História Black Ice - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Avril Lavigne, Nickelback
Personagens Avril Lavigne, Chad Kroeger, Daniel Adair, Mike Kroeger, Ryan Peake
Exibições 10
Palavras 3.926
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Me, Myself and I


Fanfic / Fanfiction Black Ice - Capítulo 2 - Me, Myself and I

                       Jackie
   Depois de três horas consecutivas de pesquisa e negociação, consegui fazer a encomenda das quinhentas taças bordadas de ouro maciço para a maldita festa do meu chefe, que serve só para fazer bonito e brindar com os mais importantes, as bandas que contrataram com a gravadora e alguns mais próximos, pois o pub onde vai realizar a festa vai estar de open bar e é uma ideia deslumbrada de Benjamim. Mas, como ele é o chefe, ele que manda, mesmo eu achando perda de tempo. Resolvido o problema de última hora, suspiro aliviada e vejo as horas em meu celular, são sete e tantas da noite, penso em ligar para Daniel e aceitar o convite de dar uma volta com ele e nossos amigos, tomar uma cerveja num bar tranquilo da cidade, ouvindo algum contratado cantar suas lamúrias amorosas no canto do mesmo, mas sinceramente, me sinto cansada e com bastante preguiça, então resolvo deixar para outro dia. Recolho minhas coisas necessárias e coloco tudo na minha bolsa, colocando-a em meu ombro, desligando a luz da minha pequena sala e saindo, virando a chave – santa mania de proteção.

- Seus pedidos chegam terça-feira que vem. – Digo em voz alta passando pela sala de Benjamim.
- Viu? Eu disse que você consegue tudo, Jackie! Você é a assistente que eu pedi á Deus!
- Obrigada por elevar a minha autoestima em oitenta por cento. Estou indo, Benji! – Grito erguendo minha mão espalmada.
- Fique bem, meu amor.
- Você também. – Sorrio parando na porta principal da gravadora.

   Olho para trás e vejo a figura similar a de uma escultura em ébano sorridente, mostrando o quanto a sua barba estava alinhada e baixa junto com seu cabelo, enquanto segura uma xícara escorado no arco da sua porta.

  Balanço minha cabeça positivamente e sigo meu caminho. Sigo para o elevador e espero descer os cinco andares necessários para que chegue ao saguão do prédio, passando pelo moço do nome complicando e abanando sutilmente para ele, que logo abre um sorriso largo que faz seus olhos quase desaparecerem, e sigo para o estacionamento.

   Tenho esse grande problema de achar as chaves do meu carro, sempre fico plantada ao lado do mesmo procurando na bolsa enquanto está no bolso da minha calça, ou vice-versa. Entro no mesmo, repousando minhas mãos sobre a direção e assoprando a mecha do meu cabelo que caiu sobre meu rosto, então me acomodo melhor para dirigir, passando minha bolsa para o banco do passageiro e encaixando o cinto de segurança, preparando meus ouvidos para o ruído da minha parceira. Viro a chave na ignição e o barulho doí meus ouvidos, dou um soco de leve na direção lembrando que preciso arranjar tempo para concertar isso. Saio do estacionamento do prédio e vou em direção para a minha casa.

   Ligo o rádio e coloco numa estação qualquer e a música que toca não me agrada, troco de estação e o resultado não é bom, troco novamente e sou interrompida por várias buzinadas vindo de trás do meu carro, reviro os olhos e abro a janela.

- O que foi, hein? – Grito olhando para trás.
- Quer uns óculos para ver que o sinal abriu? – A voz do dono do carro responde num tom irônico.
- Ih. – Olho para frente, vendo a luz verde refletir no capô do meu carro e então acelero. – Desculpe! – Grito de volta.
- Vá pilotar um fogão, vadia! – Grita enquanto passa por mim e acelera bruscamente.
- Ah, chupa meu pau, arrombado! – Grito também. – Mereço. – Resmungo e reviro meus olhos, voltando para minha rota.

   Coloco as músicas do meu celular a tocar e me distraio com os meus pensamentos, volto para mim quando meu celular toca e vejo que é Janeth ligando, deixo tocar até cair na caixa postal, e assim se sucede três chamadas, preocupo-me, então atendo, mesmo dirigindo.

- Sabia que é proibido atender chamadas quando se está dirigindo? – Pergunto.
- Qual é, maninha, é menos de quinze minutos o que eu tenho pra te falar. – A voz doce e fina de minha irmã ecoa num riso debochado.
- Agora tem quatorze minutos para falar. – Respondo encostando na calçada.
- Treze minutos exatamente. – Ela sorri.
- São minutos ou segundos?
- O tempo é meu e eu conto do jeito que eu quiser. – Ela diz num tom debochado.
- Quando eu desligar não vai ter mais nenhum minuto ou segundo. – Retribuo no mesmo tom.
- Ok, você ganhou. – Diz com a voz contrariada. – Vem jantar aqui hoje, a mãe te convocou.
- Eu estou na esquina da minha casa, Jane. – Respondo tombando minha cabeça para trás.
- Ela tá nem aí, mas te convocou. Mitchell vai vir também, e o pai achou um tempo de fazer uma vídeo chamada com nós, vai recusar? – Janeth diz com sua voz manipuladora.

   Massageio minha testa. Deus, como eu odeio essa chantagem psicológica de Janeth tem o dom de fazer.

- Não tinha como me avisar antes?
- Você estava dirigindo. – Responde com a voz óbvia.
- E antes? – Cruzo meu braço e olho para fora do para-brisa.
- Você trabalha, não é? – Pergunta no tom mais irônico possível.
- Oh. – Junto minhas sobrancelhas. – Sim.

   Janeth fica num silêncio irritante, bufo e fecho os olhos pesadamente.

- Ok, mas é que... – Me espreguiço. – Eu estou cansada.
- Sua casa fica há três quarteirões á frente da nossa, sua preguiçosa.
- Tudo bem, chantagista emocional da porra. – Sorrio e reviro os olhos.
- Ok, te espero aqui, maninha. – Posso ver o seu sorriso satisfeito.

   Desligo a chamada, e tiro o carro do ponto morto e vou em direção á casa da minha mãe. Troco de música, e no aleartório começa a tocar "Wicked Games" do The Weeknd, coisa que me faz sorrir e mexer a cabeça no ritmo da música. Eu adoro essa música, e o significado que ela trás: perversão. Sorrio para mim mesma.
   Depois de alguns minutos estaciono á frente da casa de tijolos vermelhos á vista, quase em forma natalina, com pinheiros em volta da mesma. Saio do meu carro pegando apenas meu celular, tranco-o e sigo pela estrada de piso que leva até a porta da casa em modelo de boneca, toco a campainha e espero, logo ouço o barulho dos saltos de minha mãe e a mesma abrindo a grande porta de madeira maciça escura, dando à visão dos seus cabelos lisos e escuros que vão até abaixo dos seus seios, junto com os seus lábios bem pintados de vermelho num sorriso largo.

- Oi, minha gatinha dos olhos bicolores. – Minha mãe sorri, logo abrindo os braços.
- Oi, mãezinha. – Sorrio de volta e me jogo em seus braços.

   Sempre que minha mãe me chama assim me sinto bem, aconchegada. Como se eu tivesse no meio de uma tempestade e ela me chamasse assim, eu me sentiria segura para enfrentar tudo.

- Entre, não vamos ficar plantadas aqui na porta. – Minha mãe dá espaço para mim, e eu adentro o pequeno Hall.
- Então, cadê os meus irmãos? – Pergunto olhando em volta, procurando pelos mesmos enquanto Madelaine fecha a porta.
- Adivinha? Devem estar na sala jogando alguma coisa.
- São uns preguiçosos. – Sorrio e vou em direção à sala.
- Chegou a desnaturada. – Janeth grita sorrindo cruzando as pernas no sofá.

   Dou o dedo do meio para ela e me sento no colo do Mitchell, abraçando-o.

- Espera aí, alienígena, estou quase terminando a missão. – Mitchell diz erguendo a cabeça e desviando as mãos segurando o controle do Xbox.
- Grosso. – Dou um tapa na testa dele e me sento entre ele e Jordan.
- E aí? – Jordan diz e deita a cabeça no meu ombro.
- E aí, Albert Einstein. – Debocho e o abraço, que revira os olhos e logo sorri.
- Ah, minha filha, tira esses saltos. – Minha mãe aponta para os meus saltos, fazendo uma cara de reprovação.
- Está doendo mesmo. – Tiro-os e coloco do lado do sofá.
- Que chulé, colorida. – Jordan faz cara de nojo.
- Ah é? – Pergunto erguendo meu pé em direção a ele.
- Não, sai. – Ele dá um tapa no meu pé e se esquiva.
- Mereço filhos assim, mereço. – Minha mãe bate as mãos no quadril e se vira para a cozinha.

   Damos risadas dela e logo eu me levanto, seguindo a mesma.

- Ei, Jackie Estranha, já terminei aqui! – Mitchell grita.
- Agora não quero. – Dou o dedo do meio pra ele ainda de costas.
- Você nunca muda, minha filha. – Minha mãe balança a cabeça mexendo nas panelas.

  Dou de ombros e me sento à mesa, pegando uma garrafa de água para tomar.

- O que você me conta? – Pergunta segurando um pano de secar as louças.
- Nada demais, mãe. Só trabalho, trabalho, trabalho e... Trabalho. – Sorrio irônico.
- Ah, normal né. E quando vai vir meu genro?
- Mãe... – Repreendo.
- O que foi? – Pergunta dispersa.
- Sem genros. Você sabe que eu não tenho sorte pra isso. – Respondo murchando meus ombros, tentando não lembrar de certas lembranças.
- Esses dias eu sonhei que você estava com um moço muito bonito, loiro e alto.
- Você sabe que loiros não fazem o meu tipo. – Reviro os olhos e sorrio.
- É, o seu tipo são os caipiras, suicidas e gays. – Minha mãe se vira, se escorando na pia.

   Meu sorriso desfaz e murcho meus ombros novamente.

- Desculpa, filha. – Ela ergue os ombros e beberica do copo servido de Coca-Cola.
- Estou acostumada à sofrer bullying nessa casa. – Dou de ombros, não me abalando.
- Em compensação, eu fiz lasanha de brócolis e frango.
- Pelo menos isso. – Ergo minha mão.
- A mãe te ama.  – Ela se aproxima e beija minha testa, me aconchegando em seu peito.

   Sorrio e a abraço de volta. Minha mãe me oferece uma cerveja, mas eu nego pois estou dirigindo. Logo Janeth se sentou junto para conversar até a janta ficar pronta, lavo os pratos junto com Mitchell, então fazemos a vídeo chamada com meu pai.

- Minha família linda! – Ele fala assim que a chamada conecta, sorrindo abaixo do seu bigode.
 
  Cada um cumprimenta ele do seu jeito, então caímos na risada.

- Como o senhor está, meu pai? – Pergunto sorrindo.
- Oh, minha gatinha dos olhos coloridos. – Ele fala do seu jeito paciente, me fazendo tombar a cabeça para o lado. - Estou bem, e vocês?
- Estamos bem. – Sorrio.
- Ah, você sempre babando essa... Esquisita do olho de cada cor. – Janeth diz cruzando os braços.
- Desculpa se você é adotada. – Ironizo colocando minha mão em seu braço.
- Jackie! – Minha mãe me repreende.
- Foi mal. – Falo baixinho e sorrio.

   Meu pai solta uma risada e balança a cabeça.

- Estou com saudade de todos, meus filhos, até você que é adotada e o maluco que coloca fogo na casa. – Meu pai fala sorrindo.
- Obrigada, pai. – Janeth revira os olhos.
- Que? – Jordan pergunta franzido o cenho.
- Acho que você é o maluco que bota fogo na casa. – Mitchell diz e tranca o riso.
- Ah tá. – Ele diz e cruza os braços também.
- Ele já aceitou isso, Mitch. – Minha mãe balança a cabeça.
 
   Mitchell dá de ombro e nós rimos.

   Ficamos mais de uma hora conversando com o seu Johnny, até que ele foi chamado para fazer alguma coisa que eu não entendi, e logo eu voltei para a minha casa, depois de receber um xingão da minha mãe pois estar um pouco afastada. Tento explicar que não tenho tempo nem para arrumar a pastilha de freio do meu carro, que é só deixá-lo na oficina.

  Chego em casa, largando minha bolsa no sofá e meus saltos ao lado, tirando minha roupa enquanto ando até a lavanderia, colocando as roupas sujas já na maquina e indo para o banheiro, me preparando para tomar um banho.

   Coloco minha playlist para tocar e mergulho na banheira, ficando imersa na água morna deixando a música baixa. Tento relaxar o máximo, então deixo apenas meu rosto emerso, olhando para o teto branco. Eu preciso sair, eu preciso ver Lorraine, preciso beber alguma coisa, preciso espairecer um pouco. Conhecendo meu chefe, eu sei que ele vai me liberar um pouco.

   A festa. A festa da Gravadora, a maldita festa que Benjamim inventou de fazer. Por um momento eu esqueci completamente disso. Eu posso convidar a Lorraine para ir comigo, e podemos festejar la mesmo, pois realmente preciso disso, preciso matar a saudade de "ferver" com a minha melhor amiga. Ótima idéia. Sorrio e me sento, escorando minhas costas na banheira, está tocando "Mine", da Beyoncé e minha garganta dá um nó repentino, eu luto contra as lágrimas e engulo o choro, não me permito chorar pelo passado.

   Termino meu banho, abro a banheira e deixo a água escorrer ralo a baixo, torço meus cabelos e os enrolo numa toalha, secando meu corpo com outra, me enrolando e saindo do banheiro, pegando meu celular.

 Seco meu cabelo, visto um pijama e me perfumo, desligo as luzes e me deito. Suspiro fundo, olho por volta do meu quarto e por um minuto me sinto solitária, balanço a cabeça e fecho meus olhos. Talvez eu me vire melhor sozinha. Só eu e eu mesma. Sorrio.

                          Chad
  Logo depois que Ryan foi embora, Mike e Bradlee vieram jantar comigo, e zombar mais um pouco da minha cara, como o de costume.

- Cara, eu sinto falta da sua voz. – Bradlee diz murchando os ombros.
- Vai se foder. – Respondo rindo.
- É sério, idiota.
- Que papo gay, cara. – Mike diz franzido o cenho.
- Ok, espera. – Ele arrota, e eu faço cara de nojo enquanto Mike solta uma risada. – Tenho saudade de trabalhar, melhorou?
- Continua com saudade da minha voz. – Digo sorrindo debochando.
- Não quero mais falar com vocês.

  Eu e Mike gargalhamos.

- Eu preciso ir, cara, se não a minha esposa me mata. – Bradlee diz olhando para o relógio.
- Por que não trouxe ela? – Pergunto ingênuo.
- Porra, Chad. – Mike bate as mãos no quadril. – Nem a Nina escapa de você?!
- Oh, qual é, cara. – Digo rindo ironicamente. - Nem tudo o que eu falo é na malícia.

   Eles ficam parados me olhando com cara de repreensão para mim. Reviro os olhos e bufo.

- Às vezes eu acho que fico melhor sozinho.
- Chega de cerveja pro Chad. – Mike diz e olha para cima, franzindo os lábios.
- É sério, cara. – Reviro os olhos.
- Crise de meia idade já, Chad? – Bradlee pergunta erguendo uma sobrancelha.
- Às vezes eu tenho vontade de nunca mais conversar com vocês.
- Tá, desabafa, amigão. – Bradlee repousa a sua mão em meu ombro.
- Eu tô bem. É verdade, talvez eu esteja me virando melhor sozinho.
- A Avril não é a única mulher do mundo, e nem todas são iguais à ela. – Mike diz sério.
- Graças a Deus. - Sorrio sarcástico. - Mas vamos parar de falar um pouco dela, por favor.
- Ok, mr. Lonely.
 
   Dou o dedo do meio para o Mike e ele sorri.

- Tudo bem, vamos, Mike? – Bradlee pergunta.
- Claro, vamos. Você está bem, maninho? Não quer se enforcar num pé de alface?
- Eu não falo mais nada com vocês. – Bufo.

   Eles gargalham, mas eu não acho tanta graça assim, então apenas sorrio.

- Tchau, cara. – Mike me abraça forte. – Fica bem.
- Tchau, bro. Você também. – Dou um tapa na sua cabeça careca e ele ri.
- Falou, amigão. – Bradlee espalma a mão no ar.
- Falou. – Sorrio e dou um soquinho na palma da mão dele.

    Caminhamos até a porta principal, eles saem e logo entram no carro de Mike, buzinam e eu abro o portão automático, eles saem e eu fecho o portão. Vou até a cozinha, recolho as garrafas de cerveja e coloco fora, vejo dona Agnes terminando de secar a pia.

- A senhora quer ajuda? – Pergunto me escorando no balcão.
- Não, meu filho. Já estou terminando.

   Sorrio sem mostrar os dentes e balanço a cabeça positivamente.

- Devo muito a senhora. – Sorrio abertamente.
- Só faço por que gosto de você, menino.
- Pelo menos a senhora não fica fazendo gracinha de mim. – Faço um biquinho.
- Está carente, querido?
- Talvez. – Reviro os olhos.
- Você precisa de uma namorada.
- Acho que estou bem por enquanto. – Sorrio ironicamente.
- Já está na idade de casar e se sossegar. Ouça o que eu digo.

   Sem vergonha do jeito que eu sou, fica difícil colocar isso na minha cabeça.

- Obrigado por me chamar de velho. – Encolho os ombros.
- Não foi isso que eu quis dizer. – Ela solta uma risada contagiosa.
- Eu entendi. – Sorrio e vou em direção à ela. – Vou dormir, dona Agnes. Boa noite.
- Boa noite, meu filho. – Ela beija meu rosto.

   Eu me afasto e vou em direção ao meu quarto, troco de pijama, me deito de novo - claro, sem sono - e fico parado olhando para cima, pensando em nada, não tinha concentração o suficiente para firmar em alguma coisa.

   Me viro para o lado, me viro para o outro, e não consigo dormir. Nem tento mais. Pego meu celular e vejo se tem alguma coisa de importante, vou para o Twitter da banda e vejo alguns tweets dos nossos fãs, sorrio com a loucura de alguns e não entendo quando as Brasileiras ou as Russas resolvem falar na sua língua nacional.   Gargalho baixo do mesmo jeito, aparece cada coisa nos mencionando. Entro no aplicativo do FaceTime, vejo alguns contatos online, entre eles Daniel está também. Penso em chamá-lo para ver qualquer coisa que a banda possa fazer, mas deixo para lá, talvez ele só esteja de passagem.

  Então aparece a chamada de vídeo dele, sorrio e logo aceito.

- E aí, filho da puta. – Daniel sorri na tela dele.
- Fala, arrombado. – Falo rindo.
- Tá procurando alguma gata pra fazer striptease por aqui, é? – Daniel aparece em movimento, como se tivesse andando.
- Na verdade, eu estava te procurando. – Respondo já sabendo que ele irá levar para a malícia.
- Eu hein. – Ele arqueia as sobrancelhas. - Sai dessa, cara.

   Solto uma risada alta.

- Não nesse sentido, panaca. – Franzo meus lábios.
- Ah tá, até parece que você não quer meu corpinho. – Daniel aproxima o rosto da câmera, fazendo um biquinho e encostando a ponta do dedo na mesma.
- Você bebeu? – Franzo os lábios.
- Aham. – Ele volta a distância normal.

   Sorrio e reviro os olhos.

- Ok, cara. Na verdade, eu quero saber se não tem como nos reunirmos, sei lá. Já estou com saudade do estúdio.
- Está com saudade de mim, que eu sei. – Ele manda um beijinho no vídeo.
- Você está me assustando. – Finjo desentendimento.
- Foi mal. – Ele me mostra a língua. – Mas tem sim, eu estou com saudade da minha bateria também. – Ele faz voz de choro.
- Podemos ir amanhã?
- Você está pedindo permissão para mim? – Ele sorri idiota. – Claro que pode, meu filho.
- Vai se foder. – Gargalho alto.

   Daniel ri também, e a chamada cai. Merda de Internet. Bloqueio a tela do meu celular, e me viro para dormir, então ele volta a chamar, e eu atendo.

- Hm? – Resmungo.
- Vamos falar com o Peake e o Mike.
- Não quero chamar eles.
- Por quê?
- Não gosto deles.
- Ah. – Daniel bufa e revira os olhos. – Achei que fosse sério, idiota.
- Quando quero que me leve à sério, ninguém me leva, e quando não é, levam. – Franzo os lábios.
- Chad. – Daniel me chama.
- Hm?
- Você precisa fazer a barba.
- Vem fazer o meu saco. – Digo e gargalho baixo.
- Não, obrigado. – Daniel arregala os olhos.

   Gargalho alto, e começa a me dar um pouco de sono.

- Tá, cara, eu vou dormir. Nos falamos amanhã. – Digo a bato continência.
- Ok, falo com os caras. Até amanhã, arrombado.
- Arrombado é a minha pica.
- Acho que esse cisto está te deixando cada vez pior. – Daniel arregala de novo os olhos.
- Fica bem, se cuida. – Respondo rindo.
- Você também, bro. – Ele bate continência.

   Retribuo a continência e sorrio, encerrando a chamada. Levanto e ligo a luz do meu quarto. Eu sei que o meu médico disse para manerar na bebida, mas preciso de uma dose de whisky.

    Desço as escadas indo para a sala, pego a garrafa de whisky, e um copo, coloco uma dose ali, guardo de novo a garrafa e vou para a cozinha pegar gelo, então volto para o meu quarto. Tomo um gole pequeno, e me sento à escrivaninha, pego bloco de notas e começo a escrever alguma coisa. Vejo que vai ser uma noite longe.

  Me distraio com o meu copo de whisky e minhas notas, quando percebo o sol já está dando as caras, olho as horas e já é quase sete da manhã. Me espanto como o tempo passou enquanto colocava minhas idéias e melodias no papel. Me espreguiço e percebo que estou sem um pingo de sono. Desço para lavar o copo, e vou para a suíte tomar banho.

   Não gosto de banhos muito longos, faço o necessário e logo saio, me seco e enrolo a toalha em minha cintura, e paro na frente do espelho para fazer minha barba que, realmente, precisava de uma navalha. Espalho a espuma no meu rosto, e logo deslizo a navalha onde é necessário. Me distraio ali quando a porta da suíte abre.

- Ah, caralho! – Digo deixando a navalha cair, dando um corte pequeno no meu queixo.
- Santo Deus. – Dona Agnes sussurra baixinho.

   Olho para o lado e vejo dona Agnes com a mão no peito, seu rosto está pálido e o rosto espantado. Merda.

- A senhora está bem? – Pergunto indo em sua direção.

 Minha toalha enrosca na pia e a mesma desliza no meu corpo, dona Agnes arregala mais os olhos e puxa o ar em susto. Seguro a toalha entre minhas pernas, puxando a mesma para não me deixar nu na frente da minha governanta residencial, vendo que ela vai desmaiar. Consigo me enrolar na toalha de volta, e acudi-lá. Sento ela na ponta da minha cama, e ela volta a respirar normal.

- O que aconteceu? – Pergunto preocupado.
- Me assustei, meu filho. Achei que você ainda estava dormindo, inventei de vir ver e vi você assim. – Ela aponta para a toalha.

   Franzo as sobrancelhas e olho para cima.

- E você está sangrando. – Ela respira fundo e sorri, voltando ao seu normal.
- Porra. – Resmungo olhando meu peito com um filete de sangue.

   Volto para o banheiro e limpo o sangue, maldito corte. Passo anti séptico até estancar o sangue, era um pequeno corte, então volto para o quarto.

- Depois desse susto, eu vou fazer o café da manhã para nós. – Dona Agnes diz com a voz fraca e sorri.
- Não precisa, minha Deusa. – Sorrio. – Vou sair para tomar café.
- Tudo bem, meu filho. Vou lá. E por favor, coloque uma roupa. – Ela fala rindo e vai em direção à porta. - Mas você está com tudo em cima. – Ela pisca e gargalha alto, e sai porta afora.

   Coloco minhas mãos na cintura, balanço a cabeça e sorrio, voltando para a suíte para terminar a minha barba. Logo que termino, coloco uma roupa simples, pego meus óculos escuros, carteira, celular e chaves do carro, saindo para o centro de Vancouver.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...