História Blue Bird - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Blue Bird, Exame, Haruno, Naruto, Rainforest, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Sasu-sensei, Uchiha
Exibições 217
Palavras 1.928
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


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Capítulo 19 - Porque eu olho e vejo


 

Porque eu olho e vejo

 

Pela primeira vez em semanas, Sakura conseguiu ter uma boa noite de sono.

Ela e Sasuke não tinham conversado muito mais. Sakura acabara por fazer um chá e beberam-no em silêncio. Depois ele foi embora e ela arrumou a confusão em que a cozinha ficara.

De madrugada, quando acordou, sentia-se mais leve. Encontrou-se com Kakashi para almoçar, já que no dia seguinte ele partiria em missão e só voltaria dali a algumas semanas. Desconfiou que os outros dois colegas de equipe também fossem, mas, quando lá chegou, só encontrou Kakashi.

— Kakashi-sensei — cumprimentou, sorrindo e sentando-se ao lado dele.

— Sakura. — o sensei sorriu também, erguendo uma mão em cumprimento. — Como te sentes?

— Bastante melhor. Hoje dormi bem. — o tom de orgulho com que o disse comoveu Kakashi. Sabia quão mal ela estava, pois passava exactamente pelo mesmo. Todas as noites sonhava com Obito e Rin, e todas as noites eram uma tortura.

Contudo, não tinha ataques de pânico, nem se tornara híper sensível ou paranóica, como ela. Sakura estava a passar por um mau bocado e isso preocupava-o cada vez mais. Desconfiava saber qual o problema dela, mas, não sendo qualificado para dizê-lo, apenas esperava que ela visitasse um psicólogo o mais rapidamente possível.

— Ainda bem, Sakura. — limitou-se a dizer, genuinamente feliz por aquela pequena vitória. — Alguma coisa mudou?

Viu a ex aluna debater-se contra si própria, os seus lábios abrindo e fechando sem saber ao certo se devia contar ou não o que tinha em mente. Sim, tinha acontecido alguma coisa.

— Sasuke-kun… — soltou, mas voltou a calar-se. Mordia o lábio inferior, nervosa.

— Ele fez alguma coisa? — encorajou-a.

Sakura acenou com a cabeça, as mãos agarrando no menu até quase o amarrotar. Suspirou profundamente, voltando-se então para Kakashi.

— Ele visitou-me ontem. — fez uma pausa, para observar a reacção do jounin; mas este conseguiu esconder bem a surpresa, ainda que já esperasse algo assim. — Devolveu-me a fotografia e exigiu a dele… — calou-se novamente.

— E deste-lha?

Sakura remexeu na sua bolsa, tirando de lá um embrulho, que pousou em cima do balcão. Kakashi olhou para ele apenas de relance.

— Planeava dar-lha agora. Ontem eu não… — mordeu novamente o lábio, e Kakashi percebeu que aquilo estava a ser realmente difícil para ela — Não reagi muito bem e não sabia o que fazer. Ele — franziu as sobrancelhas, olhando directamente para Kakashi — ele pediu-me desculpa.

O silêncio instalou-se, e entretanto o empregado perguntou-lhes o que queriam comer. Sakura pediu o do costume e Kakashi o mesmo. O sensei só voltou a falar depois de o empregado se afastar.

— Fico feliz, Sakura. — disse, sinceramente. Finalmente aquele Uchiha idiota fizera algo que não era completamente egoísta. Embora, tratando-se de Sasuke, não era difícil encontrar razões por que aquilo poderia ser benéfico para ele e pouco altruísta. Contudo, por Sakura, Kakashi preferiu acreditar na bondade emergente de Sasuke. — Fico mesmo feliz.

Sakura sorriu, aliviada. Um peso parecia ter-lhe saído das costas, e até a sua postura melhorara. Kakashi sentiu-se mal por lhe dar a má notícia.

— Mas Sakura — disse — Sasuke não vem almoçar connosco. Tsunade chamou-o para ir tratar de papelada.

— Ah… — a desilusão cobriu-a instantemente, e os seus olhos pousaram no embrulho — Bem, não faz mal. Entrego-lhe mais tarde. — guardou a fotografia — E Naruto?

— Atrasado.

 

x

 

Sasuke pareceu genuinamente surpreendido quando Sakura lhe apareceu à porta, dois dias depois. Na verdade, ela planeara ir lá antes, mas perdera a coragem. Desta vez conseguira, mas arrependeu-se assim que o Uchiha abriu a porta.

Ele estava com um ar bastante estragado. Nódoas negras, arranhões e pequenos cortes cobriam-lhe os braços e pescoço, e até tinha um olho negro.

— Sasuke-kun, o que é que te aconteceu? — perguntou, preocupada.

— Ahh, estive a treinar com Naruto. — ele abriu mais a porta, dando-lhe entrada; sabia que, agora que ela o vira, jamais se iria embora sem primeiro curá-lo. E, de certo modo, ele até agradecia que ela o fizesse. — Que fazes aqui?

Sakura não soube bem como responder, por isso simplesmente ignorou a pergunta e entrou. Ordenou-lhe que se sentasse — o que ele obedientemente fez, após fechar a porta — e tomou o caminho, que já lhe era familiar, até à casa de banho.

— Vocês ainda se vão matar um dia destes. — censurou, regressando com o kit de primeiros socorros. — E vai sobrar para mim cuidar do resto. Levanta os braços, deixa-me ver essas equimoses.

Curou facilmente os ferimentos mais pequenos, mas apenas desinfetou e colocou um penso nas que, apesar de não serem graves, eram mais complicados. Não que não pudesse curá-las também. Mas não era nada urgente e, de certo modo, serviria de lição para ele ter mais cuidado.

— Ah, obrigado. — agradeceu Sasuke quando ela terminou. Sakura pousou as mãos nas ancas, suspirando. — Agora — o Uchiha olhou-a intensamente — porque é que vieste aqui?

Sakura deixou-se cair numa cadeira, evitando o olhar dele. Lentamente, retirou a fotografia da mala e pousou o embrulho em cima da mesa. Sasuke olhou para ele por um momento, inexpressivo, antes de voltar novamente a olhar para Sakura. Franziu o sobrolho.

— Onde é que estava?

— Em minha casa.

— Como? Karin correu a casa toda à procura dela.

— Não — Sakura abanou a cabeça — ela procurava a minha. Que estava no meu quarto, bem em cima da secretária. Sinceramente, era bastante escusado ela ter virado a casa de pantanas por algo que estava mesmo à vista.

Sasuke não reagiu, mas, quando o fez, foi com um sorriso de deboche.

— Precisava de marcar território. — respondeu serenamente — Para saberes que lá esteve alguém. Só assim iriam procurar especificamente por alguém nos arredores de Konoha, e só assim me encontrariam.

— Não bastava levar a fotografia? — surpreendentemente, Sakura estava bastante calma. Talvez já tivesse desistido de se irritar com os jogos de Sasuke. Ou talvez sentisse que aquela era a sua oportunidade de colocar tudo em águas limpas.

Sasuke encolheu os ombros. — Tínhamos de ter a certeza que a mensagem passava.

Sakura suspirou, pousando o queixo no punho.

— Para ser franco — retomou Sasuke, após algum silêncio — Quando a mandei aqui, não tinha a certeza se ia voltar ou não. Por isso, a confusão foi tanto uma pista quanto uma provocação.

Ela assentiu. Aquilo era exactamente a cara de Sasuke. Ele tornara-se bastante mesquinho desde que partira; mostrara isso nas vezes em que se tinham encontrado. Contudo, desde que regressara, tinha vindo a melhorar bastante nesse e muitos outros aspectos. Se não tivesse, não estariam ali a conversar naquele momento, e Sakura não teria sequer passado da porta.

— Eu tinha a fotografia em casa dos meus pais — confessou, quando achou apropriado fazê-lo — Não sei porquê, mas achei que lá ficava mais segura.

Ambos olharam para o embrulho castanho. Sasuke pegou-lhe, avaliando-lhe o peso antes de desembrulhar. Quatro rostos cumprimentaram-no quando olhou para a fotografia. Não havia nada de diferente entre esta e a de Sakura, mas, de alguma forma, sentia-se aliviado por ter a sua de volta.

— Porque é que tiveste a minha tanto tempo? — perguntou ela, despertando-o.

— Porque não tinha a minha. — voltou a pousá-la na mesa. — Nem sabia onde estava.

— Como soubeste?

Sasuke encolheu os ombros. E Sakura soube que ele jamais responderia a essa pergunta. Contudo, não precisaria de fazê-lo — só três pessoas lhe podiam ter dito.

— Sasuke-kun — chamou. Ele ergueu apenas ligeiramente os olhos para ela. — Ontem… estavas a falar a sério?

— Sim.

— Sobre quereres voltar ao que era antes?

— Sim.

— Sobre quereres perdão?

— Sim.

— Sobre…

— Sakura. — interrompeu-a, firme, olhando-a agora directamente nos olhos — Falei a sério sobre tudo.

Sakura mordeu o lábio, anuindo. O coração batia mais depressa do que devia e sentiu os olhos ficarem húmidos também — mas não de raiva nem de tristeza.

De alegria e de esperança.

— Bem — levantou-se, atrapalhada, e dirigiu-se à porta — Eu tenho de ir embora. Sasuke-kun, por favor tem mais cuidado contigo. — abriu a porta, voltando-se para ele. Sasuke ainda estava sentado, olhando-a de longe com um misto de nada e de curiosidade — Kakashi-sensei amanhã não vai estar cá. Mas podemos ir almoçar juntos, não? — surpreendentemente, o Uchiha acenou afirmativamente; Sakura procurou rapidamente ignorar o choque, considerando que estava mesmo a contar que ele recusasse. — Sugoii. Vou perguntar ao Naruto se quer vir também.

Depois saiu, deixando Sasuke sozinho com as suas mazelas e a sua fotografia. 

 

x

 

Mas no dia seguinte Sakura não apareceu para almoçar. De manhã, ao sair de casa, um grupo de crianças passou a correr por ela a jogar à bola. A bola atravessou-se no caminho dela, assustando-a, e acabara a ter um ataque de pânico bastante único. Enrolada em si própria, tremendo e gemendo, teve de ser levada à força para o Hospital pelos paramédicos.

Mas Sasuke e Naruto não sabiam disso e, enquanto Sakura estava adormecida numa cama de hospital, eles esperavam por ela no Ichiraku Ramen. As horas passaram, até desistirem de esperar por ela e comerem.

— Não parece nada da Sakura-chan faltar assim — comentou Naruto, preocupado. — Será que aconteceu alguma coisa?

— Tenho a certeza que ela avisava. — respondeu Sasuke, mal humorado.

Só mais tarde, quando Naruto regressava a casa, é que um mensageiro de Tsunade lhe contou o que se passara.

— Teme! — berrou, arrombando a porta de Sasuke e entrando violentamente — Sasuke! Sasuke! — O Uchiha apareceu na cozinha, irritado, preparado para expulsar Naruto a pontapé e ensiná-lo a parar de arrombar portas. — Sasuke, a Sakura-chan está no hospital!

Sasuke não reagiu. Qual era o problema? Ela trabalhava lá, não trabalhava?

— Não, seu idiota — Naruto agarrou-o pela gola da camisola — Ela está doente!

 

x

 

Um quarto de hora e os dois já estavam no hospital. Naruto berrava, exigindo ver a amiga, enquanto Sasuke mal conseguia impedi-lo de agredir os enfermeiros. Ninguém queria deixá-los ir ver Sakura.

— Kuso! — praguejou o Uzumaki, deixando-se cair numa cadeira, desolado — Ela ainda ontem estava bem…

— Não, não estava.

Naruto levantou rapidamente a cabeça, surpreendido. Sasuke manteve uma expressão neutra, devolvendo-lhe um olhar firme.

— Como assim? — interrogou Naruto.

— Incrível como estás com ela todos os dias e não percebes, Naruto. — Sasuke massajou as têmporas, saturado — És um idiota… — Naruto continuava a olhá-lo, ansioso, pedindo que explicasse o que se passava — Ela emagreceu imenso nos últimos meses. E acho que não andava a dormir bem.

— Como é que podes saber disso e eu não? — indignou-se o loiro.

Sasuke suspirou. — Porque eu olho e vejo; tu só olhas. — fez uma breve pausa, para dar ênfase às palavras — Kakashi sabia o que se andava a passar.

— Mas ele não está aqui agora, pois não?

Sasuke olhou para Naruto, e encontrou fúria no rosto dele. Decidiu que não adiantava de nada provoca-lo mais. Toda a situação era já suficientemente má para Naruto.

 

x

 

Só no dia seguinte deixaram-nos visitar Sakura. Sasuke quisera ir para casa, mas Naruto decidira passar a noite no hospital e o Uchiha acabara por fazer-lhe companhia.

Quando chegaram ao quarto de Sakura, esta estava sentada, os braços amarrados ao corrimão da cama e com um tubo que ia desde o seu braço até a um saco. Surpreendeu-se ao vê-los ali.

— Naruto, Sasuke-kun… — murmurou, incapaz de assimilar bem a presença deles — Que fazem aqui?

— Que pergunta mais idiota, Sakura-chan! — enfureceu-se Naruto. — O que te aconteceu? Que se passa?

— Ah, Naruto, não é nada de grave…

Mas o colega não estava a ouvi-la. Irrompeu numa centena de perguntas, ora preocupado, ora furioso, desmanchando-se em todo um monólogo sobre a importância de confiar nos amigos e que devia ter dito alguma coisa se estava mal. Sakura escutou pacientemente até ele se calar. Só então ele reparou que ela estava a chorar.

— Sakura-chan — apressou-se a abraçá-la — Desculpa, Sakura-chan, não queria piorar.

— Não, Naruto-kun, tens razão. Eu devia ter-vos contado.



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