História Bloodrose - Capítulo 2


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Categorias Originais
Tags Confronto, Guerra, Luta, Magia, Ocultismo, Original, Romance, Saga, Vampiros
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Palavras 2.220
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Super Power, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - A Guerra das Rosas Parte 2


1840 d.C.

Dois dias após a chegada de César

 

 Uma estranha sensação tomou conta do corpo de Jonathan. Naquele momento, sentiu o chão desaparecer diante de seus pés, e a dura madeira do parapeito quebrando conta suas costelas, enquanto seu corpo voava, livre, impulsionado por uma força estranha. Sua mente demorou a assimilar a situação – demorou demais. A adrenalina inundava seu sangue enquanto seu corpo desgovernado caía em direção ao chão do grande hall da mansão. Sua cabeça rapidamente encontrou o chão frio, num impacto violento. Não houve dor, não houve sensação. Sua consciência se esvaeceu junto com o sonoro barulho de seu pescoço quebrando, sob o peso do próprio corpo acelerado pela força gravitacional. Pedaços de madeira choviam ao seu lado, completando a tragédia.

 Finalmente, sem qualquer controle de equilíbrio, o corpo do recém falecido tombou. Pressionando-se contra o chão, caindo em cima do relógio que guardava no bolso. O relógio prateado, o último presente de seu pai, que acabara de receber. A pressão ativou o único botão, no topo do aparato. Assim, o relógio que até então contava no sentido anti-horário, passou a tomar o sentido convencional.

 Tec.

Tec.

 Como num milagre, sua consciência retornou, com seu pescoço se concertando. Os pedaços soltos da madeira começaram a voar de volta ao parapeito. Ainda nada sentia, e sua mente rodopiava por um turbilhão de informações que agora destruíam tudo aquilo que entendia do mundo.

 Tec.

Tec.

 Seu corpo flutuou até o ponto anterior. Jonathan apenas fazia assistir aquela dança do tempo ao seu redor. Sua atenção, no entanto, só fora cortada pela clara expressão na face de seu irmão caçula. César, parado, assistindo, ainda completamente ignorante do que acontecia, como apenas outro dançarino naquela peça, demonstrava uma expressão de horror, raiva e loucura. Os olhos arregalados e aterrorizados contrastavam com um sorriso sádico e vitorioso.

 Tec. Tec. Tec. Tec. Tec. Tec.

 Quando décimo Segundo se passou, a cena havia sido recomposta. O futuro havia desaparecido, e ali ele estava, incapaz de explicar o que havia vivido, dez segundos antes de sua morte. Girou a cabeça rapidamente, procurando o irmão – aquela seria sua prova final, seu atestado de sanidade. E assim se fez. Logo na porta, a figura antes despercebida, estava parada, trêmula, com um relógio similar, porém dourado, em mãos.

 Os olhos de César se ergueram assustados, pego de surpresa pela ciência de seu irmão.

 - César... você... você tentou me...

 César engoliu sua saliva, suas mãos pararam de tremer. Naquele momento ele soube: ele havia feito.

 - Então você está com o relógio? O relógio do nosso pai? Você viu o que aconteceu, e voltou? – uma pausa silenciosa caiu sobre os dois, enquanto Jonathan tentava digerir aquela informação – RESPONDA, JONATHAN!

 

1835 d.C.

 

  - Jonathan, você está bem? Seu irmão louco te fez alguma coisa? – a garota perguntava afobada, junto as amigas, cercando o jovem – Ficamos sabendo o que aconteceu na Catedral ontem! Aquele maluco!

 Sua expressão caiu de um sorriso inocente para um olhar sério e poderoso. Uma face de Jonathan que poucos viam. Imponente como um rei, frio como um cavaleiro, autoritário como um general.

 - O que ouviram é mentira. Meu irmão apenas agiu com seu coração. E qualquer um que desrespeite isso, pode vir tratar comigo!

 As garotas deram um passo para trás, surpresas com a situação. Desconfortáveis, abriram caminho para ele passar, que o fez sem cerimônia. Em casa, o sol já havia desaparecido enquanto a família jantava. Jonathan sentava ao lado direito do pai, César ao lado esquerdo. O silêncio dos talheres batendo na porcelana era como uma tortura. Se isso já não bastasse, Jonathan ainda era obrigado a sentar de frente com seu irmão, que comia vagarosamente, de cabeça baixa, encoberto por uma sombra densa. Seu pai, Arlton, fazia o possível para não passar os olhos sobre o filho indesejado, e naquela situação, também pouco fazia para o outro.

 César terminou seu prato, se levantou e saiu. Enquanto ele caminhava para a saída da sala de jantar, Jonathan sentia um peso crescer em seu peito. Como podia ele falar sobre honrar sua família, quando o próprio havia contribuído para a desgraça do próprio irmão? Quando as sombras encobriam o ultimo traço da face de César, desaparecendo entre as grandes portas de madeira, uma velha memória veio à cabeça de Jonathan.

 Anos atrás, quando estava com seus doze anos, brincando com seu irmão. Uma época em que a inocência não havia sido arrancada do coração do caçula, uma época em que, apesar dos olhares e dos maldizeres, César sabia sorrir. Naquela noite chuvosa, eles duelavam com vassouras no grande hall, fingindo ser os grandes cavaleiros dos seus livros. O brandir do cabo de madeira urrava com os trovões e ventanias, e as falas inspiradoras dos heróis eram entonadas pela chuva. Entretanto, naquela noite, um som estranho encerrou a brincadeira. Um uivo, triste e fraco, foi ouvido entre os pingos. Por curiosidade, os garotos meteram as caras numa das grandes janelas, e entre os relâmpagos, avistaram a sombra de um cachorro deitado na grama, sendo alvejado pela chuva intensa. “Jona, precisamos ajuda-lo!”, César imediatamente constatou. O irmão, mais velho e já preso as regras e costumes, ressaltou “Papai disse para não sairmos, e vamos sujar nossas roupas”. César, corajoso, virou-se contra o irmão “Cavaleiros honrosos não se importam com roupas, se for para salvar alguém em perigo!”. E como um vendaval, correu para a porta, abriu-a brandindo seu cabo de vassoura, e correu pelo gramado. Jonathan ficou parado, abobado, assistindo a coragem do irmão. “Cavaleiros honrados?”... Aquelas palavras o tocaram. Naquele momento, César havia provado que as histórias não eram apenas faz de conta. Eles podiam ser aqueles cavaleiros. Eles podiam honrar sua família. Eles podiam ser justos e generosos, amados por todos, defensores da paz, protetores dos fracos e exterminadores do mal.

 Suas memórias foram interrompidas por Lord Arlton que, agora sem a presença do outro, desejava falar:

 - Vou manda-lo para a capital o quanto antes. Não quero esse desgraçado afundando nosso nome, especialmente o seu. Com sorte ele morrerá num beco e será esquecido.

 Jonathan olhou para seu pai. Não podia crer naquelas palavras. Como ele podia falar assim do próprio filho? Todas as células de seu corpo gritavam por uma atitude.  Sua vontade era esmurrar a mesa e confrontar seu pai. “Onde já se viu, tratar seu filho assim?! Você nem foi falar com ele depois dele perder a pessoa mais importante! E pior, você causou tudo isso! E ao invés de se desculpar, quer culpar ele?!”. Entretanto, se segurou. Um dilema bloqueava seus músculos: se devo honrar minha família e o nome de meu pai, e devo enfrentar todo o mal e ser justo, o que faço quando meu pai e minha família são o mal?

 Silenciosamente, ele acenou com a cabeça, e continuou a comer. Por fora, continuava sério, comportado. Por dentro, sua mente explodia em confusão, e seu coração pesava com a culpa. Como um sistema perfeito que falhava e não sabia lidar com o defeito, sua mente e seu corpo eram rasgados num turbilhão de pensamentos. No dia da despedida, Jonathan não conseguiu olhar seu próprio irmão nos olhos. A escuridão que o contornava ofuscava seus olhos. E, do outro lado, César escondia sua gratidão: seus olhos já não aguentavam mais a luz divina que rondava seu irmão.

 

1836 d.C

 

 Jonathan galopava ferozmente. O vento empurrava seus cabelos negros, enquanto gritava para a montaria acelerar. No escuro da noite, um grande clarão chamava atenção de todos. A fumaça subia aos céus até desaparecer no azul escuro do céu. Camponeses e outros corriam de lá e para lá, com notícias, ajuda ou pedidos de socorro. Ao fim da estrada, a mansão Castforward queimava como um Sol noturno. Serviçais saiam das chamas, tossindo. Outros, saiam em chamas, gritando por socorro antes de encontrarem seu fim.

 Os homens carregavam grandes bacias de água, e as mulheres buscavam ajudar os enfermos. As labaredas se alastravam e cresciam, enquanto as pessoas pareciam encolher diante tal visão do inferno.

 Jonathan desceu do seu cavalo, correndo para as linhas de frente. Imediatamente fora recebido com sorrisos e olhares de preocupação.

 - S-senhor Jonathan!

 - Estava voltando de uma caça, o que aconteceu? – ele dizia, imponente, como quem havia aparecido para solucionar o problema.

 Sua presença aparecia dar coragem a todos. Se Jonathan Bloodrose estava com eles, do que deveriam ter medo? Sua liderança era nata. Sem qualquer tom de dúvida, ele ouviu ab breve explicação do serviçal que tentava salvar a mansão de seu patrão.

 - Senhor, sabe se há mais alguém dentro da mansão? – Jonathan colocava a mão sobre o ombro do homem.

 - A-a família, senhor Jonathan! Os senhores Castforward ainda estão lá presos!

 Aquelas palavras eram o suficiente. Com passos largos e certos, Jonathan caminhou até a bacia mais próxima, retirando sua camisa. Sua mente estava em paz, nenhum pensamento a fugia. Ele estava fazendo o certo. Ele devia salvar aquelas pessoas em perigo. Nada podia impedi-lo. Este era seu dever. Isto era o certo.

 Num movimento rápido, se banhou na água da bacia e correu para dentro da casa. Gritos o seguiram, alertando-o do perigo:

 - SENHOR JONATHAN! NÃO FAÇA ISSO! É SUICIDIO!

 Jonathan caminhou pelo hall de entrada e começou a verificar os diversos corredores e quartos. O fogo havia se espalhado. O calor era imenso. Ele estava adentrando as portas do inferno na terra. O calor rapidamente evaporou a fina camada de água, e começou a cozinhar seu corpo na própria gordura e sangue. Seus olhos lacrimejavam, e tossia com a fumaça. Ainda, inabalado, continuava sua busca justa. Sua mente estava certa, não haviam dilemas, ele sabia que fazer, e era isso o que importava.

 Rompendo a fechadura de um dos quartos mais distantes no labirinto de corredores da mansão, a figura de Henry se levantava em meio a fumaça. Trêmulo, fraco, como quem já havia desistido. O fraco lorde olhou para a proeminente pose de Jonathan, reluzente e contrastante, envolto pelas chamas, e ainda assim, brilhando mais que elas, como um sinal de esperança.

 - J-Jonathan! V-você... aqui? – o lorde cambaleava em direção ao seu farol de esperança.

 Jonathan agarrou-o em seus fortes braços. Acolhendo o homem.

 - Lorde Henry, sua família, onde estão? Eles estão aqui?

 - N-no quarto, no fim do corredor...

  Jonathan olhou para aquele homem que desfalecia em seus braços. E, nesse momento, em meio às chamas e a fumaça, ele se lembrou de seu irmão. “Mas Henry... Não causou o mal do meu irmão?”. Um turbilhão de pensamentos tampou sua visão. Era justo salvar alguém mal? Deveria ele proteger os fracos, mesmo quando os fracos eram vis? Deveria ele proteger os fracos, mesmo quando os fracos eram vis? Deveria ele proteger os fracos, mesmo quando os fracos eram vis? Deveria ele proteger os fracos, mesmo quando os fracos eram vis? Deveria ele proteger os fracos, mesmo quando os fracos eram vis?

- Lorde Henry, deve alguém honrado salvar alguém vil?

A pergunta ecoou pelo cômodo, enquanto destroços começavam a cair aos seus lados. Henry apenas olhava mudo, fraco, incapaz de responder, caído sobre os braços dele. Jonathan olhava-o de cima, como um anjo que trazia justiça. Como um juiz. Como um ser superior, capaz de julgá-lo ali por todos seus pecados.

 - Lorde Henry, eu acredito que não. O dever de um homem honrado é proteger os fracos e exterminar o mal. Não importa se o mal é fraco ou não, ele deve ser erradicado.

 Com essas palavras, o turbilhão de pensamentos cessou. A resposta agora era clara para Jonathan. Novamente, sua resolução era firma como pedra, e mais uma vez, ele sabia o que fazer. Sem qualquer sensação de culpa, uma joelhada no estomago de Henry o fez minguar. Então, erguendo-o, Jonathan carregou o homem até o fogo e ali o atirou, fazendo o sinal da cruz e finalizando:

 - Que sua alma encontre perdão, Henry, por todo o mal que causou.

 Dando as costas para o defunto sendo consumido pelas labaredas, o homem caminhou até o quarto seguinte, onde encontrou o restante da família Castforward, junto de outros serviçais. Com seus últimos sinais de força, Jonathan guiou-os para fora da mansão em chamas, garantindo a segurança de todos.

 Aquela noite foi contada com louvor e com tristeza: uns falavam sobre a perda de um grande homem, Lord Henry Castforward. Outros, por sua vez, cantavam sobre o grande feito de coragem de Jonathan. Camponeses começavam a associar sua imagem com as dos anjos, dizendo que o jovem havia sido enviado dos céus. Entretanto, unânimes, todos sabiam que Henry havia sucumbido antes que o corajoso salvador pudesse socorre-lo.

 

1840 d.C

Chegada de César

 

  César desceu da carruagem, carregando sua única bagagem de mão. Jonathan correu para receber o irmão. Anos sem vê-lo, tão amadurecido, a saudade fazia-o tolerar a culpa que sentia ao seu redor. Com o pré-luto de seu pai, e os sentimentos de anos atrás sendo resgatados, ele precisava se conter para não chorar. Em sua face, a clara expressão da depressão que tomava conta de seu corpo contrastava com a luz que o guiava e cercava.

 - Irmão, é bom vê-lo de novo. – ele disse, agarrando seu caçula.

 - Digo o mesmo. – respondeu César, levemente pondo um braço ao redor do irmão, ainda borbulhando no rancor do passado.



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