História Blue Bird - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Blue Bird, Exame, Haruno, Naruto, Rainforest, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Sasu-sensei, Uchiha
Exibições 200
Palavras 2.323
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


não me batam por favor

Capítulo 18 - Eu quero voltar


 

Eu quero voltar

Sakura sentia-se orgulhosa de si própria. Conseguira evitar Sasuke durante um mês inteiro com sucesso. Não se cruzara com ele uma única vez e não caíra em nenhuma das armadilhas de Naruto. Só ela sabia quão difícil isso fora e quantas vezes tivera necessidade de vê-lo – mas conseguira resistir.

Naruto não estava a par da situação, ainda que, não sendo completamente estúpido, tivesse noção do que se passava. Ela só saia com  Naruto após ele prometer várias vezes que Sasuke não iria, raramente tocava no nome do Uchiha e mudava de assunto quando ele próprio falava em Sasuke. Mas não fizera grande alarido sobre o caso. Talvez finalmente começasse a aceitar a decisão de Sakura – ela assim pensava, mas a verdade é que Naruto estava a torcer por Sasuke e apenas esperava que este tomasse alguma atitude.

Kakashi, por outro lado, estava completamente dentro do assunto. Na verdade, era ele quem Sakura procurava quando se tornava mais difícil. Fora ele o seu principal confidente nos últimos anos, um quase-pai com quem ela podia ir ter quando necessário, e continuava a sê-lo.

Kakashi, claro, conhecia ambas as versões da situação, sendo confidente de ambos. E ainda assim conseguia manter-se imparcial, ainda que calmamente procurasse que a situação melhorasse. Secretamente, tinha o desejo de que a Equipe 7 voltasse a ser una.

Sakura continuava a dividir o seu tempo entre a Academia, as missões e o Hospital. Recentemente começara a sentir a presença de um chakra extra em determinadas situações – nomeadamente, durante as aulas -, mas, sabendo que Kakashi e Naruto às vezes gostavam de espiá-la, não deu atenção ao assunto. Eles preocupavam-se com ela da sua forma.

O exame já passara ao que parecia uma eternidade, ainda que parecesse manter-se firmemente presente na vida de Sakura. Os pesadelos que a atormentavam antes do Exame passaram a dar lugar a um loop incessante de Sasuke a espancá-la, todas as noites. Agora Sasuke já não a assassinava com a sua katana, mas sim com os seus punhos. O seu horário de sono estava destruído desde então, e raramente conseguia dormir mais do que algumas – pouquíssimas – horas. Também perdera o apetite.

Quando se olhava ao espelho, sentia-se mal.

Emagrecera bastante, tinha covas profundas e escuras por baixo dos olhos, os lábios estavam secos e não raramente dava por si a encolher-se de medo perante algum objecto que voasse na sua direcção, por mais inofensivo que fosse. Treinar tornara-se tão difícil que simplesmente deixou de comparecer aos treinos.

— Sakura – alertou Kakashi, após mais um desses episódios em que ela se assustava. Uma folha de uma árvore que lhe atravessar o campo de visão fizera-a recuar aterrorizada. Depois de conseguir acalmá-la, com um chá gelado, chamou-a, muito sério, ao assunto — Devias consultar um médico.

Kakashi sabia de tudo, assim como compreendia porque é que ela não treinava mais. Não a pressionara, decidindo antes dar-lhe tempo para recuperar, mas mantendo-se perto dela e atento ao desenrolar da situação, visitando-a frequentemente e indo passear com ela. Mas Sakura não dava sinais de melhorar – pelo contrário, definhava cada vez mais.

— Kakashi-sensei, eu sou uma médica. – respondeu ela, segurando a caneca entre as mãos, mas recusando-se a olhá-lo nos olhos — Não há nada de errado comigo.

— Um psicólogo, Sakura.

— Eu estou bem. — retrucou firmemente.

Kakashi não insistiu. Mas sabia que plantara a semente. Agora, restava-lhe esperar mais um pouco, manter-se atento e dar palpites até ela finalmente aceitar que tinha, de facto, um problema. E grave.

 

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Não foi muito depois disso que Sasuke lhe apareceu à porta, numa tarde cinzenta e sem nada de especial. A surpresa foi tão grande que não reparou no embrulho castanho que ele levava, nem no seu desconforto. Sasuke estava à sua porta e isso era suficiente para desorienta-la por completo, levando-a a ignorar todos os detalhes que anteriormente teria analisado incansavelmente.

Sasuke, por sua vez, acrescentou o ar pouco acolhedor de Sakura à sua lista de motivos porque se sentia desconfortável e não devia ter ido ali. Mas tanto Naruto quanto Kakashi não paravam de insistir na necessidade urgente de o fazer, e ele finalmente cedera.

— Sasuke-kun. — Sakura franziu as sobrancelhas, recuperada do choque. — Que fazes aqui?

— Preciso de conversar contigo. — retrucou sem rodeios. Lançou um olhar rápido para a porta, que não estava aberta nem a metade. Se Sakura não a abrisse para entrar, ele próprio o faria. Agora que estava aqui, não iria simplesmente recuar.

Mas ela abriu-a, pouco segura de isso ser uma boa ideia, e Sasuke entrou no apartamento dela, ouvindo a porta fechar-se atrás de si. Sakura mudara-se para ali apenas há alguns meses, pouco antes do regresso de Sasuke.

Ele nunca entrara na casa dos pais dela, mas imaginava que fosse tão iluminada e familiar quanto esta. Era uma casa que facilmente acolheria uma família pequena, ao contrário da sua, que era escura e fria.

Avançou pelo hall de entrada, dirigindo-se à cozinha. Pousou o embrulho na mesa no momento em que Sakura entrava a seguir a ele. Os seus olhos esverdeados encontraram o embrulho e uma expressão de confusão trespassou-lhe o rosto cansado.

Sasuke não a via há semanas, por isso a mudança foi muito mais óbvia para ele. Já reparara quando ela abrira a porta, mas, na luz da cozinha, o seu estado era muito mais evidente. E não deixou de reparar na ausência de vida nos olhos dela.

Sakura nem parecia a mesma pessoa.

— Do que precisas? — perguntou ela, encostando-se ao balcão. Procurava manter distância dele, como se ele fosse veneno para ela. E, considerando tudo, talvez fosse mesmo.

— Respostas. — respondeu ele, rodeando a mesa e colocando-se de modo a que esta estivesse entre eles. Usando-a como uma espécie de escudo.

— Então faz as perguntas.

O frio na voz dela apanhou-o de surpresa. De facto, havia algo de gravemente errado com Sakura. Contudo, não se deixou afetar demasiado com o choque.

— Onde está a minha cópia da fotografia? — perguntou, sem rodeios.

Sakura deu uma espécie de risada sarcástica, terminando com um palavrão. O seu olhar não escondeu a indignação.

— Onde é que está a minha cópia? — retrucou.

Sasuke já esperara isso. Por isso, apenas apontou para o embrulho em cima da mesa. Viu mais uma quebra no escudo de Sakura quando ela foi, mais uma vez, apanhada de surpresa.

— Porquê? — questionou, momentos depois, quando não conseguiu encontrar a resposta sozinha.

— O quê?

— Tudo. — franziu o sobrolho, erguendo uma mão e começando a contar pelos dedos enquanto enumerava as suas questões — Porque é que a roubaste, porque é que a guardaste, porque é que ma estás a devolver, porque é que queres a tua e, acima de tudo — fez uma pausa, recuperando o fôlego, e olhou-o com intensa frustração — porque é que voltaste.

Eram demasiadas perguntas, e na verdade não esperava a resposta para nenhuma delas. Apenas as disse porque precisava de libertar aquela raiva dentro de si. Quem pensava ele que era para chegar ali a exigir que ela devolvesse algo que ele próprio roubara?

Maldito fosse Sasuke Uchiha e toda a sua raça.

Sasuke suspirou, ordenando as ideias. O seu olhar vagueou distraidamente pela cozinha, analisando-a com pouco interesse. Os minutos passaram. Por fim, olhou novamente para Sakura. O olhar dela estava fixo no chão. Fazia um bom trabalho a evitar chorar – Sasuke sabia que ela estava bem perto disso.

— Sakura — chamou. Ela não se mexeu. — Acho que te devo um pedido de desculpas.

— Achas? — a cabeça da Haruno levantou-se bruscamente, olhando-o com fúria. Endireitou-se rapidamente, a sua mão instintivamente alcançando um prato que atirou a um Sasuke completamente desprevenido. — ACHAS!? — avançou furiosamente, enquanto Sasuke se desviava da loiça, que se partiu bruscamente na parede atrás dele. Só a segundos de ser quase atingido novamente é que reparou que ela avançava com o punho carregado de chakra, desviando-se por milímetros de ser ele o alvo. A parede rachou quando Sakura a acertou. Ela não planeava matá-lo, ou a parede desfazer-se-ia, mas um soco daqueles teria as suas consequências pouco agradáveis.

Sakura perdera momentaneamente a razão. E por mais culpado que Sasuke fosse, não podia simplesmente deixá-la espancá-lo. Por isso, fez o que fazia quase tão bem quanto lutar: defendeu-se. E fê-lo ao imobilizar rapidamente Sakura, aproveitando enquanto ela recuperava de socar a parede. Dois golpes e ela estava de costas para ele, braços atrás das costas, paralisada.

— Sakura. — chamou-a, tentando trazê-la de volta à razão. Ela debatia-se, ainda mais furiosa, e ele era obrigado a pressionar ainda mais as suas articulações para mantê-la domada. Mais um pouco e teria de partir-lhe um braço ou libertá-la. Inspirou profundamente, ignorando todas as maldições que ela lhe lançava e aos seus descendentes. — Desculpa.

Ela calou-se subitamente. Também parou de debater-se. A sua cabeça tombou inerte, e no mesmo momento as suas costas começaram a mover-se irregularmente com soluços. Sasuke demorou algum tempo a perceber que ela estava a chorar.

Não sabia bem que fazer. Libertá-la poderia dar-lhe espaço para o atacar novamente; mas também não podia mantê-la ali eternamente presa.

Optou por libertá-la e, esperando por um novo ataque, surpreendeu-se quando ela caiu de joelhos no chão, soluçando violentamente.

Sakura finalmente quebrara.

 

≈≈ ₪ ≈≈

 

Aquele idiota. Aquele imbecil. Aquele filho de uma égua miserável e desprovido de decência.

Quem é que ele pensava que era?

Quem, pelos infernos, julgava ele que era?

Observou-o a acocorar-se à sua frente, e optou por ignorar a sua presença.

Afinal, quanto tempo esperara por aquele pedido de desculpas?

E quantas vezes imaginara como ele seria?

E agora aquele pelintra merdoso tinha a lata de chegar ali e simplesmente fazê-lo? Assim, tão simples? Tão básico? Tão… inesperado.

Chorar à frente dele tornava a situação ainda pior. E ele ficar ali parado a olhar para ela, meu deus, enfurecia-a tanto. Ia simplesmente ficar ali parado? Será que não lhe sobrava nenhum pingo de misericórdia?

— Vai-te embora. — conseguiu dizer, por entre os soluços, a voz saindo-lhe embargada e pouco compreensível. — Vai-te embora. — repetiu, com mais clareza.

Mas Sasuke não se moveu.

Optou novamente por ignorá-lo, mas a sua presença preenchia-a demasiado. Como um veneno no ar que não conseguia evitar respirar. Como uma kunai arremessada que não via a tempos e a acertava. Como o Chidori que quase a matara. E agora procurava segurá-la.

— Sakura. — os braços dele estenderam-se, e as mãos pousaram nos ombros trémulos da jovem. De acocorado, passou a ajoelhado. Podia até ser bonito, se Sakura não se sentisse tão miserável.

— Porquê? — conseguiu murmurar — Porquê? Porquê? Porquê!? Vai-te embora, Sasuke! Já fizeste o suficiente. Vai-te embora! Vai para de onde viste e não voltes mais!

As palavras dela atingiram-no como uma bofetada. E não ignorou a ausência de um sufixo ao dizer o seu nome. Mas, ainda que tudo fosse muito mais fácil se ele se levantasse e fosse embora, decidiu ficar.

Mas ficou em silêncio e, como ela não tentou afastá-lo fisicamente – apesar de tudo -, continuou a segurar-lhe os ombros. Ela chorava desoladamente, recordando-lhe a noite em que partira. Também seria mais fácil se, mais uma vez, a pusesse a dormir e se fosse embora.

Sasuke tinha um longo histórico em optar pelo mais simples no que tocava a Sakura. Ignorá-la, afastá-la, desprezá-la. Mas, desta vez, Sasuke não queria optar pelo caminho mais fácil.

Sakura inclinou-se para ele, encostando a cabeça ao seu peito. As suas mãos agarraram na camisola de Sasuke e apertaram-na como se a sua vida dependesse disso. Conseguia sentir a cólera e desolação dela nos tendões retesados e a pele embranquecida pelo esforço.

A primeira coisa que lhe ocorreu foi ‘patético’.

A segunda, ‘eu sou patético’.

Ali estava uma amiga desolada, pura culpa dele, e não fazia a mais pequena ideia do que deveria fazer ou dizer.

Por isso, apenas repetiu um sincero ‘Desculpa’ e deixou-a chorar tanto quanto precisava, agarrada a ele ou apenas encostada.

A certa altura a mão dele deslizou para cima, para o cabelo dela, e lá ficou. Era suave ao toque e não tão selvagem quanto parecia à vista. Sakura parou de soluçar instantaneamente, erguendo a cabeça para o olhar.

Sasuke não conseguiu identificar a expressão dela, mas tinha os olhos arregalados e os lábios entreabertos. O rosto estava inchado e vermelho, encharcado com as próprias lágrimas. Essa visão atingiu-o como um soco.

Também ela reparou na expressão dele. Parecia um menino pequeno em pânico. E ainda que isso a tenha também atingido com força, e causado até mesmo alguma compaixão, a única coisa que teve vontade de fazer foi rir. Rir.

Sasuke foi completamente apanhado de surpresa com a gargalhada dela. Estaria a troçar dele? Começou a irritar-se, até que ela, erguendo uma mão, a pousou no rosto dele e parou de rir. Os seus olhos brilhavam, não só das lágrimas, mas também de ternura.

— Sasuke-kun, que fazes aqui? — perguntou, quase num sussurro. A pergunta parecia ser mais dirigida a ela própria do que a ele. Sasuke levou alguns segundos a recuperar da mudança repentina de ambiente.

Que pergunta era aquela? ‘Aqui’, na aldeia? ‘Aqui’, na casa dela? ‘Aqui’, ainda com ela? Como é que ela conseguia ser tão ambígua num momento daqueles? Desviou o olhar, praguejando num murmúrio. Entretanto já a largara, mas a mão dela continuava pousada no seu rosto, morna.

— Sakura. — voltou a olhar para ela, encarando-a. As lágrimas realçavam o verde dos seus olhos, e a forma como ela o olhava era tão desconfortável quanto agradável. — Eu quero voltar.

Não pensara muito nisso até ao momento, mas, assim que o disse, soube que era verdade e realmente queria voltar. Não voltar à aldeia, claro; já lá estava e não planeava ir embora outra vez. Não. Ele queria voltar ao que era em tempos. A equipe sete, a amizade incondicional que antes houvera entre eles – e, acima de tudo, voltar a ser Sasuke.

Porque quem ele era agora era apenas uma sombra do que antes fora.

— Mas Sasuke — respondeu Sakura, também ela apenas confirmando as suas palavras após dizê-las — tu já voltaste.



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