História Blue Bird - Capítulo 26


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Blue Bird, Exame, Haruno, Naruto, Rainforest, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Sasu-sensei, Uchiha
Exibições 128
Palavras 2.506
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


wow fantastic baby

Capítulo 26 - Precisas de nós


Precisas de nós

Depois do aniversário de Sakura, Sasuke foi-se apercebendo de muitas coisas.

A sua relação com Sakura já andava um pouco ambígua há algum tempo — ele dormia com ela, por amor de Deus! —, mas depois daquela noite tudo ficou muito mais claro. Pelo menos, no sentido em que percebeu que estava confuso.

Essa confusão desconcentrava-o, tirava-lhe o sono e enervava-o.

Quando, no dia seguinte ao aniversário de Sakura, ela apareceu no treino cansada e com o chakra fraco, percebeu que se preocupava demasiado com ela. Isso terá sido o gatilho dele.

Nessa noite, ficou acordado. Precisava de fazer alguma coisa antes que fosse tarde demais. Tinha de descobrir o que se passava consigo próprio e, ao mesmo tempo, evitar um desastre — como magoar Sakura mais uma vez. Um dilema que ele gostava de não ter, algo que em tempos nem sequer seria considerado um problema, mas que agora atrapalhava toda a sua vida.

Precisava de fazer alguma coisa, e depressa.

Por isso, decidiu simplesmente afastar-se — completamente — até descobrir o quê.

Deixou de ir dormir a casa de Sakura — mesmo que isso significasse ficar sem dormir completamente, já que encontrara nela a segurança e conforto que tanto lhe faltavam à noite. Deixou de treinar com ela — mesmo que isso fosse profundamente egoísta. Deixou de ir a casa dela, enviando antes Naruto quando precisasse de alguma coisa. Deixou de abrir-lhe a porta quando ela o ia visitar. Deixou de conversar com ela, respondendo-lhe apenas quando era necessário. Quando se magoava, ia ao hospital ou ignorava, para não permitir que fosse ela a curá-lo.

Ao todo, deixou de lidar com Sakura, como se ela não existisse.

O problema era que, apesar de tudo isso, e do esforço doentio que fazia para manter esse jogo — porque custava-lhe; custava-lhe muito, sobretudo quando encontrava o olhar desolado dela — as conclusões a que começava a chegar não lhe agradavam. Não lhe agradavam mesmo nada.

Sentia falta dela. Do calor dela. Dos olhos dela. Da voz dela.

A atração que sentia por ela começava a tornar-se cada vez mais incómoda, sobretudo quando ganhava consciência desse sentimento. Sabia que não era apenas atração — era mais. Mas não conseguia admiti-lo a si próprio. Não ainda. Não queria acreditar que alguém como ele — Sasuke Uchiha, o traidor, assassino, vingador, homem frio e arrogante — poderia sentir amor.

Não queria acreditar que Sakura Haruno conseguira penetrar na sua concha de apatia e o fizera sentir algo por ela.

Entretanto, aproveitou para finalmente se mudar definitivamente para o distrito Uchiha.

 

O estado de tristeza de Sakura agravou-se profundamente. A única coisa que a mantinha motivada era o seu trabalho, as pequenas missões que fazia com a sua equipa, o tratar dos doentes no hospital, os treinos com os amigos — que, com Sasuke indolente, se resumia somente a Kakashi e Naruto, quando Sai não aparecia.

A certa altura, cansada do comportamento dele, deixou de tentar falar com ele. Deixou de procurar explicações. Deixou de visitá-lo. Deixou de procurar a sua companhia.

Sakura Haruno não era um brinquedo descartável, e não iria rastejar por Sasuke Uchiha.

A sua vida até poderia regressar ao que fora antes do regresso de Sasuke, se não o visse frequentemente, recordando-lhe que, antes daquilo, eles tinham sido chegados.

Ou pensara que eram.

 

 

Naruto não era nenhum idiota completo. E Kakashi era demasiado perspicaz.

Por isso, não eram raras as vezes que os dois conversavam sobre Sasuke e Sakura, discutindo aquela relação bizarra deles. Sakura já fora muita coisa para Sasuke — de amiga a inimiga, depois do seu regresso novamente amiga e agora, aparentemente, inimiga outra vez.

Claro que tinham reparado na proximidade deles, sobretudo após o diagnóstico de Sakura. Não sabiam até que ponto tinham ficado próximos, mas assumiam-nos como amigos. Quando, de um momento para o outro, Sasuke passou a ignorar Sakura, ficaram estupefactos — mas não fizeram perguntas. Depois foi Sakura que decidiu retribuir na mesma moda — e o sentimento de estupefacção dos colegas aumentou.

Viam-nos aos dois a definhar enquanto se ignoravam mutuamente, e tornava-se cada vez mais difícil não fazer perguntas.

— Sakura-chan! — chamou Naruto, acenando para a amiga. Ele e Kakashi estavam no Ichiraku, sozinhos. Sasuke tinha sido convocado pela Hokage e Sakura tinha passado a manhã toda com os seus alunos. Mas ela vinha agora ao encontro deles, e sorriu quando os viu. — Sakura-chan, já almoçaste?

— Não, ia agora a caminho de casa. — respondeu, calma. Kakashi não deixou de reparar nas olheiras que tinham voltado, nem no cansaço marcado no seu rosto.

— Senta-te e almoça connosco, Sakura. — sugeriu, observando-a debater-se antes de aceitar. Sentou-se ao lado de Naruto. Kakashi continuava a analisá-la, procurando por onde poderia pegar. Estava na hora de um interrogatório.

— Sakura-chan, pareces tão cansada. — comentou Naruto, visivelmente preocupado. Reparara no mesmo que Kakashi.

— Ah, Naruto, tive uma manhã muito atarefada. — justificou Sakura, sorrindo. Mas não enganava ninguém.

— Sakura — chamou cautelosamente Kakashi — Preciso de perguntar-te algo que pode ser um pouco pessoal.

Sakura hesitou, olhando para ele com um misto de medo e surpresa. Tinha quase a certeza do que é que ele queria perguntar, mas havia uma réstia de esperança de que fosse outra coisa. Acenou com a cabeça, o coração batendo depressa, consentindo.

— O que é que se passa entre ti e o Sasuke?

Lá estava. O coração falhou uma batida e Sakura baixou a cabeça, fechando os olhos. Tinha as mãos no colo, os punhos fechados com tanta força que ficavam brancos. A tristeza no seu rosto era tão forte que Kakashi quase se arrependeu de ter perguntado.

— Sinceramente… — murmurou ela por fim, a voz embargada apesar do esforço — Eu não sei.

Kakashi e Naruto entreolharam-se, pensando o mesmo. Kakashi sentia-se mal por insistir no assunto, mas não podia deixar aquilo assim.

— O que é que se passou? — perguntou suavemente.

— Nós começámos a dar-nos bem. — finalmente ergueu a cabeça e olhou para Kakashi, que acenou em sinal de compreensão, silenciosamente dizendo que tinha notado — Ele até veio pedir-me desculpa mais do que uma vez. Ficámos muito… próximos. — evitou cautelosamente os detalhes, considerando-os demasiado pessoais e não suficientemente relevantes, e desviou o olhar novamente para o chão — Mas de repente ele deixou de me falar. Sem explicação nenhuma, só… — calou-se, reprimindo um soluço. Mas Kakashi e Naruto não precisaram que ela acabasse a frase. Perceberam-na.

Sasuke tinha-a abandonado sem mais nem menos. Tal como há sete anos.

Fez-se um silêncio sepulcral, onde o único som vinha da rua ou da cozinha da barraca. Subitamente, uma pancada forte despertou Sakura e Kakashi, olhando para Naruto. Ele acabara de dar um murro no balcão e estava furioso.

— Aquele imbecil! — rosnou, tremendo de raiva, os punhos cerrados com força. Sakura olhou para ele assustada. Kakashi mostrou alguma preocupação. — Como é que ele se atreve, Sakura-chan! Vou matá-lo! — saiu disparado da barraca, e Sakura sabia onde é que ele ia. Tentou impedi-lo, mas foi completamente ignorada. Virou-se então para Kakashi, assustada.

— Kakashi-sensei, não o deixe fazer nada de estúpido. — pediu.

Kakashi apenas abanou a cabeça, não saindo do sítio.

— Eles têm de entender-se entre si, Sakura. — disse calmamente.

— Mas este problema é entre mim e Sasuke!

— Não, não é. — esboçou um sorriso triste — Tudo é que vos envolve, envolve também o Naruto. Sobretudo o que te envolve. Sabes que Naruto só te quer proteger. Além disso — suspirou pesadamente — o Naruto nunca perdoou o Sasuke por não gostares dele da mesma forma, e por Sasuke te descartar. Acho que é desta que vão ajustar contar. — encolheu os ombros, tornando a voltar-se para a taça de ramen no balcão.

Sakura ficou pensativa, subitamente sem apetite. Ficou até Kakashi acabar o seu almoço, apenas para lhe fazer companhia e, ao mesmo tempo, ela própria não ficar sozinha só mais um pouco. A presença do sensei era sempre tranquilizadora.

Depois, foi para casa, profundamente preocupada.

 

 

Sasuke estava esfomeado e irritado. A Hokage chamara-o nessa manhã para discutir a sua situação na aldeia e, por mais que a sua vontade de visitar a sannin fosse escassa, foi. Contudo, ela não queria discutir a situação actual dele — queria discutir o futuro dele.

— Já fiquei a saber que pretendes voltar a integrar o corpo de ninjas de Konoha. — dissera ela após os cumprimentos iniciais — E assumo que tens consciência dos procedimentos que ainda tens de levar a cabo para tal?

Sasuke anuiu, pouco falador como era costume seu.

— Bem, e já tens alguma ideia de quando irás começar?

Sasuke encolheu os ombros.

— Assim que tratar de todos os meus assuntos pendentes. — não disse o que eram esses assuntos, e Tsunade também não perguntou. Contudo, a Hokage soltou um longo suspiro antes de responder.

— Bem, Sasuke, acontece que, por mais que não queiramos admitir, precisamos de ti. — disse, num tom casual, embora cansado — O que vou dizer a seguir é confidencial, como deves calcular. — fez uma pausa, analisando a reacção do Uchiha, mas obtendo nada dele — Alguns dos nossos melhores shinobi têm estado a ser assassinados ou raptados ultimamente. Presumivelmente por Kabuto, se as informações que recebemos estiver correta. Por isso, estamos com alguma pobreza em forças e dava-nos jeito alguém como tu nas nossas fileiras.

Sasuke ficou genuinamente surpreendido com o que ela disse. Konoha a pedir a ajuda dele, apesar de tudo? Revelando informação confidencial? Fora assim tão fácil recuperar a confiança?

— Contudo, como deves saber — continuou Tsunade — Não podemos colocar-te em missões importantes sendo tu um genin.

— Qual é a vossa proposta? — deu por si a perguntar. Sabia perfeitamente que os exames tinham datas especificas; chuunin ou jounin.

— O exame chuunin e o exame jounin são daqui a meses, e em datas bastante separadas. Contudo — cruzou as mãos por baixo do queixo — podemos somente fazer-te um exame chuunin especial, e depois tornar-te jounin por recomendação. O exame chuunin individual é algo que nunca aconteceu antes, mas, dadas as circunstâncias…

Sasuke já ouvira falar das recomendações para jounin. Aparentemente, Shikamaru fora um deles. Perguntou-se distraidamente se Sakura se formara desse modo ou se fizera o exame, como Naruto.

— E quando seria isso? — perguntou, regressando à realidade.

— Daqui a uma semana? Precisamos de tempo para preparar tudo, mas… depende de ti.

— Vou pensar no assunto. — respondeu, voltando as cotsas e dirigindo-se à saída. Contudo, a voz da Hokage voltou a chamá-lo.

— Sasuke. — ele parou, mas não se virou — Um passo em falso e faço da tua vida um inferno. E não estou a falar enquanto shinobi. Estou a falar enquanto mentora.

Não dele, evidentemente. Sasuke recebeu e compreendeu a mensagem. Tsunade referia-se a Sakura. Não respondeu, e abandonou o escritório a fervilhar de raiva.

Agora regressava a casa e, como acima referido, estava esfomeado e irritado. Seria de esperar que a sua expressão e linguagem corporal mantivessem qualquer um afastado, mas não Naruto. E Naruto apareceu à frente dele sem qualquer tipo de receios.

Teme, temos de falar. — exigiu. Sasuke viu o seu olhar feroz, mas escolheu ignorá-lo. Continuou a andar e deixou-o para trás. — Sasuke, seu idiota, se não falares comigo então lutamos aqui e agora!

Sasuke parou, soltando um longo e irritado suspiro.

— Floresta Uchiha. Daqui a uma hora. Tenho de almoçar. — disse.

Naruto preparava-se para contestar, mas concluiu que era melhor deixá-lo em paz e esperasse que fosse falar de livre vontade. O mau humor de Sasuke era sempre insuportável.

— Se não apareceres, vou perseguir-te e esfregar essa tua cara de idiota no chão. — ameaçou, desaparecendo em seguida.

Sasuke voltou a suspirar, retomando o seu caminho. O que é que aquele imbecil queria agora?

 

 

Naruto preparava-se para ir procurar Sasuke e fazer exactamente o que prometera, quando o Uchiha apareceu. Parecia descontraído, as mãos nos bolsos e o olhar indiferente, mas Naruto conhecia-o melhor que isso e percebia que estava irritado. Tal como tinha estado todos os dias nas últimas semanas.

— Que é que tu queres, dobe? — perguntou Sasuke, mal disfarçando o mau humor.

— Explicações. — Naruto cruzou os braços sobre o peito, tentando ter uma atitude ameaçadora.

— Sobre o quê?

— Sakura-chan. O que é que lhe fizeste, seu imbecil?

— Nada. — a indiferença na sua voz era tanta que Naruto irritou-se ainda mais.

— Aldrabão! — esmurrou o ar para apontar um dedo acusador a Sasuke — Diz-me a verdade!

— Naruto, não há nada para… — calou-se. Naruto agarrara-o pelo colarinho e tinham as testas quase encostadas. O olhar de Naruto variava de furioso a homicida.

— Deixa-te de merdas, Sasuke, seu filho de uma cadela miserável. Toda a gente sabe que és egoísta e infeliz, mas escusas de arrastar a Sakura para essa tua miséria. Quero saber o que é que se passa e quero saber JÁ!

— Já não acreditas no bem que há em mim, Naruto? — troçou, libertando-se calmamente de Naruto. Este preparou-se para carregar novamente sobre ele, mas Sasuke adiantou-se ao responder-lhe efectivamente — Afastei-me dela precisamente para não a arrastar para o meu foço.

Isso claramente surpreendeu Naruto, congelando-o a meio de um soco. O seu punho caiu, e os seus olhos procuraram a troça no olhar de Sasuke. Mas esta última frase foi dita com a mais sincera seriedade.

— Do que estás a falar, teme? — perguntou, ligeiramente mais calmo.

— Tenho demasiado com que me preocupar além dela. — retrucou o moreno — Ela só estava a distrai-me e a afastar-me dos meus objectivos.

— Sempre a mesma desculpa. — a raiva voltou — Sasuke, que objectivos é que tens agora? O que é que pode ser assim tão importante a ponto de magoares outra vez a Sakura?

Sasuke não queria admitir que ela própria era uma das suas preocupações, nem que não tinha nenhum objectivo concreto no momento. Bem, ele há algum tempo decidira tornar-se uma pessoa melhor, mas isso não era um objectivo verdadeiro — e nada em que estivesse a ter sucesso.

— Não tens nada a ver com isso, Naruto. — respondeu, gelado. Depois lembrou-se na conversa que tivera com Tsunade nessa manhã. — Mas, de qualquer modo, pretendo regressar às forças de Konoha.

Também isto apanhou Naruto de surpresa. Não fazia ideia que o amigo estava a mentir com todos os dentes — pelo menos, quanto ao facto de Sakura ser um embaraço. Mas, tratando-se de Sasuke, não teve dificuldade em acreditar que o Uchiha considerava Sakura como um estorvo para o seu desejo de se tornarn jounin.

— Pensei que tivesses mudado, Sasuke. — disse, com pesar, a desilusão fortemente presente na sua voz. — Mas continuas a cometer os mesmos erros, uma e outra vez. Estás preso num ciclo vicioso de egoísmo e ódio. Nem te amas nem deixas os outros amar-te. — cerrou os punhos, desejoso de simplesmente esmurrar Sasuke — Continua a mentir a ti próprio. Precisas de nós. Precisas de Sakura. Foi por isso que voltaste. Mas agora tens a lata de magoar outra vez e rejeitar outra vez a única pessoa que nunca deixou de te amar. — deu um passo atrás, preparando-se para ir embora — Se a Sakura significa seja o que for para ti… deves-lhe uma explicação. Porque Sasuke, deixá-la sozinha sem lhe explicar sequer o porquê é muito filha da putagem.

Naruto foi-se embora, e Sasuke viu-o partir sem qualquer comentário ou movimento. Só regressou a casa quando Naruto já tinha desaparecido.

Aquele sacana conseguira acertar um maldito nervo.



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