História Blue - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias 4Minute, Bangtan Boys (BTS), F(x), KNK, VIXX
Tags Bts, Taekook, Vkook
Exibições 100
Palavras 5.419
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


CARAMBA 4 FUCKING MESES SEM ATUALIZAR!!!!!!!! Mil desculpas, mas é que deu aquele famoso bloqueio criativo, então né. Mas espero que me perdoem ;-; Trouxe um capítulo grandinho e, como o próprio nome já diz, com algumas revelações :v

Boa leitura <3

Capítulo 6 - Revelações


Fanfic / Fanfiction Blue - Capítulo 6 - Revelações

“Supor é bom,

descobrir é melhor.”

 

– Fiz o que me pediu. – Taehyung rosnou, olhando para os lados, preocupado com a possibilidade de ser reconhecido por alguém. Mesmo sabendo que aquele barzinho de fim de mundo era pouco frequentado, puxou com força o capuz de seu casaco, tentando ao máximo esconder sua face. Em seguida, estendeu a mão, entregando o pequeno celular que estava em seu bolso.

– Muito bom. – A garota sorriu cínica, pegando o aparelho e conferindo se ali realmente estava o que queria. – Você me trouxe até mais do que eu precisava, nem sei como te agradecer. – Continuou, em tom irônico enquanto guardava o celular em sua bolsa, afinal sabia como agradecer o outro.

– Só faça com que seu pai para de me incomodar. Já é o bastante. – O moreno respondeu ríspido, soltando um suspiro. Ele realmente odiava aquele estabelecimento. O cheiro das bebidas baratas, misturado com o perfume forte da menina, lhe deixavam com dor de cabeça. – E nunca mais me peça para fazer essas coisas tão fúteis, por favor.

– Ele não fará nada enquanto você continuar calado. – Deu de ombros. – Você reclama demais, sabia? E parece mais mal humorado que o normal. – Continuou, enquanto se aproximava mais de Taehyung. Seus dedos finos seguraram no queixo do maior, em seguida fincando as unhas extremamente grandes e afiadas na pele macia. – Por que não nos encontramos hoje mais tarde?

– Não posso. – Disse rapidamente, cortando a garota. – Tenho trabalho da escola para fazer.

Ela ergueu as sobrancelhas. Odiava receber como resposta um “não”.

– Ah, fala sério! – Soltou uma risada estridente. – Você realmente está preocupado com escola? – Bufou irritada ao receber um aceno positivo. Afastou-se de Taehyung, encarando o esmalte rosado de suas unhas. – Ainda me pergunto por que você frequenta aquela espelunca.

– Talvez seja pelo mesmo motivo que você. – O moreno respondeu, sorrindo de lado, observando a loira lhe lançar um olhar irritado.

– Absolutamente não. Meus motivos são completamente diferentes de um simples afeto por dois grandes bobões. – A garota revirou os olhos, referindo-se aos amigos de Taehyung, este que soltou um suspiro cansado. Já não era a primeira vez que a mesma insultava seus amigos, por isso, ele somente ignorava.

– Nos vemos outro dia, certo? Hoje eu não posso. – O moreno deixou um beijo na bochecha da loira, em seguida saindo em passos rápidos. – Até mais, Krystal.

 

-❇-

 

Jungkook observava as casas ao seu redor, abismado. Nunca havia andando pelas ruas de um condomínio de luxo, e achava que isso era demais para si. Até sua nova casa parecia simples perto das residências do local.

Acharia engraçada sua atual admiração, se não estivesse tão nervoso, mas é que Jungkook realmente sempre tivera uma vida simples, porém confortável, afinal, nunca lhe faltara nada. Por isso não conseguia controlar seu sonoro espanto por tudo aquilo que seus olhos estavam sendo capazes de capturar.

Seus passos eram incertos e suas mãos suadas apertavam com força o papel com o endereço da casa de Seokjin, que era onde ele faria seu trabalho. Sabia que seu nervosismo tinha nome – aliás, pelo que parecia, mais de um –, e que sua presença não o deixariam sentir-se completamente à vontade. Jungkook sabia que, de certa forma, Taehyung o afetava.

Parou em frente à grande porta, que era cheia de detalhes delicados. Apertou a campainha e esperou.

Logo um Seokjin sorridente lhe atendeu e puxou-o para dentro da enorme casa.

– Olá, Kook! Você é bem pontual, gosto disso. – Ouviu o outro comentando atrás de si enquanto fechava a porta. Jungkook ainda permanecia estático, observando o interior da residência, que tinha uma decoração levemente vitoriana, em tons pastéis. Estava boquiaberto, sentia-se como se estivesse num cenário de filme.

– O que achou? – Seokjin perguntou, agora parado ao seu lado.

– É lindo. – O ruivo balbuciou.

– Foi minha mãe que planejou cada detalhe da decoração. – Um sorriso carinhoso nos lábios do outro desviavam a atenção da sua voz embargada de saudade. – Era o sonho dela ter uma casa assim.

– Nossa, diga a ela que fez um ótimo trabalho. – Jungkook comentou avoado, finalmente fitando o amigo, que desfez o sorriso e correspondeu o olhar.

– Ela está morta, Jungkook. – Disse com a voz baixa. Jungkook prendeu a respiração, estupefato, como se estivesse levado um soco no estômago. Sentiu-se um tolo por não ter percebido o modo no qual Jin falava da mãe. Devia ser tão óbvio, por que ele tinha que ser tão imbecil?

– A-ah, meus pêsames. – Murmurou desconcertado, sentindo suas bochechas doerem pela vergonha.

– Tudo bem. Não se preocupe. – Novamente Seokjin sorria, tentando confortar o amigo. – Venha, chega de papo furado! Vamos fazer o trabalho. – O garoto riu enquanto guiava o colega pela casa.

Jungkook confirmou com um aceno de cabeça e se dispôs a segui-lo. Ouviu Jin lhe falando algo, mas sua atenção estava completamente voltada para os objetos do local, que devia custar o preço da sua atual casa. O ruivo soltou um suspiro, ao menos não estava mais pensando tanto em Taehyung. 

– J-jin? – Chamou receoso, pensando se deveria perguntar se o moreno já havia chegado ou deveria descobrir por si próprio.

– Sim? – Seokjin olhou rapidamente para o menor, que caminhava atrás de si, lançando um sorriso. Jungkook mordeu os lábios, duvidoso. Após um tempo em silêncio, resolvera perguntar, afinal, o que tinha demais nisso?

Todavia, antes que pudesse fazê-lo, ouviu o telefone de Jin tocando. Ambos pararam de caminhar e ficaram estáticos, lado a lado, para que o outro atendesse ao celular, porém, assim que Jin olhou a tela do aparelho, afastou-se rapidamente, para só então atender.

Jungkook não o seguiu, somente ficou o fitando de longe. Franziu o cenho ao perceber que, de repente, Seokjin estava com os ombros tensos, e parecia discutir com quem estava do outro lado da linha. Sentiu uma vontade insana de se aproximar e ouvir o que ele conversava, mas sabia que era errado. O ruivo teve que desviar seus olhos, para que pudesse se controlar. Não foi difícil se perder em pensamentos, e então, rapidamente, sentiu um aperto forte em seu braço, o que o fez arregalar os olhos em espanto.

– Kookie, preciso resolver um problema agora, mas logo volto sim? É urgente. – Jin parecia nervoso e irritado ao mesmo tempo, sua pele brilhava levemente devido ao suor. – Taehyung já está aqui, vocês podem iniciar o trabalho e eu ajudo quando voltar.

Jungkook prendeu novamente a respiração, engolindo em seco. Sozinho? Com Taehyung? Enquanto uma parte sua ansiava por isso, para que ele pudesse encher o garoto de perguntas, a outra estava amedrontada por tudo aquilo que havia escutado a seu respeito.

– M-mas... – O moreno gaguejou, mas não precisou terminar a sentença. Jin o fez.

– Se alguma coisa acontecer, as empregadas estão por perto. É só gritar. Me desculpe. – Jin fez uma careta, em seguida dando um beijo rápido na testa de Jungkook para então sair apressado. – Só seguir reto que você chega na sala! – O ruivo ouviu o outro gritar ao longe.

Após respirar profundamente algumas vezes, seu cérebro mandou um comando para as pernas, que falharam no primeiro passo devido ao nervosismo, mas fora automático ele continuar. Logo os passos se tornaram firmes e apressados. Jungkook estava ansioso, sentia que, no momento, sua curiosidade era maior que o temor e servia como combustível para que ele continuasse a caminhar.

Parado na entrada na sala, conseguia visualizar Taehyung sentado de forma preguiçosa no chão, rodeado de livros, cadernos, um estojo preto e um notebook. O de olhos azuis estava com a cabeça abaixada e parecia ler algo, mas Jungkook desconfiava. Gostaria de dizer que o outro era previsível e que estava dormindo, mas errou miseravelmente ao perceber que ele – incrivelmente – havia sentido sua presença e levantava a cabeça para lhe fitar.

Quando os olhos se encontraram, Jungkook sentiu a aura intensa do outro lhe atingir em cheio no estômago, fazendo com que lhe faltasse o ar, assim como um leve arrepio percorresse seus membros. Sentiu-se tentado a sair correndo dali.

Mas não o fez.

Não sabia quanto tempo havia durado aquela troca de olhares, mas assim que voltou à órbita, sentindo novamente seu coração bater acelerado no peito, abaixou a cabeça e se dirigiu até um dos sofás disposto no enorme cômodo – o que ficava mais longe de Taehyung.

Deixou a mochila em seu lado e colocou as mãos sobre o colo, entrelaçando os dedos e permanecendo com a atenção fixa ali. De relance, viu que o moreno voltara a abaixar a cabeça e folhear o livro que lia, Jungkook sabia que tinha que se juntar a ele e começar a fazer o trabalho da escola, mas de repente sentia-se tão preocupado e inquieto... Eram muitas questões rondando sua mente, e ele só queria vomitá-las sobre Taehyung e esperar que ele as respondesse de bom grado.

Soltou um, dois, três suspiros. Jungkook ainda permanecia em inércia, na mesma posição desde que havia se sentado, nenhum músculo se moveu, somente seu peito, que subia e descia velozmente devido à respiração acelerada.

Ao mesmo tempo em que odiava a si mesmo por estar mergulhando cada vez mais naquele mar azul que eram os olhos de Taehyung, mais o ruivo sentia-se instigado a continuar a nadar, para descobrir todos os segredos que o moreno escondia, todos os tesouros que poderiam estar perdidos naquele oceano. Mas Jungkook tinha medo que, de tanto mergulhar, pudesse acabar afogando-se.

– O que veio fazer aqui? – Jungkook assustou-se quando a familiar voz grave e rouca adentrou seus ouvidos. – Ficar brisando ou ajudar no trabalho? Aliás, onde está Seokjin? – Apesar de sentir-se levemente intimidado, o ruivo levantou do sofá e sentou em frente ao moreno, que acompanhava cada movimento com o olhar.

– O trabalho, obviamente. – Respondeu um pouco irritado, mas suas bochechas ruborizaram ao ver o outro lhe lançar um olhar surpreso. – E Seokjin recebeu uma ligação e acabou tendo que sair, mas disse que logo volta.

Taehyung permaneceu fitando o ruivo por alguns longos segundos, o que deixou Jungkook incomodado e ainda mais inquieto. Soltou um resmungo indignado ao ver o outro abaixando sua cabeça e voltar a ler o livro, mas resolveu fazer o mesmo. Todavia, as palavras pareciam embaralhar em sua visão, Jungkook não conseguia se concentrar. Agora que estava tão perto de Taehyung novamente, lembrava-se do dia da festa, de tudo o que aconteceu.

– Por quê? – Soltou a pergunta, num sussurro. Amaldiçoou-se mentalmente quando viu Taehyung voltar a erguer os olhos e lhe encarar. Havia mesmo questionado em voz alta?

– O que? – O moreno ergueu uma sobrancelha, nitidamente confuso. Jungkook mordeu o lábio, não tinha mais como disfarçar a sua ansiedade por respostas.

– Por que todos me falam para ficar longe de você? – Questionou, soltando um suspiro. – Eu simplesmente não entendo. Você é um tanto estúpido e mal educado, mas mesmo assim não compreendo. – Jungkook fez um bico, frustrado. Taehyung deixou sua cabeça pender para o lado, novamente surpreso pela ousadia do outro e modo que falava consigo. Aquilo realmente era muito raro nos dias atuais.

– Devia perguntar a quem te disse e não para mim. – Disse por fim, dando de ombros e vendo Jungkook lhe lançar um olhar reprovador.

– Por favor, o que custa me responder? Se estou te perguntando, é meio óbvio que já tentei descobrir algo com outras pessoas. – O ruivo bufou. Estranhamente, não sentia-se mais intimidado, a verdade era que sua curiosidade era tamanha para substituir qualquer medo que ele pudesse sentir do moreno de olhos azuis.

– Custa meu precioso tempo e minha inexistente paciência. – Taehyung respondeu divertido enquanto mordia a ponta de um lápis. Por um instante, o olhar de Jungkook se perdeu nos lábios do outro, mas assim que viu o canto da boca do moreno se erguer levemente, num sorriso, Kook desviou a atenção.

– Eu faço sua parte do trabalho. – Falou rápido antes que se arrependesse. Taehyung sorriu largo.

– Agora estamos falando a mesma língua, garoto. – O moreno deixou uma risada curta e rouca escapar.

– Eu tenho nome. É Jeon Jungkook.

– E eu por acaso perguntei? – Taehyung disse ignorante, fazendo Jungkook ficar com as bochechas ainda mais avermelhadas. – Mas okay, Jeon. O que você quer saber? – Acrescentou, com medo que o menino desistisse da proposta.

– Eu tenho muitas perguntas, e espero que você responda todas, se não, nada feito. – Jungkook acrescentou decidido.

– Cinco perguntas. – Taehyung ditou, após alguns segundo em silêncio, pensando sobre os prós e contras da proposta de Jungkook.

– É muito pouco. – Jungkook contrapôs. – Quinze.

– Sete.

– Dez. – Jungkook rebateu novamente. Após receber um olhar tedioso de Taehyung, sorriu ao vê-lo suspirar e confirmar com um aceno de cabeça.

– Okay, mas vamos para outro lugar. – Disse enquanto se levantava. – As paredes dessa casa têm ouvidos. E como não sei o que você vai perguntar, é melhorar estarmos num local mais reservado. – Taehyung continuou enquanto caminhava para fora da sala, sem olhara para conferir se Jungkook o seguia.

– Que lugar? – Ouviu a voz do outro logo atrás de si, e em seguida, sentiu a presença do ruivo caminhado apressado ao seu lado. – Não é meio indelicado ficarmos caminhando pela casa do Seokjin assim? – Jungkook perguntou enquanto coçava a nuca.

– Já foram duas. – Taehyung sorriu de lado.

– Hey! Não está valendo ainda. – O menor fez um bico, fazendo com que o Taehyung soltasse uma risada.

– Certo. Mas enfim, não se importe. Essa casa não é só do Seokjin. – O moreno deu de ombros.

– E o que isso tem a ver? Pra mim continua sendo má educação da nossa parte.

– Você realmente deveria parar de falar antes que eu desista desse negócio. – Taehyung bufou e imediatamente Jungkook se calou. Não poderia perder a chance de saciar um pouco da sua sede por respostas.

Os dois caminharam em silêncio. Passaram pelo cômodo onde ficava a entrada e então subiram uma enorme escada, que dava para outro cômodo ainda maior que os do primeiro andar. Aquele local parecia ser uma segunda sala, só que três vezes maior a qual estavam até alguns minutos atrás. Assim como o resto da casa, os móveis e a decoração retratavam com elegância a Era Vitoriana. Jungkook desejava observar por mais tempo, porém Taehyung continuava caminhando, e já estava alguns passos à sua frente.

O moreno subiu um pequeno degrau que dava para um extenso corredor e parou em frente à uma das cinco portas que haviam ali. Parado ao lado de Taehyung, Jungkook se questionava onde poderiam estar as empregadas que cuidavam daquele enorme domicílio.

– Nossa, de quem é esse quarto? – O ruivo perguntou boquiaberto assim que Taehyung abriu a porta e deu espaço para que ele entrasse.

Ao contrário do resto da casa, aquele cômodo tinha uma decoração despojada e moderna, em tons azuis e amarelados. Logo em frente à porta, uns seis passos de distância, estava uma cama de casal pequena, forrada com um lençol branco. Em frente a ela, no lado direito do quarto, estava uma escrivaninha, onde havia somente um abajur. Ainda ao lado da cama, dessa vez no parte esquerda do quarto, havia uma outra porta e ao fundo, um imenso guarda roupa. No canto direito havia uma janela que ia do teto ao chão e em sua frente, uma cadeira que parecia ser extremamente confortável, e nela estava apoiado um violão.

 Estava tudo organizado e parecia até mesmo jazer uma leve camada de pó sobre alguns objetos.

– Já devo começar a contar essa pergunta? – O moreno questionou enquanto aproximava-se da grande janela, abrindo as cortinas.

– Não, por favor. – Jungkook respondeu rápido. Saber a quem pertencia o quarto era uma informação irrelevante.

– Então... – Taehyung suspirou enquanto sentava na cadeira, com o violão em mãos. Jungkook coçou a nuca e decidiu sentar-se também, porém na beirada da cama.

– Por que você agiu daquele jeito comigo no primeiro dia de aula?

Taehyung soltou uma risada alta.

– Por que sim? – O garoto levantou as sobrancelhas, ainda rindo. – Tratei você da mesma forma que trato todo mundo, Jeon. – Taehyung deu de ombros, como se fosse óbvio.

– Mas por que trata as pessoas assim? – Questionou, tentando não se irritar pela forma que o outro lhe respondia.

Taehyung comprimiu os lábios, fazendo com que se tornassem uma linha fina. Sua expressão divertida foi substituída rapidamente por uma expressão vazia.

– Tenho m-meus motivos. – Disse num sussurro, a voz falha, seus olhos, após algumas piscadas rápidas, como se ele estivesse se ajustando à luz, ficaram fixos em algum ponto do chão à sua frente.

– E quais seriam eles? – O ruivo engoliu em seco. Taehyung naquele momento não parecia mais o garoto intimidador do primeiro dia de aula, na verdade, ele parecia estar sendo o intimidado. E isso assustava ainda mais Jungkook.

– Ainda estou me perguntando o quão alienado você é. – A voz debochada fez Jungkook arregalar os olhos. De uma forma brutal, ali estava novamente o Taehyung que todos pareciam temer. – Eu já te respondi sobre isso na aula, não se lembra?

– Sobre o nome? – Jungkook coçou a nuca, confuso. – Mas qual a ligação?

– Já foram quatro. – O moreno falou de forma despreocupada, tocando algumas notas no violão.

– Duas, desconsidere as últimas. – Soltou um suspiro, mordendo o lábio em seguida. Deveria perguntar sobre a festa? Jungkook sentia-se temeroso, algo em seu âmago lhe dizia que aquilo foi somente diversão para o outro, mas por que continuava tão curioso sobre o assunto? Precisava ouvir isto da boca de Taehyung para tomar um choque de realidade?

– Certo... – O moreno disse com a voz baixa, os dedos batucavam no violão, e depois formaram um acorde, seguido de outro. Não demorou para que Jungkook se perdesse na canção que Taehyung cantarolava com a voz grave, acompanhada do toque do instrumento. Ele não conhecia a música, mas estava tão impressionado com a visão que mal prestara atenção na letra. – Time to share, Gemini.

– Que? – Jungkook ergueu as sobrancelhas quando o outro parara de cantar.

– O nome da música, Jeon. – Taehyung rolou os olhos.

– Ah sim...

Um silêncio constrangedor se instalara entre os dois, ao menos Jungkook sentia-se assim. Taehyung continuava a tocar acordes aleatórios no violão enquanto balbuciava alguma canção.

– Hm, e na festa... – O ruivo começou incerto, após algum tempo. Suspirou. – Por que fez aquilo? – Sua voz tremia levemente, o que não passou despercebido por Taehyung, que largou o violão de lado e passou a encara de forma divertida o ruivo.

– Aquilo o que? – Questionou, os lábios formando um sorriso debochado.

– Oras! Você sabe do que estou falando. – Jungkook disse indignado. Relembrar aquele momento na pista de dança e o que fizera depois o deixava demasiado envergonhado, e o ruivo tinha certeza que as suas bochechas deveriam ter adquirido uma cor avermelhada no momento, de novo. – Não se faça de tolo.

Taehyung soltou uma gargalhada alta e então levantou-se da cadeira, caminhando de forma lenta demais até ficar em frente à Jungkook, onde abaixou-se até ficar face a face com o outro, seus braços apoiavam-se um de cada lado das pernas do ruivo.

Devido à atitude inesperada, Jungkook fitava Taehyung sem reação, mesmo quando ele inclinou seu corpo para frente e mordeu o lóbulo da orelha do ruivo demoradamente, Kook permanecia imóvel, com os músculos tensionados, mas não conseguira conter o gemido baixo que escapou de sua garganta. Ainda mais envergonhado, ele mordeu o lábios e fechou os olhos, apertando os mesmos.

Sentia que Taehyung ainda estava perto de si, perto até de mais, ao ponto do garoto sentir a vibração da risada rouca do outro em sua pele, o que fizeram com que um arrepio percorresse desde sua coluna até cada membro do seu corpo.

– Isso, Jeon? – Perguntou, fazendo o ruivo abrir os olhos e lhe fitar. Jungkook engoliu em seco, a voz baixa de Taehyung soou extremamente sexy aos seus ouvidos. Seu rosto estava tão perto que ele podia sentir a respiração mesclando-se à sua. Jungkook não conseguia fitar outro lugar que não fosse os lábios fartos e bem desenhados do moreno. Sabia que sua sanidade estava deixando-o a cada suspiro, e fora por isso que simplesmente mandou sua consciência pro espaço e, rapidamente, inclinou seu rosto, colando seus lábios nos de Taehyung.

Os olhos de Jungkook estavam fechados, mas isso não o impedira de sentir a surpresa de Taehyung. O pouco de sanidade que lhe restava o fez se repreender mentalmente. Onde estava com a cabeça? Estava prestes a se afastar quando sentiu os lábios de Taehyung começarem a acariciar os seus. Uma de suas mãos foi de encontro à bochecha de Jungkook, começando a fazer um leve carinho ali. Quando pretendia aprofundar o beijo, Taehyung quebrou o ósculo. Ele começou a se afastar, mas Jungkook não deixou que continuasse.

Segurando a gola da camisa do outro, Jeon o puxou para cima, em seguida o empurrando para o lado, fazendo com que Taehyung caísse sobre a cama. E sem nem lhe dar tempo para entender o que ocorria, Jungkook sentou em seu colo e voltou a lhe beijar.

Imediatamente o ruivo pediu passagem com a língua, que lhe foi concedida. Taehyung, após se recuperar da surpresa, levou suas mãos até a cintura do outro, apertando a mesma por baixo da camisa que este usava. Ao mesmo tempo em que Jungkook sentia um pouco de dor, sabia que seus pelos se eriçavam devido às inúmeras sensações que aquele simplório toque em sua epiderme lhe proporcionava.

Com uma destreza invejável, logo as mãos de Taehyung estavam retirando o moletom que Jungkook usava. O ruivo sentia seus pulmões arderem pela falta de ar, então afastou-se minimamente para recuperar o fôlego e para que pudesse tirar a peça de roupa incômoda. Não sabia o certo o que fazer, mas seus instintos diziam para que ele beijasse o pescoço de Taehyung, e foi o que fez. Ora mordia, ora beijava.

Taehyung ainda continuava focado nas roupas do outro, e após tirar o moletom do ruivo, deixou sua mão brincando no primeiro botão da camisa de Jungkook durante alguns segundos, para então, muito lentamente, começar a abrir um por um. Ao chegar à metade, ele achou suficiente e então puxou a camisa do outro, fazendo com que ela escorregasse pelo tronco pálido e magro de Jungkook, deixando seus ombros e peito à mostra.

Jungkook nunca sentiu-se tão agoniado em sua vida. Ele estava com a respiração acelerada, cada parte do seu ser pedia por mais contato, ele nem ao menos sentia vergonha de estar quase sem camisa, porém o outro tinha cada movimento feito com tranquilidade, como se fosse calculado. Um grunhido arrastado e baixo foi proferido quanto Taehyung apertou as coxas de Jungkook, o que causara uma risada no moreno.

Envergonhado, Jungkook somente ergueu a cabeça, levando sua boca até a de Taehyung e iniciando um outro beijo. Seus dentes chocavam-se em alguns momentos, devido à pressa e a intensidade dos movimentos. E quando Jungkook se afastou novamente para recuperar o ar, aproveitou para fitar o outro. Taehyung estava com os lábios inchados e avermelhados, sua pupila dilatada e a respiração desconcertada. Os orbes azuis inundados de malícia e luxúria.

Jungkook sentiu a mão de Taehyung em sua costa, segurando firmemente para que, com cuidado, ele se deitasse na cama, por baixo do moreno, que manteve seu rosto perto o tempo inteiro. Eles ainda se fitavam quando Jungkook viu o desejo sumir dos olhos do outro tão rápido quanto surgiu e ser substituído por um olhar confuso.

– Você não tem medo de mim? – Sussurrou.

– Não. – Jungkook soltou uma risada nervosa. – Quero dizer, você é muito assustador e grosseiro às vezes, mas não. Eu não tenho medo de você, Taehyung. – Falou sincero. O ruivo estava deveras confuso, admitia. Apesar da forma peculiar de Taehyung, Jungkook sentia que havia algo a mais por baixo daquela máscara, havia um tesouro naquele oceano, Jungkook só precisava ser paciente e esperar a tempestade se acalmar, para que as águas se tornassem límpidas e ele pudesse enxergar com clareza.

Sua intuição lhe dizia que Taehyung não podia ser completamente aquela figura que tantos temiam. Embora não o conhecesse direito, não negava que as palavras de Hyuna ainda ecoavam em sua mente. Taehyung havia ajudado uma garota, se ele fosse um completo mau caráter, não teria feito isso, não é?

O ruivo só esperava que não estivesse se iludindo de forma tola por causa de uma aparente atração sexual por Taehyung. Mas acreditava – quase que cegamente – que nenhuma pessoa era fria por opção, e sim, por excesso de decepções. Havia um motivo para Taehyung ser assim, e Jungkook estava disposto a descobrir. Se não sua curiosidade o enlouqueceria.

– Eles não te contaram ainda... Não é? – Taehyung murmurou. Parecia estar falando para si mesmo e não para Jungkook.

– Contar o que? – O ruivo erguer as sobrancelhas, não fazia ideia do que o outro falava.

– Nada, esquece. – Disse rapidamente e retomou o beijo. Definitivamente, Taehyung originava uma atração muito forte em Jungkook, porque assim que os lábios voltaram a se unir, a curiosidade do mais baixo sumiu.

As mãos levemente trêmulas se dirigiram até a camiseta de Taehyung, pretendendo tirá-la, mas um grande baque na porta fez com que Jungkook estacasse, parando qualquer movimento e até mesmo de respirar.

– Kook?

Taehyung e Jungkook separaram-se rapidamente e, desajeitados, sentaram-se na cama.

– Seokjin? O que está fazendo aqui? Por que nos atrapalhou? – Taehyung perguntou irritado, entre dentes.

– Talvez porque essa casa também seja minha? – Jin respondeu ainda mais bravo, com o tom de voz debochado. Jungkook fitou os dois, intrigado. Não estava entendo o que ocorria, mas estava tão envergonhado que deixou sua curiosidade para outra hora e começou a abotoar sua camiseta rapidamente.

– Precisamos conversar, Jungkook. – Jin disse, ignorando completamente o moreno. Jungkook assentiu com a cabeça abaixada. Rapidamente vestiu seu moletom e saiu do quarto, seguindo Seokjin que já estava alguns passos adiante. Mas antes de atravessar a porta, olhou para trás. Taehyung ainda estava sentado, com a roupa abarrotada e os lábios inchados, acompanhando o ruivo com o olhar, visivelmente bravo. Jungkook respirou fundo e antes que perdesse a coragem, falou:

– Ainda tenho sete perguntas e exijo uma resposta para cada uma delas, se não nosso trato está desfeito. Até outra hora, Taehyung.

 

-❇-

 

– Jin, pode me esperar, por favor? – Jungkook gritou assim que terminou de descer as escadas. O outro caminhava pela casa pisando forte, e também bufava, embora Jungkook não visse.

– Vá até a sala e pegue suas coisas, vamos até sua casa fazer o trabalho. – Ditou, sem olhar para trás.

– Mas e Taehyun-

– Faça o que eu disse, Jungkook. – Jin o cortou, finalmente parando de caminhar e virando-se, fazendo com que o ruivo trombasse em si, já que caminhava em seu alcance. – E Taehyung não vai nos ajudar em nada, muito pelo contrário! Só vai atrapalhar.

Jin parecia extremamente irritado, e fora por isso que Jungkook achou melhor não se opor, ficando em silêncio e buscar sua mochila, para que fosse embora e finalmente fazer o trabalho. Assim que aproximou-se da porta, ambos saíram e caminharam em silêncio até o mesmo carro que Jungkook acabara acostumando-se a andar, já que Jin lhe dava carona quase todos os dias.

– Jin, porque você disse que a casa era sua daquele jeito? Digo, imagino que more com seu pai, mas há mais alguém que reside lá com vocês? – Jungkook perguntou receoso, após longos minutos de um silêncio sepulcral.

– Meu pai também morreu, Jungkook. – Jin respondeu por fim, suspirando e passando a mão pelo cabelo. O ruivo arregalou os olhos, arrependido por ser tão curioso.

– Me desculp-

– Tudo bem, não tinha como você saber. – Ele virou o rosto, encarando Jungkook. Embora ainda estivesse com a expressão meio brava, parecia mais calmo. – Me diga, você lembra do que te disse no primeiro dia de aula? Depois que você esbarrou no Lea e me perguntou se eu o conhecia. Lembra de minha resposta?

Jungkook franziu a testa, ele realmente não tinha uma memória muito boa.

– Você disse que Lea era um apelido para Oleander, o que me deixou confuso porque também o chamam de Taehyung. – Fez uma careta, suspirando. – Mas enfim, você disse que talvez a cidade toda o conhecia e que eu não deveria mais me meter em seu caminho. Para meu bem. – Terminou a frase com um suspiro.

– Exatamente, Jungkook. Mas parece que você não deu muita importância ao que eu disse, não é? – Jin disse com a voz num tom baixo, parecia frustrado. Jungkook se limitou a desviar o olhar, num misto de vergonha e remorso. Sentia-se mal por não ter seguido o conselho do amigo, que só vinha o ajudando desde que ele entrou na nova escola. Por não seguir o conselho de alguém que conhecia Taehyung há muito mais tempo.

– Desculpa, Jin. – Disse baixinho, querendo fundir-se ao banco do carro.

– Você não tem que me pedir desculpas. Eu, como bom amigo, apenas lhe dei um aviso, mas você não o seguiu, então acho que está mais do que na hora de você saber a verdade. Toda a verdade. – Jungkook arregalou os olhos, fitando o outro que sentava ao seu lado.

– Você está me assustando.

– Essa é a intenção, Kook.

Jungkook voltou a ficar em silêncio, sua mente curiosa já estava criando mil e uma suposições do que Jin iria lhe contar.

O ruivo estava tão imerso em pensamentos, que mal notou o carro parar.

– Já chegamos a sua casa, vamos. – Jungkook somente assentiu com a cabeça, descendo após se despedir do motorista, que havia se tornado seu amigo também.

Após passarem pela sala, onde ambos cumprimentaram rapidamente a mãe de Jungkook, que estava na cozinha, rumaram para o quarto do ruivo, para que pudessem fazer o trabalho e conversar com mais privacidade.

Enquanto Jungkook sentava-se num puff redondo e fofo, indicou a própria cama para que o amigo sentasse.

Os dois voltaram a ficar em silêncio. Enquanto a curiosidade de Jungkook o corroia por dentro, Jin parecia nervoso, suspirava inúmeras vezes e passava a mão pelos cabelos. Depois do seu décimo quarto suspiro – Jungkook havia contado –, Seokjin decidiu falar.

– Kook, por que não fez o que te falei? Por que não ficou longe do Lea? – Sua voz banhada de pura e simples decepção.

– Eu não sei, Jin. – Respondeu quase inaudível. – Juro que não sei. É estranho porque, mesmo com seu aviso, eu não consigo simplesmente fingir que Taehyung não existe. É como se tivesse algo que me atrai até ele, literalmente. – Coçou a nuca, ao que mordia o lábio, encabulado.

Seokjin ouviu o outro em silêncio, olhando para um ponto no chão que ficava entre seus pés, enquanto absorvia cada palavra.

– Você tem que me ouvir, Kook. O Lea é um cara idiota, estúpido, egocêntrico... Ele nãos e importa com ninguém e trata as pessoas ao redor dele com indiferença. Você vai ver, ele está só brincando com você, se divertindo com sua inocência. 

– Então me explique o fato dele ainda, aparentemente, ter amigos. Eu vi ele rindo e se divertindo na escola, como qualquer outro adolescente. Me explique como ele pode trabalhar num lugar que tem que tratar as pessoas bem! Se não fizesse um bom trabalho, já teria sido demitido, com certeza. – O ruivo rebateu convicto. – Não estou o defendendo. Só quero que me diga logo o que se passa!

– Jungkook, me escute! – Jin disse num tom de voz elevado. – Admito, Lea faz um bom trabalho. – Continuou mais calmo. Jungkook franziu o cenho, não entendendo porque Jin só chamava Taehyung pelo apelido. – Mas mesmo que não fizesse, ninguém poderia demiti-lo.

– Como assim?

– Jungkook... – E mais um suspiro fora solto. – Ninguém poderia demitir Lea ou se opor porque metade daquele restaurante pertence a ele.

– O QUE? – Jungkook gritou, não se importando se sua mãe pudesse acabar ouvindo. Colocou as mãos na cabeça enquanto sentava-se ereto no puff. Ele estava alterado, mais confuso que nunca. Sentia como se seu cérebro entrasse numa pane total. – E de quem é a outra metade?

– Minha, Kook.

– M-mas... Por... P-por que...? Como? – Não conseguiu finalizar a pergunta, então apenas deixou no ar, esperando que Jin entendesse. Jungkook chegou a pensar se estava sonhado. Aquilo parecia tão estranho, tão absurdamente louco que ele duvidava que fosse real.

– Por que somos donos do restaurante? – Jin completou e Kook somente assentiu com um movimento quase imperceptível de cabeça, atormentado demais para falar. O outro ficou em silêncio novamente. Uma vontade avassaladora de esgoelar o amigo apossou-se de Jungkook. Ele estava aflito com todo o suspense que o mais velho fazia. Sentia que uma bomba ia explodir dentro de si, e como não tinha como fugir, somente queria que isso acontecesse logo, de forma rápida e indolor.

– Desembucha de uma vez, Seokjin! – Gritou nervoso.

– Por que... – ele começou a falar baixo, sua voz falhando um pouco – p-porque herdamos esse restaurante do nosso pai, Jungkook. Lea é meu irmão. 


Notas Finais


TAN TAN TAAAAAAAAAN

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Espero que tenham gostado, pessoassss. Essa é só a primeira resposta de todas as perguntas. Logo chega MUUUUUITO mais explicações. Mais especificamente no próximo cap q Ele vai ser praticamente só explicativo, terá muitos flashbacks e blábláblá ENTÃO PREPAREM O KOKORO!

Perdão pelos possíveis erros, panfletem Blue por aí e ajude a história a ficar mais conhecida :3 Surtem comigo no twt, nos comentários, por MP OU DM SLA SLASAÇNSAÇLNSAÇLNSA adoro quando vocês falam comigo <333333


Então, se alguém quiser socializar: https://twitter.com/aspandicorn

XOXO


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