História Blue Bird - Capítulo 25


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Blue Bird, Exame, Haruno, Naruto, Rainforest, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Sasu-sensei, Uchiha
Exibições 160
Palavras 3.126
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


oi povão como vai a vida? tranquilo? de boa na lagoa? suavemente suave? espero que sim ~

Capítulo 25 - Omedetou!


Omedetou!

Sakura parou de espernear. Na verdade, ficou completamente imóvel. Um bilião de cenários passava-lhe pela cabeça, misturados com o choque e a desilusão. Nem sequer estava assustada. Sentia as lágrimas a queimar-lhe os olhos, mas era de raiva.

Quem é que ele pensava que era? Que raios queria ele dela? Porque é que estava a fazer aquilo?

Perguntou tudo isso, nos momentos em que recuperava a lucidez, mas não obteve resposta. Os dois homens — ouvia o outro ao lado — mantinham-se resolutamente silenciosos. Mas quem é que poderia estar a ajudar Sasuke nisto, e porquê?

Talvez Sasuke não estivesse realmente arrependido, e apenas tivesse voltado enquanto espião. Provavelmente usou-a para obter informação, ou aproximou-se dela para poder usá-la como arma. Sim, Sakura seria uma refém valiosa. E Sasuke, sabendo do estado de saúde dela, sabia perfeitamente que ela não seria muito difícil de capturar.

Maldito sejas, Sasuke Uchiha!

Mas não o disse em vez volta. Saber quem ele era poderia vir a ver útil no futuro, desde que ele continuasse a pensar que ela estava às escuras.

Perguntou-se para onde é que ele a estaria a levar. Estaria a pensar sair da vila? Como o faria sem ser detetado? Um ninja sozinho conseguiria, mas com um corpo ao ombros jamais passaria despercebido. Que truque teria ele na manga?

Os seus raptores caminharam pelo que pareceram horas, até que Sakura começou a ouvir o distinto, ainda que fraco, rumorejar de água. Um rio? Uma fonte? Ouvia ainda os grilos, muito mais altos do que antes, indicando que provavelmente estavam fora da zona residencial. Portanto, estavam perto da água e longe de casas.

Parecia óptimo.

Agora só faltava ser esquartejada e esperar que Tsunade realmente chorasse quando recebesse os pacotes com as partes do seu corpo, cada uma exigindo… fosse lá o que fosse que aqueles dois loucos queriam.

Sacudiu a cabeça, afastando da cabeça essa ideia macabra. Eles de certeza precisavam dela viva, ou já a teriam matado antes. Isso, pelo menos, dava-lhe algum tempo para pensar em alguma coisa.

Foi subitamente atirada para o chão, como um saco de batatas, e a dor atingiu-a nas zonas que embateram em pedras. Ouviu um sussurro indistinto, zangado, e algo que pareceu um soco, mas nada que pudesse compreender. Aguardou.

Ouviu passos de várias pessoas a aproximarem-se. Sentia os seus chakras, mas não conseguia reconhecê-los. Mas eram pelo menos mais quatro.

Maldição! O que é que lhe ia acontecer? E onde estava Naruto? Teria ficado para trás, ou também o tinham trazido?

Praguejou, não se apercebendo que o fizera em voz alta, e ouviu uma gargalhada em resposta.

Uma gargalhada familiar.

Congelou. O que é que se estava a passar ali?

No momento seguinte alguém mexia na sua venda, desapertando-a, e a primeira coisa que Sakura viu foi um par de intensos olhos azuis. De seguida, os seus pulsos foram libertados, e alguém a segurou nos ombros para a erguer. Sakura nem sequer reagiu ao facto de estar livre — estava concentrada naqueles olhos.

Levou alguns segundos a recuperar e a reconhecer Naruto, que lhe sorria alegremente.

— Sakura-chan! — exclamou o loiro, eufórico. Sakura ergueu o punho, furiosa, mas, no momento em que se preparava para atingi-lo, um coro de voz interrompeu-a.

Omedetou! Parabéns, Sakura!

O seu punho parou a meio do ar, enquanto Naruto aproveitava para se escapar. Sakura olhou em redor, encarando o grupo de rostos sorridentes.

Kakashi, Sasuke, Naruto, Sai, Tsunade, Ino. Estavam todos ali.

— Kuso! — exclamou, irritada, antes de relaxar. Tudo aquilo por uma surpresa? — Seus grandes imbecis, fazem ideia do susto que me pregaram? Naruto! — virou-se para o loiro, novamente de punho no ar, e socou-o com força. — Seu grandessíssimo imbecil, tens noção do susto que me deste?

— Ahh, Kakashi-sensei abusou da força! — defendeu-se o shinobi, coçando a cabeça. Ah, então era isso. Kakashi também estava metido naquilo? Virou-se lentamente para o jounin, os olhos flamejando. Kakashi quase se encolheu perante a feracidade do olhar de Sakura.

— Kakashi-sensei — urrou — estou profundamente desapontada consigo!

Kakashi coçou a cabeça, sorrindo daquela forma embaraçada com que ele sorria sempre. Naruto começou a dizer algo, mas Sakura ignorou-o. Estava ocupada a voltar-se para Sasuke com o mesmo olhar flamejante com que olhara para Kakashi. Ele pareceu genuinamente surpreendido, considerando que ninguém tocara no nome dele.

Encararam-se durante mais um pouco, Sakura sem conseguir dizer as palavras que lhe estavam entaladas — sobre o quão imbecil ele era e como jamais imaginara que ele estaria envolvido em algo tão insano —, mas não conseguiu. Como sempre, os olhos negros do Uchiha encaravam-na como se lhe lessem a alma.

— Não sou um saco de batatas. — acabou por dizer, fazendo referência ao modo como ele a atirara ao chão. Sasuke arregalou ligeiramente os olhos; como é que ela sabia que era ele?

Mas Sakura já estava a voltar-se novamente, encarando Sai, Ino e Tsunade. Até que ponto estariam envolvidos naquilo? Bem, Tsunade estava, ou não teria mentido sobre a suposta missão deles. Agora percebia que eles provavelmente tinham estado a orquestrar aquele plano louco.

— Se queriam fazer-me uma surpresa, não precisavam de me raptar! — censurou, suspirando. Já acalmara um pouco. Naruto aproveitou esse aligeirar de humor para lhe tocar no ombro, chamando-a.

— Sakura-chan. Olha.

 Tsunade e Ino desviaram-se, abrindo espaço à frente dela.

A primeira coisa que Sakura viu foi um grande lago negro, onde a lua cheia reflectia de uma forma que só poderia ser descrita como mágica. O coração de Sakura sentiu-se mais leve, mais calmo, como aquela visão tão bonita.

Depois Naruto apontou-lhe algo mais perto, e o olhar de Sakura caiu sobre uma toalha, sobre a qual vários tipos de comida estavam espalhados. Havia candeeiros em redor, alguns pendurados nas árvores, e a luz emitida por eles tornava o cenário bastante digno de um sonho.

Sakura absorveu tudo aquilo com ansiedade, mal acreditando no que via. Os olhos queimaram, e sentiu as lágrimas no rosto. Que bonito! Que mágico! Que inesperado! Esqueceu-se imediatamente do rapto, do susto, da raiva. E abraçou a primeira pessoa que encontrou — Naruto.

— Obrigada. — murmurou, preenchida de alegria. Sentiu outros braços rodearem-na, num abraço de grupo demasiado comovente. Agradeceu várias vezes, perdoando-os pelo susto que lhe tinham dado, e sentia-se feliz como há muito, muito tempo não sentia. Feliz porque finalmente estava com toda a gente de quem gostava; estavam todos juntos.

 

 

Comeram e beberam pela noite dentro. Naruto era fraco com a bebida e não demorou muito a adormecer — ainda que só depois de insultar Tsunade cinco vezes, desafiar Sasuke para uma luta outras dez, assediar Sakura pelo menos duas (a sua resposta em forma de soco não lhe deu muita coragem para mais), declarar o seu amor eterno por Hinata (que não estava presente), fazer uma serenata ao seu amado ramen e quase cair ao lago pelo menos três vezes. A noite fora agitada para ele.

Os outros deixaram-no dormir, deitado na erva tal e qual como caíra.

Tsunade também bebeu demasiado, e acabou por obrigar Sai a levá-la a casa. Ino também não ficou até tarde.

Contudo, por esta altura, Sasuke era a única pessoa remotamente sóbria. Bebera, mas, sendo uma pessoa contida, não pisara a linha. Sakura, por sua vez, bebeu um pouco mais do que e o seu limite.

— Sakura, não bebas mais. — disse Sasuke a cerca altura, tirando-lhe o sake da mão — Não quero ter de carregar-te a ti também para casa.

Sakura riu-se, começando a perder um bocadinho o controlo. Arrancou o sake de volta e encheu um copo, que bebeu de um gole só. Sentia-se bem, sentia-se feliz. Porque é que havia de parar?

Mas, dois copos depois, Sasuke atirou a garrafa ao lago sem sequer pestanejar. Sakura olhou para ele como um cachorro a quem tinham tirado o osso. Sasuke não mostrou qualquer piedade.

— Vamos embora — ordenou, começando a arrumar as coisas. Não havia muito para arrumar, considerando que tinham conseguido comer quase tudo, e só sobravam embalagens e garrafas vazias. Enfiou o lixo todo num saco e as sobras noutros. Quase teve se sacudir Sakura de cima da toalha para a poder guardar também. — Anda, Sakura, vamos embora, já é tarde.

— Mas Sasuke-kuuuuuuun — resmungou, atirando-se para o chão e começando a rebolar na erva — Está uma noite tão bonita! Vem rebolar comigo!

Sasuke suspirou, começando a perder a paciência. Aproximou-se, determinado a levar Sakura dali, nem que tivesse de arrastá-la. Mas Sakura ébria era uma Sakura mais perigosa do que uma sóbria, e agarrou-lhe o tornozelo como um torno. Puxou. E Sasuke caiu em cima dela com força.

— Ai, Sasuke-kun, és pesado! — resmungou, começando a empurra-lo. Na verdade ele caíra de forma perpendicular, pelo que na verdade nem metade do seu peso estava em cima dela. E pelos vistos, Sakura bêbada não tinha tanto desejo de proximidade quanto a sóbria.

Sasuke já se estava a erguer, já fungando de irritação, quando Sakura mais uma vez lhe mostrou quão imprevisível podia ser naquele estado. Agarrando-o pelos ombros, puxou-o para cima de si, e desta vez Sasuke realmente caiu com todo o peso em cima dela. As testas bateram e Sakura soltou uma sonora gargalhada.

— Sakura, por amor de Deus… — resmungou Sasuke, a sua paciência já nos limites. Mas Sakura parecia completamente imune. Apenas ria, agarrando-se ainda a ele, alheia ao que estava realmente a fazer.

— Sasuke-kun, rebola comigo! — voltou a pedir, empurrando-o mais uma vez. Sasuke rebolou para o lado, aliviado; mas foi alívio de pouca dura, porque no momento seguinte era ela que estava em cima dele. — Sasuke-kun, és tão leve! — riu.

Sasuke bufou.

— Sakura, sai de cima de mim. — pediu. Mas já devia saber que era inútil. A moça deixou-se ficar em cima dele, rindo histericamente até chorar e ficar cansada. Rebolou de cima dele, estendendo-se na erva ao lado.

— Sasuke-kun, sinto-me cansada. — murmurou.

Sasuke agiu rapidamente, levantando-se e agarrando numa das garrafas de água que estava no saco dos restos. Despejou metade dela em cima de Sakura antes que ela tivesse tempo de considerar adormecer. Sakura sentou-se imediatamente, indignada na sua plena bebedeira.

— Desculpa, Sakura, mas não quero carregar dois. — disse, ainda que sem qualquer remorso, enquanto a obrigava a levantar-se. Sakura cambaleou, mas parecia aguentar-se em pé. — Vamos embora.

Levou-a a casa — Naruto num ombro, ressonando sonoramente, e Sakura ao seu lado, ocasionalmente precisando de um apoio para não cair. Mas conseguiram chegar lá sem grandes incidentes. Antes de ir embora, Sasuke perguntou-lhe como é que descobrira que fora ele a carrega-la. Sakura balbuciou algo sobre o ‘cheiro’ e caiu no sofá da sala, onde adormeceu instantaneamente. Sasuke decidiu que não precisava de se preocupar mais com ela — ainda tinha Naruto para carregar — e saiu, trancando a porta por fora e enfiando a chave por baixo da porta. Mas só conseguiu suspirar de alívio quando, uma hora depois, depois de largar Naruto, chegou ao seu próprio apartamento e adormeceu.

 

 

Sakura acordou com uma dor de cabeça tão grande que não tinha memória de outra semelhante. Mas não foi a única coisa que sentiu — havia também um cheiro, azedo e desagradável, impregnado em seu redor. Percebeu que estava na saa. Olhou para o lado; havia uma poça de vomitado no chão ao lado do sofá.

— Oh meu deus… — murmurou, embaraçada. Também não se lembrava de como chegara ali, nem do que é que acontecera exactamente na noite anterior. Levantou-se e foi à cozinha beber água — sentia a garganta seca e amarga — e voltou limpar aquela confusão nojenta. Depois foi tomar banho. Banho esse que aproveitou para pôr a sua memória a funcionar e tentar lembrar-se de tudo.

Havia vários buracos na sua memória, mas aos poucos começou a recordar-se das coisas: o ‘rapto’, a surpresa, o piquenique nocturno, Naruto bêbado e a dormir, ter ficado sozinha com Sasuke, e depois… nada. Ficara tão bêbada que apagara.

Sasuke provavelmente trouxera-a a casa — era a única explicação para ter acordado ali. Não era possível que ela tivesse conseguido chegar a casa naquele estado.

Então lembrou-se: hoje já voltava a trabalhar.

Olhou para as horas, constatando que estava atrasada. Aliás, atrasadíssima. Calçou-se à velocidade da luz e saiu de casa quase a correr. Quando chegou ao hospital, ofegante e stressada, uma enfermeira veio ter com ela.

— Sakura-san, pensei que não viesse. — disse delicadamente — Hokage-sama disse-nos que hoje voltava.

— Peço desculpa pelo atraso. — respondeu, embaraçada, e seguindo a enfermeira. Esta começou imediatamente a explicar quais eram as tarefas dela naquele dia, e Sakura dedicou-se a estas com o seu empenho habitual.

Já sentia saudades de trabalhar no hospital. Era stressante, e sabia que sairia de lá exausta no final do dia, mas jamais pensara duas vezes sobre o seu trabalho lá. Gostava do que fazia. Sentia-se útil e realizada, com um propósito claro para a sua vida — a de salvar outras vidas.

Regressou a casa mais estafada do que julgava que ficaria. Já perdera o ritmo e sabia que os primeiros dias seriam particularmente penosos, mas não tinha noção do quão débil se tornara.

Bem, pensou, hei-de compensar isso.

Foi então, enquanto regressava a casa, que a noite anterior voltou a cair sobre si. Atarefada durante o dia todo, não tivera tempo para pensar no assunto; mas agora que acabara, a sua mente permitiu-se vaguear pelas milhares de teorias que imaginava que poderiam ter acontecido. A mais grave de todas era a possibilidade de ter assediado Sasuke enquanto estava bêbada. Só ela sabia o quão perversa ela conseguia ser quando bebia demais — Naruto já tivera uma vez de a afastar de Sai, porque Sakura estava convencida que era Sasuke.

Meu deus, precisava de falar com ele a perguntar o que acontecera.

Mas não podia simplesmente irromper pela casa dele a exigir explicações; não quando tinha a sensação de que, se alguém merecia explicações, devia ser ele, por mais que não se lembrasse de nada.

Ai, que dilema.

Talvez estivesse no Ichiraku? Passou por lá, mas não o encontrou. O dono da barraca, contudo, confessou que Sasuke e Naruto tinham saído há pouco mais de uma hora. Sakura agradeceu e decidiu procurar no campo de treinos.

Estava certa, e não conseguiu evitar um sorriso quando viu os dois colegas embrulhados num combate de taijutsu, alheios ao que os rodeava. Observou-os enquanto aguardava que a luta terminasse, sabendo de antemão que iriam empatar. Empatavam sempre.

Kakashi não estava por perto, e isso não a surpreendeu muito. Ele próprio tinha uma equipe nova que precisava de ensinar.

A luta acabou pouco depois, embora já o céu começasse a ficar alaranjado. Aqueles dois já tinham jantado, considerado a sua passagem pelo Ichiraku anterior, mas Sakura não.

— Sakura-chan! — exclamou Naruto, eufórico como era seu costume, coberto de mazelas e arranhões. — Vieste juntar-te a nós?

Sakura riu-se, negando, e os dois aproximaram-se. Sasuke estava no mesmo estado que Naruto. Mais uma vez, não conseguiu evitar comentar isso:

— Vocês vão-se matar um ao outro um dia destes e vai sobrar para mim…

—… tratar do resto. Sim, Sakura-chan, já sabemos! — conclui Naruto. — Ai, Sakura-chan, estás com um ar terrível!

Sakura ficou desarmada, mas não o suficiente para não mostrar a sua irritação. Ergueu o punho.

— Ainda tenho chakra suficiente para te arrumar, Naruto! — ameaçou, fuzilando-o com o olhar. Naruto encolheu-se, ainda que a rir.

— Ainda? — perguntou Sasuke, como se perguntasse porque é que ela estaria com pouco chakra. Sakura olhou para ele, e depois para Naruto. Não lhes tinha contado?

— Ah, sim. Eu hoje voltei a trabalhar. — explicou — No hospital e a fazer missões com a minha equipa.

— Sim, contaste-nos ontem. — retrucou Sasuke, deixando-a confusa. Qual era a dúvida, então? — Mas porque é que estás com o chakra baixo?

— Passei o dia todo a tratar pessoas. — respondeu, como se dissesse o óbvio.

— Devias poupar-te mais. — resmungou, erguendo uma sobrancelha — Precisas do chakra para a tua recuperação.

— Sasuke-kun, eu estou muito melhor. E se Tsunade-sama acha que estou pronta, é porque realmente estou. — esboçou um sorriso, tentando transmitir segurança — Além disso, sinto-me bem por ter passado o dia a trabalhar. Acho que vai ajudar na minha recuperação manter-me ativa.

Sasuke respondeu com um grunhido, pouco convencido, mas sem argumentos. Naturo apenas olhava de um para o outro, tão confuso quanto surpreendido por vê-los trocar mais do que monossílabos.

— Ué, desde quando é que vocês conversam como gente, ‘ttebayo? — perguntou. Sasuke lançou-lhe um olhar cortante, mas Sakura sorriu-lhe com embaraço.

— Bem, eu só queria perguntar o que é que aconteceu ontem. — disse Sakura, desviando o assunto e ao mesmo tempo indo direta ao que a levara ali; olhou directamente para Sasuke — Eu não me lembro de nada.

— Ficaste bêbada. — respondeu ele, encurtando ainda mais as suas frases — E rebolaste no chão. Tive de levar-vos aos dois a casa.

Sakura não acreditou que tivesse sido só isso, mas decidiu não insistir. Sasuke estava de mau humor, e Naruto não sabia de nada. Largou a questão — pelo menos por enquanto.

— Bem — disse, tentando sorrir — Eu estou cansada e ainda não jantei. Vou para casa. Vocês ficam aqui a treinar?

— Nã, eu tenho fome — respondeu Naruto, cruzando os braços atrás da cabeça — Vêm comigo comer ramen?

— Naruto, estivemos lá há pouco. — sibilou Sasuke. Sakura quase conseguia ver a aura negra dele. Limitou-se a acenar negativamente com a cabeça. Naruto resmungou, queixando-se da solidão que eles os dois lhe davam, mas foi embora a cantarolar. Sakura suspirou profundamente quando ele desapareceu de vista.

— Vais para casa, Sasuke-kun? — perguntou, cautelosa. No estado de humor em que ele estava, poderia descarregar nela também. Mas Sasuke já recuperara uma expressão neutra e limitou-se a anuir antes de começar a andar. Sakura recuperou o avanço e caminhou ao seu lado, sem dizer mais nada.

Separaram-se quando chegaram à casa de Sakura.

— Até amanhã, Sasuke-kun. — despediu-se Sakura.

— Até amanhã.

Sakura foi directamente tomar um banho e adormeceu, esquecendo-se de jantar.

 

 

Sasuke não voltou a procura-la durante a noite, o que definitivamente a deixou bastante desiludida. Não comentou nada com ele, nem ele tentou justificar-se. As semanas passaram e Sasuke afastou-se cada vez mais dela. Num desses dias, ele cancelou o treino com ela — porque, apesar de ela já conseguir treinar com ele com o resto da equipe, ambos treinavam sozinhos uma vez por semana, como medida de prevenção. Sakura sentiu o seu coração ser atirado ao chão quando percebeu que ele estava a cortar os seus laços com ela.

Os dois tinham construído uma relação amigável, ainda que pouco clara. Sakura gostava de estar com ele e chegou mesmo a acreditar que ele também. Ele até ajudara naquele plano louco de aniversário dela. Tudo indicava que Sasuke gostava dela — Sakura já nem pedia que a amasse; contentava-se com um amor de amigo, por mais esperanças que tivesse desenvolvido. Mas agora, simplesmente, ele não queria mais nada.

Ainda tinha Naruto. E Ino. E às vezes, Sai. Mas isso não a impediu de se sentir bruscamente muito sozinha.

 



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