História Bloodthirsty Ball - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Lay, Sehun, Suho, Xiumin
Tags Baekyeol, Chanbaek, Exo, Halloween, Satanism, Sekai, Terror, Violencia, Xiuhun
Visualizações 114
Palavras 5.511
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Intersexualidade (G!P), Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Quero dedicar essa 1s (que demorei uma vida pra fazer) à minha futura esposa (Nathe), meu xuxuzinho (Ingrid) e meu anjinho (Dri).
Aos leitores de Red Slayer: a fic não está abandonada, ok? Tenho planos para ela ainda!
Ah, a história não foi betada ainda, então desculpem por quaisquer erros. Boa leitura.

Capítulo 1 - Doces ou travessuras?


31 de Outubro, 2016

Los Angeles, CA

  O evento comemorativo mais aguardado pelos estadunidenses ocorreria nesta noite, e a maioria da população havia comprado sua fantasia antecipadamente. Eles costumam arranjá-las dias antes para escolher as melhores vestimentas. Chanyeol e Baekhyun, leigos da cultura norte-americana, adiaram a procura às roupas porque não tinham ideia do comprometimento nacional que os Estados Unidos têm com suas festas. Ao chegarem, na manhã de Halloween, para obterem as fantasias, depararam-se com um estoque quase vazio. O pesadelo do dia começaria na falta de opções interessantes e assustadoras (estas costumam ser esgotadas na primeira venda).

  Os funcionários deram quatro alternativas para eles: pijama, Coringa, Arlequina ou vampiro. Eram as fantasias que, ou chegavam aos montes, ou ninguém atrevia-se a usar mais. Baekhyun agarrou-se aos pijamas felpudos, porque não gostava desses vilões e havia ido de vampiro no ano passado. Au contraire, Chanyeol preferiu manter a linha clichê que não falhava: Coringa. Dois mil e dezesseis seria um péssimo ano para exibir fantasias. Eles teriam que utilizar da criatividade e transformar essas características batidas em algo extraordinário.

  Era comum empregados proibirem jovens adolescentes de entrarem juntos nos provadores, mas eles não tiveram problemas com isso. Chanyeol desconfiou que os funcionários pensassem que ambos eram amigos pelos hábitos coreanos de não tocarem-se ou terem vergonha de demonstrar sentimentos em público. Menos mal, pois poderia dar palpites sobre a fantasia tosca que Baekhyun escolheu. E foi isto que Chanyeol fizera quando eles vestiram-se (nenhuma conotação sexual neste momento) e analisaram o espelho gigantesco.

‘‘Por que não tenta uma fantasia mais creepy?’’, sugeriu Chanyeol, ajeitando a gola de sua camisa enquanto observava de soslaio Baekhyun. ‘‘Pijamas não foram feitos para o Halloween.’’

  A festa eram desprovida de regras que limitassem o poder ‘‘expressar-se’’ na véspera do dia de todos os santos. A única norma obrigatória era: estar à caráter. E Baekhyun estava fantasiado, de certo modo, porque não utilizaria este tipo de vestimenta para dormir, se ele usasse uma. Entretanto, o mais velho havia gostado das colorações azuladas do pijama mesclando com o acessório róseo; a máscara, posta como tiara e que lembrava um coelho com orelhas rosadas. A vestimenta trazia uma sensação de que Baekhyun poderia deitar-se e dormir em qualquer lugar. Era necessário apenas posicionar o travesseiro no chão e cobrir-se com a coberta minúscula que acompanhava a fantasia. E, para melhorar, o tecido tinha um conforto enorme de deixar Baek sonolento. Era a escolha perfeita para os dorminhocos, e que no caso fazia jus a ele.

  Baekhyun encarava-se no espelho, refletindo sem entender como Chanyeol ainda não havia agarrado-o ali mesmo no provador. Ele conseguiu ficar incrivelmente irresistível com um pijama quase infantil. Era uma habilidade de poucos.

  Os clientes estavam em extinção nesta manhã, a loja parecia um deserto com hits americanos tocando de fundo. Os poucos funcionários que existiam perambulavam pelo estoque buscando fantasias mais interessantes para Baekhyun e Chanyeol, enquanto a caixa deslizava os dedos pelo ecrã do celular, concentrada. Ambos garotos estavam em uma parte da loja que, caso decidissem fazer algo nos provadores, não seriam vistos pelos empregados.  Ambos cogitaram a ideia por alguns milésimos de segundos, até avistarem uma câmera apontada para eles. Invasão de privacidade? Provavelmente, mas em Washington (DC) tinha filmadoras dentro dos quartos de hotéis. Espaço pessoal não seria um luxo que teriam aqui, portanto, melhor era manter a classificação livre.

  Chanyeol analisou-se no espelho tentando encontrar o que faltava para completar a fantasia. Estava com o paletó bege, arma, gravata e calças pretas. Mas o Coringa era maluco e de insanidade Channie não transmitia nada. Havia duas características importantes do personagem que ele deixou passar: a maquiagem extravagante e o cabelo esverdeado. Seria mais um contratempo porque Chanyeol não sabia como conseguiria fazer uma pintura facial sozinho.

  ‘‘Acha que consegue fazer a maquiagem do Coringa?’’, perguntou ele, passando os dedos pelos fios de cabelo escuros.   

  ‘‘E tem algo que eu não consiga fazer?’’, respondeu Baekhyun, exibindo seu sorriso infantil.

  Chanyeol afirmaria em silêncio que Baekkie estava correto e não havia criatura mais sublime, só pensava isso por uma questão instintiva dos hormônios; ele era apaixonado. Há somente um artifício que retira mais os sentidos racionais que o amor: drogas ilícitas. Destes fatos, podemos entender o quão ludibriado e cego Chanyeol era por nomear Baekhyun como ser magnífico quando a verdade era feia.

  Pessoas possuem defeitos, qualidades e manias. Isso que as faz serem quem são, mas Byun carregava uma carga elevada de características ruins. Poderíamos ficar até amanhã listando-as, porém a história precisa ser contada, então daremos a imperfeição mais marcante que Baekhyun carregava: ciúmes excessivo. Ele tinha mania de querer garotos para si, nomeando-se como dono oficial. Se comparar com o reino animal, Byun seria um leão e os idiotas apaixonados por ele, igual Chanyeol, fariam papel de leoas. Leões matam por leoas. Felizmente, Baek não tinha força ou estrutura para querer estrangular qualquer pessoa que aproximava-se de sua manada. Mas ele poderia ser cruel, muito cruel.

  Psicólogos orientam que ciúmes extremo em um relacionamento pode ser prejudicial em tantos sentidos, pois envolve mais que uma pulga atrás da orelha, há violência e agressões verbais. Chanyeol e Baekhyun não namoravam oficialmente, portanto preferiam deixar rótulos de lado, tornando a relação um completo ‘‘vale-tudo’’; onde o mais velho sai com quem ele quer, enquanto Channie permanece plantado (metaforicamente falando) esperando um pedido de namoro. E isso gerava muitas discussões, porque Baek surtava quando Park saía com alguém. Mas, espere, não era nada oficial, correto? Este é o problema.

  Baekhyun desmanchou o sorriso infantil, dando meia volta e saindo do provador em direção às prateleiras. Ele caminhava desfilando naquele pijama felpudo, sem olhar para os lados até uma seção específica. Chanyeol seguiu-o como usual. Havia uma quantidade exorbitante de latas de sprays; diferentes marcas, cores, danos capilares, etc. Estavam organizados igual a um arco-íris, portanto Baekhyun encontrou a tonalidade esverdeada rapidamente. Agarrou o frasco, sem certificar-se do valor, e entregou para Chanyeol, resmungando:

  ‘‘Coringa algum usa cabelo preto.’’

  O aspirante a maluco observou a lataria em suas mãos, tentando encontrar o rótulo para ler a composição e quanto destruiria os amados cabelos escuros dele. Era de alguma marca desconhecida e baratinha, provavelmente faria um estrago capilar. Ponto importante: Chanyeol odeia ter suas madeixas tocadas ou arregaçadas.

  ‘‘Tem regras para ser Coringa agora?’’, questionou o garoto. ‘‘Isto aqui vai detonar meu cabelo inteiro.’’

  Baekhyun arfou, preparando-se para as reclamações de Chanyeol sobre qualquer artifício necessário que ele teria que usar.

‘‘Não vemos Junmyeon há tempos e nossas fantasias são patéticas. Tenta, pelo menos, ser um pateta completo.’’

  ‘‘Eu consigo fazer isso aí dormindo’’, brincou. ‘‘E Junmyeon sabe bem sobre minhas excentricidades.’’

  Chanyeol devolveu o spray com delicadeza ao seu devido lugar. Os cidadãos estadunidenses não pareciam gostar muito de encher seus fios de tinta barata, por este motivo o estoque ainda estava cheio, mas de perucas ainda restavam alguns pares cafonas em exibição.

 Baekhyun apertou os lábios, impaciente, após cruzar os braços.

 ‘‘Então fingirei que não lhe conheço.’’

 ‘‘Como se eu me importasse com isso…’’     

 ‘‘Sim, você se importa.’’

  O mais velho concedeu uma encarada repleta de sarcasmo e foi em direção a outra seção, caminhando agarrado ao cobertor e travesseiro (vale dizer que Baekhyun deixou os sapatos no provador). Contudo, entretanto, todavia, Chanyeol encarou essa breve brincadeira como uma alfinetada no seu ego. Cá entre nós, ele era um rapaz submisso, mas não das maneiras agradáveis. Em termos de trouxa seria o correto. Chanyeol faria qualquer coisa que Baekhyun mandasse e ponto final.

 Olhou para a lata na prateleira por alguns segundos, refletindo se deveria ou não ceder às chantagens (poderia ter sido uma piada, mas Baekhyun acharia péssimo caso Chanyeol não pintasse o cabelo). E, para não contrariar, ele pegou a garrafa e foi atrás do seu garoto.

 Baek inspecionava diferentes exemplares de maquiagens faciais. Tinha uns pares nas mãos, enquanto lia a composição de outras na prateleira. Chanyeol não teria saída mesmo se optasse por um Coringa incomum, ele seria obrigado a utilizar as pinturas. Estava carregando a lata de Spray quando aproximou-se de Baekhyun. Caminhou em passos lentos para não chamar atenção e deixar óbvio que seguiu as ordens dadas. O mais velho esboçou um sorriso fraco sem olhar Chanyeol. Mais uma vitória para Byun.

  O mais velho pegou das cores vermelha, preta e branca. Entregou as três para Chan que estava parado ao seu lado, paciente.

‘‘Será que Junmyeon mudou muito?’’, inquiriu Baekhyun, espontaneamente e sem motivo. Apenas para puxar assunto.  Sua expressão demonstrava descontração, mas o tom era de preocupação. ‘‘Sabe, desde que ele saiu da Coreia e cortou relações conosco.’’

‘‘Junmyeon precisava de um tempo, Baek. Ele perdeu o irmão de repente, até eu me isolaria assim.’’

 E Chanyeol tinha completa razão. Junmyeon necessitou de mais que uma simples pausa da vida comum, foram três anos tentando lidar com o luto. Más línguas dizem que ele perdeu o irmão em um acidente de carro, no entanto ninguém sabe a verdadeira versão da história além dos médicos e, claro, a família do falecido. Eles pediram total sigilo seja-lá-para-que.

Mas, felizmente, Junmyeon superou isso e usou desta data comemorativa para revigorar-se. Convidou os amigos antigos que tinha na Coreia, atuais, novos, etc. Seria uma festa declarando sua volta à sociedade. Vale dizer as passagens pagas que Chanyeol e Baekhyun ganharam para vir aos Estados Unidos, — e que, provavelmente, os outros convidados também receberam. Com certeza seria um evento luxuoso.

‘‘Mas foi tão estranho como ele foi embora do nada, Channie’’, falou Baekhyun, que agora alisava algumas perucas plastificadas. ‘‘Junmyeon só sumiu… puft!’’ Ele fez o efeito sonoro com os lábios igual a uma criança de oito anos.

‘‘Todo mundo já fez algo terrivelmente estranho. Você, no caso, faz sempre.’’

‘‘Ah, é sério?’’ Ele tomou ar para entrar direto na defensiva. ‘‘Porque se estiver falando sobre aquela vez…’’

  Chanyeol percebeu que a conversa tomaria um rumo desconfortável onde eles falariam do passado, reviveriam dores irritantes e o rapaz, realmente, não estava querendo recordar lembranças. Então, olhou para Baekhyun e depois os itens em suas mãos, indicando com sinal corporal que deveriam ir ao caixa. Byun fingiu-se de desentendido, fazendo Chanyeol pará-lo e dizer:

‘‘Acho que deveríamos ir logo.’’

  Ser esquecido ou descuidado era uma característica forte quando tratava-se de Baekhyun. O casal tremendamente maquiado viajava estrada abaixo tentando encontrar a mansão de Junmyeon. Eles confiaram em seus sensos de direção e nas placas imundas e mal iluminadas. Havia meia dúzia de carros na rodovia, a pouca quantidade de veículos poderia indicar que estavam, ou perdidos, ou fora da cidade. Chanyeol queria acreditar que seguiam caminho ao norte e as árvores alaranjadas indicassem proximidade do interior. Suho vivia afastado do centro, era estranho ricos morarem nas matas, mas ninguém questiona a classe alta.

  Baekhyun esforçava-se para abrir o mapa de Los Angeles, esticando-o e atrapalhando Chanyeol dirigir. Se estivessem perdidos, sabiam de quem seria a culpa; Byun havia lido a combinação de palavras ‘‘festa’’, ‘‘fantasia’’ e ‘‘segunda-feira à noite’’ no convite e não teve preocupação em checar no GPS a localização. Agora a internet estava fora do ar, e eles não faziam ideia de como as rotas nos Estados Unidos funcionavam. Chanyeol tinha sua paciência esgotando-se cada vez que Baekhyun tentava ler o mapa.

  ‘‘Talvez estejamos nessa aqui’’ ele apontava com o dedo indicador. ‘‘Ou na 10. Eu não sei, não tem nenhuma placa aí?’’

  Chanyeol ignorou. Com uma mão manobrou o volante, enquanto tentava buscar o celular para ver se estava em área novamente. Para sorte, sim. Então, pôs o GPS e dirigiu pelo trajeto designado. A localização atual tinha cinquenta quilômetros de diferença com o destino final. Eles chegariam atrasados na festa. Baekhyun levaria a culpa, mas eles não discutiriam por isso. Park ficaria de cara fechada, fala endurecida, porém amoleceria assim que Byun achasse necessário. Ele envolveria sua cintura com os braços e Chanyeol derreteria. Seria eles agarrando-se e o evento em segundo plano.

  Demoraram quarenta minutos para chegar na mansão de Junmyeon. A música extremamente alta poderia ser ouvida dentro do carro. Isso deixou Baekhyun animado, pois significava que a diversão estava no limite. Ao estacionarem o veículo em meio de tantos, não puderam deixar de ressaltar o quão grande era o lugar; se tivessem tempo para calcular os hectares, chutariam algumas dezenas. A residência era enorme pelo exterior e cheia de pilastras brancas, talvez Suho fosse fã das casas antigas porque a decoração lembrava à estes ambientes. Mas poderia ser o Halloween, também.

  Baekhyun bateu a porta do carro, deslumbrado pelo que via. Chanyeol não estava numa situação muito diferente.

  ‘‘Quando foi que Junmyeon ficou bilionário?’’ perguntou o mais velho, arrumando os botões do pijama. ‘‘Eu acho que vou trocar de namorado.’’

  ‘‘Vá em frente’’ sugeriu Chanyeol. ‘‘Suho deve adorar caras interesseiros e mesquinhos.’’

  ‘‘Você só fala isso porque tem ciúme.’’

  Chanyeol deu de ombros.

  ‘‘Pense o que quiser, mas vamos entrar logo.’’

  Falsa birra, falso semblante irritado. Park sabia como protagonizar um drama mexicano, mas isso não duraria por muito tempo porque Baek não deixaria. Pois ter Chan aos seus pés era melhor que vê-lo enraivecido; e assisti-lo fora de sério era um dos melhores passatempos de Byun. Não o entenda mal, o mais velho até gostava do seu namorado, fato, mas ele fazia o gênero irritante e que gostava de dar ‘‘vida’’ ao relacionamento. Até porque ninguém curte algo sem sal.

  Eles começaram a caminhar, mas no segundo seguinte Baekhyun se pôs sorridente a frente de Chanyeol, parando o trajeto de ambos. Era nítido que estava fazendo charme.

  ‘‘Como estou?’’ perguntou, olhando para suas vestimentas. Byun sabia que estava bonito, mas queria ouvir isso sair dos lábios de Park. ‘‘Seja sincero.’’

 Baek deu um passo mais perto.

  Chanyeol sorriu, envolvendo seu garoto pela cintura. Olhos nos olhos e lábios rentes um ao outro. Park tinha aquele sorrisinho travesso que transmitia tudo que queria dizer. Estava fazendo birra antes, mas também não resistia a um charme bem feito.

  ‘‘Você sabe que fofura não faz muito meu tipo…’’

  ‘‘Finalmente os dois chegaram!’’ gritou Minseok da escadaria da varanda frontal. Ele fez um sinal com a mão chamando alguém que estava dentro da casa. ‘‘Sehun! Jongin!’’

  O casal afastou-se rapidamente quando foi avistado. Este relacionamento não assumido era uma experiência nova que não tinha chegado aos ouvidos dos melhores amigos ainda. Ninguém além dos dois sabia o que acontecia entre quatro paredes e queriam que continuasse assim, pois talvez durasse mais sem pressão ou olhares alheios. Mas, provavelmente, foi tarde demais porque Minseok se aproximou com um sorriso de ‘‘peguei vocês’’. Sehun e Jongin apareceram logo atrás, os dois não sabiam, só era questão de tempo.

  ‘‘Sabia que vocês iriam se pegar um dia,’’ brincou Kim, andando com uma mão enterrada no bolso frontal da calça. Ele estava vestido de pirata; o chapéu quase caindo da cabeça e havia muitos colares enfeitando seu pescoço, o tecido principal era couro com muitas penas. Minseok parecia uma criança animada para pedir ‘‘doces ou travessuras?’’. ‘‘Vocês se perderam ou coisa assim?

  Sehun vinha logo atrás vestido de Jack Skellington e Jongin igual ao Victor, da Noiva Cadáver. Era óbvio que os dois combinaram de vestir-se com personagens de Tim Burton. Se tiver uma premiação de melhor fantasia, ambos empatariam porque estão bem trajados.  

  ‘‘Baekhyun é um idiota, foi isso, Minseok’’ explicou-se Chanyeol. ‘‘Ele disse que sabia usar um mapa.’’

  ‘‘E você confiou no Baekhyun?’’ perguntou Sehun, brincando.

  Byun mostrou-se ofendido e deu um soquinho em Chanyeol, exigindo defesa.

  ‘‘Eu sei, foi um erro’’ respondeu Park, caindo na gargalhada com a cara surpresa do mais velho.

  ‘‘Vamos entrar logo!’’ disse Baekhyun. ‘‘Não quero ficar escutando essas ofensas.’’

   Jongin gargalhou alto, tomando fôlego para avisar algo antes que entrassem na festa:

  ‘‘Eu espero de verdade que vocês tenham praticado o inglês porque só têm americano aí dentro.’’

   Eles não estavam tão ferrados, mas Baekhyun só tinha noção das regras básicas. Teria que usar alguém até para isso.

 Kim Jongin tinha razão; o domínio da língua inglesa faria falta aos coreanos visitantes. Chanyeol tentou pedir uma cerveja comum e ficou cinco minutos gesticulando, pulando e realizando carrancas para que o barman compreendesse, o que não aconteceu porque o atendente entregou qualquer bebida aleatória a fim de espantar aquele esquisitão vestido de coringa. Minseok e Sehun gargalhavam no canto da sala enquanto observavam o amigo confuso ao segurar um copo de vodka.

 ‘‘Eu tenho certeza que isso não é cerveja!’’ brincou Park, aproximando-se dos rapazes sorridentes. ‘‘Esses americanos são todos loucos.’’

 Baekhyun apareceu por trás, agarrando o copo das mãos do esquisitão e tomando um gole. Ele estava furioso.

 ‘‘Talvez você só precise saber a diferença entre a pronúncia de ‘beer’ e ‘bear’’ pigarreou e devolveu o copo vazio.

 Minseok e Sehun cutucaram-se sutilmente com o cotovelo e trocaram expressões confusas pela ação repentina de Baekhyun. Minutos atrás, eles poderiam jurar que o garotinho nos pijamas estava feliz e cantarolando ao som da música. Channie também notou isso.

  ‘‘Hmmmm, e o que deu em você?’’ inquiriu a Byun, colocando o copo numa mesinha que havia ao lado de Minseok.

  ‘‘Não gosto dos americanos, só.’’

  O mais velho respondeu de forma tão seca e impassível que Chanyeol poderia deduzir inúmeras situações que o levariam a ficar assim. No entanto, decidiu não prender-se a isso porque seria como assinar um tratado de chifres livres. Baekhyun havia sumido nos primeiros dez minutos que colocaram os pés na mansão. Era duvidoso, mas inegável. Chanyeol reagiu como em situações anteriores: deu de ombros. A festança macabra estava ótima e era mais agradável do que ouvir reclamações do Baekhyun.

 Era uma barulheira sem igual. Eles quase poderiam dizer que a música vinha dos seus corações, mas músculos cardíacos ainda não cantam ‘‘If U Seek Amy’’ da Britney Spears. O ambiente estava em total meia-luz e havia lâmpadas coloridas postas estrategicamente. Chanyeol não achava que Junmyeon fosse grande fã de serpentinas, porém existiam milhares em cada cômodo. Nem queria ver quem iria limpar toda essa bagunça após o evento. Coitados dos funcionários de Kim!

 Embora houvesse uma desarrumação comum, Chanyeol gostou do estilo americano de festar; várias pessoas bêbadas, vômito, drogas e muita (mesmo!) pegação. As fantasias escolhidas pela maioria eram icônicas e boas, mas sempre há quem vir de roupas ousadas e extravagantes ou engraçadas. Não que Chanyeol estivesse reclamando, no entanto isso era atípico no seu país. Coreanos não eram santos, mas festas Projeto X estavam fora de cogitação.

 Minseok, Sehun e Channie queriam saber do paradeiro desconhecido de Jongin, mas chutavam duas possibilidades: dançando entre aquelas centenas de corpos grudentos ou atrás de Junmyeon, que ninguém dos estrangeiros havia visto até o momento. Era comum o anfitrião cumprimentar seus convidados especiais, mas aparentemente houve algumas mudanças de cordialidade. Ou talvez ele esteja entre os americanos socializando e bebendo horrores. Mas, mesmo que seja o caso, eles queriam ver como Junmyeon estava depois desses anos.

 Se observados de um ponto adjacente, quem os espreitava distinguiria facilmente que aqueles garotos no canto não eram americanos. Fosse o estado desconfortável ou pouco divertido, mas os três pareciam deslocados. O idioma diferente era a principal causa dessa auto segregação festiva. Chanyeol estava maluco para dançar junto aos corpos suados, mas e se falassem com ele? Preferia não arriscar cometer uma gafe. Por outro lado, Baekhyun veio aventurando-se pelos grupos nativos e acabou decepcionado, em parte, porque a maioria estava acompanhada. Ah, ele ama seu namorado e todas essas ilusões passionais, mas era uma oportunidade única. E, além do mais, Byun tinha passe livre para aventuras fora da relação esquisita que mantinha com Chanyeol. Em síntese: um relacionamento abusivo aonde Park tinha seus sentimentos esmurrados enquanto Baek fazia o que bem entendia. Injusto, mas Chanyeol não falava nada para opor-se, então estava tudo bem, não?

 Minseok tinha um braço sobre o pescoço de Sehun. Ambos observavam os estadunidenses rirem e divertirem-se, mas não erguiam um dedo para fazerem parte daquilo. Era pouco atraente. Eles compartilhavam de opiniões equivalentes; Kim e Oh estavam aqui para beber horrores e encontrarem Junmyeon. O único porém era que eles tinham ultrapassado a quinta dose e nada do anfitrião. Assim terminariam bêbados e fazendo danças estranhas e, caso o porre for demasiado, não iriam se lembrar nem das feições do motivo que os trouxe até a mansão.

 ‘‘Vocês vão ficar aí sentados como dois velhos?’’ perguntou Baekhyun. Ele estava encostado na parede do cômodo, braços cruzados sobre o pijama fofo e ainda matinha a mesma expressão furiosa.

  Ponto importante: o rapaz não questionou os dois por importar-se com o divertimento dos amigos, mas para expulsá-los dali de perto.

 Viajaram quase dezesseis horas em poltronas que deixavam as pernas dormentes e ficariam sentados vendo todos se divertirem? Minseok achou injusto não fazer nada por completo desgosto. Que mal faria se eles levantassem e fossem dançar? Mesmo uma música chata ou ultrapassada. Deveriam gastar a noite de todos os santos com muita alegria.

  ‘‘Você acha que deveríamos ir dançar também?’’ perguntou Minseok, berrando aos ouvidos de Sehun por conta da música barulhenta.

 ‘‘Eu não sei dançar e nem gosto!’’

  ‘‘Nem eu, mas ficar parado olhando para parede é uma boa opção?’’ retrucou Min já se levantando e estendendo a mão para Sehun, que a pegou e dirigiram-se a pista juntos e contrariados, mas melhor dançar a ficar sentados emburrados.

  Baekhyun e Chanyeol estavam sozinhos em pé. Os dois observavam as mesmas pessoas animadas, alguns namorados apaixonados faziam presença naquela multidão, e poderia ser ambos ali, mas Park não pediria para dançar e nem queria. Mas Byun era imprevisível.

 O mais velho agarrou o braço de Chanyeol e apontou com a cabeça para porta de saída daquele cômodo enorme; era, provavelmente, o salão principal em que estavam. Park refutou com uma expressão confusa e não deu um passo sequer na direção comandada.

 ‘‘Ali fora. Agora’’ gesticulou Baekhyun e deu as costas ao coringa.

  Isso não era um bom sinal e Chanyeol sabia. Normalmente, quando seu namorado sabia que tinha poucas chances de conseguir alguém naquela festa, chamava Park para um lugar isolado e consolava seu fracasso beijando sua segunda opção. Romântico, não?

  Beijar Baekhyun era como aventurar-se entre solidão e desespero. As mãos macias passando pelas costas de Chanyeol, intercalando entre a cintura, traziam a ele um sufoco de prisioneiro. Era terrível não conseguir migrar a negação dos pensamentos para fala, recusa ou, ao menos, demonstrar que esse mesmo ocorrido pela milésima vez estava o deixando exausto. Havia apenas uma relação carnal ali. Nada de apaixonante poderia ser extraído dos ósculos realizados. Era sufocante beijar por livre prazer. Chanyeol sempre fora movido pela emoção, e sentir esse tamanho vazio fazia com que quisesse sair depressa dos braços que o envolviam.

 Estavam aos amassos num banco amadeirado que ficava na parte de trás da mansão, perto do jardim e piscina. Engraçada a pouco movimentação e grande liberdade que o lugar aberto os proporcionava. A festa era inundada de pessoas no salão principal, mas fora parecia não existir; senão fosse pela música barulhenta, poderiam dizer que evento algum acontece ali dentro. A iluminação era precária. Havia postes decorativos no jardim, mas não faziam uma grande mudança.

  Baekhyun tirou o paletó bege de Chanyeol, que cessou os beijos no mesmo instante.

  ‘‘Acha que deveríamos fazer isso aqui?’’ murmurou o mais novo. Era uma péssima ideia, os dois sabiam.

 ‘‘Se quiser eu faço com outra pessoa’’ respondeu.

  Chanyeol podia exalar aquela respiração repleta de álcool que Baekhyun praticamente soprava em suas narinas. Estavam próximos demais.

  ‘‘Só acho que não devíamos.’’ Desvencilhou as pernas de cima do mais velho, aumentando a distância entre os corpos. ‘‘Falo sério.’’

   Baekhyun, como uma criança contrariada e birrenta, levantou-se do banco e jogou o paletó de Chanyeol no colo dele. Em que mundo alguém ousaria recusá-lo? Ainda mais seu namorado não oficial. Era maluquice.

  ‘‘Acha que Junmyeon toparia?’’ perguntou estampando o sorriso infantil típico e marca da sua ironia. Enterrou as mãos nos bolsos do pijama e ficou equilibrando o peso de um pé para outro. Baekhyun parecia doce se olhado por fora da situação que o prendia com Chanyeol.

  ‘‘Se você conseguir achá-lo…’’

  ‘‘Não se preocupe, eu sou ótimo com esconde-esconde.’’

 Chanyeol abriu a boca nada surpreso para responder à altura, mas foi interrompido por alguém andando na direção deles no banco. Era um rapaz, obviamente, e vestia roupas comuns, mas tinha o rosto pintado com tintura branca e uma estrela preta no olho lembrando a um dos símbolos da banda Kiss. A iluminação atrapalhava que desvendassem sua identidade de imediato.

  ‘‘Eu não toparia, Baekhyun.’’

   Era Junmyeon e aquilo foi como um tapa recém dado na bochecha de Byun. Sentiu o rosto queimar e ganhou uma coloração rosada. Estava envergonhado, mas infelizmente não poderia ser visto na humilhação pela péssima luz. Chanyeol quase berrou de alegria e segurou um sorriso travesso. Kim era seu novo herói.

  O anfitrião caminhou mais rente aos dois corpos perto do banco amadeirado e parou. Ambos rapazes podiam ver o rosto de Junmyeon com clareza no momento; poucas mudanças, talvez alguns quilos acima ou corte capilar diferente, mas nada gritante. A voz havia apresentado alterações; a famigerada puberdade também o atingira. Até porque, pessoas tristes são normais também. Elas se transformam após meses desaparecidas.

   ‘‘O gato comeu a língua de vocês?’’ perguntou Junmyeon divido entre olhar para Chanyeol e Baekhyun. ‘‘Esperava um: ‘uau, que falta você fez!’’

   Park levantou do banco e abraçou Junmyeon dizendo as mesmas palavras que o homem havia satirizado. Baekkie ainda estava envergonhado, portanto acenou de onde permanecia parado e foi suficiente.

   ‘‘Os outros estão lá dentro procurando você!’’ avisou Chanyeol, a tonalidade que ele apresentava parecia ser de um pássaro desengaiolado. ‘‘E obrigado pelas passagens.’’

  ‘‘Isso nem foi nada. Todos eles estão aqui?’’

   ‘‘Hã…’’ Chanyeol fez uma recordação rápida de quem estava ou não na festa. ‘‘Jongdae não veio porque teve que cuidar de alguma coisa da empresa, Kyungsoo não deu explicações e Yixing tinha compromissos na China.’’

   Junmyeon balançou a cabeça, pouco surpreso com quem não estava presente.

   ‘‘Eu já esperava… Está tudo a mesma coisa? Jongin dançarino, Minseok e Sehun atendentes e vocês dois estudantes de artes?’’

   ‘‘Sim… Alguém te contou isso?’’ Baekhyun resolveu abrir a boca e tagarelar. ‘‘Porque são coisas bem recentes.’’

   O anfitrião com certeza manteve contato para permanecer informado sobre seus amigos enquanto viajava pelo Japão e restaurava a sanidade com artes nipônicas. Junmyeon passou tempo demais fora de casa tentando superar a morte do irmão. Foi um luto difícil.

  ‘‘Chanyeol, você pode chamar os outros rapazes? Quero vê-los.’’ Mudou de assunto rapidamente. ‘‘Estive ocupado em um projeto e só terminei agora. Me desculpe pelo atraso.’’

  ‘‘Claro!’’

   Chanyeol virou-se para ir até a porta que daria no salão principal e Baekhyun moveu-se e iria acompanhá-lo. Junmyeon agarrou o pelo braço antes que fosse por completo. Byun estava nitidamente desconfiado e não pode esconder os olhos arregalados ao ver os dedos de Kim o prendendo. E havia um quê de mais estranho: as unhas dele estavam pretas por baixo. Baekhyun disse a si mesmo que era a tintura da maquiagem, mas não conseguia convencer-se.

 ‘‘Baek, eu posso lhe mostrar uma coisa?’’

  E ele tinha escolha?

  ‘‘Minseok! Minseok!’’ chamou Chanyeol enquanto puxava o pirata para fora da pista de dança. Ele estava sozinho, então Park presumiu que Sehun achou alguma coisa mais interessante para fazer. ‘‘Achei o Junmyeon.’’

  O semblante do pirata mudou em instantes e ele apressou os passos para seguir Chanyeol. Estavam indo na direção do jardim.

  ‘‘Você está falando sério? Eu já estava começando a achar que ele era uma lenda do dia das bruxas’’ brincou Minseok, animado.

  ‘‘Com razão, huh? Onde estão Jongin e Sehun?’’

   ‘‘Você não vai querer chamar eles agora. Vai por mim.’’

   Chanyeol sabia o significado disso e concordou, não iria perturbar ninguém em uma situação dessa. Então, os dois foram até o jardim na esperança de encontrarem Junmyeon e Baekhyun, mas havia um casal aos beijos perto de um poste e nada deles. Park, por um mero segundo, duvidou da própria sanidade.

   ‘‘Eles estavam aqui! Eu poderia jurar…!’’

   Minseok depositou a mão sobre o ombro de Chanyeol.

   ‘‘Acho que você não deveria beber tanto, ok? Vou voltar para dentro, aqui está um gelo!’’

    E Park ficou sozinho e confuso. A mão permanecia na testa. Foi um tempo muito curto para eles desaparecerem de repente. Decidiu andar pelo terreno e procurar se Baek e Junmyeon  estavam por ali. Não fazia sentido algum mandar chamar os garotos e sair do lugar.

   Seu celular vibrou duas vezes no bolso traseiro. Chanyeol tirou-o de lá e não esperava ver mensagens de um número desconhecido.

  Era apenas Junmyeon pedindo para que ele fosse ao porão, porque Baekhyun estava lá também. O anfitrião fez uma breve explicação de como chegar ao cômodo e Chanyeol a seguiu estritamente. Preferiu não chamar outro acompanhante desta vez, por precaução. Atravessou a sala principal, corredores e terminou na cozinha, onde existia uma porta esbranquiçada perto da geladeira; aquela era a entrada para os cômodos inferiores. Guardou o celular novamente no bolso e girou a maçaneta dourada, estava aberta como presumido. Ele deparou-se com uma escuridão densa escada abaixo e foi logo à procura dos interruptores, por sorte, estavam localizados ao lado da entrada. Tinha uma visão limitada do alto dos degraus, mas poderia dizer que parecia um porão comum, no entanto os móveis eram precários. Desceu sem drama. Havia um martelo jogado no chão de concreto e as paredes estavam esburacadas, e carregavam placas douradas abaixo das escavações. Só duas delas não obtinham tocas e exibiam o nome dos pais de Junmyeon. Isso era um altar de adoração?

   A porta continuava aberta se Chanyeol decidisse fugir e a barulheira musical confortava esse vazio do porão. Ele tentou ler as outras placas e tinha o nome de todos os amigos coreanos de Junmyeon ali, menos Baekhyun e Minseok.

  O que diabos é isso? Pensou horrorizado com a cena. Observou o restante do cômodo e encontrou uma porta branca recém posta ali. Estava fechada, mas Chanyeol queria abrí-la por mera curiosidade. Talvez estivessem ali e Junmyeon poderia explicar que maluquice era esta. E ele girou a maçaneta sem rodeios.

  Era outro cômodo, um pouco menor que o anterior, mas muito mobiliado se comparados. A parede deste era pintada de rosa e havia ursinhos em todas as partes, prateleiras, uma mesinha infantil com cadeiras ao centro. Aquilo poderia ser um quarto de alguma garota de nove anos. Tinha três bonecas gigantes macabras no canto e entre elas um Baekhyun desacordado. Chanyeol correu na direção do rapaz e pegou-o pelos ombros, chacoalhando para acordá-lo. Nada. O pânico era real. Ele odiava as atitudes de Byun, mas ainda amava-o e, mesmo que por segundos, achou que o mais velho estava morto. Teve que se segurar para não desabar em lágrimas.

  Nessas tentativas de reanimação, Park pôde dar uma olhada mais detalhada nas bonecas. Foi rápido, porém causou-lhe calafrios suficientes para largar Baekhyun e berrar. Eram pessoas maquiadas e vestidas como brinquedos infantis. Estavam sem expressão, mas pareciam tão plastificadas. Chanyeol sempre achou que bonecas humanas fosse alguma lenda idiota para assustar internautas.

  ‘‘O que caralhos... ?’’ ele soltou sem querer, mas não pôde terminar a sentença porque levou outro susto com as mãos sobre seu pescoço.

  Havia uma respiração pesada bem no ouvido dele e alguém o prendia. Chanyeol tentou berrar, mas ninguém iria escutá-lo, de qualquer maneira.

  ‘‘Você gostou das minhas paredes, Channie?’’ murmurou a ameaça em seu ouvido. Era Junmyeon. Inacreditável. ‘‘Eu deveria ter colocado meu irmãozinho lá também, mas colocá-los perto de mamãe e papai não faria sentido. Ele morreu por ficar muito próximo a eles, não?’’

  Chanyeol debatia-se, ignorando o que Junmyeon falava. Seu coração estava quase voando do peito. Mas era por isso que ninguém dava muitas informações sobre a morte do irmão de Kim, ele havia sido assassinado. E os pais dele não estavam desaparecidos; residiam em buracos na parede. E Junmyeon planejava colocar os amigos lá também. Queria construir uma fortaleza espiritualmente forte porque havia uma lenda japonesa que acontecia isso ao enterrar ossos no concreto, e Kim tinha fé de sobra.

  ‘‘Channie, eu aprendi coisas maravilhosas no Japão…’’ Ele agarrou o rosto de Park e fez-o olhar diretamente para Baekhyun. “Ele vai ficar lindo como uma boneca… Você não acha?” Sua voz mudou o tom, ficou mais profunda. Chanyeol poderia jurar que a expressão dele ficou falsamente triste. “Eu queria colocar você ali também, mas achei sua persistência em amar quem não te suporta muito bonita.”

  Chanyeol lutou mais uma vez.

   “Junmyeon, chega de besteira! Eu sabia que você era estranho, mas não assim! Me solta!”

   “Se fosse fácil assim, sequestro nenhum existiria. Era só pedir, não?” Ele levantou-se e colocou Chanyeol de pé também. “Agora vamos, tenho outros rapazes para colocar na parede até o amanhecer.” Junmyeon riu sozinho. “Você vai achar terrivelmente confortável. Meus pais nunca reclamaram. Espero que durma bem.”

    Chanyeol não soube raciocinar rapidamente o que ocorreu, mas ele apagou.

   No dia seguinte, não acordou.

   E não tem mais ninguém para contar o final dessa história.



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