História Black Florest - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, Personagens Originais, V
Tags Taekook, Vkook
Exibições 218
Palavras 4.323
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa noite pessoas, feliz dia das crianças.
O capítulo está grande, pq eu prometi para mim mesma que concluiria a treta que eu ia criar nesse capítulo. Vcs vão acabar vendo partes bem "enxugadas", para em geral... Eu gostei do capítulo, e se eu colocasse as partes mais completas, menos diretas, eu acho que o capítulo ia ficar bem massante, mas enfim...
Eu tenho um recado para dar, dia 5 e 6 de novembro são minhas provas do vestibular, depois disso eu vou ter muito tempo, pelo menos... eu acho.kkkk Eu TALVEZ poste mais um capítulo antes desses dias, mas eu não tenho certeza. Espero que vocês compreendam que eu preciso estudar p porra agr kkkk Dps vai ser só alegria, e olha... Eu deixei um capítulo maravilhoso...
ENFIM...
BOA LEITURA~

Capítulo 15 - The traitor.


Fanfic / Fanfiction Black Florest - Capítulo 15 - The traitor.

Jeon se aproxima de mim com aquele sorriso perverso no rosto, senta ao meu lado na cama e segura minha mão, acariciando com o dedão minha palma.

– Espero que um dia você não tenha dúvidas que me ama e simplesmente diga em alto e bom tom. – Ele sorri fraco. – Um dia eu também terei coragem de admitir a todos, aquele quem eu amo.

É verdade que parte de mim se corrói por ele, porém outras apenas lembram cenas daquela na taverna, os beijos, as mãos, foi tudo muito errado, eu não esquecerei.

– Vamos dormir, amanhã descemos para tomar café e continuamos a andar.

– Certo.

Jeon beija minha mão e sorri fraco antes de sair do quarto. Deitei meio pensativo naquela cama desconhecida e fechei meus olhos na tentativa, falha, de pegar no sono. Algo dentro de mim informa que tem alguma coisa errada, ou algum sentimento relutante, eu não sei ao certo dizer o que é, mas algo estava estranho.

Coloco meus sapatos, visto meu casaco e vou de braços cruzados, devido ao frio sulista, em direção ao quarto de Jeon. Bati algumas vezes na porta e chamo seu nome vez ou outra. Sou recebido por um Jungkook extremamente sonolento, com orelhas e rabo de lobo preto, prendo meu olhar a sua divergência.

– Já está de manhã? – Ele perguntou coçando os olhos.

– Não, só estou me sentindo meio estranho.

– Você quer entrar? – Jeon ainda extremamente sonolento, quase nem abre os olhos, passa a mão nos cabelos, bagunçando-o.

Eu adentro seus aposentos e fico meio perdido do que fazer, não era exatamente isso que eu tinha em mente, só queria saber se ele estava se sentindo estranho como eu, mas pelo estado que Jeon se encontra, seus sonhos era a única coisa que ele tinha em mente.

Ele senta na cama e fica olhando para o chão, quase caindo no sono novamente. Mexo e remexo meus dedos, tentando achar algo que eu possa falar, mas as palavras se perdem no caminho.

– Por que você está estranho? – Jungkook boceja.

– Eu não sei, queria saber se você também está assim. – Digo acanhado.

– Não. – O silêncio sufoca-me. – Quer dormir aqui? – Ele dá leve tapinhas na cama, convidando-me.

– Tudo bem, eu acho.

Jeon se levanta e vai para o lado esquerdo da cama, deitando-se virado para a parede, puxa o cobertor com o pé e cobre-se até os ombros. Sigo os mesmos passos de Jeon, deito-me no espaço da direita, cobro-me até os ombros e fiquei virado para a janela do quarto.

– O povo aqui não cala a boca. – Ele diz indignado.

– Você consegue escutar o pessoal na taverna?

– Um pouco. Mas o que eu quero dizer, são as pessoas dentro dos quartos, não ficam quietas.

– Quem fica até essa hora da noite conversando?

– Nós. E bom… Não é exatamente uma conversa que eles estão tendo. –  Arregalo os olhos quando penso na outra possibilidade. Jeon ri nasalado.

Algo por debaixo dos cobertores balança enquanto Jungkook ri, alguma coisa peluda indo de um lado ao outro na minha bunda. Olho por cima dos ombros e percebo que a cauda dele não para de se mover. Começo a sentir cócegas e movo-me para frente, evitando mais contado, e riu soprado.

– Jeon, sua cauda faz cosquinhas. – Digo virando-me para ele.

– Ah, desculpa. – Jungkook se vira, ficando frente a frente comigo. Minhas bochechas ficaram levemente ruborizadas. – Assim ela não vai mais te atrapalhar.

O mais novo volta a fechar os olhos, observo seu rosto descansar sobre o travesseiro branco. Sua boca fica levemente aberta, e no fundo tento me controlar para não experimentar seus delicados lábios.

Ouso tocar em suas orelhas de lobo, pretas como seu cabelo, ficariam bem camufladas senão fossem pontiagudas. A medida que eu toco, ela se contrai. Fico alguns segundos vidrado naquele movimento.

Desprendo-me daquelas orelhas e volto a observar seu rosto. Jeon mantém seus olhos grandes, com aquela estranha aura negra em volta de suas íris, focados em mim. Assusto-me ao notar que ele estava acordado enquanto eu brincava com suas orelhas. Noto também que ele sorri delicadamente, não perverso, não maligno, apenas aquele doce e puro sorriso que consegue me deixar aos pedaços.

Viro-me apressado. Minhas bochechas queimam. Eu gostaria de saber o motivo de tanta timidez, mas nada me vem na cabeça.

Observo a janela, apreciando cada detalhe daquela estrutura, tentando passar a hora. Acabo pegando no sono, quando meus olhos já pesam e não aguentam mais se sustentarem por conta própria.

Sinto um cheiro agradável invadir minhas narinas, meio doce, não sei ao certo dizer. E uma dor sobre meu braço direito, por eu estar apoiado nele, espreguiço-me, para tirar o peso sobre meu membro superior e expulsar o sono. Minha direita esbarra em algo e na minha esquerda noto algo diferente por debaixo dela. Abro os olhos devagar, ainda sonolento, e percebo que eu acabei dormindo abraçado ao peitoral de Jeon, que ainda dorme de barriga para cima, agora sem as orelhas, e possivelmente sem a cauda.

Aproveito para sentir um pouco mais do seu cheiro gostoso e da sua pele quentinha por baixo da minha. Bocejo algumas vezes.

Antes de acordar o Jeon, recomponho-me na cama e sento em sua beirada. Mais uma vez me espreguiço, jogando as mãos para cima e esticando-as o máximo que eu consigo. Estalo minha cabeça.

– Jeon, vamos? – Dou leve sacudidas na perna dele. Nada. – Jeon. – Chamo com um tom de voz mais elevado. Nada. – Anda logo, acorda. – Posiciono-me mais para perto de dele e dou um empurrão mais forte desta vez. Ele grunhiu alguma coisa. – Vamos descer, estou começando a ficar com fome.

Dou por satisfeito de ter ganhado alguma reação dele e vou andando para o meu quarto, deixando o Jeon meio acordado na cama dele.

Coloco meus sapatos apropriadamente, vesto o resto da minha roupa e abro a janela do meu aposento. A vista mostrando vários prédios idênticos a esses e as ruas de paralelepípedos, alguns guardas passando por elas e…

Guardas?

– Tae? – O grito me faz virar para a direção da porta. Jeon se encontra totalmente vestido e com a respiração falha.

– O que foi? – Olho novamente para as ruas. Os guardas carregam o emblema do castelo do pai do Jeon e um escudo com o símbolo da ordem. Volto a fitar o mais novo. Respiro fundo. – O que está acontecendo?

– Acho melhor voltarmos. – Ele diz num tom bem baixo. – Silenciosamente.

 

Na taverna, um guarda estava perto da porta, esticando a cabeça para ver entre a multidão, mas eu e Jeon passamos agachados até uma área que ele não estava olhando. O problema seria passar pela porta, sem ele notar, mas para isso eu tive um plano. Consegui fazer sinal para a mulher, sem nome, que havia visitado meu quarto durante a noite, pedi para que ela o distraísse, e pronto, estávamos fora do recinto.

Nas ruas, foram entradas em becos, disfarces ao se misturar com o povo passando nas calçadas, e até mesmo fingir pegar as meretrizes que se ofereciam nas ruas. Dessa vez, Jeon não tocou um dedo na mulher, quase entregando nosso disfarce, mas bem que eu não me importaria de ser pego, depois de ver que ele se arrependeu do que fez com a outra meretriz da taverna.

Tentei diversas vezes perguntar, o porquê de estarmos fugindo dos guardas, mas fui silenciado pelo Jeon, que queria total silêncio. Como ele sabe mais do que eu, confio que ele está nos levando para o caminho certo.

A maldita sensação estranha que eu estava sentindo voltou, e agora eu me pergunto se esse sentimento diferente pode ter relação com os guardas. Começo a criar possibilidades na minha cabeça, e a única coisa que eu prezo em pensar é na segurança de Shin, que estava sobre cuidados desses guardas.

Já na Floresta Negra, o caminho foi bem turbulento. Aonde eu achei que seria mais fácil, foi bem mais difícil. Tinha pessoas nos galhos de árvores, tropas indo e vindo. Umas com o emblema do castelo, outras com o símbolo daquele garoto estranho que nos atacou quando estávamos vindo para Rock Bottom, o símbolo da ordem.  

Tivemos que ser bem sigilosos, e algumas vezes subir rapidamente em árvores. A pior parte foi não fazer barulho algum, tanto andando, tomando cuidado para não quebrar galhos, quanto escalando, que o tronco podia ranger, ou fazer qualquer ruído que no momento seria fatal para nosso plano furtivo de chegar no castelo.

Já alguns metros do nosso destino, no alto de uma árvore, avistamos uma fileira de duas linhas de guardas. Tropas indo e vindo perto do tronco que estávamos. Seria quase impossível passar despercebido.

Jeon passa o seu braço pelo meu ombro e faz sinal para eu andar entre os galhos, até a próximo árvore, mas isso seria impossível, os galhos não eram tão grossos assim, eu iria cair, ou fazer muito barulho. Arriscado. Faço sinal que não.

– Eu tenho um plano. – Jeon sussurra. – Quando chegar a próxima tropa, e ela acaba de sair, você vai. Confie em mim.

O pessimismo me destrói, penso inúmeras vezes no meu fracasso ao realizar essa passagem. Mas graças aos deuses, tudo ocorreu bem. Menos, é claro, o fato que Jeon teve que disfarçar o barulho assobiando igual a um pássaro, os guardas foram meio idiotas de acreditar nisso, durante uma busca, porém se eu estivesse andando a procura de lenha, acreditaria facilmente. Pergunto-me se ele já fez isso comigo.

– Viu? Não foi tão difícil. – Jeon sorri. Pivete. Ele sabe o quanto meu coração acelerou de nervoso?

Já nas proximidades do castelo, rondado as grandes muralhas, Jeon se mantém agachado, tomando dessa vez menos cuidado, apenas algumas olhadas para trás, para checar se estamos sendo seguidos.

Uma pequena janela, de barras de ferros, rente ao chão, seria nossa passagem para dentro do castelo, segundo o mais novo, que agora estava passando por várias janelinhas, a procura da nossa entrada.

Em meio a olhadas para dentro, percebi o que aquele lugar se tratava, das masmorras mais perto da escadaria, aquelas prisões com janelas para refrescar. Isso me faz lembrar, que os desgraçados, mesmo que as celas mais próximas estivessem vazias, eles preferiram me colocar nas do fundo. Malditos.

Nos pequenos espaços, vários soldados agarrados na grade, uns gritando, outros no chão esperando alguma coisa acontecer. Era extremamente desagradável olhar os olhos que um dia, mesmo guardas condicionados a servir, se sentiam livres, servindo aqueles que eles confiavam. Agora, nestas condições, berrando pelas suas vidas, pensando em suas famílias e conhecidos, e o pior, na humilhação, foram tomados, derrotados, com ferimentos por todos os seus corpos, foram massacrados, mas pelas condições de cansaço, lutaram até o fim, mas não o bastante.

O que será que aconteceu?

Por meio de uma janela com um pequeno cadeado, conseguimos passar para dentro das masmorras, Jeon tirou um pequeno molho de chaves e abriu a passagem, ele desceu antes, segurando na minha cintura enquanto eu escorrega pelo pequeno espaço, evitando assim que eu caísse e machucasse-me.  

Destrancado nossa própria cela, andamos um pouco até alcançar os espaços que os outros guardas estavam confinados. Eles pararam de gritar, os que estavam nas grades, começaram a tentar agarrar o jovem pela blusa, espremendo seus corpos entre as barras, com os olhares perdidos em algo no rosto do menino. Os que estavam sentados, pareciam perdidos nos seus próprios pensamentos, apenas olharam para fora e desviaram para o chão. Confinados. Pensativos e insanos.

– O que aconteceu aqui? – Jeon perguntou após achar uns guardas mais sanos, na qual não tentavam o agarrar pelas barras.  

– Traidor! Traidor! – Ele começou a gritar, os outros se juntaram. Os berros ecoavam pelas masmorras. Vejo Jungkook tampar seus ouvidos, suas orelhas já se encontravam pontiagudas e peludas.

– Onde o rei está? – Ele ainda tentava arrancar qualquer informação daqueles homens.

– Morto! – O guarda desabou no chão. – Eu falhei em protegê-lo. – Os gritos se cessaram. O homem me olhou, com aquele olhar perdido, vago e devastado.  

– Precisamos ir. – Concordo e seguimos para o interior do castelo.

Quase não existiam tropas com o símbolo da ordem no meio do caminho, na verdade não tinha em nenhum lugar, apenas ao longe, nas estradas do vilarejo, que conseguimos ver pelas janelas. Fomos até o quarto do Jeon, onde ele pegou um livro, com uma capa marrom bem rústica e com aquele sinal que os guardas carregavam consigo.

– Eu aprendi algumas coisas da ordem aqui. – Jungkook falava baixinho, para não correr o risco de alguém escutar. – É um dos livros do meu irmão, mas esse ele não havia deixado aqui, eu só o vi lendo várias vezes na biblioteca. Ele nunca lê mais de uma vez um mesmo livro, esse foi diferente, então sempre procurei saber o conteúdo dele, mas Jae não quis me contar. Precisei roubar para saber, faz uma semana que estou com o livro, talvez ele esteja sentindo falta.

 

Jeon fazia um semblante mais sério enquanto andávamos pelas sombras, ele estava realmente concentrado, enquanto carregava aquele livro em seus braços. Caminhando as pressas, para a biblioteca, o lugar onde eu conheci o irmão do Jungkook.

As estantes, as mesas, aquelas que viviam lotadas de livros até o topo estavam esvaziadas, livros tacados no chão, empilhados num monte no canto das paredes, abertos ao meio com as páginas viradas para baixo no chão, e sendo arremessados por alguém na escada de uma estante que estávamos do lado oposto. O próximo a ser lançado abriu justamente o espaço que fez os olhos do indivíduo que estava jogando se encontrar com o nosso. Jae sorriu.

Tem certeza que eles não são irmãos? Eles têm o mesmo maldito sorriso.

– Oi, irmãozinho. – Ele disse descendo a escada e dando a volta na prateleira, ficando a uns dois metros na nossa frente.

– Acho que está procurando algo. – Jeon mostrou o livro. Os olhos de Jae foram ao livro e voltaram a encarar o jovem. Ele sorriu.

– Era exatamente este que eu estava querendo.

– Por quê? – Desta vez o semblante do Jeon mudou, como se estivesse tentando entender aquela situação, um olhar mais triste, com um tom preocupado.

– Porque eu vou ser o rei, não você, seu moleque imundo. – Ele enfatiza a palavra eu com uma voz mais alta.

– Eu não quero ser rei…

– Mas você ia ser, ele sempre gostou mais de você, ele amava-te como um filho – ele grunhiu – ele era um rei muito tolo.

– Não fale assim, seu desgraçado – Jeon começa a respirar mais pesadamente, e não era somente o respiração dele que estava ficando mais pesada, como o ambiente também.

Jae estica seus braços para baixo, com o rosto virado para cima ele grita de dor. Sua mão se contrai, transformava suas unhas em garras. Seus dentes caninos afiavam e cresciam. Seus olhos reviraram. Seus berros ensurdeciam. Logo, Jeon praticamente tacou o livro em minha direção, fazendo os mesmos movimentos do Jae. Ambos faziam suas orelhas cresceram, os rabos a aparecer, as garras a aumentar, a coluna a entortar. E aqueles gritos de dor, era horrível escutar, era assustador. Eu estava extremamente assustado.

Suas roupas não conseguiam se segurar naquele novo corpo que estava se transformando, rasgos e estalos das costuras, transformava toda aquela sinfonia de berros em algo ainda mais assombroso. Algo incontrolável. Algo ameaçador.

Involuntariamente fui chegando para trás, com o livro quase caindo dos meus braços. Bato bruscamente na parede, escorrego pela fria superfície e vou ao encontro do chão. Deixo o livro em meu colo, flexionei os joelhos e os faço como meu esconderijo, abaixando meu rosto e pressionando o máximo possível meus ouvidos. Aqueles gritos. Eu não consigo mais ouvir. Não. Parem com isso, por favor.

As lágrimas escorrem pela minha bochecha e batem na capa com o símbolo da ordem. Fecho meus olhos, sentindo apenas minhas emoções se esvaindo e minha sanidade diminuindo.  

Os gritos cessaram, ouço os uivos agora, as movimentações das patas. Comprimi ainda mais meus ouvidos, abri a boca para berrar, mas o som não saiu, ficou apenas na minha cabeça, enlouquecendo-me, surtando-me. Cada barulho mais alto, como uma estante caindo, eu estremecia na base, queria que tudo acabasse logo.

Eu podia estar ficando louco, mas eu queria ver aquilo, mesmo que minha sanidade acabasse sendo drenada por completo, tinha uma necessidade dentro de mim de abrir os olhos e ver aquela luta. E foi o que eu fiz, arregalei os olhos ao ver os dois grandes lobos enfrentando-se naquele lugar que parecia não caber os dois.

Ambos os lobos eram pretos, era difícil saber para qual dos dois torcer. Eu não sabia se comemorava quando um acertava uma mordida certeira no outro, ou se vaiava esta ação. Eu estava completamente confuso, mas aparentemente extasiado pela beleza na pelagem deles. Eles eram simplesmente animais incríveis.  

Aquele que parecia ser maior, levantou as patas dianteiras, o outro que estava um pouco de lado, acabou rebaixando, e por equívoco foi parar no chão, de barriga para cima. O maior se posicionou por cima, com os dentes aparecendo, rosnava freneticamente, ora passando a língua, provavelmente salivando sua vitória. Suas patas dianteiras pressionava a região perto do pescoço do menor, que estava com as patas da frente e as de trás no corpo do outro, tentando afastá-lo.

O maior num movimento rápido, deu uma patada no rosto do menor, suas garras ficaram bem na pele do outro, pequenos respingos de sangue mancharam o chão, o menor pendeu sua cabeça para o lado que eu estava e suas patas perderam forças caindo rentes ao corpo. Ele fazia barulhos de dor e uivava para o outro.  

O lobo vencedor veio em minha direção, agarrei o livro com mais força em meus braços. Será o Jeon? Ele continuou caminhando, cada passada com aquelas patas enormes, era uma corrente elétrica que subia pela minha coluna vertebral, arrepiava-me por inteiro. Seus olhos encaravam-me, e eu não tinha certeza se queria fazer o mesmo, não sentia-me seguro.

O ambiente para mim ainda estava pesado, com o único barulho vindo das passada do lobo maior em minha direção, e os grunhidos do outro que ainda estava no chão.

Notei que os olhos do menor se encontraram com o meu, suas patas se posicionavam para levantar, mesmo fracas, faziam força para se firmarem no chão. Fiquei indeciso de entregar ou não o outro que estava se levantando. Enquanto eu relutava internamente sobre contar ao maior, troquei olhares com ambos, e algo no vencedor não me agradava, algo estava errado. Ele me assustava. Não era o Jeon.

Com o objetivo de não entregar o menor, fiquei olhando fixamente para o outro, tentei a todo custo não cair em lágrimas, mordendo meus lábios e segurando mais fortemente o livro contra meu peito.

O menor, ou melhor, o Jeon conseguiu atacar sorrateiramente por trás o Jae, derrubando o no chão, dessa vez, as posições trocaram. O maior tentava afastar o outro, enquanto Jungkook rosnava furiosamente por cima dele. Seus dentes cintilavam, seus olhos estavam vidrados no lobo embaixo de si, a fúria estava consumindo-o.

Em instantes, sua boca abriu, em segundos, ele mordeu o pescoço do Jae, em milissegundos, sangue espirrou no seu rosto canino, em seus pelos, no chão. O líquido vermelho esvai-se do corpo do outro, conforme cada mordida do Jeon, que já arrancava pedaços de carne, nervos e peles. Esse não é o Jungkook que eu conheço, esse é um animal qualquer, nos seus instintos primitivos.

Seus olhos praticamente flamejavam de odeio, suas dentadas não descontaram nem metade do que ele estava sentindo. Além do arranhão na lateral do seu rosto, que sangrava, seu rosto estava imundo de sangue, manchado ao redor de sua boca, nas suas patas e fincados nos seus dentes que mastigam a carne do seu irmão.

O cheiro da chacina já estava modulando o odor que começaria a ser sentido, a carne que apodreceria, o sangue que marcariam o chão. Aquele ambiente de leitura, antes calmo e pacífico, agora, era um local para ser lembrado como mortífero e fúnebre. Toda a aura boa da biblioteca morreu, junto a aquele corpo no chão.

Jeon começou a uivar, seus pelos negros começaram a cair, seus orelhas e rabo voltaram ao normal, e a parte que parecia doer mais para ele, o focinho se retraia ao formato certo de sua mandíbula, as chamas em seus olhos apagaram, e sua coluna tomava as corretas proporções de um humano.

Quando já estava todo transformado, ele desaba sobre os restos do corpo do seu irmão, suas lágrimas se misturavam com o sangue no seu rosto, e o grande arranhão que existia nele enquanto lobo, estava em uma escala menor em forma humana. Seu corpo nu, branco como leite, manchado de vermelho pelo plasma do próprio irmão.

Deixo o livro de lado e aproximo-me do corpo que desaba sobre o outro, quando estou perto, Jae desmancha em cinzas, que são espalhadas pelo chão juntos ao sangue. Jeon fica tentando de alguma forma agarrar o irmão que está virando pequenos fragmentos, mas as partículas se esvaem dos seus braços.

Ele olha para mim, seus olhos aos prantos, desvia rapidamente quando eu o encaro de volta e vira-se de costas para mim.

– Eu sou um monstro. – Jeon esfrega seus braços em seu rosto, tentando eliminar o sangue do local, mas para ao notar que suas mãos estavam tão sujas quanto sua própria face.

– Jeon! – Chamo-o, ele olha por cima dos ombros.

Levanto-me e sento sobre os joelhos na sua frente, ele tenta virar novamente, mas eu o impeço segurando seus pulsos.

– Eu matei ele, Taehyung. – O menino caia em lágrimas.

– Você fez o certo. Ele que era o monstro.

Pouso minha mão sobre sua mandíbula, limpando com o dedão um pouco do sangue que havia nas suas bochechas. Vou de encontro aos seus olhos marejados e depois a sua boca avermelhada pelo plasma. Meus pensamentos são preenchidos com coisas impuras, mas por fim calo todos. Dou um leve selar em Jeon, demorando o quanto eu precisasse. Eu queria sentir apenas ele naquele momento. O gosto metálico fez me lembrar de todas as cenas, mas a maciez de sua boca, lembrou-me que aquele era o Jeon, não aquela coisa que estava nesta sala antes.

– Tae!? – Ele diz quando eu me afastei.

– Sim, Jeon? – Em meio ao choro, um sorriso, aquele pequeno brilho que acabava comigo, doce e puro. O sorriso de coelhinho dele. Sorri de volta.

– Eu te amo – ele me abraça, repousando sua cabeça em meu ombro – eu te amo mais do que tudo.

Suas palavras derreteram meu coração, senti-me abençoado por tê-lo em meus braços, por ter sido corajoso em conversar com ele, por tudo. Abraço-o com força. Obrigado deuses, pelo meu destino.

– Eu também te amo, Jeon.


 

Passamos no quarto de Jeon para pegar uma roupa apropriada para ele, além de limpar o rosto sujo de sangue. O resto do caminho, fui apenas seguindo seus passos, ele parecia estar totalmente diferente, muito mais concentrado agora.

Nas masmorras encontrei o Shin numa das celas, fraco e choroso ele se acomodou em meus braços rapidamente, abracei-o, chorei, entramos no nosso próprio mundo enquanto estávamos aconchegados no outro, enquanto isso o Jeon conseguiu explicar a todos que ele não era o culpado, libertou todos e lá mesmo deu um discurso de como iríamos tomar o poder de voltar.

– Entendido? – Jeon perguntou autoritário, como um verdadeiro general. Senti todos meus pelos se eriçarem, aquele semblante confiante, de certa forma era até bem sensual.

– Sim, senhor. – Os guardas gritaram em uníssono. Agora sim, eles pareciam um exército de verdade, concentrados e com a fúria no peito buscando vingança.

– Vamos tomar o nosso povo de volta, e principalmente, vamos atrás daquele que se diz rei de todas as terras. – As tropas o incentivaram a continuar. Aqueles homens começaram a ver em Jeon, um comandante, um rei. – Vamos mostrar para aquele homenzinho o quanto o povo está insatisfeito. Vamos destruir aquele imperador de merda.

A guarda começou a bater com os pés no chão, a assobiar e a gritar pelo nome de Jeon, de repente, todos o amavam, ele estava se tornando a figura de poder deles.  

Jungkook comandou todos a subirem, enquanto ele resolveria assuntos comigo, pediu para que fossem cautelosos lá em cima e achassem a sala de armamento para se protegerem, em seguida, voltassem para perto da entrada das masmorras.

Assim que as tropas subiram, Jeon se aproximou de mim e do Shin, beijou na testa dele e acariciou sua bochecha.

– Como vai, meu pequeno príncipe?

– Bem melhor agora, senti muita saudade de vocês. – Ele fez biquinho.

– Não se preocupe, nós sempre acharemos uma forma de voltar para o nosso filhinho. – Digo, vendo um sorriso abrir no rosto de ambos. Sorrisos que nenhum dinheiro no mundo conseguiria comprar.

Puxei com delicadeza Jeon pela nuca e selei nossos lábios, calmo e macio como da outra vez, porém dessa vez num período mais curto, por vergonha dos olhares de Shin que provavelmente estariam parando sobre nós.

– E então Shin, o que achou de ter mais um pai?  

– Eu adorei, só achei que demorou muito para se aceitarem.

Olhei incrédulo para o menino e depois fitei Jeon, que parecia se divertir muito com as palavras do menino.

– Verdade, eu demorei demais, eu não sabia o quanto eu estava perdendo. – Fico ruborizado com as palavras dele. – Vamos fazer o certo agora, sem mais nenhum erro meu…

– Sim. – Digo envergonhado.

Shin surpreendentemente abraça-nos. Fico cara a cara com Jeon, ambos sorrimos bobo pelo ato fofo do mais novo.

– Eu tenho os melhores pais de todo o reino.

Novamente Jungkook sorri com as palavras do menino, ele para, olha em meus olhos e beija-me rapidamente.

– Eu amo tanto vocês dois. – Ele diz.

Eu também amo tanto…

– Senhor? – Um guarda pigarreia perto das escadas da masmorra. O mesmo homem que tirou-me da cela no meu “primeiro dia” no castelo. – Desculpa interromper, mas metade dos homens já estão esperando por você.

– Ah sim, claro, não precisa se desculpar. Vamos? – Jeon diz, estendendo-se do chão.

– Vamos. – Digo, levantando-me com Shin.  

– Sim, senhor. –  O guarda diz.

Um novo reinado está para começar...


Notas Finais


Espero que vocês tenham gostado desse capítulo, nos veremos no próximo capítulo~
Deixem seus comentários, adoro ler eles :3
Um beijo, um queijo e até a próxima. xD

Uma coisa!
Não é spoiler da outra fic (a do Jimin), é só um ponto para pensarem...
Se Jimin era da ordem, pq o Jae não foi direto no quarto que o Jeon e o Tae estavam? Entendem?

Tradução das coisas em inglês:
Black Florest - Floresta Negra
The traitor - O traidor


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