História Black Ice - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Avril Lavigne, Nickelback
Personagens Avril Lavigne, Chad Kroeger, Daniel Adair, Mike Kroeger, Ryan Peake
Exibições 15
Palavras 3.989
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Sim, cá estou eu com uma nova fic. Não aguentei e tive que postar!! Espero que gostem! <3

Capítulo 1 - Last Year Was Complicated


Fanfic / Fanfiction Black Ice - Capítulo 1 - Last Year Was Complicated

                                                                                                    Chad
   Realmente, ano passado foi muito complicado. Um casamento acabado, um problema de saúde que pode vir a comprometer a minha carreira, e um estresse inacabável. Tudo isso que o último ano me resultou, além de uma dor de cabeça constante e alguns fios de cabelos brancos antes do tempo. Tudo bem que não sou mais aquele bad boy de alguns anos atrás, mas, para ter os cabelos grisalhos ainda não sirvo, francamente.

   Tento colocar numa balança o que dói mais: um coração partido, uma desilusão ou um cisto na garganta. Ok, ambas são ligadas, e a minha tentativa é falha, pois cada coisa tem o seu peso, e todas caíram por cima de mim como um maremoto.

    Eu realmente gostava dela, eu posso dizer que a amei enquanto pude. Intensamente. O terrível sentimento de ter uma adaga invisível cravada no peito de ter sido usado apenas para a pessoa se promover, ser um trampolim para atingir um ponto de fama, e depois simplesmente ouvir um “nós não estamos mais nos dando bem, eu ainda amo você como amigo”. É um péssimo sentimento. Alianças jogadas ao chão, mil palavras mal usadas e algumas lágrimas em silêncio. Era como um luto. Aquele silêncio perturbador existia apenas dentro de mim, pois com meu orgulho como escudo, ninguém sabia que o silêncio existia e assim eu permitia. No meio de multidões, plateias e palcos, ele consistia em estar aqui, no meu peito.

   E logo veio as tosses, irritações e inchaços, como se estivesse numa gripe incurável, ou numa crise constante de amigdalas, minha garganta sempre incomodando, e foi quando a bomba número dois caiu em meu colo já armada: era o maldito cisto em minha garganta. Não era grave, mas poderia agravar se não fizesse repouso vocal, outra coisa que me irritou bastante, pois era uma das coisas que eu mais amava que estava dando um breve adeus. Talvez uma das coisas que mais importava para mim, além de ser meu trabalho, era o que mais me distraía quando o meu mundo resolveu desabar por meus ombros a baixo. A música é uma das coisas que eu mais amo. E eu sei que mando bem – sejamos sinceros, eu sou o vocalista de uma das maiores bandas do mundo, odiada ou amada, tanto faz, mas bastante conhecidas e se não fosse nossos potenciais, seriamos uns qualquer. 

   Estamos exatamente na metade do ano de dois mil e quatorze e eu só rezo para que nesse próximo semestre as coisas tranquilizem, minha vida já está virada de cabeça para baixo, se vier mais bombas armadas para cair no meu colo ela vira do avesso, e quero ver eu conseguir arrumá-la de novo. O destino poderia colaborar com a minha pessoa, e ao invés de bombas armadas, uma morena gostosona poderia cair em meu colo, nem pra isso eu tenho andando com sorte.

- Peake, por favor, faça o meu filho tomar esse chá, antes que eu o faça tomar de gota por gota. – Minha mãe segura uma xícara de chá entre as mãos, com um sorriso ameaçador enquanto encarava Ryan.
- Mãe... – Reviro os olhos.
- Cale a boca!
- Ok. – Franzo meus lábios e baixo meu olhar.
- Cara, toma isso de uma vez, vai fazer bem. – Ryan fala sério, mas com aquele ar em seu rosto de deboche.
- Você sabe o que tem aí dentro?
- Não.
- Nem eu! – Encolho meus ombros, demonstrando indignação.
- Salvia, raiz de Alcaçuz, Mirra, casca de Ulmeiro e raiz de Malvaísco. – Minha mãe responde colocando uma mão na cintura, com a outra esticada por conta da xícara de chá quente, ficando numa pose de bule de café. 

   Tranco o riso, pois sei se rir, o tapa na orelha é certo. Maldita mente fértil. Minha mãe sempre teve essa mania de ervas, desde folha de Maple gelada na testa para baixar a febre até esses chás estranhos para qualquer enfermidade. Acho que na vida passada ela foi uma bruxa da floresta, ou sempre quis ser uma, não sei ao certo.

- Mas você sabe que eu tenho um cisto na garganta, não várias inflamações ou coisas do tipo, não é, mãe? – Pergunto começando a me render em tomar o maldito chá.
- Sim, meu filho. – Ela se aproxima de mim, parando ao lado da cama, repousando sua mão em minha testa, fazendo-me fechar instantaneamente meus olhos. – Por isso que eu fiz esse chá, se não ajudar, não vai atrapalhar também. 

   Não respondo, só sinto o carinho de minha mãe que passa levemente os dedos no início dos meus cabelos, e por um momento esqueço tudo o que está acontecendo comigo, das angústias e preocupações, como se fosse um acalento direto na minha alma. Porém, esse momento de calma é interrompido por um tapa na minha testa.

- E você tome todo esse chá, porra! – Ela diz e entrega a xícara morna em minhas mãos. – Eu preciso ir, meu filho. – Deposita um beijo em minha têmpora e dá as costas.

   Observo a baixinha loira com o corpo em formato de ampulheta avantajada andar até Ryan para se despedir, falando alguma coisa para ele em tom baixo, e logo indo em direção á porta.

- Se cuide, meu filho, por favor. – Debbie fala escorada na porta. – Ou melhor, Ryan, cuide desse panaca.
- Qual é, mãe? Tá me estranhando? – Me manifesto com indignação.
- Não, idiota. – Ela revira os olhos. – Eu sei que só falar pra você não adianta, você não vai se cuidar, pelo menos o Peake vai te... Cuidar.
- Agora esse panaca vai se achar meu pai. – Reviro os olhos. – Eu tenho trinta e nove anos, mãe!
- Mas em questão de saúde, parece que tem cinco. – Ela franze os lábios e arqueias as sobrancelhas.

   Abro a boca pra argumentar, mas minha mãe me interrompe.

- Peake? – Ela encara Ryan.
- Certo, senhora Kroeger. – Ryan bate continência e logo olha para mim, sorrindo de uma forma babaca depois de receber um elogio da dona Debbie.

    Reviro os olhos com a viadísse desses dois e eles riem.

- Tchau, seus panacas. – Ela sai porta afora batendo os seus saltos no chão.
- Tchau, mãe. – Resmungo e tomo um gole do chá que tem gosto de cebola.
- Tchau, dona Debbie! – Ryan abana em direção á porta com um sorriso largo.
- Vocês são ridículos. – Digo rispidamente e tomo outro gole, fazendo careta.
- Toma esse chá duma vez, panaca. – Ryan estala os lábios e anda até a janela que tem a paisagem do pátio de minha casa.
- Isso tem gosto de cebola. – Digo levantando da cama, e indo em direção à janela também, oferecendo a xícara para ele. 
 
  Ryan olha para a xícara, franze levemente os lábios para baixo e espalma a mão no ar, num sinal de recusa. Dou de ombros e bebo mais um gole desse chá “maravilhoso”, repouso minha mão livre no bolso da minha calça de moletom.

- Cara. – Ryan me chama a atenção. 
- Hm?
- Você sabe que a festa que a gravadora vai dar é semana que vem, não é?
- Claro que sei, por quê?
- Você não vai poder beber. – Ryan diz e tranca o riso.
- Ha ha ha, engraçadinho. – Reviro os olhos não achando graça. – Assim parece que eu estou com uma doença terminal.
- Foi mal, cara. Mas tem uma coisa que vai te animar.
- O quê? – Pergunto e tomo outro gole, arqueando as sobrancelhas.
- Aquela moça que eu te falei vai estar. – Ryan sorri sorrateiramente.
- Olha, eu não estou necessitado, Peake. – Mentira, eu estou sim. – E isso não vai ser legal com a moça, eu estou recém-saído de um relacionamento, até meio que... Trágico.
- Ah, qual é, Chad. – Ryan sorri irônico. – Você acha que a Avril já não está com outro? Acorda pra vida, meu irmão. 

    As palavras dele entram ríspidas em minhas orelhas, eu me inclino na janela, cruzando os braços na soleira, largando a xícara na mesma e logo passando a mão em minha própria nuca enquanto abaixo minha cabeça.

- Amigão, olha aqui pra mim. – Sinto a mão pesada de Ryan repousar em meu ombro.

    Suspiro fundo, largando todo meu ar pela boca e voltando meu olhar para Ryan, que tem suas sobrancelhas baixas e os olhos apertados pela claridade da rua que adentrava o quarto, principalmente à janela que está aberta, juntos com aquele sorriso singelo puxado nos cantos da boca.

- Você pode até achar esse papo meio estranho. – Diz balançando a cabeça levemente e revirando os olhos. – Mas eu me importo muito com você. Você é meu irmão de outra mãe, imbecil. Eu odeio ver você assim, ainda mais por conta de uma babaca como aquela loirosa lá. – Revira os olhos novamente ao mencionar ela. – Sendo que eu sei que você é o melhor filho da puta que eu já conheci.

   Sorrio fraco com isso, mas realmente me fez bem ouvir essas palavras vindas dele, mesmo que sejam que de eu sou o melhor filho da puta que o Peake já conheceu.

- Vamos, cara. – Ele dá um tapa em meu ombro, e repousa sua mão ali. – Se anima, sai dessa. A Jackie é uma menina legal, eu e o Daniel conhecemos ela há um tempo. Só não pise no calo dela. – Abre um sorriso perverso.
- Por quê? Ela vai dar uma de...
- Não, pode ficar tranquilo. Ela não é uma babaca. – Ryan pisca para mim e coloca as mãos nos bolsos da calça jeans.

   Legal. Meu melhor amigo está dando uma de cupido, ou de conselheiro amoroso. Não sei se eu rio ou se me escondo de baixo da cama para chorar com isso.

- Tudo bem, cara. Talvez você tenha me dado um pouco de ânimo. – Digo me erguendo novamente.
- Ah e! Esse é o Chad que eu conheço. – Ryan me abraça rapidamente, batendo com força suas mãos em minhas costas.
- Uhu. – Finjo empolgação enquanto ergo meu punho fechado para cima.
- Você é um idiota. – Ryan diz apertando seus olhos, me encarando sério.

   Sorrio e dou de ombros.

- É, pelo menos não te proibiram de transar, né? – Ryan debocha.

   Reviro os meus olhos e torço meus lábios.

- Quantas vezes eu vou dizer que eu não estou para morrer? – Ergo os braços e balanço, mostrando que eu estou aqui. – Eu só tô com uma coisinha na garganta, no final de Julho vou fazer a cirurgia e... - Coloco minhas mãos com os dedos erguidos á frente do meu rosto.  - Acabou. – Afasto uma mão da outra rapidamente. – Vocês que fazem um escândalo. 
- Ah, claro, e você está de pijama, ás quatro e... – Olha o seu relógio de pulso. – Trinta e dois de uma quinta-feira de Junho, mas não está aproveitando esse “escândalo”. – Faz as aspas com os dedos.
- Eu estava com preguiça hoje mesmo. – Me escoro de costas para a janela, pegando a xícara novamente.

   Ryan ergue as sobrancelhas e cruza os braços, me olhando de um modo repreendedor. Fico em silêncio, virando meu rosto em direção à janela, e tomo um gole do chá, sentindo-o já gelado.

- Mas ainda bem que não me proibiram de transar. – Digo com uma expressão pensativa, ainda olhando de canto do olho para o quintal. – Estou me sentindo uma vaca leiteira.
- Cara! – Ryan ergue os braços e faz uma expressão de nojo.
- O que foi? – Pergunto e colo meus lábios na xícara, trancando o riso.
- Agora toda vez que eu ver, ou for tomar leite, vou me lembrar de você! Ou melhor, da sua... – Ryan para de falar, deixando a sua boca aberta. – Esquece. – Termina num tom mais baixo. 

   Gargalho alto enquanto Ryan ainda me espragueja baixinho com sua expressão de nojo. Então ergo minha mão para fora da janela, segurando a xícara.

- Hm... – Largo a xícara, e ouço o barulho dela espatifando quando chega ao solo. - Oh. – Ergo minhas sobrancelhas e Ryan me olha com sua famosa expressão de pavor.
- Ah, meu Deus! – Ouço a voz de dona Agnes gritando do quintal. – O que foi isso?

   Olho para Ryan e faço a famosa expressão de “fodeu!” e me viro.

- Me desculpe, minha Deusa! Eu bati na xícara sem querer e deixei ela cair. – Tento gritar de uma forma suave, porém, minha garganta arranha.
- O quê?! – Avisto a imagem da senhorinha de cabelos grisalhos com a mão acima dos olhos, procurando onde estou.
- Ele deixou cair a xícara, dona Agnes! – Ryan grita fazendo ecoar no meu quarto. – Sem querer. – Revira os olhos e puxa para um lado.

   Olho para baixo me sentindo frustrado em questão disso, balanço minha cabeça lentamente.

- Foi sem querer?! Então tá bom. Só me deixem limpar aqui, e desçam para comer alguma coisa! – Dona Agnes grita de volta.
- Eu limpo isso. – Falo com o rosto pra lado de Ryan.
- Ele limpa! – Ryan grita.
- Não, meus filhos, eu já estou com tudo á mão. – Fala e ouvimos a sua risada falhada e divertida, que faz ambos sorrirem.
- Vamos então. – Digo e começo a andar em direção ao corredor.
- Depois diz que não está se aproveitando do “escândalo”. – Ryan torna a fazer as aspas com os dedos.
- Shhhh. – Chio olhando para ele de canto de olho.

   Ryan ri baixo e empurra meu ombro, me fazendo rir também.
                                                                                             
                                                                                                                    Jackie
    Essa semana está sendo corrida demais para uma pessoa só. Papeladas com as novas bandas que estão contratando com a gravadora, os últimos detalhes para a bendita festa que Benjamim arranjou para ninguém mais e ninguém menos do que eu, claro, arrumar. É o trabalho, é minha vida amorosa que está meio de pernas pro ar, é meus irmãos mais novos dando problemas, minha mãe pirando por conta da falta do meu pai, meu irmão mais velho meio disperso com tudo e todos, meu curso de aroma terapia indo água á baixo, meu carro com a porra do problema de freio que parece um trator, não uma Hilux SW4 do ano. A única coisa me faz deitar a cabeça no travesseiro e relaxar é meu salário que dá uma ótima brecha, a única coisa que não aperta e não tira meu sono, e agradeço meu amado pai, que quando não estava servindo ao exército da Marinha canadense estava me obrigando á ir ao curso de Administração, e se não fosse ele, hoje provavelmente passaria trabalho no assunto dinheiro.

   Meu último relacionamento foi conturbado. Talvez, muito conturbado. Marlon sempre foi um cara super legal para mim desde o primeiro beijo até a primeira transa, conhecia minha família, usávamos alianças de noivado, aquele típico relacionamento de livro do Nicholas Sparks só que sem mortes, o noivo perfeito com atitudes perfeitas e toda aquela baboseira perfeita. Marlon é jogador de basquete, mas com cara de skatista tatuador, um homem muito bonito, no meu gosto, pele clara e traços escuros. Porém, um mês antes do nosso casamento ele resolveu me trair... Com um colega de time. É, isso mesmo, com um negão que era o duplo de altura e triplo de largura dele, e o mais... Traumatizante, é que peguei no flagra. Ele estava demorando demais no banheiro, e eu precisava ir para casa, pois tinha reunião marcada, fui atrás dele e vi a cena que até hoje me aterroriza: meu noivo e Big Niko numa transa animalesca.  E desde então, ele coloca a culpa em mim, coisa que eu não entendo, mas faz eu me sentir péssima, e o pior é o fato dele me seguir para ver se eu fico com outro alguém. O que era perfeito virou aterrorizante.

   Para ser sincera, eu nunca tive sorte no amor. Meu primeiro namorado me largou para cuidar de uma fazenda no interior do Texas, meu segundo namorado terminou nosso relacionamento porque queria ser astronauta, mas acabou se matando quando descobriu que era velho demais para isso - eu sempre desconfiei que ele usasse algum tipo de droga -, e o meu último se encontrou dentro de sua sexualidade. É, talvez o problema seja eu.

   Eu tenho três irmãos, Mitchell é quatro anos mais velho que eu, Janeth é sete anos mais nova que eu, e Jordan, que é dez anos mais novo que eu. São idades distantes, mas sempre recebi, e dei muito apoio á eles. E segundo as palavras de minha mãe, eu sou a que mais tenho juízo ali, pois Mitchell vive no mundo de jogos de vídeo games, cannabis e contemplar o sol, Janeth tem o sonho de ser líder de torcida da sua escola, ou da sua futura faculdade e Jordan quer ser químico, coisa que faz todos ficarem preocupados, pois ele mesmo fez o seu laboratório no porão de casa e tem seus equipamentos de experimentos, e com isso, vive roubando produtos de cosméticos da nossa mãe e misturando com outros elementos que nem Deus sabe da onde ele tirou, fazendo-o subir as escadas correndo com os cabelos arrepiados e com o rosto cheio de fuligem, pedindo pra alguém chamar os bombeiros, sendo que meio balde de água apagaria todo o seu “incêndio experimental”.

   Então eu fico como a “segunda mãe” deles, coisa que eu cativei também, e com isso fez nossa família ficar mais unida. Talvez essa loucura seja de família, pois minha mãe é uma professora de artes e física, que é muito temperamental, pois tem dias que ela vai de salto, com os cabelos negros lisos escorridos pelos ombros e bem maquiada, e outros dias vai como se tivesse se jogado dentro do guarda-roupas e tivesse doado seu corpo como experimento para as roupas se expressarem, e já meu pai fez sua carreira de militar da Marinha desde os dezessete anos e assim está até hoje. Mas não é por ele ser militar ele é sério. Ele tira a farda, e logo abre um sorriso e saí perguntando quem vai ser o primeiro a se habilitar para ele estalar os dedos dos pés. Até hoje eu corro para o banheiro toda vez que ele pergunta.
   
    Talvez eu seja a mais certa da família, e o que era para ser loucura se transformou em azar no amor. Quando eu descobri que Jason havia se matado, eu chorei por uma semana, enquanto Mitchell fazia piadinhas e chorava de rir enquanto eu me sentia culpada. Eu tinha quatorze e ele, dezoito.

- Melzinha.... – Ouço a porta da minha sala abrir com a voz de trovão de Benjamim ecoar na sala, junto com a raiva subir pelo meu pescoço e fazendo meu rosto queimar.
- Vá se foder, Benji. – Falo entre dentes.
- Calminha aí, meu doce Mel, porque está tão brava? – Benjamim passa para o meio da minha sala, colocando as duas mãos nos quadris onde lhe caía um belo terno William Fioravanti de cor salmão claro e a ironia domava a sua voz.
- Porque você sabe que eu odeio que me chamem assim, e você me provoca, até meu Prada cravar no seu nariz. – Digo alinhando os papéis na mesa.
- É fofo você com raiva. – Ele responde andando com seu jeito pomposo até meu lado.

  Encaro-o e faço uma cara de quem não gostou do que ouviu, e ele arruma seus óculos com os dedos compridos e magros e se inclina para trás.

- Pensando bem, não é. – Ele repousa a sua mão lentamente sobre o peito.

   Sorrio e balanço minha cabeça, ainda organizando minha mesa, pois parecia que o furacão Catrina havia passado por aqui.

- O que a sua assistente, secretária, auxiliar e manicure pode fazer? – Pergunto sorrindo, empastando os papéis.
- Você sabe que dia é hoje? – Benjamim repousa as mãos quentes de melanina em meus ombros e se aproxima.
- Quinta-feira.
- E o que vem depois?
- A sexta-feira? – Ergo uma sobrancelha e o olho.
- Garota esperta. – Ele bate palmas e sorri, franzindo o nariz.
- E o que o gênio da lâmpada mágica aqui pode fazer pelo Aladdin negro?
- Você me dá três desejos? – Ele pergunta com a voz baixa.
- Não. – Cruzo meus braços.
- Ah. – Murcha os ombros. – Enfim, não era isso. – Ele massageia sua testa com as pontas dos dedos. – Eu preciso que você consiga aquelas taças com bordas de ouro maciços importadas da India.
- O quê? – Pergunto chocada.
- Isso! É! São maravilhosas, né? – Ele bate palmas com um sorriso frustrado.
- Você é louco? Nós só temos uma semana para essa maldita festa, Benjamim.
- Ai, eu sei! – Ele morde a ponta dos seus dedos. – Mas é elas vão combinar tanto com a decoração.
- Ah, é verdade. – Digo pegando a caneta que prendia os meus cabelos e mordo a ponta.
- Não é? Vai ficar lindo! – Ele ergue os braços e dá uma volta em torno de si.
- Sim, mas se você tivesse me avisado antes, as taças já estariam aqui! Sua louca! – Respondo gesticulando com a caneta.
- Não me ofenda que eu ainda sou seu chefe. – Ele faz carinho na minha bochecha.
- Tudo bem. – Giro a cadeira de volta para a escrivaninha. – Eu vou tentar, ok? Só porque eu amo você, porém eu não vou te dar certeza.
- Você sempre consegue, minha Jackie Jackie. – Ele abraça meus ombros.
- Ok... – Digo fingindo cansaço.
- E como você vai fazer esse esforço, você pode ir embora à hora que você quiser.
- Hm, está ficando interessante isso. – Digo erguendo uma sobrancelha e puxando um sorriso no canto dos lábios.
- Ok, é o que posso fazer por você, ok? Abusada. – Ele sai e vai em direção á porta, com o seu tom debochado.
- Vai lá, Benji, vai. – Ergo minha mão e abro o meu notebook para começar a pesquisar o que o maldito me pediu.

   Ouço seus lábios estalarem no ar lançando beijinhos e logo a porta fechar. Reviro meus olhos enquanto acesso o Google. Talvez a única sorte que tive na vida, foi ter Benjamim como meu chefe, além de tê-lo como amigo. Ele me ajudou muito quando eu mais precisei, se mostrou uma pessoa humilde e decidida no que quer, coisa que me inspirou muito, e depois refletiu em mim. Sou interrompida pelos meus pensamentos quando meu celular toca, na a tela o nome “O Super Dani” piscando, balanço a cabeça e sorrio, lembrando que nunca pode deixar seu celular desbloqueado com um amigo idiota. Ele pode trocar o seu próprio nome de contato.

- E aí, mr. Adair?! – Digo assim que atendo.
- Como vai, senhorita Blanchard?! – Ouço a voz de Daniel tentando ser galanteador.
- Melhor agora. – Respondo no mesmo nível, trancando o riso.
- Não fale assim, vá que eu me apaixone.
   
  Solto uma risada com sua resposta, então me sento melhor na cadeira.

- Fala logo, desgraça. 
- Eu estou de tpm, estou sensível, não fale assim comigo. – Daniel fala fingindo choro.
- Fala, melhor baterista do mundo! – Digo empolgada.
- Ah, melhorou. – Sinto ele sorrir pelo telefone. – Bom, Jackie, não quer sair com os seus bons e velhos amigos?
- Eu até gostaria de ir, meu bem. – Sorrio. – Porém, meu querido chefe acabou de quase pedir um milagre para mim, só saio daqui depois que resolver isso. – Faço um biquinho de decepção.
- Ah. – Fala desanimado. – Tudo bem. – Finge choro de novo.
- É, você realmente está na tpm. – Digo debochando séria.
- Vá se foder, Jackson! – Ele responde e dá daquelas risadas estrondosas, de fazer o ouvido zunir por ser numa ligação.
- Depois nos falamos, Dani, tenho que voltar ao trabalho.
- Falou, Jackie. Se cuida.
- Falou, Dani. Você também. – Respondo imitando seu jeito malandro de falar, então ele desliga a ligação.

   Coloco o celular de volta na escrivaninha, alongo meus dedos e respiro fundo, começo a digitar a minha pesquisa. É, talvez irá ser uma longa pesquisa, um longo negócio, um longo bate-papo e uma boa lábia. Tudo pelo meu chefe, meu amado chefe.
 



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