História Black and White - Book 1: Blood red - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias B.A.P, Bangtan Boys (BTS), Brown Eyed Girls, EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Ga In, Jungkook, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Miryo, Sehun, Suga, Suho, Tao, V, Xiumin, Zelo
Tags Chanbaek, Chenbaek, Cyberpunk, Distopia, Ficção Cientifica, Futurismo, Hunhan, Kaisoo, Sci-fi
Visualizações 68
Palavras 5.148
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Helloooo! Aqui estou eu para mais um capítulo de Black and White <3 Tudo novo de novo - tinha uma novela com esse nome? não lembro k. Eu peço que me perdoem pois o capítulo não está betado, nossa querida Anne teve alguns problemas na agenda e não pôde betar a tempo, pode haver alguns erros e eu peço desculpas, contudo provavelmente domingo tudo estará normalizado e como eu não queria atrasar, cá estou <3

Antes desse capítulo começar eu preciso falar sobre as referências da história. Eu sei que muitas já notaram, mas é sempre bom falar.
Existem três coisas essenciais que me fizeram ter interesse em criar essa história.
*Shingeki no Kyojin, que é um anime/mangá que eu amooooo e que essa fanfic está lotada de referências, quem assistiu o anime percebeu logo de cara, tanto pelo exército e seus equipamentos - para quem já leu a primeira versão postada - quanto pelas muralhas. A anime inteiro tenta passar uma filosofia sobre a humanidade que só lendo mesmo pra ver.
*Fullmetal Alchemist Brotherhood. O anime é o mais fiel ao mangá Fullmetal Alchemist e quem já viu o anime percebeu as referências deles nos Irmãos Kim e na história.
*Segunda Grande Guerra Mundial. Eu estava no segundo ano do ensino médio quando tive essa vontade de criar algo que mesclasse os dois animes e eu estava estudando a Segunda Guerra em História e mano... Eu senti que eu queria escrever algo que passasse uma mensagem sabe? Sobre como essas coisas horriveis podem acontecer a qualquer momento e as vezes você não pode fazer nada, ou acaba fazendo alguma coisa. Eu realmente quero passar algo com essa história e espero conseguir. Eu fiquei ainda mais interessada quando assisti A Lista de Schindler. Quem já leu pode perceber a referência na nossa querida Garota da Capa Vermelha.

Enfim eu já falei demais, huhuehue ainda tem mais referências, mas essas são as principais :)
Espero que gostem do capítulo, xoxo

Capítulo 2 - Capítulo 01 - Os inimigos do sul


Fanfic / Fanfiction Black and White - Book 1: Blood red - Capítulo 2 - Capítulo 01 - Os inimigos do sul

2145

 

“Eles nasceram destinados a nos destruir” A voz ecoava por todos os cantos cinzentos do país.

Pequenos humanos se esforçavam para chegar aos seus respectivos locais de lazer ou trabalho voluntário a tempo. Locais que pesquisavam sobre a mente humana e precisavam de pessoas para testes, apenas os menos favorecidos eram obrigados a se submeter a esse tipo de procedimento. As pessoas entravam nos trens metálicos e enormes, capazes de se mover por toda a capital rapidamente, cada uma delas com as palavras do chefe nacional e líder, presas em suas frágeis mentes. 

“Todos eles, carregam dentro de si a doença que trará uma praga exterminadora capaz de destruir todos nós!” A voz gritava no ouvido de todos eles, nos telões de vidro, nos rádios portáteis, nos celulares, nos nanochips instalados em seus ouvidos e talvez... Até mesmo na internet, se ela fosse permitida dentro das muralhas para humanos comuns.

Eu, Führer Jong Suk, irei lutar até as minhas últimas forças para que essa raça seja afastada do meu povo tão amado, protegerei vocês com toda a minha garra! E aquele que tentar proteger algum inimigo do sul... Será indescritivelmente punido como ele, pois carregará consigo a maldição que eles lhe trazem.”

2145 era um ano sombrio para Coréia do Sul... Aliás, deixada de ser chamada assim desde que a última muralha fora construída.

Cinquenta anos foram necessários para que o novo sistema de governo se adaptasse completamente ao país que um dia fora democrático, cheio de cidadãos livres e por ora felizes. Cinco muralhas foram construídas por todo o país, para impedir que qualquer outra república se intrometa em assuntos considerados inteiramente internos.

A Muralha Vitória, é a muralha que se estende por quase todo o limite de território da antiga Coréia, deixando de lado apenas a parte sul do país, onde ficavam milhares de ilhas minúsculas, o pequeno espaço de um país não tão grande destinado aos Inimigos Do Sul.

As outras muralhas cuidam para que, caso a proteção da Muralha Vitória seja rompida, ainda aja mais outros quatro obstáculos a serem vencidos até chegar a New Seul, a Capital do Governo CIA, exatamente onde ficava a antiga capital e onde está concentrado o grande poder bélico da confederação.

Foi apenas questão de tempo para que uma crise mundial derrubasse o sistema capitalista de dezenas de países. Por mais forte que fossem as tentativas de renovar o sistema, como ocorrera várias vezes, isso só aumentava a dívida trilionária dos países uns com os outros e várias guerras se estenderam por todo o mundo, isso deu forças para que outros sistemas de governo entrassem sutilmente.

Em cada país, um tipo diferente.

Na Coréia... Aconteceu algo curioso, tão sutil que quando as pessoas perceberam, o país já estava nas mãos de uma corporação.

“Não se assustem com nossos amigos, os robôs estão aqui para nos ajudar, são nossos soldados, nossos guias e militares, nossos operários, trabalhadores honestos, sem corrupção, prontos para nos proteger, não há o que temer, e logo que nossa corporação estiver pronta, não será necessário usarmos eles, porque todos os humanos serão capaz de desenvolver a força e a inteligência de uma máquina” Ninguém queria acreditar, principalmente os mais velhos, era uma loucura! Mas uma loucura que foi repetida, tantas e tantas vezes, durante cinquenta anos, que todos começavam a acreditar fielmente, principalmente os mais jovens que foram crescendo e vendo a evolução do sistema visualmente infalível.

O medo pelas máquinas militares foi se transformando em admiração, eram os únicos seres que tinham cor naquele país. “Os humanos devem usar preto, branco ou cinza, os nossos robôs estão preparados para reconhecê-los assim, a cor vermelha é a cor da punição severa, aquele que for pego usando será exterminado assim que uma das máquinas se der conta disso. Vermelho é a cor da morte, então é proibida em todo o nosso território”

 

Eles irão nos proteger. — Muitos tentavam convencer a si mesmos.

 

Eles vão nos matar. — Era o que o povo condenado à morte pelo Führer pensava.

 

***

 

Luhan não conseguia imaginar como alguém conseguia ficar feliz com a ideia de servir ao exército.

A escola de treinamento era tão grande quanto o presídio nacional, muros de dez metros feitos com pedras rústicas tão cinzas quanto as roupas que ele e a mãe usavam. Logo no grande portão de metal, tinha o grande brasão do governo, um hexágono que representava o novo nome do país.

Talisman Confederation.

Um nome que Luhan achava terrível por sinal. República da Coréia era muito melhor, mas não existiam motivos para chamar seu país assim, afinal, Talisman estava longe de ser uma república.

Cercas feitas com eletricidade alterada protegiam o quartel das ameaças humanas e robóticas, apesar do governo criar os robôs, estava claro que existiam riscos de falha mecânica, mesmo que mínimos. Inteligência artificial não era fácil de lidar e Luhan era um dos poucos que acreditava que eles ainda não tinham controle sobre suas próprias tecnologias.

Tudo que ele sentia com as propagandas do Füher é que ele era um grande manipulador.

Luhan não era um jovem comum, ninguém achava demasiada a atenção e veneração que davam ao líder da nação como ele. Um líder jovem e que havia aparecido do nada substituindo o antigo governo, impondo coisas estúpidas como vestir preto, branco ou cinza e sempre explicando porque o país estava em guerra ou destruindo algum país vizinho. Luhan era um dos poucos que conseguia pensar que havia muita merda por trás de tudo isso.

O garoto mordeu os lábios com força até sentir que iriam sangrar.

Viu dois jovens que aparentemente tinham sua idade entrarem no quartel e suspirou.

— Sabe aquela sensação de que vou ser um humano útil para a proteção da minha pátria e da humanidade, ou que pelo menos eu estarei fazendo alguma coisa? Eu não tenho isso. — Falou olhando para os muros com a expressão de horror. — Mãe... Me leva pra casa por favor... Eu estou te implorando. — Juntou as mãos perto da boca e olhou para a dondoca a sua frente. A mulher não movia nem um músculo do rosto, firme em sua decisão — Eu não vou aguentar nem um mês! Olha os meus bracinhos... — Estendeu os braços tentando dar uma desculpa diferente.

A Sra. Lu apenas sorriu enquanto tragava o cigarro com uma piteira de prata. Ela segurou o acessório com os dedos fechados em tesoura e sorriu.

— Deixe de drama Han, não vai ser tão ruim. Não é como antigamente que cortavam os cabelos, eu ficaria com pena de te trazer para rasparem seus lindos cabelos — Ela escorregou a mão enluvada pelo cabelo loiro do mais novo e sorriu — Quero apenas que não morra, nos veremos em breve. Servirá bem o nosso país. — Ela se virou para caminhar até a limusine branca de cabeça erguida.

— Está tentando se livrar de mim desde que o papai morreu... É porque eu pareço com ele? — A mulher ruiva de olhos azuis e roupa acinzentada parou de andar, seus saltos negros tiveram que travar assim que pisaram forte em uma poça de lama — Prefere ficar sozinha?

— Adeus Han, que o Füher te proteja — Ela colocou a piteira de volta na boca e entrou no carro. O Motorista¹ vestido de branco fechou a porta e logo entrou para dirigir.

Luhan estava sozinho, prestes a entrar em um mundo que ele estava com medo de explorar.

Senhora Lu tentava, como podia, parar as lágrimas que não paravam de descer de seus olhos.

— Está tudo bem, Lady? — O motorista perguntou roboticamente e ela assentiu.

— Vamos ao hospital, preciso saber se a minha cura chegou — Ela tirou a peruca cara, feita de cabelos sintéticos, da cabeça e olhou no espelho que tinha a sua frente.

Colocou a mão sobre o rosto e observou as imperfeições que a idade vinha lhe trazendo. Não ter cabelo era o de menos, ela fazia de tudo para preencher o vazio que o marido deixara e proteger o único filho, mesmo que o mesmo achasse que ela fosse uma megera.

— É contraditório a senhora estar procurando a cura para o seu câncer e ainda continuar fumando.

— Cale a boca. Se os pulmões atrofiarem, coloco outros — Ela se estressou e olhou para a janela. Olhou para o filho que estava morrendo de medo de entrar e sentiu um aperto forte no peito.

— Acha que é verdade? — O motorista perguntou — A cura pra sua doença...

— Isso não me importa muito, Sebastian – Senhora Lu chamou o motorista pelo nome que ela mesma colocara — Meu marido sempre dizia que se a humanidade não fosse tão egoísta, já teríamos nos livrado de muitas doenças. E é verdade, a cura do câncer já devia estar disponível para todos e nem mesmo eu consigo ter acesso a ela direito... Estou triste por outra coisa – Ela olhou para a janela, observando as paredes rústicas do quartel — O que está me deixando assim é isso... — Ela apertou os olhos e sentiu as lágrimas insistirem em sair —... Ter que entregar o meu filho a uma vida perigosa e desonrada só porque logo não terei mais forças para criá-lo. Ele perdeu o pai tão recentemente... Eu não queria dar essa dor para ele. 

— Ele ainda assim saberá, Senhora.

— Mas pelo menos, até lá, ele já terá feito amigos. Não podia deixar ele sozinho naquela casa cinza... Cheia de pessoas que nem humanas são... Sem ofensa, Sebastian. Só espero que ele encontre o caminho dele. Sabe... Mesmo que eu sempre demonstre repúdio pelas ideias que ele tem na cabeça... Eu sinto como se ele fosse a única pessoa capaz de transformar esse país em um lugar bom para se viver.

— Tenho que concordar, Lady.

 

***

 

Kim Jong In estava sozinho.

O calor estava instável naquela manhã, ele via pessoas tentando aliviar a temperatura de seus corpos tomando banho nas banheiras coletivas² que ficavam no estabelecimento ao lado da cafeteria que ele estava.

Não tinha quase ninguém na rua, o céu estava sem nuvens e era possível alguém torrar vivo ao se atrever ficar exposto a ele por alguns minutos.

Jong In suspirou e tomou mais um gole de seu café, evitando a careta que sempre fazia. Odiava aquele líquido negro mais do que quase tudo no mundo, ele achava que era algo que não deveria existir, mas infelizmente era o troço que lhe mantinha desperto.

Ele olhou novamente para o céu e esperou algum sinal de seus irmãos, fazia horas que ele estava ali esperando e nada aparecia. Jong In, o quarto irmão Kim, tinha um codinome para que ninguém descobrisse quem ele era de fato tão facilmente, assim como seus outros três irmãos. Ele se auto apelidava de Kai.

Os quatro irmãos vinham da capital, estavam viajando a duas semanas, e mesmo que a distância entre New Seul e os limites da South Confederation nem fossem tão distantes assim, eles haviam encontrado grandes dificuldades no caminho.  Kai estava esperando seus irmãos para pegarem o trem e ultrapassar os limites da Muralha Julia através do túnel subterrâneo.

South Confederation era como o governo chamava o território sulino. Onde uma nova etnia estava sendo separada e enviada para os territórios poluídos do lugar.

Eles tinham um plano de vingança. Porém a pessoa que desejavam se vingar estava no topo e ela só podia ser derrubada se começassem a atacar por baixo.  

Jong In sentiu uma ventania quente entrar pelas portas abertas da cafeteria e olhou para as janelas com mais atenção. Não eram os ventos de seu irmão, algo estranho se aproximava. Levantou-se lentamente e observou o céu com mais atenção enquanto se aproximava da janela.

Poucos segundos depois a casa de banho a sua frente explodiu diante de seus olhos.

Ele colocou os braços na frente dos olhos antes que a explosão quebrasse o vidro e o empurrasse para longe.

Quando sentiu o chão novamente, olhou para cima e viu mais três granadas caindo no meio da cidade pequena. Ele arregalou os olhos e colocou as mãos no chão se posicionando para se proteger. Não teve tempo de pensar direito antes de uma criança começar a puxar sua camisa.

— Papai! — Ele gritava chorando escandalosamente — Kai olhou para ele e voltou a olhar para o chão tentando se concentrar no que estava prestes a fazer, mas não conseguiu, o garoto não parava de lhe puxar — Eu quero meu pai, moço! Meu pai! — O moreno respirou fundo, irritado o suficiente para jogar o garoto a metros de distância.

Jong In olhou para o garoto e viu um menino pequeno, magro e sem os dois dentes da frente chorando tanto que nem abriu os olhos. Como podia pensar em fazer algo ruim para ele? Sou um traste mesmo, pensou.

— Onde estava o seu pai antes da explosão? — Perguntou controlando a irritação.

— Ele estava_ — O menino foi interrompido por uma explosão na rua, tampou os ouvidos e se encolheu no colo de Kai. Depois que o barulho cessou, apontou para a direção do balcão.

Jong In avistou um corpo debaixo dos escombros.

Um corpo com a cabeça esmagada. Ele engoliu em seco e olhou para o garoto, lembrando-se de si mesmo quando era mais novo, indefeso e imaturo. Tivera muito medo e não havia um pai para guiar seus passos, só tinha uma irmã.

Uma irmã que o Füher levou.

— Vamos — Kai colocou o garoto no colo e correu até a porta da cafeteria.

Todo o ambiente fora dali estava repleto de poeira e escombros. As pessoas que vestiam roupas sem cores corriam por toda parte. Elas estavam manchadas de sangue, gritando por socorro, por si mesmos ou por alguém que estava preso nos destroços das explosões.

Kai notou que as pessoas estavam mais desesperadas com a visão da cor vermelha sobre a roupa de tons cinza que usavam do que com o ferimento que provavelmente os matariam. O calor que já era muito por conta do sol, naquele instante estava insuportável. Muitos passavam mal enquanto corriam e poucos minutos depois das explosões o céu começou a ficar nublado de repente.

A criança no colo de Jong In ainda chorava chamando pelo pai e o moreno só conseguia pensar em onde estariam seus irmãos no meio daquilo tudo. Não suportaria perder nenhum deles. Correu com o garoto em meio à poeira e a confusão, sem saber o que faria depois do próximo passo.

Onde deixaria o menino? Com quem deixaria? Não podia leva-lo com ele.

As perguntas não demoraram muito tempo para serem respondidas.

Kai esbarrou em algum indivíduo que o fez cair no chão e rolar até que soltasse o menino de seus braços. Quando abriu os olhos e tentou alcançar às cegas a mão do menino, percebeu que ele havia sido atingido por uma pedra. Fora tão de repente, que JongIn não conseguiu ter reação alguma quando as pessoas desesperadas para fugir dali começaram a correr e pisar em cima do corpo imóvel da criança.

Ele sentiu as lágrimas quererem invadir seus olhos e escondeu o rosto com os braços, ainda sem coragem de se levantar, sentia algo incomodando sua perna.

Algum parafuso estava fora do lugar, porque ele não conseguia movê-la.

 

***

 

Tudo estava girando.

Chanyeol só sabia que seus olhos não paravam quietos, tudo o que via começava a girar e pular. Nos primeiros segundos depois de abrir os olhos sua visão parecia brincar consigo.

A temperatura do lugar era abafada e tinha um teto de madeira velha erguido sobre ele. Provavelmente ele nunca tinha visto uma casa feita de madeira na vida e achou que sua visão ainda estava de sacanagem quando viu.

Quando finalmente a tontura pareceu passar, ele se sentou.

Foi como se ganhasse um golpe forte na cabeça. Colocou as mãos na cabeça enquanto a dor ainda era aguda. Mordeu os lábios, mas não gritou. Olhou ao redor e percebeu que estava mesmo em uma cabana velha, cheia de beliches desarrumados e maltrapilhos, alguns quebrados e com tecidos sujos, como se alguém não trocasse o pano delas há muito tempo.

O cheiro era horrível, pior do que o cheiro dos estábulos da vila que morava. Como se humanos fossem obrigados a fazer suas necessidades ali por perto. Colocou a mão no nariz e o apertou.

A luz que iluminava um pouco aquele local, vinha das duas portas que ficavam uma em cada fundo da cabana, o que fez Chanyeol estranhar o fato de estar em uma casa que só tinha camas.

Sentia o rosto queimar, como se tivesse passado muito tempo sem usar seu protetor, a pele por debaixo da roupa maltrapilha que usava, estava coberta por um zentai, o que o deixou mais aliviado, mesmo que fosse um zentai bem vagabundo.

 Chanyeol se levantou sentindo muita dor no corpo inteiro. Em todo o tórax sentia dor e quando tocou as mãos nele percebeu que havia um relevo diferente em sua pele. Franziu a testa e tentou apertar os locais que sentia diferença.  Cambaleou um pouco para trás ao sentir as pernas doerem e segurou no beliche ao seu lado. Ele sentia que estava trezentos quilos mais pesado e que sua cabeça podia estourar a qualquer momento.

Respirou pesadamente por um tempo. 

Não sabia onde estava e nem em que dia estava. Era tudo muito estranho e diferente, ele sentia que até mesmo o ar que respirava era diferente do que ele respirava quando adormeceu. Ele não se lembrava de como havia chegado ali, só lembrava-se do dia que robôs de olhos vermelhos invadiram sua calma vila e destruíram tudo o que viram pela frente...

— Baekhyun... — Ele murmurou sentindo a garganta arder, como se estivesse sem falar por vários dias, o ar que ele respirava incomodava muito e ressecava rapidamente o nariz e a garganta. Estava óbvio que não estava em casa, o ar de sua vila não era tão poluído.  

Seu melhor amigo. Como ele poderia saber se ele estava vivo? Antes de adormecer ele estava prestes a perder a cabeça. Chanyeol não podia saber nem onde estava, quanto mais onde Baekhyun estava.

Ele fez um esforço relativo para andar até a porta da cabana. Por onde seus pés pisavam o chão de madeira fazia ruídos, ele olhou para as mãos machucadas e para as roupas maltrapilhas e percebeu que aquele lugar não poderia estar tentando lhe ajudar a se recuperar do que quer que fosse.

A luz do sol ofuscou a sua visão por vários segundos.

Chanyeol teve que esperar alguns minutos até que conseguisse abrir os olhos no meio da claridade do ambiente fora da cabana. Ele escutou murmúrios de dor e lamentações por todo o lugar, mesmo que não pudesse ver de onde vinham, ele ouvia e sentia. O moreno abraçou o próprio corpo e sentiu a pele arder logo de imediato, o sol estava coberto por camadas finas de nuvens e ainda assim maltratava a pele de seu rosto. Ele correu para a sombra da cabana e começou a observar tudo ao redor.

A cabana que ele acordou não era a única, tinham várias delas ao que ele chamou de norte do lugar. Tinha pelo menos vinte e seis cabanas, nenhuma delas mais bonita ou mais arrumada que a dele, todas tão mal estruturadas que poderiam cair com a primeira tempestade.

No lado sul ele pôde ver pessoas, elas eram parecidas Chanyeol e todas usavam roupas maltrapilhas como ele, nenhum estava limpo ou arrumado, todos estavam tão machucados e sujos quanto ele estava. Eles trabalhavam, transportando ferro, soldando, montando máquinas, lavando robôs de grande porte, e no cantinho tinha algo diferente, que ele não conseguia ver direito, ou ele não queria admitir que estava vendo.

Duas pessoas completamente nuas, amarradas em um tronco de metal. Estavam mortas é claro, porque não se moviam e porque a pele estava completamente seca e queimada. Provavelmente foram mortas pela mais cruel arma de tortura.

O sol.

Ele engoliu em seco e preferiu ficar com a imagem das cabanas velhas.

— O que está acontecendo... — Murmurou para si mesmo — Onde eu estou?

 

***

 

 Apesar de estar naquele lugar contra sua vontade, Luhan tinha que admitir que era o lugar mais colorido que tinha visto em toda sua vida. Não por conta das paredes, que eram de concreto cinza como quaisquer outras da cidade, mas pelos jardins que eram repletos de flores de diferentes cores. Não sabia que o quartel teria um jardim tão bem cuidado e colorido, a surpresa era óbvia em sua expressão.

A primeira parte do jardim – ou primeiro jardim – era toda coberta por lírios brancos, já a segunda parte era coberta por flores de todos os tipos, muitas delas ele nunca tinha visto na vida. A única cor dentre tantas que ele não via era a cor proibida:

O vermelho.

A cor da morte, do sangue e da moléstia.

“A cor vermelha é um fardo que apenas nossos robôs devem carregar, eu quero um povo limpo e puro, que jamais precise tocar nesta cor tão amaldiçoada, que causa tantas guerras ao redor do mundo do qual já abrimos mão para vivermos em paz, meu povo, eu os protegerei, para que jamais vejam seu sangue ser derramado novamente”

Era o que o Fuher dizia na propaganda que passava nos televisores públicos³ e sistemas de comunicadores⁴ a todo o momento.

Luhan negava com a cabeça enquanto colocava a mão no vidro scanner. “Se todos percebessem o quanto ele é hipócrita” Ele pensava. A máquina reconheceu suas digitais, a catraca liberou sua passagem e ele seguiu em frente normalmente até a guarita.

— Pode entrar garoto, logo ali na frente, onde você vê soldados vestidos de branco, eles são os operadores de medicina robótica. – Uma voz robótica masculina falou – Vão revistar você, tirar seus pertences desnecessários, lhe entregar suas novas roupas e mostrar-lhe seu novo quarto, um operador está encarregado de uma pessoa, então apenas diga seu nome que o seu aparecerá.

Luhan assentiu e seguiu em frente carregando sua mala.

“Como ele pode falar de sangue inocente enquanto ele mata milhares de Sulinos todos os dias? Como alguém pode falar algo e se contradizer ao mesmo tempo?” Luhan simplesmente não entendia porque as pessoas amavam tanto aquele homem, ele tinha suas dúvidas, e talvez fosse o único a pensar antes de engolir tudo o que Jong Suk falava.

— Olá — Uma das médicas falou e olhou para o tablet transparente que segurava com dificuldade por ser bem maior que suas pequenas mãos — Seu nome, por favor?

— Lu Han — A jovem procurou o nome do loiro e logo encontrou.

— Sim, você é meu paciente, meu nome é Jin, vamos — Assim que ela começou a andar para longe dos outros médicos Luhan teve que disfarçar sua surpresa.

— Espera — Ele correu até ela — Você vai me examinar? Não deveria ser um androide? É que...

— Eu sou apenas uma operadora, Luhan. Não precisa ter vergonha de mim, vou apenas anotar seus requisitos, entregar suas roupas novas, confiscar as velhas e então lhe levarei até seu quarto, os exames serão feitos pelas máquinas — A mulher de olhos e corpo pequeno olhou melhor para o que estava escrito na tela brilhante do tablet — Você é um pouco menor que os soldados em treinamento comuns, terei que fazer uns exames extras, venha.

Apesar de se sentir desconfortável, Luhan não tinha escolha, não sabia muito sobre aquele lugar, mas sabia que não tinha mais como sair. Ele podia ver robôs de sentinela por todo o quartel, e muitos deles pareciam estar sempre olhando para ele.

Jin levou Luhan ao leste do quartel. Depois de passarem por vários jardins coloridos, ele avistou dois prédios brancos que se destacavam completamente ali dentro por serem os únicos a não terem cor de concreto. Eles entraram depois de serem obrigados a colocarem suas digitais em vários aparelhos, cada um abrindo uma porta diferente, até finalmente chegaram à sala que Luhan seria examinado.

Ele deixou sua mochila no canto do quarto e esperou até que ela desse alguma ordem. Depois de pegar a fita métrica ela olhou para o mais novo e sorriu envergonhada.

— Preciso que tire as roupas, vou medir você — Luhan arqueou a sobrancelha – Não precisa tirar a cueca, não se preocupe.

— Não estou preocupado com isso — Ele deu de ombros e começou a tirar as roupas. Tirou o casaco de couro artificial preto com pelagem cinza no capuz, as calças da mesma cor, as luvas de malha e o zentai. Logo depois de tirar o zentai se sentiu completamente desprotegido, era a pior sensação para alguém que vive em um lugar como Talisman podia ter. Estar sem zentai, era o mesmo que pedir que o sol lhe queimasse vivo.

— Vou começar — Ela avisou — Levante os braços — Luhan obedeceu e ela começou a tirar as medidas de seu corpo.

Tudo o que ela media, anotava com os dedos no computador principal do quarto, que era uma mesa pequena de vidro que era iluminada na superfície, onde ela salvava as informações no sistema usando os dedos.

— Seus cabelos, você os pintou? — Ela perguntou ao tocar no cabelo loiro do menor e ele assentiu — Terei que raspar. O cabelo natural de um Talestino é negro, espero que entenda.

— Tudo bem, isso é uma nova fase da minha vida mesmo — Luhan se sentou na maca e ela sorriu sem humor enquanto preparava a máquina de cortar — Pegou uma tesoura e cortou os fios loiros até que ficasse só a raiz.

Luhan via os fios caindo no chão ou em suas mãos e tinha uma sensação estranha, um embrulho no estômago, estava prestes a ver coisas que não queria ver, matar pessoas que não gostaria de matar e ter que aceitar tudo o que o Füher dizia.

— Estou começando a morrer neste momento — Jin parou com a tesoura e pegou a máquina, já tinha escutado aquilo pelo menos umas três vezes naquele mesmo dia.

— Ainda há esperança — Sussurrou baixinho — Quem sabe, quando tudo isso acabar, nosso povo finalmente não viva feliz?

— Como? Nosso líder mata milhares de pessoas inocentes por dia e existe também a ameaça estrangeira que não para de jogar bombas aqui, tentando a sorte, tentando nos atingir de alguma forma. Se ele não ceder, muitas pessoas ainda morrerã...

— Não fale essas coisas quando entrar no quartel, ou você vai morrer em menos de dois segundos por heresia. Se eu fosse uma má pessoa, estaria te denunciando agora mesmo, estou te avisando, não fale o que pensa para ninguém. Não confie em ninguém, a maioria dos jovens não pensam como você, está me escutando? — Ela perguntou olhando nos olhos do maior e ele assentiu.

Jin ligou a máquina e começou a raspar a cabeça de Luhan sem mais ser interrompida.

Luhan nada mais falou até quando ela terminou tudo.

 

***

 

O campo de extermínio era diferente dos outros. Kyungsoo havia percebido aquilo no instante que fora jogado no chão dele. As algemas automaticamente se abriram e caíram no chão quando o carro que os trouxe saiu pela porta que dava entrada ao muro do campo. O muro do campo nada mais era que um prédio que formava um círculo. Dentro dele estavam os soldados – androides e alguns humanos – e toda a pesquisa tecnológica bélica que o governo fazia em segredo.

Não era incomum que os robôs levassem sulinos para fazer testes malucos e o campo de extermínio era o local que um sulino podia ter certeza que iria morrer.

Kyungsoo não queria admitir. Depois de um ano inteiro – ele havia contado cada um dos dias da melhor forma que conseguiu – sofrendo para proteger a si mesmo e a seus dois amigos no campo de concentração, lutando para proteger Baekhyun que estava praticamente inválido, lutando para fazer Sehun parar de ser tão mole na hora de trabalhar e tentando não morrer... Ali estava ele dentro de um campo de extermínio.

Quebrando uma promessa que tinha feito.

Só conseguia pensar nisso quando um androide chegou mandando que todos os sulinos recém-chegados ficassem em fila. Kyungsoo teve que se livrar de seus devaneios e ficar no lugar que foi dito. Seu cabelo estava começando a crescer e sabia que em pouco tempo estariam raspando sua cabeça de novo.

Havia tido tanta esperança, deu tanta força para quem precisava, e tudo o que ele queria naquele instante é que suas pernas não estivessem tremendo tanto. Que seu coração não estivesse tão angustiado, que seus ouvidos não estivessem escutando os gritos vindos de uma das cabanas daquele lugar fétido. 

— Você, talvez... — O androide completamente branco apontou para o primeiro sulino da fila e continuou andando.

O que ele está fazendo? Escolhendo quem vai morrer? Perguntou-se, mas continuou olhando para frente, sem demonstrar nada na expressão de seu rosto.

— Você não... — Ele estava chegando mais perto e Kyungsoo estava sentindo mais dificuldade em controlar suas emoções.

Hoje não... Hoje não... Eu não posso morrer agora e nem aqui... Fechou os olhos e apertou os lábios.

Sentiu gotículas de suor começar a acumular em sua testa de puro medo e nervosismo.

Ouviu os passos robóticos do soldado se aproximar e abriu vagarosamente os olhos.

Ele estava na sua frente.

-— Vamos, você vem. — O androide falou e Kyungsoo arregalou os olhos completamente assustado.

— O quê? Não... — Negou com a cabeça sentindo o braço mecânico ser forte o suficiente para lhe arrastar para longe dos outros. — Não... Me solta! — Gritou tentando soltar o braço em vão.

Estava entrando em completo desespero. Sentiu o coração começar a falhar e a mente girar várias vezes enquanto pensava na possibilidade de morrer ali e deixar tudo a perder.

— Pare! — O robô gritou alto e Kyungsoo parou, mas foi de completo susto quando viu a mão do androide se transformar em uma arma perfeitamente apontada para sua cabeça. – Se deseja morrer aqui, o Füher agradece.

O braço do robô se iluminou de uma luz vermelha e Kyungsoo só teve tempo de fechar os olhos antes de apagar.

 

 

 

 

Motorista¹ O motorista da Sra. Lu é um robô empregado que trabalha e que tem um humano recebendo um valor equivalente a tudo o que ele produz.

Banheiras coletivas² São como casas de banho. Um estabelecimento que os talestinos vão para limpar o corpo perfeitamente, com os produtos e as máquinas certas. O uso do zentai dificulta a lavagem no dia a dia deles então eles frequentam pelo menos uma vez na semana.

Televisores públicos³ Grandes telões de fina espessura que geralmente ficam colados nos prédios. Eles podem chegar a ser do tamanho da parede lateral de um prédio e constantemente mostram propagandas do governo e discursos do Füher.

Sistemas de comunicadores⁴ A comunicação em 2145 é muito mais avançada, geralmente o governo instala chips em uma parte próxima do ouvido do indivíduo e apenas com um comando do cérebro ele pode ligar para a pessoa que deseja. O “ligar” também é diferente, eles podem fazer chamadas de voz, ou o comunicador pode fazer uma projeção de imagem da pessoa na frente da que está ligando, assim pode parecer que as duas estão realmente próximas uma da outra. 

 


Notas Finais


Tadinho do menino Lu! Indo para a toca do leão contra sua vontade! Que palha assada u.u Um dia vamos entender porque Sra. Lu se faz de malvada
Meu deus Kai! Que sufoco pelamordeDeus!!! Não faz a gente morrer do coração, será que ele vai escapar dessa muvuca? Que tipo de perna para de funcionar em uma hora dessas?
Kyungsooo!!!!!! O que aconteceu? Meu Deus! Não!

Gente muito obrigada pelo o apoio! De todas que comentaram, favoritaram e estraram no grupinho <3

Sei que apareceram mais personagens que isso nesse capítulo, mas algumas fichas são spoilers demais kkkk
Ficha Luhan: http://imgur.com/a/slOl5
Ficha Kai: http://imgur.com/a/NM30m

Até próxima sexta :3


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