resultou em um tiro em nossos próprios pés. — Ela sorriu sarcasticamente. — A cirurgia foi um sucesso e felizmente ainda conseguimos reverter o quadro de aborto, mas não sabendo quando ocorrerá outro ou se há chances dos fetos continuarem a se desenvolver sem qualquer interferência. — Terminou friamente.

Ouvi-la falando de forma tão dura e sem nenhum sentimento consigo sobre algo que era de suma importância para si, fazia com que o remorso e a dor no peito ocasionassem em um surgimento não tão inesperado de lágrimas aos seus olhos, um tímido e suave soluço soasse pelo quarto.

Ela virou seu olhar para ele, embora interiormente estivesse sentida, não daria seu braço a torcer.

— Lágrimas tampouco me comovem, ouriço. — Ela disse friamente. — Guarde-as para si. As consequências de sua irresponsabilidade quase resultaram em inúmeras perdas, se isso te faz sentir o peso do que fez, eu mesma quase não resisti. Mas não importa. Estou aqui agora, mas a decepção que sinto é impossível de descrever. Se antes eu não confiava em você, agora muito menos.

Se levantou recolocando a prancheta no suporte ao ‘pé da cama’ e virou para a porta, sua voz soando muito mais gélida do que ele alguma vez pensou ouvir.

— Na próxima vez que pretender se matar, me avise. Para que eu não precise se sacrificar por você.

Ela fechou a porta com um baque inaudível. O quarto ficou em um silencio desconfortável, enquanto ele não sabia para onde olhar e o que fazer desde que estava praticamente incapaz de se mexer, o tempo passava lento e por fim o tédio fora tão insuportável que ele apertou o botão para chamar a enfermeira e talvez pedir algum analgésico, desde que já sentia a dor ficando intolerável para si.

A única coisa que ele lembrava antes de ter sido forçado ao sono, foi da mesma enfermeira adentrando o quarto e lhe aplicando o analgésico.

 

 

 

Adormeceu sem que se desse realmente conta de quando ou como, a poltrona era suficientemente confortável e sua perna operada já não tinha os pontos, no entanto andar ainda era um empecilho, já que uma estava operada e outra ainda estava desinchando, o que tornava-o emburrado em maior parte do tempo, maldizendo sua lenta recuperação enquanto o que mais desejava era poder se locomover por sua própria casa por conta própria, sem qualquer tipo de apoio.

Essa era uma de suas frustrações, além de que, em todo esse tempo não tinha visto sequer um vulto de Tails, até mesmo de Amy. Mary aparecia somente para verificar sobre si, enquanto sua única companhia era de Rouge, que cumpria um papel de enfermeira sempre o auxiliando para o que precisasse, desde que o hospital já estava tendo dificuldades para desviar a atenção de repórteres e paparazzis que estavam ávidos por qualquer furo jornalístico.

Depois de uma longa discussão que envolvia Mary, o pato e a médica que ele veio descobrir se chamar Hershey, decidiram a continuar o tratamento e a recuperação em domicilio, com alguns equipamentos necessários sendo custeados pelo próprio hospital, desde que não era um paciente comum e o estado dele necessitava muito mais do que repouso e alguns analgésicos para dor.

Todos do hospital ficaram extremamente surpresos com a visão deplorável do herói e ainda mais alarmados quando uma das agentes mais duronas deu entrada logo depois, sendo que ela seria a responsável por ele, preocupação que se tornara razoavelmente menor quando ela despertara e assumira grande parte da responsabilidade e pensava por todos ali, desde que era a general e assim era tratada por todos os agentes infiltrados, enquanto outros estavam em dúvida se era mesmo prudente permitir que alguém que há pouco despertara de um estado de inconsciente e ainda não estava totalmente recuperada assumisse muitas das responsabilidades, mas por fim, ela demonstrara que não precisava que de quaisquer preocupações.

Então o foco tinha basicamente se tornado o ouriço em questão, desde que a morcega tinha com sucesso, tirado sua saúde do foco dos médicos, novamente.

A dieta do ouriço tinha se tornado praticamente baseada em alimentos leves e totalmente saudáveis, desde que além de ajudar suas crises constantes e agudas de enjoos, ainda necessitava de uma recuperação e seu peito ainda estava dolorido para alimentos mais pesados. Por vezes, ele pedia algum doce ou guloseima mais calórica, na qual tinha a desculpa de serem desejos incompreensíveis e nada saudáveis de uma gestante ainda adolescente. Na qual, mesmo que Rouge tentasse em vão negar, não podia o estressar, desde que ele muitas vezes tinha uma reação exagerada demais.

Se ataques de ansiedades e inquietação poderia ser considerado reações normais.

— Sabe, Blueboy? — Perguntou retoricamente em um dia qualquer, enquanto se sentava no sofá perto de onde ele estava. — Quando criança eu sempre sonhava em ser uma enfermeira quando crescesse. — Ela riu consigo mesma, enquanto parecia divertida com a situação.

Sonic lhe encarou sem emoção, no entanto mesmo que não transparecesse tanto, ele também estava confuso.

— Bem, G.U.N é extremamente rígida com a formação dos agentes. — Ela continuou. — Alguns de nós somos forçados a cursar enfermagem ou medicina, bem, no começo não dá para entender muito a razão. — Deu de ombros suavemente enquanto sorria. — Mas é realmente útil quanto estamos em missões de alto risco e não há como contatar ajuda e há vítimas muitas vezes fatais, como Speed Highway, por exemplo.

O ouriço se atentava às informações recém adquiridas, se apegando à elas como forma de distração, desde que não podia fazer muito, desde que o aviso frio e ácido ainda permanecia gravado em sua mente como se tivesse sido escrito com ferro em brasa.

 

— É a última vez que vou te dizer isso, ouriço, ouça bem. Não me importo em como isso vai soar para você, mas se você ainda tem a esperança de segurar os seus filhos algum dia, você vai ter que seguir tudo o que eu mandar, nem que eu tenha que te amarrar em uma cama. — Seus olhos vermelhos eram proeminentes em sua fase pálida e de aspecto doentio. — Se você não quiser me ouvir, tudo bem, essa será a última vez que farei algo por você. Considere como um adeus.

 

Surpreendentemente, Mary tinha se recusado a oferecer novamente seu apartamento como uma morada temporária, mesmo o ouriço sabendo que era um dos lugares onde a morcega claramente teria mais facilidade de conciliar seu trabalho e poderia manter um olhar nele.

A negação de certa forma lhe deixou ainda mais desconfortável do que poderia imaginar, parecia que a morcega estava muito além de chateada consigo, o suficiente para querer que ele estivesse no mesmo recinto que ela.

No entanto, dois dias depois, após ter retornado a sua moradia dentre as árvores e o ar verde e revigorante, a notícia do jornal televisivo tinha lhe pego totalmente de surpresa.

Uma invasão a um dos prédios da área nobre da cidade, onde um dos apartamentos teve sua segurança burlada e parte dele vandalizado quando a própria moradora tinha reagido e o resultado tinha sido fatal, para o invasor.

As filmagens dos danos tinham lhe surpreendido, quanto parte da parede de vidro tinha sido quebrada e alguns móveis revirados junto com sangue em alguns pontos. As duas moradoras tiveram de ser realocadas para outro apartamento enquanto ele via o interior tão familiar para si pelo tempo que veio a ficar rodeado por aquelas paredes. Parecia então que, mesmo que ela estivesse chateada, ela teve uma boa razão afinal. Mas mesmo assim, ele não conseguia entender como e nem o porquê do que tinha acontecido, somando vários pontos de interrogação em sua mente já tão confusa.

A visita no dia seguinte, tampouco tinha aliviado o clima de tensão e desconforto que agora pairava entre eles e a morcega, mesmo que tivesse se limitado em palavras, sua postura e gestos denunciavam muito de seus pensamentos não manifestados e pela primeira vez em todo o tempo que se conheciam, ele verdadeiramente começava a sentir medo.

Quando deu por si, abriu os olhos confuso, o exterior estava escuro e poucas luzes na casa estavam acesas, não fazia ideia da hora exata, mas que deveria ser razoavelmente tarde.

Olhou ao seu redor, os olhos verdes ainda com resquícios de sono enquanto sua mente trabalhava muito mais lentamente que o normal, divagar era algo que para ele, geralmente resultava em um cochilo sem exceções. Era uma das poucas coisas que ele era liberado a fazer, desde que não podia fazer qualquer tipo de esforço, carregar peso ou até mesmo chegar ao segundo andar sem apoio, então muitas vezes acaba por dormir ali mesmo, na sala ou deitado no sofá.

 Se levantou com cuidado, lembrando-se perfeitamente da tala ainda em seu pulso e do gesso que ainda era mantido em seu tornozelo, além da compressa feita em sua coxa, onde ocasionalmente os pontos fisgavam quando contraia o musculo. Com passos lentos demais para ele e se apoiando nas paredes, chegou enfim a cozinha.

O cômodo estava limpo, seus armários e geladeira com estoque renovado de ingredientes para uma refeição saudável para um ouriço gestante com uma fome exagerada, mas que era totalmente compreensível.

— Ficaremos bem. — Repetiu o mantra de sempre, tentando convencer a si mesmo do que qualquer outra pessoa. — Rouge e Mary prometeram cuidar de nós quatro, confio nelas. — Murmurou com a voz frágil, quebrando em lugares estranhos. — São a única certeza de que não estamos, sozinhos.

Não havia sequer um sinal um de Rouge pelos cômodos, tampouco se lembrava dela ter lhe avisado de que iria sair.

Tampouco, em todo esse tempo, nunca teve sequer um pequeno sinal dele, nem mesmo uma pequena notícia, deixando-o totalmente fraco e desnorteado.

O brilho de uma lamina chamou sua atenção, enquanto seus olhos, agora com lagrimas transbordantes, olhavam para a faca acima da mesa, seus dedos de sua mão sem tala, acariciavam o cabo de madeira entalhado da faca, inocentemente a vista, retirada da gaveta e deixada ali, sem quaisquer preocupações.

Pegou-a com os dedos trêmulos e sem qualquer palavra, correu a lamina afiada sobre a pele fina e seu braço, formando uma pequena e ‘inofensiva’ linha quase invisível, mas que, poucos segundos depois, já começava a brotar pequenas gotas de sangue. O corte ardia, mas seu rosto não demonstrava nenhum sinal de dor, tampouco arrependimento. Estendeu a manga do pijama que começava a usar com mais frequência, para esconder seu corpo que ele já não se sentia mais confortável em mostrar. Estava pronto para deslizar novamente, quando percebeu que já não estava sozinho naquele cômodo.

— Sonic the Hedgehog, o que diabos está fazendo? — A voz saiu em um rosnado tão inesperado que seu corpo congelou no mesmo instante.

Sua mão afrouxou o aperto sobre a faca que escorregou e deslizou até o chão, tilintando quando a lâmina atingiu o chão.


Notas Finais


Seria isso uma realidade alternativa ou um salto temporal?
Quem sabe?
Deixarei o capítulo para suas interpretações.

Até uma próxima ~

by: ShadowShirami


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