História Black Beauty - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction, Zayn Malik
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Zayn Malik
Tags Black Beauty, Lana Del Rey, Louis Tomlinson, Monologue, Ride, Songs, Zayn Malik, Zouis
Exibições 53
Palavras 4.919
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Lemon, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


A história se baseia nas músicas da cantora e compositora Lana Del Rey presentes nos álbuns Born To Die: The Paradise Edtion e Ultraviolence.

Capítulo 1 - "I've got a war in my mind"


Os professores sempre diziam que isso não ia acabar bem, que nunca sairiam disso com vida, que aquele não era o caminho. Mas qual seria o caminho? Sempre o mais seguro é o melhor? Onde está a adrenalina de correr o risco? O prazer da conquista, as noites dançando a luz da fogueira ao som do Guns N' Roses.

Zayn Malik jogou o cigarro fora e pisou em cima enquanto a fumaça ainda escapava de seus lábios fundindo-se com o vento gélido da noite. Passou a mão no rosto e desceu com a mesma para a nuca em um sinal de cansaço. Caminhou em direção ao melhor amigo enquanto o assistia cambaleando pela estrada escura: cabelo bagunçado, os All Stars em mãos, os olhos de Bambi avermelhados e o rosto manchado por lágrimas.

Tomou-o em um abraço apertado e o ouviu chorando baixinho sobre seu ombro, apenas o manteve junto ao seu corpo. Calor contra calor. Eles ficaram assim e em silêncio encostados ao Impala preto enquanto o sol parecia ter encontrado algo melhor para fazer do que nascer.

Por instante achou que Louis havia dormido agarrado ao seu corpo e com a cabeça sobre seu peito até ouvir a voz baixa e rouca pelo choro em uma confissão lastimada:

– Zayn, eu odeio aqueles caras. – E passou-se um bom tempo para voltar a falar. – Harry e todos os outros, eu os odeio.

– Vai ficar tudo bem. – Disse, mas pensou: também odeio cada um deles.

Malik sabia que o amigo tinha sido dispensado outra vez pelo cara que gostava depois do sexo, tinha sido assim durante os últimos dois meses. Eles iam às festas, encontravam Harry, os dois fodiam e em seguida Louis voltava chorando para seus braços.

Louis Tomlinson sabia, tinha que saber que Harry Styles não era o cara certo, ao mesmo tempo em que era ciente daquilo o mesmo parecia não resistir aos olhos maus do outro e aquela era sua maldição.

– Preciso beber algo. - Sussurrou enxugando as lágrimas do rosto e o azul de seus olhos nunca pareceram tão nebulosos.

Analisou a situação coçando a barba enquanto observava o garoto mais baixo a sua frente, eles tinham 19 anos e uma possível longa vida, ou apenas mais um dia ou dois anos. Não gostava de planejar o futuro, preferia deixa-lo fluir.

Ficou tentado a negar o pedido de Tomlinson, já que o que tinha no carro eram apenas duas latas de Pabst Blue Ribbom, mas não conseguiria negar nada para o ser a sua frente, então, afastou-se e colocou o braço para dentro do Impala no proposito de pegar a sacola com o emblema da lanchonete do posto de gasolina. Abriu duas latas e entregou uma a ele e o viu beber desajeitado.

Dois goles.

Zayn o viu de costas para si e encarando a linha alaranjada que o sol fazia distante no horizonte. Resolveu aparecer, idiota, ergueu uma sobrancelha como se realmente pudesse ferir o orgulho do sol com aqueles pensamentos.

Um gole.

Voltou a colocar o braço para dentro do carro e ligou o som baixo ouvindo a voz de Nick Cave escorrer de lá até seu corpo. Sacudia a cabeça levemente ao ritmo de O’ Children, os olhos castanhos ainda presos na figura a sua frente que tinha abandonado a lata vazia no chão.

– Procuramos pelo paraíso, mas sempre acabamos aqui. – Louis disse virando de frente para o moreno com a bebida ainda em mãos, a música ao fundo.

– Mas sempre colocamos o amor na frente disso. – Respondeu e aquela era a verdade dura como a realidade que viviam.

Assistiu Louis virando para si perto do pedaço de terra campinado do outro lado da autoestrada. A luz do sol marcando sua silhueta e deixava seu rosto iluminado de uma forma diferente - ainda mais bonita.

Aquilo o fez se lembrar de quando foram para a festa da fogueira pela primeira vez, a forma como observou o amigo dançar com o fogo refletido em sua pele levemente bronzeada pelas praias da Costa Oeste.

Louis se aproximou de Zayn em curtos passos e tocou seu rosto, dando um beijo no canto dos lábios e sentindo o maior lhe segurar na cintura da forma que sabia que o deixaria confortável.

– Não me abandone. – Sussurrou as palavras contra o pescoço de Malik que respirou fundo, com um misto de pena e carinho socando a boca do estômago. – Você é tudo o que tenho. – Resmungou ainda com as mãos repousadas nas costas alheias e os lábios próximos ao pescoço.

– Não vou te abandonar. – Sabia que era tudo isso para Tomlinson, o garoto havia fugido do orfanato onde crescera pouco antes de completar 18 anos. Não gostava do lugar e quando conheceu Malik deixou tudo para trás em busca de se aventurar. Tinha vivido dezessete anos praticamente enfurnados dentro do prédio antigo do orfanato de Phoenix e a oportunidade de se ver livre era tentadora.

Ergueu o rosto de Louis pelo queixo e o beijou a bochecha esquerda, pressionando os lábios por tempo demais. Mas o amigo não se afastou do ato, não repreendeu, apenas aceitou, pois sabia que era ali onde ele sempre acabaria.

 

– † –

 

Tomlinson acordou ainda embriagado pelo sono e resmungou baixo por terem se esquecido de fechar as cortinas que cobriam a janela do quarto do hotel. Girou na cama para seu lado direito encontrando Zayn ressonando baixo e com o lençol o cobrindo da cintura para baixo – a grande maioria de suas tatuagens a mostra.

Ficou ali por um tempo que não se preocupou em contar apenas observando o melhor amigo dormir, os pensamentos tão confusos, como se ainda fosse a criança perdida de quando se deu conta de que seus pais nunca viriam tirá-lo daquele orfanato, que não passava de uma ilusão. Talvez sua fraqueza por Harry fosse apenas uma ilusão e não tudo aquilo que ele acreditava que fosse.

Pensamentos.

Pensamentos.

Muitos deles.

Era como se uma guerra tivesse sido instaurada em sua cabeça.

Na infância gostava de sentar no parque do orfanato, no balanço velho ou até mesmo no chão, depois que todas as crianças entravam para comer apenas para ficar em silêncio e poder ouvir os pássaros cantando nas árvores. Era quando sua mente se esvaia de tudo e era preenchida apenas pela melodia natural. Era como uma bandeira de paz em meio a guerra.

Às vezes desejava estar lá apenas para poder fazer isso. Sentia saudade dos pássaros.

A única coisa que surtia um efeito semelhante ao canto dos pássaros sobre si era quando estava no carro com Zayn e ele abria as janelas e colocava algo para tocar baixo no rádio e dirigia por horas e horas.

Simplesmente dirigia.

E Louis não pensava.

Sem pensamentos.

Eles já viajavam por tanto tempo e Louis gostava disso e acreditava que havia encontrado boa parte do que queria, mas sempre parecia faltar algo. Na verdade, ele sentia que estava próximo, apenas não conseguia ver e isso o torturava. Porque tinha ido a diversas festas, dançado a beira da fogueira, enchido a cara, transado com caras diferentes e sentido a adrenalina, porém onde estava aquilo que preenchia o vazio?

– Bom dia, Lou. – Foi puxado de seus devaneios pela voz baixa e rouca do moreno que agora o fitava com olhos castanhos como avelã.

Retribuiu com um sorriso e no impulso simplesmente se inclinou para frente e lhe deu um rápido beijo ao mesmo tempo em que sentiu a mão quente do outro repousando sobre sua cintura.

–O que temos aqui? – Zayn perguntou ficando de joelhos na cama e logo se posicionando sobre Louis que riu.

– Você não vai fazer isso. – O menor disse se dando conta do que viria em seguida.

Tentou se libertar, mas Zayn era maior e mais forte o que levou Louis a sofrer nas mãos dele quando o mesmo se curvou sobre seu corpo e começou com as cócegas que faziam o Tomlinson se contorcer e rir aos gritos.

– P-para, Z! – Conseguia dizer entre uma risada e uma lufada de ar enquanto ouvia a diversão do outro no riso frouxo que deslizava de sua boca para os ouvidos dele.

– Você se rende, Lou? – Perguntou ainda com a ponta dos dedos passeando pelo corpo bronzeado.

– E-eu me rendo, Z! – Gritou respirando fundo e sentindo o alívio por Malik parar com as cócegas.

– Sempre venço. – Ergueu os braços para o alto e jogou a cabeça para trás.

Louis riu com aquilo, entretanto, também se sentiu envergonhado. Não por ter perdido, ter se rendido ou pelo outro praticamente esfregar isso em sua cara. Mas por ter o corpo de Zayn ainda sobre o seu usando apenas uma peça de roupa. A pele morena coberta por tatuagens, os pelos ralos que desciam do umbigo e se perdiam para dentro da boxer preta, a barba por fazer e os braços levemente musculosos, sem exageros.

Não era a primeira vez que se pegava observando Zayn daquela maneira, mas foi a primeira que começou a enxergar algo a mais em tudo àquilo que viviam.

Lembrou-se do que disse a Zayn quando se conheceram e o melhor amigo tinha perguntado, às três da manhã, no meio de uma festa, se seus pais não se importariam com a hora que ele chegasse em casa. "Meu pai é Elvis, minha mãe é Marilyn e meu único amigo é Jesus. Acho que eles não vão se importar com a minha hora de chegar ao orfanato." Depois daquilo combinado com um sorriso mais triste do que seguro, eles sentaram na grama e conversaram sobre a vida pelo resto da noite e foi quando descobriu que seus pensamentos não eram solitários.

 

Olhou para o lado encontrando Zayn ali com o cigarro aceso e a luz da fogueira refletida em seu rosto. Era sexta-feira e dia da festa na fogueira. Todos dançavam e riam e bebiam, beijavam e abraçavam e comemoravam.

– Você deveria dançar. – Apontou com o cigarro as pessoas que dançavam.

– Porque você não dança comigo? – Devolveu com um olhar divertido.

Já tinha prestado atenção que sempre que estava dançando Malik o assistia, nunca dançava, apenas o observava daquela maneira enigmática que só ele conseguia sustentar.

– Prefiro ficar aqui e te assistir. – Direto, pensou Tomlinson, como sempre.

– Hoje não, amigo, você vai dançar comigo. – Respondeu já puxando o outro pela mão o fazendo abandonar o cigarro onde estava e se juntar próximo da fogueira onde a música era mais alta.

A festa nem sempre era no mesmo lugar, por exemplo, essa estava acontecendo em uma parte mais afastada da praia. De onde estavam dava para ver o mar, mas não era tão próximo. A música invadia os corpos dos dois jovens e se transformava em energia. Entregavam-se dançando sobre o pálido luar com Louis usando um cocar de penas brancas e Zayn o segurando pela cintura. Sentiam-se bem, olhos dengosos que clamavam por um encontro, olhares permissivos. Estavam tão perto um do outro que suas respirações pesadas eram uma só.

Era como a arte com a qual sonhara por tanto tempo: uma vida rápida, uma pequena morte todos os dias e uma vida nova ao amanhecer, sendo selvagem, se divertindo, com a crença de que sua liberdade estava onde quer que fosse, na credulidade de quem eles realmente eram agora. Essa era a liberdade que a estrada aberta proporcionava. E seu lema continuava o mesmo: "Acredito na bondade de estranhos. E quando estou em guerra comigo mesmo, eu apenas pego a estrada.".

"Quem é você?", ele costumava perguntar para si mesmo em frente ao espelho do banheiro no orfanato, "Você está em contato com suas fantasias mais obscuras?", todas as noites desde seus 14 anos: "Você criou uma vida onde pode realizar essas fantasias?" e hoje poderia responder: Sim, eu criei.

Foi ali, naquele momento, que Louis Tomlinson se deu conta de que existia mais uma coisa que o fazia parar de pensar. Que era sua bandeira branca no meio da guerra em sua mente: Zayn Malik.

 

– † –

 

Abriu os olhos e sentiu o perfume suave invadir suas narinas e relaxar seu corpo sobre os lençóis da cama espaçosa. Desceu as mãos pelo peito nu agradecendo mentalmente pelo dia estar nublado e escuro, pois haviam esquecido de fechar as persianas e isso teria sido realmente horrível se o sol estivesse querendo aparecer como protagonista à frente das nuvens.

Zayn virou para o lado encontrando Louis ressonando baixinho envolto no mar de lençóis azuis como se o mundo dependesse do seu estado de sono.

Saiu da cama com cuidado para não acordar o outro, mas não era lá uma das pessoas mais discretas e mesmo fazendo certo barulho notou que Louis nem tinha se mexido. Caminhou apenas de boxer até a janela do quarto e observou por um longo momento o céu cinzento da Costa Oeste onde isso quase nunca acontecia durante o verão. As nuvens se juntavam em um conglomerado de cinza chumbo e branco que era uma espécie de aviso prévio para as futuras chuvas.

Seus pensamentos o levaram de volta a noite anterior e olhou para baixo, especificamente para sua mão esquerda que tinha alguns arranhões e manchas vermelhas. Não gostava de brigas, porém não deixaria nada de mau acontecer ao seu Louis, ainda mais agora.

Os flashes da noite passada o transportaram ao momento em que tinham se afastado da fogueira, caminhando em direção ao seu Impala. Tinha tirado o cocar da cabeça de Tomlinson e o beijado tendo a lua como testemunha principal, o colocado sentado no capo do carro beijado uma segunda vez, sentindo-se feliz ao extremo por ter todo aquele sentimento retribuído por seu garoto. Mesmo não sendo a primeira vez que se beijavam ou até mesmo tinham um contato mais íntimo, agora era diferente.

Louis sempre ficava bonito com seus All Stars e shorts curtos. Para Zayn era como beijar flores, não no sentido literal, não era lá um dos maiores apreciadores de flores, mas os lábios do menor eram delicados como as pétalas e quando respirava podia sentir o perfume do outro invadir as narinas.

Tomlinson havia segredado verdades aquela noite e assim como Zayn estava disposto a deixar tudo para trás novamente e ir embora dali. Juntos. Mas mais juntos do que antes, agora ainda mais íntimos. Desistindo assim de Harry Styles e da Costa Oeste. Eles queriam recomeçar mais uma vez, na estrada, onde aprenderam durante todo esse tempo em que estavam soltos nela.

Mas, aparentemente, tal decisão acabou não agradando Harry Styles que enlouqueceu vendo Zayn aos beijos com Louis sobre o capô do Impala e simplesmente voou para cima.

A lembrança da noite passada não era das mais claras na cabeça, porém sabia que era tão verdadeira quanto os beijos de Louis e não um sonho, suas mãos machucadas também indicavam isso.

Eles haviam discutido por um tempo, Louis ficou com Zayn o tempo todo, os olhos assustados. Mas foi quando viu Harry avançar para si que empurrou o melhor amigo para trás e se dispôs tencionando os ombros.

O pálido luar estava corroendo a escuridão junto à iluminação dos postes perto da avenida. Louis pedia para que parassem, que era estupidez e tentou se meter na briga até ser segurado por Liam Payne que o manteve preso em seus braços enquanto os outros dois trocavam socos.

Harry desferiu o primeiro soco contra a barriga de Zayn que se curvou com a dor que fez uma ânsia atingir de imediato, tão forte quanto o golpe que recebera. Ouviu o grito de desespero de Louis, mas não quis olhar para o lado. Não queria ver seu garoto com o medo estampado no rosto. Ele queria ensinar Styles a deixar de ser idiota.

Desviou de outro soco na barriga deslizando para o lado e seu cotovelo foi de encontro às costas do outro que caiu tossindo e levantando poeira. Porém tão rápido quanto caiu, ele estava de pé bufando com as narinas infladas e ódio no olhar. Avançou para Zayn que tinha conseguido acertar um soco no ombro alheio, mas foi acertado nas costelas pelo joelho do outro.

Socos no rosto faziam grunhidos e sangue espirravam de suas bocas e narizes, eles estavam se destruindo enquanto Liam ainda prendia Louis que se debatia agressivamente enquanto gritava para que alguém parasse aquela insanidade, mas ficou calado e arregalou os olhos quando viu o brilho.

Foi um rápido vislumbre, mas que o fez gritar alarmado para que Zayn tivesse cuidado. Tal ato deu tempo a Malik para prestar atenção nos movimentos de Styles que tinha um canivete armado na mão esquerda. Ele chutou a mão do adversário vendo o objeto prateado voar no ar brilhando quando a luz o atingiu.

Com um soco levou Harry ao chão, antes de avançar outra vez, Louis estava na sua frente com as mãos espalmadas em seu peito e pedindo com lágrimas para que parasse.

– Zayn? – Ouviu a voz sonolenta chamar por seu nome e parou de observar a cidade pela janela, se desprendeu das lembranças e abriu a mão que tinha o sangue preso pelo aperto e voltou para a cama sentando ao lado do garoto que sorriu confortável.

– O dia está chuvoso. – Fez bico recebendo um pequeno selinho do menor que o olhou um pouco preocupado.

– Mas nós ainda vamos embora, certo? – Perguntou em expectativa. Quando chegaram ao hotel naquela noite Louis o fez prometer que partiriam pela manhã. Iriam embora da Costa Oeste e não voltariam mais.

– Vamos na primeira estiada que der. Por isso vamos deixar nossas coisas prontas, OK? - Beijou o alto da cabeça de Louis e lhe acariciou os cabelos.

– Como você está? – Ouviu o sussurro e encarou os olhos alheios.

– Um pouco dolorido, mas nada demais. – Mentiu, não estava confortável com aquilo. – Agora vai tomar um banho quente para acordar que vou pedir nosso café no quarto.

– Tudo bem. – Assistiu Tomlinson levantar e caminhar apenas de cueca para dentro do pequeno banheiro do quarto e suspirou com o pensamento de que agora eles se pertenciam ainda mais, que tinham se agarrado a chance de serem felizes de verdade.

 

As mãos de Louis se enroscavam no cabelo do moreno, dedo por dedo embrenhando-se no emaranhado negro e os puxando, enquanto sentia Zayn gemer em sua boca por tal ato. Um suspiro vindo do menor fez Malik se arrepiar e direcionar os beijos para o pescoço sem marca alguma, alvo e vulnerável.

Os corpos nus dos dois se mantinham presos a uma fricção viciante sobre os lençóis azuis. O atrito entre seus membros era estático proporcionando gemidos prolongados que pareciam competir com o barulho da chuva lá fora que caia como se aquela fosse sua última chance.

– Z, não acha que-e é uma boa ideia v-você começar a-ahh... Me foder agora, hm? – Louis disse quase incoerente entre um ronronar e um sussurro arrastado.

Os olhos castanhos do maior se confundiam em uma mistura gostosa aos de Louis que eram de um azul esverdeado e dilatado. Os lábios vermelhos e um sorriso de arrasar corações estavam estampando o rosto bronzeado.

Havia preparado seu garoto para aquilo e agora estava se empurrando devagar para dentro dele, enquanto seus olhos ainda fitavam o rosto do outro retorcido lhe beijava o maxilar trilhando um caminho para sua orelha esquerda. Quando estava por completo dentro do menor, esperou e em seguida segurou as pernas do outro e começou a bombear lentamente.

Em nenhum momento eles quebraram o contato visual, aquilo só excitava mais. Louis se masturbava enquanto o membro do outro ia fundo atingindo sua próstata, o membro se contorceu embaixo dele. Zayn sempre soube que Louis era atrevido e que não gostava de se deixar mandar, e mesmo sendo passivo, não ficava por baixo, gostava de se sentir no comando de também ter movimentos e participações.

Não demorou muito para que dois chegassem ao ápice: Malik primeiro, e o amante logo em seguida.

Caíram ofegantes sobre a cama, Zayn sentia os membros fracos e olhou para o lado. Aquele par de olhos azuis o fitava, o cabelo castanho grudado contra a testa, os lábios entreabertos soltando uma respiração descompassada, um sorriso doce.

Ele amava seu Louis e tinha certeza disso cada vez que o via sorrindo.

 

– † –

 

Zayn Malik estava sentado em frente ao espelho de seu camarim ainda sem acreditar que estava ali. Cinco anos depois de sua saída da Costa Oeste ele se encontrava agora em um momento sozinho com sua própria consciência antes de iniciar mais um show.

Havia se tornado um cantor famoso com dois álbuns e uma turnê bem sucedida, agora iniciando uma mundial. Deveria estar feliz por tudo aquilo, mas a verdade é que sabia que exatamente naquele dia ele não pertencia aos palcos que o consagraram, mas sim há um lugar na Costa Oeste.

Tinha falado com seu empresário, porém ele dissera que não tinha como reagendar tal show, que estavam fora dos Estados Unidos e seria muito contramão viajar até lá naquele dia. Sem opções acabou cedendo ao inevitável.

A consciência agora o acusava por abandono, afinal, havia prometido a si mesmo que todo ano voltaria até lá para mostrar que em algum lugar aquele sentimento continuava vivo. Ali, dentro de si, por mais que os anos tivessem passado, novas pessoas, novos beijos, nada seria como antes.

Os dedos se embrenharam nos cabelos negros que tinham sido cortados há pouco, os prendeu enquanto respirava fundo e tentava se manter afastado dos cigarros. Odiava fumar antes de um show, sempre o fazia perder o fôlego.

Ainda sentindo a necessidade de fazer algo para não deixar a data passar em branco vasculhou a mesa do camarim em busca de papel e canetas. Não poderia deixar as coisas saírem assim, não se sentiria bem, era como um ritual anual.

Depois dos meses que passou na clínica recebendo como visita apenas os pais e sua irmã mais nova, ele havia decidido que seguiria em frente, mas sempre manteria algo que o lembrasse de que todos os meses em que viveu na estrada acompanhando de seu melhor amigo foram inesquecíveis. Que ele não esqueceria seu garoto nunca. Enquanto respirasse e além.

Quando finalmente encontrou voltou para frente do espelho e se dispôs a escrever as palavras que vinham em sua mente ao lembrar-se dos olhos azuis apertados do garoto que amava enquanto sorria usando seus shorts e All Stars.

Uma bela lembrança, pensou.

– Eu não esqueci, Lou.

 

Podia ouvir os gritos da plateia ao fim de mais uma música e de repente foi tomado por um nervosismo súbito. Seus olhos vasculharam a multidão como se procurasse pelo rosto dele, mas Louis jamais estaria ali. Como poderia?

Apoiou-se no pedestal que segurava o microfone ainda ouvindo a multidão eufórica. Soltou o cabelo deixando cair a franja sobre o rosto. Sorriu levemente e quando notou que aquilo estava ficando estranho se pronunciou em um tom suave:

Hm, acho que esse é um momento diferente em que quero fazer algo fora do comum. – Podia ver a expectativa nos olhos do público e respirou fundo tirando o papel dobrado do bolso do jeans. – Hoje fazem cinco anos de um momento que marcou minha vida para sempre na Costa Oeste, Califórnia. Todos os anos nessa data eu viajo até lá para cumprir a promessa que fiz para alguém muito especial, mas hoje, especialmente, existe um oceano que me impede de ir até lá, porém escrevi algo e gostaria de ler agora.

Pigarreou desdobrando o papel e sorriu enquanto ouvia alguns elogios sobre carinho e amor vindos do público. Respirou fundo e fechou os olhos por pouco tempo e quando os abriu ele viu a lua cheia no alto lembrando-se das noites em que ele observou seu garoto dançar nas festas da fogueira.

– Eu estava no inverno da minha vida e o garoto que conheci e me apaixonei foi meu verão na estrada. Quando a noite vinha eu adormecia o assistia dançar, rindo e chorando em meus braços. – Narrou enquanto toda a imagem se formava em sua cabeça.

Naquele dia chuvoso em que esperaram a primeira oportunidade de estiada para por o pé na estrada, Louis queria abandonar aquele lugar e nunca mais voltar, Zayn tinha concordado com isso e tinham tudo pronto no carro. Havia ouvido de seu garoto que o amava, que esse sentimento sempre esteve ali, mas não tinha parado para compreendê-lo da maneira certa. Aquele foi o momento mais feliz da vida de Malik, ouvir da pessoa que sempre gostou que tudo reciproco era a melhor noticia que poderia receber naquele momento.

– Cinco anos antes de estar nessa turnê mundial, as memórias dele foram às únicas coisas que me sustentaram sendo assim meus momentos de paz e aflição. – Deu continuidade. – Eu era um cara com um Impala velho e o sonho de encontrar quem eu queria ser nas poesias que escrevia e as músicas que tocava nos pubs por onde passávamos. Aprendi que a verdadeira liberdade está dentro de você.

Eles tinham corrido pela rua molhada do hotel até o Impala e entraram sorridentes pelo fim da chuva e por saírem daquela cidade. Lembrou-se do sorriso que Louis lançou quando sentou confortavelmente no banco do passageiro e o deu um beijo rápido enquanto Malik ligava o carro.

– Quando as pessoas que costumava conhecer souberam o que eu estava fazendo e o que tinha acontecido, eles me perguntavam por que, mas não adianta falar disso com pessoas que tem um lar fixo. Eles não têm ideia de como é procurar segurança em outras pessoas. Minha casa costumava ser onde Lou e eu estivéssemos. Havíamos entrado nessa juntos, infelizmente não saímos da mesma forma. – Sentiu o arrepio subir por seus braços e sabia que os olhos ardiam, as imagens iam se encaixando em sua mente enquanto ouvia alguns gritos e confirmações vindos da plateia que parecia vidrada em sua homenagem. – Sempre fui incomum, minha mãe dizia que eu tinha uma alma de camaleão, como uma bússola moral apontada para o norte. Apenas uma indecisão interna. E isso era tão grande e oscilante quanto o oceano. Eu tinha alguns planos e esse garoto que me trouxe o verão estava em todos eles.

Haviam pegado a estrada naquela mesma noite, aproveitando que não estava chovendo, Louis ria e fazia piada com algumas lembranças que ele mesmo trazia a tona sobre os lugares pelos quais passaram até chegarem à Califórnia e a mais bonita parecia há de quando passaram o natal no Mermaid Motel. Zayn ouvia e acompanhava com alguns comentários e risinhos frouxos.

O hotel que eles se estiveram hospedados ficava quase no centro e para que pegassem a interestadual precisavam cortar meia parte da cidade antes de sair dali. Zayn dirigia tranquilamente, o movimento de veículos nas ruas aumentava aos poucos. O player ligado tocava um dos CDs antigos de Louis que entre uma piada e outra sempre cantarolava alguma parte das músicas.

Perguntava-se se Tomlinson não sentia frio por usar aqueles shorts e os inseparáveis All Stars com um casaco grande que pertencia ao motorista – e não evitou sorrir ao ver o pequeno pingente roxo da cor das pétalas da lavanda no colar do mesmo. Eles viraram a esquerda na lanchonete em que fizeram a maioria das suas refeições e já conheciam os funcionários pelo nome.

Eles estavam indo rumo ao seu novo começo.

– Cada experiência adquirida era como se fossemos alimentados com fogo e nossa obsessiva liberdade apenas evoluía, algumas vezes isso parecia apavorante, mas ele sempre me lembrava de que era pela liberdade que estávamos ali. Então me abraçava, me beijava e eu não queria perde-lo para nada nem ninguém. – As lembranças pareciam nublar seus olhos o obrigando a se forçar mais para ler.

Havia virado o rosto para ver o sorriso de Louis, tinha sido um segundo apenas, um piscar de olhos, quando perdeu o controle da direção e os pneus giraram. Zayn tentou frear, mas isso só criou mais atrito entre a borracha e o asfalto molhado, fazendo o carro derrapar para o acostamento perto da saída da cidade onde o carro virou e o barulho estrondoso foi ouvido junto ao grito de Louis enquanto o carro capotava uma, duas, três vezes parando junto aos arbustos altos na baixa da encosta.

– Eu gostaria de poder cantar para você hoje, meu anjo, espero que esteja ouvindo de onde estiver, pois sempre que eu cantar essa música ela será dedicada a você. – Disse por fim dando sinal para que a banda começasse com os primeiros acordes e ele conseguisse controlar as lágrimas que ameaçavam cair.

Ouviu o barulho de aprovação vindo da sua frente pelo reconhecimento da música, mas ele olhou para o céu lembrando-se do desespero que havia tomado em seu peito naquela noite em que gritara pelo nome de Louis diversas vezes enquanto estavam presos ao carro de cabeça para baixo e a chuva começava a cair outra vez. Seu Louis não abriu os olhos nenhuma vez, não respondeu ao chamado sôfrego, tinha morrido ali com o rosto manchado de lama e sangue, os cortes abertos que machucavam a pele tão bonita.

Sua voz saiu arrastada e automaticamente se juntou as milhares de vozes que entoavam a letra de Never Let Me Go como um hino.

O peito que há cinco anos tinha sido tomado por tanta dor e pesar levando-o a ficar meses em uma clinica de reabilitação, agora estava cheio de um amor triste. Era pintado com uma beleza obscura, mas que Zayn Malik levaria para o resto de sua vida.

E quando a música por fim acabou ele podia jurar que viu o brilho azul tão familiar dos olhos de seu garoto se perdendo no meio do público.

 


Notas Finais


Em breve, no especial de Natal, vai sair um prequel para essa história chamado Mermaid Motel.
Até lá
Não deixem de conferir as outras histórias
XX


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...