História Bloodline - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Supernatural
Personagens Castiel, Crowley, Dean Winchester, Sam Winchester
Tags Drama, Romance, Sobrenatural, Supernatural
Visualizações 99
Palavras 5.287
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey, hey ❤

Enton amorecos, eu to com um probleminha no meu notebook, e não faço a mínima ideia de quando vou poder consertar, então é capaz disso atrasas minhas postagens :/

Well, boa leitura ❤

Capítulo 4 - Lua Cheia


Faziam exatos quatro dias que Hayley não tinha sonhos ruins. O que era dia de alegrias e festas em seu calendário. Mas agora que ela tinha a certeza de onde vinham aqueles sonhos, Hayley tinha a ligeira impressão de que Deus estava tentando se desculpar pelos empecilhos que aconteceram, ou pior, pelos que iam acontecer. E era isso que deixa Hayley preocupada. 

E Sam percebeu isso, quando questionada de seu silêncio constante, a ruiva acabou desabafando com o mais alto. Ele bem que tentou ajudar, mas de nada adiantou. O que deixou Sam bem frustrado. 

Outra coisa que incomodava Hayley era Castiel, o anjo estava constantemente no Bunker, e ficou sabendo através de Dean que isso não era comum vindo dele, o que significava que ele estava ali por causa dela, mas sempre que Hayley se aproximava, o anjo a olhava torto, fazendo a ruiva desistir de tentar iniciar algum tipo de conversa. E algo a dizia que tinha haver com o papo de “escolhida de Deus”. 

E para completar o pacote, Hayley estava entediada. Tudo bem que o bunker era um lugar interessante de se explorar, com milhares de livros para ler. Mas ficar presa naquele lugar por quatro dias estava deixando a mulher doida. 

— Eu estou entediada — Falou batendo as mãos sobre o tampo de madeira da mesa, desviando a atenção dos irmãos para ela. 

Sam coçou a cabeça e olhou para ela com solidariedade. 

— Ok — Disse Dean, feliz por ter um motivo para largar os livros — O que você quer fazer? 

— Sair — Prontamente respondeu — Eu não vejo a luz do sol a dias! — Reclamou cruzando os braços, ignorando totalmente o fato de estar parecendo uma criancinha mimada. 

— Não vai fazer mal ir dar uma voltinha — Concordou Sam, dando de ombros e voltando os olhos para o livro. 

Hayley o encarou indignada após seu cérebro processar aquela frase. Ela fez ela parecer um cachorrinho. Antes que ela pudesse retrucar, Dean falou: 

— Você vem? 

Sam negou com um aceno de mão, concentrado em seu livro. 

— Só me tragam algo para comer, por favor. 

xxx

Hayley deu uma olhadinha furtiva para Dean, que batucava os dedos no volante. Não se aguentando, ela perguntou: 

— Qual é a do anjo? 

Dean a olhou de relance, confuso. 

— Como assim? 

— Ele me olha torto toda vez que eu entro na sala! Parece até que eu, sei lá, matei a vó dele! — Exclamou indignada, fazendo Dean rir. 

— Olha, dá um tempo pro cara, tá legal? Ele passou muito tempo procurando por Deus, e essa busca não deu em nada, e de repente, surge uma garota que é porta voz do todo poderoso? — Ele falou, olhando para Hayley. — Ele só está frustrado. Se sentindo ignorado. 

— Isso não faz o menor sentindo! — Protestou a ruiva, mas logo em seguida deu de ombros — Se ele não quer falar comigo, tudo bem, mas pede para ele pelo menos parar de me olhar como se eu tivesse chutado o gato dele! — Reclamou. 

Dean somente riu, estacionando o carro em frente a lanchonete. 

Quando sentaram e fizeram seu pedido, um silêncio desconfortável reinou na mesa, fazendo Hayley olhar para ambos os lados, constrangida. 

— Posso fazer uma pergunta? — Questionou Dean e Hayley teve a ligeira impressão de que ele faria de qualquer modo. Isso se confirmou quando ele continuou sem esperar uma resposta: — Por que? 

— Por que o que? 

— Por que você veio com a gente? 

Hayley mordeu o lábio e olhou para as próprias mãos, sentindo o olhar penetrando do mais velho em si. 

— Eu não sei — Responde, dando de ombros — Eu só vi aqueles demônios e entrei. Vocês me pareceram a melhor alternativa para, sabe, não morrer — Falou, vendo a garçonete se aproximar com os dois hambúrgueres, uma cerveja e uma coca. 

O silêncio caiu novamente, mas dessa vez era um silêncio confortável, que era interrompido esporadicamente por Hayley, que comentava os atos atrozes de Dean a mesa, o mesmo nem respondia, só continuava comendo. 

Ela saiu da lanchonete rindo. 

— Vamos, a gente tem que passar no mercado antes — Falou Dean, olhando para os dois lados da rua antes de atravessar, com Hayley logo atrás. 

 

— Eu tenho certeza que o Sam não vai gostar do que a gente comprou — Comentou Hayley já no carro, observando as duas sacolas cheias de tudo que não era saudável. A ruiva já tinha percebido que os hábitos alimentares de Samuel não era nenhum pouco parecidos com o dela. 

Dean somente bufou. 

— Ele não vai se importar — Falou fazendo um gesto de descaso com a mão. 

A volta ao bunker foi rápida e silenciosa, Hayley estava encostada com a cabeça no vidro quando Dean a cutucou, a moça praticamente pulou de susto. Assim que notou que haviam chegado, ela suspirou e saiu do carro. 

Logo que entraram Hayley se deparou com um mal-humorado Castiel a encarando, já acostumada, ela pescou da sacola um saco de doritos e uma latinha de coca, indo para o lado de Sam. Que olhava a sacola do mercado com repreensão. 

— O que está fazendo? — Perguntou se sentando em frente a ele. 

— Pesquisando — Respondeu — Eu ainda não consegui descobrir o que um terço desses símbolos significam! — Reclamou, passando as mãos sobre os cabelos. 

Hayley encolheu os ombros, comendo um salgadinho. 

— Quer? — E estendeu o pacote para Sam, que o olhou durante um tempo e logo deu de ombros, pegando um punhado com a mão grande. — Mas conseguiu descobrir algo? — Questionou, voltando ao assunto. 

Sam se ajeitou na cadeira, esfregando as mãos para tirar os farelos presos nos dedos. 

— Sim. Aqui — E estendeu três folhas para Hayley. 

Ambas continham desenhos circulares no centro do papel, desenhados em lápis preto. O círculo na primeira folha era rodeado de triângulos invertidos, com o que Hayley achava ser números ao contrario ladeando os triângulos. 

As outras duas eram o mesmo desenho, mas com as ordens invertidas. Não dava para saber qual era o original. 

— Isso claramente faz parte de algum ritual, mas como são três desenhos com tudo invertido, não dá para saber qual é o certo, e nem para que serve — Começou Sam. — Com certeza é algo relacionado a anjos — Falou, apontando para certos símbolos na folha, que Hayley deduziu serem relacionado com os imbecis alados. — E outra coisa que eu estava pensando. Eu mostrei todos esses símbolos que eu não conhecia para o Cass, e vários deles, ele não conseguiu reconhecer. Então, se ele não sabe, temos duas alternativas, ou são velhos demais.... — Fez uma pausa, olhando para Hayley. 

— Ou novos demais — Murmurou a ruiva, vendo Sam acenar de modo afirmativo. 

— Isso esclarece muita coisa — Falou Dean se sentando ao lado de Sam.

Hayley e Sam o olharam confusos. 

— Se o todo poderoso —Disse com escarnio, e foi aí que Hayley percebeu que ela não era a única a não ter se acostumado facilmente com aquilo — Enviou esses símbolos, rituais, ou seja lá o que for isso pra a Hayley e nenhum de nós conhece, só a ruivinha pode nos dizer pra que serve tudo isso. 

— Mas eu não sei — Protestou ela de imediato, correndo os olhos por todos os desenhos sobre a mesa, como se de repente uma epifania fosse acontecer. 

Dean deu de ombros, como se aquilo realmente não o interessasse. 

— Uma hora ou outra você vai descobrir — Falou Castiel logo ao seu lado, fazendo Hayley pular de susto. 

Dean riu 

— É tão bom quando não é comigo — Alfinetou, dando um gole na cerveja, vendo o olhar potencialmente maligno de Hayley em direção a ele. 

Vendo Sam recolher os desenhos da mesa e Castiel sentar ao seu lado, Hayley estava prestes a questionar o que eles fariam agora, quando celular de Dean toca estridente na outra mesa. 

Suspirando, o caçador se levanta e pega o telefone, o colando entre a orelha e ombro enquanto caminhava em direção a cozinha. 

Minutos depois, ele volta, enfiando o celular no bolso. 

— Era Garth. Nós temos um caso. 

xxx

Columbus, Ohio. 

O vento gelado agredia o rosto de Hayley. Seus cabelos ruivos voavam ao redor de seu rosto, a muito já havia desistido de tentar arrumar a cabeleira que era bagunçada pela ventania. 

Hayley ainda tentava processar o fato de os Winchester terem realmente a trago, mesmo com ela afirmando que não seria de nenhuma utilidade e provavelmente acabaria matando todo mundo. Mas mesmo assim eles a trouxeram, ignorando totalmente as negações veementes de Castiel.  

Sam e Hayley iam calmamente em direção a entrada da faculdade — onde todos os quatro corpos foram encontrados —. Dean já tinha partido com o impala para o legista, somente para confirmar a suspeita do lobisomem. 

Quando estavam prestes a subir os quatro degraus para adentrar o prédio. Um grito alto e agudo cortou o silêncio que os rodeava. O grito era claramente feminino. E antes que Hayley percebesse, ela e Sam estavam correndo em direção ao grito. 

Ele vinha do lado esquerdo da faculdade, que era grande e ladeada por árvores verdes e as mais diversas flores. Após percorrem todo o extenso caminho correndo, o grito já havia parado, mas a garota que o dera estava chorando desesperadamente. 

Apressando a corrida, Hayley se aproxima da moça desesperada, tentando ignorar o corpo estirado no chão cheio de sangue. Se postando em frente a ele, tapando a visão sangrenta da garota que assim que notou Hayley em sua frente, se jogou nela, em segundos encharcando seu sobretudo de lagrimas salgadas. 

Tentando não se importar, a ruiva passou os braços ao redor da loira, que soluçava com o rosto enfiado em seus cabelos. Deslizando as mãos nas costas da moça, tentando transmitir algum tipo de conforto para a desesperada. Em poucos minutos os soluços foram diminuindo de intensidade e a garota se afastou, limpando o rosto com as costas das mãos. 

— Desculpe — Murmurou, chocada demais para se envergonhar. 

— Não tem problema — Garantiu Hayley, angulando os lábios em um sorriso mínimo. 

A garota moveu os olhos por cima dos ombros de Hayley, olhando para trás dela. Suspirando, a ruiva se virou, vendo Sam abaixado ao lado do corpo, seus cabelos cobriam a vista para o rosto. 

Era um homem, e isso era a única coisa que dava para reconhecer nele, já que tudo estava completamente ensanguentado e estraçalhado. 

Virando para a garota, Hayley colocou as mãos nos ombros dela. 

— Era meu professor — Murmurou ela seus olhos azuis brilhavam pelas lagrimas contidas com esforço. 

— Qual era o nome dele? — Indagou Hayley suavemente.  

— Jackson, Jackson Monroe — Falou tão baixo que Hayley teve que se esforçar para ouvir — Era meu professor favorito — Disse, a moça logo limpou as lágrimas que escaparam de seus olhos. — Por que isso está acontecendo comigo? — Questionou baixinho, sua voz quebradiça e fraca. 

— Olha... — Começou Hayley, olhando para a garota a sua frente, dando a deixa. 

— Samantha Young. 

— Olha Samantha, vá lá para frente e chame a polícia, ok? — Instruiu calmamente. Samantha concordou, afastando-se dela a passos rápidos. 

Ao longe, alguns alunos olhavam com curiosidade, com certeza haviam ouvido o grito de Samantha. 

Hesitante, Hayley se voltou para Sam, que continuava a olhar o corpo. Comprimindo os lábios, ela se aproxima. Ela foca seus olhos nele, evitando encarar o corpo. 

— É mais um deles, não é? — Questionou, respirando fundo, mas se arrependeu assim que o cheiro ferroso do sangue a assolou. 

— É — Confirmou se levantando — Sem o coração. Tá vendo aquilo? — Apontou para o rastro de sangue que parava em Jackson. Com o aceno de Hayley, o caçador prosseguiu: — O corpo foi arrastado até aqui. 

— Ele queria que o corpo fosse encontrado? — Palpitou Hayley, confusa. 

Sam anuiu. 

— Aparentemente. 

— O cara era professor daqui, Jackson Monroe — Informou a ruiva, seguindo Sam que andava olhando para o mato a seus pés, seguindo algo que Hayley não conseguia ver.

Vendo que seria inútil seguir ele, Hayley parou e cruzou os braços olhando atentamente Samuel andar até parar na borda da floresta que ficava a quilômetros de distância da faculdade. Ele se embrenhou por alguns minutos dentro, mas logo saiu. 

— As pegadas sumiram logo no começo da floresta. — Disse frustrado. 

— Mas por que essa faculdade? — Perguntou Hayley. 

Sam comprimiu os lábios, claramente frustrado por não ter uma resposta. 

— A gente vai descobrir — Falou, passando o braço por trás das costas de Hayley, incentivando ela a caminhar mais rápido. Parando perto da parede do prédio, de modo que poderiam olhar tanto para o corpo quanto para Samantha e os poucos estudantes ali. 

Ele deixou o braço cair e pegou o telefone. Ele rolou o dedo pelo teclado até achar o número do irmão. Colocando o celular no ouvido, Sam voltou seu olhar para Hayley, que encarava a garota loira do outro lado do jardim, ela estava com o rosto enterrado no peito de um garoto que a abraçava. 

Assim que Dean atendeu, Sam desatou a falar:

— Tem outro corpo aqui. 

— O que?!

Notando que Hayley o encarava com um olhar confuso, ele tirou o celular do ouvido e apertou o viva voz, olhando ao redor para ver se não estavam sendo observados. 

— Tem outro corpo aqui na faculdade, de um professor — Falou Sam, trocando o peso de uma perna para a outra. 

— Já to indo aí. Foi realmente um lobisomem, todos os quatro corpos estão sem coração. 

— O cara aqui também. E Dean, ele sabe o que está fazendo, o corpo foi arrastado para um ponto onde seria visto. E depois as pegadas somem na floresta. 

— Desgraçado! — Som de sirenes soam do outro lado da linha. — Chamaram a polícia? 

— A garota que encontrou o corpo chamou — Respondeu Hayley, se inclinando ligeiramente em direção ao telefone. Ela enfia as mãos no bolso do sobretudo, olhando ao redor, uma multidão começava a se formar próximos a eles.

O barulho das sirenes agora já era auditivo para eles, ecoavam ao longe, mas ficavam cada vez mais alto, no meio de todo o barulho era possível distinguir o som da ambulância. 

— Me encontrem no hotel — E a linha ficou muda. Suspirando Sam enfiou o celular dentro do terno, olhando para todos os lados antes de ele e Hayley sumirem no meio da multidão.

xxx

O dedo de Hayley estava fincado no botão do controle remoto, os canais passavam tão rápido que nem com a mais focada atenção conseguiria distinguir o que passava. Não que Hayley quisesse. 

Suspirando, ela subiu o dedo pintado de preto para o botão vermelho do controle, logo a tela a sua frente se apagou. Hayley jogou o controle ao seu lado, se levantando e indo em direção aos irmãos, que estavam sentados em uma mesa de madeira ao lado da porta, a janela sobre eles estavam fechadas por conta das cortinas que balançavam por causa do vento forte. 

Sam teclava no computador de modo frenético, aparentemente não saber de algo estava o frustrando. Já Dean estava em frente a ele, ao lado da porta, bebendo uma cerveja calmamente enquanto analisava alguns papeis. 

— Algo? — Questionou, olhando por cima do ombro de Dean. 

As folhas brancas eram o obituário das vítimas, mas eles já tinham descoberto que era realmente um lobisomem. Hayley revirou os olhos, notando que Dean estava somente olhando para as folhas, não fazendo algo útil. 

— Eu quero saber qual é a conexão entre essas vítimas — Falou Sam, empurrando o computador para longe dele, como se a máquina tivesse o ofendido. 

— Talvez não tenha — Sugeriu Dean, dando de ombros. 

— Eu sei que tem — Sussurrou Sam. 

— A gente tem que focar é no lobisomem. Essa pessoa sabe muito bem o que está fazendo, matando mais de um por noite! — Dean falou, largando a cerveja acabada. 

— A garota — Hayley disse de repente, antes que pudesse se segurar, a lembrança caiu em sua memória como uma bomba. Os caçadores a encararam, Dean ligeiramente confuso. 

— Que garota? — Falou o mais velho, franzindo as sobrancelhas. 

— Samantha Young. 

— O que que tem ela? — Perguntou Sam. 

— Quando eu tentava evitar que ela derramasse o oceano pacifico no meu casaco, eu ouvi ela falando “Por que isso está acontecendo comigo? ” — Esclareceu, gesticulando de modo espalhafatoso. O que não passou despercebido por Dean, que fez uma nota mental de zombar dela por isso depois. 

— Bem... — Começou Sam, dando de ombros olhando para o irmão — Já é algo, certo? Vou descobrir onde ela mora. 

Meia hora depois Hayley saiu do impala, se arrependendo amargamente de ter deixado seu casaco no hotel, o vento estava pior do que antes. Aquela jaqueta de couro não adiantava de nada. 

Sam se adiantou e bateu três vezes na porta de madeira escura. A casa era simples, sem jardim ou estatuas na porta, nem vazo de plantas ou algo parecido. A pintura era verde claro, que havia sido pintada recentemente deduzira Hayley, já que — apesar de fraco — tinha o leve cheiro de tinha no ar. O assoalho de madeira era limpo e lustroso, mas rangia abaixo dos pés dos caçadores. Os dois andares da casa ostentavam duas janelas em cada andar, todas adornadas de branco. O lugar era completamente limpo de um modo que apesar de ter falado com ela durante dez minutos, Hayley tinha noventa e nove por cento de certeza que Samantha tinha toc. 

Sam bateu novamente na porta e passos apresados pode ser ouvido do outro lado. Samantha abriu a porta de modo brusco. Com os lábios em uma fina linha e as sobrancelhas franzidas. Seus cabelos loiros estavam presos em um coque prestes a se desfazer, preso somente por uma caneta. 

— Ah, quem são vocês? — Questiona, olhando para Hayley e Sam, ignorando completamente Dean. 

— Somos agentes do FBI — Respondeu Sam, puxando o distintivo do bolso do terno, Dean fez o mesmo logo em seguida. E Hayley rezou para uma força maior fazer Samantha não querer ver seu distintivo inexistente. 

Aparentemente a força maior gostava da ruiva, pois Samantha suspirou e deu espaço para eles passarem. Quando entrou Hayley constatou que sua aposta no toc estava correta, já que a casa era tão limpa que não se via um grão de poeira nos moveis. 

A escada pela qual Samantha havia decido estava à direita da porta, o chão era da mesma madeira do que o lado de fora. A pintura da casa inteira era branca de um modo enjoativo e fazia Hayley lembrar de um hospital. 

Sacudindo a cabeça ela apresa o passo e ouve Dean fechando a porta atrás de si. 

— Podemos fazer algumas perguntas? — Questiona Dean, passando por Hayley. A mesma somente se encosta no batente que separava a porta e a escada da sala, preferindo observar, temendo atrapalhar. 

Samantha suspira, dando de ombros. 

— Claro, vão em frente. 

— Poderia me dizer se conhece Clark Morris, Jessica Frey, Dylan O’niel e Michael Summers? — Pergunta Dean. 

Hayley vê o lábio inferior de Samantha tremer e seus olhos se encherem de lágrimas, a loira respira fundo e abaixa a cabeça. Ela acena de modo afirmativo vigorosamente, e Hayley sabe que se ela abrir a boca iria chorar copiosamente. 

— Qual sua conexão com eles, Samantha? — Sam pergunta calmamente, com a voz mansa e acolhedora logo após a loira se recompor. 

— Eles eram meus amigos — Responde com a voz embargada, uma lágrima escorreu pelo canto de seu rosto. 

De canto de olho Hayley vê Dean se mexer, incomodado. 

— Você conhece alguém que poderia querer te ferir? — Questiona Sam. 

Samantha olha para eles, confusa. 

— Ferir? — Pergunta com a voz fraca. 

— É, um ex-namorado, algo do tipo — Fala Dean, gesticulando com as mãos. 

Ver Dean de terno era algo estranho para Hayley, que havia visto durante quase uma semana inteira o loiro de flanela e xadrez. Ele em uma roupa formal era no mínimo estranho. Sacudindo a cabeça, a ruiva volta sua atenção ao interrogatório. 

— Bem, eu terminei um namoro a uns dias atrás. David não ficou muito feliz e tem me feito algumas ameaças, mas eu sei que ele nunca faria isso — Ela riu incrédula. — Eu conheço David desde a minha infância, eu sei que as ameaças são completamente vazias. — Falou decidida. 

— Um endereço? — Dean pergunta. 

— Ele não faria... — Murmura ela, olhando para ele. 

— É só para conferir — Interfere Sam, sorrindo para Samantha. 

A loira suspira e balança a cabeça, ela indica o endereço próximo da faculdade, mas ligeiramente distante da casa dela. 

Se aproximando de Hayley, Dean se inclina para a ruiva. 

— Eu e Sam vamos conferir o cara, mas por via das dúvidas, você fica com ela. 

Hayley o olha incrédula. 

— Como é? — Fala, sua voz saindo mais fina e aguda do que gostaria. 

— Apesar de achar que o cara não vai fazer nada com ela, é melhor prevenir do que remediar. Você fica! — Falou decidido. 

— Mas é um lobisomem! — Exclama, a voz saindo aguda e com uma pontada de desespero. 

Bufando, Dean a puxa para perto da porta pelo braço. Se desvencilhando do aperto, Hayley o olha friamente. 

— Isso é meio vergonhoso de admitir, mas eu praticamente me debulho em lágrimas por uma unha quebrada! O que você acha que eu vou poder fazer caso um lobisomem apareça aqui? 

Dean leva a mão as costas e estende algo para Hayley. A mesma olha para baixo. 

— Você atira. 

A arma prateada pendia em suas mãos e Hayley a afastou, negando veemente com a cabeça. 

— Eu não sei usar isso. 

— É só mirar e puxar o gatilho — Falou ele, com a voz surpreendentemente gentil. Dean colocou a arma em suas mãos e ela sentiu o metal gelado fazer um arrepiou subir por seu braço. — Não vai acontecer nada — Garantiu. 

Hayley suspirou, passando a arma de mão para mão, tentando se acostumar com a sensação pesada em suas mãos finas e delicadas. 

Dean assim que colocou a arma nas mãos de Hayley, automaticamente quis pegar de volta, não por ser sua arma, mas por ver que aquelas mãos não haviam sido feitas para manusear aquilo. Aquelas não eram mãos para segurar uma arma, eram mãos finas e delicadas, feitas para tocar piano e desenhar; não para empunhar armas. Ele travou um suspiro na garganta, lembrando do porque não querer que Hayley viesse com eles. 

— Vamos? — Sam parou ao lado de Hayley, vendo a mesma enfiar a arma na parte de trás da calça, sabendo que ela estava somente copiando um dos movimentos que virá Dean fazer. — Aqui — Falou, tirando o celular do bolso e entregando para Hayley. — Liga para o número do Dean se qualquer coisa acontecer.  

Hayley apertou o celular entre os dedos, sentindo seu coração bater dolorosamente no peito e um frio na barriga se intensificar. 

 

 

— Quer comer alguma coisa? — Perguntou Samantha da cozinha. 

Hayley deu de ombros, colocando o celular no bolso de trás da calça, indo em direção a loira. A cozinha era tão limpa quanto o resto da casa e por entre as persianas claras sobre a pia, dava para notar que o dia estava escurecendo. 

Se sentando no banquinho giratório atrás do balcão. Hayley apoiou o braço na bancada e a cabeça na mão, respirando fundo. 

— Faz faculdade do que? — Perguntou Hayley após Samantha colocar um prato com um hambúrguer a sua frente. 

— Medicina — Respondeu, dando uma mordida no próprio sanduiche. 

— Hum — Hayley limpou a boca com um guardanapo e sorriu para a loira — Eu também fazia — Disse momentos depois, sorrindo ligeiramente nostálgica. 

— Serio? — Falou animada, largando o hambúrguer — Está em que ano? 

Hayley riu.

— Não. Eu... tranquei a faculdade. — Informou Hayley, abrindo um sorriso amarelo, já que aquela era uma verdade parcial, ela trancou a faculdade, na teoria. — Mas eu estava a alguns semestres de formar. 

Samantha sacudiu a cabeça. 

— Eu nem imagino. Todo um esforço jogado fora. 

Hayley suspirou, mastigando o ultimo pedaço de seu hambúrguer. 

— Nem me fale. — Murmurou, soltando um suspiro. 

Um silencio confortável se instalou entre elas, logo a loira pegou os pratos e os levou para a pia para lavar. Em menos de cinco minutos a cozinha já estava limpa e arrumada. 

Hayley admitiu que aquilo era impressionante, sua casa apesar de ser arrumada não chegava aos pés daquela, principalmente seu quarto, que era um verdadeiro caos. 

— Já assistiu Doctor Who? — Perguntou Samantha de repente, pendurando o pano que usava para secar as mãos ao lado da geladeira. 

— Tá brincando? Já vi todas as temporadas — Fala Hayley abrindo um sorriso gigante. 

— Ótimo, vamos maratonar enquanto seus parceiros não voltam. 

O sorriso de Hayley morreu enquanto subia a escada para o quarto de Samantha, ela sentiu o metal gelado da arma encostar em suas costas, a lembrando que ela não estava ali para se divertir. Suspirando, ela coloca um sorriso no rosto e entra no quarto da universitária. 

O lugar era amplo e arejado, as cores predominantes eram branco e dourado e lembrava firmemente Hayley do quarto de uma boneca. 

A TV estava em frente a cama, que era coberta por um cobertor branco e fofo. Se movendo pelo lugar, Hayley vai direito para a cabeceira da cama enquanto Samantha entrava na Netflix. 

Um porta-retratos em especial chamou a atenção da ruiva. Com as bordas douradas, a foto no centro foi tirada claramente na faculdade, com o prédio ao fundo e dois jovens nela, um garoto abraçava Samantha e a olhava carinhosamente enquanto a mesma tinha os olhos focados na câmera. 

— Esse aqui é o David? — Perguntou apontando para o homem na foto. 

Samantha olhou para trás e negou com a cabeça. 

— Essa aí é o Scott, um... amigo meu — Disse dando de ombros, mas sua fala era ligeiramente hesitante. 

— Não parece que ele é seu amigo — Hayley falou após um tempo, olhando para a foto atentamente. 

— Por que? — Perguntou a loira, largando o controle sobre a cama e se virando para encara-la. Atrás dela a netflix carregava. 

— Ele não olha como se fosse — Respondeu, ainda olhando para a foto. 

Samantha suspirou. 

— É, eu sei — Murmurou. 

— Melhor amigo que se apaixonou pela melhor amiga? 

Ela concordou, se rastejando pela cama até atingir a cabeceira. 

Hayley colocou o porta-retratos de volta no lugar, se sentando ao lado de Samantha, deixando os pés para fora da cama. Voltando sua atenção para Matt Smith a sua frente. 

Após dois episódios seguidos, Samantha começou a falar:

— Quando ele se declarou, fez a coisa mais romântica que eu já vi, velas e flores, mas eu não gostava dele daquele jeito. Eu estava com David na época, não podia fazer aquilo com ele, sabe? — Falou, suspirando logo em seguida. 

Ela se sentia culpa por aquilo, percebeu Hayley, e, suspirando, falou: 

— Não é sua culpa ele se apaixonar por você — Disse — E é bem melhor você ser sincera do que engar ele. — Afirmou, com os olhos ainda colados na TV. Era bem esquisito conversar sobre aquilo com uma garota que havia acabado de conhecer. Mas bem, era sempre mais fácil falar da sua vida para alguém que você não conhecia. 

— Eu sei, mas a cara dele quando eu neguei o pedido de namoro, ele ficou devastado. Eu bem que tento falar com ele, mas ele raramente atende. Só vejo ele na faculdade e olhe lá. — Falou suspirando e balançando a cabeça. — Convenci ele a vir aqui hoje à noite, para conversar. 

Hayley mordeu o lábio enquanto olhava fixamente para TV, mas sem realmente vê-la. 

— A quando tempo isso aconteceu? — Indagou, tirando os olhos da TV para encarar Samantha. 

— Semana passada, porque? 

— Nada — Respondeu prontamente, mas a loira já tinha pegado sua linha de pensamento. 

— Acha que ele poderia ter feito isso? — Questionou chocada, a boca aberta e os olhos arregalados. 

— Não sei, me diga você — Fala a olhando atentamente. 

— Não — Fala, mas sua resposta soou hesitante. 

Hayley arqueia a sobrancelha. 

— Olha... — Ela diz, seu olhar distante — Eu conheço Scott desde minha infância, e ele sempre teve uns ataques de raiva aleatórios, mas matar alguém? — Fala incrédula — Ele não faria isso. 

— Entre David e Scott, quem você acha mais provável cometer um assassinato? — Pergunta se levantando e tirando o celular do bolso, já procurando o número de Dean. 

— Que tipo de pergunta é essa? 

— A do tipo que você vai responder! — Retruca colocando o celular no ouvido. 

— Scott — Murmura. 

Assim que Dean atende Hayley sai do quarto, pressionando o celular com mais força no ouvido, sentindo o coração disparar no peito, de novo. 

— Eu acho que o lobisomem não é o David — Sussurra. 

— E não é mesmo, o cara tá morto.

— O que? — Exclama. Voltando para o quarto, ela vê por entre as cortinas, que já havia anoitecido e a lua cheia despontava alta no céu. — Tá de brincadeira. 

— Não, mortinho, estraçalhado e tudo. 

Voltando para o corredor ela ouve a campainha no andar de baixo tocar e Samantha descer as escadas para atender. 

— Eu acho que o cara é o amigo da Samantha — Murmura. 

— Que amigo? 

— Um tal de Scott. O cara é apaixonado por ela. E aparentemente é do tipo: Se eu não posso ter você, ninguém mais pode. 

— Incrível! Ela falou onde ele mora? 

— Ela..... — Hayley arregalou os olhos, tirando o celular do ouvido. 

A casa estava completamente silenciosa, nada além de sua respiração. 

— Ela falou que ele viria aqui hoje — Murmurou com a voz fraca. 

Engolindo a seco, Hayley anda em direção a escada, ignorando completamente o que Dean falava do outro lado da linha. Quando chegou no topo da escadaria, conseguiu ver que a porta estava aberta, mas não havia ninguém ali. 

— Samantha? 

Nada, somente o silêncio. 

— Samantha? 

Silencio absoluto. 

Ela respira fundo, sentindo seu coração bater dolorosamente no peito e seu corpo começar a pesar. Terminando de descer as escadas, dá visão que tinha, estava tudo vazio. 

Um vento gelado vinha da porta e batia diretamente em suas costas, fazendo seu corpo se arrepiar por completo. Ela apertava o celular de Sam em sua mão, sabendo que Dean a estava chamando do outro lado da linha. 

O corpo de Samantha estava jogado e imóvel em frente ao sofá, quando ia em direção a ela, Hayley prende a respiração na garganta quando sente uma movimentação atrás de si, mas antes que possa pensar em algo, tudo ficou preto. 

xxx

Hayley

Hayley

Hayley

A primeira coisa que conseguiu processar foi dor, muita dor. Sua cabeça doía por dentro e por fora, latejando dolorosamente. Ela gemeu baixinho, sentindo seu corpo ser erguido e seu nome ser repetido diversas vezes. 

Abrindo os olhos lentamente a luz da lâmpada machucou seus olhos, a fazendo os fechar novamente. 

— O que aconteceu? — Murmurou com a voz fraca e rouca, gemendo novamente por conta da dor. Abrindo completamente os olhos, ela se depara com Dean a sua frente, a segurando, a mantendo sentada. 

Lentamente, ele a ergue. Quando ela consegue estabilidade o caçador à solta. 

— O que aconteceu? — Repete, olhando ao redor. Se arrependendo imediatamente. 

O corpo de Samantha estava estirado no chão, rodeado de sangue, notoriamente morta. Ao seu lado Scott estava com os olhos arregalados e o peito ainda jorrando sangue.

Hayley respira fundo, sentindo seus olhos encherem de lagrimas e seu peito apertar. Mesmo com o choque, ela nota que a arma que Dean havia lhe dado não estava mais com ela. 

— A sua arma... — Murmura, segurando as lágrimas. 

— Ele tirou de você — Respondeu, balançando o objeto na mão. 

— O que aconteceu? — Repede novamente, olhando para baixo. 

Sam hesita antes de responder: 

— A gente chegou quando ele estava prestes a matar você, não teve muito que a gente pudesse fazer.

Ela sacode a cabeça, comprimindo os lábios, indo em direção a porta. Vendo Sam abrir espaço para ela passar. Hayley sentia como se seu coração estivesse sendo esmago e torcido, as lágrimas dançavam na beirada de seus olhos, prestes a cair. 

A noite estava em seu auge. A lua estava alta no céu, brilhante e redonda, o vento estava forte e implacável como quando eles chegaram, suspirando, Hayley piscou freneticamente, tentando em vão fazer as lágrimas desaparecerem. Ela ignora o chamado fraco de Sam e entra no impala, fechando a porta com força. 

Hayley encosta a cabeça no vidro, fechando os olhos com força, desejando mais que tudo no mundo que aquilo fosse um pesadelo.  



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